quinta-feira, 16 de agosto de 2012

LIÇÕES DAS OLÍMPIADAS DE LONDRES - RIO 2016 E NASCEU OUTRO RAFAEL

Boa noite  amigos,
A festa das Olimpíadas de Londres chegou ao fim. O Brasil conseguiu, entre surpresas e decepções, realizar a melhor campanha de sua história de participações nas Olimpíadas, desde 1.920, tendo conquistado 17 medalhas, contra 15 de Atlanta1996,  e de Pequim – 2008 Deve-se  considerar, no entanto, que a de Londres só pode ser reputada a melhor quantitativamente, porque como se sabe, o que conta efetivamente é o número de medalhes de ouro, depois de prata, e só por último, as bronzeadas.  Das 17 referidas, apenas 03 foram de ouro, contra 05 na campanha de Atenas-2004, quando ganhamos o maior número de medalhes de ouro, conquanto, no total,  tenhamos terminado com  10 medalhas. Como aperitivo para as Olimpíadas de 2.016, no Rio de Janeiro, o desempenho foi muito fraco. Se quisermos efetivamente competir aqui no Rio e não figurarmos como meros anfitriões da maior festa do esporte mundial, é bom lembrar que temos apenas 4 anos para investimentos e progressos no campo do esporte, o que não vai acontecer só com conversas e promessas. Políticas públicas criativas, que possam efetivamente fomentar a descoberta de talentos perdidos por esse  país continental, carente e, sobretudo, desigual, são efetivamente indispensáveis, inclusive para atrair as parcerias privadas de muita gente que tem interesse econômico real na realização do evento e ainda dos que, mediante incentivos fiscais, possam se interessar no patrocínio de atletas das mais diversas categorias e que eventualmente tenham que se especializar e se aperfeiçoar no exterior e precisam de meios e condições para fazê-lo. A lição de Londres deve ser assimilada.  O peso enorme da bandeira brasileira e de seu povo sofrido, tirou alguns de nossos atletas considerados favoritos,  do pódio, ou da medalha dourada. Foi assim com Cielo, com Maurren Maggi, com Fabiana Murer, a demonstrar que o preparo físico e a dedicação não são suficientes para ganhar e é preciso cuidar do homem, de seu espírito, de seu psicológico, do estresse a que atletas, como seres humanos que são, também são submetidos. No Brasil, ao contrário de países que incentivam e mantêm a cultura e o esporte, para ser campeão, é preciso ser herói. A Presidenta Dilma, que se disse encantada com a Casa Brasileira montada em Londres e que é importante investir na formação de atletas dos esportes individuais e não apenas do coletivo (futebol, vôlei, basquete), precisa urgentemente  entender que é indispensável transformar o discurso em ação.  O papel de toda a imprensa também é fundamental. Poderíamos pensar em inserir mais programas esportivos nas grades das programações, revertendo, para o esporte amador, parte da verba obtida com patrocínios. A par disso também funcionar como olheiros por todos os cantos do país, para que, com o olho clínico de nossos profissionais, possamos encontrar gente de talento que precisa ser prestigiada e bancada, a exemplo do que fez o governo chinês, antes das Olimpíadas de Pequim. E aproveitando as eleições, exigir a inserção, nos programas  de governo,  de  definição de percentual mínimo do orçamento público, para o esporte e a cultura, pois sem um, não se desenvolve o outro, certamente.  2.016 está aí, próximo. São só rápidos quatro anos.

NASCEU MAIS UM RAFAEL. BENVINDO.

Comunico, com grande alegria, o nascimento de mais um menino,  batizado de Rafael, assim como meu querido neto,  nascido agora em julho.
O Rafinha é o filho esperado e festejado do Procurador do Trabalho e Professor da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Sílvio Beltramelli Neto  e da advogada e Assessora do Tribunal Regional do Trabalho da 15a. Região,  Renata Chaib Beltramelli, nossos grandes amigos. Os avós corujas são: o Desembargador Euvaldo Chaib Filho e Judite Chaib (maternos) e Antonio Carlos Beltramelli e Regina Beltramelli (paternos).
Parabéns a todos eles, gente querida e pessoas da mais alta qualidade humana, que certamente envolverão o "rebento" num oceano de amor e carinho. E o desejo, ao Rafael, de uma vida  por caminhos iluminados, nos quais encontre paz, amor e a dignidade própria de seus pais e avós.

Ate amanhã amigos.

P.S. (1) O nadador norte-americano Michael Phelps, considerado “o fenômeno das piscinas” bateu mais um recorde olímpico nos jogos de Londres 2.012. Com as medalhas obtidas somou 19 (dezenove) ao todo, tornando-se o maior medalhista de todos os tempos na história dos jogos olímpicos, superando a então detentora da façanha, Larissa Latysia, da extinta União Soviética, detentora de 18 medalhas;

P.S. (2) Os dois maiores medalhistas olímpicos brasileiros são Torben Grael e Robert Scheidt, com 5 medalhas cada um. Scheidt igualou-se a Torben nas Olímpidas de Londres-2012, ao faturar medalha de bronze na classe star de vela.  No entanto, como Grael possui  2 medalhas de ouro, l medalha de prata e 2 de bronze, e Scheidt 2 de ouro, 2 de prata e 1 de bronze (uma de prata a mais que Torben), é considerado o recordista.

P.S. (3) A imagem da coluna, em homenagem ao velejador Robert Scheidt foi emprestada do site brasil.gov.br.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

DIREITO - AÇÃO DIRETA CONTRA SEGURADORA - STJ

Boa noite  amigos,
O Superior Tribunal de Justiça, por sua Segunda Seção, julgando Recurso Especial da Unibanco AIG Seguros S.A. decidiu um tema que suscitava e suscita grandes controvérsias na doutrina e na jurisprudência. Trata-se de se saber se a vítima de um ato ilícito pode mover ação de reparação de danos contra o agente e contra a seguradora, no caso de existir seguro em favor de terceiros. O entendimento que vedava essa possibilidade fundava-se em duvidosos aspectos técnicos. Argumentava-se que a vítima não tem vínculo jurídico e contratual  com a seguradora e que apenas o segurado poderia exercer esse direito, em via de regresso, no caso de ser condenado a compor os prejuízos do ofendido. Na hipótese de condenação, este só podia exercer o seu direito à composição dos danos, executando o agente. E por sua vez o agente, para exercer o  direito de reembolso, precisaria comprovar que efetivamente satisfez o valor da condenação. Por outro lado, se for aceita a denunciação à lide no mesmo processo que a vítima promove contra o agente, a impossibilidade da execução direta em relação à  seguradora,  era baseada no fato de que, no mesmo processo, estariam a correr  duas ações independentes, conquanto consequentes: uma em que o autor é a vítima e o réu, o agente, e outra, em que o agente é denunciante (autor, pois) e a seguradora, a denunciada (e ré), não sendo viável que a ré da segunda ação (seguradora), seja diretamente condenada a pagar ao autor da primeira ação (o ofendido).  Essa orientação, na minha perspectiva, não atendia à realidade da vida e a necessidade de composição do conflito, de maneira rápida e eficiente. Ademais, supondo-se que o réu, agente do delito, não seja solvente para suportar a condenação, como ficaria a situação? De um lado, a vítima sem poder executar o montante da indenização,  e, de outro,  o agente, que pagou o seguro e não viu resultado, e a seguradora, a grande beneficiária dessa história toda, que recebeu o prêmio do segurado e não assumiu o risco consumado. Que lástima! Bem, para resumir, na decisão do STJ, de que foi Relator o Ministro, Luis Felipe Salomão, ao estabelecer-se  a solidariedade entre agente e seguradora, perante a vítima, e pois, a possibilidade de ambos serem acionados, em conjunto, assevera  o Aresto que “a denunciação à lide busca solução mais ágil para a situação jurídica existente entre denunciante (segurado) e denunciado (seguradora), dispensando ação regressiva autônoma”. E se é assim “não é menos verdadeira a afirmação de que a fórmula que permite a condenação direta da litisdenunciada possui os mesmos princípios inspiradores desse instrumento processual”. E, ainda, que “essa solução satisfaz, a um só tempo, os anseios de um processo justo e célere e o direito da parte contrária (seguradora) ao devido processo legal, uma vez que, a par de conceder praticidade ao comando judicial, possibilita o exercício do contraditório e da ampla defesa, com todos os meios e recursos a ela inerentes”.
Está dito. E bem dito, porque a se entender que o terceiro, beneficiário do tal seguro, não tem legitimação para acionar diretamente a seguradora, por não ser parte no contrato de seguro celebrado, estaríamos a negar que o beneficiário, por exemplo, de um seguro de vida,  não pudesse acionar a seguradora, porque também não foi parte no contrato. E legitimação só teria o morto. Uma bobagem, certamente, mesmo porque é incontroverso que na chamada "estipulação em favor do terceiro", tanto o estipulante, quanto o beneficiário,  conservam legitimação independente para exercer o direito que resulta do contrato, como se infere do artigo 436 e parágrafo único do Código Civil de 2.002, em vigor.

Até amanhã amigos,
 P.S. (1) A imagem que ilustra a coluna foi emprestada do blog canilgcamsp.blogspot.com;
 
P.S. (2) A decisão do Superior Tribunal de Justiça a que se refere o nosso texto foi tomada no Recurso Especial n. 925130-São Paulo. O processo é da Comarca de Campinas.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

OLIMPÍADAS DE LONDRES E DO PASSADO - FUTEBOL DO BRASILEIRÃO

Amigos boa noite,
OLIMPÍADAS DE LONDRES.
As Olimpíadas de Londres  constituem, sem dúvida, a maior atração da mídia no final do mês de julho e primeira quinzena de agosto. As competições deverão terminar no próximo dia 12, com uma grande festa, como a que abriu os jogos olímpicos na capital da Inglaterra. Com altos e baixos, algumas surpresas positivas, como as medalhas de ouro na ginástica olímpica com o atleta Arthur Zanetti, e da piauiense Sarah Menezes, no judô,  e outras, negativas, justamente as derrotas de nossos competidores nos quais mais se apostava pelo desempenho anterior (Maurrem Maggi, no salto de solo, Fabiana Murer no salto de Vara e  Cesar  Cielo nos 50 m., embora este último tenha obtido a medalha de bronze).  De bom registre-se, apesar da eliminação, o nosso renascido basquete masculino que há muitos anos não ia a uma olimpíada e  a medalha,  no boxe, obtido pela baiana Adriana Araújo, com muita dificuldade e grande comemoração. Decepção também com as meninas do futebol que não subiram ao pódio e mostraram um time envelhecido e sem evolução tática, fruto do desprestígio e da falta de incentivo e grandes patrocínios ao esporte, no Brasil. A hegemonia americana só é ameaçada pelo crescimento impressionante da China, que tem revezado com o Tio Sam, no topo do quadro de medalhas. O terceiro lugar parece mesmo reservado à anfitriã. Ainda devemos somar algumas outras medalhas até o final da competição. Hoje temos 11, sendo 2 de ouro, 2 de prata com Thiago Pereira, na natação e Emanuel e Alisson, no volei de praia,   e 7 de bronze. Ocupamos o modesto 26º lugar. Assim mesmo progredimos muito. Veja abaixo o quadro das medalhas conquistadas pelo Brasil,  desde 1.920. A grande expectativa agora gira em torno da final do futebol masculino, a ser disputado em partida contra o México, no próximo sábado. Os meninos do Brasil já asseguraram ao menos a medalha de prata. Mas o que pretendem todos é a inédita medalha de ouro, pois é inacreditável que o país do futebol, que é  pentacampeão mundial,  não tenha ainda conseguido ganhar uma olimpíada no esporte inventado por Charles Miller. Quem sabe vamos ganhar a medalha dourada, na terra de seu criador.
NOTAS SOBRE O BRASILEIRÃO.
O Campeonato Brasileiro continua sendo o mais longo, difícil e esperado torneio do Brasil, em todas as suas quatro séries (A, B, C e D). A campanha da Ponte Preta no Brasileirão tem sido acima da expectativa, de sorte que o torcedor da macaca não tem do que reclamar. É verdade que a campanha apresenta altos e baixos. Mas convenhamos: num campeonato em que todos os jogos são clássicos, contra times de primeira linha do futebol brasileiro, a Macaca tem feito o melhor que pode. Ocupa a primeira parte da tabela, como pretende o seu técnico Gilson Kleina, para fugir das últimas posições e não ter que correr o risco, no segundo turno, de lutar contra o rebaixamento. De quebra briga por uma vaga na Sulamericana, o que hoje é uma realidade palpável: Está em 9º lugar, com 20 pontos e uma campanha uniforme de 5 vitórias, 5 empates e 5 derrotas em 15 jogos. O centroavante Roger tem melhorado sensivelmente nas últimas partidas, marcando os gols que a equipe precisa e a defesa e o meio campo têm sido regulares. Não custa lembrar que a Ponte é a segunda equipe de São Paulo melhor classificada. Só perde para o São Paulo, que está em 6º lugar com 25 pontos e foi derrotado, esta noite, em São Januário, pelo bom time do Fluminense. O Corinthians ocupa apenas o 11º lugar com 18 pontos, a Portuguesa de Desportos, o 13º, com 17 pontos, o Santos, o 14º, com 16 pontos e o Palmeiras, apenas o 17º lugar, dentro, portanto, da zona de rebaixamento, apesar da boa vitória de ontem sobre o Botafogo no Rio de Janeiro, com 13 pontos.
PALMEIRAS
O Verdão realiza até aqui uma campanha abaixo da crítica, ocupando, após 15 rodadas, a zona de rebaixamento. Se me perguntarem  se o Palmeiras tem time e tempo para disputar o título ou uma vaga na Libertadores (de que ele já não precisa por ter garantido essa vaga como campeão da Copa do Brasil), a resposta é NÃO. E se me perguntarem se o Palmeiras  é time para cair, a resposta é também NÃO, absolutamente. A equipe está se entrosando, encontrando um melhor futebol e acertou na contratação do centroavante argentino, Barcos, que tem dado certo e feito muitos gols, além de participação efetiva  na troca de passes e nas assistências.
CLEBER MACHADO E OS EQUÍVOCOS.
O locutor esportivo, Cleber Machado, da Rede Globo de Televisão é um excelente profissional, sem dúvida. Mas o que o homem é distraído é uma “grandeza”,  expressão que ele mesmo gosta de usar. Frequentemente troca o nome dos times que estão jogando, inverte resultados e coisas desse gênero. Ontem, durante a transmissão da partida entre Palmeiras e Botafogo, não é que chamou “Barcos” de “Loco Abreu”. E olha que o Loco Abreu nem joga mais no Botafogo. Tá certo que ambos são argentinos. Mas daí..... Preste mais atenção, rapaz!
QUADRO DE MEDALHAS.
A primeira participação brasileira aconteceu nas Olimpíadas de Antuérpia, na Bélgica, em 1.920. A delegação brasileira, composta exclusivamente por atletas masculinos, era de rigorosos 21 participantes, nas modalidades de tiro esportivo, natação, pólo aquático, saltos ornamentais e remo. O Brasil conquistou 3 medalhas, todas no tiro esportivo. A primeira medalha de ouro de nosso país foi ganha nessa edição dos jogos olímpicos, pelo tenente do exército, Guilherme Paraense, na categoria tiro rápido (25 metros) individual. A melhor colocação brasileira e de maior número de medalhas de ouro (5) aconteceu nas Olimpíadas de Atenas em 2.004. O total de medalhas, no entanto, foi de 10. Nas Olimpíadas de Atlanta (1996) e Pequim (2.008), o país conseguiu o maior número de medalhas até hoje (15). Confira:
Olimpíada
Ouro
Prata
Bronze
Total
Antuérpia-1920
1
1
1
3
Londres-1948
-
-
1
1
Helsinque-1952
1
-
2
3
Melbourne-1956
1
-
-
1
Roma-1960
-
-
2
2
Tóquio-1964
-
-
1
1
Cidade do México-1968
-
1
2
3
Munique-1972
-
-
2
2
Montreal-1976
-
-
2
2
Moscou-1980
2
-
2
4
Los Angeles-1984
1
5
2
8
Seul-1988
1
2
3
6
Barcelona -1992
2
1
-
3
Atlanta-1996
3
3
9
15
Sidney-2000
-
6
6
12
Atenas-2004
5
2
3
10
Pequim-2008
3
4
8
15
Total de medalhas brasileiras
20
25
46
91


Até amanhã amigos.
P.S. (1) As piores participações brasileiras em Olimpíadas,  ocorreram nos jogos olímpicos de Londres em 1.948 e de Tóquio, em 1.964. Nessas duas edições, o Brasil só trouxe uma única medalhinha. E de bronze;
P.S. (2) Muita gente tem indagado, durante as Olímpiadas, porque a referência é à Gra-Bretanha e não à Inglaterra. Qual seria a diferença entre Inglaterra, Grã-Bretanha e Reino Unido? Bem a Inglaterra é um dos países integrantes da Grã-Bretanha. Já a Grã-Bretanha é uma ilha da Europa que abriga a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales. O Reino Unido, por sua vez, é agrupamento político que congrega os países da Grã-Bretanha mais a Irlanda do  Norte. Esse agrupamento político tem o poder soberano concentrado na Inglaterra, e os outros integrantes possuem uma autonomia relativa, considerados que são unidades constituintes, a exemplos dos Estados na Federação. Já a Escócia tem um autogoverno limitado, submetido ao Parlamento britânico. As explicações são do Dr. Reginaldo Nasser, Coordenador do Curso de Relações Internacionais da PUC de São Paulo;
P.S. A foto da coluna da atleta Sarah Menezes (medalha de ouro - judô), foi emprestada do blog altamiroborges.blogspot.com.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O EGO E O ALTEREGO - UMA BUSCA PELA POESIA

Boa noite amigos,
Quem em certa época da vida, ainda que episodicamente, não sentiu vontade de escrever, em prosa ou em verso, o que sentia no peito ou na alma.? Matar a tristeza, afogar a melancolia em momentos de  crises de existencialismo,  nos quais se levanta dúvidas quanto à vida, ao mundo, aos outros  e a você mesmo. Um processo de busca pelo  auto-reconhecimento ou de identidade, de procura de um lugar no catálogo dos tipos que a convenção social criou na nossa mente.  A procura, em suma, também de uma coerência ou harmonia,  que só depois, mais  velho, vivido e mais sábio,  se descobre que ela não consta necessariamente da natureza humana. Fiz estes versos no já distante ano de 1.985. Eles falam, acredito, um pouco daquele momento de questionamentos que minha alma inquieta,  jamais deixou de suscitar.

POESIA – DESENCONTRO

14/02/1985

Se o sol se põe levando a claridade,
E a noite chega como o vento sorrateiro,
Como saber se é o sol minha verdade,
Ou se é a lua que me devolve inteiro.

Se a noite é loura e o amanhecer escuro,
Que fazer de tão estranha sinfonia,
Seja viver o que me dita o peito?
De desalento, ou de profunda euforia.

Quem é você que de mim não se aparta,

E eu   não vejo,  sinto ou  reconheço,
Do corpo velho me reclama o moço,
A me arrastar por devaneio louco.

Pudesse agora eu parar  o tempo,
Pra descobrir qual é o verdadeiro,
Sem me sentir do fundo de minh’alma,
De mim mesmo, eterno forasteiro.

Até amanhã.


P.S. (1)  Sentimentos de dúvidas e  ambigüidade que manifesto neste poema, feito em 1.985,  parece atingir muitas pessoas, que buscam o seu “alterego” aquele que está lá na camada mais profunda do nosso inconsciente  e que talvez constitua uma nossa essência desconhecida para nós. Em compensação, idênticas sensações de deslocamento do “ego” também fazem parte da complexa natureza humana, um fenômeno inverso.
P.S. (2)  Gosto muito dos versos de Adriana Calcanhoto feito para a música METADE, de sua autoria: “Eu perco o chão/ eu não acho as palavras/ eu ando tão triste/ eu ando pela sala/ eu perco a hora/ eu chego no fim/  Eu deixo a porta aberta/ Eu não moro mais em mim”.
P.S. (3) A imagem que ilustra a coluna hoje denominada “ALTER EGO” é de um novo jogo de aventura criado pelo estúdio Future Games. O jogador é convidado a fazer uma investigação profunda, cheia de misticismos e terror. Uma busca com elementos de horror clássico, absorveu todo o mais escuro das histórias de detetive com Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle. E Alter Ego, segundo o anunciante, é uma nova razão para ter medo do escuro. Brrrrrrrrrr!!!
P.S. (4) A imagem foi emprestada do site gamezplay.org.



domingo, 5 de agosto de 2012

A MORTE DE GORE VIDAL, COMEMORAÇÃO E FOTOS DA FINAL DO CAMPEONATO PAULISTA DE 2.012


Boa noite amigos.



Na última terça-feira, faleceu em Los Angeles, aos 86 anos, um dos mais importantes escritores e ativistas políticos do século XX-XXI. GORE VIDAL, um narrador da vida americana, que deixa como legado 25 romances, grande parte dos quais focalizam temas políticos ou a história dos Estados Unidos da América,  ensaios, peças que fizeram sucesso na Broadway, como VISITA A UM PLANETA PEQUENO  e roteiros para cinema e televisão. Foi roteirista do consagrado filme BEN HUR (1959), de PARIS ESTÁ EM CHAMAS? (1966) e CALÍGULA (1.979). Autor de obras como CRIAÇÃO LINCOLN, 1876, HOLLYWOOD, e a comédia MYRA BRECKENRIDGE, uma sátira que envolvia o tema da identidade sexual. No terceiro romance, A CIDADE E O PILAR, abordou, sem subterfúgios, o tema da homossexualidade, em pleno 1.948, escandalizando os críticos. Fervoroso crítico do governo Bush, chegou a chamar o ex-Presidente de “homem mais estúpido dos Estados Unidos”. O New York Times, escreveu  que Gore acreditava “ser o último de sua raça” e que provavelmente o era mesmo. Algumas de suas famosas frases:

SOBRE POLÍTICA:


OS ESTADOS UNIDOS FORAM FUNDADOS POR MENTES BRILHANTES. ELAS NÃO TÊM SIDO VISTAS, DESDE ENTÃO”.


SOBRE ARTE:


“TER ESTILO É SABER QUEM VOCÊ É, O QUE VOCÊ QUER DIZER E NÃO SE IMPORTAR COM NADA DISSO”.

SOBRE RELACIONAMENTOS:

“QUANDO ALGUÉM ME PEDE PARA GUARDAR UM SEGREDO, EU SEMPRE PERGUNTO: “POR QUE EU GUARDARIA,  SE NEM VOCÊ CONSEGUIU?”


GARRA GUARANI E JANTAR COMEMORATIVO

Promovido pela  GARRA GUARANI, acontecerá no próximo dia 13 de agosto, o jantar comemorativo da conquista do Campeonato Brasileiro de 1.978. O evento denominado “HERÓIS DE 78 E DA HISTÓRIA DO GUARANI” será na Churrascaria Apaloosa (Rua General Carneiro, n. 81, Campinas, São Paulo), a partir das 20,00 horas, com a seguinte programação:  Cerimonial de Abertura. Entrega do Troféu “Heróis de 78” aos jogadores campeões. Homenagem Especial ao radialista Osmar Santos. Jantar e show musical. Para informações e reservas acesse  www.garraguarani.com.br 

SEM INTIMIDADES

Quem viu pela TV o jogo de futebol masculino  entre Brasil e Honduras, pelas Olimpíadas de Londres 2.012, hoje à tarde, deve ter reparado numa cena algo inusitada e que reflete, suponho, a diferença entre as culturas sul-americana e européia. O centroavante Leandro Damião, da seleção brasileira, após receber o cartão amarelo do árbitro alemão Felix Brych,  foi tocá-lo amistosamente na altura da cintura, como a dizer “oK, tudo bem, beleza” ou qualquer coisa que o valha. Mas que nada. O jovem e sisudo árbitro, não permitiu o toque, esquivando-se, num esperto passinho para trás, como a dizer “ chega pra lá, não vem não, aqui você não toca, mais respeito” ou coisa que o valha. Esse negócio de pegação é muito nosso, concordo. Mas também não é pra tanto. A não ser que o assustado árbitro esteja com a  Síndrome do ai se eu te pego”, que virou sucesso em todo o planeta. No final do jogo, o que se viu foi uma confraternização entre os atletas brasileiros e hondurenhos, que se abraçaram no melhor estilo latino.


A FINAL DO CAMPEONATO PAULISTA E A TORCIDA BUGRINA.

O amigo e competente médico, Honório Chiminazzo Neto fez questão de narrar emocionado, a participação da torcida do Guarani nos jogos da final do Campeonato Paulista contra o Santos. Apesar da estranha decisão da Federação Paulista de Futebol de marcar as duas partidas para São Paulo, privando a torcida campineira e o Bugre de jogar uma delas no Brinco de Ouro, o que seria natural, os bugrinos prestigiaram em grande número os atletas, seguindo para São Paulo, em uma grande romaria. Mais de 13.000 bugrinos invadiram a Bandeirantes e a Anhanguera em uma frota interminável de ônibus e automóveis, lotando toda a arquibancada destinada aos torcedores bugrinos. Imagens para ficar na história. Imagens de grandeza de um clube que é o único campeão brasileiro do interior do Brasil até hoje. Publico abaixo as fotos que Honório enviou a meu pedido, pois nas datas dos dois jogos estive fora do país, em viagem anteriormente marcada.  Valeu, bugre!

 Até amanhã, amigos.

 P.S. (1) As fotos da abertura e do meio da coluna são de Gore Vidal a)  ainda jovem e b) recente,  pouco antes de seu falecimento, respectivamente. Foram emprestadas dos sites entertainment.time.com e pt. euronews.com