Bom dia amigos,
“É inverno no mundo, é inverno em mim/Uma estação de silêncios e de ausência/Onde a tristeza parece não ter fim/E a própria vida congela em sua essência.” (Verso criado, a meu pedido, pela Inteligência Artificial).
Antiga lenda narra que o Criador, durante a criação do mundo, teria concedido às arvores o direito de escolher em qual das estações do ano queriam florescer. Todas elas logo se manifestaram, a maioria optando pela primavera, outras pelo verão e, algumas. pelo outono. Apenas o ipê, do alto de seu majestoso porte, pediu licença para florir durante o inverno, pois assim traria um pouco de alegria e luz para as pessoas e o mundo. Deus, então, decidiu compensá-lo pela escolha e nobre propósito, com o direito de adotar infinitas cores. Assim teriam surgido os ipês nos seus variados tons (roxos, rosas, amarelos, brancos). O inverno é uma estação que poetas costumam utilizar como metáfora para a melancolia, a finitude de tudo que existe, as dores, perdas e sofrimentos humanos. O saudoso Rubem Alves, em conhecida crônica sobre sua experiência e preferência pelos ipês (Os Ipês estão florindo), garante que eles se alegram em fazer as coisas ao contrário, isto é, enquanto “outras árvores fazem o que é normal – abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está para chegar, com seu calor e chuvas, o ipê faz amor justo quando o inverno chega.” Em todo inverno costumo abrir a janela do meu apartamento. situado no coração do Cambuí, um bairro nobre de Campinas que, a cada dia perde as belas casas que outrora embelezavam o lugar, exibindo suas diversas e sofisticadas arquiteturas, hoje substituídas, pelos arranha-céus de concreto, procurando algo precioso. E na escuridão dos dias nublados, ocultando o céu, o sol e as estrelas, espremidos entre os edifícios misturados uns aos outros, meus olhos correm ansiosamente, para a esquina entre as ruas Joaquim Gomes Pinto e Coronel Quirino, onde se avista o majestoso ipê rosa totalmente florido. Ao encontrá-lo, fico ali, por muitos minutos, me deleitando com a beleza dessa árvore singular, que de forma igualmente singular, floresce e morre durante o inverno, transmitindo a generosidade, a gentileza, a paixão e o amor do Criador por nós humanos, nesse mundo tão carente de valores e de empatia, nos fazendo acreditar que existirá um futuro fraternal e ecumênico esperando pelos nossos filhos e netos.
Bom final de semana, amigos.
P.S. (1) A imagem que ilustra a coluna de hoje foi tirada com o meu celular, da janela de meu apartamento.




