Bom dia amigos,
PRIMEIRO ASSUNTO.
Estamos de volta, depois de um pequeno jejum de postagens, fruto. parte da falta de tempo, parte da falta de inspiração e do “saco cheio” de notícias iguais e banais, que inundam os jornais e as redes sociais, com o incremento das propagandas políticas em véspera de eleição. Mas vida que segue e é preciso recuperar a capacidade de transformar fatos e comentários, em humor. Bem, acabo de assistir num programa matinal da TV Globo, uma entrevista com a atriz Arlete Salles. A famosa artista nordestina, de voz grave e inconfundível, no pleno vigor de seus 88 anos, está em cartaz num teatro do Rio de Janeiro, com a peça “Mande notícias do Mundo de Lá.”. O título é extraído dos primeiros versos do clássico Encontros e Despedidas de Milton Nascimento, imortalizado na voz e interpretação da cantora Maria Rita: /Mande notícias do mundo de lá, diz quem fica/ me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando/ Coisa que gosto é poder partir sem ter planos/ melhor ainda é poder voltar quando quero/ O mundo do lado de lá da canção certamente é o que fica do outro lado da linha do trem (o trem que chega é o mesmo trem da partida), mas o da peça, que é um monólogo desafiador, se refere ao outro lado da vida. A peça se passa inteiramente durante o velório da melhor amiga da protagonista e se concentra nas dúvidas, no sofrimento, nas perdas e nas expectativas de nós, seres humanos, durante a velhice, e o desafio dos mistérios insondáveis que nos assaltam diante da proximidade ou iminência da morte. Mas segundo Arlete não se pense que se trata de um puro drama, porquanto intercala realismo e humor, trazendo junto a empatia e o envolvimento da plateia, numa interação que alimenta tanto a atriz, quanto o público, extasiado com a qualidade do texto de Carlos Jardim e a entrega da atriz. Acredito que vale a pena ver a peça.
Enquanto cumpro a tarefa de
arrumar a cama (parte das atividades domésticas que me cabe atualmente e,
ainda, porque a patroa caiu e está em recuperação de um hematoma no braço direito)
peço a Alexa que toque músicas. Às vezes, solicito cantor e canção específica; outras, apenas indico o gênero. E vou variando, porque ouvi e apreciei, durante toda
minha vida, música popular brasileira, samba e bossa-nova, numa variação um tanto quanto restrita. Hoje dei uma colher de chá
para o sertanejo universitário. E dá-lhe Roberta Miranda, Marília Mendonça,
Daniel, Leonardo, e as múltiplas duplas como Fernando e Sorocaba, Mayara e Maraísa, Henrique
e Juliano, Bruno e Marrone, Jorge e Mateus, e por aí afora. Tenho, porém, um
protesto a fazer. As letras e enredos das canções sertanejas de agora, se repetem demasiadamente e se concentram quase sempre
nas possibilidades e prazeres da juventude: ser bom ou mau de cama; quem paga o
motel; quem traiu quem; se beija bem ou beija mal, e por aí vai. Como todas essas possibilidades já
não fazem parte do rol dos anciões, como eu, mudei de estação e de tempo. Pedi
Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Chico, Caetano. Mas nem tudo é impossível.
Outro dia eu achei um fio de cabelo no meu paletó. E lembrei do Fio de Cabelo, da badalada dupla, Chitãozinho e Xororó. Mas para meu desencanto não era de nenhuma musa do passado. Era um bendito pelo do
gato da minha filha.
Até mais amigos e bom final
de semana prolongado.
Salve a República e o Supremo
Tribunal Federal!




