domingo, 1 de março de 2026

CINEMA DE OSCAR - O FRANKENSTEIN DE GUILLERMO DAL TORO.

 

Boa tarde amigos,

 

 

O conhecido romance Frankenstein ou o Prometeu Moderno, primeira e mais famosa obra da escritora inglesa, Mary Shelley (1797/1851), publicado na versão mais conhecida, em 1831, já foi adaptado, para teatro e cinema, mais de 400 vezes, segundo os estatísticos. E certamente cada uma das  versões, destaca, em particular,  a visão e o propósito de seus respectivos diretores. Sobre o último   roteiro adaptado para o cinema,  do diretor mexicano Guillermo Del Toro  (O Labirinto do Fauno (2006), A Forma da Água (2017, Oscar de melhor filme), e que pode ser visto na plataforma Netflix, é que falo aos amigos. O longa faz jus ao enquadramento como tal, pois se desenvolve em duas horas e meia, o que o torna, para alguns, um tanto lento e arrastado. O que me levou a  escolhê-lo, dentro do catálogo disponível da Netflix, foram as premiações que recebeu e aquelas que ainda possivelmente virão. Nas indicações para o Oscar 2.026, o filme está concorrendo a nove categorias, incluindo a de melhor filme e de melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi.  Com um orçamento milionário, cerca de 120 milhões de dólares, ou 600 milhões de reais, o projeto sonhado pelo diretor durante 25 anos, destaca-se pelo uso de cenários reais e grandiosos,  decadentes e belos, com sombras e luzes voltados para iluminar as cenas de sangue e terror, seu traço gótico e fantástico, a cenografia detalhada e o figurino  cuidadoso, aspectos que revelam o  tom melodramático da versão, um marco registrado da  personalidade de Guillermo, voltada para explorar o imperfeito e as fraquezas humanas, quer quando insere essas imperfeições em criações personalizadas, quer quando busca dar forma ao inominável (vide o seu aclamado A Forma da Água de 2.017). Assim como no original do livro,  o narrador (o próprio Victor Frankestein, em primeira pessoa), vai relatando as suas experiências científicas sem limites,  como estudante de medicina,  com o que logrou trazer à vida um monstro, utilizando partes de restos mortais de sepulturas, movimentado a partir de um complexo sistema de conexão elétrica.  O monstro, ganhando vida, vai conhecendo a rejeição de seu criador, que tenta destruí-lo, convicto de que ele é violento e criminoso, o que coloca em risco a vida e a integridade física do pai criador e de outras pessoas. Não há consenso entre os críticos sobre o enquadramento do Frankstein do Del Toro: terror, ficção científica com traços góticos, romance, drama, ou tudo isso ao mesmo tempo, o que parece correto. No embate entre criador e criatura, muitos questionamentos filosóficos ligados à imperfeição do homem e sua finitude, a dor, a tristeza, a solidão e  os limites éticos das pesquisas científicas. E na trajetória de coexistência, busca e desencontro entre criador e criatura, o roteiro, assim como a obra adaptada, explora  as contradições e imperfeições humanas: violência e ternura,  condenação e  perdão e  o amor e ódio entre criador e criatura. O resultado agrada alguns, desagrada outros e dá combustível à antiga discussão quanto à qualidade do premiado cineasta  mexicano como roteirista. Goste-s ou não da superprodução, há unanimidade no tocante ao desempenho extraordinário do australiano, Jacob Nathaniel Elordi,  eleito para viver o monstro, e que encanta com o seu talento, pela forma minimalista com que cuida de  cada postura e cada movimento corporal do gigante, assim como as suas falas em tom realista e cavernoso. Particularmente, entre virtudes e defeitos, gostei do filme. E recomendo aos cinéfilos amantes da arte.

 

Até mais amigos.

 

O conhecido romance Frankenstein ou o Prometeu Moderno, primeira e mais famosa obra da escritora inglesa, Mary Shelley (1797/1851), publicado na versão mais conhecida, em 1831, já foi adaptado, para teatro e cinema, mais de 400 vezes, segundo os estatísticos. E certamente cada uma das  versões, destaca, em particular, a visão e o propósito de seus respectivos diretores. Sobre o último   roteiro adaptado para o cinema,  do diretor mexicano Guillermo Del Toro  (O Labirinto do Fauno (2006), A Forma da Água (2017, Oscar de melhor filme), e que pode ser visto na plataforma Netflix, é que falo aos amigos. O longa faz jus ao enquadramento como tal, pois se desenvolve em duas horas e meia, o que o torna, para alguns, um tanto lento e arrastado. O que me levou a  escolhê-lo, dentro do catálogo disponível da Netflix, foram as premiações que recebeu e aquelas que ainda possivelmente virão. Nas indicações para o Oscar 2.026, o filme está concorrendo a nove categorias, incluindo a de melhor filme e de melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi.  Com um orçamento milionário, cerca de 120 milhões de dólares, ou 600 milhões de reais, o projeto sonhado pelo diretor durante 25 anos, destaca-se pelo uso de cenários reais e grandiosos,  decadentes e belos, com sombras e luzes voltados para iluminar as cenas de sangue e terror, seu traço gótico e fantástico, a cenografia detalhada e o figurino  cuidadoso, aspectos que revelam o  tom melodramático da versão, um marco registrado da  personalidade de Guillermo, voltada para explorar o imperfeito e as fraquezas humanas, quer quando insere essas imperfeições em criações personalizadas, quer quando busca dar forma ao inominável (vide o seu aclamado A Forma da Água de 2.017). Assim como no original do livro,  o narrador (o próprio Victor Frankestein, em primeira pessoa), vai relatando as suas experiências científicas sem limites,  como estudante de medicina,  com o que logrou trazer à vida um monstro, utilizando partes de restos mortais de sepulturas, movimentado a partir de um complexo sistema de conexão elétrica.  O monstro, ganhando vida, vai conhecendo a rejeição de seu criador, que tenta destruí-lo, convicto de que ele é violento e criminoso, o que coloca em risco a vida e a integridade física do pai criador e de outras pessoas. Não há consenso entre os críticos sobre o enquadramento do Frankstein do Del Toro: terror, ficção científica com traços góticos, romance, drama, ou tudo isso ao mesmo tempo, o que parece correto. No embate entre criador e criatura, muitos questionamentos filosóficos ligados à imperfeição do homem e sua finitude, a dor, a tristeza, a solidão e  os limites éticos das pesquisas científicas. E na trajetória de coexistência, busca e desencontro entre criador e criatura, o roteiro, assim como a obra adaptada, explora  as contradições e imperfeições humanas: violência e ternura,  condenação e  perdão e  o amor e ódio entre criador e criatura. O resultado agrada alguns, desagrada outros e dá combustível à antiga discussão quanto à qualidade do premiado cineasta  mexicano como roteirista. Goste-s ou não da superprodução, há unanimidade no tocante ao desempenho extraordinário do australiano, Jacob Nathaniel Elordi,  eleito para viver o monstro, e que encanta com o seu talento, pela forma minimalista com que cuida de  cada postura e cada movimento corporal do gigante, assim como as suas falas em tom realista e cavernoso. Particularmente, entre virtudes e defeitos, gostei do filme. E recomendo aos cinéfilos amantes da arte.

 

Até mais amigos.

 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

GAVIÕES DA FIEL CAMPEÃ DE 1.995 - COISA BOA É PARA SEMPRE


Boa tarde amigos,

 


Há 31 anos, a escola de samba Gaviões da Fiel completava o seu jubileu de prata. E  ao  descer o Sambódromo do Anhembi em São Paulo, no desfile de escolas de samba do grupo especial de 1995, encantou o público e o Brasil com o samba enredo “Coisa Boa é Para Sempre”, seguramente e até hoje, o melhor samba-enredo do Carnaval de São Paulo, por isso mesmo referendado como um hino antológico. Letra e música irretocáveis, assinada pelo corintiano conhecido como “O Grego”, cujo nome de batismo é Janos Tsukalas, compositor histórico da agremiação,  foi responsável pelo primeiro título da escola na elite do carnaval paulistano. Com todos os ingredientes para falar de seus 25 anos, do amor dos torcedores pelo clube do coração,  de gol, de taça, de luta e dedicação, de fidelidade: /Ai, um brinde/um brinde ao jubileu de prata/convido a massa para comemorar/explode um grito na galera/tem gol de fera, para delirar/.  Para buscar e manter  a capacidade de sonhar, fala da  necessidade   de ser criança e de participar de seu mundo de fantasia, onde moram os  heróis e fadas: /Hoje sou criança/reino encantado de brinquedo e fantasia/na minha lembrança/sonhei dourado e brinquei de poesia. E mais adiante: /Fadas e rainhas, mil heróis na minha história/o que é bom fica na memória/tem pierrô, pierrô arlequim columbina/todo mundo quer sonhar/se enroscar na serpentina.  Finalmente, o ponto alto e arrepiante do samba, para mim reside no convite  ao companheiro ou companheira para o abraço, a busca do céu e do infinito, simbolizado pela viagem do gavião: /“Me dê a mão, me abraça/viaja comigo pro céu/sou gavião, levando a taça/com muito orgulho, pra delírio da fiel./ Vou te levar pro infinito/Vou te beijar do jeito mais bonito/Ai que gostoso amor, ai que saudade/te amo, te amo de verdade. A canção foi composta em 13 dias, dentro dos quais o compositor viajou no tempo, buscando inspiração na memória de sua infância, em que o espetáculos circenses exerceram grande influência, ressaltando a relevância da memória e da eternização dos momentos de alegria e felicidade.   Assim,  a Gaviões, pela primeira vez,  atingindo 293 pontos no julgamento dos jurados, levou o troféu, desbancando as grandes escolas de Sâo Paulo.

 

Até mais amigos.

 

 

 

 


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

A SAGA-TORTURA DE UM IDOSO NO MUNDO DA DISNEY

 



Boa noite amigos,


Eu batendo um papo com
Walt Disney, que pacien-
temente, ouve as minhas
queixas, sem reclamar.

De repente alguém gritou: “Corre” e pulou do automóvel, sem tempo para qualquer explicação. Desci também, mas não sabia para onde correr, nem por que ou para que. Em seguida recebemos ordem do meu genro para que parássemos uma vez que não ia adiantar toda aquela correria, porque um determinado ônibus já tinha saído. Respirei profundamente, na medida em que meu fôlego permitiu. Até que mereci uma singela explicação: iríamos a um programa num hotel, que consistia em jogar, em equipe, um jogo de  mini-golfe.  Para que não pagássemos mais 40 dólares de estacionamento privado no tal local, deixaríamos o carro onde estávamos, em estacionamento público e gratuito e embarcaríamos, de graça, em um ônibus do tal hotel, que depois nos traria de volta. O corre-corre sugerido, até então, não permitiu saber se fugíamos da polícia de imigração, se corríamos o risco de deportação, etc., etc. Esse é apenas um dos episódios que ilustram a saga-tortura de um idoso no mundo da Disney, atual império trampista. Bem, você sai de férias e a família já programou tudo. Data do embarque e do retorno, cia. aérea, categoria do transporte e local de acomodação. No meu caso específico a nossa casa situada num condomínio em Kissimmee, na grande Orlando. Você só sabe que vai pagar as contas e que deve “dançar conforme a música” e aí embarcar, todo dia, no carro alugado, munido de uma imensa mochila que vai carregar nas costas, para onde os membros da família decidirem ir, e nela hospedando, gradativamente, garrafas de água sua e dos outros, objetos inúteis adquiridos pelo caminho, sacos de pipoca com as que sobraram e não se pode jogar fora, blusas que são levadas porque é provável que à noite possa esfriar, etc. etc. Ah, é bom avisar: esse negócio de preferência de idoso não existe lá. Ninguém deixa você passar na frente, nem levanta para te dar lugar nos coletivos ou restaurantes. E muito menos mijar, quando você está pra lá de Bagdá, mijando nas calças, mas há uma fila disputando os quatro mictórios disponíveis, ou quer fazer o número dois e entra num banheiro que só tem um sanitário grande para deficiente e lá se encontra trancado um filho de puta jovem que fica lendo e respondendo mensagens no celular. Não dá para cagar nos mictórios. Então o remédio é ir rezando para não cagar nas calças. Nas atrações dos parques você é tão maltratado quanto um jovem travesso, com a agravante de que exigem de você a mesma rapidez e reflexo dos mais moços. Em uma das atrações aconteceu o seguinte: Os carrinhos nos quais os turistas se acomodam não param completamente nem para descer no final, nem para subir, no início. Quando passam vagarosamente vazios, você tem que entrar correndo e sentar. Foi o que fizemos, mas eu, por não estar acostumado, estava com a mochila nas costas. Minha filha gritou que a mochila tinha que ser retirada antes de entrar no carrinho e colocada no chão. Antes que eu pudesse tirar a mochila das costas e acomodá-la no chão, desceu sobre nós, automaticamente,  uma trava de ferro. Fiquei sufocado entre a mochila nas costas e a trava na minha barriga me pressionando. Resultado: encolhi ao máximo a barriga e prendi a respiração e assim fiquei por quase três minutos, orando, o tempo que durou o passeio, até que a bendita trava se soltou novamente e pude constatar que estava vivo. Entrar em loja para distrair e olhar as novidades, nem pensar. A família não deixa, porque com esse negócio de mochila nas costas você pode virar e ir derrubando os objetos, alguns caros e frágeis. Então melhor é esperar lá fora, porque vai ser rápido. E nunca é. Nos parques lotados, é comum as pessoas se tocarem ou trombarem, inclusive os americanos. Você (isto é, eu) baixinho e mais velho, levo tranco toda hora e só escuto um sonoro Sorry como consolo. Geralmente se forem latinos (argentinos, colombianos etc.) nem tomam conhecimento e seguem a rota, te ignorando. É foda!![JM1] 


 [JM1]

domingo, 18 de janeiro de 2026

O FIM DOS CAMPEONATOS ESTADUAIS

 

Boa tarde amigos,

O rei Pelé à época de ouro
dos campeonatos esta-
duais.
 

Sou e sempre fui fã ardoroso dos campeonatos estaduais. Seja pela tradição, pelo saudosismo dos velhos tempos em que tudo acontecia em espaços geográficos limitados, por que o nosso mundo era pequeno longe da tecnologia e da chamada globalização,  o grande lance e o charme da regionalidade era seguramente responsável pela rivalidade e as paixões dos torcedores e admiradores do esporte,  que nasceram e se mantiveram por muitos anos, enquanto não se falava em longos campeonatos nacionais que envolvessem equipes fora do eixo Rio-São Paulo ou sudeste e sul do Brasil. Nada se comparava – e nem se compara ainda hoje – aos grandes clássicos regionais. Basta perguntar ao torcedor se existe jogo mais importante do que um Grêmio e Internacional, Corinthians e Palmeiras, Flamengo e Fluminense ou Vasco, e a resposta certamente será a mesma: não, não há nada comparável à conquista de um título em cima de seu maior rival. É assunto e gozação por toda a semana. O mesmo ocorre em todo o país com os confrontos históricos entre Bahia e Vitória, Remo e Paysandu, no Pará, Sport e Santa Cruz ou Náutico no Recife, Cruzeiro e Atlético em Minas. Os campeonatos carioca e paulista sempre tiveram prestígio que nenhuma copa ou taça chegava a tangenciar. No Rio de Janeiro, ainda capital do país, os confrontos entre os quatro grandes (Vasco, Botafogo, Fluminense e Flamengo), lotavam o Maracanã em qualquer situação em que se encontrassem os clubes na tabela de classificação; o mesmo se dava no Morumbi ou no Pacaembu, envolvendo o Corinthians e Palmeiras (o grande derby) ou o São Paulo e Santos (o San-São), sobretudo na era Pelé. A esse tempo a Portuguesa de Desportos também se mantinha em patamar dos grandes e os chamados “clássicos” envolviam também a simpática Lusa do Canindé, a equipe que mais foi prejudicada pelas arbitragens ao longo de sua existência, segundo o jornalista Milton Neves. Em Campinas, interior de São Paulo, Ponte Preta e Guarani criaram e mantiveram, desde o distante ano de 1.911,  quando o alviverde foi fundado (a Ponte existia desde 1.900), uma tradicional rivalidade, com o conhecido derbi campineiro, considerado o  maior  clássico do interior do país e que já foi disputado no Pacaembu, em São Paulo, nos áureos tempos dessas equipes. Merece destaque também o confronto denominado “comefogo”, reunindo o Comercial e o Botafogo do Dr. Sócrates,  em Ribeirão Preto, importante eixo econômico e político do interior de São Paulo. Com a apertada agenda do futebol brasileiro, a criação de um campeonato nacional de pontos corridos, que se desenvolve em nada menos que 38 rodadas (durando praticamente todo o ano), o envolvimento das equipes brasileiras nas Taças Libertadores da América e Sul-Americana, e o interesse pela Copa do Brasil, que passou a distribuir milhões de reais aos clubes participantes, em premiação crescente a cada fase atingida, já não há espaço para os estaduais, que viraram pequenas Copas ou Taças, como preferirem, porque nada têm de campeonato. O Campeonato Paulista deste ano (por causa da Copa do Mundo) está reduzido, acreditem, a 8 rodadas na fase de classificação, e mais 4 nas quartas e semifinais (com jogo único) e finais em 2 jogos, enquanto no Carioca são 6 rodadas apenas, na fase de classificação. Em pouquíssimas rodadas, não há tempo para nenhuma equipe entrar numa chamada “má fase”, porque ela pode cair para a segunda divisão, se perder ou empatar quatro ou cinco jogos Nada obstante, as principais equipes de São Paulo vão poupando seus craques porque misturado a tudo isso (simultaneamente), tem rodada do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil, da Libertadores, da Sul-Americana.  Haja elenco e tempo de recuperação dos atletas lesionados! Por isso, o Flamengo desistiu este ano,  da disputa da Copa São Paulo, a maior vitrine de base do futebol brasileiro, preservando o sub-20 inteiro para disputar o Campeonato Carioca, revelando todo o desprestígio que sua diretoria confere ao certame e desrespeito ao torcedor,  “queimando” seus meninos da base  e a própria tradição  do clube (no grupo B, está em penúltimo lugar entre os 6 participantes com apenas 1 ponto em 3 jogos). Resta aos torcedores e fãs dos estaduais a possibilidade de ver o seu time jogar, na gama de canais de streaming que hoje existem, transmitindo todo e qualquer jogo de futebol, seja em TV aberta, fechada e redes sociais como o Youtube. Num campeonato estadual como o de São Paulo, disputadíssimo e que hoje conta, além dos grandes, com equipes de ponta como o Mirassol, Novorizontino e Bragantino, além dos tradicionais (embora em fases ruins), Botafogo, Ponte Preta, Guarani, Ituano e Portuguesa de Desportos, a sua extinção anulará as possibilidades dos torcedores de equipes menores virem os seus times enfrentar as grandes equipes, hoje distribuídas em módulos diversos (séries A, B, C e D) no nacional. Uma Pena!

 

Até mais amigos.

 



sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

DEUS EXISTINDO E O GRANDE SERTÃO: VEREDAS - JOÃO GUIMARÃES ROSA

 

Boa tarde amigos


A imagem acima é do filme de 2.024, inspira
do na obra de Rosa e foi emprestada do 
blog Templo Culturas Delfos.

A obra prima de João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, um romance modernista publicado em 1.956 tornou-se um dos mais importantes livros da literatura luso-brasileira. Narrado em primeira pessoa por um velho sobrevivente do cangaço, Riobaldo, retrata toda a saga de uma vida miserável e errante, vivida nos sertões de Minas Gerais, Bahia e Goiás, escrito numa linguagem peculiar, em que o autor reúne idiomas e dialetos de diferentes culturas (porque, segundo ele, para duas vidas um léxico apenas não seria suficiente), tornou-se uma obra complexa, com diferentes estudos e interpretações, abarcando uma gama de experiências, sentimentos e assuntos. Na saga vivida por Riobaldo, há filosofia sobre a vida e a morte, a questão de gênero, amor e afeto na atração e afinidade que se estabelece entre o narrador e Diadorim, outro personagem relevante na trama e, ainda, a força da religião, incluindo  Deus, o Diabo e o ateísmo, doenças e perseguições e uma crítica social intensa e profunda. Hoje decidi postar um trecho que considero precioso, dentre outros,  que trata de Deus e da importância da crença ou fé na sua existência para a esperança e a sobrevivência ética de todos os seres humanos, enquanto houver renovação de gerações da raça humana. Vamos lá: /Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar – é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo. Mas, se não tem Deus então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor. E a vida do homem está presa encantoada – erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços. Dor não dói até em criancinhas e bichos, e nos dôidos – não dói sem precisar de se ter razão nem conhecimento? E as pessoas não nascem sempre? Ah, medo tenho não é de ver morte, mas de ver nascimento. Medo mistério. O senhor não vê? O que não é Deus é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver – a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. O inferno é um sem-fim, que nem não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo. Se eu estou falando às flautas, o senhor me corte. Meu modo é este. Nasci para não ter homem igual em meus gostos. O que eu invejo é sua instrução do                  senhor.,,”/

 

P.S. (1)  O texto extraído da obra Grande Sertão: Veredas encontra-se na página 60, da primeira edição na versão publicada em 2006, pela Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro;

 

P.S. (2)  Médico, escritor e diplomata o mineiro João Guimarães Rosa nasceu em 1.908 na pequena localidade de Cordisburgo, Minas Gerais e faleceu em 1967, no Rio de Janeiro, com 59 anos de idade. Recebeu, como escritor e poeta, inúmeros prêmios na carreira, inclusive o Prêmio Machado de Assis em 1961 e o Jabuti em 1.993, pos mortem;

 

P.S. (3) Para o escritor Luiz Fernando Veríssimo, que nos deixou recentemente, o ateísmo nem explica e nem consola;

 

P.S. (4) Não decidi se quero ser cremado ou inumado. Na última hipótese se precisarem de um epitáfio que minimamente me reconheça, vai esse aqui:  “VIM SEM PEDIR E FUI  SEM QUERER”. NADA ENTENDI. MAS FOI LEGAL.”

 

 

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

WINTER PARK - O LIXO POLITICAMENTE POLARIZADO E O SONHO AMERICANO

Bom dia amigos, 


Domingo, 11 de janeiro de 2.026. Nesse nosso período de férias em Orlando, reprogramamos uma viagem à simpática cidade de Winter Park, situada no Estado da Flórida, condado de Orange, a cerca de 47 km. daqui. A população fixa é de quase 28.000 habitantes, dentro da média das cidades menores americanas, mas a fluência de turistas é grande, especialmente de brasileiros, quando deixam um pouco os parques da Disney e da Universal e os outlets e shoppings da grande Orlando. Cidade bem organizada, limpa e com muitas lojas, incluindo livrarias, cafés e restaurantes charmosos, oferece uma gama de gastronomia de culturas diversas, destacando-se, no entanto, a culinária italiana, asiática e americana, sim senhor, com direito a batata frita acompanhando carnes, massas e legumes.O que me chamou a atenção ao caminhar ao longo da estação de trens da localidade, onde, de um lado estão as lojas, cafés e restaurantes, e de outro um imenso jardim, margeando o prédio da estação, foram as lixeiras fixas inseridas próximas umas das outras. Nas tampas foram colados adesivos idênticos com o nome do Presidente Donald Trump, seguida da expressão “memorial”, inseridas por pessoas adeptas à corrente contrária ao Presidente e ao seu Partido, o Republicano, dito conservador.  Certamente, admiradores do Presidente, inconformados com a crítica e a ironia contida nos adesivos, resolveram arrancá-los, com êxito, ao menos parcial. As duas imagens (com os adesivos intactos e com sobras deles), documentadas por mim, com meu celular, e que ilustram a coluna de hoje, dão ideia dessa dicotomia de comportamentos. Fato é que tudo o que se vê por aqui (quiçá pelo mundo todo) é a polarização política, separando esquerdas e direitas, extremos e meios, a falta de equilíbrio, diálogo e sintonia, a intolerância e, sobretudo, serenidade dos políticos que assumiram os comandos das nações, muitas das quais mergulhadas em profundas e intermináveis guerras, com mortes e destruição, em nome do poder e de sua expansão. Relativamente aos brasileiros aqui residentes há pouco ou muito tempo, com os quais tive oportunidade de cruzar e conversar, notei que a maioria significativa apoia irrestritamente o Presidente Trump, ainda que este manifeste – e execute  - uma política anti-imigração, com caça e deportação de imigrantes ilegais (o que, sejamos justos, também foi uma prática adotada pelo Presidente Obama, do Partido Democrata, nas suas gestões). O que chama a atenção, no entanto, no comportamento do atual mandatário, são as tentativas de impor arbitrariamente  restrições severas ao reconhecimento de nacionalidade e cidadania a pessoas reputadas tais por preceitos constitucionais, tudo a movimentar extraordinariamente as querelas levadas aos Tribunais do país. Também cruzei com brasileiros que estão, a todo custo, tentando vir para os Estados Unidos, de forma regular é claro, decepcionados com a condução política e econômica do Brasil nesses tempos, o que me faz crer que o sonho americano não acabou e está longe de acabar. Bem, o terceiro setor, voltado aos serviços essenciais e braçais, aqueles que os americanos de todas as classes sociais não se animam em executar (área de alimentação como garçons, cozinheiros, ajudantes de cozinha, arrumadeiras e funcionários de hotéis, construção civil etc.), está em crise, como era previsto, constatando-se, como constatamos quase diariamente, a carência e inexperiência de empregados em restaurantes com filas imensas e atendimento moroso e precário, num estado que recebe milhões de turistas o ano todo e que se organizou, com logística e tecnologia, para bem recepcionar seus visitantes, mas dependente, porém, de seres humanos estrangeiros,  que ainda não podem ser ignorados, nem substituídos totalmente, no bom atendimento a essa massa de turistas que aqui movimentam extraordinariamente a economia do  estado e do país.



Até mais amigos.


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

PECADORES (SINNERS) -- DRAMA E TERROR.

 Bom dia amigos,

O longa “SINNERS”, traduzido literalmente no Brasil para “PECADORES” é um filme norte-americano de drama e terror, dirigido por Ryan Coogler, de duas horas e dezessete minutos de duração, aclamado pela crítica especializada e que rendeu muitas indicações aos principais prêmios americanos e internacionais de cinema, incluindo a de melhor filme e de melhor ator para Michael B. Jordan, o versátil ator de 32 anos, que transita pela carreira em várias modalidades e gêneros, e que no Brasil ficou mais conhecido pelo longa Pantera Negra (2.018), em que viveu o vilão Erik Killmonger, o antagonista do herói, o príncipe T’Challa  (Claudwick Boseman) no reino de Wakanda, país fictício onde se passa a história.   Com toda a versatilidade  que compõe um thriller de cinema (suspense, sexo, medo, drama, terror) num misto de ode à ancestralidade e à negritude, como afirma um crítico, e saudado por outro como um verdadeiro evento cinematográfico, pela reunião, bem amarrada, de ingredientes, que o tornam engraçado, sexy, amedrontador, cuida-se da história de dois irmãos negros gêmeos, Smoke e Stake (Michael B. Jordan), que, agora ricos e poderosos, explorando atividades à margem da lei,  decidem retornar à cidade natal, onde abrem um estabelecimento de diversão, uma “casa de blues” destinada apenas a negros.  No entanto, são surpreendidos por uma comunidade estruturada pelo racismo, que os recebe com a intenção de destruí-los, numa metáfora entre o bem e o mal, suscitando uma velha discussão sobre o pecado e as várias facetas paradoxais que qualquer ser humano pode apresentar ao longo da vida e das circunstâncias. Inserido nos embates desse inesperado retorno dos irmãos,  o jovem Sammie Moore (Miles Caton), protegido pelos egressos, filho de um pastor, vive o drama entre permanecer no pequeno lugar onde vive, respondendo pela continuidade da missão de servir a Deus e aos seus mandamentos, como lhe cobra insistentemente o pai, ou tentar a vida como músico, sonho alimentado pela sua vocação e reconhecido talento. Esse  misto de emoções, bem idealizado e conduzido pelo diretor, com uma empolgante trilha sonora, incluindo excelentes blues eletrônicos e sons ancestrais, tem o condão de manter o espectador vigilante a cada cena, a cada acontecimento, desenvolvendo empatia por esse ou aquele personagem, aguardando o misterioso desfecho reservado a cada um e àquela comunidade como um todo. O filme é imperdível por esse mix bem costurado e curioso,  e lembra muito a euforia com que foi recebido merecidamente o drama Parasita (2.019), obra prima contemporânea do cineasta Bong Joon-Ho, que quebrou a tradição da academia de Hollywood, ao vencer o Oscar na categoria de Melhor Filme, o primeiro e único longa não produzido, nem falado em língua inglesa,  a receber a estatueta, na mais importante categoria, em toda a história do prêmio.

 

Até mais amigos.


 P. S.(1)  A imagem acima foi emprestada do site CNN - Brasil.