Boa tarde amigos,
O conhecido romance Frankenstein ou o Prometeu
Moderno, primeira e mais famosa obra da escritora inglesa, Mary Shelley
(1797/1851), publicado na versão mais conhecida, em 1831, já foi adaptado, para
teatro e cinema, mais de 400 vezes, segundo os estatísticos. E certamente cada
uma das versões, destaca, em particular,
a visão e o propósito de seus
respectivos diretores. Sobre o último roteiro adaptado para o cinema, do diretor mexicano Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno (2006), A
Forma da Água (2017, Oscar de melhor filme), e que pode ser visto na
plataforma Netflix, é que falo aos amigos. O longa faz jus ao enquadramento
como tal, pois se desenvolve em duas horas e meia, o que o torna, para alguns,
um tanto lento e arrastado. O que me levou a escolhê-lo, dentro do catálogo disponível da
Netflix, foram as premiações que recebeu e aquelas que ainda possivelmente
virão. Nas indicações para o Oscar 2.026, o filme está concorrendo a nove
categorias, incluindo a de melhor filme e de melhor Ator Coadjuvante para Jacob
Elordi. Com um orçamento milionário,
cerca de 120 milhões de dólares, ou 600 milhões de reais, o projeto sonhado
pelo diretor durante 25 anos, destaca-se pelo uso de cenários reais e
grandiosos, decadentes e belos, com
sombras e luzes voltados para iluminar as cenas de sangue e terror, seu traço
gótico e fantástico, a cenografia detalhada e o figurino cuidadoso, aspectos que revelam o tom melodramático da versão, um marco
registrado da personalidade de
Guillermo, voltada para explorar o imperfeito e as fraquezas humanas, quer quando
insere essas imperfeições em criações personalizadas, quer quando busca dar
forma ao inominável (vide o seu aclamado A Forma da Água de 2.017). Assim como
no original do livro, o narrador (o
próprio Victor Frankestein, em primeira pessoa), vai relatando as suas experiências
científicas sem limites, como estudante
de medicina, com o que logrou trazer à
vida um monstro, utilizando partes de restos mortais de sepulturas, movimentado
a partir de um complexo sistema de conexão elétrica. O monstro, ganhando vida, vai conhecendo a
rejeição de seu criador, que tenta destruí-lo, convicto de que ele é violento e
criminoso, o que coloca em risco a vida e a integridade física do pai criador e
de outras pessoas. Não há consenso entre os críticos sobre o enquadramento do
Frankstein do Del Toro: terror, ficção científica com traços góticos, romance,
drama, ou tudo isso ao mesmo tempo, o que parece correto. No embate entre
criador e criatura, muitos questionamentos filosóficos ligados à imperfeição do
homem e sua finitude, a dor, a tristeza, a solidão e os limites éticos das pesquisas científicas. E
na trajetória de coexistência, busca e desencontro entre criador e criatura, o
roteiro, assim como a obra adaptada, explora as contradições e imperfeições humanas:
violência e ternura, condenação e perdão e o amor e ódio entre criador e criatura. O
resultado agrada alguns, desagrada outros e dá combustível à antiga discussão
quanto à qualidade do premiado cineasta mexicano como roteirista. Goste-s ou não da
superprodução, há unanimidade no tocante ao desempenho extraordinário do australiano,
Jacob Nathaniel Elordi, eleito para
viver o monstro, e que encanta com o seu talento, pela forma minimalista com
que cuida de cada postura e cada
movimento corporal do gigante, assim como as suas falas em tom realista e
cavernoso. Particularmente, entre virtudes e defeitos, gostei do filme. E
recomendo aos cinéfilos amantes da arte.
Até mais amigos.
O conhecido romance Frankenstein ou o Prometeu
Moderno, primeira e mais famosa obra da escritora inglesa, Mary Shelley
(1797/1851), publicado na versão mais conhecida, em 1831, já foi adaptado, para
teatro e cinema, mais de 400 vezes, segundo os estatísticos. E certamente cada
uma das versões, destaca, em particular,
a visão e o propósito de seus
respectivos diretores. Sobre o último roteiro adaptado para o cinema, do diretor mexicano Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno (2006), A
Forma da Água (2017, Oscar de melhor filme), e que pode ser visto na
plataforma Netflix, é que falo aos amigos. O longa faz jus ao enquadramento
como tal, pois se desenvolve em duas horas e meia, o que o torna, para alguns,
um tanto lento e arrastado. O que me levou a escolhê-lo, dentro do catálogo disponível da
Netflix, foram as premiações que recebeu e aquelas que ainda possivelmente
virão. Nas indicações para o Oscar 2.026, o filme está concorrendo a nove
categorias, incluindo a de melhor filme e de melhor Ator Coadjuvante para Jacob
Elordi. Com um orçamento milionário,
cerca de 120 milhões de dólares, ou 600 milhões de reais, o projeto sonhado
pelo diretor durante 25 anos, destaca-se pelo uso de cenários reais e
grandiosos, decadentes e belos, com
sombras e luzes voltados para iluminar as cenas de sangue e terror, seu traço
gótico e fantástico, a cenografia detalhada e o figurino cuidadoso, aspectos que revelam o tom melodramático da versão, um marco
registrado da personalidade de
Guillermo, voltada para explorar o imperfeito e as fraquezas humanas, quer quando
insere essas imperfeições em criações personalizadas, quer quando busca dar
forma ao inominável (vide o seu aclamado A Forma da Água de 2.017). Assim como
no original do livro, o narrador (o
próprio Victor Frankestein, em primeira pessoa), vai relatando as suas experiências
científicas sem limites, como estudante
de medicina, com o que logrou trazer à
vida um monstro, utilizando partes de restos mortais de sepulturas, movimentado
a partir de um complexo sistema de conexão elétrica. O monstro, ganhando vida, vai conhecendo a
rejeição de seu criador, que tenta destruí-lo, convicto de que ele é violento e
criminoso, o que coloca em risco a vida e a integridade física do pai criador e
de outras pessoas. Não há consenso entre os críticos sobre o enquadramento do
Frankstein do Del Toro: terror, ficção científica com traços góticos, romance,
drama, ou tudo isso ao mesmo tempo, o que parece correto. No embate entre
criador e criatura, muitos questionamentos filosóficos ligados à imperfeição do
homem e sua finitude, a dor, a tristeza, a solidão e os limites éticos das pesquisas científicas. E
na trajetória de coexistência, busca e desencontro entre criador e criatura, o
roteiro, assim como a obra adaptada, explora as contradições e imperfeições humanas:
violência e ternura, condenação e perdão e o amor e ódio entre criador e criatura. O
resultado agrada alguns, desagrada outros e dá combustível à antiga discussão
quanto à qualidade do premiado cineasta mexicano como roteirista. Goste-s ou não da
superprodução, há unanimidade no tocante ao desempenho extraordinário do australiano,
Jacob Nathaniel Elordi, eleito para
viver o monstro, e que encanta com o seu talento, pela forma minimalista com
que cuida de cada postura e cada
movimento corporal do gigante, assim como as suas falas em tom realista e
cavernoso. Particularmente, entre virtudes e defeitos, gostei do filme. E
recomendo aos cinéfilos amantes da arte.
Até mais amigos.
