domingo, 1 de março de 2026

CINEMA DE OSCAR - O FRANKENSTEIN DE GUILLERMO DEL TORO.

 

Boa tarde amigos, 

Imagem de publicidade do filme. Aqui o ator  
Jacob Ejordi na pele da criatura


O conhecido romance Frankenstein ou o Prometeu Moderno, primeira e mais famosa obra da escritora inglesa, Mary Shelley (1797/1851), publicado na versão mais conhecida, em 1831, já foi adaptado, para teatro e cinema, mais de 400 vezes, segundo os estatísticos. E certamente cada uma das  versões, destaca, em particular, a visão e o propósito de seu respectivo diretor. Sobre o último   roteiro adaptado para o cinema,  do diretor mexicano Guillermo Del Toro  (O Labirinto do Fauno (2006), A Forma da Água (2017, Oscar de melhor filme), e que pode ser visto na plataforma Netflix, é que falo aos amigos. O longa faz jus ao enquadramento como tal, pois se desenvolve em duas horas e meia, o que o torna, para alguns, um tanto lento e arrastado. O que me levou a  escolhê-lo, dentro do catálogo disponível da Netflix, foram as premiações que recebeu e aquelas que ainda possivelmente virão. Nas indicações para o Oscar 2.026, o filme está concorrendo a nove categorias, incluindo a de melhor filme e de melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi.  Com um orçamento milionário, cerca de 120 milhões de dólares, ou 600 milhões de reais, o projeto sonhado pelo diretor durante 25 anos, destaca-se pelo uso de cenários reais e grandiosos,  decadentes e belos, com sombras e luzes voltados para iluminar as cenas de sangue e terror, seu traço gótico e fantástico, a cenografia detalhada e o figurino  cuidadoso, aspectos que revelam o  tom melodramático da versão, um marco registrado da  personalidade de Guillermo. O cineasta manifesta em suas obras a tendência para explorar o imperfeito e as fraquezas humanas,  inserindo essas imperfeições em personagens destacados, ou apenas  dando forma  a seres inanimados (vide o seu aclamado A Forma da Água de 2.017). Assim como no original do livro,  o narrador (o próprio Victor Frankenstein, em primeira pessoa), vai relatando as suas experiências científicas sem limites,  como estudante de medicina,  com o que logrou trazer à vida um monstro, utilizando partes de restos mortais de sepulturas, coladas como num retalho e movimentadas a partir de um complexo sistema de conexão elétrica.  O monstro, ganhando vida, vai conhecendo a rejeição de seu criador, que tenta destruí-lo, convicto de que ele é violento e criminoso, o que coloca em risco a sua vida e  integridade física de outras pessoas. Não há consenso entre os críticos sobre o enquadramento do Frankenstein do Del Toro: terror (?) ficção científica com traços góticos (?) romance (?), drama (?),  ou tudo isso ao mesmo tempo, o que parece correto. No embate entre criador e criatura, muitos questionamentos filosóficos ligados à imperfeição do homem e suas incertezas sobre a finitude e a compreensão de sensações como  a dor, a tristeza, a solidão e  os limites éticos das pesquisas científicas. E na trajetória de coexistência, criador e criatura vão experimentando desencontros e contradições, com recíproco objetivo de destruição, de negação, mas também de ternura, de aceitação, de piedade. O resultado agrada alguns, desagrada outros e dá combustível à antiga discussão quanto à qualidade do premiado cineasta  mexicano como roteirista. Goste-se ou não da superprodução, há unanimidade no tocante ao desempenho extraordinário do australiano, Jacob Nathaniel Elordi,  eleito para viver o monstro, e que encanta com o seu talento, pela forma minimalista com que cuida de  cada postura e cada movimento corporal do gigante, para torná-los verossímeis, assim como as suas falas em tom  cavernoso. Particularmente, entre virtudes e defeitos, gostei do filme. E recomendo aos cinéfilos amantes da arte.

 

Até mais amigos.

 

 

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