sábado, 21 de março de 2026

VINTE E SETE NOITES - CINEMA ARGENTINO.

Boa noite amigos, 


Poster de divulgação do filme - foto do meu
celular.

Com a conhecida densidade dos dramas explorados pelo bom cinema argentino, mas sem ser maçante ou sisudo, o longa, VINTE E SETE NOITES, de 2025, produzido e distribuído pela NETFLIX, mergulha na reflexão sobre etarismo,  saúde mental, liberdade e autodeterminação na velhice, numa interessante proposição e discussão a respeito das fronteiras entre a excentricidade e a doença mental,  com sutileza e leveza.  Baseado no livro Veintesiete Noches de Nathália Zito, o título se refere ao tempo em que a octogenária, Martha Hoffmann (Marilu Marine), artista plástica, viúva, rica e independente,   permanece internada em uma clínica, contra a sua vontade, por iniciativa de suas filhas, preocupadas com as relações da mãe com jovens músicos e artistas, no objetivo de  proteger o patrimônio familiar. Diagnosticada com demência frontotemporal, sem definição de fases,  sustentam suas futuras herdeiras,  que seria incapaz para a prática dos atos da vida civil. Aí entra em cena o perito judicial, Leandro (Daniel Hendler), incumbido de elaborar um laudo positivo ou negativo, mas conclusivo e fundamentado, decisivo para o julgamento do processo de interdição que corre na Justiça. Os diversos encontros entre a artista e o perito, nos quais acontecem reflexões e diálogos sobre realidade, velhice, doenças e limitações, preconceitos, excentricidades,  capacidade e autodeterminação, constituem a essência do roteiro  e das mudanças que terminam por afetar a vida de ambos os personagens centrais. Baseado em história real da viúva, Natália Kohen, internada em Buenos Aires pelas filhas, o filme é bem produzido, intercalando, com bom humor, cenas dramáticas e cômicas, com um final interessante. Vale assistir.

 

Até mais amigos.

 

 

                                  

domingo, 1 de março de 2026

CINEMA DE OSCAR - O FRANKENSTEIN DE GUILLERMO DEL TORO.

 

Boa tarde amigos, 

Imagem de publicidade do filme. Aqui o ator  
Jacob Ejordi na pele da criatura


O conhecido romance Frankenstein ou o Prometeu Moderno, primeira e mais famosa obra da escritora inglesa, Mary Shelley (1797/1851), publicado na versão mais conhecida, em 1831, já foi adaptado, para teatro e cinema, mais de 400 vezes, segundo os estatísticos. E certamente cada uma das  versões, destaca, em particular, a visão e o propósito de seu respectivo diretor. Sobre o último   roteiro adaptado para o cinema,  do diretor mexicano Guillermo Del Toro  (O Labirinto do Fauno (2006), A Forma da Água (2017, Oscar de melhor filme), e que pode ser visto na plataforma Netflix, é que falo aos amigos. O longa faz jus ao enquadramento como tal, pois se desenvolve em duas horas e meia, o que o torna, para alguns, um tanto lento e arrastado. O que me levou a  escolhê-lo, dentro do catálogo disponível da Netflix, foram as premiações que recebeu e aquelas que ainda possivelmente virão. Nas indicações para o Oscar 2.026, o filme está concorrendo a nove categorias, incluindo a de melhor filme e de melhor Ator Coadjuvante para Jacob Elordi.  Com um orçamento milionário, cerca de 120 milhões de dólares, ou 600 milhões de reais, o projeto sonhado pelo diretor durante 25 anos, destaca-se pelo uso de cenários reais e grandiosos,  decadentes e belos, com sombras e luzes voltados para iluminar as cenas de sangue e terror, seu traço gótico e fantástico, a cenografia detalhada e o figurino  cuidadoso, aspectos que revelam o  tom melodramático da versão, um marco registrado da  personalidade de Guillermo. O cineasta manifesta em suas obras a tendência para explorar o imperfeito e as fraquezas humanas,  inserindo essas imperfeições em personagens destacados, ou apenas  dando forma  a seres inanimados (vide o seu aclamado A Forma da Água de 2.017). Assim como no original do livro,  o narrador (o próprio Victor Frankenstein, em primeira pessoa), vai relatando as suas experiências científicas sem limites,  como estudante de medicina,  com o que logrou trazer à vida um monstro, utilizando partes de restos mortais de sepulturas, coladas como num retalho e movimentadas a partir de um complexo sistema de conexão elétrica.  O monstro, ganhando vida, vai conhecendo a rejeição de seu criador, que tenta destruí-lo, convicto de que ele é violento e criminoso, o que coloca em risco a sua vida e  integridade física de outras pessoas. Não há consenso entre os críticos sobre o enquadramento do Frankenstein do Del Toro: terror (?) ficção científica com traços góticos (?) romance (?), drama (?),  ou tudo isso ao mesmo tempo, o que parece correto. No embate entre criador e criatura, muitos questionamentos filosóficos ligados à imperfeição do homem e suas incertezas sobre a finitude e a compreensão de sensações como  a dor, a tristeza, a solidão e  os limites éticos das pesquisas científicas. E na trajetória de coexistência, criador e criatura vão experimentando desencontros e contradições, com recíproco objetivo de destruição, de negação, mas também de ternura, de aceitação, de piedade. O resultado agrada alguns, desagrada outros e dá combustível à antiga discussão quanto à qualidade do premiado cineasta  mexicano como roteirista. Goste-se ou não da superprodução, há unanimidade no tocante ao desempenho extraordinário do australiano, Jacob Nathaniel Elordi,  eleito para viver o monstro, e que encanta com o seu talento, pela forma minimalista com que cuida de  cada postura e cada movimento corporal do gigante, para torná-los verossímeis, assim como as suas falas em tom  cavernoso. Particularmente, entre virtudes e defeitos, gostei do filme. E recomendo aos cinéfilos amantes da arte.

 

Até mais amigos.