quarta-feira, 22 de abril de 2015

AS CAVERNAS NA ILHA DE BARBADOS E NA HISTÓRIA

Boa noite amigos,

Em três postagens do ano passado falei sobre minha viagem à Ilha de Barbados, no Caribe, uma interessante opção de cultura e lazer. Tratei de dar dicas do que considerei importante conhecer em matéria de dados sobre a ilha, passeios turísticos, personalidades do local, peculiaridades, transportes,  hotéis e restaurantes. Dentre os passeios sugeri a visita às fantásticas cavernas que ali se encontram, oferecendo um espetáculo ímpar e curioso aos visitantes. A Harrison’s Cave é uma delas. Está situada o meio da ilha e o acesso se faz por carro ou táxi. É talvez a mais fascinante de todas. Você pode visitá-la a pé, ou num confortável trem, por 60 dólares barbadianos, equivalentes a 30 dólares americanos. Tire as fotos que conseguir, pois a iluminação natural ou artificial ali instalada, cuidadosa e estrategicamente, permite que você registre momentos espetaculares construídos pela natureza. Assim, você será, por alguns momentos, um homem das cavernas do século XXI, com tudo a que tem direito, especialmente caminhar pelo interior desses imensos buracos construídos pela natureza e que, no passado remoto, serviram de asilo para o homo sapiens e  o homo de-neandertal e seus antecessores na cadeia evolutiva, contra os perigos representados por seus inúmeros predadores. O passeio começa pela visita a uma sala-museu, onde vídeos e aparelhos touchscreen ensinam como se formam as cavernas. Depois, um grande elevador panorâmico leva o turista para o patamar de entrada da caverna. Durante o passeio é comum que pingos d’água das estalactites caíam sobre você, tornando a aventura ainda mais refrescante e natural. Imperdível.
Até mais amigos.

P.S. (1) O homem das cavernas é um estereótipo baseado nos seres da Pré-história. O termo é normalmente utilizado para designar a associação entre os primeiros seres humanos e as cavernas, demonstrado em pinturas rupestres;

P.S. (2)  A associação entre os homens das cavernas e os dinossauros não passam de ficções criadas pela cultura popular, uma vez que os dinossauros foram extintos cerca de 65 milhões de anos antes do surgimento da espécie humana. Não conviveram, portanto, homem e dinossauro, a não ser na imaginação dos nossos bons ficcionistas.



P.S. (4)  O mito ou “Alegoria” da Caverna é uma das mais clássicas e conhecidas passagens da Filosofia, tratando-se de uma narrativa constante  do livro VII de “A República” de Platão,  obra na qual o filósofo discute teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal,

P.S. (5)  “(.....) “A história narra a vida de alguns homens que nasceram e cresceram dentro de uma caverna e ficavam voltados para o fundo dela. Ali contemplavam uma réstia de luz que refletia sombras no fundo da parede. Esse era o seu mundo. Certo dia, um dos habitantes resolveu voltar-se para o lado de fora da caverna e logo ficou cego devido à claridade da luz. E, aos poucos, vislumbrou outro mundo com natureza, cores, “imagens” diferentes do que estava acostumado a “ver”. Voltou para a caverna para narrar o fato aos seus amigos, mas eles não acreditaram nele e revoltados com a “mentira” o mataram”;

P.S. (6 )   (....) “Com essa alegoria, Platão divide o mundo em duas realidades: a sensível, que se percebe pelos sentidos, e a inteligível (o mundo das ideias). O primeiro é o mundo da imperfeição e o segundo encontraria toda a verdade possível para o homem. Assim o ser humano deveria procurar o mundo da verdade para que consiga atingir o bem maior para sua vida. Em nossos dias, muitas são as cavernas em que nos envolvemos e pensamos ser a realidade absoluta”. (http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/23/mito-da-caverna-uma-reflexao-atual-178922-1.asp);

P.S. (7) As cavernas são estudadas pela espeleologia, uma ciência multidisciplinar que envolve diversos ramos do conhecimento, como a geologia, hidrologia, biologia, paleontologia e arqueologia.  A exploração de cavernas tem grande destaque no turismo de aventura (ou ecoturismo);

P.S. (8) O  termo "homem de Neandertal" foi criado em 1863 pelo anatomista irlandês William King. Por muitos anos, houve um vigoroso debate científico quanto à sua classificação: Homo neanderthalensis ou Homo sapiens neanderthalensis. O segundo coloca os neandertais como uma subespécie do Homo sapiens, ou seja, da linhagem humana, passando a ser uma segunda raça de humanos, ao lado da Homo sapiens sapiens. De qualquer forma, recentes evidências de estudos com DNA mitocondrial indica que os neandertais "não pertencem à linhagem humana".  Geralmente é aceito que tanto os neandertais como o Homo sapiens evoluíram de um ancestral comum, mas a classificação dos neandertais depende de quando, na linha do tempo, ocorreu essa separação”.  (Wikipédia.com.br);


P.S. (9) As imagens da postagem de hoje são, à exceção da figura que mostra a evolução da espécie, todas obtidas por mim, do celular, durante a viagem pelo interior da caverna em Harrison’s Cave, Ilha de Barbados.




terça-feira, 14 de abril de 2015

UMA TARDE NO MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO

Boa noite amigos,


Era uma terça feira útil e eu, depois da frustração de um compromisso profissional em São Paulo, para onde viajo agora muito raramente, resolvi visitar o Masp. Não tenho certeza, mas julgo que nunca estive no mais famoso museu de artes da América Latina. É incrível imaginar como alguém que reside há cinquenta e oito anos em Campinas, a apenas 97 km. da Capital e que durante muitas décadas cumpria agenda profissional quase que semanalmente em São Paulo; um apreciador de todas as artes, incluindo literatura, escultura e pintura, não tenha um dia se programado para visitar  o museu fundado por Assis Chateaubriand, o polêmico dono dos Diários Associados. O Masp (Museu de Arte de São Paulo), hoje oficialmente, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand,  além disso, é uma instituição de reconhecimento internacional e que sempre esteve em dois endereços diferentes: Rua 7 de Abril, 230, no Centro (de 1.947 a 1.968),  e Avenida Paulista (a partir de 1.968 até hoje), ambos muito disponíveis para quem está ou vai a Capital paulistana. Some-se a isso o fato de que, em  minhas andanças sessentonas, já visitei os maiores museus do mundo, como o Louvre, em Paris, o Prado, em Madri, e o Metropolitan, em Nova York, para citar alguns.  O certo é que a  gente costuma se interessar por conhecer tudo o que pode,  quando viaja; quando está distante de casa; quando tem consciência de que dificilmente haverá ensejo para voltar um dia ali. O que está em casa; o que está próximo; o que está à mão, esse, além de não se dar o devido valor, ao contrário daquele que se confere ao estrangeiro (uma espécie de xenofobia, às avessas), a gente acha que visita a qualquer hora e que não faltará oportunidade.  E assim vai deixando para depois, para algum dia qualquer.  Bem, mas voltando ao museu ele é realmente surpreendente. 

Caminhando por seus dois pavimentos, a cada metro quadrado, pode-se apreciar obras autênticas de renomados pintores e escultores brasileiros, italianos, franceses e de outras diversas nacionalidades. Pinturas emblemáticas de movimentos diversificados como a Série Bíblica de Cândido Portinari,  e de Ernesto Fiori, artista italiano que viveu e morreu no Brasil e que teve suas obras doadas por seus herdeiros, após exposição temporária; preciosidades como  A Ressurreição de Cristo, de Rafael, e Rosa e Azul As Meninas  Cahen d’Anvers, de 1.881, uma das telas mais importantes e valorizadas de Pierre Auguste Renoir. Os vários ambientes, envoltos no que existe de fundamental e relevante em matéria de pintura e escultura universais, de diversos e importantes artistas e suas fases, de múltiplas culturas e movimentos, são de visita obrigatória, porquanto significativos para se aprender, apreender e se encantar. Por fim, nos subsolos há acesso à biblioteca, ao café e a livros que contam a história do museu, de seus fundadores, presidentes, de suas exposições, mostras, cursos e visitantes ilustres, como a Rainha Elizabeth da Inglaterra. Ali, ainda no subsolo, abre-se um bom espaço para palestras e conferências, espaço esse que naquele momento se encontrava fechado para reforma ou manutenção. Absolutamente imperdível. Para ir e voltar sempre, com as novidades de mostras e exposições que a instituição promove rotineiramente.

 Até breve amigos,

P.S. (1) Menotti Del Picchia afirmou certa vez sobre Assis Chateaubriand e seu sonho de legar ao Brasil o seu mais importante museu de arte: “Nele, a vontade e a força são tão violentas que, no seu cérebro ‘imaginar’ já é começar a realizar”;

P.S. (2) Três nomes fundamentais na concepção e nascimento do Museu de Arte de São Paulo: Pietro Maria, sua mulher, a arquiteta Lina Bo Bardi e Assis Chateubriand. Os dois primeiros, italianos de nascimento, vieram ao Brasil no ano de 1.946, de navio, carregando, no porão dessa embarcação, 54 telas dos séculos XIII e XVIII,  para aqui realizar a Exposição de Pintura Italiana Antiga, promovida pelo Ministério da Educação e Saúde. Aqui conheceram o dono dos Diários Associados e o trio foi o responsável, a partir daí, pela rica história do Museu, uma referência cultural de arte, a mais importante, sem dúvida, da história do Brasil;

P.S. (3)  A descrição do projeto definitivo do prédio do Museu na Av. Paulista,  é  assim  relatada em livro produzido para comemorar os 60 Anos do Museu[1]:  “Ao lado do marido, a arquiteta Lina Bo Bardi teve intensa participação no circuito intelectual brasileiro, conquistando também um espaço privilegiado na moderna arquitetura do país ao conceber, no final da década de 1950, o projeto da sede definitiva do museu. Integrado à modernidade da avenida Paulista, suas linhas arrojadas surpreendem até hoje pela peculiaridade: quatro pilares de concreto suspendem, a 8,5 metros do piso, os dois andares que formam o bloco principal do edifício, que se complementava com dois pavimentos ocultos e o subsolo”.

P.S. (4) Agora sobre o famoso Vão do Masp, prossegue o relato:  “Entre ambos, o imenso vão livre de 74 metros, o maior do mundo à época da construção. Hoje, quem olha para o imponente edifício percebe facilmente que nele estão estampadas a vocação modernista e a identidade inconfundível da grande metrópole. Mesmo o observador mais distraído notará a existência de grandes espaços abertos, intencionalmente concebidos para serem preenchidos pelo uso cotidiano da comunidade.”;

P.S. (5) Muitas exposições temporárias foram realizadas pelo Masp nos seus 67 anos de existência. Algumas, que merecem destaque: de Aldemir Martins, o primeiro aluno da Escola do Masp (mostra que contou com 192 obras, sendo 136 pinturas e 56 obras sobre papel e o lançamento do livro Aldemir Martins por Aldemir Martins);  a Megaexposição de Renoir em 2002; e, a do francês Claude Monet, que bateu recordes de visitação em 1.997. O Masp realizou centenas de eventos de arte, promoveu cursos e recebeu milhões de visitantes. É referência internacionalmente reconhecida e respeitada;

P.S. (6) A biblioteca do Museu possui cerca de 68.400 exemplares entre livros, catálogos, revistas, boletins e raridades. Oferece ainda para consulta, coleção de obras raras sobre historia da arte e arquitetura existentes no Brasil, doada em 1.977, pelo casal Pietro Maria e Lina Bo Bardi;

P.S. (7) Na tarde de minha visita ao  Masp no vão do prédio acontecia uma manifestação de professores. O espaço é rotineiramente utilizado como tribuna de protestos e reivindicações, ou exposições de arte. É o coração do Masp que, cumprindo o seu destino, aquele para o qual foi preconizado pela arquiteta e executores,  dá vida às obras estáticas imortalizadas nos pincéis, tintas, martelos e formões dos grandes pintores e escultores da história;

P.S. (8) As imagens da coluna de hoje são de telas famosas de propriedade do Museu de Arte de São Paulo, grande parte adquirida por Assis Chateaubriand,  com a colaboração do casal,  Pietro-Lina Bo Bardi, no final da década de 40, na Europa, aproveitando a grande crise econômica pós Segunda Guerra Mundial. Pela ordem: 1) Rosa e Azul de Renoir; 2) O Filho do Carteiro, de Van Gogh - 1.888; 3) Retrato de Suzanne Bloch, Fase Azul de Pablo Picasso; 4) Banco de Pedra no Asilo de Saint-Remy, de Van Gogh; 5) O Lavrador de Café do brasileiro Cândido Portinari.






[1] MASP 60 ANOS – MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO ASSIS CHATEAUBRIAND: MASP. COORDENAÇÃO GERAL – MARIA SIMÕES E MARCOS KIRST – SÃO PAULO: Premio, 2.008. Texto de vários autores, pp. 13/15.

sábado, 4 de abril de 2015

CINEMA - MAGIA AO LUAR

Boa noite amigos,


Stanley (Colin Firth) é um respeitado ilusionista que, além da reputação pelos seus truques que encantam e intrigam os seus espectadores, também ganhou fama como um especialista em desmascarar videntes e espiritualistas que apregoam a existência de um outro mundo e a possibilidade de contato com o além. Ateu convicto e narcisista, Stanley é contratado para desmistificar a jovem Sophie (Emma Stone), que surge como uma grande médium, capaz de se comunicar com os mortos e de obter informações sobre fatos passados e futuros e particularidades a respeito de qualquer pessoa,  de forma espetacular e inadmissível para ele. Certo de que se trata de uma fraude, Stanley se aproxima da moça e nesse convívio vai se convencendo de que se cuida efetivamente de algo extraordinário, o que lhe provoca sérias e fundadas dúvidas sobre aquilo que sempre teve certeza: existiria efetivamente uma outra dimensão, um ser superior, um Deus criador de todas as coisas e que comanda o universo? Haveria alguma outra realidade além daquela nua e crua que a sua razão e seus sentidos revelam,  enfim? Durante o convívio, Stanley e Sophie acabam se apaixonando,  o que ele não admite absolutamente de início, mas essa nova experiência é capaz de provocar mudanças profundas na sua maneira de encarar a vida e a realidade. Do original Magic in the Moonlight, Magia ao Luar é uma comédia romântica  escrita, roteirizada e dirigida por Wood Allen, naquele estilo abraçado  de tempos para cá, muito menos complicado e mais óbvio, porém o mesmo Allen de  textos primorosos e personagens marcantes pela dose de sarcasmo e ironia. Destaque para Firth  (O Discurso do Rei), bom como sempre no papel do mágico protagonista, caçador de embusteiros, e para a graciosa Emma Stone, muito bem no papel da jovem médium Sophie. Enfim, uma comédia delicada que trata com simplicidade de temas profundos e universais como o propósito da vida, a vida depois da morte, a existência de Deus ou de um ser superior. Ah, ia me esquecendo: e da paixão, uma paixão transformadora da realidade, ingrediente indispensável na obra do incorrigível romântico, Wood Allen. Experimente! 


Até breve amigos,

P.S. (1) A imagem da coluna de hoje, uma cena do longa metragem em que se vêm os protagonistas, Stanley e Sophie foi emprestada de athenacinema.com









domingo, 29 de março de 2015

A SELEÇÃO DE DUNGA.

Boa tarde amigos, 

As oito vitórias consecutivas de Dunga com a Seleção Brasileira de Futebol, dentre elas, por um convincente placar de 3 a 1 sobre a França, em Paris, com a seleção jogando bem, técnica e taticamente, não conseguiram apagar, ainda, o trauma da Copa do Brasil, com as vexatórias derrotas de 7 a 1 para a Alemanha campeã e de  3 a 0 para a Holanda, terceira colocada. Muito se falou – e ainda se falará - acerca dos motivos que explicariam a pífia participação do Brasil na segunda Copa do Mundo realizada em sua casa. Claro que não existe uma causa única, mas uma somatória delas. Continuo acreditando, porém, que o otimismo ditado pela indisfarçável certeza de que a seleção superaria os percalços que surgissem, com a sua tradição de pentacampeã, a qualidade individual de seus jogadores e a condição de anfitriã, não pode ser excluído  como um dos motivos fundamentais de acomodação, embora sem qualquer base objetiva ou estatística.  Caímos na armadilha de nossos adversários. Enquanto todos eles disputavam as eliminatórias, aproveitando para montar suas equipes, dar-lhes entrosamento e personalidade, fazíamos amistosos caça-níqueis, engordando os cofres da CBF,  a maioria com adversários que sequer estariam na Copa do Mundo.   E para completar esse injustificável acréscimo de auto-estima,  nos deram o aperitivo de presente: a conquista da inexpressiva Copa das Confederações, com direito a uma final contra a última Campeã do Mundo, uma goleada de 3 a 0 sobre uma Espanha apática e desinteressada, cujos atletas preferiram fazer turismo e noitada no país das mulheres bonitas, do carnaval, do samba, de feijoadas e caipirinhas. Por isso, quando a bola começou a correr para valer nos quatro cantos do país-continente, a Seleção de Felipão jamais conseguiu confirmar o seu suposto favoritismo. Vitórias magras e sofridas ou empates sobre adversários que vieram como coadjuvantes, na primeira fase, classificações suadas contra o Chile e  a Colômbia, nas oitavas e quartas-de-finais, respectivamente,  sinalizavam para o que viria pela frente.  E fomos punidos. Com Neymar lesionado e fora de combate, ficamos à mercê de uma favorita Alemanha, que jogava, então,  o melhor futebol da Copa. De repente o apagão e o vexame das falhas individuais e coletivas, e a sucessão de gols. Claro que por todos os aspectos que se possa analisar, essa goleada não pode ser considerada normal, nem medidora da distância entre a qualidade das equipes. Há tragédias no futebol que não se explicam com argumentos objetivos. Por isso, quando tudo está desfavorável e o adversário conhece os seus pontos vulneráveis, esses desastres tendem a acontecer. De qualquer maneira ninguém discordou depois da Copa,  da necessidade de reforma profunda na gestão e nos conceitos do nosso futebol,  a começar pelo urgente retorno dos investimentos no futebol de base. A primeira etapa da reformulação na Seleção deve ser vista agora em junho na disputa da Copa América. Depois disso, nas difíceis eliminatórias para a Copa de 2.018. Mas não se espere grandes modificações. É muito cedo para isso. O que importa é o início de um trabalho de renovação que coloque o nosso futebol, e quiçá o nosso esporte em geral, no caminho do sucesso, na lógica nem sempre muito lógica nesse nosso mundo da pós-modernidade.

Até mais amigos,

P.S. (1) O cearense, Roberto Firmino (imagem que ilustra a coluna de hoje emprestada de www.express.co.uk), é um meia, que gosta de jogar avançado como atacante,  que surgiu no Corinthians de Alagoas, passou pelo CRB e, dali, diretamente para o Joinville de Santa Catarina, de onde foi contratado pelo Hoffernheim da Alemanha. Tem apenas 23 anos e é disputado por três equipes inglesas (Arsenal, Liverpool e Manchester City). No último campeonato alemão marcou 16 gols.  Foi convocado para a Seleção Brasileira, pelo técnico Dunga, para os últimos amistosos e marcou dois golaços (um contra a Áustria, de fora da área,  e outro, hoje na vitória por 1 a 0 contra a Seleção do Chile. É uma das boas surpresas no projeto de renovação da Seleção; 

P.S. (2) A campanha da Seleção na Copa de 2.014, a segunda na história das Copas realizadas no Brasil (a 1a. foi em 1.950, quando perdemos o título dentro do Maracanã, na virada da Seleção do Uruguai, que venceu por 2 a 1) foi a seguinte: 3 a 1 contra a Croácia; 0 a 0 contra o México, 4 a 1 contra Camarões; 1 a 1 contra o Chile (3 a 2 nos pênaltis); 2 a 1 contra a Colômbia; 1 a 7 contra a Alemanha e 0 a 3 contra a Holanda.
  



domingo, 22 de março de 2015

CONTO - VAI DIRCE!



Boa noite amigos,

O jogo de cartas era uma das nossas mais freqüentes diversões naqueles anos pouco dourados do final da década de 70, início dos anos 80. Cena comum: em volta da mesa, o Miltão e a Sely quebravam o pau o tempo todo, um reclamando da eventual incompetência do outro quanto ao cumprimento da estratégia de jogo, ou, não houvesse motivo palpável, pelo azar, naquela tarde ou naquela noite. Mas as duplas eram cuidadosamente formadas, por causa da suspeita – muitas fundadas, diga-se de passagem – de que nem sempre marido e mulher falavam a mesma língua no jogo de “buraco”. Um era mais concentrado, o outro mais esperto, um não prestava atenção no descarte, outro no que estava na mesa, preferindo “comprar”[1] uma carta muito pior em matéria de aproveitamento, e assim por diante. O Nenê e a Dirce formavam uma das duplas (marido e mulher), amigos do Miltão e Sely dos tempos de Piracicaba, e que, por via destes, também se tornaram nossos amigos. A Dirce fumava muito e sorria o tempo todo. Calma, não prestava atenção no jogo, o que irritava o parceiro, mas fazia a “festa” dos adversários, que vibravam quando ela descartava justamente a carta que dava “canastra” ou para ela (e ela não tinha visto), ou para a dupla adversária (que pegava imediatamente a mesa e agradecia a gentileza). Mas a Dirce era querida. Por mais que não pareça lógico (pois no fim  entregava a vitória para o inimigo),  ela demorava muito para jogar, nunca sabia quando era a vez dela e aí todo o resto do pessoal invariavelmente tinha que lembrá-la o tempo todo: - Vai Dirce! é a sua vez. – Vai Dirce, descarta, pô! A coisa era tão comum que o Miltão estendeu o  “Vai Dirce!” para todo e qualquer jogador que eventualmente estivesse distraído ou demorasse muito para descartar. Era um tal de “Vai Dirce!” gritado coletivamente,  que todos nós experimentamos um dia, pelo menos uma vez, o fenômeno ou o efeito “Vai Dirce!”. A Dirce não ligava. Ria e continuava na dela. Quando então, por essas coisas aleatórias da sorte, apesar de jogar mal, estava ganhando e se demorava (e ela sempre demorava), para jogar, conforme o humor do adversário, era acusada de “tripudiar sobre o cadáver.” Além do que todos consideravam que perder para a Dirce era uma desonra. Ou, no mínimo, um atestado de burrice. E a sua alegria permanente, aliada à desgraça do adversário, sugeria que se deveria mandar ela tomar naquele lugar, no mínimo.  Mas acho que ninguém chegou a tanto. Não sei se a Sely, que era a mais esquentadinha, algum dia  estendeu o dedinho indicador para ela, num vai tomar no.... coreografado”. Os tempos se foram. As duplas de parceiros amigos se desfizeram. Ficamos velhos e saudosos, mesmo dos tempos difíceis. Não vi mais o Nenê e a Dirce, acho que por uns 20 anos. Outro dia o Miltão me falou que a Dirce morreu.  Não quis saber de detalhes, porque eles não interessam, evidentemente, nessa hora. Mas parece que entre o mal e o falecimento não demorou muito. Ao contrário da vida lenta e saboreada, a Dirce deve ter tido uma morte rápida e definitiva. O que ficou dela para mim foi exatamente essa alegria de viver, esse pômeufalasérioojogoédebrincadeiraeeunãotônemaí@com.brE supus, na minha fértil imaginação, a seguinte cena:  Dirce chegando ao paraíso recebida por São Pedro[2]. Distraída, alegre, sem dar conta que ganhara o reino do céu no rápido julgamento que se fizera antes de sua chegada, morosa como sempre. E tão morosa que São Pedro, impaciente, já tendo perdido o primeiro gol do Messi no jogo do Barcelona pela Copa dos Campeões Europeus, não agüentou:  - Pô Dirce, Vem ou não vem?  Quer saber de uma coisa?: “Vai  pro inferno!”. Mas dizem que até hoje a Dirce nem entrou no céu, nem chegou no inferno. 

Até mais, amigos.

P.S. A imagem da coluna de hoje é do quadro do pintor francês Paul Cezanne, o terceiro da série Jogadores de Cartas,  (Le Joueurs de Cartes, em francês),  que o artista pintou entre 1.890 e 1.895. O famoso pintor pertenceu a três movimentos estéticos: Impressionismo, Pós-Impressionismo e Arte Moderna. A tela encontra-se no Museu de Orsay, em Paris.






                                                  




[1] “Comprar” na linguagem do jogo de baralho significa rejeitar a carta ou cartas que estão na “mesa”, preferindo o jogador adquirir a primeira do monte de cartas à disposição, cuja identidade não era conhecida (quanta emoção!).
[2] Dizem que é ele que recebe a gente quando e “se” a gente for pra lá. Não sei porque. Mas suponho que deva ser porque ele foi o primeiro Papa. Que para ele foi dada a chave. E que essa chave deve abrir não só as portas do Vaticano,  mas também  as portas do céu.

domingo, 15 de março de 2015

O MOVIMENTO DE 15 DE MARÇO EM CAMPINAS

Amigos, boa noite

São 19,00 horas deste memorável domingo, dia 15 de março de 2.015, data marcada para o movimento cívico em todo o Brasil, contra a escândalo da Petrobrás, a corrupção de maneira geral, a grave situação da economia e as medidas econômicas adotadas pela Presidenta da República para recuperar as perdas e reaquecer a economia, além de conter a inflação, em alta. Em muitos casos, o movimento também protesta contra o Partido dos Trabalhadores, envolvido no escândalo do Mensalão, e, agora, da Operação Lava Jato, além do pedido de impedimento (impeachment)  da Chefe da Nação. Não quero entrar no mérito de qualquer dessas pretensões. 
Quero registrar que acompanhei vivamente, e com o olho e ouvido de um documentarista isento,  aqui de  Campinas, uma das maiores cidades e mais importantes do interior do país, a organização e a execução do evento, especialmente o da manhã, marcado para as 10,00 horas, no Largo do Rosário.

E  não posso deixar de  enaltecer o comportamento de todos os participantes, ao menos aqueles que permitiram, pela ordem e respeito às coisas públicas e privadas, que os estabelecimentos comerciais que abrem aos domingos, funcionassem normalmente, como ocorreu com o tradicional Bar Giovanetti I, situado no mesmo Largo. Era maciça a presença da classe média e também da classe trabalhadora mais humilde. Depois da manifestação concentrada no Largo do Rosário, onde a multidão ouviu e cantou o Hino Nacional,   os participantes seguiram até o Centro de Convivência Cultural, grande parte usando artefatos com as cores do lábaro nacional, ou carregando a própria bandeira brasileira. A multidão estimada em mais de 10.000 participantes, lotou o Teatro de Arena e ainda a entrada do Teatro do Centro de Convivência, permitindo, no entanto, que a feira de artesanato, que acontece todo domingo no local, funcionasse sem interferência.


Na rua, ao lado do City Bar, um grande trio elétrico carregava a equipe de organizadores e   puxava a manifestação, com discursos inflamados, ouvidos pelo público, em silêncio,  ou com gritos de palavra de ordem, mas sem que se percebesse qualquer tipo de agressão física ou psicológica, nem ato de vandalismo. Uma invejável festa da democracia, denotando participantes maduros e  quero crer, também politizados, tornando público o seu descontentamento com a classe política, especialmente com o Partido dos Trabalhadores, com os rumos imprimidos pela Chefe da Nação à economia do país, e, ainda, com  os vexatórios acontecimentos que ganharam manchete no mundo, envolvendo corrupção institucionalizada na maior empresa brasileira, a Petrobrás. Vários flagrantes foram documentados pelo meu celular, dando conta, por certo, da fidelidade da minha narrativa sobre o evento. Oxalá tenha acontecido o mesmo no país inteiro para mostrar ao mundo que o brasileiro de hoje é, em regra, patriota, preparado politicamente, inconformado com os “maus feitos”, para usar expressão da Presidenta Dilma, e que sabe protestar de maneira incisiva, porém ordeira, cobrando dos agentes públicos, eficiência, honestidade, imparcialidade e efetiva aplicação das punições legais aos responsáveis pelos crimes praticados contra o Estado e a grande  e sofrida nação brasileira.

Até amanhã amigos,

P.S. (1) O deputado federal, Carlos Sampaio, o Carlão Sampaio (PSDB) fez questão de acompanhar todo o evento, suando a camisa, como se pode observar da foto que ilustra a sua chegada ao Teatro de Arena. Carlão tem sido um dos mais ferrenhos e incansáveis adversários do Governo e da Presidenta Dilma na Câmara dos Deputados e no Congresso Nacional. Seus trabalhos, nas várias Comissões que integra,  tem recebido  destaque na imprensa nacional, merecidamente. Carlão foi um dos grandes articuladores da campanha para Presidente da República, do Senador Aécio Neves, derrotado nas urnas por pequena margem de votos, como se sabe.

P.S. (2) Diálogo de uma panela para a outra ouvido no Centro de Convivência hoje de manhã: "A Dilma apronta e nós é que pagamos o pato?"  
  



FUMAGALLI 2 X UNIÃO BARBARENSE 1.

Amigos, boa noite:

Cheguei agora há pouco do Estádio Brinco de Ouro da Princesa, palco de um clássico regional do interior pela 2ª. divisão do Campeonato Paulista. Guarani e União Barbarense se enfrentaram, com vitória do Bugre pelo placar de 2 a 1. Um resultado lógico? Nem tanto. Fosse pela tradição e pelo retrospecto não há dúvida que o Bugre era mesmo favorito. No entanto, no atual momento, o time de Santa Bárbara D’Oeste revela-se como uma grata surpresa dentre as equipes disputantes, tanto assim que freqüentou o G-4, em praticamente todas as rodadas, trocando, exatamente pela derrota de hoje, o 4ª lugar, com o próprio Guarani. Mas, enquanto o Bugre se mostrou até agora uma equipe instável, a Barbarense, ao contrário, sem grandes talentos individuais, tem mostrado um futebol vistoso, solidário e ofensivo e, por isso,  em boa parte do jogo de hoje envolveu a equipe bugrina. Parou, porém, na boa atuação do goleiro Neneca que, em duas oportunidades pelo menos, fez grandes defesas, evitando  a derrota da equipe da casa. Vi todos os jogos do Bugre neste campeonato que foram disputados em Campinas e concordo com aqueles que consideram a União Barbarense a adversária que mostrou o melhor futebol entre todos os outros que aqui estiveram, inclusive, em relação à Matonense, para quem a equipe campineira sofreu a sua única derrota em seus domínios. Mas o que eu queria dizer é outra coisa. Quero falar do meia, Fernando Fumagalli, que já entrou para a história do Guarani Futebol Clube. Aos 37 anos, tendo pensado na aposentadoria no fim do ano passado, Fuma, sem dúvida, é ídolo da torcida bugrina e  ganha enorme destaque nessa equipe, que, como tal,  não convenceu até agora no campeonato da segundona. Além do futebol preciso e tecnicamente competente que sempre jogou, Fumagalli, neste campeonato,  participou de praticamente todos os gols marcados pelo clube, quer fazendo alguns, quer dando assistência. Hoje novamente desequilibrou, arredondando as bolas que chegavam quadradas, criando, dando assistência e, principalmente, batendo faltas: foram três, todas cobradas com perfeição na direção da meta. Resultado: na segunda o goleiro fez grande defesa. Nas outras duas, não.  Foram duas cobranças majestosas. Dois gols. Os dois gols bugrinos saíram de seus pés para grande festa da torcida que o ovacionou gritando, como sempre faz, o seu nome. O gol da vitória aconteceu aos 49 minutos do segundo tempo, um minuto antes de escoados os cinco de prorrogação assinalados pelo árbitro.  

Até mais.

P.S. (1) José Fernando Fumagalli ou simplesmente Fumagalli como é chamado, começou sua carreira na Ferroviária de Araraquara em 1.995, ou seja, há 20 anos atrás. Jogou no Santos F.C., no Corinthians Paulista, no Sport de Recife, no Vasco da Gama e em outros clubes do Brasil e do exterior. Teve passagem pelo Guarani em 2.000-2.001 com grande destaque. Retornou em 2.012 e, com pequeno intervalo,  continua até hoje. No Bugre tem o vice-campeonato paulista de 2.012, ano em que recebeu o prêmio de craque do interior do Campeonato Paulista. Em 1.999, conquistou o Campeonato Paulista da Série A-2 pelo América de São  José do Rio Preto. No Santos, o torneio Rio-São Paulo de 1.997;  no Corinthians a Copa do Brasil e o Torneio Rio São Paulo de 2.002 e o Campeonato Paulista de 2.003; no Sport, foi tricampeão pernambucano (2.006-2.007 e 2.009). No Vasco da Gama,  o campeonato brasileiro da série B em 2.009 e a Copa da Hora em 2.010;

P.S. (2) A torcida bugrina tem marcado presença neste campeonato da segunda divisão paulista. A média de público chega próxima a 5.000 por jogo, afora os sócios torcedores,  sem dúvida um número muito bom, considerado o nível do campeonato e a ausência dos grandes clubes, que disputam a divisão principal. Além dessa média, a maior dentre todos os 20 participantes, a torcida incentiva a equipe durante todo o jogo, como reconhecem os jogadores. É hora, assim, da equipe e da Diretoria retribuírem esse importante apoio, com o acesso à divisão principal do campeonato paulista, primeiro grande objetivo do primeiro semestre de 2.015; 

P.S. (3) A imagem da coluna de hoje é do herói da vitória sobre a União Barbarense neste sábado, o meia Fumagalli, e foi emprestada do site www.futnacional.com.br.