domingo, 29 de março de 2015

A SELEÇÃO DE DUNGA.

Boa tarde amigos, 

As oito vitórias consecutivas de Dunga com a Seleção Brasileira de Futebol, dentre elas, por um convincente placar de 3 a 1 sobre a França, em Paris, com a seleção jogando bem, técnica e taticamente, não conseguiram apagar, ainda, o trauma da Copa do Brasil, com as vexatórias derrotas de 7 a 1 para a Alemanha campeã e de  3 a 0 para a Holanda, terceira colocada. Muito se falou – e ainda se falará - acerca dos motivos que explicariam a pífia participação do Brasil na segunda Copa do Mundo realizada em sua casa. Claro que não existe uma causa única, mas uma somatória delas. Continuo acreditando, porém, que o otimismo ditado pela indisfarçável certeza de que a seleção superaria os percalços que surgissem, com a sua tradição de pentacampeã, a qualidade individual de seus jogadores e a condição de anfitriã, não pode ser excluído  como um dos motivos fundamentais de acomodação, embora sem qualquer base objetiva ou estatística.  Caímos na armadilha de nossos adversários. Enquanto todos eles disputavam as eliminatórias, aproveitando para montar suas equipes, dar-lhes entrosamento e personalidade, fazíamos amistosos caça-níqueis, engordando os cofres da CBF,  a maioria com adversários que sequer estariam na Copa do Mundo.   E para completar esse injustificável acréscimo de auto-estima,  nos deram o aperitivo de presente: a conquista da inexpressiva Copa das Confederações, com direito a uma final contra a última Campeã do Mundo, uma goleada de 3 a 0 sobre uma Espanha apática e desinteressada, cujos atletas preferiram fazer turismo e noitada no país das mulheres bonitas, do carnaval, do samba, de feijoadas e caipirinhas. Por isso, quando a bola começou a correr para valer nos quatro cantos do país-continente, a Seleção de Felipão jamais conseguiu confirmar o seu suposto favoritismo. Vitórias magras e sofridas ou empates sobre adversários que vieram como coadjuvantes, na primeira fase, classificações suadas contra o Chile e  a Colômbia, nas oitavas e quartas-de-finais, respectivamente,  sinalizavam para o que viria pela frente.  E fomos punidos. Com Neymar lesionado e fora de combate, ficamos à mercê de uma favorita Alemanha, que jogava, então,  o melhor futebol da Copa. De repente o apagão e o vexame das falhas individuais e coletivas, e a sucessão de gols. Claro que por todos os aspectos que se possa analisar, essa goleada não pode ser considerada normal, nem medidora da distância entre a qualidade das equipes. Há tragédias no futebol que não se explicam com argumentos objetivos. Por isso, quando tudo está desfavorável e o adversário conhece os seus pontos vulneráveis, esses desastres tendem a acontecer. De qualquer maneira ninguém discordou depois da Copa,  da necessidade de reforma profunda na gestão e nos conceitos do nosso futebol,  a começar pelo urgente retorno dos investimentos no futebol de base. A primeira etapa da reformulação na Seleção deve ser vista agora em junho na disputa da Copa América. Depois disso, nas difíceis eliminatórias para a Copa de 2.018. Mas não se espere grandes modificações. É muito cedo para isso. O que importa é o início de um trabalho de renovação que coloque o nosso futebol, e quiçá o nosso esporte em geral, no caminho do sucesso, na lógica nem sempre muito lógica nesse nosso mundo da pós-modernidade.

Até mais amigos,

P.S. (1) O cearense, Roberto Firmino (imagem que ilustra a coluna de hoje emprestada de www.express.co.uk), é um meia, que gosta de jogar avançado como atacante,  que surgiu no Corinthians de Alagoas, passou pelo CRB e, dali, diretamente para o Joinville de Santa Catarina, de onde foi contratado pelo Hoffernheim da Alemanha. Tem apenas 23 anos e é disputado por três equipes inglesas (Arsenal, Liverpool e Manchester City). No último campeonato alemão marcou 16 gols.  Foi convocado para a Seleção Brasileira, pelo técnico Dunga, para os últimos amistosos e marcou dois golaços (um contra a Áustria, de fora da área,  e outro, hoje na vitória por 1 a 0 contra a Seleção do Chile. É uma das boas surpresas no projeto de renovação da Seleção; 

P.S. (2) A campanha da Seleção na Copa de 2.014, a segunda na história das Copas realizadas no Brasil (a 1a. foi em 1.950, quando perdemos o título dentro do Maracanã, na virada da Seleção do Uruguai, que venceu por 2 a 1) foi a seguinte: 3 a 1 contra a Croácia; 0 a 0 contra o México, 4 a 1 contra Camarões; 1 a 1 contra o Chile (3 a 2 nos pênaltis); 2 a 1 contra a Colômbia; 1 a 7 contra a Alemanha e 0 a 3 contra a Holanda.
  



domingo, 22 de março de 2015

CONTO - VAI DIRCE!



Boa noite amigos,

O jogo de cartas era uma das nossas mais freqüentes diversões naqueles anos pouco dourados do final da década de 70, início dos anos 80. Cena comum: em volta da mesa, o Miltão e a Sely quebravam o pau o tempo todo, um reclamando da eventual incompetência do outro quanto ao cumprimento da estratégia de jogo, ou, não houvesse motivo palpável, pelo azar, naquela tarde ou naquela noite. Mas as duplas eram cuidadosamente formadas, por causa da suspeita – muitas fundadas, diga-se de passagem – de que nem sempre marido e mulher falavam a mesma língua no jogo de “buraco”. Um era mais concentrado, o outro mais esperto, um não prestava atenção no descarte, outro no que estava na mesa, preferindo “comprar”[1] uma carta muito pior em matéria de aproveitamento, e assim por diante. O Nenê e a Dirce formavam uma das duplas (marido e mulher), amigos do Miltão e Sely dos tempos de Piracicaba, e que, por via destes, também se tornaram nossos amigos. A Dirce fumava muito e sorria o tempo todo. Calma, não prestava atenção no jogo, o que irritava o parceiro, mas fazia a “festa” dos adversários, que vibravam quando ela descartava justamente a carta que dava “canastra” ou para ela (e ela não tinha visto), ou para a dupla adversária (que pegava imediatamente a mesa e agradecia a gentileza). Mas a Dirce era querida. Por mais que não pareça lógico (pois no fim  entregava a vitória para o inimigo),  ela demorava muito para jogar, nunca sabia quando era a vez dela e aí todo o resto do pessoal invariavelmente tinha que lembrá-la o tempo todo: - Vai Dirce! é a sua vez. – Vai Dirce, descarta, pô! A coisa era tão comum que o Miltão estendeu o  “Vai Dirce!” para todo e qualquer jogador que eventualmente estivesse distraído ou demorasse muito para descartar. Era um tal de “Vai Dirce!” gritado coletivamente,  que todos nós experimentamos um dia, pelo menos uma vez, o fenômeno ou o efeito “Vai Dirce!”. A Dirce não ligava. Ria e continuava na dela. Quando então, por essas coisas aleatórias da sorte, apesar de jogar mal, estava ganhando e se demorava (e ela sempre demorava), para jogar, conforme o humor do adversário, era acusada de “tripudiar sobre o cadáver.” Além do que todos consideravam que perder para a Dirce era uma desonra. Ou, no mínimo, um atestado de burrice. E a sua alegria permanente, aliada à desgraça do adversário, sugeria que se deveria mandar ela tomar naquele lugar, no mínimo.  Mas acho que ninguém chegou a tanto. Não sei se a Sely, que era a mais esquentadinha, algum dia  estendeu o dedinho indicador para ela, num vai tomar no.... coreografado”. Os tempos se foram. As duplas de parceiros amigos se desfizeram. Ficamos velhos e saudosos, mesmo dos tempos difíceis. Não vi mais o Nenê e a Dirce, acho que por uns 20 anos. Outro dia o Miltão me falou que a Dirce morreu.  Não quis saber de detalhes, porque eles não interessam, evidentemente, nessa hora. Mas parece que entre o mal e o falecimento não demorou muito. Ao contrário da vida lenta e saboreada, a Dirce deve ter tido uma morte rápida e definitiva. O que ficou dela para mim foi exatamente essa alegria de viver, esse pômeufalasérioojogoédebrincadeiraeeunãotônemaí@com.brE supus, na minha fértil imaginação, a seguinte cena:  Dirce chegando ao paraíso recebida por São Pedro[2]. Distraída, alegre, sem dar conta que ganhara o reino do céu no rápido julgamento que se fizera antes de sua chegada, morosa como sempre. E tão morosa que São Pedro, impaciente, já tendo perdido o primeiro gol do Messi no jogo do Barcelona pela Copa dos Campeões Europeus, não agüentou:  - Pô Dirce, Vem ou não vem?  Quer saber de uma coisa?: “Vai  pro inferno!”. Mas dizem que até hoje a Dirce nem entrou no céu, nem chegou no inferno. 

Até mais, amigos.

P.S. A imagem da coluna de hoje é do quadro do pintor francês Paul Cezanne, o terceiro da série Jogadores de Cartas,  (Le Joueurs de Cartes, em francês),  que o artista pintou entre 1.890 e 1.895. O famoso pintor pertenceu a três movimentos estéticos: Impressionismo, Pós-Impressionismo e Arte Moderna. A tela encontra-se no Museu de Orsay, em Paris.






                                                  




[1] “Comprar” na linguagem do jogo de baralho significa rejeitar a carta ou cartas que estão na “mesa”, preferindo o jogador adquirir a primeira do monte de cartas à disposição, cuja identidade não era conhecida (quanta emoção!).
[2] Dizem que é ele que recebe a gente quando e “se” a gente for pra lá. Não sei porque. Mas suponho que deva ser porque ele foi o primeiro Papa. Que para ele foi dada a chave. E que essa chave deve abrir não só as portas do Vaticano,  mas também  as portas do céu.

domingo, 15 de março de 2015

O MOVIMENTO DE 15 DE MARÇO EM CAMPINAS

Amigos, boa noite

São 19,00 horas deste memorável domingo, dia 15 de março de 2.015, data marcada para o movimento cívico em todo o Brasil, contra a escândalo da Petrobrás, a corrupção de maneira geral, a grave situação da economia e as medidas econômicas adotadas pela Presidenta da República para recuperar as perdas e reaquecer a economia, além de conter a inflação, em alta. Em muitos casos, o movimento também protesta contra o Partido dos Trabalhadores, envolvido no escândalo do Mensalão, e, agora, da Operação Lava Jato, além do pedido de impedimento (impeachment)  da Chefe da Nação. Não quero entrar no mérito de qualquer dessas pretensões. 
Quero registrar que acompanhei vivamente, e com o olho e ouvido de um documentarista isento,  aqui de  Campinas, uma das maiores cidades e mais importantes do interior do país, a organização e a execução do evento, especialmente o da manhã, marcado para as 10,00 horas, no Largo do Rosário.

E  não posso deixar de  enaltecer o comportamento de todos os participantes, ao menos aqueles que permitiram, pela ordem e respeito às coisas públicas e privadas, que os estabelecimentos comerciais que abrem aos domingos, funcionassem normalmente, como ocorreu com o tradicional Bar Giovanetti I, situado no mesmo Largo. Era maciça a presença da classe média e também da classe trabalhadora mais humilde. Depois da manifestação concentrada no Largo do Rosário, onde a multidão ouviu e cantou o Hino Nacional,   os participantes seguiram até o Centro de Convivência Cultural, grande parte usando artefatos com as cores do lábaro nacional, ou carregando a própria bandeira brasileira. A multidão estimada em mais de 10.000 participantes, lotou o Teatro de Arena e ainda a entrada do Teatro do Centro de Convivência, permitindo, no entanto, que a feira de artesanato, que acontece todo domingo no local, funcionasse sem interferência.


Na rua, ao lado do City Bar, um grande trio elétrico carregava a equipe de organizadores e   puxava a manifestação, com discursos inflamados, ouvidos pelo público, em silêncio,  ou com gritos de palavra de ordem, mas sem que se percebesse qualquer tipo de agressão física ou psicológica, nem ato de vandalismo. Uma invejável festa da democracia, denotando participantes maduros e  quero crer, também politizados, tornando público o seu descontentamento com a classe política, especialmente com o Partido dos Trabalhadores, com os rumos imprimidos pela Chefe da Nação à economia do país, e, ainda, com  os vexatórios acontecimentos que ganharam manchete no mundo, envolvendo corrupção institucionalizada na maior empresa brasileira, a Petrobrás. Vários flagrantes foram documentados pelo meu celular, dando conta, por certo, da fidelidade da minha narrativa sobre o evento. Oxalá tenha acontecido o mesmo no país inteiro para mostrar ao mundo que o brasileiro de hoje é, em regra, patriota, preparado politicamente, inconformado com os “maus feitos”, para usar expressão da Presidenta Dilma, e que sabe protestar de maneira incisiva, porém ordeira, cobrando dos agentes públicos, eficiência, honestidade, imparcialidade e efetiva aplicação das punições legais aos responsáveis pelos crimes praticados contra o Estado e a grande  e sofrida nação brasileira.

Até amanhã amigos,

P.S. (1) O deputado federal, Carlos Sampaio, o Carlão Sampaio (PSDB) fez questão de acompanhar todo o evento, suando a camisa, como se pode observar da foto que ilustra a sua chegada ao Teatro de Arena. Carlão tem sido um dos mais ferrenhos e incansáveis adversários do Governo e da Presidenta Dilma na Câmara dos Deputados e no Congresso Nacional. Seus trabalhos, nas várias Comissões que integra,  tem recebido  destaque na imprensa nacional, merecidamente. Carlão foi um dos grandes articuladores da campanha para Presidente da República, do Senador Aécio Neves, derrotado nas urnas por pequena margem de votos, como se sabe.

P.S. (2) Diálogo de uma panela para a outra ouvido no Centro de Convivência hoje de manhã: "A Dilma apronta e nós é que pagamos o pato?"  
  



FUMAGALLI 2 X UNIÃO BARBARENSE 1.

Amigos, boa noite:

Cheguei agora há pouco do Estádio Brinco de Ouro da Princesa, palco de um clássico regional do interior pela 2ª. divisão do Campeonato Paulista. Guarani e União Barbarense se enfrentaram, com vitória do Bugre pelo placar de 2 a 1. Um resultado lógico? Nem tanto. Fosse pela tradição e pelo retrospecto não há dúvida que o Bugre era mesmo favorito. No entanto, no atual momento, o time de Santa Bárbara D’Oeste revela-se como uma grata surpresa dentre as equipes disputantes, tanto assim que freqüentou o G-4, em praticamente todas as rodadas, trocando, exatamente pela derrota de hoje, o 4ª lugar, com o próprio Guarani. Mas, enquanto o Bugre se mostrou até agora uma equipe instável, a Barbarense, ao contrário, sem grandes talentos individuais, tem mostrado um futebol vistoso, solidário e ofensivo e, por isso,  em boa parte do jogo de hoje envolveu a equipe bugrina. Parou, porém, na boa atuação do goleiro Neneca que, em duas oportunidades pelo menos, fez grandes defesas, evitando  a derrota da equipe da casa. Vi todos os jogos do Bugre neste campeonato que foram disputados em Campinas e concordo com aqueles que consideram a União Barbarense a adversária que mostrou o melhor futebol entre todos os outros que aqui estiveram, inclusive, em relação à Matonense, para quem a equipe campineira sofreu a sua única derrota em seus domínios. Mas o que eu queria dizer é outra coisa. Quero falar do meia, Fernando Fumagalli, que já entrou para a história do Guarani Futebol Clube. Aos 37 anos, tendo pensado na aposentadoria no fim do ano passado, Fuma, sem dúvida, é ídolo da torcida bugrina e  ganha enorme destaque nessa equipe, que, como tal,  não convenceu até agora no campeonato da segundona. Além do futebol preciso e tecnicamente competente que sempre jogou, Fumagalli, neste campeonato,  participou de praticamente todos os gols marcados pelo clube, quer fazendo alguns, quer dando assistência. Hoje novamente desequilibrou, arredondando as bolas que chegavam quadradas, criando, dando assistência e, principalmente, batendo faltas: foram três, todas cobradas com perfeição na direção da meta. Resultado: na segunda o goleiro fez grande defesa. Nas outras duas, não.  Foram duas cobranças majestosas. Dois gols. Os dois gols bugrinos saíram de seus pés para grande festa da torcida que o ovacionou gritando, como sempre faz, o seu nome. O gol da vitória aconteceu aos 49 minutos do segundo tempo, um minuto antes de escoados os cinco de prorrogação assinalados pelo árbitro.  

Até mais.

P.S. (1) José Fernando Fumagalli ou simplesmente Fumagalli como é chamado, começou sua carreira na Ferroviária de Araraquara em 1.995, ou seja, há 20 anos atrás. Jogou no Santos F.C., no Corinthians Paulista, no Sport de Recife, no Vasco da Gama e em outros clubes do Brasil e do exterior. Teve passagem pelo Guarani em 2.000-2.001 com grande destaque. Retornou em 2.012 e, com pequeno intervalo,  continua até hoje. No Bugre tem o vice-campeonato paulista de 2.012, ano em que recebeu o prêmio de craque do interior do Campeonato Paulista. Em 1.999, conquistou o Campeonato Paulista da Série A-2 pelo América de São  José do Rio Preto. No Santos, o torneio Rio-São Paulo de 1.997;  no Corinthians a Copa do Brasil e o Torneio Rio São Paulo de 2.002 e o Campeonato Paulista de 2.003; no Sport, foi tricampeão pernambucano (2.006-2.007 e 2.009). No Vasco da Gama,  o campeonato brasileiro da série B em 2.009 e a Copa da Hora em 2.010;

P.S. (2) A torcida bugrina tem marcado presença neste campeonato da segunda divisão paulista. A média de público chega próxima a 5.000 por jogo, afora os sócios torcedores,  sem dúvida um número muito bom, considerado o nível do campeonato e a ausência dos grandes clubes, que disputam a divisão principal. Além dessa média, a maior dentre todos os 20 participantes, a torcida incentiva a equipe durante todo o jogo, como reconhecem os jogadores. É hora, assim, da equipe e da Diretoria retribuírem esse importante apoio, com o acesso à divisão principal do campeonato paulista, primeiro grande objetivo do primeiro semestre de 2.015; 

P.S. (3) A imagem da coluna de hoje é do herói da vitória sobre a União Barbarense neste sábado, o meia Fumagalli, e foi emprestada do site www.futnacional.com.br. 


domingo, 15 de fevereiro de 2015

CARNAVAL 2.015 - DRAGÕES DA REAL EM SÃO PAULO

Boa noite amigos,
O tema hoje não poderia ser outro: Carnaval. A festa máxima do povo que, ao lado do futebol, assinala, para todo o mundo, o jeito brasileiro de ser, de viver, de sorrir, de confraternizar-se, de brindar a vida, apesar dos pesares. O Carnaval movimenta todas as gerações, todas as classes sociais, todos os recantos deste país-continente. Seja na forma do frevo de Pernambuco, do Axé da Bahia, do samba-enredo do Rio de Janeiro, o Carnaval é a festa máxima do povo. Quero homenagear hoje especialmente, o meu amigo Thiago Vasconcellos de Souza, autor do  blog  "Jequitibá, a madeira",  um menino querido,  filho dos meus confrades Cármino e Célia de Souza,  que eu vi crescer e se tornar um chefe de família , pai de Maria Clara, que tem poucos dias de diferença com o meu neto Rafael. Thiago é jovem , mas velho amigo do samba. O samba, cuja poesia, métrica e melodia está no sangue desse homem-menino, entusiasmado pela possibilidade de uma vida realmente fraterna entre os homens. O Thiagão, querido, mangueirense de vocação, e que eu vi ontem no desfile irretocável da Dragões da Real, junto aos puxadores do samba, um samba bom, que levantou a avenida em São Paulo e que, junto com os demais quesitos, deve fazer da Dragões uma fortíssima candidata à campeã do Carnaval de São Paulo em 2.015. Sem favor algum. Vibramos em casa durante toda a passagem da escola, com um tema de sonhos: Acredite se Puder. Fadas, duendes, bruxas e figuras fantásticas, desfilaram nos belíssimos carros da escola, fazendo a platéia e os telespectadores viajarem pelas veredas dos sonhos e da fantasia.  Mas o mais importante: nosso querido Thiagão ( ali indicado e conhecido como Thiago SP) é um dos autores de Acredite Se Puder , um samba muito bom e que levantou a galera. Saúde e sucesso ao Thiago. Vamos torcer muito pela qualificação final da escola como a campeã do carnaval de São Paulo de 2.015. E, de presente, aí vai para os acompanhantes deste blog, o vídeo do samba que emocionou o público na avenida.

Até amanhã amigos,


P.S. (1) O samba-enredo Acredite Se Puder, é de autoria de Godoi, Galo, Thiago SP, Gordinho, Carlos Junior, Lagrilinha, Sidney Caló, Edson Lize, Tigrão.

P.S. (2) A Dragões da Real foi fundada em 17 de março de 2.000 por alguns associados da torcida do São Paulo que já frequentavam algumas escolas de samba. A decisão em fundar uma nova escola teve o objetivo de proporcionar maior integração e cultura aos associados.


P.S. (3) Eis a letra do samba:

ACREDITE SE PUDER.

CHEGOU,  DRAGÕES PRA TE CONQUISTAR
HOJE A PASSARELA VAI INCENDIAR
ORGULHO DO POVO, É MAIS QUE PAIXÃO
O SONHO DE GRITAR É CAMPEÃO
PARA ACREDITAR NÃO É PRECISO VER
SONHANDO TAMBÉM PUDE APRENDER
CRUZOU O CÉU UM SÁBIO DRAGÃO...
COM ELE VOEI NA DIREÇÃO
DO TEMPLO DA SABEDORIA
UM LIVRO RELUZIU
E UM MUNDO NOVO SE ABRIU
EU QUERO TUDO QUE EU POSSO IMAGINAR
NUMA FLORESTA, O SEU ENCANTO
NÃO PUDE ACREDITAR
VEM MERGULHAR NA EMOÇÃO
DA MINHA ESSÊNCIA ANCESTRAL
GUARDADA NO CORAÇÃO
PRESENTE EM MEU IDEAL
NO FUTURO SE TORNA REAL
QUEM SOU EU PRA DIZER
O QUE O AMANHÃ VAI TRAZER?
ESCREVENDO O MEU DESTINO
CONSTRUINDO A MINHA HISTÓRIA
VOU CRESCER E SONHAR
“VOAR, VOAR, VOAR...E SUPERAR”
ESTÁ DENTRO DE CADA UM
O PODER DE TRANSFORMAR
E VENHA O QUE VIER...
ACREDITE SE PUDER!

P.S. (3) Vídeo do Youtube com o samba-enredo. Vale a pena acompanhar:

P.S. (4) A imagem que abre a coluna de hoje é do desfile da escola Dragões da Real que aconteceu na noite de ontem em São Paulo e foi emprestada de noticias.bol.uol.com.br. A segunda imagem é de Cacau, ex- BBB,  durante o mesmo desfile,  e foi emprestada de br.celebridades.yahoo.com.  A última imagem é do meu neto Rafael, com a bela camisa da escola, com que foi presenteado pelo titio Thiago.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

QUE MARMOTA É ESSA?


Boa tarde amigos,

° A marmota é um roedor da família do esquilo, mas de dimensões maiores que este. Vive em regiões frias e montanhosas,  no hemisfério norte, especialmente nos Estados Unidos, Canadá e em alguns países europeus. Não são encontradas no Brasil, nem no hemisfério sul, por causa do clima tropical. São animais herbívoros e conta-se que, em tempos remotos, ocupavam grande parte da Europa;

° No dia 02 de fevereiro, comemora-se no Brasil, o Dia de Iemanjá, a rainha do Mar, data muita festiva, sobretudo no nordeste brasileiro. Nesse mesmo dia, por tradição imemorial, comemora-se, nos Estados Unidos, o Dia de Nossa Senhora da Luz, que nasceu de uma tradição religiosa, segundo a qual, 40 dias após o nascimento do Menino Jesus (exatamente em 02 de fevereiro) ele era apresentado no Templo e ocorria também a purificação de Nossa Senhora.  Os padres da Igreja Católica costumavam comemorar a data, benzendo velas e as ofertando aos fiéis;

° Os alemães criaram e divulgaram uma lenda, segundo a qual, se nesse dia do ano o sol aparecesse, um animal iria prever se o inverno duraria apenas o seu ciclo, ou mais seis semanas. Essas seis semanas constituem o que eles chamam de “segundo inverno”. A tradição  veio com eles para os Estados Unidos,  região da Pennsylvania, Estado preferido para imigração germânica, com numerosa população de marmotas. Elas foram consideradas animais sábios de tal maneira que, se no dia de Nossa Senhora, fizesse sol e elas saíssem da toca, olhassem para a sua própria sombra e corressem de volta para a toca, é porque haveria o "segundo inverno".
° Na cidade de Punxsutawney, muito conhecida pela tradição que mantém, uma marmota (Punxsutawney Phill), com mais de cem anos, no dia da Marmota (Groundhog Day), é retirada da toca, às 7,25 da manhã, para dizer se haverá segundo inverno ou não. Neste ano mais de 11.000 pessoas, entre moradores e turistas, acompanharam o evento naquela localidade, segundo os noticiários. A imprensa, porém, garante, que a Phill tem mais erros que acertos, estatisticamente. Mas o que vale é a lenda. E, mais ainda, a festa animada, com muita música e comida típicas;



° O Feitiço do Tempo é o nome no Brasil, do filme “Groundhog Day” (1993), que se passa exatamente no dia 02 de fevereiro, durante a tradicional festa. A película traz no elenco artistas da estatura de 1) Bill Murray (Tootsie - 1982; Grande Hotel Budapeste - 2.014); 2) Andie McDowell  (Sexo, Mentiras e Videotape -1.989; O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas 1.985; Quatro Casamentos e Um Funeral - 1.994) e, 3) Chris Elliot (O Segredo do Abismo - 1989; Quem Vai Ficar com Mary - 1.998 e Quebrando o Gelo - 2.000);
° Que marmota é essa? Quem não ouviu essa frase ainda, um dia qualquer vai ouvi-la. Especialmente dos mais velhos. E qual é o seu significado?
° Ah, a frase faz parte de uma gíria brasileira e tem vários sentidos. Os principais dicionários registram o seu uso como apropriado para designar pessoa desarrumada, desajeitada, inútil, um espantalho, um paspalho, pessoa feia, preguiçosa, folgada. Também pode indicar uma desordem, uma bagunça, como na frase em que os pais, chegando em casa de viagem, indagam do filho adolescente, que resolveu dar uma festa de arromba, do que se tratava. A pergunta é: Que marmota é essa?
° A comparação com a marmota decorre do fato de ser esse animal muito preguiçoso, tanto assim que se alimenta de arbustos próximos de sua toca nos prados e, por isso mesmo, é presa fácil de várias aves de rapina.
° Assim, se alguém lhe chamar de marmota, ou marmotinha, ou coisa que o valha, ainda que o sentido possa variar, não é coisa boa não.  Entenda-se logo com ela, antes que ela se sinta autorizada a fazer a mesma coisa com os outros, ou expor você publicamente a constrangimentos, muitas vezes sem saber o sentido em que a palavra é entendida. Não precisa apelar. Basta delicadamente responder a esse chamamento, sem levantar a voz. De preferência, sussurrar ao pé do ouvido do distinto:  -  Marmota é a MÃE!.
Até amanhã amigos. 

P.S. A primeira imagem da coluna de hoje foi emprestada de  isadoesntringabel.wordpress.com. A segunda imagem é de cena do filme Feitiço do Tempo e nela aparece o personagem Phill Connors (Bill Murray),  um repórter encarregado da cobertura de eventos climáticos, carregando uma marmota.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O FUTEBOL ESTÁ DE VOLTA E BUGRE PRESTA HOMENAGEM AO GOLEIRO NENECA

Boa tarde amigos,

Começaram os campeonatos regionais por todo o país. Em São Paulo, dentre os grandes, a estréia foi do Palmeiras. Um Palmeiras surpreendente, antes mesmo de entrar em campo, em razão dos patrocínios milionários que conseguiu acertar, em tempos de vacas magras,  e das inúmeras contratações que fez, dentre as quais a do argentino Allione  e do veterano meia Zé Roberto, ex-seleção brasileira. Jogando em sua Arena, embora o mando fosse do caçula Audax, o Verdão mostrou a que veio, vencendo a partida pelo placar de 3 a 1, numa ótima e entusiasmada apresentação. Resta acompanhar a sequência, que tem tudo para ser muito boa, credenciando a equipe como uma das favoritas ao título do Paulistão e do próprio Campeonato Brasileiro, o que, diga-se de passagem, não acontecia há muito tempo, desde a memorável época da patrocinadora Parmalat, no começo dos anos 90. Fui ao Brinco de Ouro acompanhar o novo Guarani que também fez sua estréia, mas na Série A-2 contra o Monte Azul, adversário que venceu pelo placar de 1 a 0.  Com 18 novos jogadores, contratados mediante indicação ou autorização do técnico Marcelo Veiga, a missão do Bugre, neste ano de 2.015, não será fácil. Os sofridos torcedores, já amargando uma série de rebaixamentos neste século, instabilidade na administração do clube, marcado por sucessivas renovações e renúncias de Presidentes e diretores, e por uma crise financeira que parece não ter fim, o Bugre ontem, em campo, mostrou um futebol muito razoável para o primeiro jogo.  Ainda um tanto desentrosado, é certo, com algumas peças não funcionando a contento, mesmo porque alguns contratados para serem titulares não puderem entrar em campo, ficou a impressão de que o grupo foi constituído com critério, mesclando a experiência de alguns rodados atletas, como é o caso do zagueiro Preto Costa e do centroavante Nunes, ao lado de Fumagalli, que é, sem dúvida, a despeito dos 37 anos, uma referência, com a juventude de alguns contratados, como o lateral esquerdo, Bruno Pacheco, contratado ao Vitória da Conquista,  e de Watson, atleta da base bugrina e que fez uma partida excelente, com muita personalidade, perdendo gols e participando do único tento da partida, marcado pelo centroavante Nunes. Os quase 5.000 torcedores que foram ver o novo Bugre, no Brinco, depois de quase 1 ano sem receber os jogos do Guarani, saíram com uma boa impressão no geral. Mas querem mais. Querem estabilidade, luta, empenho e um compromisso sério de que o acesso nos dois campeonatos que disputará esse ano (Paulista e Brasileiro da Série C) será o mínimo aceitável para a tradição da única equipe Campeã Brasileira do Interior do Brasil e duas vezes vice-campeã do maior campeonato do mundo.  Destaque também para a boa estréia da campineira Red Bull, no grupo de elite,que venceu o também caçula Capivariano, na casa do adversário, ontem à noite, pelo placar mínimo. Hoje, ocorrem as estreias de São Paulo, Corinthians, Santos e Ponte Preta.


Até amanhã amigos,

P.S. 1: Antes da partida de ontem no Brinco, o clube fez uma homenagem a Hélio Miguel, nome de batismo do goleiro Neneca, campeão brasileiro pelo Guarani no memorável título de 1.978. Neneca faleceu no último dia 25 de janeiro, aos 67 anos e é o segundo jogador daquela extraordinária equipe que já não está entre nós (o outro é o lateral Mauro, que morreu assassinado em um incidente de bar). Neneca também trabalhou no clube nas equipes de base e deixa muita saudade. A homenagem prestada foi emocionante. Familiares do jogador estiveram presentes no campo, vestiram a camisa do Guarani e foram aplaudidos pela torcida, que também gritou o nome do atleta, agradecendo a sua decisiva participação naquele campeonato. Zenon e Gomes foram dois atletas da equipe de 78, amigos de Neneca, presentes à homenagem. Depois, os atuais jogadores entraram em campo carregando uma  faixa com a inscrição: "CAMPEÕES NUNCA MORREM. NENECA ETERNO";

P.S. 2: Antes e depois do Bugre, Neneca jogou por várias equipes. O destaque foi a sua participação, como goleiro do Náutico, em 1.974, ano em que conquistou o campeonato pernambucano. O goleiro ficou 1.636 minutos sem tomar gol. Foram 18 partidas inteiras. Um recorde, sem dúvida;


P.S. 3: Uma incrível coincidência. No mesmo instante em que o Bugre homenageia Neneca, cujo passamento se verificou no domingo passado, o Guarani entra em campo com um novo goleiro. Seu nome: Neneca. Oxalá esse nome dê sorte para o alviverde campineiro na atual temporada.

P.S. 4: A imagem que abre a coluna de hoje (emprestada de globoesporte.globo.com.) é do goleiro Neneca, já maduro, em 2.013, durante as comemorações de 35 anos do título brasileiro de 1.978, pelo Guarani, levantando a réplica da taça de campeão.