sábado, 5 de setembro de 2026

MONÓLOGO - MANDE NOTÍCIAS DO MUNDO DE LÁ.

 

              

Bom dia amigos,

PRIMEIRO ASSUNTO.

Estamos de volta, depois de um pequeno jejum de postagens, fruto. parte da falta de tempo, parte da falta de inspiração e do “saco cheio” de notícias iguais e banais,  que inundam  os jornais e as redes sociais, com o incremento das propagandas políticas em véspera de eleição. Mas vida que segue e é preciso recuperar a capacidade de transformar fatos e comentários,  em humor. Bem, acabo de assistir num programa matinal da TV Globo, uma entrevista com a atriz Arlete Salles. A famosa artista nordestina, de voz grave e inconfundível, no pleno vigor de seus 88 anos, está em cartaz num teatro do Rio de Janeiro,  com a peça “Mande notícias do Mundo de Lá.”.  O título é extraído dos primeiros versos do clássico Encontros e Despedidas  de Milton Nascimento, imortalizado na voz e interpretação da cantora Maria Rita: /Mande notícias do mundo de lá, diz quem fica/ me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando/ Coisa que gosto é poder partir sem ter planos/ melhor ainda é poder voltar quando quero/ O mundo do lado de lá da canção certamente é o que fica do outro lado da linha do trem (o trem que chega é o mesmo trem da partida), mas o da peça, que é um monólogo desafiador, se refere ao outro lado da vida. A peça se passa inteiramente durante o velório da melhor amiga da protagonista e se concentra nas dúvidas, no sofrimento, nas perdas e nas expectativas de nós, seres humanos, durante a velhice, e o desafio dos mistérios insondáveis que nos assaltam diante da proximidade ou iminência da morte. Mas segundo Arlete não se pense que se trata de um puro drama, porquanto intercala realismo e humor, trazendo junto a empatia e o envolvimento da plateia, numa interação que alimenta tanto a atriz, quanto o público, extasiado com a qualidade do texto de Carlos Jardim e a entrega da atriz. Acredito que vale a pena ver a peça.

SEGUNDO ASSUNTO. 

Enquanto cumpro a tarefa de arrumar a cama (parte das atividades domésticas que me cabe atualmente e, ainda, porque a patroa caiu e está em recuperação de um hematoma no braço direito) peço a Alexa que toque músicas. Às vezes, solicito cantor e canção específica;   outras, apenas indico o gênero. E vou variando, porque ouvi e apreciei, durante toda minha vida, música popular brasileira, samba e bossa-nova, numa variação um tanto quanto restrita.  Hoje dei uma colher de chá para o sertanejo universitário. E dá-lhe Roberta Miranda, Marília Mendonça, Daniel, Leonardo, e as múltiplas duplas como  Fernando e Sorocaba, Mayara e Maraísa, Henrique e Juliano, Bruno e Marrone, Jorge e Mateus, e por aí afora. Tenho, porém,  um protesto a fazer. As letras e enredos das canções sertanejas de agora,  se repetem demasiadamente e se concentram quase sempre nas possibilidades e prazeres da juventude: ser bom ou mau de cama; quem paga o motel; quem traiu quem; se beija bem ou beija mal,  e por aí vai. Como todas essas possibilidades já não fazem parte do rol dos anciões, como eu, mudei de estação e de tempo. Pedi Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Chico, Caetano. Mas nem tudo é impossível. Outro dia eu achei um fio de cabelo no meu paletó. E lembrei do Fio de Cabelo, da badalada dupla,  Chitãozinho e Xororó. Mas para meu desencanto não era de nenhuma musa do passado. Era um bendito pelo do gato da minha filha.

 

Até mais amigos e bom final de semana prolongado.

Salve a República e o Supremo Tribunal Federal!

 

  

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