Boa noite amigos,
QUADRILHA. Carlos Drumond de Andrade.
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Caros amigos,
No já distante ano de 1.930, o nosso poeta mineiro, Carlos
Drumond de Andrade escreveu esse poema, em única estrofe, que se tornou um dos
mais conhecidos e invocados dentro de sua vasta Antologia.
Considerado o maior poeta de sua geração da segunda metade do
movimento Modernista, suas obras se caracterizam pela linguagem coloquial e abandono de regras consagradas, como o uso
da rima na poesia.
Segundo estudiosos do poeta, o poema fala dos encontros e
desencontros que permeiam a vida humana e das dificuldades de encontrar e
concretizar o amor.
Não sem razão a única personagem que se casou foi Lili,
justamente aquela que não amava ninguém. Assim mesmo por suposto interesse
financeiro, tanto assim que o marido é citado com o prenome abreviado, em
circunstância que sugere o casamento dela com uma firma comercial ou um nome fantasia de empresa
mercantil, a metáfora do autor para descrever
a união matrimonial.
Pensei nesses versos durante a semana, que bem podem ser
adaptado ou parodiado, para descrever a crise que assola o Supremo Tribunal
Federal, com acusações recíprocas de corrupção, advocacia administrativa, abuso de poder e outros delitos, que possam
surgir do aprofundamento das investigações, acaso a tal reunião marcada pelo
Presidente, Luiz Fachin, para a próxima terça feira, pelo Plenário, deliberar
por essa aguardada decisão.
Há muito que as condutas de alguns Ministros vêm ofendendo
preceitos constitucionais e o estado republicano, além de normas legais e
morais, em proveito próprio ou de alguns privilegiados poderosos, o que é
inconcebível e que agora surge de forma escancarada nas investigações
supostamente livres e apolíticas da Polícia Federal, Coaf, Receita Federal,
Banco Central, etc.
A sobreposição de decisões monocráticas recentes, ignorando o
princípio do juízo natural constitucional do relator, com afronta à competência
definida na Carta Magna e no regimento do próprio Supremo, causando um desgaste
ou desastre da instituição perante outras instituições públicas e privadas e da
própria população, em vésperas de eleição para a Presidência da República e o
Congresso, revelam um racha pessoal e político entre os componentes da Suprema
Corte, com a instalação de uma crise sem precedentes na história republicana do
chamado Pretório Excelso.
Então, vamos lá à paródia:
Fux que não gosta de Moraes[1],
que não gosta do Mendonça[2],
que também não gosta de Moraes, que não gosta de Nunes Marques, que não gosta do
Dino[3],
que gosta do Facchin[4],
que não gosta do Toffoli[5],
que gosta do Zanin[6],
que gosta da Carmen Lúcia[7],
que não gosta do Gilmar Mendes[8],
que não gosta de ninguém.
Uma coisa é certa: A opinião pública e a sociedade abalizada
não aceitará sessão fechada e muito menos que o julgamento seja adiado, com a
estratégia muito comum entre ministros, de pedido de vista, sobretudo do
Ministro Gilmar Mendes, que, segundo a imprensa, já teria procurado o
Presidente da Corte, sugerindo o adiamento da sessão.
A conferir!
Bom final de semana, amigos.
[1]
Votou
pela absolvição de Bolsonaro e seu primeiro escalão, embora tenha votado pela condenação de outros réus nos processos
anteriores, pelos mesmos crimes;
[2]
Que, na qualidade de Relator do Caso
Master abriu o sigilo das investigações da Polícia Federal que registram
ligações e contatos do banqueiro Vorcaro
com o Ministro Alexandre de Moraes;
[3]
Que não gostou de notícia da mídia envolvendo o uso de automóvel público por
familiares, sugerindo a investigação do
jornalista e de sua fonte, o que foi determinado pelo Ministro Alexandre de
Moraes, provocando protestos de diversos juristas e mídias, pela quebra da
garantia constitucional de sigilo da fonte e, sem ter competência, fundado
porém em prevenção com processo já findo, mandou reintegrar o Diretor da
Polícia Federal, afastado por Mendonça;
[4]
Correligionários do Partido dos Trabalhadores e de Lula, mantiveram-se afinados
com as respectivas decisões.
[5] Em cuja presidência determinou a instauração,
de ofício, do chamado inquérito das fakes News, cujo objeto foi ampliado
e que continua aberto 7 anos depois de deflagrado, dentro do qual Alexandre de
Moraes, relator, inseriu o Ministro André Mendonça em retaliação à conduta
deste; também renunciou à relatoria do caso Master, quando veio à tona
transação entre o grupo Master e pessoa jurídica de que o Ministro era sócio.
[6] Zanin, também indicado pelo Presidente Lula,
de quem foi advogado e que se alia ao grupo favorável à linha de Moraes e dos
demais ministros simpáticos à esquerda;
[7]
Hoje única mulher no Supremo Tribunal Federal tem endossado os votos de
Alexandre no Plenário, mas que me parece inconformada com as revelações das
investigações, o que faz supor, em nome da própria honestidade e
imparcialidade, que tem apregoado durante a crise, de voto independente na reunião de terça feira
próxima, com tendência para autorizar as investigações contra Moraes.
[8]
Sagaz e teoricamente preparado, com trânsito livre entre os Poderes, tem
adotado postura inequívoca de corporativismo inabalável na defesa de suas
decisões e de seus colegas, mas criticado duramente por a admitir prevenção com processo extinto, para
neutralizar decisões do Relator do caso Master e do INSS, o Ministro André
Mendonça.
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