sábado, 3 de setembro de 2011

CINEMA - CÓPIA FIEL (COPIE CONFORME)


Amigos, boa noite de sábado.
Em 100 minutos, o talentoso diretor iraniano Abbas Kiarostami (do badalado e complexo Close Up dos anos 90), constrói um drama de muita riqueza humana e sensibilidade, como tem sido a marca dos grandes cineastas iranianos.  A produção é trinacional (Fraça-Irã-Itália). Cópia Fiel, do original, Copie Conforme,  lançado recentemente no Brasil, conta a história de um escritor inglês, James Miller (interpretado pelo ator de óperas, William Shimell), especialista em história da arte, que visita pequena localidade no interior da Toscana, eleita para o lançamento de seu último livro, no qual  aborda questões relacionadas com a autenticidade e a reprodução de obras de arte. Lá encontra Elle (Juliette Binoche) uma francesa que vive na Itália em companhia de seu problemático filho pré-adolescente, personagem representado pelo ator Adrian Moore. Ellen é  proprietária de uma galeria de arte e  se sente honrada com a visita do renomado escritor, confessando ter sido atraída mais pelo nome do livro do que pelo seu conteúdo, e o  convida para visita a uma cidade vizinha, famosa pelo imaginário popular de que lá os casamentos que são realizados dão certo e sorte. O longa gira especialmente em torno dos dois personagens e da viagem empreendida, focalizando desde as belezas naturais encontradas no percurso,  até os pontos festivos e marcantes do vilarejo. O viés fotográfico do diretor fica evidente ao retratar, especialmente de dentro do veículo em movimento (uma de suas preferências), a bela paisagem que se descortina na estrada com românticos ciprestes, que para o personagem “Se estivessem dentro de uma galeria ou museu seriam vistos de outra maneira”. Fato é que, enquanto o casal vai se conhecendo, conversando sobre instituições e situações existenciais, em dado momento, confundidos por uma dona de uma trattoria como marido e mulher,   acabam entrando nesse jogo e passam a se imaginar parceiros em crise numa eventual relação de 15 anos.  Esses personagens  lhes serve de fonte de criatividade  e, ao mesmo tempo, de verdadeira catarse, para as supostas (tudo em Kiarostami é enigmático e imaginado) experiências mal sucedidas de relacionamentos anteriores, por eles (ainda supostamente) vivenciados no passado.  A riqueza dos diálogos é o ponto alto do filme. Preciosidades que levam o espectador a questionamentos inevitáveis: “Não é simples ser simples. Não somos vermes, somos complexos”. E sobre a obra de arte: “Não importa a obra de arte mas o olhar que se tem diante dela”. No desempenho desse jogo, vale tudo: A diferença de sentimentos; O homem e a mulher; A questão do que é essencial no relacionamento;  O desgaste natural desse mesmo relacionamento; O ser mutante; A maturidade e a necessidade de tolerância; Uma segunda chanche de ser feliz ou se sentir seguro, quem sabe. O desencontro pela figura emblemática de dois sinos que batem ao mesmo tempo, mas não se encontram, simetricamente, por pequena distância é talvez o desafio maior entre os parceiros (A cópia seria o casal? A cópia seria a imitação da obra original? Os personagens? A vida que se repete?). A interpretação de Juliette, uma francesa deselegante e desleixada na maneira de se trajar, mas que se  revela uma doce,  bonita e profunda mulher rendeu-lhe o merecido prêmio de  melhor atriz do Festival de Cannes, versão 2.010. A maneira fragmentária com que o diretor apresenta o drama e que leva o espectador a ir tirando conclusões e depois, voltando atrás, é uma técnica muito peculiar a Kiarostami e que agrada, pelo menos em parte, o público que aprendeu a admirá-lo. E mereceu também o comentário de Juc-Luc Godard, o que não é pouco obviamente, segundo o qual “Os filmes começam com D.W.Griffith e terminam com Abbas Kiarostami”. É isso. Se você não se preocupa apenas com o cinema de entretenimento. Se gosta de cinema que aborda questões filosóficas e psicológicas. Se não dorme em filmes de longos diálogos e, às vezes, minutos de silêncio que podem e devem ser interpretados no diálogo proposto pelo roteirista, não deixe de ver. É profundo, sensível e tocante.



Até amanhã.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

GUARANI 100 ANOS - O DIA EM QUE O BUGRE GOLEOU O INTERNACIONAL DE FALCÃO.


Caros amigos,
O jogo era no famoso estádio José Pinheiro Borda, conhecido como Beira Rio, em Porto Alegre. O adversário o terrível Internacional, de Falcão, Batista, Caçapava e Cia., bicampeão brasileiro em 1.975 e 1.976, de uma Taça Brasil  que se iniciara em 1971. Começo de férias, dia 02 de julho de 1.978, um domingo e a delegação do Guarani aguardava, num hotel, o momento de seguir para o Estádio visando a difícil partida, primeira da fase final do 1º turno. O técnico Carlos Alberto Silva dirige-se então aos jogadores com os jornais do dia. Todos assinalavam o amplo favoritismo do tricolor gaúcho sobre o Bugre, o que não deixava de ser verdade. Mas alguns se excediam. Um deles resolve questionar e esbonar o adversário: Afinal, dizia, quem era aquele Guarani? Um time que tem um ataque de riso com jogadores chamados Capitão, Careca e Bozó, este último inclusive com nome de palhaço, não pode ter pretensão de vencer o grande Internacional e coisas do gênero. Os atletas tomaram conhecimento dos comentários sérios e desairosos e se encheram de brios. Seguiram para o estádio. O árbitro,  o carioca Arnaldo David Cézar Coelho, hoje aposentado e comentarista de arbitragem da Rede Globo apita o início do espetáculo. O estádio do Beira Rio recebia um público de 10.131 pagantes, proporcionando uma renda de Cr$308.440,00. Para surpresa desse mesmo público, o Bugre abre a contagem logo aos 4 minutos, com um belo gol do meia atacante Renato (Pé Murcho). O Internacional parte para o ataque parando sempre na boa marcação do bugre, cujos atletas se desdobram em campo. Já quase no final do 1º tempo, ele, ele mesmo, o Bozó, com nome de palhaço, faz o segundo gol aos 40  minutos. O  jogo vai para o intervalo, com o placar de 2 a 0 para o alviverde campineiro. Começa o segundo tempo e todos esperando a reação do Inter. No entanto, o jogo é equilibrado, com o time da casa evidentemente ofensivo, buscando descontar e virar o marcador. Neneca,  o goleiro bugrino faz grandes defesas. Eis que aos 38 minutos do 2º tempo, uma jogada de craque. Zenon, o grande Zenon recebe a bola na meia direita e percebendo que a defesa do Inter sai inteira, fazendo a chamada “linha burra”, para que os atacantes fiquem impedidos, ameaça fazer o lançamento, mas ao invés disso, impulsiona a bola para a frente e  para si mesmo, saindo em direção ao gol. Depois de levar  toda a surpreendida defesa adversária, faz o terceiro gol, um golaço,  de forma espetacular. A goleada do Bugre sobre o grande Inter, bicampeão, estava selada. Nem gol de honra teve. Esse jogo memorável do Guarani de 78, marcava definitivamente a marcha do Bugre para sagrar-se campeão do Campeonato Brasileiro, naquela época chamado de Copa Brasil. À noite, no Fantástico da Globo, Leo Batista dá os resultados da Loteria Esportiva, como era costume. E na hora de citar o resultado do jogo Inter e Guarani, indica coluna dois e logo aparece a zebrinha. Deu zebrinha no sul. Com gol do  palhaço Bozó e tudo. E a pérola de Zenon. Vi o gol muitas vezes e não consegui achar agora um vídeo sequer para juntar a este blog. Uma pena.
Ficha técnica do jogo:
Vigésimo jogo do Bugre no Campeonato Brasileiro de 1.978. Fase Final 1º Turno. Local: Estádio José Pinheiro Borda (Beira Rio), Porto Alegre. Data: 2 de julho de 1.978, domingo, 16,00 horas. Árbitro: Arnaldo David Cezar Coelho (RJ). 1º tempo: Inter 0, Guarani 2, gols de Renato aos 4 e Bozó aos 40 minutos. Final: Inter 0, Guarani 3, gol de Zenon aos 38 minutos da etapa complementar. O Internacional do técnico Cláudio Duarte jogou com Gasperin, Lucio, Gardel (Jair), Beliato e Vanderlei; Falcão, Batista e Caçapava; Valdomiro, Bill e Peri (Chico Spina). O Guarani, do técnico Carlos Alberto Silva, venceu com Neneca, Mauro, Gomes,  Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão (Manguinha), Careca e Bozó (Macedo).
Até amanhã

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SOBRE GRAVATAS

 Amigos, boa noite. Vamos conversar sobre um assunto que também é de minha preferência: gravatas. A gravata é um acessório importante na vestimenta masculina, além de poder ser usada também, com elegância e parcimônia, por mulheres. Mas é o acessório típico da vestimenta masculina clássica, com o terno para ocasiões formais ou no exercício tradicional de certas profissões como as de executivo, advogados, juízes, promotores, gerentes, etc. Hoje, porém, as gravatas passaram também a ser um acessório apreciado no traje esportivo ou mais informal, acompanhando blazer ou simplesmente camisa e colete, sem paletó. Confesso que sempre gostei de dar de presente gravatas. E consequentemente de ganhar gravatas.  Claro que para presentear alguém com esse artefato é necessário que a pessoa efetivamente goste e use.  A vantagem é grande se você não conhece o gosto de quem vai receber. Muito menos complicado, acredite, do que escolher, por exemplo, perfumes ou até mesmo outra peça de roupa como uma bermuda ou  um sapato,um livro ou um disco. Na dúvida, prefira uma gravata mais sóbria e de cor tradicional, como por exemplo, azul marinho, lisa ou com detalhes pequenos como bolinhas miúdas ou  pequenas faixas transversais. Há muita dúvida sobre como combinar as gravatas. Afinal, gravata se combina com o terno ou com a camisa? O ideal é que se combine terno, camisa e gravata. Mas a gravata pode combinar indiferentemente com o terno, ou com a camisa. Se combinar com ambos, tanto melhor. Mas atualmente já não vigoram aquelas proibições clássicas, como a de jamais usar uma camisa listrada com uma gravata também listrada ou xadrez. Tudo vai depender da situação, do ambiente e do bom senso na junção desses elementos. Atualmente como o assunto me interessa, tenho buscado ler artigos a respeito e ouvido consultorias sobre moda. E vou escrever um pouco neste blog, de vez em quando, para os amigos apreciadores do artefato, sobre os conhecimentos que me são passados e que, a meu juízo exclusivo, considero válidos ou não. Há coisas interessantes. Como se sabe os conceitos em matéria de  moda são um tanto  arbitrários, não há dúvida. Daí ser prudente que, em última análise, o juízo seja nosso mesmo. Afinal, se sentir bem é que vale. Mas, convenhamos, sem exageros chocantes,é muito melhor. Sobretudo com uma peça que sobressai na vestimenta masculina. Você pode usar um mesmo terno a semana inteira e estará adequado, desde que troque a camisa e varie a gravata. É o grande lance para o homem. Por isso quem usa diariamente terno e gravata, precisa ter um número de gravatas muito maior que o de ternos ou sapatos, por exemplo. E certas proibições também clássicas  na maioria das vezes não são proibições absolutas, nem são vedações  no uso de certas gravatas, mas meros juízos de  adequação desse ou daquele tipo, largura, cor, etc.,  aos momentos, ambientes e objetivos. O conselho número um que tem consenso é aquele que sugere o uso de camisas brancas. Com efeito, a camisa branca lisa facilita a combinação com gravatas. Em regra, ficam bem com qualquer tipo, cor ou modelo. Você pode usá-las com gravatas pretas, coloridas ou estampadas. E se você participar por exemplo de uma cerimônia formal e tiver que discursar ou chamar atenção para a sua palestra, a sua aula ou conferência, enfim, para o conteúdo de uma mensagem, muito mais do que para a sua pessoa ou os seus trajes, prefira sempre gravatas sóbrias, que serão benvindas e adequadas para essas ocasiões. As camisas pretas também são ótimas para combinação. O problema é esse nosso clima tropical. Você pode também ser atacado da chamada "síndrome de urubu", combinando  terno preto, com camisa preta e gravata também preta. Brincadeira à parte, é uma combinação moderna,  bastante sóbria e extremamente refinada. Voltaremos ao assunto qualquer dia desses, pois há muito que conversar sobre esse tema.

Grande abraço e até amanhã.










terça-feira, 30 de agosto de 2011

O FIM DO PRIMEIRO TURNO DO BRASILEIRÃO 2011 - FAVORITOS E DECEPÇÕES


Boa noite amigos,

Terminou domingo o primeiro turno do campeonato Brasileiro da Série A, sem grandes novidades, mas, a exemplo do último campeonato, com enorme equilíbrio entre as grandes equipes, sem que seja possível apontar um grande favorito ao título. Vamos aos principais destaques da rodada, e dessa primeira fase que se encerra:

CORINTHIANS É DERROTADO, MAS FICA COM O TÍTULO SIMBÓLICO.

Graças à gordura que conseguiu acumular nas primeiras rodadas, que lhe permitiram distanciar dos outros concorrentes diretos, o Timão, derrotado no domingo pelo Palmeiras, no Derby disputado em Presidente Prudente, pelo placar de 2 a 1, ainda assim terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 37 pontos e 11 vitórias. Mas nos últimos jogos o time caiu bastante, alternando bons e maus resultados. O técnico Tite precisa urgentemente acertar o time para o segundo e decisivo turno, a fim de que mantenha a regularidade e, por incrível que pareça, já sofre pressão para ser demitido.  No Palmeiras,  depois da eliminação na Copa Sul-Americana, no meio da semana, pelo Vasco da Gama, mesmo tendo vencido o jogo por 3 gols a 1 (havia perdido o 1º, no Rio, por 3 a 0), a atenção está totalmente voltada para o Brasileirão, torneio no qual  começou bem, mas tropeçou várias vezes, no meio do caminho,  a ponto de estar agora, mesmo com a vitória sobre o principal rival, em apenas 6º lugar, com 32 pontos, atrás de Botafogo, Vasco, São Paulo, Flamengo e Corinthians. Destaque do jogo foi para o atacante Fernandão, que foi contratado durante a semana, ao Guarani de Campinas, não deveria fazer a sua estréia, mas foi chamado de última hora em função da lesão do jogador Maycon Leite. Pois com muita personalidade, embora numa fogueira danada, estreando na série A, justamente num grande clássico, participou do 1º gol de Luan, e  fez o segundo, com categoria, decretando a vitória do Verdão. Só hoje é que foi oficialmente apresentado pela Diretoria.


O BRASILEIRÃO COM CARA DE RIO-SÃO PAULO.
Sem o Santos que surpreendentemente termina o primeiro turno, embora em nítida ascensão, apenas no 14º lugar e o Fluminense, em 11º, os grandes do Rio de Janeiro e de São Paulo, dominaram esse primeiro turno, deixando de fora times tradicionais como  Cruzeiro, Internacional,  Gremio e   Atlético Mineiro. Corinthians (1º), Flamengo (2º), São Paulo (3º), Vasco da Gama (4º), formam o G4. Em seguida, temos o Botafogo (5º) e o Palmeiras (6º). Só no sétimo lugar, aparece o Cruzeiro,  o primeiro melhor classificado fora do eixo Rio-São Paulo. Vamos ver se o panorama se altera para o segundo turno.

FAVORITOS E DECEPÇÕES
Como já disse, não há favoritos ao título, por enquanto, diante do equilíbrio real entre algumas equipes, equilíbrio esse que também se espelha na pontuação e classificação. Sem dúvida, porém, o Flamengo, que só perdeu uma partida nas 19 rodadas, é um dos candidatos, sobretudo porque tem Ronaldinho Gaúcho, recuperado (recuperado?) e em grande forma.  Mas se é certo que é o clube com menos derrotas  (apenas 1), acumulou um grande número de empates (8 vezes), além das 9 vitórias, contra as 11 do Corinthians. O Timão também é outro candidato, não só por ter feito até aqui a melhor campanha entre os 20 clubes, como principalmente se o treinador Tite conseguir dar ao time mais estabilidade ao longo do segundo turno. O São Paulo, de Rogério Ceni, Dagoberto em grande fase e os meninos Lucas e Henrique, embora com um time jovem e em reestruturação, também  não pode ser esquecido, nem subestimado. E o Vasco da Gama, campeão da Copa do Brasil, que caminha bem na Sulamericana, é um time bem preparado, com alguns craques em ascensão como Diego Sousa (o bom e instável Diego Sousa), Juninho Pernambucano e Alecsandro.  ah!, ia me esquecendo do Santos que está lá atrás na classificação, mas que voltou a jogar bem, sobretudo com os genais Paulo Henrique Ganso e Neymar, embora pareça improvável que consiga recuperar o prejuízo. Num campeonato porém de 3 pontos, tudo é possível.  No lado de baixo da tabela de classificação, as decepções: o América Mineiro não tem time para disputar a Série A, e é candidatíssimo ao rebaixamento, após a ascensão no ano passado; o Avaí, vice-lanterna, não vive uma boa fase, mas tem se mantido,entre altos e baixos, na primeira divisão, com méritos próprios. E  as surpresas negativas  dos Atléticos. O Mineiro, há tempos, vem claudicando nos Brasileirões, fazendo campanhas pífias, como a do ano passado em que brigou para não cair e este ano continua lá embaixo, embora tenha nome, torcida, um time que não é excelente, mas é bom, e técnicos que não resolveram o problema. O “Furacão” também não vive uma boa fase e tem uma equipe apenas razoável. Vamos ver se revertem a situação no segundo turno. Por ali, flertando, como diria um repórter esportivo, com a zona do rebaixamento, o Bahia e o Gremio, que precisam urgentemente ganhar jogos. A conferir.

OS BONS JOGADORES E OS GOLS.

Futebol, como diz o ditado, é bola na rede. E com a permanência de craques no Brasil, o Brasileirão deste ano tem proporcionado bons jogos, como aquele espetacular Santos 3 e Flamengo 4, na Vila, recentemente, com jogadas de efeitos e golaços. Ronaldinho Gaúcho, que voltou a fazer jogadas geniais, Neymar, o garoto-revelação, Paulo Henrique Ganso (que fez um golaço no domingo, no empate contra o São Paulo, também em Santos), e Lucas do São Paulo (que fez o primeiro gol do clássico, numa jogada sensacional, levando dois jogadores adversários, depois dando um drible "da vaca" ou uma "meia-lua" no bom zagueiro Edu Dracena, até colocar a bola na rede, com categoria), têm proporcionado momentos de beleza desse esporte que é paixão nacional. Há outros jogadores e times bem montados, que proporcionam espetáculo ou contribuem para ele, provando que continuamos a ser celeiro de grandes jogadores, espalhados por esse Brasil imenso e esses campinhos improvisados.
 Até amanhã.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A MORTE DE DOM BRUNO GAMBERINI - ARCEBISPO METROPOLITANO DE CAMPINAS


Boa noite amigos,
A comunidade religiosa católica de Campinas e região e dirigentes, professores, funcionários e alunos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, foram surpreendidos na tarde de ontem, com a notícia do falecimento do Arcebispo Metropolitano de Campinas, Presidente da Sociedade Campineira de Educação e Instrução e Grão Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Dom Bruno Gamberini.  O arcebispo tinha sido internado em junho, com encefalopatia decorrente  de problemas hepáticos.  Sofria da chamada “síndrome metabólica”, quadro que, segundo o médico patologista, Dr.Tercio Genzini, contempla características como sobrepeso e diabetes. A morte foi decorrente da própria doença e de seu agravamento. Já havia se instalado um quadro de fibrose hepática, com cirrose e, na sequência,  infecção generalizada. D. Bruno nasceu em 1.950 e tinha completado 61 anos, recentemente.  De origem humilde, nasceu na cidade de Matão, em 16 de julho de 1.950, filho de um operário da indústria metalúrgica e de uma dona de casa. Ciente da plural dimensão humana, não gostava de rótulos.  Sua imagem, jovem e vigorosa, combinava com o seu gênio afável, o seu bom humor (ver seu ar tranquilo e sorridente em foto não muito antiga acima)  e o seu entusiasmo  pelas ciências e pelas artes. Interessava-se com extremo carinho pelos  projetos desenvolvidos nas paróquias de toda a Província Eclesiástica de Campinas (A Província é responsável pelo conjunto de dioceses e, no caso da Arquidiocese de Campinas formada pelas dioceses de Campinas, Bragança Paulista, Limeira, São Carlos, Piracicaba e Amparo), e ainda pela qualidade de ensino, pesquisa e extensão na visão cristã, desenvolvida na Pontificia Universidade Católica de Campinas, da qual era o Grão Chanceler. Sabia distinguir com extrema sensibilidade e delicadeza a missão da igreja católica e da Universidade.   Dom Bruno tomou posse na Arquidiocese, em agosto de 2.004, sucedendo a Dom Gilberto Pereira Lopes, que havia renunciado, atendendo à praxe eclesiástica em virtude de sua idade avançada, em junho de 2.004.  Conheci D. Bruno ao tempo de sua nomeação e posse, quando dirigia a Faculdade de Direito da Universidade e com ele mantive contatos esporádicos. Aprendi a admirar o homem, o dirigente, o líder religioso e o exemplo de equilíbrio, sobriedade e humildade, virtudes das quais era sereno e autentico portador. Sua morte deixa uma lacuna grande entre os seus discípulos e admiradores. O velório está sendo realizado na Catedral Metropolitana, onde amanhã, às 10,00 horas, seu corpo será inumado na cripta localizada embaixo do altar. Nosso adeus emocionado ao grande líder e nossa eterna saudade e agradecimento pela sua imensa  contribuição à sociedade campineira, à comunidade católica de sua arquidiocese e aos dirigentes, alunos, professores e funcionários da sua e nossa querida Pontifícia Universidade Católica de Campinas. 
Ate amanhã

domingo, 28 de agosto de 2011

ULTIMA RODADA DO PRIMEIRO TURNO DO BRASILEIRO DA SÉRIE B 2.011


Boa  noite companheiros.
Terminou ontem o 1º Turno do Campeonato Brasileiro da Série B e hoje, daqui a pouco, terminam os últimos jogos também do encerramento do turno do Campeonato Brasileiro da Série A. Das rodadas, recheadas  de gols e de grandes clássicos, falo hoje da série B e das equipes da região, e,  durante a semana,  da série A.
A PORTUGUESA DE DESPORTOS – CAMPEÃ DO PRIMEIRO TURNO DO BRASILEIRO DA SÉRIE B
Na data de seu aniversário, a Portuguesa de Desportos evitou o que seria uma surpreendente derrota, no Canindé, para o modesto time do Icasa, nos últimos minutos. Perdendo pelo placar de 3 a 1, a Lusa conseguiu o empate heróico em 3 a 3. Com esse empate chegou aos 38 pontos e manteve o primeiro lugar na classificação, com o título simbólico do Primeiro Turno. A campanha da Lusa é realmente surpreendente, similar àquela do Corinthians quando esteve na série B.
A PONTE EM ARARAQUARA. GRANDE JOGO COM O NÁUTICO.
A Ponte Preta fez ontem, na rodada final do primeiro turno, o primeiro jogo na Fonte Luminosa, em Araraquara, onde jogará, ainda, mais 4 jogos, para cumprir a penalidade de perda de 5 mandos, em razão dos fatos acontecidos no Derbi Campineiro. Vi o jogo que foi transmitido pela TV Bandeirantes. Sem dúvida foi um dos melhores jogos do Campeonato, incluindo as séries A e B. O Náutico se revelou um time entrosado, bem treinado pelo técnico Waldemar Lemos e que tem jogadores muito bons tecnicamente. Destaque para o centroavante,  Kiesa, que já esteve na Macaca e que, não por acaso, é atualmente o vice-artilheiro da série B, com 11 gols, um a menos que Ricardo de Jesus. Destaque também para     o seu companheiro de ataque,  Rogério, especialista em belas jogadas e para o meia,  Eduardo Ramos. Na Ponte, os destaques ficam com o recém-contratado meia, Renato Cajá, que, reeditando o seu bom campeonato paulista de 2.008, como jogador da Ponte,  vice-campeã, paulista (perdeu a final para o Palmeiras), fez um segundo tempo brilhante, demonstrando raça e técnica, e para o lateral Guilherme, que marcou um golaço aos 33 minutos do 2º tempo, dando números finais ao marcador. Guilherme tem apenas 21 anos, veio da categoria de base da Ponte e foi o melhor jogador em campo. O resultado, um empate em 3 a 3. O Náutico foi melhor no 1º tempo e a Ponte no 2º. Todos os gols foram golaços. A Ponte marcou  primeiro  com Lúcio Flávio de cabeça, numa bola bem alçada por Renato Cajá, aos 17 do primeiro tempo. O Náutico empatou aos 28 com um chute indefensável de Elicarlos de fora da área, e virou com Rogério, aos 39 minutos ainda da etapa inicial. Kiesa faz grande jogada pela direita e cruzou para a área, encontrando Eduardo Ramos que rolou para Rogério entrar livre pela esquerda e bater por baixo do goleiro Júlio Cesar. No segundo tempo, mesmo melhor,  a Macaca levou o terceiro gol aos 18 minutos, com outro golaço da entrada da área, agora de Eduardo Ramos. Aos 26 minutos Gerson avançou pela direita e Renato Cajá completou para o gol, diminuindo o placar.  Finalmente aos 33 minutos, numa cobrança de escanteio, Guilherme subiu e cabeçou para as redes do bom goleiro Gedeão. Fim de um jogo eletrizante, que teve alternativas, gols, técnica e raça.  A Ponte Preta termina o primeiro turno na 2ª. posição, com 35 pontos e o Náutico em terceiro lugar, com 34, revelando que ambos têm condições plenas para  disputar o acesso.  Completando o G4, outro time da região, o Americana, que começou bem o campeonato, depois caiu muito, mas se recuperou e mantém a privilegiada quarta posição.
O GUARANI E A ZONA DO REBAIXAMENTO
O  Bugre mais uma vez decepciona e termina o turno com 20 pontos, na 18ª. posição, na zona de rebaixamento para a série C. Há muito campeonato pela frente,sem dúvida. Mas é desanimador ver os últimos jogos do Guarani, que sinalizou com uma reação  quando venceu o Duque de Caxias por 4 a 0, o Gremio Barueri  e o São Caetano por 1 a 0. Voltou a cair e chegou a  perder, em Araraquara, para o péssimo time do Salgueiro, que ainda assim terminou o turno na 19ª. posição, com 16 pontos. Não há dúvida que a falta de perspectiva anunciada pelo Presidente, (que quando dá entrevista, faz questão de reafirmar o seu pessimismo com relação ao futuro),  e os salários atrasados, são em parte circunstâncias responsáveis por essa má campanha, embora se saiba que o time não é brilhante. É lamentável que durante tanto tempo a Diretoria tenha insistido com a tal venda do Estádio (principal bandeira da campanha de reeleição da atual Diretoria, lembram-se?),  sem aludir a qualquer plano B, para o caso de inviabilidade da negociação. E ao que se supõe o Plano B é apagar as luzes e fechar as portas. É triste e lamentável. Com a palavra a grande nação alviverde, os conselheiros e os empresários bugrinos. É preciso alguma luz no fim do túnel. Vou continuar escrevendo neste blog, sobre a grande  história do Guarani e de seu passado glorioso. Quem sabe surge algum iluminado que consiga transformar essa história em investimentos para que o clube volte a ter uma rotina administrativo-financeira de sustentação.Quem sabe.
Até amanhã.



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CINEMA - UM INSTANTE DE INOCÊNCIA

Parodiando o “Cogito ergo sum” de Descartes, eu poderia dizer: “tenho uma imagem, logo existo” Que seria o mundo, que visão teríamos de nós mesmos, se não existisse a possibilidade de oferecer a cada um seu reflexo, seja o de uma fotografia, de um espelho ou de um reflexo na água? Todos têm necessidade e vontade de ver sua imagem. Porque somente ela nos permite acreditar em nós mesmos e de tomar consciência de nossa existência” (Abbas Kiarostami, 1.994).
Boa noite amigos,
Vamos falar de cinema produzido por cineastas iranianos. Sim, iranianos. O bom cinema iraniano. Os bons cineastas como Abbas Kiarostami, também fotógrafo e poeta, que se tornou conhecido no mundo ocidental, nos anos 90, a partir da revolução islâmica. Dirigiu filmes de sucesso como  Onde fica a casa do meu amigo? vencedor do Festival de Locarno em 1.987, A Vida Continua (1992) e o Gosto de Cereja (1.997). Porém, seu filme mais conhecido, de sucesso, é Close-Up (1990), objeto de muitas discussões, trabalhos e discursos acadêmicos e no qual dirige um outro grande cineasta conterrâneo, Moshen Makhmalbaf. A originalidade está na ideia de um cinema-imagem, que inspira  reflexão sobre a existência e o auto-conhecimento (vide a bela  mensagem acima do fotógrafo-poeta-cineasta), e que, sobretudo, convida o espectador a dele participar,  um cinema de ruídos e silêncios profundos, que dialogue com o espectador. Pois bem, Moshen Makhmalbaf é outro diretor genial.  Um Instante de Inocência (Num Va Goldun, Irã-França, 1.996),  um drama de 78 minutos,  é reconhecido como seu primeiro sucesso no Ocidente. No longa, Makhmalbaf, que interpreta a si mesmo, reconstitui o episódio real que viveu quando tinha 17 anos e era militante muçulmano combatente, em luta armada, da ditadura do Xá Reza Pahlevi. Como precisasse de um arma, não teve dúvidas em ferir com um punhal um guarda do Xá, para tomar-lhe o revólver. Foi preso e o guarda, internado,   perdeu, no mesmo episódio, a jovem que iria pedir em casamento naquele mesmo dia e que desapareceu de sua vida, alterando-lhe o curso profundamente.   Tendo já se tornado cineasta famoso, o diretor reencontra o policial, a quem prometera um dia lhe oferecer papel  num filme e este  lhe cobra a montagem e a participação. É disso que trata Um Instante de Inocência, um filme que diverte, envolve e emociona, como afirma João Gabriel de Lima. E basicamente coloca em discussão algumas reflexões necessárias sobre o ser humano: como é difícil reconstituir situações vivenciadas no passado, sem que elas se alterem pela visão equivocada e subjetiva que temos e carregamos a respeito delas; como é complexo separar o que faz parte objetivamente da realidade e aquilo que a nossa imaginação construiu, sedimentou e conservou na memória dos fatos. Bem, a técnica usada pelo diretor é bastante interessante, reproduzindo a mesma cena inúmeras vezes, indo e voltando no tempo (o que é a gravação agora e o que foi o fato que aconteceu e como aconteceu). O filme também traz o universo do jovem politicamente engajado nos pulsantes 17 anos,  na crença purista de ser predestinado e  capaz de salvar a humanidade. Documenta  a opção pela luta armada como contradição na busca da liberdade, da paz e da justiça social,  na metáfora da arma e da flor e na   sutileza da retrospectiva que mexe com as essências e os valores dos personagens e dos atores novos e antigos. Enfim, um filme sensível e profundo, que bem reflete o bom  cinema dos iranianos e merece aplausos. No elenco, Moshen Makhmalbaff (ele mesmo), Miryam Mohamadim (amada do policial) e Mhyradi Tayebi (policial).
Não deixe de ver.
Até amanhã.