quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

MORREU WANDO - FOGO E PAIXÃO


Amigos,

Morreu ontem, em Minas Gerais, aos 66 anos,  Wanderley Alves dos Reis, batizado com o nome artístico de WANDO. Cantor e compositor desde a década de 70, quando estourou em todo o Brasil, com uma música romântica chamada “Moça”, Wando vendeu mais de 10 milhões de discos na sua carreira e é considerado como um dos mais legítimos representantes da música  romântica brega. Mas quem não cantou, ou ainda canta, seja no banheiro, em qualquer outro canto da casa, em festinhas, ou especialmente nos Karaokes da vida, aquele estribilho que diz: “Eu quero enrolar nos teus cabelos/ Abraçar teu corpo inteiro/ Morrer de amor/ de amor me perder” . Eu, em particular, tinha uma favorita para cantar em Karaoke. Era Fogo e Paixão, fácil, fácil para o meu curto tom de voz e a minha tendência de ir gradativamente desafinando:  “Você é luz/ É raio, estrela e luar/ Manhã de Sol/ Meu Iaiá, meu ioiô/ Você é sim/ E nunca meu não/ Quando tão louca/ Me beija na boca/  Me ama no chão”. Com o tempo, a inocência das letras das canções, foi ganhando conotação mais picante e erótica e tendo o cantor percebido que isso agradava as mulheres de todas as idades, passou então a explorar nas suas canções ou gravações esse lado mais sensual e que dava "asas à imaginação". Com o aparecimento dos clipes, suas canções ganharam então imagens de gente jovem e bonita, homens e mulheres em trajes íntimos, espalhados em banheiras cheia de flores, florais, com champagne, taças, beijos, abraços e sussurros. Pronto. O estilo estava marcado e consagrado. Aliado a isso o cantor passou a declarar que durante seus shows as mulheres mais exaltadas ou mais apaixonadas atiravam calcinhas que ele cheirava  no palco e colecionava depois. Determinado noticiário de ontem garante que a sua coleção de calcinhas femininas atinge mais de 15.000 peças de todas as cores. E a julgar pelas senhoras robustas que ontem, no velório, cantavam suas músicas e juravam fidelidade a ele e ao seu estilo, ao seu suposto amor pelo universo feminino, também devia ter carçolas como diria o meu genro, Renato, ao referir-se a calcinhas de certas senhoras de glúteos avantajados. Wando também passou a usar nas suas apresentações peças, coisas e objetos sugeridos pela letra das  músicas, como você pode ver no vídeo abaixo em que ele interpreta a canção “Mordida na Maça”, portando, numa das mãos, a tal  fruta que levou Adão e Eva ao pecado e pra fora do paraíso. E de vez em quando morde e arranca um pedaço da pobre maça,  entre uma e outra pausa musical. De certa forma, aquela figura de traços grandes, lábios grossos e cabelo armado combinava com as sugestões das letras de suas músicas, todas levando para a paixão, o amor, o sexo, o desejo, o prazer. Tudo, porém, era uma imensa brincadeira, garantem os seus amigos mais chegados. E há quem assegure que ele era inclusive um sujeito tímido, educado e respeitador. Isso nada tem de incongruente em  unir ao prazer da música, a imaginação onírica dos prazeres do amor, muito bem vindos nessa vida da gente. Porque como diria Chico, em Roda Viva, "tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu".  Em sua biografia, seu estilo musical vem assinalado como samba-jóia e romântico brega. O samba-jóia (ou sambão-jóia, ou somente sambão) é  nome dado por críticos na década de 70 para identificar sambas de qualidade duvidosa, por unir vários gêneros como samba-rock com soul music, bolero e jovem guarda. Seus maiores sucessos foram O Importante é Ser Fevereiro, gravada por Jair Rodrigues, em 1.974; Vá,  mas Volte, gravação de Angela Maria em 1.975; A Menina e o Poeta, gravada por Roberto Carlos em 1.976;  Moça (1975), Chora Coração (1.985), que integrou a trilha sonora da novela Roque Santeiro, de Dias Gomes, grande sucesso da TV Globo,  e Fogo e Paixão (1988), estas gravadas por ele próprio.  De minha parte o preconceito quanto ao tipo de música feita e explorada pelo artista não tem qualquer importância. Afinal, rótulos são rótulos, meros fragmentos que não dão conta da inteireza e complexidade da pessoa ou do profissional.  Afinal, quando Caetano Veloso gravou Coração de Mãe de Vicente Celestino, num disco antológico do movimento Tropicalista, nada mais fez do que cutucar a suposta elite que invoca o direito ao monopólio do bom gosto ou da definição do  que seja arte, homenageando aquele que até então era considerado o rei do brega. Caro Wando, Importante é a alegria que o seu canto proporcionou. Mais de 6.000 pessoas passaram por seu discreto velório em Minas. Milhões no Brasil já cantaram suas canções, sonhando com dias melhores. Você morreu em fevereiro. Justo em fevereiro do samba que você fez quando era moço. Fevereiro, o  mês  do samba, da alegria e do carnaval. Certo que você não mudou de idéia. Foi-se embora logo e sem alarde, para que as pessoas não ficassem tristes. Afinal, Deus também concorda que  “O Importante é ser fevereiro. E ter carnaval pra gente sambar”.
















Até qualquer dia, bom mineiro.

Até amanhã amigos.

 P.S. A imagem que ilustra a coluna de hoje foi emprestada do site correiodeuberlandia.com.br




quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

DIREITO - AÇÃO DIRETA CONTRA SEGURADORA EM JULGAMENTO NO STJ


Bom dia amigos,

Estão marcados para hoje, no Superior Tribunal de Justiça, os julgamentos de duas questões de índole processual, mas que repercutem sobremaneira nos direitos das vítimas de acidentes de trânsito e de outros bens que são objeto de contrato de seguro no país. O relator Ministro Luiz Felipe Salomão pediu que os casos fossem julgados sob o rito dos recursos representativos de controvérsia, nos termos do artigo 543-C, do Código de Processo Civil.  Indaga-se da possibilidade da vítima de sinistro, obter condenação solidária do agente do dano e da seguradora  por este contratado, em ação de reparação de danos que possa ser movida, desde logo, contra ambos. E, numa segunda hipótese, se essa mesma vítima pode acionar diretamente a seguradora do agente do dano, sem processar este último. As duas questões são tormentosas, a julgar por aspectos ligados à formalidade do processo. Como se sabe dentre as condições da ação enuncia-se a legitimidade das partes, ativa e passiva, também chamada de pertinência subjetiva ativa e passiva. Pois bem, na questão da responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana,  em princípio a vítima pode processar o agente do dano (artigo 927 do Còdigo Civil)  e, de forma solidária, todos aqueles que contribuíram ou se beneficiaram com o ilícito (arts. 932, também  do Código Civil). Não pode, desde logo, convocar à lide a seguradora de qualquer dessas pessoas, pelo fato de  com elas não manter qualquer relação jurídica primitiva. A responsabilidade da seguradora, fundada no contrato que celebrou com o segurado, se limita a reembolsar aquilo que o segurado for condenado a pagar para a vítima. Esse é  o raciocínio que prevaleceu no passado e que agora passa a ser revisto pela Corte Especial.   Acontece que, do ponto de vista pragmático, a solução não se afigura justa, nem razoável em muitos casos. E por quê? Porque em primeiro lugar nem sempre o segurado denuncia à lide à seguradora. E considerando que ele possa ser insolvente, estará a vítima fadada a jamais receber a indenização a que tem direito, por não poder acionar diretamente a seguradora.  Também do ponto de vista do segurado, não se justifica tenha ele que inicialmente pagar ou satisfazer o julgado, para só depois, comprovando essa satisfação, obter o reembolso da parte do segurador. Se ele, igualmente, não tiver recursos para fazê-lo, como se soluciona a questão? A seguradora se beneficia disso? Vejam os senhores que está mais do que na hora de enfrentar a polêmica com realismo e senso de justiça. Com efeito, o chamado seguro contra terceiros, é celebrado para cobertura não só de danos que o terceiro cause ao segurado, mas também para cobrir os danos que o próprio segurado cause ao terceiro. Nesta última hipótese, o terceiro (a vítima, pois, identificada depois do sinistro), embora não seja parte integrante do contrato (pacto restrito entre segurado e segurador) é indiscutivelmente beneficiário do valor do seguro, que na modalidade e hipótese focalizadas, não passa de estipulação em favor de terceiro. Ora, o Código Civil, no artigo 436, parágrafo único, estabelece que “Ao terceiro, em favor de quem se estipulou a obrigação,  também é permitido exigi-la, ficando, todavia, sujeito às condições e normas do contrato, se a ele anuir, e o estipulante não o inovar nos termos do artigo 438”. E o caso da vítima e seguradora não é diverso, tanto assim que o próprio Superior Tribunal de Justiça, por uma de suas Turmas,  já decidiu em determinado caso que “Nas estipulações em favor de terceiro, este pode ser pessoa futura e indeterminada, bastando que seja determinável, como no caso do seguro, em que se identifica o beneficiário no momento do sinistro. O terceiro beneficiário, ainda que não tenha feito parte do contrato, tem legitimidade para ajuizar ação direta contra a seguradora, para cobrar a indenização contratual prevista em seu favor” (RSTJ 168/377; 4ª. Turma, REsp 257.880, maioria). É a orientação  que se espera  prevaleça hoje na sessão de julgamento da Segunda Seção, formada por duas Turmas que julgam causas cíveis e pelos Ministros Sidnei Beneti (Presidente), Nancy Andrighi, Massami Uyeda, Luiz Felipe Salomão, Raul Araújo, Paulo de Tarso Sanseverino, Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva e Marco Buzzi. Relembre-se, por fim, que é indispensável que a vítima comprove, seja na ação em que coloca no pólo passivo, solidariamente, o agente do dano (segurado) e a seguradora, seja na demanda movida diretamente e isoladamente em relação a esta, a culpa do segurado ou agente, sem o que não terá direito à indenização, mas, ao contrário, poderá sofrer ação de regresso da seguradora, para reembolsar o que ela tiver desembolsado com os danos reparados  ao segurado.

P.S. A imagem que ilustra a coluna é do site sempretops.com



Até amanhã.






segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A RODADA DO FUTEBOL NO FINAL DE SEMANA


Bom dia amigos,

A semana no futebol foi movimentada, com grandes eventos. Os campeonatos estaduais de futebol vão engrenando, mesmo porque são atualmente torneios de tiro curto e não há tempo para mirabolantes recuperações. No Rio de Janeiro, a sensação é o Vasco da Gama que obteve 4 vitórias nos 4 jogos realizados. Flamengo, Botafogo e Fluminense vão se segurando, intercalando resultados positivos e negativos. Com exceção do Botafogo, os outros demonstram que estão preocupados com a disputa concomitante da Taça Libertadores, campeonato muito mais difícil e importante do que o Carioca.  Em São Paulo, no campeonato regional mais equilibrado e difícil, as boas surpresas têm sido as equipes do Paulista de Jundiaí e do Guarani de Campinas. O Paulista está lá na frente, em segundo lugar na tabela,  com 13 pontos ganhos, junto com o São Paulo, perdendo a liderança para este apenas no número de gols (13 contra 10). O Bugre, em permanente crise e formado de última hora com a contratação do técnico Osvaldo Alvarez (o popular Vadão), tem realizado uma campanha ainda mais surpreendente, pois, embora com menos números de pontos (10 contra 13 dos primeiros colocados) já ocupa a 5ª. posição na tabela, vindo de três grandes resultados consecutivos, quais sejam, de uma vitória sobre o Ituano no Brinco de Ouro e um empate e outra vitória, ambas fora de casa, contra, respectivamente, o São Paulo, em pleno Morumbi e o São Caetano, no Anacleto Campanella.  Agora tendo dois jogos em casa (quarta-feira contra a Portuguesa, às 19,30 horas,  e domingo contra o Paulista de Jundiaí, às 17,00 horas), pode engrenar de vez e lutar tranquilamente pela vaga no octogonal. Destaques do time: o goleiro Emerson, que tem sido seguro na meta bugrina, o surpreendente e experiente  Domingos (ex-Portuguesa e São Caetano), na zaga, especialmente  pela liderança que demonstra ter,  e os volantes Wellington Monteiro e Fábio Bahia, que deram estabilidade ao meio campo, permitindo que o futebol dos atacantes Fabinho e do jovem centroavante Ronaldo, possam aparecer. Aliás, o menino Ronaldo já fez 3 gols nas cinco rodadas e tem tudo para engrenar no Bugre. Tomara! A Ponte Preta tem alternado boas e más jornadas e se mantém dentro do octogonal, ocupando agora a 6ª. posição com 9 pontos. Ontem, na derrota em casa para o  São Paulo (3 a 1), não jogou bem, embora o adversário seja potente e competente, tanto em casa, como fora. O  Timão, mandou a campo um “mistão” e, mesmo em casa, não passou de um empate contra o Bragantino em 1 a 1. Com isso, foi ultrapassado pelo Paulista e pelo São Paulo, caindo para a 3ª. posição. As campanhas de Santos e Portuguesa é que são decepcionantes, pela força que demonstraram nos campeonatos anteriores, especialmente na conquista da Libertadores, pelo Peixe, e do acesso, com o título de campeã do Brasileiro  da Série B, pela Lusa, ambas as  campanhas incensuráveis. O Santos nas primeiras rodadas jogou com time B e essa a razão dos vários empates que registrou. Mas ontem, em Presidente Prudente, com o retorno de todos os titulares, com Neymar e Ganso, foi mais uma vez  derrotado pelo limitado time do Palmeiras, de virada, nos últimos minutos (2 a 1), com gols de Fernandão  e  Juninho (ou Maranhão contra?).  A torcida santista pôde festejar apenas o 20 anos de Neymar,  o melhor jogador da atualidade no Brasil, e o 100º gol que ele marcou, de cabeça, em perfeito cruzamento de Ganso. Digna de nota também é a campanha do Red  Bull de Campinas, no Paulista da Série B. É líder isolado, com 12 pontos ganhos e promete uma campanha espetacular. Como se sabe o Toro Loko manda seu jogos no Majestoso, tem um bom time, com um elenco mesclado de jogadores jovens e outros mais experientes e seu dirigente técnico é o conhecido Sérgio Guedes, ex-goleiro e treinador da Ponte Preta. Por fim, destaque também no meio de semana para a classificação dos dois brasileiros, Inter de Porto Alegre e Flamengo, na pré-libertadores, assegurando, assim, a participação de todos os clubes nacionais na fase principal do torneio.


P.S. (1): Enquanto o técnico Muricy isentou a arbitragem de Luiz Flávio Oliveira pelo resultado negativo do Santos, ontem, no clássico, Neymar, irritado, disparou contra o homem de preto, culpando-o pela virada palmeirense, no final do jogo. Mas, sem razão alguma, pois a expulsão de Ibson, que tomou dois cartões amarelos em jogadas faltosas, foi justa.

P.S. (2): Essa história de tabu em futebol, embora discutível, faz a gente pensar muito. A virada do Palmeiras ontem sobre o Santos é mais um resultado que alimenta a discussão sobre o assunto. Estando bem ou mal, nos últimos anos, o Verdão não perde para o Peixe, de jeito nenhum.

Boa semana a todos. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

PENSAMENTOS E CINEMA NO FIM DE SEMANA


Boa noite amigos,

Final de semana escaldante. Deu vontade de filosofar um pouco num ambiente de sombra e ar condicionado, se possível. Outro dia recebi um e.mail com pensamentos de grandes filósofos ou pensadores. Anotei-os e hoje, na coluna, divido-os com os amigos dispostos a refletir sobre a vida e seu sentido e os valores que nós, homens de boa vontade,  buscamos ou perseguimos. Ou, muitas vezes, esquecemos ou  não notamos:

“A VIDA É UM JOGO, DO QUAL NINGUÉM PODE RETIRAR-SE LEVANDO APENAS OS LUCROS”
 ANDRÉ MAUROIS;

“É CURIOSO QUE A VIDA, QUANTO MAIS VAZIA, MAIS PESA”
LEÓN DAUDI;

“PERGUNTAS PORQUE COMPRO ARROZ E FLORES? COMPRO ARROZ PARA VIVER E FLORES PARA TER ALGO PARA VIVER”
CONFÚCIO

“HÁ DUAS MANEIRAS DE VIVER A VIDA. UMA É COMO SE NADA FOSSE UM MILAGRE. A OUTRA É COMO SE TUDO FOSSE UM MILAGRE” 
ALBERT EINSTEIN;

“O MELHOR É SAIR DA VIDA COMO DE UMA FESTA, NEM SEDENTO, NEM BÊBADO”
ARISTÓTELES;

“TODOS SOMOS FIGURANTES. A VIDA É TÃO CURTA QUE NÃO DÁ PARA MAIS” 
CHARLES CHAPLIN

“A VIDA CONSISTE NÃO EM TER BOAS CARTAS, MAS EM JOGAR BEM COM AS QUE POSSUE” –
JASH BILLINGS

“A VIDA É TÃO CURTA QUE, QUANDO ALGUEM COMEÇA A APRENDER JÁ ESTÁ NA HORA DE MORRER”  
ERNESTO SÁBATO;

“SE QUISERES QUE ALGO SE FAÇA, ENCARREGA DISSO UMA PESSOA OCUPADA”
PROVÉRBIO CHINES;

“TRABALHE COMO SE NÃO NECESSITASSE DE DINHEIRO, AME COMO SE NUNCA SE HOUVESSE FEITO, DANCE COMO SE NÃO HOUVESSE NINGUÉM OLHANDO”
EÇA DE QUEIROZ;

"A VIDA É COMO UMA LENDA. NÃO IMPORTA QUE SEJA LONGA, MAS QUE SEJA BEM NARRADA”
LÚCIO SÊNECA;

“TODOS OS HOMENS SÃO FEITOS DO MESMO BARRO, MAS NÃO DO MESMO MOLDE”
RADIBRAGAT TABORE;

“AS MENTES GRANDES DISCUTEM IDÉIAS; AS MÉDIAS, COISAS; AS PEQUENAS, PESSOAS”
KALIL GIBRAN;

“TEMOS QUE SUBIR A MONTANHA COMO VELHOS PARA CHEGAR COMO JOVENS”
CONFUCIO;

“A UNIÃO DO REBANHO, OBRIGA O LEÃO A DEITAR-SE COM FOME”
PROVÉRBIO AFRICANO;

“UMA VEZ TERMINADO O JOGO, O REI E O PEÃO VOLTAM PARA A MESMA CAIXA”
DANTE ALIGHIERI;

“OXALÁ VIVAS INTENSAMENTE TODOS OS DIAS DE TUA VIDA!  
JONATHAS SWIFT

BONS FILMES NOS CINEMAS DE CAMPINAS.

Há pelo menos cinco ou seis filmes em cartaz, incluindo pré-estréia, nos cinemas de Campinas, que precisam ser vistos. Já vi, comentei e indiquei esta semana,  o documentário brasileiro “A Música Segundo Tom Jobim”. Os outros, pretendo assisti-los e fazer o mesmo, pois todos estão com alguma indicação para o Oscar, o que me faz supor que se cuidem de filmes com alguma qualidade e diferenciação da grande produção de filmes sem qualidade, nem originalidade, que abarrotam os cinemas de todo o Brasil.  São eles: a) Em Pré-Estréia: O Artista, recordista de indicações para o prêmio da academia americana, num único cinema(o Cineflix Galleria 1) e horário (19,30 horas) e A Separação, drama iraniano, com indicação para melhor filme estrangeiro, em cartaz no Topázio Shopping Prado 3, às 21,10 horas; Estréias: Histórias Cruzadas,  drama americano, O Espião que Sabia Demais, suspense, Reino-Unido, França-Alemanha, J.Edgar, um elogiadíssimo drama dirigido por Clint Eastwood, com Leonardo Di Caprio, e Os Descendentes, uma comédia dramática americana, com George Clooney, indicado ao Oscar de melhor ator.


P.S. Já que fiz citação de pensamento de Charles Chaplin, a sua imagem ilustra (e enfeita, pela grandiosidade) a coluna no dia de hoje e foi emprestada ao blog contadoradesi.blogspot.com.

Bom final de semana. 






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA NO BANCO DOS RÉUS


Boa noite, amigos:

O calor voltou intensamente, combinando com o verão dos países tropicais como o nosso e tornando árdua a nossa tarefa de vestir ternos e gravatas durante o dia. Do outro lado do mundo, inverno de igual intensidade, tem tornado inviável a rotina normal dos cidadãos e até provocado estragos e mortes. Vamos aproveitar o final de semana quente e sem chuva, pelo menos na previsão dos homens do tempo,  para programas que incluam ar livre, piscina, praia, barzinhos, chopp ou refrigerante, conforme o gosto do freguês. O assunto de hoje é sério. E sobre ele vou dar o meu ponto de vista, respeitando, obviamente, todos os outros contrários. Bem, trata-se do seguinte:  O Supremo Tribunal Federal, por seis votos a cinco (placar apertado, portanto), decidiu reconhecer poderes ao Conselho Nacional de Justiça, para investigar Juízes, Desembargadores e Tribunais, o que me parece correto e desejável, tudo, claro, dentro de um mínimo de lógica e respeito aos direitos fundamentais que a Constituição assegura a todas as pessoas. A questão foi levada à nossa Corte Suprema por várias organizações de Magistrados, especialmente a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), inconformada com a investigação recente promovida pela Corregedora do Conselho, a Ministra Eliana Calmon  (foto acima emprestada do site diagnow.org),  e a divulgação de que mais de 60 Magistrados   teriam movimentado numerário incompatível com os vencimentos. Não nos cabe analisar eventual excesso cometido por esse ou aquele Conselho, ou até pelo Conselho todo, na investigação, apuração ou julgamento desse ou daquele caso, pois os excessos devem ser contidos em qualquer circunstância, e o Judiciário está lá para isso. Mas restringir os poderes de um Conselho, que foi criado para o controle externo da Magistratura, ou pretender que ele só possa atuar no chamado “vácuo” das Corregedorias locais, é inadmissível e desatende os objetivos do regime democrático. Juízes, Desembargadores ou Ministros, tanto faz, deveriam ser os primeiros a dar exemplo, ou seja, dar publicidade aos recursos que possuem, dentro da legalidade, quando contestados ou questionados, demonstrado a lícita origem deles. Afinal, como podem pretender julgar de forma isenta,  as milhares de ações de improbidade administrativa que são propostas no país inteiro, grande parte delas, inclusive, de forma exagerada e improcedente, como se constata, às vezes unicamente em instância especial ou extraordinária? O Supremo também entendeu que os julgamentos contra Juizes devem ser públicos, afastando pretensão de segredo de justiça, em torno deles, coisa com que o cidadão comum não conta e nunca contou.  Qualquer corporativismo na visão da questão deve ser afastada, obviamente. E não é segredo, ao menos para quem viveu ou vive no meio, que as Corregedorias dos Tribunais jamais atuaram satisfatoriamente na apuração de irregularidades, especialmente de ordem disciplinar, contra Desembargadores que não trabalham ou que desenvolvem conduta incompatível com a toga. Daí a necessidade de se reconhecer poder originário ou primário ao Conselho Nacional de Justiça para iniciar investigação, promovê-la e exercer, amplamente, mediante pleno direito de defesa, a prerrogativa de julgar e punir os Magistrados, com penas legais e adequadas a cada caso.  Isso não é demagogia, absolutamente. Sempre, como advogado e  Juiz de Direito, fui favorável ao controle externo, entendendo que todos os membros dos Poderes constituídos, sejam quais forem,  devem estar sujeitos ao  controle externo, afastando a objeção principal invocada pelos adversários, de que o juiz precisa ser livre para julgar, não podendo sofrer pressões. Ora, o controle, como se sabe, é exclusivamente de ordem administrativa e disciplinar, em nada afetando a liberdade do juiz, na sua atuação jurisdicional, asseguradas pelas garantias constitucionais de vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos.  Se como afirmou o Ministro Cesar Peluzzo, no seu discurso de inauguração do Ano Judiciário, anteontem, no Supremo Tribunal Federal, ser o Judiciário atual, o melhor Judiciário de todos os tempos (com o que não concordo, pois censura o Judiciário de outras épocas sem indicação de critérios ou parâmetros,  soando a afirmação como defesa corporativa da classe),  não há porque temer investigação de um organismo sério como o CNJ, formado não só por profissionais de fora da Magistratura, como advogados, mas também e principalmente por Ministros, Desembargadores e Juízes, o que não o torna tão externo assim. Está aí exposta a minha opinião sobre tema tão tormentoso, mas que deve ser enfrentado com independência e sinceridade.
Ate amanhã, amigos.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

SEMIFINAIS DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 78 - A VITÓRIA DO BUGRE SOBRE O VASCO NO JOGO DE IDA


Caríssimos amigos, especialmente os bugrinos.

Superado o Sport Recife nas quartas-de-finais do campeonato brasileiro de 1.978, o Guarani tinha pela frente o poderoso time do Vasco da Gama. Só para recordar a equipe cruzmaltina, naquele mesmo ano e campeonato, havia vencido o Bugre na estréia, pelo placar de 3 a 1, em pleno Brinco de Ouro da Princesa, em tarde inspirada do grande centroavante Roberto Dinamite.  Depois, o Guarani jogou outra vez contra esse adversário, na fase de classificação, no Estádio de São Januário e, mesmo  tomando dois gols, conseguiu empatar o jogo em 2 a 2, com gols do menino-centroavante Careca, então com 17 anos. Agora era novo embate, em duas partidas, uma em casa e outra fora, que valiam o ingresso para a grande final do campeonato. O primeiro jogo foi em Campinas, no Estádio Brinco de Ouro, no dia 2 de agosto de 1.978.  Partida tensa  e difícil, numa noite quente de quarta-feira. Mais de 30.000 espectadores (bons tempos aqueles), viram  o Bugre vencer o Vasco pelo placar de 2 a 0, um gol em cada tempo. Aos 47 minutos da etapa inicial, Orlando marcou contra e aos 9 minutos da etapa complementar, Renato Pé Murcho assinalou o segundo gol, selando a vitória bugrina. Saímos do Estádio (eu estive lá, certamente)  inebriados com a grande partida feita pelo Bugre, mais uma vez,  e profundamente temerosos com o que aconteceria no final de semana, no segundo jogo,  no Estádio do Maracanã, que estaria, por certo, completamente lotado pelos torcedores vascaínos. Essa segunda história a gente conta depois.

FICHA TECNICA DO ESPETÁCULO.
Pela semifinal do Campeonato Brasileiro de 1.978, o Bugre recebeu, no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, no dia 02 de agosto de 1.978, uma quarta-feira, às 21,00 horas, a equipe carioca do Vasco da Gama. Apitou o árbitro Manoel Amaro de Lima, assistido pelos bandeiras Armindo Tavares de Pinho e Dirceu Arruda, todos de Pernambuco. A renda excepcional de Cr$1.068.730,00, moeda da época, foi proporcionada por 27.965 pagantes, que, somados aos 2.127 menores que nada pagaram, registrou um público total de 30.092 espectadores. O Guarani venceu o Vasco da Gama, pelo placar de 2 a 0, gols de Orlando (contra), aos 47 minutos do primeiro tempo e de Renato, aos 9 minutos do segundo tempo. Fernando, do Vasco e Edson, do Guarani, foram expulsos, respectivamente aos 37 e 40 minutos do segundo tempo. O Bugre formou com Neneca, Mauro, Silveira (Alexandre), Edson e Miranda: Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca e Bozó (Manguinha). Técnico: Carlos Alberto Silva. O Vasco jogou com Mazzaropi, Orlando, Fernando, Gaúcho e Marco Antonio; Helinho, Paulo Roberto e Zanatta (Zandonaide); Wilsinho (Paulo César), Paulinho e Dirceu.Técnico: Orlando Fantoni.

Veja abaixo o vídeo dos  gols do jogo, o segundo deles marcado pelo meia esquerda Renato (Pé Murcho), em cruzamento perfeito, depois de um rápido e mortal contra-ataque puxado pela direita por  Capitão.




P.S. (2) A imagem de hoje da coluna é do selo comemorativo dos 100 anos do Guarani F.C.

P.S. (1) O centroavante Roberto Dinamite não jogou para nosso alívio. Dinamite é hoje Presidente do Vasco da Gama e até hoje é o  maior goleador do Vasco da Gama. Dinamite também jogou na seleção brasileira.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

CAUSAS & CAUSOS - COISA PRA ADVOGADO

Boa noite amigos,
Hoje transcrevo  mais um dos causos que constam  do meu livro "Causas & Causos" n. I. Lá vai:


"COISA P’RA ADVOGADO

                                                     “Laranja madura, na beira da estrada. Tá bichada Zé, ou tem marimbondo no pé” (Ataulfo Alves).
                                  caso se passou, dizem, no final da década de 70, envolvendo um Juiz da Comarca de Campinas e um advogado também da terra.

O Magistrado, muito trabalhador, costumava encerrar o expediente lá pelas seis da tarde, seguindo para a sede da Associação dos Advogados, de cujo Presidente era muito amigo, para tomar seu “uisquinho” e relaxar.
Estava lá o Meritíssimo, final da tarde, deleitando-se com o aperitivo, cansado do dia de trabalho intenso e querendo falar de tudo, menos de processo, de audiências, de escrevente, de oficial de justiça etc.
Eis que surge um conhecido advogado, daqueles que não tem o famoso “desconfiômetro”, cumprimenta o Juiz, não espera convite, senta-se ao lado e vai introduzindo o assunto:
_ Oi doutor, foi bom encontrar com o senhor. Eu tenho um caso complicado.
E antes de permitir qualquer palavra ou consideração do desditoso interlocutor, começa a desfiar o rosário:
- É que meu cliente comprou uma mercadoria e blá, blá, blá. Acontece que se agora eu tomar aquela providência, blá, blá, blá. E se eu partir para a opção “x” pode acontecer que, blá, blá, blá.
O Juiz ouve atentamente a quase interminável exposição, assim como a famosa e esperada indagação final:
_  “O que é que o senhor acha”.?
Feito o silêncio, o Magistrado permanece ainda algum tempo calado, pára, olha nos olhos do advogado, fingindo circunspecção e interesse, e então, ainda sério, opina:
_ Sabe doutor. O caso é mesmo complicado. Acho melhor o senhor procurar um advogado."

P.S. A caricatura que ilustra a coluna hoje foi emprestada do site riratecair.net.



 Até amanhã, amigos.

                       O