terça-feira, 13 de março de 2012

LITERATURA - A METAMORFOSE - FRANZ KAFKA


Boa noite amigo,

Imagine você que, após uma longa noite de sono, acorde e constate que se transformou num inseto. Pensa que é um sonho, o prosseguimento de um terrível pesadelo, mas não é. Aquilo está realmente acontecendo. É paralisante e, conservando embora a identidade interior, a nova configuração impede-o de se apresentar em público, de trabalhar, de ter vida social. É preciso se ocultar do mundo, do pessoal de casa, do pai, da irmã e da mãe. Como será possível viver essa nova identidade, doravante? Assim começa “A Metamorfose”  (Die Verwandlung, em alemão),  o título de uma novela escrita no distante ano de 1.912, no espaço de vinte dias, por um jovem de 29 anos, que se tornaria um dos mais célebres e complexos escritores do século XX, Franz Kafka. O autor nasceu em 1.883, na cidade de Praga, Boêmia, hoje República Tcheca, na época pertencente ao império Austro-Húngaro, e morreu, aos 41 anos, na Áustria, em 1.924. Quase desconhecido em vida, sua obra é composta de contos, novelas, romances, cartas e diários, todos escritos em língua alemã. A Metaformose só foi publicada em 1.915 e  teve uma segunda edição, em 1.918, ainda em vida do escritor,  o que se constituiu em coisa excepcional na sua carreira. Na orelha do livro relançado agora em 2.011 pela  Companhia das Letras, em apresentação popular e barata, com tradução de Modesto Carone,  afirma o editor: “De certo modo, não é preciso ter lido Kafka para conhecê-lo – um pouco, pelo menos. O adjetivo Kafkiano tornou-se para nós sinônimo de incompreensível, caracterizando em geral uma sequência de fatos aparentemente banais e, ao mesmo tempo, perfeitamente refratários a qualquer tipo de explicação”. Há quem repute a Metamorfose a obra-prima do escritor. Não concordo. Considero-a muito boa, importante e indispensável à leitura dos que apreciam a mais refinada literatura expressionista. Porém,   longa e elaborada, e também mais complexa, O Processo, é, sem dúvida, a mais importante contribuição do escritor à literatura universal, escrita em período de rara inspiração e  talento. De qualquer forma, A Metamorfose  precisa ser lida e compreendida, embora nessa compreensão, admitam os literatos, existam múltiplas interpretações. Não há entendimento certo ou errado, em se tratando de Kafka.  Há opiniões abalizadas e não abalizadas,  divergentes e convergentes. De minha parte, um apreciador inciente, como diria o meu amigo Regis de Morais, considero que a novela é auto-biográfica e o autor, por meio dela, utilizando figuras retóricas para criar a hipótese surrealista, faz ácida crítica à prática meramente utilitarista nas relações entre as pessoas, seja no ambiente social, seja na vida familiar. Por isso a obra se tornou universal e atemporal e não suspeite que se mantenha, por isso mesmo,  atualizada no mundo de hoje, no Brasil ou na Europa, na África ou em Israel. Ao contrário. Enquanto o caixeiro-viajante, George Samsa, o protagonista, experimenta a sensação de ter se transformado num desprezível e inútil inseto, vai vivenciando, com profunda tristeza,  as mutações que acontecem em sua vida e no cotidiano de seus familiares: chefe, pai, mãe, irmã, hóspedes etc. A obra fala nesse lado negro do ser humano, na intolerância, no descarte do que já não interessa,  e  até na suposta inexistência de qualquer tipo de afetividade pura e duradoura, fora de uma troca ou vantagem unilateral.  É preciso conhecer Kafka. Ler a sua obra, inclusive esta, que é curta e favorece os iniciantes e os ansiosos. Depois ler O Veredicto,  Na Colônia Penal, O Processo e O Castelo, outras obras fundamentais. O autor não se casou embora tenha mantido romances longos com duas mulheres. A sua experiência em matéria de relações familiares talvez tenha contribuído para o medo do casamento. Nunca foi acreditado pelo pai, que jamais reconheceu sua carreira e seu talento literário e  com quem mantinha uma relação profundamente desgastante e, até, neurótica. O "inseto" talvez tenha sido a forma figurativa que o autor usa para denunciar a distorcida visão de seu pai a seu respeito. Talvez! Nunca passe do "Talvez" em se tratando de Kafka. É prudente.
Até amanhã.
P.S. A imagem que ilustra a coluna foi emprestada do blog thoughloversbelostloveshallnot.blogspot.com







segunda-feira, 12 de março de 2012

A RENUNCIA DE RICARDO TEIXEIRA E A 13a. RODADA DO PAULISTÃO


Boa noite amigos,

Os meios futebolísticos amanheceram hoje com a notícia, mais ou menos antecipada pela imprensa especializada – dentre as quais os Blogs de Juca Kfouri e de Perrone,  da renúncia de Ricardo Terra Teixeira (imagem da coluna emprestada do site pt.wikipedia.org) à Presidência da Confederação Brasileira de Futebol, depois de 23 anos à frente da entidade. Termina assim -  e melancolicamente – a gestão da família Havelange no comando do futebol mundial e brasileiro. Teixeira, nos últimos tempos, sofreu várias acusações de corrupção na gestão da Confederação e também por suposto favorecimento em escândalo financeiro envolvendo a FIFA,  e não gozava da simpatia da Presidenta da República, Dilma Roussef e de muita gente importante na história do futebol. Foi o 18º Presidente da CBF e estava no cargo desde 1.989, tendo seu mandato ampliado até 2.015, após reforma dos Estatutos da entidade. O velho José Maria Marin, um de seus vices (o mais velho) e que já foi Governador de São Paulo, assumiu o cargo. Teixeira ganhou muitos titulos com as várias seleções, especialmente o tetracampeonato mundial em 1.994, nos Estados Unidos, e o penta, em 2.002, no Japão e Coreia do Sul. Também criou a Copa do Brasil, um campeonato diferente, que reune equipes de todas as divisões e dos mais distantes rincões do país.

CAMPEONATO PAULISTA - DÉCIMA TERCEIRA RODADA 

MOGI MIRIM  (3 a 1)  E A QUEBRA DE UM TABU.

O “sapão”, que vem de excelente campanha, conseguiu quebrar um tabu neste campeonato paulista. Foi o único time do interior até agora a vencer um dos quatro grandes. A vítima foi a boa equipe do Santos, sábado em Mogi. Embora o Peixe tenha mandado a campo uma equipe recheada de reservas (sem Neymar, Ganso etc.), ainda assim a vitória da equipe interiorana (por 3 a 1 e de virada) foi muito importante e com ela o Sapão subiu para a 5ª. posição da tabela, com 26 pontos e 8 vitórias (a um ponto do Santos, dois do São Paulo, 3 do Palmeiras e 4 do líder Corinthians). Sua classificação para o octogonal ficou bastante viabilizada, especialmente porque mantém uma vantagem de 8 pontos para o 9º colocado que é a equipe do Linense.

A INESPERADA GOLEADA (4 a 0)  DO XV DE PIRACICABA.

 Fazendo uma campanha decepcionante no campeonato, o “Nho Quim”, que foi campeão da segundona  e prometia voltar “com tudo” para a 1ª. divisão, segurou a lanterna da competição nas últimas rodadas.  Sábado, porém, de forma surpreendente, foi a Lins e goleou a equipe da casa pelo placar de 4 a 0, com belíssimos gols. Foi a segunda vitória da equipe de Piracicaba e com ela somou 8 pontos, deixando a última colocação para o Comercial de Ribeirão Preto que, na mesma noite, perdeu em casa, mais uma vez, desta feita para a equipe do Ituano, por 1 a 0.

O BUGRE EMPATOU COM O LÍDER CORINTHIANS (1 A 1) EM CIMA DA HORA E COM 10 JOGADORES.

Assim como o Santos, o Timão está de olho na Copa Libertadores da América e no jogo contra o Guarani, sábado à noite, no Pacaembu, o técnico Tite mandou a campo praticamente a equipe reserva. Vadão não se convenceu  de que essa equipe fosse muito inferior e preveniu seus jogadores. Mais do que isso, no meio da semana, para poupar a maioria dos titulares, escalou uma equipe inteiramente de reservas para a estréia na Copa do Brasil, contra o Brasiliense, privilegiando o campeonato paulista. Perdeu por 2 a 0 e agora terá que fazer três gols de diferença, no mesmo adversário, para passar à fase seguinte da competição nacional.  O vaticínio se cumpriu, pois o Corinthians, como já repeti nesta coluna, não tem um time, mas um elenco muito bom e de jogadores equivalentes, salvo exceções, para todas as posições. Conclusão: Mesmo com domínio territorial, o Bugre perdeu gols e acabou sofrendo um gol ainda no primeiro tempo.  No segundo tempo, o Timão partiu para cima do adversário e com a expulsão do zagueiro Domingos, aos 20 do segundo tempo, passou a ter um jogador a mais. William perdeu um gol certo e aos 42 o árbitro apitou pênalti em cima de Fabinho. Fumagalli bateu forte, no alto e no meio do gol, igualando o placar (1 a 1), que acabou sendo justo. O Timão parou nos 30 pontos, mas ainda continua líder, agora seguido pelo Palmeiras que tem 29 e goleou o Botafogo, no Estádio Santa Cruz, pelo placar de 6 a 2. O ponto conquistado pelo Guarani, muito importante porque foi contra o líder, na casa do adversário e interrompeu uma sequência de 4 derrotas, manteve o Bugre no G8, agora na 7ª. posição, atrás da Ponte Preta, Mogi Mirim, e dos quatros grandes. O Bugre, porém, tem tudo para se classificar, especialmente porque terá pela frente jogos mais fáceis teoricamente, excluindo o derbi no Majestoso e o jogo contra o Palmeiras, que será no Brinco de Ouro.


A GOLEADA DA PONTE

Ontem, encerrando a rodada, a Ponte conseguiu impor uma goleada impiedosa ao Paulista de Jundiaí, tradicional adversário, por 4 a 1. O mais importante, porém, foi ter jogado, desta vez,  um futebol vistoso,  solidário e eficiente, o que não vinha acontecendo nos últimos jogos, mesmo com as vitórias magras. Roger, Guilherme, Gerson e Rodrigo Pimpão, fizeram os gols da equipe campineira e Rychely descontou para o Paulista. Desta vez a defesa foi firme, o meio de campo criativo e o ataque eficiente. A descida dos laterais Guilherme e Wendel  e a velocidade de Enrico no ataque foram fundamentais à estratégia alvinegra para vencer a partida. A Macaca consolidou sua posição no G8 e está agora no 6º lugar, com 24 pontos, um à frente do Bugre. O derbi de daqui a 15 dias promete.

O CLÁSSICO SÃO PAULO E PORTUGUESA (Clássico?).

 Mesmo saindo na frente, com um gol do centroavante Ricardo de Jesus (aquele mesmo que foi artilheiro pela Ponte Preta no Campeonato Brasileiro da série B do ano passado), a Lusa não conseguiu segurar o São Paulo e o tricolor saiu daquilo que a imprensa paulistana ainda saudosa de outros tempos insiste em chamar de “clássico” com a vitória por 2 a 1.  Tomando consciência da realidade da situação de sua equipe no campeonato (a Globo chegou a apontar a Portuguesa como a 5ª. candidata ao título do Paulistão, depois dos quatro grandes), o técnico  Jorginho jogou a toalha e afirmou aquilo que todo mundo sabia, ou seja, que desistia de tentar o título (título?) e passava a lutar, daqui para a frente, contra o rebaixamento. Sem dúvida, no 14º lugar, com apenas 14 pontos, a Lusa está a apenas 5 pontos da zona de rebaixamento, muito mais próxima do que do G8 (o Bragantino, que ocupa o 8º lugar, está com 22 pontos). É hora da Lusa começar a se preparar para a dureza do Campeonato Brasileiro da Série A, se não quiser experimentar o sabor do descenso no mesmo campeonato em que volta da 2ª. divisão.

RAPIDINHAS

1.     Finalmente no retorno à Ponte Preta, o centroavante Roger fez o seu gol. Foi ontem, o primeiro da goleada de 4 a 1 sobre o Paulista;

2.     Esse Romarinho do Bragantino é um atacante rápido e insinuante. No jogo contra o Bugre, me chamou a atenção. Ontem, apesar da baixa estatura fez um gol oportunista de cabeça, importante para o seu time no empate de 2 a 2 com o Guaratinguetá, fora de casa. Olho nele!

3.     Foi pênalti mesmo de Antonio Carlos sobre o Fabinho, no sábado, no Pacaembu. A opinião é do experiente e aposentado árbitro, Leonardo Gaciba, que atualmente comenta arbitragem na Rede Globo. O árbitro viu o lance mostrado pela televisão várias vezes e não teve dúvidas em apontar o acerto do árbitro José Cláudio Rocha Filho, no lance. É que muitos corintianos manifestaram-se na rede social, afirmando que o pênalti não existiu;

4.     Esse time do Botafogo de Ribeirão está completamente desarrumado e desestruturado. Não acredito que seja tão ruim assim. O atual técnico, Wagner Benazzi chegou a desanimar ontem, depois do terceiro gol tomado pelo seu time. O que se viu foram vários jogadores palmeirenses trocando passes dentro da área do adversário e concluindo a gol,sem qualquer marcação. Assim, não dá mesmo e a casa vai cair;

5- Belíssimo o gol de Luis Fabiano, o segundo do São Paulo contra a Lusa, no Morumbi. Lembrou o atacante da Seleção Brasileira. Tomara que o jogador volte a ser aquele que um dia foi chamado de "Fabuloso". A Copa de 2.014 está aí.


Até amanhã, amigos.










domingo, 11 de março de 2012

CAUSAS & CAUSOS - JOLUMÁ E A MÁQUINA VOADORA


Boa noite amigos,

Em 2.006, escrevi este "causo" acontecido quando eu ainda era escrevente de cartório no Fórum de Campinas. O conto está no livro Causas & Causos n. I, da editora Millenium, atualmente com edição esgotada.

JOLUMÁ E A MAQUINA VOADORA.


“Deixemos que nos invada o sonho de Ícaro. De voar. Voar. Voar para a liberdade. Voar para fazer Justiça acima dos limites do tempo e do lugar. Que nossas asas, contudo, não sejam de cera, mas asas que, sólidas, não derretam quando expostas à luz do sol”(Jamil Miguel).

Jolumá era um simpático funcionário de Cartório de Registro de Imóveis, cumulando essa função habitual com a de poeta e radialista.

Habituado à expedição de certidões, datilografava praticamente o dia todo.


Depois de anos executando esse serviço, tomara-se um “az” no manejo da máquina, uma velha e potente “Remington”, que conservava com carinho e absoluto zelo, por décadas.

Gabava-se de ser um dos mais, senão o mais ágil datilógrafo de toda a Comarca, suposição alimentada pelo Oficial do Cartório, que vivia elogiando o Jolumá aos demais colegas e, sobretudo, às visitas, incluindo a do Juiz Corregedor, por ocasião da Correição anual.


Com o Jolumá a máquina não anda, corre, ou melhor, voa, dizia o Oficial do Cartório.

Nem tanto Seu João Luiz, é exagero,respondia o serviçal, sem muita convicção ou falsa modéstia.

Não é que seus colegas, capitaneados pelo Rubinho, gozador emérito, resolveram aprontar em cima do Jolumá e da fama que se espalhara a respeito de seus dotes de exímio datilógrafo.


No dia marcado para a correição anual, na presença do novo Juiz Corregedor, o Rubinho vira-se para o Sr. João Luiz, sugerindo:


_Oi patrão, peça pro Jolumá fazer uma pequena exibição de seu dom de datilógrafo ao Meritíssimo.


O Juiz ficou curioso:


_Do que se trata?


_Ah, Excelência, não é nada. E que nós temos um funcionário aqui no Cartório, já de meia idade, que “bate à máquina” uma enormidade e o pessoal admira muito ele.


— É rápido mesmo?, indagou o Magistrado.


Com o Jolumá a máquina não anda, corre, ou melhr voa, Excelência, falaram todos os colegas ao mesmo tempo, imitando o Escrivão.


_Ô Jolumá, faça uma pequena demonstração de seus dotes para o para o nosso estimado Corregedor.


E virando-se para o Magistrado:


_Isso se Vossa Excelência não se importar?


Homem que economizava palavras, meio sisudo, limitou-se o Magistrado a aquiescer com um aceno positivo.


O Jolumá, cheio de si, senta-se pomposamente em posição de quem vai cumprir uma árdua e importante missão.


Um, dois e já!


Dispara a bater a primeira linha do texto, o que faz muito rapidamente, mas ao dar primeiro toque para mudar de espaço, o carro da máquina, depois de deslizar completamente, despreende-se do corpo e voa para fora cerca de dez metros, só parando depois de se chocar contra a parede.


O Jolumá, o Juiz e o Escrivão tomaram um susto.


Todos os demais, porém, rolaram a gargalhar, como que esperando pelo inusitado acontecimento.


É que tinham, sem que ninguém mais o soubesse, soltado os dois grandes parafusos que prendiam o carro da máquina de escrever ao resto do equipamento.


Mas o fato é que o Jolumá, o Juiz e o Oficial do Cartório continuaram com a impressão de que a máquina, naquela manhã, sucumbira diante do talento e da rapidez do datilógrafo.


E foram espalhando isso, durante muito tempo, por todos os lugares pelos quais passavam.


—Naquele dia, a máquina até voou, de verdade, na frente de várias testemunhas, se você duvidar, repetia o Jolumá."

Até amanhã, amigos.

P.s.: a imagem que ilustra a coluna é do Sr. Idalício, um dos mais antigos funcionários públicos da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e foi emprestada do site: http://www.flickr.com

sexta-feira, 9 de março de 2012

GUARANI F.C. - O PRIMEIRO JOGO DA FINAL DE 1978 CONTRA O PALMEIRAS NO MORUMBI


Boa noite amigos,

Na noite do dia 10 de agosto de 1.978, às 21,00 horas de uma quinta-feira, aconteceu o trigésimo primeiro jogo do Guarani pelo Campeonato Brasileiro de 1.978, correspondente à primeira das duas partidas, envolvendo os finalistas do torneio: Guarani e Palmeiras.  O palco foi o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, conhecido como Morumbi, em São Paulo. O público presente foi de 104.526 espectadores, entre 99.829 pagantes e 4.697 menores. A renda somou Cr$4.969.690,00, moeda da época. No apito, o conhecido árbitro, hoje comentarista de arbitragem da Rede Globo de Televisão, Arnaldo David Cezar Coelho, com os bandeiras Júlio Cesar Cosenza e Amaury Ponciano de Aguiar, todos do Rio de Janeiro. Em jogo nervoso e equilibrado, mas com duas bolas palmeirenses tiradas de cima da linha pelo zagueiro Gomes e pelo lateral Mauro, estava  sem abertura de contagem até os 25 minutos da etapa complementar. Daí aconteceu o inusitado. O goleiro irascível  Leão, do Palmeiras, já de posse da bola,  deu uma cotovelada no jovem centroavante Careca, de 17 anos (foto que ilustra a coluna hoje e foi emprestada do site www.gazetaesportiva.net/blogs/blog),   que ameaçava atrapalhar a cobrança de tiro de meta. O árbitro não teve dúvidas: apontou a marca da cal, ou seja, pênalti em favor do Bugre e expulsou o goleiro palmeirense, que ficou inconformado, fazendo declarações aos jornalistas que cobriam o espetáculo de que o árbitro era ladrão. O episódio foi muito comentado e entrou para a história. Como o técnico Jorge Vieira já tinha feito as duas substituições permitidas, o atacante Escurinho teve que ir para a meta.  Assim, cobrando pênalti, aos 26 minutos do segundo tempo, o meia Zenon fez 1 a 0, no goleiro improvisado,  resultado mantido até o final do jogo. O Guarani ia para a segunda e última partida a ser disputada no Estádio Brinco de Ouro da Princesa em Campinas, com a vantagem de um gol e uma vitória. O Palmeiras do técnico Jorge Vieira,  jogou e perdeu com Leão, Rosemiro, Marinho Perez (Zé Mário), Alfredo e Pedrinho, Jair Gonçalves, Toninho Vanusa e Jorge Mendonça; Silvio (Escurinho), Toninho e Nei. O Guarani do técnico Carlos Alberto Silva,  venceu formando com Neneca, Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato (Manguinha) e Zenon; Capitão, Careca e Bozó (Adriano).

Veja, abaixo, o vídeo mostrando o inusitado pênalti e a cobrança por Zenon, além de uma síntese dos principais lances da partida. Ate amanhã.


        

terça-feira, 6 de março de 2012

ARTE E DIREITO - UMA CONEXÃO POSSÍVEL (E DESEJÁVEL)


Boa noite, amigos,

Estou convencido hoje, em plena maturidade, quanto à importância de uma efetiva  vivência  e de cultura geral mínima, para o bom exercício de carreiras jurídicas. E também quanto ao papel das artes em geral, na formação do jurista. A arte, nas suas variadas expressões, é um meio profundo de humanização da pessoa e do profissional. Muito já se disse sobre a arte. Para D’Uzarn-Freissinet, a “arte é o sentimento das coisas humanas unido ao pressentimento das coisas divinas” ou que “O fim da arte não é convencer, mas comover”, na opinião de Vargas Vila. Por certo,  razão também tinha Emile Zola, ao asseverar  que “a arte é a natureza vista através de um temperamento”.  O que a arte tem, no meu modo de entender, de mais positivo para o homem, é a demonstração ou  evidência de que há vários modos de vida, múltiplas formas de verdades racionais e sensíveis, enfoques, pensamentos, convidando todos nós,  a cada momento, a experimentar a sensação de um mundo de  diversidades e, pois,  da necessidade de pensar e respeitar todas as opiniões, todas as sensações, todas as opções. Pois bem, formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre e doutor em Literatura Inglesa pela mesma Universidade, o Doutor JOSÉ GARCEZ GHIRARDI (imagem emprestada ao site solteagravata.com),  é professor de um curso ou  disciplina, que não consta, nem do currículo mínimo imposto pelo Conselho Federal da Educação, nem do currículo expandido das maiores e principais Faculdades de Direito do país. Trata-se da disciplina, Artes e Direito, ou do curso que recebe esse nome, no Direito da Fundação Getúlio Vargas.  O tema é extremamente interessante e busca evidenciar a necessária conexão entre Arte e Direito,  e por ele acabei me interessando profundamente. Li a reportagem que o culto professor deu para o jornal Tribuna do Direito (ano 16, n. 201). Gharcez, ao tratar sobre a conexão ente Arte e Direito, considera que “A grande maravilha é que o outro é diferente, o outro é complexo, e o Direito precisa de alguma maneira coordenar, de maneira comum, a vida de pessoas que são diferentes. O grande interesse do curso de Artes e Direito é explorar o contínuo ideológico entre a arte e o Direito”.  Outras afirmações importantes que se colhe do texto da entrevista por ele concedida à repórter Eunice Nunes:  1) Não é possível ter bons advogados, bons juízes, bons promotores e procuradores, se não se tiver seres humanos, com uma formação ampla; 2 – A arte, justamente porque quebra o paradigma do Direito (que é muita linearidade verbal, a lógica de causa e consequência, a lógica demonstrativa), obriga a assumir uma posição em que o linear não predomina necessariamente, em que as conexões não são  de antes e depois, mas de simultaneidade, em que não há uma verdade única, mas uma pluralidade possível de verdades construídas, e ajuda a formar um jurista mais sensível; 3- Arcabouço simbólico é a maneira como se acredita que o mundo seja; 4 – A sensação de bem-estar, em grande parte, é uma sensação comparativa; 5- Será que a universalidade da lei, que é necessária,a impessoalidade, é o instrumento mais adequado para lidar com sociedades que são tão diversas, tão plurais, tão complexas como as atuais? Isso vai ficar para a discricionariedade dos juízes? Mas cadê a segurança da democracia? Como é que se resolve? Porque talvez não seja o ideal a lei ser universal, abstrata e impessoal, mas o que é melhor do que isso? Consegue-se sentir a incapacidade do sistema que temos, mas não se consegue formular um sistema que seja melhor.” Na entrevista o professor fala de sua experiência em sala de aula, com a utilização de vários instrumentos artísticos, dentre os quais filmes escolhidos pela temática e pela forma com que os roteiros exploram certas mensagens e visão do mundo e das coisas essenciais. Garcez acaba de lançar um livro, pela Editora Almedina, cujo título é O MUNDO FORA DE PRUMO: TRANSFORMAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA EM SHAKESPEARE. E a escolha recaiu sobre o autor inglês pelo fato de que ele apresenta em sua obra “o embate entre estruturas simbólicas e desejo de expressão, sendo essa também uma angústia que se manifesta de maneira recorrente nos tempos atuais. Vamos conferir!

 Até amanhã amigos.

domingo, 4 de março de 2012

CAMPEÃO DA LIBERTADORES X CAMPEÃO BRASILEIRO E OUTROS JOGOS DA RODADA


Boa noite amigos,

Há meia hora terminou a rodada do Paulistão, com o final dos jogos das 18,30 horas do domingo (continuo inconformado com esse péssimo horário para o futebol). Em Piracicaba, o  São Paulo achou um gol aos 44 minutos do segundo tempo e venceu o lanterna do campeonato, o nosso querido XV de Novembro, pelo placar de 1 a 0 e conseguiu encostar nos primeiros colocados. Um jogo  sem inspiração de ambos os protagonistas, em que o time da casa, em péssima situação no campeonato, preferiu armar uma retranca e tentar um gol num contra-ataque qualquer. Quase conseguiu. Mas ainda desta vez não contou com a sorte, que parece ter abandonado a equipe neste campeonato. Incrível foi o gol perdido pelo centroavante William José, com o goleiro totalmente batido e o gol escancarado. Vejam em vídeo na internet ou nos programas esportivos de hoje e de amanhã, na TV. A Ponte Preta também não fez uma boa partida contra o Comercial, no Majestoso. Mas apesar disso, somou a segunda vitória consecutiva (1 a 0),  em cima de outro adversário de Ribeirão Preto (no meio de semana tinha vencido o Botafogo, fora de casa, pelo placar de 2 a 1)  e manteve-se na oitava colocação, agora com 21 pontos. O Bragantino confirmou a fase de recuperação e ontem, em Bragança, ganhou do Guarani por 1 a 0, apesar de ter sofrido pressão do adversário durante todo o segundo tempo. O Bugre é que não anda bem. Foi a terceira derrota consecutiva do time, depois de uma série de cinco vitórias, mas a gordura adquirida antes,  garantiu a manutenção da equipe  no G8, agora em 6º lugar, com 22 pontos, unzinho só a mais que o Bragantino e a Ponte Preta, que ocupam, respectivamente, a 7ª. e a 8ª. colocações. É hora de reação, embora o próximo adversário seja nada mais, nada menos, do que o Corinthians, lá no Pacaembu, sábado que vem. O Palmeiras parece ter voltado à rotina. Depois de boas vitórias, hoje não passou de um empate sem gols, em casa,  com o São Caetano. O Azulão não armou retranca, jogou de igual para igual e também poderia ter vencido o jogo, assim como o Verdão também perdeu chances reais. Mas o grande jogo da rodada, pelo menos em tese e na expectativa,  foi Santos e Corinthians, na reabertura da Vila Belmiro. Sobre esse jogo vale a pena as anotações que seguem:

1)    Era o jogo do campeão da Libertadores contra o campeão Brasileiro. Daí a presunção justificada de que envolvia os dois melhores times do Brasil no momento, embora os títulos sejam do ano passado e os campeões não tenham enfrentado, desde então, os demais grandes do Brasil;

2)    Nas estatísticas, tínhamos também o líder do campeonato (o Timão), dono da melhor defesa, contra um time em franca recuperação (o Peixe), que depois de um começo ruim na competição regional, quando jogou com um time reserva, se recuperou e vem de seis vitórias consecutivas, sendo detentor do melhor ataque, dentre os 20 participantes;

3)    Tite poupou alguns titulares por causa do jogo de 4ª. feira, contra o Nacional do Paraguai,  pela Libertadores. Muricy, não. Entrou com o time principal e todas as estrelas, incluindo, Rafael, o uruguaio Fucile,  Neymar e Ganso, embora também jogue na 4ª. feira, contra o Internacional de Porto Alegre,  pelo mesmo campeonato, precisando da vitória;

4)    O jogo ficou aquém da expectativa. Esperava-se mais tecnicamente.  Muito movimentado nos dois tempos, mostrou um Corinthians, cuja força está no conjunto, e que buscava nitidamente antes se defender,  contra um Santos de características e vocação ofensivas. O Santos foi melhor nos dois tempos e a sua vitória, pelo placar de 1 a 0, foi justa;

5)    Com a derrota do Corinthians, o Palmeiras é o único ainda invicto do campeonato;

6)    Neymar não jogou bem hoje. Tentou, de todas as formas, pelo meio e pelos dois lados do campo, criar jogadas, mas parou na boa marcação dos corintianos. Quando conseguiu vencer a marcação, não acertou o gol. Mas é claro, incomodou profundamente. Uma jornada sem muita inspiração de nosso maior craque, no momento;

7)    Ao contrário de Neymar, Paulo Henrique Ganso fez uma grande partida, como nos velhos tempos,   sendo decisivo, pelo genial passe que deu a Ibson, na jogada do gol. No mais esbanjou categoria, comandando o meio campo,  fazendo lançamentos precisos e preciosos. É bom vê-lo voltando à velha forma;

8)    Tite escalou Adriano como titular. Mas o jogador, nitidamente fora de forma, “não entrou em campo” como se diz na gíria futebolística. Lento, confuso e dominado, não ganhou praticamente nenhuma jogada. Teve apenas uma boa chance e um chute a gol, para fora. Está longe do Adriano de outrora. Aquele,  do São Paulo e da Seleção Brasileira;

9)    Gosto muito do futebol do  jogador William, o número 7 do Corinthians. Mas hoje também não era dia dele. O jogador sofreu faltas, fez faltas, se irritou, porém errou demais. Foi um  dos destaques negativos do clássico;

10)                      Ibson, ex-flamengo, autor do gol santista, está em estado de graça. Um jogador habilidoso, inteligente e rápido, parece viver o seu melhor momento agora no Santos. Ibson fez outra vez uma boa partida, a exemplo do que aconteceu no meio da semana, quando marcou o primeiro gol do Peixe, contra o Guarani, aqui em Campinas;

11)                      O goleiro Rafael, que viajou com a Seleção Brasileira com Neymar e Ganso no final da semana passada, para o amistoso de 3ª. feira, retornou ao gol e cometeu uma falha grotesca. Ao tentar chutar a bola com o objetivo de  encobrir Jorge Henrique, acabou permitindo que o atleta corintiano interceptasse a bola praticamente em frente ao gol. Não fosse a intervenção precisa do zagueiro Durval, provavelmente a jogada terminaria em gol do adversário. Humilde, o goleiro admitiu aos repórteres, no final do jogo, a sua falha e atribuiu a Deus (graças a Deus), e aos seus companheiros, a ausência do prejuízo;

12)                      Em jogada do início da etapa complementar, o jogador Edu Dracena interceptou, próximo da linha de fundo, uma bola do atacante corintiano. Na tentativa de evitar o escanteio, o goleiro Rafael saiu rapidamente, conseguindo ficar com a bola. Os jogadores corintianos consideraram irregular a jogada e cobraram do árbitro a marcação da falta. O árbitro não marcou. E estava certo. O zagueiro não teve a intenção de atrasar a bola com os pés para o goleiro. Chutou-a para a linha de fundo. O goleiro não estava impedido de tentar evitar o escanteio, correndo atrás da bola, como fez, com sucesso.  A regra não permite é que o jogador atrase a bola intencionalmente para o goleiro, com os pés. Da mesma forma, não há irregularidade, quando o zagueiro chuta a bola, ela bate em outro jogador, seja de seu time, seja do adversário, ou em um obstáculo, indo para as mãos do goleiro.

13)                      Dá gosto ver esse Corinthians de Tite. É um equipe com espírito coletivo. Todos os jogadores correm, marcam e se esforçam seja na defesa, no meio ou no ataque. É verdadeiramente uma equipe solidária,  guerreira, que supera eventuais limitações do elenco, com garra. Por isso chega onde está, no topo da tabela. Por isso também, no ano passado, conquistou o campeonato brasileiro, sem ser, acredito, a melhor equipe dentre todas, no papel.  É isso que a fanática torcida sempre esperou dos atletas que vestem essa camisa. Respeito pela camisa e pela tradição da equipe de maior torcida de São Paulo e a segunda do Brasil.



P.S. - Na foto que ilustra a coluna os jogadores Borges (do Santos) e Alex (do Corinthians).  A imagem foi emprestada do site goltvaovivo.com.br

Até amanhã.


sábado, 3 de março de 2012

ARTE CAMPINEIRA - A PINTURA DE ALEXANDRE MELO

Boa noite amigos,


Hoje é sábado e vamos falar um pouco de arte e de artistas competentes de nossa cidade. Há tempos, quando vou à Feira de Artesanato do Cambuí, que funciona aos sábados e domingos pela manhã, tenho minha atenção voltada para os quadros de um artista aqui da terra. Gosto do estilo solto, mas denso. Das motivações e das cores. E também das dimensões desproporcionais utilizadas às vezes, com que o pintor procura dar ênfase ou destaque.  Marquei uma entrevista. E hoje conversamos informalmente ali mesmo, pois ele trabalha sozinho e não pode se ausentar da banca onde comercializa as suas telas. Começou dizendo que  na infância  já se encantava com os desenhos, traçados e linhas elaborados  pelo  irmão mais velho. Depois, na adolescência, sentindo-se habilitado para tarefas manuais, foi trabalhar na pintura de faixas e letreiros, utilizando todo o material pictórico com muito engenho e atenção voltada  para a combinação de cores. O destino estava mais ou menos traçado. Curso universitário? Bem, na área de Artes Plásticas, claro.  Graduou-se em Artes pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas em 2.000, com Licenciatura.  E fez Especialização na Universidade Estadual de Campinas, concluindo-a  em 2.010. Sua vida profissional começou propriamente com escultura em argila, para depois, gradativamente, migrar para a pintura, que agora é a categoria em que trabalha com   exclusividade. A par dos quadros e de sua comercialização (feita apenas no espaço que ocupa todos os sábados e domingos na tradicional feira de artesanato do Centro de Convivência Cultural de Campinas) dedicou-se ao Magistério no ensino médio em escola pública  na periferia de Campinas. Tem fregueses na cidade, no Estado, no País e até no Exterior.  Há muitos anos,  o jornalista e comentarista esportivo Carlos Batista, que comanda um programa  local  na TV Bandeirantes, em  ocasiões do derbi campineiro, a ele encomenda a pintura de um  quadro alusivo ao evento, que é entregue como presente da emissora  ao melhor jogador de Guarani ou Ponte Preta, conforme o caso. É a sincronia entre a arte que faz deslizar a bola pelos campos e a que decorre da inspiração e de mãos que deslizam competentemente o pincel sobre  telas.

A ENTREVISTA

Se a arte se aprende na escola? Bem, ficamos no meio-termo. Não podemos dizer que a arte dispensa a habilidade, mas o talento também decorre do estudo e do empenho de alunos interessados. Como professor muitas vezes observo alunos que demonstram dificuldade e são menos hábeis que outros.  Mas  vão superando a falta de habilidade inicial,  com bastante dedicação e empenho e o auxílio imprescindível do mestre. 

O meu estilo sempre foi o mesmo. Posso chamá-lo de estilo “figurativo”. Meus quadros retratam personagens e realidade, com motivação brasileira e ênfase  na Bahia,  no nordeste, praias, morros e  periferia. Acrescentaria que na minha obra três coisas são recorrentes: muitas cores fortes, movimento e falta de proporção proposital. Claro que com o passar do tempo e a maturidade você vai se aperfeiçoando. Hoje a toque do pincel é diferente e uso também a  espátula para  obter maior densidade, quando é preciso.

Viver de arte no Brasil é praticamente impossível, a não ser para muito poucos. Mas o importante é a produção, a exposição e a educação para a arte. Às vezes recebo alunos aqui na feira, elogiando este ou aquele trabalho, esse ou aquele detalhe. E olha, não sinto diferença entre o aluno mais modesto de escola pública e os mais aquinhoados, que em tese teriam condições de melhor conhecer,  apreciar e entender trabalhos artísticos. Há períodos em que aqui na Feira, vendo muitos quadros. Outros que por razões que desconheço, a procura é pequena. Penso que essa dificuldade não é exclusivamente brasileira, mas afeta artistas de todo o mundo.

Penso que a  minha pintura sofreu influência especialmente de dois grandes pintores brasileiros: Candido Portinari e Di Cavalcante.
OPINIÃO
Os quadros de Alexandre Melo, como se pode observar e ele mesmo considera, retratam personagens em situações diversas,  seus dramas e alegrias , os quais busca captar de forma autêntica e subjetiva.  As cores utilizadas  são fortes, dando um toque de intensidade para a mensagem que se busca traduzir. Essa intensidade ora é enfatizada por cores ou luzes, ora pela desproporção de algum detalhe.  As telas  se adaptam com perfeição a ambientes modernos, sem evidentemente, excluir outros, assunto que não é da minha área e sim  afeta aos decoradores e designers de ambiente.
P.S. (1) O figurativismo ou pintura figurativa representa temas como pessoas, objetos como por exemplo uma mesa, uma paisagem ou uma flor e que pode ser realista ou estilizada. A ele se contrapõe a chamada pintura abstrata que não se preocupa em representar objetos e se expressa por si mesma. Ela é um objeto de arte e não a representação de alguma coisa. Ambas, porém, podem expressar estados emocionais indiferentemente;

P.S. (2) O Renascimento, o barroco e o realismo são citados como exemplos de estilos artísticos nos quais o figurativo predomina, mas o chamado figurativo realista. Já o impressionismo e o expressionismo também são figurativos, mas menos preocupados com a representação fotográfica da realidade (fotorealismo);

P.S. (3) Candido Portinari conseguiu retratar questões sociais em suas obras, sem desagradar ao governo e aproximou-se da arte moderna européia. Suas pinturas se aproximam do cubismo, do surrealismo e dos pintores muralistas mexicanos, sem, contudo, se distanciar da arte figurativa e das tradições da pintura. O resultado é uma arte de características modernas.

P.S. (4) As observações acima foram extraídas do site pt.wikipedia.org;

P.S, (5)  A biografia e a obra completa de Alexandre Melo pode ser conferida no seu site www.artmelo.com. 

P.S (6) Duas observações quanto à opinião por mim manifestada: a) não sou especialista no assunto, mas simples admirador; b) acredito, como alguém que não me lembro já afirmou que "a arte não é para ser entendida, mas para ser sentida",  e o meu juízo é mero reflexo do que sinto e imagino, podendo, é claro, nada ter a ver com a proposta ou a  mensagem do autor. 

P.S. (7) Imagem 1 - O artista Alexandre Melo; 2 - Quadro: Casario;  3) Derbi Campineiro.

 Até amanhã amigos.