quarta-feira, 18 de julho de 2012

CINEMA - PARA ROMA COM AMOR


Boa noite amigos,

O genial, inimitável, polêmico e controvertido ator e diretor Woody Allen está mais uma vez nas telas dos cinemas, com um novo filme de sua fase européia que começou com VICK CRISTINA BARCELONA, de 2.008, passando pelo ótimo MEIA-NOITE EM PARIS (2.011), o seu  maior sucesso de bilheteria e que teve indicação para o Oscar da Academia de Hollywood. Desta feita a homenagem  é a  Roma,  a Cidade Eterna, resultante  de encomenda da produtora italiana Medusa Film, uma das empresas do grupo comandado por Silvio Berlusconi, que financiou o longa. O título em inglês é To Rome With Love, traduzido fielmente no Brasil, como PARA ROMA COM AMOR.  São quatro histórias tendo como cenário a capital italiana e seus belos pontos turísticos conhecidos: Fontana di Trevi, Piazza de Spagna, Coliseu, Piazza Navona, etc., fotografados sob a batuta do iraniano Darius Khandji, o mesmo de “Meia-Noite em Paris”. Num dos segmentos, um casal americano (Woody Allen e Judy Davis), viajam para Roma, onde reside a filha (Alison Pill), para conhecer os pais de seu namorado italiano (Flávio Parenti). Aposentado como empresário do mundo artístico voltado para a ópera, mas inconformado com a aposentadoria, Woody julga ter descoberto, com seu faro de caça-talentos, no pai do namorado da filha, que ganha a vida como um agente funerário (Fábio Armilato), um talentoso tenor. O problema, porém, é que ele só canta bem no chuveiro. Na outra história, dois jovens recém-casados do interior da Itália (Alessandra Mastronardi e Alessandro Tiberi) viajam para Roma e ali se desencontram, quando ela resolve procurar um cabeleireiro e se perde na caótica capital. O quarto onde se encontra o marido é invadido por uma prostituta (Penelope Cruz), previamente paga para fazer programa sexual, mas ela erra de quarto e de freguês, e acaba  obrigada a passar pela esposa, diante  da presença inusitada de familiares conservadores do rapaz. No terceiro segmento, um velho arquiteto da Califórnia (Alec Baldwin) visita a Itália com um grupo de amigos e passeando sozinho próximo do local onde residiu na juventude, encontra um jovem arquiteto, Jack (Jesse Eisenberg), que mora com a namorada (Greta Gerwig), mas se vê envolvido com a presença de uma visita, a jovem Monica (Ellen Page). O  velho arquiteto então, de forma imaginária, se converte numa espécie de consciência experiente do jovem, dando-lhe conselhos enquanto os fatos se desenrolam. Por fim, no quarto segmento, um cidadão comum, Leopoldo (na pele do impagável Roberto Begnini), se converte, do dia para a noite, sem saber por que e sem motivo aparente, numa celebridade, perseguida pelos paparazzis e foco do interesse da mídia em geral, por sua vida e coisas banais (como e quando faz a  barba, marca e cor de sua cueca etc.). Uma bem humorada  crítica às celebridades do mundo moderno, criadas e destruídas  pela mídia, tema sobre o qual Allen já discorrera mais longamente no filme “Celebridades” de 1.998. Uma Penelope Cruz “a la Sophia Loren” e um divertido Begnini, lembrando os velhos comediantes italianos, sinalizam a intenção do diretor de prestar homenagem aos filmes de formato comum do cinema italiano dos anos 1.960 e 1.970. Vi e gostei do filme. Concordo com o comentarista Roberto Guerra que se trata de uma “agradável, divertida e inteligente comédia” (www.cineclick.com.br), na qual o diretor não só mostra a bela capital da Itália e seu encantos, como perscruta, com aguçada observação,  a natureza humana e suas manifestações. De maneira geral, a crítica é favorável, embora reconheça, como também reconheço, que Meia-Noite é Paris é um filme melhor concebido e realizado. Mas, amigos cinéfilos,  não deixem de ver. O que é regular em Woody Allen ainda é sempre muito bom, pois os comparativos e conceitos são sempre estabelecidos com os seus próprios filmes, alguns deles verdadeiras obras-primas da sétima arte.

Até amanhã.




segunda-feira, 16 de julho de 2012

PESCARIA ESPORTIVA NO CANAL DO PANAMÁ

Boa noite amigos,
A pescaria esportiva é prática que aumenta no mundo inteiro. E para os pescadores verdadeiros, aqueles que apreciam a arte da pesca amadora, não há nada neste mundo que dê tanto prazer. E isso é tão certo que a maioria deles enfrenta as mais adversas situações para poder encontrar um recanto novo, aqui ou no Paraguai, na África ou na América Central, que possibilite uma aventura ainda não experimentada e muito menos previsível. Pois bem,o nosso prezadíssimo amigo, o conceituado advogado Vicente Ottoboni Neto é desses pescadores que aceita e vibra com qualquer desafio que garanta uma grande pescaria, em águas tranqüilas ou agitadas. Adrenalina pura! A última viagem de recreio do Vicente foi para o Panamá, país da América Central de 2.800.000 habitantes, 1.000.000 dos quais vivem na Capital, a Cidade do Panamá. Ali, no país do Canal do Panamá, ligação entre os Oceanos Pacífico e Atlântico, a paisagem é magistral. Foto abaixo mostra uma das que se pode avistar e  fotografar. Garante o Vicente que a pesca amadora no Panamá é muito famosa e difundida e para lá seguem pessoas do mundo inteiro, tanto que a economia do país depende preponderantemente do turismo e do comércio, a despeito de um razoável polo industrial e uma agropecuária, um tanto diversificada. A pescaria ocorreu próximo da cidade de David ou San Jose de David, quase na fronteira com a Costa Rica, em águas do Pacífico,  quentes no local por força do vento que sopra de Miami (Flórida). A pesca do atum amarelo (foto acima), que chega a pesar 100 quilos e se pega com isca artificial (o “Popper”) é uma das desejadas possibilidades.  Também se encontra o Xaréu ou xareu, a caranha e o olho de boi (Amber Jack). Além desses, mais populares, há enorme variedade de espécies. As outras fotos que ilustram a coluna dão bem idéia da satisfação de nossos pescadores e do sucesso da pesca em águas panamenhas. Aos amantes da pesca amadora, portanto, uma  belíssima sugestão.
Até amanhã amigos.
  
P.S. (1) O Panamá é uma República e não há desemprego no país. A moeda corrente é o dólar americano e o salário mínimo correspondente a 500 dólares (aproximadamente R$1.000,00);


P.S. (2) O  Canal do Panamá, com suas várias eclusas e lagos existentes de ligação entre os oceanos Pacífico e Atlântico tem os Estados Unidos como seu maior usuário e esteve sob  controle norte-americano até o ano 2.000, quando passou ao domínio do Panamá.

P.S. (3) Em águas panamenhas não se pode nadar. Lembra o Vicente que ali há cobras venenosas, tubarões e crocodilos do mar de 3 a 4 metros de comprimento. Lugar ideal para aventura do nosso amigo Indiana Jones;
P.S. (4) Certa vez o Vicente levou seu filho Rodrigo para pescar, de tanto que  ele  insistiu. Jogando no rio,  de forma desordenada,  a vara de pesca, sem isca alguma,  o menino chegou a fiscar um peixe. É que o anzol enrolou, enrolou e enrolou no tal  peixe,  que  ele veio à tona "bem amarradinho".  
P.S. (5) O atum amarelo, cujo nome científico é Thunnus albacores, é também conhecido como "lajeira", "albacora-de-laje e  atum-de-gralha é um peixe de águas oceânicas encontrado entre a superfície e 100 metros de profundidade. Pode chegar a mais de 200 quilos. Vive  em mares quentes (exceto o Mediterrâneo) e no Atlântico Ocidental. Qualquer que seja a espécie de atum ele é considerado um titã na ponta da linha. É considerado o mais forte e resistente peixe esportivo do mar. Iscas de corrico à meia-água são consideradas infalíveis.

P.S. (6) O norte-americano Mike Livingston conseguiu pescar o maior atum amarelo de que já se tem notícia: ele tem 184 quilos e foi pescado no Golfo do México. Foram 2 horas e 40 minutos de "briga" para que se conseguisse colocá-lo dentro do barco.

P.S. (7)  Para informações prestadas nesta coluna foram pesquisados os sites www.revistapesca.com.br e pt.wikipedia.org/wiki/atum;
 P.S. (8) Há também um episódio em que um japonês,também pescando pela primeira vez, fisgou das águas rasas, um relógio Casio em ótimo estado. Mistérios dos Mares do Norte e do Sul;
P.S. (9) As belas fotos que ilustram a coluna hoje foram fornecidas pelo Dr. Vicente.   Na foto abaixo, o comerciante Beto mostrando o Atum pescado, com  o Vicente à direita, e, à esquerda, o Dr. André Omatti, médico e pescador e Valdemir de Paula.                                                           

sábado, 14 de julho de 2012

RAFAEL CHEGOU. BEM-VINDO RAFAEL

Amigos, boa noite.

Minha casa recebeu neste sábado mais um membro da família. Meu neto, Rafael, nascido prematuramente no último dia 05 de julho, de 34 semanas de gestação da minha única filha Samira e que só hoje recebeu alta do imenso carinho e  cuidado recebido de todos na Maternidade de Campinas, instituição pela qual nutro especial afeição e sobre a qual falarei qualquer dia desses. E como é especialmente emocionante receber esse pequeno ser em casa,  a um só tempo, frágil e potencialmente forte. Uma pessoinha que criou em toda a família um estímulo e um desejo de  vida, de intensidade, de afeto. Por isso peço aos meus amigos blogueiros hoje licença para só falar dele. E dar a ele boas vindas a esse mundo tão belo e ao mesmo tempo tão desconhecido e perigoso. Por isso eu, avô materno, quero apenas dizer ao Rafael que ele é  bem-vindo, que ele foi amado, a cada momento de duração de sua gestação. E que nós, seus parentes,  estivemos grávidos  também, junto com sua mamãe:  a bisavó, eu e a avó materna, os avós paternos. E invocando o poeta Fernando Pessoa sobre os perigos da vida, para quem  “Navegar é preciso. Viver não é preciso”, desejar  "Que a falta  de precisão da vida lhe dê, no entanto, uma contingência de sorte e alegria. E  Que Deus lhe possibilite uma vida de amor, respeito ao próximo e felicidade."
Até amanhã amigos.

P.S. (1): A foto do Rafael que ilustra a coluna hoje foi tirada pela sua avó  materna, na porta de saída da Maternidade de Campinas.




quinta-feira, 12 de julho de 2012

CORINTHIANS E PALMEIRAS - DOIS RIVAIS CAMPEÕES INVICTOS

Boa noite amigos,
Uma semana depois que o Corinthians levantou a perseguida Taça Libertadores, convertendo-se, pela primeira vez, no Campeão da América, para festa de sua imensa e apaixonada torcida, o seu maior rival doméstico, a Sociedade Esportiva Palmeiras obtém, pela segunda vez,  também invicto, o título da Copa do Brasil. Independentemente dos feitos e do mérito das duas equipes para obtê-los, o que não se discute, nenhum dos dois times vai deixar saudades para os verdadeiros amantes do futebol-arte. Os atletas, dedicados, por certo, marcaram e marcarão para sempre, seus nomes na história do futebol brasileiro.  O Palmeiras, o primeiro  no ranking dos títulos nacionais, depois da unificação dos campeonatos nacionais feita pela Confederação Brasileira de Desportos, soma mais um e aos oito brasileiros e um da Copa do Brasil, acrescenta outro, ou seja, mais um título da Copa do Brasil. O Corinthians realiza um velho sonho há muito pretendido pelos seus dirigentes, atletas e torcedores: o título da Libertadores e a possibilidade de disputa e  conquista do Mundial, em dezembro, no Japão. O futebol de São Paulo está de parabéns, sem dúvida. De tudo isso, algumas lições. A Copa do Brasil, um campeonato diferente que reúne clubes das quatro divisões e, alguns, até de divisão nenhuma, quase amadores, numa imensa festa de cunho verdadeiramente nacional, na sua fórmula mata-mata e com exclusão dos grandes que disputam a Copa Libertadores, é o caminho mais curto e lotérico, sem dúvida, para garantir uma vaga na Taça da América, tanto assim que um time que não chegou nem entre os 4 primeiros no campeonato regional de seu Estado, em 2012, logrou – e aqui se deve fazer justiça à equipe – com méritos, a láurea,  vencendo o primeiro jogo das finais em São Paulo, contra o bom Coritiba, pelo placar de 2 a 0  e empatando a segunda e última partida em 1 a 1. O sofrido técnico Luis Felipe Scolari, o Felipão, amargando times ruins e falta de grandes jogadores, pela política de não contratação do sempre conturbado Verdão, enfim, conquista um título que é importante para incrementar o seu respeitável currículo (Pentacampeão pelo Brasil na Copa do Mundo de 2.002, 1 título de Campeão Brasileiro, pelo Grêmio, em 1.996, e 3 e agora 4 títulos da Copa do Brasil (pelo Palmeiras em 1.998 e 2.012, pelo Criciúma, em 1.991, e pelo Grêmio em 1.994),  e afastar a ira dos torcedores, muitos dos quais já manifestavam desconfiança no tocante à sua capacidade como treinador de primeira linha do futebol, reputando-o, no mínimo, desatualizado. Bem, de tudo isso, o que importa mesmo para os torcedores é a comemoração. Nunca se viu tanta gente, de todas as classes sociais, em todos os lugares, exibindo com orgulho, a camisa do Timão. E certamente, a partir de amanhã, a camisa verde do Palmeiras vai desfilar pelas ruas e praças, contrastando com a do rival. E as duas maiores torcidas de São Paulo estarão felizes, cada qual com a sua conquista, pelo menos até o final de semana. É a festa do futebol, a grande paixão nacional.
Até amanhã amigos.
P.S. (1) As imagens que ilustram a coluna hoje, dos dois times campeões, foram emprestadas do blog cilenebonfim.com (Corinthians) e placar.abril.com.br (Palmeiras);
P.S. (2) Transmito o meu abraço ao Juiz e amigo, José Walter Chacon Cardoso, palmeirense de quatro-costados, pelo título hoje obtido pelo seu time. Dá-lhe Chacon! E que Deus conserve o Marcos Assunção, a quem os demais atletas deviam entregar parte do "bicho";
P.S. (3) À outra excelente Juíza e extraordinária pessoa, a amiga Dora Martins (tô com saudade de nossas noites de cantoria)  e ao incorrigível Miltão (Milton José Sartori), corintianos fanáticos, o meu abraço pela grande conquista do Timão, na semana passada.


  

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

CINEMA - HISTÓRIAS CRUZADAS (THE HELP)


Boa noite amigos,
“The Help” é o nome do best seller americano de Kathryn Stockett,  adaptado para o cinema,  que recebeu no Brasil o nome de “Histórias Cruzadas” e, em Portugal, de "As Serviçais".  O drama é  uma produção conjunta de Estados Unidos, Índia e Emirados Árabes Unidos,  de 146 minutos, lançado em 2.011 e que surpreende em muitos quesitos, dentre os quais, o de lançar atrizes quase anônimas, ao estrelato, por interpretações marcantes, além de um roteiro instigante e dinâmico que  prende o espectador durante todo o tempo.   No Estado de Mississipi, anos 60, em época efervescente de gestação dos direitos civis nos Estados Unidos, a jovem Skeeter (Emma Stone), concluindo a faculdade de jornalismo, manifesta desejo de ser escritora, contra a vontade da mãe, que a quer bem casada, como era conveniente às mulheres daquele tempo. Sensível à causa de serviçais negras de famílias brancas, submetidas a um esquema de escravidão, desprezo e discriminação, Skeeter decide por um projeto literário secreto, contando inicialmente com a colaboração de Aibileen (Viola Davis), empregada de sua melhor amiga e que traz uma história dolorosa de morte do filho de 24 anos. A elas se junta Minny (Octavia Spencer), outra serviçal negra corajosa. Mas, por imposição da editora de Nova York,  Skeeter deverá ouvir ao menos uma dezena de mulheres  e suas histórias, transportando-as para um livro de denúncias e, ao mesmo tempo, de incentivo da sociedade branca a encarar  os novos tempos que se avizinham e exigem respeito aos direitos dos negros americanos. Uma história tocante e bem narrada, num ritmo que mantêm curiosidade e suspense até o final.  Indicado para a categoria de Melhor Filme (Oscar, Globo de Ouro). Viola foi indicada para o Oscar de melhor atriz  e Octavia Spencer abocanhou o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, com inteira justiça. O filme foi lançado no Brasil em fevereiro deste ano e agora já está nas vídeos-locadoras. Imperdível. Não deixe de ver. Um dos melhores filmes do ano.

Até amanhã amigos,

P.S. (1) Na foto que abre a coluna hoje (blogs.estadao.com.br),  Octávia Spencer no dia em que recebeu da Academia,  o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante;

P.S. (2) Emma Stone, que antes apareceu em  “A Mentira”, está agora nas telas de todo o Brasil como Gwen Stacy, no filme “O Espetacular Homem Aranha”;

P.S. (3) A outra imagem, da propaganda de divulgação da película, foi emprestada do site switchup.wordpress.com;

P.S. (4) A direção e o roteiro do filme é de Tate Taylor, amigo de infância da autora do livro.  A fotografia é  de Stephen Goldblatti e a trilha sonora de Thomas Newman;

P.S. (5) The Help teve um orçamento de 25 milhões de dólares e surpreendeu crítica e público. Esteve por quatro semanas no Top 10 americano, superando todas as expectativas.

P.S. (6) Segundo Sérgio Luiz dos Santos Prior, enquanto, nos anos 60,  Martin Luther King lutava pelos direitos civis dos negros no espaço macro, Skeeter, Aibileen e Minny, o faziam no espaço micro em que podiam atuar. 








domingo, 8 de julho de 2012

PARÓQUIA DE SÃO BENEDITO - UM TEMPLO HISTÓRICO E SINGELO

Boa noite amigos,
Sou um fanático admirador e defensor da cidade de Campinas. Não tive a ventura de aqui nascer, mas, vindo para cá no distante ano de 1.958, com apenas seis anos de idade, praticamente vivi toda a minha intensa vida familiar, social e de trabalho nesta metrópole. Primeiro no saudoso bairro do Taquaral, de minha infância, mocidade e tantas lembranças. Depois, na Vila Industrial, bairro da primeira morada depois do casamento. Em seguida no Jardim das Paineiras e, finalmente, no Cambuí, nos últimos 20 anos. Gosto de falar da cidade, de suas instituições, de sua beleza e feiúra, conforme o caso, de seus problemas e virtudes, de suas coisas e lugares, esperando compartilhar com os amigos, curiosidades e sensações. Hoje o assunto é um templo católico. Mas poderia ser de outra religião. Os templos são, como Deus, universais. Espaços que nos acolhem para rituais, silêncio, reflexão ou oração. São ainda mais belos e aconchegantes quando vazios. Mas também durante os ritos, como exercício de ecumenismo, tão necessário num mundo em que há disputa pelo poder, pelo dinheiro, palco ainda de guerras e injustiças profundas. A pequena Paróquia de São Benedito, no Centro de Campinas, atrás de um monumento em homenagem à Mãe Preta sempre me chamou a atenção pela beleza de sua fachada e pela suposta singeleza interna. Sim, suposta, porque por incrível que pareça, em 52 anos de Campinas, não me lembro de ter visto o seu interior. Nas muitas vezes que passei por ali, sobretudo nos últimos anos, pelo trajeto que faço entre um estacionamento ao lado da Casa de Saúde de Campinas e o escritório de advocacia dos meus amigos e parceiros, Vicente Ottoboni Neto e Leila Regina Alves, não tinha coincidido de encontrar a paróquia aberta. Há aproximadamente dois meses me deparei com o templo aberto. Não resisti. Entrei. E constatei que efetivamente é uma paróquia singela. Mas profunda, profundamente  bela e aconchegante. Não havia por ali viva alma. Acomodei-me num dos bancos, permaneci  observando calado o seu interior. Senti vontade de rezar e o fiz. Depois me levantei. Lancei mão de meu celular e fui tirando fotos: das paredes, do teto, do altar, dos santos. Depois, na saída também  foto da fachada.  Do lado de fora, a mãe preta me observava. Ama de leite, figura primordial na vida dos brancos de outrora. Aquela que aos brancos cujas mães não podiam ou não queriam alimentar, entregava a seiva da vida. E com ela o amor e a dedicação de uma mãe verdadeira. São Benedito e Mãe Preta, uma dupla de negros.  Belos e fundamentais na história do amor, da solidariedade e da fraternidade entre as pessoas e os povos. P.S. (1) A Paróquia de São Benedito, no centro de Campinas, criou um movimento
denominado Encontro de Jovens com Cristo. Esse movimento visa trazer a juventude para dentro da Igreja Católica.  É extra-paroquiano, o que significa que para participar não é necessário que o jovem pertença àquela paróquia.  Este ano o XXVII  Encontro de Jovens com Cristo acontecerá nos dias 1º e 02 de setembro e as inscrições podem ser feitas na secretaria da Paróquia.
P.S. (2) A Paróquia de São Benedito foi criada em 16 de agosto de 1.966 por decreto de D. Paulo de Tarso Campos,   Arcebispo de Campinas, mas o templo começou a ser construído no ano de 1.839, quando um escravo alforriado, Tito de Camargo Andrade, conhecido como Mestre Tito, decidiu construir uma igreja para que os negros escravos pudessem ter um lugar para orar e realizar rituais, como os brancos. Conseguiu a doação de um terreno anexo ao Cemitério dos Escravos e começou a arrecadar fundos para a edificação do templo. Antes, porém, que pudesse concluí-lo veio a falecer aos 80 anos de idade, no dia 02 de agosto de 1.882. Posteriormente, uma benemérita, Dna. Ana de Campos Gonzaga deu seguimento à sua tarefa de arrecadação de fundos e conclusão da obra. A igreja foi enfim inaugurada no dia 11 de outubro de 1.885. Os retratos de Mestre Tito e Ana Gonzaga foram introduzidos e estão no templo até hoje;
P.S. (3) Em 1.897, em prédio anexo ao templo, passou a funcionar o Colégio São Benedito, a primeira escola para negros em Campinas.
P.S. (4) Desde 1.999, o religioso responsável pela paróquia é o padre Antonio Geraldo Bassi, auxiliado pelos padres Nilson Batista Chagas Pinto e Marco Zuccheto. A paróquia se situa na rua Cônego Cipião, 772, Centro. Telefone (05519) 3234-8269.

P.S. (5) Tendo nascido fora de Campinas, tive a honra de receber, por indicação do então Vereador, Dr. Romeu Santini, o título de Cidadão Campineiro, no ano de 1.997;

P.S. (5) As fotos que se espalham pela coluna hoje  foram tiradas de meu celular no dia em que ocasionalmente fiz  visita ao templo; 

P.S. (6) A conhecida expressão "Mas será o Benedito?" não se deve ao santo. A versão mais aceita é a de que essa indagação teria surgido,  na década de 1.930, em  Minas Gerais, porque o então Presidente Getúlio Vargas estava demorando muito para nomear um interventor para Minas. A demora gerou especulação entre os inimigos políticos do candidato ao posto, cujo nome era Benedito Valadaris (será o Benedito?). E foi. Foi ele mesmo nomeado interventor pelo Presidente Vargas em 12 de dezembro de 1.933. Em sua homenagem foi um município mineiro nominado de Governador Valadares.





terça-feira, 3 de julho de 2012

CORINGÃO NA FINAL E AVÓS

Bom dia amigos,
FINAL DA LIBERTADORES
O que mais preocupa são-paulinos, santistas e palmeirenses que prometem torcer contra o Corinthians amanhã, no final da Taça Libertadores, não é apenas o fato do rival conquistar um título, de caráter internacional, que não tem no seu currículo, mas – e o que é pior – conquistá-lo “invicto”. Sim, porque não há alternativa: ou o Timão perde (a partida de amanhã e o título), ou ganha (no tempo regulamentar, na prorrogação ou nos pênaltis, conforme o caso) e será campeão invicto, uma façanha que, salvo lapso de memória, nenhum time brasileiro conseguiu até hoje. A TV Globo, satisfeita com a audiência recorde em matéria de transmissão esportiva que teve com as partidas entre Santos e Corinthians e entre Corinthians e Boca, na última quarta-feira, tem promovido o espetáculo como nunca o fez. O assunto é introduzido em praticamente todos os programas, além do espaço durante a propaganda e ainda hoje será  tema do Globo Repórter. Os rivais que torcem contra (ressalvo, aqui que nem todos os são-paulinos, santistas e palmeirenses vão torcer contra), estão bravos com o Galvão Bueno pela repetição do slogan “Corinthians é Brasil na Libertadores”. Mas sem querer quebrar o galho do locutor esportivo mais famoso da televisão brasileira, ele já  fez o mesmo com o Internacional, com o São Paulo, com o Flamengo, o Grêmio e todos os times brasileiros que fizeram final da Copa Libertadores. De minha parte já escrevi aqui e volto a escrever: Pelo bem do esporte brasileiro vou torcer para o Corinthians conquistar o título, sem dúvida. Afinal, pior seria torcer para um time estrangeiro. E ainda por cima, argentino, porra?
EXTRAÍDO DO “LIVRO DOS AVÓS – NA CASA DOS AVÓS É SEMPRE DOMINGO?”.
Depois de se referir à fácil e rica comunicação entre as pessoas e entre elas, as coisas e o mundo, existente hoje, em  face da parafernália tecnológica posta à nossa disposição,  e a paradoxal constatação de que a  solidão é um sentimento cada vez mais crescente entre as pessoas, os autores LIDIA R. ARATANGY e LEONARDO POSTERNAK, observam:

“O que acontece? Por que a transmissão de palavras e imagens não é equivalente ao contato pessoal? A questão é que a comunicação afetiva se faz com muito mais do que palavras e imagens: boa parte da transmissão de emoções se dá por sutis mudanças do tom de voz, da direção do olhar, do movimento das mãos, cuja percepção é em grande parte inconsciente. Nada substitui o contato entre as pessoas, com toda a riqueza de cheiros e sabores, saliências e reentrâncias, com as cócegas provocadas pela barba e os rubores e suores que um abraço desvela. É a esses sinais que respondemos, mesmos sem nos dar conta. São esses os disparadores dos sentimentos de cuidado e compaixão.” (Do Capítulo Os “Avós e a Arte de Cuidar”, obra citada, Primavera Editorial).
Feliz observação.
Até amanhã amigos.
P.S. (1) A imagem da coluna hoje foi emprestada ao site musicaparaolhos.wordpress.com e mostra o cantor e compositor Gilberto Gil na companhia do neto, Francisco, filho de Preta Gil, quando juntos seguiam para o cinema para ver o filme “Avatar”;
P.S. (2)  Um dos conselhos do Livro dos Avós, para aqueles que vão ser avós pela primeira vez como eu e ainda vivem a expectativa de como comportar-se com a nova situação e a pessoinha que chega na sua vida: “Não faça com os netos alianças secretas, que excluam os pais, pois isso gera conflitos de lealdades com os quais uma criança pequena não sabe lidar”;