domingo, 13 de julho de 2014

"A ESTRADA DA VIDA" DE FELLINI

Boa noite amigos,

Apesar de minha paixão pelo cinema, confesso que pouco me atraíam, na juventude, os filmes de Frederico Fellini, um dos mais respeitados diretores e cineastas da história universal da sétima arte. Sua obra, incluindo as duas fases em que os críticos distinguem a atuação do diretor (a primeira classificada como do "neorealismo”, e a segunda, mais ou menos enquadrada teoricamente no movimento conhecido como  “nouvelle vague”), certo é que todos reconhecem em sua obra uma singularidade que escapa à tentativa de extremá-lo em qualquer das categorias ou movimentos catalogados. Fato é que, agora na terceira idade, sinto uma necessidade incrível de viajar pelo universo do diretor italiano, pela importância de seus filmes, pela curiosidade que me despertam e pela sua contribuição inegável para a sétima arte. Dentre os longas da primeira fase, merece destaque  “La Strada”, que no Brasil, foi nominado de “A Estrada da Vida” (imagem da coluna de hoje emprestada de screamyell.com.br). Do ano de 1.954, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro,  o longa se passa na Itália do final dos anos 40, um país depauperado e devastado pela segunda-guerra-mundial. O protagonista é  o rude, Zampano, um artista de circo, na pele do insuperável Antony Quinn, que ganha a vida correndo pelo país, exibindo, na lona,  o seu velho e único  número, no qual, contando com os gritos e os suspiros de incautas plateias, arrebenta correntes só com a força de seu pensamento e de sua respiração profunda. Ao seu lado, Gelsomina (Giulietta Masina), é uma jovem ajudante comprada de sua família paupérrima e numerosa, por 10 mil liras. O destino da dupla, a partir de então, é um só, pois a jovem, sem outra alternativa de subsistência,  deve  acompanhar o seu amo nas longas  viagens pelo país, suportando, além das condições precárias de transporte, alimentação e pouso, os maus tratos e a  arrogância do artista.  Aos poucos, porém,  vai entendendo que esse comportamento é decorrente da ignorância e dos recalques daquele homem forjado na vida de luta e sofrimento. A confusão de sentimentos nobres e vis, o amor, o ódio, a culpa, o desrespeito,   a rudeza, a  necessidade de sobrevivência, são aspectos que marcam o caminho indelével desses personagens, que se envolvem profissional e afetivamente, evidenciando a preocupação de Fellini em documentar a natureza humana e as condicionantes decorrentes da pobreza, da falta de cultura e da influência de dogmas impostos por instituições como Estado e Igreja. Em preto e branco, o longa é um drama duro, mas sensível e apaixonante. Para alguns,  esse seria o melhor filme da primeira fase de Fellini e um belo exemplar do chamado “realismo italiano”. Gostei  e muito!

Até amanhã.

P.S. (1) Frederico Fellini desenvolveu sua filmografia composta de 24 títulos entre filmes de ficção, documentários e comerciais, entre os anos de 1.950 a 1.993. Nasceu em 1.920, em Rimini, Itália e morreu em 1.993, em Roma,  tendo tido um único casamento, contraído em 1.943,  com a atriz, Giullietta Masina , protagonista deste filme e de tantos outros do próprio marido famoso.

P.S. (2) Para quem quer conhecer ou já aprecia  Fellini, a obra do cineasta foi documentada em um livro: “Frederico Fellini – Filmografia Completa”, cujo autor é Chris Wiegand, do ano de 2.003, lançada em português pela Editora Taschen;

P.S. (3) Os roteiros e os personagens dos filmes de Fellini, especialmente da segunda fase, são considerados autobiográficos. Mas como é impensável que apenas a realidade deva fazer parte da magia do cinema e daqueles que criam roteiros, parte deles ou das características dos personagens foram inventados, isto é, não representam exatamente o  que é ou foi vivido pelo diretor. Por isso, sem se importar, nem desmentir os que consideravam a sua obra “autobiográfica”,  ele gostava de dizer que era também  “Um grande mentiroso”. Provocação de gênio, sem dúvida.

P.S. (4) A trilha sonora de Estrada da Vida é de Nino Rota, habitual colaborador de Fellini, em seus filmes. A respeito dele, disse um dia o cineasta: “Nossa integração foi interessante: eu tinha decidido ser diretor, e Nino era uma premissa para que continuasse a sê-lo. Tinha uma imaginação geométrica, uma visão musical das esferas celestes, para quem não havia necessidade de ver as imagens de meus filmes”. Nino também entrou para o cinema na década de 40, durante o neorealismo;

terça-feira, 1 de julho de 2014

SUPERSTAR E AS NOVAS BANDAS

Boa noite amigos,


Os festivais de música popular pipocavam na minha época de juventude, anos 60/70. A TV Record, então líder de audiência, realizou, com sucesso absoluto, três festivais de música popular brasileira, com fases de classificação e finais transmitidas ao vivo do Teatro Paramount em São Paulo, apinhado de gente, a maioria absoluta de estudantes universitários, que aplaudia e vaiava candentemente, ao manifestar suas escolhas. No dia seguinte às exibições, a Rádio Jovem Pan tocava o dia inteiro as novas canções para que os ouvidos se acostumassem com a melodia e letras das músicas classificadas. A TV Paulista, antecessora da Globo  cobria no Rio, o Festival Internacional da Canção, com fases internacional e nacional que também fizeram história. Seguiram-se outras: Bienal do Samba e  Festivais Universitários que a TV Tupi realizou para fazer concorrência com a Record. E tais festivais, sem dúvida, se não foram propriamente reveladores de artistas talentosos, sem dúvida, deram a eles, um tanto desconhecidos,  a visibilidade necessária para  que se tornassem célebres em todo o território nacional, e até no exterior,  a despeito das limitações de comunicação da época, ainda sem o  computador e a internet. Não me lembro, porém, de nenhum festival de músicos ou de conjuntos, como se dizia naquele tempo. Por isso, acompanho, desde a primeira edição, com curiosidade, o investimento que a TV Globo resolveu fazer num  reality show transmitido, ao vivo,  no  fim de noite de domingo, madrugada de segunda-feira, entre 23,00 e 1,00 hora, dedicado às bandas. Chamado de SuperStar, o festival vem empolgando mesmo, por  causa da qualidade das concorrentes. Claro que a seleção prévia mostra que as participantes, em regra, não são amadoras. São grupos profissionais, que já há algum tempo se apresentam por aí, nos  fins de semana e nos raros espaços  que  encontram neste país, em bares e churrascarias, sem grande valorização ou remuneração digna. Por isso, o grande mérito do programa consiste em revelar ao público  em geral, de todas as partes do Brasil, uma promissora nova geração de jovens talentosos, num segmento que não tem apresentado, nos últimos anos, grandes  novidades. A surpresa com  a qualidade das bandas que se apresentam, especialmente  as últimas seis, das quais apenas 4 se classificaram para a grande final, na noite de anteontem, não é apenas do público ou dos críticos, mas de artistas que são convocados, toda semana, para se misturarem ao público comum que forma o auditório do programa transmitido ao vivo. Vários integrantes de bandas tradicionais têm comparecido para elogiar e incentivar as candidatas, reconhecendo o esforço e a qualidade demonstrados nas apresentações. O júri formado pela cantora Ivete Sangalo, o ator-cantor, Fábio Junior e o roqueiro Dinho Ouro Preto, tem revelado a cada nova edição, mais entrosamento, renovado entusiasmo, razoável conhecimento da arte musical e muita sensibilidade na avaliação das candidatas. E Fernanda Lima, como apresentadora, é um show. A gaúcha reúne com naturalidade, uma extraordinária e serena beleza, com classe, bom gosto, e uma competência madura para comandar os nem sempre disciplinados comentaristas e integrantes da banda.  As quatro finalistas,  SURICATO, JAMZ, MALTA e LUAN E FORRÓ ESTILIZADO, são ótimas e demonstram que o estilo pode e deve ser versátil, explorando, quer na escolha do repertório, quer na roupagem de consagrados clássicos, os muitos e vários ritmos, universais e regionais,  de que se apropriou, ao longo do tempo, a chamada música pop.  Qualquer delas que vença a competição terá merecimento para isso. Mas acho que as que reúnem competência na execução cover de clássicos,  com músicas autorais, levam – e devem levar mesmo – vantagem, como é o caso da Banda Malta, que além de tudo, ainda tem um vocalista (e compositor) carismático, que ontem resolveu confessar algo de sua origem musical de formação e dileção, executando um clássico da inesquecível Aerosmith.  Vem coisa nova e boa por aí, com certeza!

Até breve amigos.


P.S. (1)  A imagem da coluna de hoje, da Banda Malta, favoritíssima aos prêmios oferecidos pelo programa para a melhor banda, foi emprestada de www.youtube.com.;

P.S (2) A Banda Aerosmith surgiu em 1.970 e está em atividade até hoje, com substituição de alguns de seus integrantes. Tornou-se célebre pela adoção do estilo hard rock, misturando vários ritmos como o blues, com elementos do pop, heavy metal e rhythm and blues. É considerada a mais famosa banda americana de rock de todos os tempos. Vendeu mais de 150 milhões de álbuns em todo o planeta. Acima um vídeo do Youtube com um de seus grandes sucessos: Crazy.

P.S. (3) O vocalista Bruno é o autor de praticamente todas as músicas autorais executadas pela banda Malta. Seu pai, que ele sequer chegou a conhecer por ter falecido quando o cantor e compositor tinha pouco tempo de vida, era um cantor sertanejo. Bruno confessou há pouco tempo que a influência da música sertaneja foi e continua sendo indiscutível na sua formação e evolução como profissional da música contemporânea. E embora tendo se tornado roqueiro, suas composições estão voltadas para um estilo de rock romântico, com influência melódica do sertanejo.


P.S. (4)  Para ilustrar e melhor entender o rock da Banda Malta: “Hard rock é um estilo musical, subgênero do rock que tem suas raízes do rock de garagem e psicodélico do meio da década de 1960, que se caracteriza por ser consideravelmente mais pesado do que a música rock convencional, e marcada pelo uso de distorção, uma seção rítmica proeminente, arranjos simples e um som potente, com riffs de guitarra pesada e solos complexos. A formação típica era constituída por bateria, baixo, guitarra, e algumas vezes, um piano ou teclado, além de um vocalista que muitas vezes se utilizava de vocais agudos e roucos. Nos finais dos anos 60, os termos hard rock e heavy metal eram praticamente usados como sinônimos, mas o último gradualmente começou a descrever um estilo de música tocado ainda com mais volume e intensidade. Há ainda outra diferença chave, entre ambos sub-gêneros: Enquanto o hard rock manteve sua identidade blues e algum swing na batida, as melodias do metal são frequentemente ditadas por riffs agressivos de guitarra, desprovidos de swing” (www.wikipedia.com).  

quarta-feira, 25 de junho de 2014

NA PERIFERIA DA COPA - A MAGIA DE "SER DE FORA"

Boa noite  amigos,
Li na Internet, dentre múltiplas notícias sobre a Copa do Mundo, que a Vila Madalena, em São Paulo, confirmando sua vocação de espaço de cultura e lazer, um oásis  dentro da  estressante capital paulista, está recebendo, todos os dias, um enorme público entre turistas de todas as partes do mundo e do nosso país, que se misturam em pacífica convivência ecumênica. Bem, mas o que me chamou a atenção na reportagem e me transportou mentalmente para minha juventude  já perdida na noite dos tempos, foi a observação de que muitos brasileiros estão se passando por estrangeiros, na prática da chamada “azaração”, certos de que assim conseguem muito mais êxito do que se declarassem a condição de filhos da mesma terra.  Comecei então a pensar em outros tempos e refletir sobre a existência de uma espécie de “magia de ser de fora”. Essa magia, consciente ou inconsciente, talvez explique a necessidade ou curiosidade que temos em contatar com o diferente, com o desconhecido, com aquilo que, na nossa cabecinha, seria melhor, mais evoluído, mais interessante, e, portanto, uma oportunidade de um relacionamento, seja de amizade, seja de outra natureza, com seres de um “outro planeta”. Aí me lembrei de um carnaval que, a convite de um amigo nosso aqui de Campinas, fomos, eu e alguns colegas, inclusive o anfitrião, passar na vizinha cidade de Socorro. Nas precárias condições de instalação (dormíamos todos no chão),  superada com a magnífica acolhida que recebíamos dos donos da casa, o nosso objetivo era ir para um clube da cidade onde, segundo se afirmava, chovia mulheres bonitas, “assim ó”, como nosso colega falava entusiasmadamente, juntando os dedos da mão direita, para indicar uma quantia imensa qualquer. Na primeira noite, a surpresa ficou por conta da constatação de um interesse incomum das moças, por nós. Cidade pequena, os rapazes da terra eram manjados. Todos conhecidos, super-conhecidos. Daí o fato das moças se voltarem para nós, com curiosidade. Pronto, estava feita a confusão. Os rapazes de lá se sentiam meio donos do pedaço e, portanto, entendiam que as socorrenses deveriam estar disponíveis para eles. E só para eles, mesmo porque não eram tantas assim. Quando perceberam que a exclusividade estava seriamente ameaçada, voltaram-se para nós com um misto de inveja e fúria. E sem que desconfiássemos a mensagem implícita no ar era de que  “o pau ia comer”, na linguagem da época[1]. Só sei que antes que déssemos conta, partiram para cima de nós, que estávamos espalhados, eu, inclusive, no jardim do clube,  com uma menina de 15 anos que me achava parecido com o Dustin Hoffmann, mas seguramente mais charmoso que o ator americano[2]. Tivemos que sair correndo para não apanharmos feio na frente das meninas. Pedimos desculpas pela fuga covarde e elas imediatamente odiaram aqueles “idiotas caipiras e cafonas" que espantaram os seus príncipes encantados da próspera Campinas, frustrando o resultado do acaso ou do destino que havia de lhes reservar uma história de amor futura e próspera. Portanto, quando li a notícia na Internet, conclui que fundamentalmente nada mudou. As moças continuam atraídas, como uma espécie de magia, pelos estrangeiros. E os nossos rapazes, mais inteligentes, sabendo que não vão conseguir  afastar os “gringos” com ameaça de “porrada”, preferem formular um jogo mais interessante: com habilidade, falando lá um “inglezão macarrônico” qualquer, enganar as garotas, afirmando que são mexicanos, americanos, ingleses ou holandeses. Se elas vão cair nessa, não se sabe. Mas que a magia de ser de fora continua impressionando as mulheres, isso não há dúvida.

Até amanhã, amigos.


P.S. (1) Curtir, ou pelo menos visitar, Vila Madalena, em viagem de turismo ou nas pausas de viagem de trabalho por São Paulo é hoje obrigatório. Situada na zona oeste da Capital Paulista, incrustada em um morro, a Vila Madalena é sinônimo de lazer e cultura. Muitos bares e restaurantes ali se concentram e oferecem música de qualidade, cardápios diferenciados, assim como drinks e bebidas de todos os tipos e marcas. E se recebe os intelectuais descolados, por ali também circulam todas as tribos, de direita ou de esquerda, daqui e de fora. Daí o que está acontecendo por lá durante a Copa do Mundo não ser novidade, pois  apenas reafirma a vocação, como se disse, desse bairro, para representar verdadeiramente a cidade de São Paulo, uma metrópole cosmopolita, onde convivem as diversidades.


P.S. (2) As imagens da coluna de hoje são todas de espaços situados na Vila Madalena. A primeira (emprestada de www.espacoturismo.com) é do bar Mercearia, assim chamado, por ter sido, no passado, realmente uma mercearia. O segundo (emprestado de cultura.culturamix.com.), mostra uma das vias públicas em que os proprietários dos imóveis abriram espaço para os artistas da grafitagem. O terceiro e último é outro dos bares badalados, reduto dos notívagos e boêmios, mas também do pessoal que prefere a luz do dia, convencidos de que, à luz do sol, nem todos os gatos (ou gatas, melhor dizendo), são pardos (imagem emprestada de g1globo.com.) 










[1] Acho que ainda hoje “o pau vai comer” é uma expressão inteligível aos  jovens. Pelo menos quando ouvem isso tratam de sair correndo, especialmente se forem frágeis e baixinhos, como eu era. E ainda sou, né!
[2]  Eu já era baixinho e feio, como sempre fui, mas sinceramente me achava mesmo parecido com o Dustin Hoffmann, que nunca foi um galã, embora um dos mais impressionantes e talentosos atores que conheci.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

E A COPA DO MUNDO ESTÁ BOMBANDO!

Boa noite amigos,

Que grandes jogos aconteceram até aqui ainda na fase eliminatória da Copa do Mundo de 2.014! E são surpresas  e mais surpresas. E quem apostaria que, antes mesmo do encerramento da segunda rodada, as tradicionais seleções da Inglaterra e da Espanha, esta a  atual campeã mundial, estariam eliminadas, depois de um desempenho para lá de pífio, com duas derrotas cada uma? Quem poderia prever, razoavelmente, que a boa seleção da Holanda enfiasse um saco de gols na Espanha, na estréia das equipes no Mundial, reeditando o clássico da final da Copa do Mundo da África do Sul, vencida justamente pelos espanhóis, pelo placar mínimo? E que a Alemanha fosse golear, por 4 a 0, a seleção portuguesa, anulando completamente o maior jogador do mundo, Cristiano Ronaldo? Quem acreditaria que a grande zebra, Costa Rica, desgraçadamente alocada, por sorteio, no grupo D, chamado grupo da Morte, ao lado dos campeões,  Uruguai, Itália e Inglaterra, fosse a primeira classificada, depois de duas consecutivas vitórias sensacionais sobre Uruguai e Itália e deixando uma destas, na última rodada, também fora do Mundial?  A Copa, por outro lado, já é um sucesso de público e de audiência nos canais que transmitem as partidas, para todo o mundo. E se a preparação aqui na terrinha não foi exemplar, por causa do atraso nas obras dos estádios, de mobilidade urbana nos centros que recebem jogos e até nos aeroportos, os turistas, de maneira geral, estão elogiando a recepção que recebem dos brasileiros, em todos os quadrantes do país, o que soa como uma espécie de compensação pelas nossas conhecidas falhas. Afinal, depois de cinco caipirinhas e duas feijoadas, uma interminável roda de samba que segue noite a dentro, regada a cerveja e churrasco, a vista do Corcovado, do Cristo Redentor, da Cachoeira do Iguaçu, ou das mulheres brasileiras nas praias da Bahia, de Vitória, de Recife, não há quem deixe de considerar que nada, nem ninguém é perfeito. E estamos e seremos sinceramente perdoados pelas falhas e efusivamente festejados como bons anfitriões. Menos mal. O ponto negativo nesse início do torneio fica por conta das arbitragens, que erraram muito, em alguns casos comprometendo o resultado das partidas. O pênalti inexistente em Fred, no jogo de abertura do Brasil contra a Croácia, os dois gols legítimos incompreensivelmente anulados do México sobre Camarões. E os pênaltis não marcados, um deles na partida Holanda e  Austrália, são alguns exemplos de lances equivocados dos seletos árbitros pertencentes aos quadros da FIFA. Na segunda rodada, porém, já se nota uma melhora sensível no nível das arbitragens, para alívio da entidade e bem do futebol. E quem pensou que esta seria uma Copa de espetáculos circunscritos às equipes tradicionais (Alemanha, Itália, França,  Holanda, Argentina, Brasil, Inglaterra, Espanha, Inglaterra) e de Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo, está vendo  grande futebol jogado pelo Chile, pela Colômbia, pela Costa Rica, pelo México, pela Croácia,  por Robbens e  Van Persie, da Holanda,  pelo reabilitado Suárez, do Uruguai, por Rodriguez da Colômbia e Gervinho, da Costa do Marfim, por Benzema, da França, por Cuadrado, do Chile e por outros craques espalhados pelas seleções do mundo. Não perdi praticamente nenhuma partida. Mesmo aquelas que terminaram em 0 a 0 não foram ruins, como a eletrizante Brasil e México e Japão e Grécia. Ruim mesmo, das 60 partidas até aqui, só Irã e Nigéria.  Uma festa de gols e de lances espetaculares. Viva o futebol jogado pra frente, contrariando a expectativa do craque Maradona, que, surpreso, declarou à imprensa, que não esperava tanta ousadia de atletas e técnicos, num campeonato tão equilibrado e de tiro curto.


Até amanhã amigos.

P.S. (1) O primeiro gol  da Suiça contra a França, na incrível goleada dos franceses sobre os suíços (5 a 2), nesta sexta-feira, 20 de junho, nasceu da cobrança de falta. O atacante Dzemaili bateu rasteiro, a bola passou entre as pernas dos jogadores da barreira e entrou no cantinho da trave esquerda do goleiro Lloris.  Esse lance é o que os jogadores brasileiros tentaram evitar o ano passado e este ano, quando algumas equipes, posicionaram atleta deitado atrás da barreira, o que gerou polêmica sobre se essa conduta seria permitida ou não pelas regras explícitas ou implícitas do futebol.

P.S. (2) As maiores goleadas da Copa até agora aconteceram coincidentemente no Estádio da Fonte Nova em Salvador: Holanda 5, Espanha 2; Alemanha 4, Portugal 0 e França 5, Suiça, 2.   São 59 gols em 19 partidas, até a jogo entre França e Suiça nesta sexta, às 17,00 horas. Uma média espetacular de 3,10 gols por partida. Uma das maiores médias, senão a maior até esta fase, em todas as Copas. Vamos ver a sequência.

P.S. (3) A Seleção da  Inglaterra fez muito barulho por aqui. Reclamou do clima de Manaus, onde realizou a primeira partida contra a Itália, manifestando excessiva preocupação com a segurança e com a malária. Depois, seu técnico festejou o fato de jogar contra o Uruguai, em São Paulo, num clima mais próximo ao de Londres. Os treinos, lá no  Norte, teriam sido feitos sobre calor intenso visando preparar os atletas para o clima do jogo. Tanto trololó e pouco futebol. Conclusão: nos dois jogos a Inglaterra foi derrotada e com a vitória, agora à tarde, da Costa Rica sobre a Itália, vai para casa, sem chegar sequer às oitavas de finais. Curtir o bom clima e a segurança do país que inventou o futebol para o mundo;

P.S. (4) A imagem que abre a coluna é do estádio de Manaus, a chamada Arena Manaus, inspirada na floresta amazônica e um dos mais belos estádios levantados para a Copa do Mundo que se realiza no Brasil. A imagem foi emprestada de radioglobogloboradio.globo.com. A foto n. 2 é do jogador chileno Cuadrado e foi emprestada de globoesporte.globo.com; a 3ª. foto (emprestada de www.theguardian.com.)  é de Robin Von Persie, craque da seleção holandesa e um dos artilheiros da competição até aqui. A imagem n. 4 é do argelino, naturalizado francês Karim Benzema, que gastou a bola na goleada da França agora à tarde sobre a Suiça, por 5 a 2. Foi emprestada de revistafutebolista.blogspot.com.





quarta-feira, 18 de junho de 2014

TEMPOS BICUDOS - MAIS UM "CAUSO"

                                    

Boa noite amigos,

Vivemos em plenitude a Copa do Mundo da FIFA aqui no Brasil e todos os olhos estão voltados, para o que acontece no futebol, dentro e fora das estádios. Mas hoje, abrindo exceção, vamos postar um outro "causo", publicado no livro "Causas & Causos n. II", da Editora Millenium. Para dizer que, "em tempos bicudos" vale tudo! Então, tá! Vamos lá:

 “O QUE DIZ UMA MULHER A SEU CRÉDULO AMANTE, DEVE-SE ESCREVER NO VENTO”
                                       (CATULLO)


"O cenário,  a pequena cidade do interior do Estado de São Paulo, com pouco mais de cinco mil habitantes.
A maior parte vivia na roça, fora da simplória zona urbana.
Os personagens centrais eram três: a Dona Margarida, "largada" do marido, como se dizia, pois o distinto se mandou depois de ultimato da mulher que não mais queria saber de vagabundo (ele não arrumava emprego, porque não procurava) e de pinguço (o bicho bebia,  noite e dia); o Osório, que era alto e bravo e que, segundo se sabia na cidade, frequentava, com assiduidade, a casa da distinta “viúva” de marido vivo. E, finalmente,o capial, Leonço, moço trabalhador e solteiro que acabou também  envolvido com a tal Margarida.
Certo é que o tal envolvimento do Leonço começou a correr de boca em boca pela cidade.
O rapaz foi ficando meio cabrero com a fofocaiada, pois mais dia, menos dia, essa história ia chegar nos ouvidos do Osório.
O bicho, no entanto, passou de cabrero a assustado, quando o mecânico Jorge trouxe a notícia fresquinha:
- Ooo... Leonço, eu fiquei sabendo que o Osório tá procurando você.
- Eu? Mas como? Pra quê?
- E eu que lá sei? Mai discunfio, né? O cê anda comendo a muié dele e a coisa já se espaiou.
- Eu, não, isso aí é pura fofoca.
- Deus tá vendo. Vê se se cuida bicho, já viu o mãozão do home.
Leonço saiu dali impressionado. Que será que o Osório ia querer? Por certo prestar contas. E ele ia apanhar feito muié de malandro. Isso se o distinto não preferisse logo passá fogo nele. Deus do céu! Que encrenca, pensou. A Margarida era jeitosinha, mas nada que valesse a morte.
Dias se passaram sem que os moços se cruzassem.
A verdade é que Leonço passou a evitar o Osório, deixando inclusive de frequentar os lugares de costume (o bar do Jairo, o clube de campo onde se jogava uma pelada, e até a igreja).
Tinham, inclusive, sugerido a ele que “desse um tempo” por ali, viajasse uns dias, até a coisa esfriá.
Mas não teve jeito: Cansado de contar com o acaso, o tal Osório, certo dia resolveu bater na porta da casa do Leonço.
- Filho, tem um moço aí que quer falar com você.
- Um moço? Quem é mãe? Até parece que a senhora não conhece esse povo daqui?
- É, mais esse aí eu num tô conhecendo direito não, mas acho que é o fio da Parmira.
Leonço sentiu um frio na barriga.
Pois o filho da Parmira, que sua mãe tanto conhecia, era justamente o Osório. Deus do céu!
- Mãe, a senhora falô que eu tava aqui?
- Ué, falei, por que? E lá eu ia menti?
O diálogo nem chegou a terminar, pois o Osório, diante da demora, simplesmente invadiu a sala, pedindo licença pra mãe do Leonço, argumentando que a conversa era de home pra home, pelo que ela que fizesse a gentileza de se retirar, deixando que eles conversassem sozinhos.
A mulher, sem pestanejar,  deixou a sala.
Leonço tremia como vara verde.
Osório muito calmo foi logo no ponto da questão.
- Ooo... Leonço, tão dizendo aí que você anda comendo a Margarida, é verdade?
Leonço entre trêmulo e suado, com o coração disparado, se encorajou:
- Oia pra dizê a verdade foi só umas duas veis, mas eu não tive curpa, ela é que quis e eu nem sabia que oceis tava de cacho. Te juro!
Osório parou calmamente, e, diante do apavorado interlocutor, fez a proposta:
- Não, sabe?. É que eu faço uma compra pra ela todo mês no armazém do Felício. Ocê sabe como tão as coisas. Então, como falaram que  ocê tava saindo cuela, eu vim vê socê num qué dividi essa bendita compra cumigo."

 Até amanhã amigos,

P.S. (1) A imagem-caricatura da coluna de hoje foi emprestada de humbertopessoa.blogspot.com;

P.S. (2)   No dia 03 de maio, comemora-se o dia do sertanejo, figura singela e apaixonante de nossa cultura, cantado em prosa e verso e que, inclusive, virou categoria de canção popular, hoje multiplicando-se em sub-categorias: sertanejo tradicional, caipira, sertanejo universitário etc. etc.                     



sábado, 14 de junho de 2014

COPA NO BRASIL II - SIM OU NÃO?


Bom tarde amigos,
Ainda a respeito da polêmica que envolve o erro ou acerto da realização da Copa do Mundo no Brasil, continuo hoje a minha argumentação favorável ao “sim”. Se tínhamos ou não condições efetivas de assegurar a magnitude do evento, sob todos os aspectos, desde o cumprimento de exigências relacionadas aos estádios e suas estruturas, à mobilidade urbana nos centros de recepção das seleções e da realização dos jogos, o bom nível das condições aeroportuárias e de rodovias,  de hotelaria, especialmente de segurança aos turistas, atletas e comissões técnicas, essa é uma história que ficou para trás. Qualquer protesto ou discussão quanto a isso, deveria ter sido estabelecida há  anos atrás, quando nos candidatamos junto à FIFA, e uma comissão encabeçada pelo então Presidente Lula e o eterno rei Pelé, esteve na cerimônia de decisão quanto ao país que seria escolhido, dentre aqueles que se propuseram a sediar a Copa.  Agora, às vésperas do início do torneio pode-se no máximo lamentar a decisão, mas é inoportuno, senão inócuo, promover protestos com ensejo à infiltração de baderneiros e marginais oportunistas, que continuam a destruir quase à impunidade, impunidade essa de que tanto reclamamos no país, o  patrimônio público e particular. E importante registrar que nunca vi um movimento tão grande de gente profissional, competente e honesta, buscando alternativas criativas para assegurar uma boa recepção às seleções e aos turistas, melhorando a imagem do país em todo o mundo. As cidades do interior de São Paulo, eleitas por várias seleções para a concentração e os treinamentos, estão dando um verdadeiro show de competência e simpatia, garantindo, sob todos os aspectos, a tranquilidade e a normalidade da movimentação de atletas e comissões técnicas. Campinas, que recebe as seleções de Portugal e Nigéria; Ribeirão Preto, que recepciona a exigente seleção francesa; Aguas de Lindoya, onde se hospeda a Costa do Marfim, dentre outras, são exemplos de cidades comprometidas com o evento, com resposta até aqui muito positivas, a mostrar que temos sim condições de receber bem e adequadamente os estrangeiros. Não se pode esquecer que mais de um bilhão de pessoas em todos os quadrantes da terra assistirão aos jogos e o que acontece no país-sede, de bom e de ruim, pelo que o Brasil estará num grande teste, talvez o maior de todos nas últimas décadas. Precisamos apostar, com todos os nossos problemas endógenos, a serem enfrentados efetivamente, no incremento do turismo, o que sem dúvida é uma das molas propulsoras da economia, sempre lembrando que há muitos países, cuja economia se fundamenta quase que exclusivamente no movimento turístico. Demais a mais, por mais que se use o futebol como trampolim político, como campo fértil para o incremento de corrupção, não tem qualquer sentido privar o brasileiro de sua paixão, a grande paixão de ricos e pobres, de intelectuais e pessoas comuns, em todos os cantos do pais. O sorriso do brasileiro (com ou sem dentes), diante do gol, é um direito natural,  que deveria estar inscrito no rol dos direitos fundamentais de nossa Constituição. O futebol não substitui, evidentemente,   a falta de políticas públicas e de investimentos suficientes em áreas sociais sensíveis, como educação e saúde. Mas a gente não   quer só comida, a gente quer comida e felicidade, como diz a canção popular, refletindo a aspiração humana na busca de combustível que possa satisfazer o corpo e preencher as exigências da alma. O futebol está na alma do brasileiro. E tem sido o futebol (se é o ópio do povo ou não, é uma questão acadêmica para os filósofos e sociólogos discutirem  nas academias), especialmente a da seleção brasileira, que tem despertado, numa espetacular relação de amor e ódio, o sentido mais efetivo de nacionalidade de nosso povo, bastando olhar (o que tem chamado a atenção de todo o mundo), o tom com que o hino nacional brasileiro foi cantado na Copa das Confederações e agora no jogo de abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão. E chega de papo. Daqui pra frente vamos falar só da Copa e de tudo o que estará acontecendo por aqui.

Até amanhã amigos,
    


P.S. (1) Durante o jogo Colômbia e Grécia realizado hoje, às 13,00horas, no Mineirão, parte dos torcedores entoou o nosso hino futebolístico (... Euuuuu, sou brasileeeeiiiiro, com muito orgulho, com muito amooooor). Foi tão contagiante, que grande parte dos torcedores colombianos, acompanhou. São os mais novos colombianos brasileiros. ´E mole, gente!

P.S. (2) A 1ª. imagem é da seleção portuguesa que, no primeiro treinamento realizado no Estádio Moisés Lucarelli, da Ponte Preta, diante de mais de 10.000 apaixonados torcedores, exibiu uma faixa agradecendo a recepção recebida em  Campinas. A foto foi  emprestada de campinasnacopa.com.br;

P.S. (3) A segunda e a terceira imagem são de duas telas do talentoso pintor campineiro, Alexandre Melo, em alusão à Copa do Mundo. Num deles aparecem duas bandeiras, a do Brasil e de Portugal, lado a lado. No campo, dois atletas cada um vestindo a camisa de um dos países irmãos. E à frente, um par das mundialmente famosas havaianas. Cada pé pintado com a cor de uma seleção. Na outra tela, Neymar vestindo a camisa da seleção canarinho. As fotos foram tiradas do meu celular. A arte de Alexandre foi objeto de uma postagem antiga deste blog (conferir Arte Campineira – Pintura de Alexandre Melo, em 01 de março de 2.012; cf. também o seu site: www.artmelo.com);




P.S. (4) Oscar foi o melhor jogador brasileiro no jogo de estreia do Brasil diante da Croácia. A atuação foi oferecida a Julia, sua primeira filha, que é campineira e nasceu na semana passada, no Hospital Vera Cruz.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

COPA DO MUNDO NO BRASIL - SIM OU NÃO

Bom dia  amigos,

Começa hoje, em São Paulo,  a Copa do Mundo de Futebol de 2.014, com a partida entre Brasil e Croácia no novo estádio do Corinthians Futebol Clube: o Itaquerão. Há 64 anos o país sediava, pela única e última vez, o  importante evento e quase  chegava a ganhar o seu primeiro título mundial, o que só veio a acontecer oito anos depois, em 1.958, na Suécia. O chamado desastre do Maracanã, estádio que recebia, segundo estimativas, na grande final entre Brasil e Uruguai, cerca de 200.000 eufóricos torcedores, marcou toda uma geração de brasileiros comuns e de atletas, especialmente aqueles  que estiveram em campo na partida que teve como número finais, Uruguai 2, Brasil 1 e uma enorme festa antecipada totalmente frustrada.  Uma lição, sem dúvida, para aqueles que comemoram títulos antes dos 90 ou 120 minutos da partida. Quem acompanha essa modalidade de esporte sabe perfeitamente que, a despeito de talentos e lógicas, o mais forte, o favorito, nem sempre confirma essa condição em campo, pois se trata de uma jogo que envolve técnica, táticas, força e inteligência e, de quebra, circunstâncias, que alguns preferem eufemisticamente chamar  de vontade dos  “deuses dos estádios”, numa apologia ao politeísmo grego . Sim, as famosas circunstâncias às quais se referiu Gasset, ao lembrar que já não existe o homem incondicionado, numa suposta e hipotética existência isolada e primitiva.  E por falar em circunstâncias, agora elas são completamente diversas. O país aparentemente se divide entre aqueles que apóiam a vinda da Copa do Mundo para cá, e aqueles que, ou não gostam de futebol, ou entendem que o Brasil, com seus graves e conhecidos problemas quase insolúveis, envolvendo saúde, educação e segurança, não podia gastar dinheiro público com a promoção de um evento que apenas ensejará, como garantem alguns que ensejou, corrupção e enriquecimento ilícito à custa do sofrido povo brasileiro. Com respeito à divergência, nenhum dos argumentos que ouvi contra a realização da Copa no Brasil, são convincentes. A corrupção é um mal universal e ainda que no país se considere que ela ocorre com maior intensidade, fruto de uma impunidade histórica, o problema não está evidentemente na Copa do Mundo, no futebol, nos turistas estrangeiros que vêm para cá, gastar os seus dólares ou euros, mas em questões endógenas arraigadas na nossa cultura e na maneira de concepção e funcionamento de nossas instituições. Ora, se as obras que aqui se realizaram como exigência da FIFA, a propósito do evento, ensejaram superfaturamento, enriquecimento ilícito de alguém ou alguns, improbidade administrativa etc., aí estão os Tribunais de Contas e o Judiciário nas suas diversas instâncias para prevenir em algumas situações e punir em outras aqueles que se aproveitam do dinheiro público para obter vantagens pessoais. Aliás, muitos dos cronogramas das obras previstas para a Copa do Mundo, foram furados por intervenção do Ministério Público Federal e do Trabalho, de Prefeituras e dos Tribunais de Contas, quando verificaram que havia problemas não solucionados e, apesar de se tratar de Copa do Mundo e de futebol, não tiveram dúvidas em paralisar licitações e obras que não vinham sendo executadas com respeito à legislação, inclusive de segurança do trabalho. Tem mais gente esperta capaz de driblar todas as nossas instituições responsáveis pela fiscalização e aprovação de contas. Deve ter. O deputado Romário, ex- atleta e um dos mais diretos responsáveis pelo nosso título de tetra, nos Estados Unidos, em 2.014, tem botado a boca no trombone. E faz bem. Denunciar é necessário. E vamos continuar fazendo isso, espero, não só em relação a obras da Copa, mas em toda e qualquer obra pública que se revelar inadequada, superfaturada, decidida com desvio de poder etc. Mas dispensar a Copa aqui, por esse motivo, não se justifica, pois a questão, como se disse, é endógena e cabe ao povo brasileiro, às autoridades brasileiras, à Justiça Brasileira e às instituições em geral, solucionar ou aprimorar a decantada impunidade, marco da nossa história. Não vamos esquecer que já tivemos épocas muito piores relacionadas à apropriação de dinheiro público e à impunidade do que agora. Época em que não existia a menor condição de ocorrer um processo e  julgamento envolvendo políticos de prestígio,  a final condenados, a despeito de pertencerem ao partido do governo.

Até mais amigos. Voltaremos ao assunto para completar nosso pensamento.


P.S. (1)  O espírito da Copa já começa a dominar nossa cidade de Campinas, que recebe as seleções de Portugal  e da Nigéria. A imagem n. 1 é de uma bola de futebol gigante colocada pela Prefeitura na Praça do   Centro de Convivência Cultural de Campinas, aqui no Cambuí.  Atrás, vista do  prédio do tradicional teatro,  e, mais ao fundo,  do teatro de arena. A imagem n. 2 é de uma grande loja de departamentos, a Miami Story, oferecendo vastos produtos relacionados à  Copa do Mundo e as seleções. Ambas as fotos do meu celular.