quinta-feira, 23 de maio de 2019

ANTONIO CARLOS GARRIDO




Meu amigo Garrido, em visita ao meu escri-

tório, relembrando os bons tempos de car-
torio.
Boa tarde, 

Garrido foi um amigo que marcou a minha mocidade. Eu o conheci quando fui trabalhar no Cartório do 5º Ofício de Campinas, no distante ano de 1.966. Tinha eu 13 anos e fui admitido como auxiliar, enquanto o Garrido, oito anos mais velho, já ostentava a condição de Escrevente Autorizado do 4º Ofício. Naquele tempo tudo se concentrava no prédio do Fórum da Rua Regente Feijó, um edifício moderno, de cinco pavimentos. Todas as Varas e  Cartórios Cíveis e Criminais, o Juizado de Menores, os Cartórios de Registro de Imóveis e os Tabelionatos se espalhavam por quatro dos  cinco pavimentos, havendo espaço ainda para a copa, o salão de barbeiro, os sanitários e os gabinetes dos Promotores Públicos (hoje Promotores de Justiça). No último andar, funcionava a Câmara Municipal de Campinas.Colega de trabalho como ressaltei, o Garrido se notabilizava por várias virtudes. Dono de uma memória extraordinária, conhecia todos os processos que corriam pelo seu Cartório, não só pela natureza da ação, como pelo nome das partes e, pasmem, sabia o número que eles tinham recebido e pelo qual eram processados, de cor e salteado, como se dizia outrora. Os próprios advogados das partes se valiam de sua memória, quando não anotavam previamente o número do processo que pretendiam examinar. Exímio datilógrafo dividia comigo as audiências da 2ª. Vara Cível de Campinas, sob responsabilidade do nosso saudoso Juiz Manuel Carlos de Figueiredo Ferraz Filho: enquanto ele fazia as audiências do 4º Ofício, eu respondia pelas do 3º Ofício. Posteriormente, passei a acompanhar e registrar todas as audiências da Vara, tanto as do 3º, quanto do 4º Ofícios. Introvertido, porém humano e competente, Garrido ajudava a todos, facilitando a vida de advogados, estagiários e dos funcionários de seu Cartório. Generoso se ofereceu como garante e efetivamente avalizou o empréstimo que eu fiz aos 18 anos, junto ao City Bank, para comprar o meu primeiro fusquinha usado. De minha parte, além de boa vontade e honestidade, nada podia oferecer, pois não tinha “um gato para puxar pelo rabo” numa expressão daquela época, equivalente à absoluta pobreza patrimonial. Foi também o protagonista de um dos contos que escrevi para o meu livro Causas & Causos, tomo III, ao se oferecer – e oferecer imprudentemente -  o seu próprio carro para que eu e o Jeová, um outro cartorário, tomássemos com ele, as primeiras aulas de direção. Quando se aposentou, Garrido deixou saudades. Ainda assim, durante um bom tempo se dirigia ao Fórum e ali, como voluntário experiente, auxiliava o Juiz e o Cartório, com seus valiosos conselhos e decisões. Fazia tempo que eu não o via. Localizei seu contato e liguei convidando-o para o lançamento do meu livro, no Fórum da Cidade Judiciária. Ele não pode ir por conta de um acidente doméstico com a irmã que reside com ele. Mas esta semana, a meu convite,  esteve no escritório para buscar o seu exemplar autografado. Foi um encontro com sabor de saudade dos velhos tempos. Dentre as coisas que ele me disse, e eu não sabia,  estava o fato de como começou a torcer para a Ponte Preta, uma de suas poucas paixões, além do trabalho no Cartório ainda morando na sua terra natal, São Sebastião do Paraíso. Em certa ocasião a Macaca foi jogar contra um time local e perdeu o jogo. Nada obstante a derrota, por razões que ele não sabe explicar, gostou do time e começou a acompanhar a sua trajetória. Quando se mudou para Campinas foi morar encostado com o Majestoso. E está lá até hoje. Aos 75 anos, bem vividos, o meu amigo me confidenciou, com a sabedoria de quem mais viu e ouviu do que falou nesta vida, que naquele tempo a gente tinha prazer em ir para o trabalho e as nossas relações eram verdadeiramente afetivas e sinceras. É verdade. Não havia internet, nem celulares. E tanto os abraços, quanto as brigas eram presenciais e não virtuais. E a gente sofria de verdade, na própria carne, as sensações de prazer e de dor. Grande Garrido!


"CARRO 1.  Quando completei exatos 18 anos de idade me bateu um desejo incontrolável de comprar um automóvel. Vim de família de classe média baixa, categoria que na década de 70 não tinha recursos para adquirir veículo próprio, comodidade reservada aos mais abastados. Já trabalhava no Fórum de Campinas há 5 anos e convivia com respeitáveis Magistrados, Promotores e Advogados, além dos cartorários, muitos amigos queridos que fiz durante a vida. O Garrido, um deles, mais velho e generoso, se dispôs a ser avalista do financiamento que eu faria junto ao City Bank e ainda, de quebra, como possuía um fusquinha, de iniciar, eu e o Jeová, na arte de condução de veículos. Ambos os alunos eram absolutamente ignorantes,  tanto na teoria, quanto na prática, na direção de automóveis. Não sabia sequer onde ficava e para que serviam os pedais de embreagem, de breque e como funcionava o câmbio de marchas. Podem crer. Tivemos uma única e desastrada aula num sábado à tarde, que o Garrido cismou de nos levar para uma estrada de terras em Valinhos. Lembro-me perfeitamente que o Jeová entrou no carro no banco do motorista (e o Garrido, doido e corajoso, ao lado). O instrutor amador mandou que ele pusesse na primeira marcha. O Jeová, sem pisar na embreagem, tentou engatar a marcha e, ao forçar um pouco para o engate, sem liberar a embreagem,  começou a gritar que o câmbio estava dando choque. E o Garrido com paciência de Jó. Foi a minha vez. Consegui, orientado, colocar a marcha e pôr o carro em movimento. Primeira, segunda.  Atordoado com tantos movimentos que deveria fazer simultaneamente (segurar a direção, olhar para a frente, tirar o pé do acelerador, trocar a marcha pisando na embreagem), que desembestei e por mais que o Garrido mandasse  brecar, eu  não conseguia tirar o pé do acelerador. Só fui parar no barranco, danificando levemente o carro e lesionando o cotovelo direito do Garrido, que estava do lado de fora. O Garrido  nos perdoou, mas nos mandou para a auto-escola."     (CAUSAS E CAUSOS TOMO III, pág. 89/90).

MAIS FOTOS DO LANÇAMENTO.

Minha amiga de toda a vida, a Procuradora Estadual e ex-

professora da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, Dra.
Cleuza Aparecida Carnieli.



Dr. Pedro Antunes Negrão, médico e Presidente da Creche
Lar Ternura e da Unicred e sua mulher, Dra. Ana Maria de
Melo Negrão, advogada, professora, escritora e membro
da Academia Campinense de Letras.

O advogado Cláudio Pires, filho do meu saudoso amigo, Dr.
Moacir Pires.


sábado, 18 de maio de 2019

CAUSAS E CAUSOS - O EVENTO DO FÓRUM DA CIDADE JUDICIÁRIA DE CAMPINAS



Meu neto Rafael e meu grande amigo Alberto
Moura Filho, protagonizando o conto "O Ve-

lho e Menino". Ao lado, trecho da crônica
inserido na orelha dianteira do livro.
Então veio a meia-noite e as sirenes anunciaram a chegada do Ano Novo. Todos se confraternizaram. E o velho e o menino, os dois extremos da vida, também brindaram um com o outro. O velho com uma taça de champanhe que lhe deram, com a ordem de ingerir apenas um gole. O menino, com um copo de leite que ele tinha escolhido, investido no pleno exercício do livre e precoce arbítrio. E o amor fraterno reinou naquela sala, naquela noite, entre velhos e moços, homens e mulheres, crianças e adultos, afastando, por momentos, as diferenças, a incompreensão, o desencontro e a sensação de solidão que cada ser humano experimenta e carrega, por vezes, neste mundo.”  (O VELHO E O MENINO).



Boa tarde amigos,

No último dia 09 de maio, sempre prestigiado pelo meu amigo de tantos anos, Luiz Antonio Alves Torrano, Juiz Diretor do Fórum da Cidade Judiciária de Campinas, recebi amigos de todas as tribos, no hall do Bloco A daquela Corte de Justiça, para autografar o livro Causas e Causos, tomo III, editado recentemente pela Pontes Editora. A presença de tanta gente que eu estimo e que devota, por mim,  igual carinho, me deixou feliz e acolhido. Além desses, destaco minha mulher e companheira,  Mara Furlan Miguel,  responsável por grande parte das providências e pela arrumação do ambiente, incluindo a mesa que me foi reservada para os autógrafos; a sobrinha e afilhada, Luciana Bressan, o sobrinho Carlos Eduardo Miguel e sua esposa Vanessa Miguel,  meus irmãos Laila Miguel Bressan e Antonio Miguel e os cunhados Gianfranco Bressan e Cláudia Valim Cortês Miguel mais a trupe dos Schmidts, (o Renato, o Ricardo, a Elisete, o Alexandre e a Mariana e suas queridas filhas Ana Julia (a Ju) e a Ana Lara (a Larinha), sogros, cunhados e sobrinhas, respectivamente, de minha filha Samira, igualmente presente e  atuante no recebimento dos convidados. Eles  formaram o bloco dos parentes que também fazem parte inseparável de minha pródiga vida familiar e afetiva. 


Tânia Meira Barros veio trazer o seu
abraço afetuoso.
Tinha lá uns “engasga gatos”, expressão emprestada de meu queridíssimo doutor José Augusto Marin, Desembargador aposentado, ex-professor do qual fui assistente no começo de minha carreira no Magistério Superior, para serem engolidos como tira-gosto,  com um copo de suco, água ou uma taça de espumante, ingeridos entre a espera e os bate-papos. Meus mais sinceros agradecimentos a todos que ali estiveram,  à Margareth da Editora, à Cida e ao Fernando da Cantina e seus incansáveis colaboradores e o pessoal da Apamagis e da Administração do Fórum que muito auxiliaram na divulgação e realização do evento. Publico hoje algumas fotos do evento. Outras divulgarei nas próximas postagens.

Gabriela, a querida Gabi, advogada, e seu pai, o
 o Juiz da 3a. Vara da Família de Campinas, 
 Venilton Cavalcante   Marrera.


Célia Vasconcelos de Souza e Cármino Antonio
de Souza, médico, pesquisador e professor, com
a neta,  a linda Maria Clara de Souza.






A Procuradora da Universidade Estadual de   -

 Campinas, Cláudia Alface.
O advogado Marcelo de Castro Silva

entre o casal Telma Guimarães e Cleso
Castro Andrade, ela destacada escritora
de literatura infantil; ele médico oftal-
mologista.



quarta-feira, 15 de maio de 2019

CAUSAS & CAUSOS TOMO III LANÇAMENTO E GUARANI NA SÉRIE B


Boa noite, amigos:


 Imagem de Letícia Martins, o meia-atacante Arthur Rezende
emprestado pelo Boavista ao Guarani e que vem se destacan-
do nos treinos e nos jogos. Foi dele um dos três gols bu-
grinos na vitória de 3 a 2 sobre o Vitória da Bahia.

 °  Quem viu o jogo do Guarani contra o Vitória, na segunda-feira à noite, no Brinco de Ouro da Princesa, deve ter chegado à conclusão que o lateral bugrino, Lenon, há muito tempo fora do time, sem condições ideais, suponho, de jogo, tem lugar nesse time em qualquer posição. Dele saiu o cruzamento certeiro para o primeiro gol do Bugre, por Diego Cardoso, numa pixotada do goleiro adversário. A apertada vitória por 3 a 2 serviu para algumas conclusões que me parecem indiscutíveis. A equipe é fraca e precisa urgentemente de reforços em várias posições, antes que se pense em dar a ela um padrão de jogo. Carências na defesa, no meio de campo e no ataque são visíveis. A solução caseira pode e deve ser tentada, diante da falta de recursos e de escassez no mercado. Matheusinho, já promovido para a equipe principal, e que vem jogando como titular é, sem dúvida, uma boa solução, ao lado do meia, Arthur, que nos lampejos de lucidez do time – raros diga-se de passagem – nos três jogos até aqui da série B, mostrou que tem categoria para suprir a ausência de um meia de criação, posição carente com a saída de Thiago Ribeiro. E se Diego Cardoso não é o centroavante dos sonhos da torcida, é um dos que resolvem no ataque (e deverá continuar a resolver) se a bola chegar com alguma qualidade. De qualquer maneira, a vitória sobre a equipe baiana, que vem fazendo péssima campanha até aqui, não pode servir para tapar o sol com a peneira. A torcida está de olho no que vai fazer essa diretoria e o técnico contratado, na esfera de suas respectivas competências e responsabilidades.

Peter Panutto e André Heinemann,
Professores e Advogados.
° No dia 29 de abril, uma segunda-feira, à noite, promovi um primeiro lançamento de meu livro Causas & Causos, tomo III, no hall do auditório Dom Agnelo Rossi, do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da Pontíficia Universidade Católica de Campinas. Ali recebi amigos, entre professores, alunos e ex-alunos da Faculdade de Direito, em ambiente muito agradável. Hoje publico algumas fotos do evento.

Eu e o Professor e Advogado Denis

Ferraz.

Os professores e amigos Pedro Santu-

ci, André Heinemann e Fábricio  Pe-
loia.
Da esquerda para a direita, Leonardo,

Aline, eu, Ana e Maria Júlia, atuais
alunos do 2º C Matutino.
Ao meu lado a simpática e compe-
tente acadêmica Rebecca Hilkner. 
Abraço aos amigos e até breve.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

A MADRINHA DO SAMBA BETH CARVALHO E SEU LEGADO


Boa noite, amigos.

Em imagem emprestada do site tudo com.vc., Beth abre os -

braços para cantar o seu samba, num gesto de simpatia e --
acolhimento.  A mulher foi embora. Ficou o mito.
Das centenas e milhares de manifestações de famosos e anônimos nas redes sociais a respeito da morte de Beth Carvalho, talvez a que melhor reflita o  mérito da carreira de mais de meio século da consagrada e respeitada cantora e compositora foi o pronunciamento de Marisa Monte, para quem Beth conseguiu abrir caminho para as mulheres em meio a tantos bambas,  num mundo essencialmente masculino como o do samba. Deveras: Mulher culta da zona sul do Rio de Janeiro, consagrada numa edição do memorável Festival Internacional da Canção, defendendo, ao lado dos Golden Boys,  Andança, uma toada de Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, de 1.968,  que caiu no gosto do público e  entrou para antologia da MPB[1], podia permanecer na zona de conforto da bossa nova, ritmo que ganhava prestígio internacional na década de 60.  Apaixonou-se, porém, pelo samba, como já afirmara em inúmeras reportagens, o samba urbano carioca, concebido e desenvolvido nos botequins da periferia da cidade, na vida suburbana da cidade maravilhosa e, especialmente, nas favelas espalhadas pelos morros da cidade, onde o anonimato, a pobreza e a marginalidade  escondiam o talento de sambistas que Beth encontrou, cantou e patrocinou, trazendo seus sambas da melhor cepa  para os meios de comunicação do Brasil inteiro. Madrinha sim, madrinha foi o epíteto que mais se ouviu a seu respeito. E eu complementaria afirmando que era uma fada. Uma fada madrinha que nos presenteou com memoráveis sambistas que descobriu como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Dudu Nobre, Arlindo Cruz e outras celebridades do gênero. Foi a maior e mais perfeita intérprete de Nelson Cavaquinho, incluindo o seu belíssimo samba-canção, Folhas Secas, e deu vida, ajudando a popularizar a poesia de Cartola, com a gravação de uma das dez mais lindas canções brasileiras de todos os tempos, As Rosas Não Falam. Beth se impôs, portanto, como lembra a genial Marisa Monte, como mulher e como profissional, num tempo em que as mulheres não tinham espaço, nem eram reconhecidas profissionalmente não só na música é verdade, mas em todos os setores da atividade humana. Com ela o samba ficou também feminino, delicado, forte quando precisou de força, suave quando a cantiga assim reclamava. Só para lembrar alguns de seus sucessos que estão e permanecerão, por certo, na nossa, na sua e certamente na boca do povo: Andança (1.969); Folhas Secas (Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito); Pandeiro e Viola (Gracia do Salgueiro); 1.800 Colinas (Gracia do Salgueiro); As Rosas Não Falam (Cartola); Saco de Feijão (Chico Santana); Vou Festejar (Jorge Aragão, Neoci Dias e Dida); Coisinha do Pai (Jorge Aragão, Almir Gurato e Luiz Carlos); A Chuva Cai (Argemiro Patrocínio, Casquinha); Camarão que Dorme a Onda Leva (Beto Inácio, Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz).  Acompanhada da legião de  amigos, parentes e fãs, Beth foi velada hoje na sede do Botafogo, clube de sua paixão e o seu velório se converteu numa imensa roda de samba, em que seus sucessos foram lembrados, como ela gostaria que fossem.

Até  amigos.




[1] Nos Karaokes da vida,  Andança sempre foi uma das músicas mais cantadas em grupo, por homens e mulheres dividindo as duas partes da canção (a feminina, interpretada por Beth, e a masculina, pelos Golden Boys, um conjunto que ganhou destaque na década de 60 e 70). A música também foi e continua sendo  lembrada e cantada nos encontros de família. Na minha, inclusive.

domingo, 21 de abril de 2019

CORINTHIANS TRICAMPEÃO EM SÃO PAULO E O FIM (?) DOS CAMPEONATOS REGIONAIS


Amigos,

Vagner Love, um centroavante oportunista, de carreira vito
riosa fez o gol do título corintiano neste domingo, na Arena 

Timão. Alegria e consagração com a maior torcida de São
Paulo. Imagem emprestada de Veja-Abril.com.
Algumas vozes se levantam nos últimos anos, contra a manutenção dos campeonatos regionais, invocando-se, dentre outros inconvenientes, o calendário dos grandes clubes,  cada vez mais apertado, por causa do formato do campeonato nacional, de pontos corridos e longas 38 rodadas, além da Copa do Brasil (um dos campeonatos cobiçados e que melhor remuneram os clubes e ainda abre vaga suplementar para a Libertadores) e campeonatos latino-americanos, como a Libertadores da América e a  Copa Sulamericana, sucessora da Copa Conmebol. A briga  por audiência pelos canais de TV aberta também contribuiu para que a campanha ganhasse algum fôlego, pois, tirante os clássicos, a maioria dos jogos envolvendo os chamados “grandes” com equipes de menor expressão, regionalizando demais, ao que se supõe, o interesse dos espectadores, são argumentos que conspiram contra a manutenção daqueles que foram considerados, outrora, os mais relevantes campeonatos, por causa da rivalidade local.  Esses argumentos, porém, podem ser considerados apenas “meia-verdades”. Os índices de audiência quando joga o Flamengo contra um time pequeno do Rio pelo Campeonato Carioca, ou o Vasco, não é muito menor do que aquele que envolve um Fla-Flu, um Palmeiras e Corinthians, um Internacional e Grêmio, tudo dependendo da importância desses jogos, em função dos esdrúxulos regulamentos que as federações e os próprios clubes impõem a essas competições. A Copa do Nordeste é uma experiência interessante e o Campeonato Paulista, o mais difícil e importante do Brasil, é um grande celeiro de promessas para o futebol brasileiro.  As equipes médias e pequenas precisam subsistir e a ausência em campeonatos que envolvam os grandes clubes praticamente inviabiliza a manutenção deles, cuja vocação, dentre outras relevantes, é a de  revelar e formar grandes jogadores.
Goleiro Cassio, 31 anos, ídolo corintiano, responsável por
defesas importantes durante o campeonato. Imagem em-

prestada de GoboEsporte.

Ontem assisti a uma das semifinais do campeonato paulista da série A-2, que corresponde à 2ª. divisão. Um clássico regional envolvendo o XV de Novembro e a Internacional de Limeira, no Estádio Barão de Serra Negra, em Piracicaba. Um jogaço, que terminou em 2 a 2, com a equipe da casa muito melhor e que estava vencendo até a prorrogação, quando tomou o empate e a decisão foi para os pênaltis. A Internacional, que foi campeã paulista de 1.986, venceu e obteve o acesso para a elite. O Estádio, literalmente lotado, recebeu quase 15.000 pagantes. Foi o maior público envolvendo os jogos das equipes do interior de São Paulo em 2.019, inclusive com os chamados "grandes" superando assim os pagantes do jogo Ferroviária e Corinthians, em Araraquara (12.998), pelas quartas de finais do Campeonato Paulista, que até então detinha o recorde.
Marcelo Lomba, goleiro do Internacional, que fez grandes
defesas durante o jogo da final, embora seu time tenha si

do derrotado, nas penalidades, pelo arquirrival, Grêmio
Portoalegrense. Imagem emprestada de Poker.
Hoje o Corinthians, em final contra a equipe do São Paulo, sagrou-se tricampeão paulista pela quarta vez em sua história, com uma equipe aguerrida, mas longe, muito longe de seus melhores dias e tradições. Marcante mesmo é a trajetória do técnico Fábio Carille, sucessor de Tite, que, indagado pelo repórter da Globo,   que o entrevistou no final da partida,  sobre o segredo para conquistar,  em três anos, um título brasileiro e três paulistas, respondeu que não sabia se era bom técnico, mas tinha certeza que tinha sido abençoado nessa sua trajetória.


Até mais amigos.

P.S. (1) O gol do título corintiano surgiu de um contra-ataque mortal, onde se destacou o passe certeiro de Somoza e a precisão do centroavante Vagner Love, que bateu de primeira, sem chance para o goleiro tricolor;

P.S. (2) A imprensa destacou o público presente à Arena Corinthians, de 46.000 pagantes aproximadamente, como recorde do jovem estádio. Longe, porém, muito longe do público presente no segundo dos três  da final entre Corinthians e Ponte Preta pelo Paulistão de 1.977. Nada menos do que 142.000 pagantes viram incrédulos a Macaca, de virada, vencer aquele jogo por 2 a 1, forçando a terceira partida. Bons tempos em que não havia torcida única nos estádios;

P.S. (3) Muitos dos campeonatos estaduais foram decididos nesta semana em disputa de pênaltis. Com um futebol cada vez mais competitivo, em que prevalecem a força e os esquemas táticos e, portanto, maior equilíbrio entre as equipes, as decisões de mata-matas e de campeonatos por penalidades máximas tende a ser cada vez mais frequente. Se eu fosse técnico exigiria que todos os jogadores treinassem esse fundamento, independentemente da posição de origem.

P.S. (4) A decisão por pênaltis do campeonato gaúcho conquistado pelo Grêmio sobre o rival Internacional foi um show à parte dos dois goleiros. Os ótimos Marcelo Lomba pelo Inter e  Paulo Victor pelo Grêmio  assustaram os cobradores e realizaram defesas incríveis;

P.S. (5) Os goleiros que, no passado, não eram tão valorizados, no futebol de hoje ganharam maior projeção e prestígio. São muitas vezes os responsáveis por títulos e classificações, graças a intervenções precisas e estudo do perfil dos adversários. Cássio, do Timão, por exemplo, é ídolo e  reconhecido como diretamente responsável por vitórias fundamentais da equipe.

P.S. (6) 650 clubes profissionais no Brasil, segundo o presidente do Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia. A Globo só vai transmitir os campeonatos estaduais até 2.020, salvo o Campeonato Paulista que, por contrato, será transmitido até 2.022. O representante da emissora afirma não ser contra os estaduais. Mas a preferência da emissora pelos campeonatos nacionais é indiscutível. Afirma-se que é preciso que o público veja o que acontece no futebol brasileiro como um todo e não se cinja ao futebol local;

P.S. (7) A hegemonia da Rede Globo na transmissão do futebol e do esporte em geral está com os dias contados. As muitas mídias eletrônicas surgidas com a Internet pulverizaram a atenção dos espectadores e democratizaram as transmissões. Não acredito, assim, que o campeonato estadual de São Paulo, por exemplo, vá acabar, nem que não seja disputado por muitas dessas mídias, para transmissão aos fiéis torcedores que não podem ir, com frequência, aos estádios.






sábado, 9 de março de 2019

CINEMA ITALIANO - DE PUNHOS CERRADOS.


Boa noite amigos,
Os atores Lou Castelo (Alessandro) e Liliane Gerace, filho
e mãe na trama, em cena do filme. Imagem emprestada de -
clubedaspipocas.
Ambientado em algum lugar não especificado, na zona rural do Norte da Itália, tendo como pano de fundo e inspiração o país pós-fascismo,  ainda recentemente devastado pela segunda guerra mundial e com grandes problemas econômicos e sociais, o primeiro longa do diretor Marco Bellocchio, I Pugni in Tasca, de 1.965, que no Brasil rodou com o título De Punhos  Cerrados e, em Portugal, numa tradução mais literal, como  De Punhos no Bolso, foi saudado na ocasião como um grande filme, de um jovem e promissor diretor, então com apenas 26 anos, que entrava para  o rol de notáveis como Fellini, Antonioni e Bertolucci.  Em branco e preto, com um roteiro bem concebido e fielmente executado, uma fotografia magnífica, belíssima trilha sonora e um montagem dinâmica e  instigante, o longa explora o desalento dos membros de  um família disfuncional, formada pela mãe viúva, (Liliane Gerace),  e os filhos, Giulia (Paola Pitagora), Alessandro (Lou Castelo), Augusto (Marino Mase) e Leone (Pier Luigi Troglio). Todos à exceção de Augusto, possuem limitações físicas e mentais. A mãe é cega e dependente; Leone é retardado e epilético; Giulia é portadora de transtorno bipolar e Alessandro (Lou Castel), o grande protagonista, com uma interpretação magnífica e visceral, é também epilético,  e psicopata. Só Augusto é normal, único que trabalha, tem planos  e administra a família, mas se sente tolhido no seu desejo de se casar (ele tem uma noiva) e ir morar na zona urbana. Leone é ignorado pelos irmãos e vive calado dentro de seu mundo. Giulia mantém uma relação ambígua, que beira o amor e o ódio,  tanto com Augusto, quanto com Alessandro, havendo em relação a este uma sugestão forte de incesto e agressões físicas e morais. E Alessandro, entre atos de depressão e loucura, permeados com as crises de epilepsia, decide que todos os membros da família devem morrer para que Augusto possa finalmente, livre da tragédia de administrar loucos e dependentes, seguir em sua vida e na execução de seus planos e sonhos. São 109 minutos que jamais se arrastam, por causa da dinâmica do transcurso dos fatos e das cenas, provocando no espectador um misto de encanto, poesia, suspense e horror, num filme de arte imperdível. Não assisti na época em que foi exibido. Vi hoje, por acaso, no canal Arte, procurando algo de bom nas dezenas de estações abertas e fechadas. E para quem aprecia cinema de arte vale a dica, com certeza.

Até mais amigos,
P.S.  O cinema desses diretores italianos da segunda metade do século passado, girava muito em torno de um dilema filosófico ligado à natureza humana: o homem e suas relações complexas com o poder e a condição social. E invariavelmente a conclusão de que a cada conquista nessa área, o homem mais se afasta de valores, resvalando para as condutas amorais, para a hipocrisia, para a autodestruição e o crime e não raras vezes para o incesto, o suicídio e o homicídio como resultado de uma degradação desses mesmos valores e do próprio sentido da vida. Dilemas atemporais e como tais sempre presentes e atuais.

sábado, 2 de março de 2019

PONTO DE VISTA SOBRE O GUARANI NO CAMPEONATO PAULISTA DE 2.019

Prezados amigos,

O meia-atacante Thiago Ribeiro, um dos principais jogadores
do elenco bugrino que, aos 33 anos, volta a jogar após su-
perar uma longa depressão. Imagem emprestada de Portal
CB.
Não vi o jogo entre Guarani e Ferroviária no Brinco de Ouro, ontem às 21,00 horas. Nem no campo, nem no Sportv que transmitiu a partida. Cheguei em casa a tempo apenas de ouvir parte dos comentários do pessoal da Rádio Bandeirantes. Soube que o Bugre fez uma partida abaixo da crítica e o resultado final de empate em 1 a 1 foi um lucro enorme para a equipe que somou mais um ponto e se manteve, pelo menos até agora à tarde, na segunda colocação no grupo A, com 14 pontos, dentro da zona de classificação e assim permanecerá por causa da derrota do Novorizontino agora à tarde. Os poucos mais de 2.500 torcedores que foram ao estádio não pouparam a equipe e a comissão técnica.  A modesta Ferroviária da Araraquara, apesar de ser uma boa equipe,  não pode impor ao Guarani, dentro de seu estádio, uma supremacia em raça e técnica que se traduziu em nada menos do que 73% de posse de bola, um gol, duas bolas na trave e grandes defesas do goleiro Giovanni, considerado o melhor jogador da partida. O Bugre, segundo os comentários e as anotações dos repórteres, não conseguiu jogar, não criou, não marcou e em resumo, foi inferior em todos os quesitos e fundamentos. Na coluna do observador e crítico de futebol, Carlos Carcani, do Correio Popular, li durante a semana que a torcida deveria jogar com o time e não vaiá-lo durante o transcorrer do jogo, reservando esse  direito incontestável para o encerramento da peleja, quando o resultado não viesse. Pois bem, a observação é lógica e realmente os apupos que se verificarem durante o jogo são negativos para a equipe, que conta com o incentivo do torcedor, especialmente quando joga em casa. Mas isso não pode servir de desculpa para as péssimas atuações da equipe neste campeonato, muito embora tenha se salvado quase sempre pela individualidade de um ou alguns jogadores, em certas partidas, pelas falhas dos adversários, em outras,  ou pela sorte. Isso mesmo, o Guarani não pode reclamar da sorte neste campeonato. Quem olhar a tabela de classificação hoje vai verificar que o Bugre, com 14 pontos em 09 rodadas, é surpreendentemente a 4ª. melhor equipe entre todas as 16 que disputam o campeonato, só atrás de Santos, que mostra o futebol mais ofensivo e vistoso do torneio e pode chegar, no caso de vitória amanhã,  a 22 pontos; do Palmeiras, um dos maiores esquadrões do país e  da ótima e equilibrada equipe do Red Bull Brasil, ambos com 18 pontos. Essa posição não pode ser contestada pelos números, mas engana no que tange à qualidade do futebol que o alviverde campineiro está jogando. A equipe, em regra, não tem padrão definido, não joga com a mesma intensidade e raça os 90 minutos de jogo, erra muitos passes quando está com a bola e não consegue marcar o adversário com eficiência. Sem verticalidade, vive dos gols oportunistas de Diego Cardoso, da categoria do meia atacante, Thiago Ribeiro, quando assume a condição de protagonista (e nem sempre isso acontece, pois ontem, por exemplo, esteve abaixo da crítica), da luta incansável de Ricardinho no meio de campo, um jogador que se movimenta e ajuda no ataque e na defesa, e, ainda,  na fase excelente por que passa o goleiro Giovanni (mérito também para seu reserva Keven, que, ao substitui-lo contra o São Paulo, fez uma partida irrepreensível na vitória bugrina por 1 a 0 em pleno Pacaembu).  Vamos considerar todas as contingências: a equipe voltou este ano para a 1ª. divisão do  Paulista, depois de amargar 4 anos na série A-2, montou a equipe toda praticamente no começo do ano, sem tempo suficiente para entrosamento e acondicionamento físico e a esta altura do campeonato está livre de qualquer risco de rebaixamento e tem chances de passar à fase seguinte. Ótimo, ou tanto melhor. Mas, gente, o Bugre não jogou bem praticamente nenhuma das partidas que disputou. Fez partida mais equilibrada contra o Botafogo (2 a 0),  em Campinas, sem convencer,  mas ganhou do Corinthians no Brinco, sem jogar bem. 
O goleiro Giovanni, de 33 anos, que passou por grandes -
equipes e veio para disputar posição com Agenor. Ganhou
a posição de titular e  vem fazendo um grande campeonato
pelo Bugre. Imagem emprestada de A Cidade ON
Em São Paulo, foi massacrado pelo tricolor e contou com a sorte e com o excepcional desempenho do goleiro reserva para acumular a segunda vitória contra um grande (1 a 0). Venceu o São Caetano, de virada, no Brinco (2 a 1), jogando mal contra um time praticamente rebaixado. Conseguiu empatar com o Mirassol fora de casa, no último minuto (2 a 2),  graças a um pênalti infantil cometido por um dos defensores. E  perdeu para Bragantino (1 a 0), fora de casa, Oeste (2 a 1), de virada no Brinco e para o Santos pelo placar mais elástico (3 a 0).  E se nem todas as quatro vitórias foram merecidas, as três derrotas mostraram melhor a diferença entre o futebol jogado pelos adversários e o da equipe de Loss, que não foi capaz até aqui de dar ao time equilíbrio, estabilidade e padrão de jogo. Vi hoje a partida entre Red Bull e Novorizontino, vencida pelo primeiro pelo placar de 1 a 0. Um jogo bom, franco, de boa qualidade técnica. O Novorizontino, mesmo derrotado, mostrou um grande futebol e apesar de estar em terceiro lugar na chave do Bugre, tem uma equipe superior, pelo menos no que diz respeito ao futebol coletivo que vem jogando. Como bugrino comemoro  os 14 pontos e a campanha que o Guarani vem fazendo. Como observador e amante do futebol, não há o que comemorar. Até aqui a equipe e a comissão técnica estão devendo. O sinal vermelho está acionado no Brinco. O torcedor sabe. E teme o futuro da equipe se não neste campeonato, no Brasileiro da série B que vem por aí, porque o retorno à Copa do Brasil neste ano durou uma partida e uma frustração: a desclassificação na derrota para o modestíssimo Avenida do Rio Grande do Sul, que segundo se noticiou estava, antes do jogo, sumamente honrado por receber um campeão brasileiro!!!!
                                                                                     
Até mais amigos.