quinta-feira, 29 de março de 2018

MAIS UMA DECISÃO POR PENALIDADES - E O CORINTHIANS ESTÁ NA FINAL DO PAULISTÃO 2018


Boa noite amigos,

O jovem meia Liziero, de 20 anos,  promessa do São Paulo

fez um grande jogo, mas acabou perdendo a penalidade que
levou o Corinthians para a final do Paulista. Imagem em-
prestada de SAF Conline. 
Terminou agora há pouco o segundo jogo da semifinal do campeonato paulista envolvendo São Paulo e Corinthians. E a exemplo da outra semifinal, que aconteceu entre Santos e Palmeiras, também nesse confronto houve decisão nas penalidades máximas. O tricolor do Morumbi venceu o primeiro jogo pelo placar de 1 a 0 e foi para a segunda partida precisando apenas do empate. A partida, realizada na Arena de Itaquera, casa do Timão, foi toda em ritmo intenso, com dedicação máxima dos 22 jogadores que entraram em campo, mais os seis substitutos. Com recuo estratégico e raras estocadas, especialmente no segundo tempo, o São Paulo soube segurar o ímpeto do dono da casa, que necessitava da vitória, ao menos por um gol de diferença, para levar a decisão para as penalidades. A defesa tricolor, criticada em outros tempos, hoje foi soberana em evitar que os atacantes corintianos chegassem, com efetividade, à meta do goleiro Cidão. O Corinthians, sem um centroavante de referência, abusou dos cruzamentos para a área, praticamente todos afastados pela zaga tricolor. O jogo se arrastou até os 45 minutos do segundo tempo num 0 a 0 que classificava o São Paulo e eliminava o rival. E esse resultado parecia mesmo definitivo até que o improvável aconteceu. Em cobrança de escanteio, já aos 47 minutos, dois da prorrogação dos cinco  estabelecidos pelo árbitro, Rodriguinho, que jogou no sacrifício por não estar curado completamente de lesão muscular,   subiu sozinho, e, com consciência, cabeceou  para o chão, fora de alcance de Cidão. E  a bola foi morrer no canto esquerdo da meta são-paulina: 1 a 0 para o Coringão com direito a delírio de mais de 47 mil  corintianos presentes no estádio, em renda recorde neste campeonato paulista.    Na cobrança de penalidades, 4 a 4, com 1 pênalti defendido por cada lado. Diego Souza  viu, como numa reprise de 2.012 quando jogava pelo Vasco da Gama pela Libertadores, o goleiro Cássio defender a sua cobrança. Pelo lado do Timão, Rodriguinho, o herói da partida, quase se transforma em vilão ao perder penalidade defendida pelo goleiro.  Mas já nas cobranças alternadas o jovem e promissor Liziero, que foi um dos melhores jogadores da partida,  também não marcou. A bola, tocada pelo goleiro Cássio, bateu caprichosamente na trave esquerda e saiu.  E o Corinthians está na final com o Palmeiras. Uma final inédita neste século, assim como há muito tempo não ocorria uma semifinal entre os quatro grandes de São Paulo. A lógica indica que o Palmeiras deverá ser o campeão, pois é hoje o melhor time do Brasil pelo plantel ou elenco que possui. Mas alguém afiançaria isso num clássico dessa tradição? Neste mesmo campeonato o Verdão, favoritíssimo, perdeu para o mesmo adversário pelo placar de 2 a 0.  Melhor mesmo é esperar por dois grandes jogos e aguardar o que os deuses do estádio reservam para corintianos e palmeirenses no outono de 2.018. 

Até mais amigos.

P.S. (1) Os campeões e vices do Campeonato Paulista neste século foram os seguintes:
2.000 -  São Paulo (campeão)      Santos (vice);
2.001 – Corinthians (campeão)  Botafogo (vice);
2.002 – Ituano (campeão)   União São João de Araras (vice). Neste ano os grandes, mais Ponte Preta e Guarani não disputaram o campeonato por estarem, na mesma ocasião, disputando o extinto torneio Rio-São Paulo;
2.003 – Coritinhians (campeão)  São Paulo (vice);
2.004 – São Cetano  (campeão) e Paulista de Jundiaí (vice);
2.005 – São Paulo (campeão)   Corinthians (vice);
2.006  - Santos (campeão)    São Paulo (vice);
2.007 – Santos (campeão)     São Caetano (vice);
2.008 – Palmeiras (campeão)  Ponte Preta (vice);
2.009 – Corinthians (campeão)  Santos (vice);
2.010 -  Santos (campeão)    Santo André (vice);
2.011 -  Santos (campeão)   Corinthians (vice);
2.012  - Santos (campeão)    Guarani (vice);
2.013 -  Corinthians (campeão)    Santos (vice)
2.014  -  Ituano (campeão)   Santos (vice);
2.015 -  Santos (campeão)    Palmeiras (vi ce);
2.016 – Santos (campeão)    Audax (vice);
2.017 – Corinthians (campeão)   Ponte Preta (vice).



domingo, 18 de março de 2018

VOLANTE MODERNO - DOIS GOLS DE DENNER NA VITÓRIA DO BUGRE

Boa noite amigos,

Denner dando entrevista  ao canal Sport TV. Imagem em-
prestada de diariodabola.com.br.
Aquele volante tradicional, rebatedor, tipo “segurança” à frente da zaga,  já não faz sucesso no  futebol moderno. O esporte evoluiu e hoje  os grandes clubes dependem fundamentalmente da capacidade de seus  treinadores de montar um esquema para cada jogo, em função das características do adversário e de saber motivar e aproveitar as virtudes de seus atletas, em benefício do conjunto e da proposta de resultado, sobretudo considerando que poucos são, no mundo, os jogadores “fora de série” como Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, capazes de decidir uma partida numa jogada individual, num lance mágico. Por isso a ordem é esquecer a posição em que se joga, segundo as formações clássicas (hoje os atletas abandonaram até os números tradicionais das respectivas posições). É preciso saber confundir o adversário, ter mobilidade para girar e fazer a bola girar, trocar de lado, atrair marcadores,  abrir espaços para os companheiros,  e, especialmente, ser fiel à ordem geral de que todos são obrigados a atacar, quando a equipe estiver com a bola, e a defender, quando o time é atacado. Pensei nesse assunto hoje de manhã depois do jogo em que o Guarani venceu a Penapolense, no Brinco de Ouro, pelo placar de 4 a 2 e selou sua classificação antecipada, na antepenúltima rodada, para as semi-finais do Campeonato Paulista da série A-2. A equipe titular vinha jogando sistematicamente com dois volantes típicos: Baraka e Ricardinho. Este último, no entanto, recebeu o terceiro cartão amarelo e desfalcaria a equipe no jogo de hoje, gerando  um certo temor dos torcedores, por causa de seu bom desempenho na campanha do alviverde campineiro, com regularidade. Ricardinho tem sido aquele jogador incansável no combate ao adversário, que corre 90 minutos com a mesma intensidade e garra. Para o seu lugar, o treinador escalou o jogador Denner. O atleta de 23 anos, 1,80 metros de altura, já passou por outros clubes, incluindo o Grêmio Portoalegrense e veio do Red Bull. Veloz e de boa condição técnica, é destro e de seu currículo consta ser meia, atuando também de segundo volante. No jogo,  mais adiantado, infernizou a defesa da equipe adversária, construindo jogadas ao lado dos laterais Marcílio e Lenon e dos atacantes Bruno Nazário, Rondinelly e Bruno Mendes. Em 25 minutos de jogo, o Bugre já aplicava um 3 a 0 na equipe de Penápolis, com dois gols dele. Isso mesmo. De Denner, que substituía e fazia, teoricamente, a função de segundo volante, inúmeras jogadas, assistências e finalizações. E dois dos quatro gols. Volante? Lá na escalação era essa a sua função antes do jogo. Para confundir o adversário? Talvez. Mas, quem é que não quer hoje um volante capaz de, sem prejuízo de sua função de dar cobertura à defesa, mostrar intimidade com a “redonda”, capacidade para construir, criar e finalizar bem para as redes adversárias? Como diria minha avó, se fosse viva: - “Até eu, que sou mais boba.”

Ate mais amigos.
 



domingo, 11 de março de 2018

DOIS POEMAS



Boa noite amigos,
Imagem emprestada de forum outerspace.com
Neste domingo quente de verão, dois poemas que alinhavei, um ontem, outro hoje, em momento de inspiração melancólica.


SOB A PONTE ( AOS ANÔNIMOS IGNORADOS).
11/03/2.018.

DEBAIXO DAQUELA PONTE  A VIDA PULSA ESCONDIDA,
DIVERSA, PERDIDA, ERRANTE,
DEBAIXO DA PONTE A GENTE SEGUE SÔFREGA, INCOMPREENDIDA, MALTRATADA, IGNORADA
SOB AQUELA PONTE HÁ UM MUNDO POBRE, PODRE E MARGINAL,
ONDE TUDO E TODOS SE MISTURAM PARA EXISTIR.
UMA EXISTÊNCIA PÍFIA  E ANÔNIMA,

DEBAIXO DA PONTE.



EXISTE!
10/03/2018.

EXISTE UM MUNDO FORA DO MUNDO,
E UM TEMPO ALÉM DO TEMPO,
EXISTE O QUE CESSA E  O QUE SOBEJA
O QUE CONTENTA E O LAMENTO.

EXISTE A LIDA, EXISTE A SORTE
EXISTE O AMOR QUE EXTRAPOLA,
INUNDA O CORPO, AQUECE A ALMA,
ILUMINA A VIDA E  DESAFIA A MORTE.

EXISTE!

Até..... amigos.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO - NOVA VERSÃO - VELHA FÓRMULA DE SUCESSO

Boa noite amigos,

Imagem do elenco do remake da Escolinha do Professor 

Raimundo. Foto emprestada de paranaonline.com.
Concebido com o único objetivo de prestar homenagem póstuma ao  humorista Chico Anísio e ao vasto elenco de comediantes de muitas gerações, nos quase 60 anos de vida da Escolinha do Professor Raimundo, o remake de 2.015 fez tanto sucesso que a TV Globo decidiu incluí-lo na grade fixa da emissora. Nesta terceira temporada tem apresentação semanal às 13,30 horas dos domingos. Vi poucos episódios, um dos quais neste domingo. E confirmei a minha impressão de que o remake é muito bom e pode ser apontado como uma das gratas revelações dos novos programas de humor da emissora, a despeito de conservar a velha fórmula de explorar uma sala de aula com alunos de várias origens e perfis, sob o comando do Professor Raimundo Nonato, um nordestino como o próprio Chico Anísio, nascido em Maranguape, no agreste do Ceará. Os atores e atrizes escolhidos para viver os velhos personagens se superam na difícil missão de caracterizá-los. Bruno Mazzeo, o filho e sucessor artístico do pai, Chico Anísio, comanda a sala de aula com a mesma inteligência e maestria do pai. Marcelo Adnet,  no papel de Rolando Lero, personagem imortalizado por Rogério Cardoso, demonstra toda a sua facilidade na arte de imitação; Matheus Solano, o impagável Zé Bonitinho, do lendário Jorge Loreto, a Catifunda de Zilda Cardoso, reencarnada  na pele de Dani Calabresa, uma das mais talentosas comediantes da nova geração, Marcos Caruso, como o homossexual Seu Peru, vivido outrora por Orlando Drummont Cardoso (a semelhança física entre os atores é impressionante), a magrela Betty Gofman, interpretando Dona Bela, da saudosa Zezé Macedo e, especialmente, Lúcio Mauro Filho, com toda a sua versatilidade na homenagem que presta ao seu pai, Lúcio Mauro (o puxa-saco, Sandoval Quaresma) dentre outros, são exemplos de como o remake conseguiu reviver para  a nova e a velha geração, na qual me incluo, claro, a graça simples do programa de humor de outrora,  pelo qual passaram praticamente todos os comediantes dos vários estilos (Grande Otelo, Zé Trindade Costinha, Brandão Filho, Sérgio Malandro), muitos dos quais ganharam visibilidade e surgiram para o sucesso, na oportunidade que lhes concedeu  o olho clínico e a generosidade de Chico Anísio, como Tom Cavalcante, Pedro Bismarck e Cláudia Gimenez, para exemplificar.

Chico Anysio e Bruno Mazzeo, pai e filho vivendo no original

e no remake, respectivamente, o personagem e Professor Rai-
mundo Nonato, o comandante da Escolinha do Professor
Raimundo. Imagem emprestada de Bolnoticias.com.
O clima entre o elenco, sob direção da inexorável (como diria o Faustão), Cininha de Paula,  é do mais alto astral. Os atores só decoram as suas próprias falas, de tal maneira que a graça dos textos e das interpretações dos colegas só é sentida no set das gravações. Daí as risadas constantes e especialmente os aplausos, mais ou menos efusivos, que eles próprios se concedem reciprocamente, como se fossem mesmo espectadores, assistindo ao programa em poltronas de um teatro ou na sala de casa. Surpreendi este domingo a Fernandinha Souza, fazendo foto, com o seu indefectível celular, durante apresentação de Dona Bela (Betty Gofman), no melhor estilo de como agiria uma jovem e entusiasta fã qualquer  em relação ao seu ídolo. Essa clima espontâneo e alegre contagia a todos. E, sem dúvida, aos espectadores.A redação final, sob responsabilidade de Péricles Barros e Marcelo Saback, sem deixar de contemplar as características dos personagens, pelos quais se tornaram célebres, passa pelas piadas que envolvem a vida das celebridades, a política e seu rico cabedal de assuntos que enchem cotidianamente os noticiários das mídias, os pobres e suas dificuldades, com ênfase, ainda,  à malandragem brasileira e as questões de gênero. Longe, porém, da escatologia e da grosseria que poderia indignar os defensores mais fanáticos do chamado “politicamente correto”.  


Até mais amigos,

Outra dupla pai e filho nos dois momentos. A esquerda o

velho Lúcio Mauro e à direita o filho Lúcio Mauro Fi-
lho, encarnando o personagem Aldemar Vigário no-
original e no remake, respectivamente. Imagem em-
prestada de purepeople.com.
P.S. (1) A Escolinha do Professor Raimundo era apresentada como um quadro do programa de humor nominado de Noites Cariocas na TV Rio. Foi também exibido pelas extintas, TV Excelsior e TV Tupi, até sua estreia na TV Globo, ainda como um dos módulos do programa Chico City. Só na década de 90 que ganhou autonomia, a pedido do próprio Chico Anysio;


P.S. (2) A atriz Betty Gofman, ao mesmo tempo em que interpreta Dona Bela, personagem de Zezé Macedo, leva para o teatro a peça “A inesquecível Zezé Macedo”, uma biografia da comediante morta em 1.999 que se converteu numa lenda do cinema brasileiro das chanchadas, ao lado de Zé Trindade, Ankito, Oscarito e Grande Otelo.



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

MARLON BRANDO - A FACE SOMBRIA DA BELEZA - BIOGRAFIA DO MITO DO CINEMA

Boa noite amigos,

Imagem de capa do livro biografia de
Marlon Brando.
Escrita pelo respeitável jornalista e novelista francês, François Forestier,  traduzida por Clóvis Marques para o português e lançada no Brasil pela Editora Objetiva, em 2.014,  MARLON BRANDO – A FACE SOMBRIA DA BELEZA, é uma biografia do ator considerado o melhor e mais influente de sua geração, além de ser reputado um dos mais belos e sedutores do mundo, ao lado de ALAIN DELON. Confesso que não sou propriamente apaixonado pelo gênero, na medida em que a vida privada, quiçá secreta, de celebridades, não me seduz, nem me importa. Prefiro conhecer as suas obras e apreciá-las ou não. E preservar o mito, não o homem ou a mulher que está por trás dele. Mas a ânsia de conhecer detalhes dos bastidores de Hollywood, de atores e atrizes da época de ouro do cinema, dos filmes que me cativaram nas décadas de 50 e 60, assim como o que acontecia nos sets de gravações e como nasceram os roteiros, os romances, as grandes produções, os sucessos inesperados, os fracassos retumbantes de bilheteria ou crítica, as grandes adaptações de obras literárias para o cinema, tudo isso que está no entorno da magia da sétima arte me levam a eventualmente manifestar certo interesse por uma ou outra obra específica do gênero. Comprei assim o livro numa de minhas muitas investidas pelas livrarias da vida, depois de pesquisar sobre a reputação do jornalista e escritor, à cata de algo que me parecesse relevante ou que valesse a pena, dependendo, sempre e é claro,  dos meus reais interesses momentâneos, pois assim como confessa Cecília Meirelles em seu poema Lua Adversa,  também tenho “fases como a lua”. As famosas e inesquecíveis personagens que o ator desempenhou no cinema, em filmes como Sindicato dos Ladrões, O Poderoso Chefão, Apocalypse Now, Uma Rua Chamada Pecado, estavam e estão guardadas para sempre na minha memória dos grandes atores e atrizes e dos filmes extraordinários, que marcaram época e se eternizaram na história da sétima arte. Li o livro e o achei meritório desse ponto de vista, além é, claro, das opiniões manifestadas por todos aqueles que o jornalista ouviu para colher dados e impressões. 
Foto  dos últimos anos de vida do ator, doente e obeso.
Imagem emprestada de www.ameninaquecompravalivro
com.br

E foram muitas as personalidades consultadas, na longa lista de agradecimentos que o autor publica, ao final da narrativa. Claro que o autor mostra os eventos da vida privada de Brando, relata as conquistas obtidas em função de sua inteligência e perspicácia, o seu poder de controle e sedução de homens e mulheres, as esposas e os filhos, e todos os dramas que marcaram a sua vida de 80 intensos anos. Mas para contar essa história o escritor necessariamente se reporta à influência e participação de outros grandes atores e divas do cinema, de escritores e dramaturgos como Tenesse Williams, de cineastas do porte de Francis Ford Coppola, de produtores poderosos e tudo que gira em função do cinema. Para quem gosta de cinema. Para quem, como eu, conheceu e apreciou parte considerável da filmografia de Marlon Brando e  viveu a época em que ele era celebrado como o grande e definitivo mito do cinema, arrastando para as bilheterias do mundo inteiro, milhões de fãs que queriam vê-lo representar, ou simplesmente contemplá-lo como um sex- simbol (esses fãs, como eu, homens ou mulheres, devem estar certamente beirando os 60 anos), a biografia é curiosa e interessante.


Até amanhã amigos,


P.S. (1) - Para nós brasileiros há uma curiosidade extra na vida e filmografia de Marlon Brando. O seu filmeUltimo Tango em Paris de 1.972, foi proibido no Brasil, pela censura da ditadura militar, considerado imoral, pelo alto grau de erotismo,  pelas cenas seguidas de sexo envolvendo os protagonistas (Brando e  a então jovem atriz Maria Schneider). E a proibição, é claro, gerou entre nós intensa curiosidade. Ficou famosa a chamada cena da manteiga em que Brando usa o produto para facilitar a penetração em suposta cena de sexo anal. O filme, com o fim da ditadura, foi liberado, mas rendeu declarações muito fortes por parte da atriz que se disse sentir-se estuprada com a postura tanto de Bertolucci, quanto de Brando, este ao sugerir cenas que não estavam no roteiro;
P.S. (2) O original, com o título de Un Si beau Monstre (Um  Monstro tão Bonito) foi publicado em 2.012 pela Editora Albin Michel;
P.S. (3) O autor François Forestier é jornalista da revista Nouvel Observateur e escreveu inúmeros romances e biografias, dentre as quais: “Aristóteles Onassis – O homem que queria tudo” (2.006), “Martin Luther King, O  visionário” (2.008) e “Marilyn e JFK - história (2.008). Este último foi um sucesso retumbante e publicado em 10 idiomas;
P.S. (4) O cineasta Martin Scorsese sobre o polêmico ator: “Ele é o marco. Há o “antes de Brando” e o “depois de Brando”.



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O ESPELHO - CONTO FILOSÓFICO DE MACHADO DE ASSIS

Olá amigos, 

Esboço da imagem do escritor Machado de Assis, 

emprestado de pixabay.com.br
Reli, ontem à noite, um dos contos que mais aprecio de Machado de Assis: O Espelho. É que, além de ser uma obra literária de qualidade, vazada naquela peculiar linguagem enxuta, escorreita e requintada do mais talentoso e versátil representante do realismo brasileiro, o conto revela sua incursão pelo campo dos ensaios filosóficos, aspecto que já vem denunciado no subtítulo que ele próprio elegeu, ao usar a expressão “esboço de uma nova teoria da alma humana”.  No colóquio de cinco personagens, reunidos em uma noite, num lugar qualquer não elucidado, Jacobina (alterego do próprio Machado?) traz à tona uma experiência por ele vivenciada na mocidade, que lhe permitiu concluir seguramente pela existência de duas almas, conclusão que em nenhum momento pôs em discussão para os demais companheiros: “Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro.... Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo, não admito réplica. Se me replicarem acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens,um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades perde naturalmente metade da existência, e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.”
Para ilustrar a alma exterior, Machado se refere à patente de Alferes conferida a Jacobina. E de tudo o que tal lhe rendeu em termos de reconhecimento familiar e social, de maneira tão intensa e inevitavelmente imposta e assimilada que a alma exterior acabou por sufocar a interior: “O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.” E colacionou fatos para justificar a conjetura, relatando os detalhes de sua permanência de três semanas em modesta casa de uma tia, a tia Marcolina,  que não se cansava de ressaltar a importância de sua patente de alferes e lhe conferira privativo e adequado aposento, para onde determinara a remoção do único móvel valioso, um grande e tradicional espelho que se encontrava dantes adornando a sala de visitas.
Ah! Aquele espelho traria à tona o que sua mente jamais poderia suspeitar. As duas naturezas de Jacobina: a alma interior e a alma exterior, conforme o caso.
A primeira era a imagem de um mero autômato, de uma figura humana fragmentária, sem contornos definidos: “Olhei e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo, não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra.” Quando, porém, o alferes lembrou-se da farda e a vestiu, outra foi a sensação. A imagem se revelava  soberba, completa, cabal,  de contornos bem definidos, de um homem valente e seguro: “o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso: era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior.”  Acho que bem ou mal todos nós pressentimos a existência dessa dualidade. Vivendo necessariamente os nossos papéis sociais (pais, mães, marido, mulher, amigo, inimigo, vizinho, engenheiro, advogado, nacional, estrangeiro, patrão, empregado, etc. etc.) damos vida a nossa alma exterior,  seguindo regras e modelos bem definidos, que não constituem, porém, a nossa essência como seres individuais, únicos na espécie,  com vontades e sentimentos, razão e emoção, juízos de dúvida, em busca de uma coerência inútil e inexistente. Aqui, olhando de fora para dentro, buscando a nossa alma interior, já não há espaço para regras ou interferências. Penetramos no nosso “psique”  mais profundo, seja ele um anjo, uma alma, uma aura, uma natureza humana interior,  ou coisa que o valha, numa operação que comumente se apelida de busca de autoconhecimento. O equilíbrio entre as duas almas, as duas vertentes,  constitui a forma mais salutar de se viver neste mundo, sem enlouquecer. Nem sempre é fácil. Mas na medida em que não temos como evitar essa dualidade, num mundo que nos cobra muitos papéis na diversidade das relações humanas, é aceitável que se apele para as fantasias do personagem ou dos personagens sociais e seus papéis, quando eles alimentam a  auto-estima e nos auxiliam a suportar as nossas perdas e  dramas  existenciais, que a gente enfrenta, ou nega veementemente, como nega a realidade, preferindo substituí-la[1] pela fantasia, pela poesia e sua eficácia redentora[2]. Pela poesia e sua capacidade transformadora. Pela poesia e sua peculiar descrição da realidade sob a perspectiva de quem vê. Sem razão, portanto, o nosso poetinha[3] quando confessa piedade por sua poesia, que reputa bela, porém inútil.[4].  


Até mais amigos,

  
P.S. (1) O conto integra a obra, Papéis Avulsos, 3º livro de contos de Machado, publicado no ano de 1.882. Segundo os estudiosos do escritor e de sua rica literatura, nesse conto, se propõe ele a anunciar uma nova teoria metafísica sobre a alma humana.






[1]  "E me deito, feliz por ter vivido e sofrido em outros que não eu mesmo. Vocês talvez me digam: "Tem certeza de que esta lenda é verdadeira? Que importa o que possa ser a realidade situada fora de  mim, se me ajudou a viver, a sentir que sou e o que sou?" Charles Baudalaire em Pequenos Poemas em Prosa.
[2] “O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente”  - Fernando Pessoa.  Autopsicografia.
[3]  Apelido que Vinicius de Moraes recebeu de Elis Regina num episódio em que ambos se estranharam por causa de questões financeiras envolvendo o filme Garota de Ipanema.  Vinicius, por seu turno, respondeu atribuindo a Elis, a alcunha de “Pimentinha”, por causa de sua forte personalidade e seu gênio indomável. 
[4]      "Resta essa vontade de chorar diante da beleza. Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido. Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil". Parte do poema O Haver.


domingo, 14 de janeiro de 2018

ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE - BOA ADAPTAÇÃO DO ROMANCE PARA O CINEMA

Boa noite amigos,

Parte dos personagens do filme, em cartaz de divulgação

do longa de Kenneth Branagh.  Imagem emprestada de

http://ovicio.com.br.
Adaptado do romance de 1.934, considerando como a obra-prima da escritora inglesa, AGATHA CHRISTIE, a segunda versão para o cinema[1] de Assassinato no Expresso do Oriente, é uma boa surpresa. O diretor, produtor e protagonista KENNETH BRANAGH (diretor de THOR e especialista em Shakespeare),  investiu pesado na trama e não deve ter se arrependido, pois o filme tem sido sucesso nas bilheterias americanas e estrangeiras, dividindo, porém, como quase sempre acontece, a crítica especializada, entre os que o consideram uma adaptação quase perfeita e aqueles que o reputam mediano. O resultado, segundo meu ponto de vista como cinéfilo inciente, como diria o meu amigo Regis de Morais, é muito bom e agradável de se ver. Numa escala de 0 a 5, merece uma nota quatro com louvor. Tal como no original, a versão cinematográfica resgata o detetive Hercule Poirot, uma das criações da escritora, personagem de vários de seus romances,  que Kenneth encarna com muito talento e  humor. Obra de suspense, traz como linha-mestra um crime de homicídio praticado durante trajeto do famoso trem Expresso Oriente, que o detetive é instado, pelo amigo e coordenador da viagem,  a solucionar, antes que  a polícia seja comunicada do delito. O autor seria um dos passageiros? Um estranho que lograra ingressar na locomotiva durante a noite, praticado o homicídio e depois de evadido? Qual teria sido a motivação do crime?  E assim como no romance, o roteiro também segue acompanhando o tormento do detetive baixinho e cheio de manias,  e as xaradas que vai tentando desvendar, colhendo pistas deixadas no local do crime, a real identidade dos viajantes, o passado de cada um e o envolvimento ou não deles com a vítima. O final é bom e deixa uma interessante brecha para discussão para os amantes e estudiosos do Direito: existe sempre apenas o certo e o errado, dois extremos?
Foto da escritora Agatha Christie   
(1.890/1973). Imagem emprestada de
agathachristiewikia.com.
O elenco de muitos atores consagrados em Hollywood enriquece a trama,  mas nenhum deles, por causa mesmo da condição de meros coadjuvantes, estaria a merecer um troféu pelo desempenho. O destaque maior fica mesmo para a direção de arte e a fotografia esmerada, um colírio para os olhos enquanto o longa se desenvolve, trazendo à tona todo o cenário das colinas e cordilheiras asiáticas e europeias, nos seus mais diferentes momentos (algumas cobertas pela neve), com a utilização da mais moderna tecnologia disponível. Não é imperdível não, mas é um ótimo filme na sua categoria.



Até amanhã amigos.

P.S (1)  Além de Kenneth Branagh, no papel principal do Detetive Poirot, o elenco conta com velhos conhecidos do público brasileiro, como Johnny Depp da série Piratas do Caribe (2.003, 2.006 e 2.007), no papel de Edward Ratchett; Michelle Pfeiffer (Scarface (1.983), Uma Lição de Amor (2.001), incorporando a personagem Caroline Hubbard; Penelope Cruz  (Volver (2.005), Para Roma Com Amor (2.012) como Pilar Estravados;  a atriz inglesa, Lucy Boynton, no papel da Condessa Andrenyr) e o grande ator Willem Dafoe como Gerhard Hardmann. Dafoe, de 62 anos, esteve no Brasil em 2.015, filmando com Maria Fernanda Cândido e Bárbara Paz, Meu Amigo Hindu, último filme do saudoso cineasta argentino, naturalizado brasileiro, Hector Babenco. Aqui deu entrevistas, elogiou as mulheres brasileiras e particularmente a beleza e generosidade de suas colegas de trama Maria Fernanda e Bárbara Paz e encantou seus fãs. Dono de vasta filmografia Dafoe, além de Meu Amigo Hindu (2.015), integrou o elenco, dentre outros, dos filmes O Grande Hotel Budapeste (2.013); A Culpa é das Estrelas (2.014) e já era conhecido como o temível Green Gablin/Norman Osborn (o popular, Coringa) em Homem Aranha (2.002) e Homem Aranha 2 (2.004);

P.S. (2) A escritora, Agatha Christie nasceu em 15 de setembro de 1.890 e morreu em 12 de janeiro de 1.976, aos 85 anos. Seus romances foram traduzidos para mais de 100 idiomas e venderam cerca de quatro bilhões de cópias, um recorde. Só seu conterrâneo William Shakespeare e a Bíblia teriam vendido mais livros que ela, segundo o Guinnes World Records.


P.S. (3) A locomotiva denominada, Orient Express fez  sua primeira viagem em 1.883, ligando Paris a Constantinopla. Em 1.900 passou ao domínio privado e estendeu seu percurso a outros países e localidades.





[1] A primeira versão cinematográfica de ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE foi lançada em 1.974 com o ator ALBERT FINNEY no papel do detetive belga, HERCULE POIROT.