domingo, 21 de abril de 2019

CORINTHIANS TRICAMPEÃO EM SÃO PAULO E O FIM (?) DOS CAMPEONATOS REGIONAIS


Amigos,

Vagner Love, um centroavante oportunista, de carreira vito
riosa fez o gol do título corintiano neste domingo, na Arena 

Timão. Alegria e consagração com a maior torcida de São
Paulo. Imagem emprestada de Veja-Abril.com.
Algumas vozes se levantam nos últimos anos, contra a manutenção dos campeonatos regionais, invocando-se, dentre outros inconvenientes, o calendário dos grandes clubes,  cada vez mais apertado, por causa do formato do campeonato nacional, de pontos corridos e longas 38 rodadas, além da Copa do Brasil (um dos campeonatos cobiçados e que melhor remuneram os clubes e ainda abre vaga suplementar para a Libertadores) e campeonatos latino-americanos, como a Libertadores da América e a  Copa Sulamericana, sucessora da Copa Conmebol. A briga  por audiência pelos canais de TV aberta também contribuiu para que a campanha ganhasse algum fôlego, pois, tirante os clássicos, a maioria dos jogos envolvendo os chamados “grandes” com equipes de menor expressão, regionalizando demais, ao que se supõe, o interesse dos espectadores, são argumentos que conspiram contra a manutenção daqueles que foram considerados, outrora, os mais relevantes campeonatos, por causa da rivalidade local.  Esses argumentos, porém, podem ser considerados apenas “meia-verdades”. Os índices de audiência quando joga o Flamengo contra um time pequeno do Rio pelo Campeonato Carioca, ou o Vasco, não é muito menor do que aquele que envolve um Fla-Flu, um Palmeiras e Corinthians, um Internacional e Grêmio, tudo dependendo da importância desses jogos, em função dos esdrúxulos regulamentos que as federações e os próprios clubes impõem a essas competições. A Copa do Nordeste é uma experiência interessante e o Campeonato Paulista, o mais difícil e importante do Brasil, é um grande celeiro de promessas para o futebol brasileiro.  As equipes médias e pequenas precisam subsistir e a ausência em campeonatos que envolvam os grandes clubes praticamente inviabiliza a manutenção deles, cuja vocação, dentre outras relevantes, é a de  revelar e formar grandes jogadores.
Goleiro Cassio, 31 anos, ídolo corintiano, responsável por
defesas importantes durante o campeonato. Imagem em-

prestada de GoboEsporte.

Ontem assisti a uma das semifinais do campeonato paulista da série A-2, que corresponde à 2ª. divisão. Um clássico regional envolvendo o XV de Novembro e a Internacional de Limeira, no Estádio Barão de Serra Negra, em Piracicaba. Um jogaço, que terminou em 2 a 2, com a equipe da casa muito melhor e que estava vencendo até a prorrogação, quando tomou o empate e a decisão foi para os pênaltis. A Internacional, que foi campeã paulista de 1.986, venceu e obteve o acesso para a elite. O Estádio, literalmente lotado, recebeu quase 15.000 pagantes. Foi o maior público envolvendo os jogos das equipes do interior de São Paulo em 2.019, inclusive com os chamados "grandes" superando assim os pagantes do jogo Ferroviária e Corinthians, em Araraquara (12.998), pelas quartas de finais do Campeonato Paulista, que até então detinha o recorde.
Marcelo Lomba, goleiro do Internacional, que fez grandes
defesas durante o jogo da final, embora seu time tenha si

do derrotado, nas penalidades, pelo arquirrival, Grêmio
Portoalegrense. Imagem emprestada de Poker.
Hoje o Corinthians, em final contra a equipe do São Paulo, sagrou-se tricampeão paulista pela quarta vez em sua história, com uma equipe aguerrida, mas longe, muito longe de seus melhores dias e tradições. Marcante mesmo é a trajetória do técnico Fábio Carille, sucessor de Tite, que, indagado pelo repórter da Globo,   que o entrevistou no final da partida,  sobre o segredo para conquistar,  em três anos, um título brasileiro e três paulistas, respondeu que não sabia se era bom técnico, mas tinha certeza que tinha sido abençoado nessa sua trajetória.


Até mais amigos.

P.S. (1) O gol do título corintiano surgiu de um contra-ataque mortal, onde se destacou o passe certeiro de Somoza e a precisão do centroavante Vagner Love, que bateu de primeira, sem chance para o goleiro tricolor;

P.S. (2) A imprensa destacou o público presente à Arena Corinthians, de 46.000 pagantes aproximadamente, como recorde do jovem estádio. Longe, porém, muito longe do público presente no segundo dos três  da final entre Corinthians e Ponte Preta pelo Paulistão de 1.977. Nada menos do que 142.000 pagantes viram incrédulos a Macaca, de virada, vencer aquele jogo por 2 a 1, forçando a terceira partida. Bons tempos em que não havia torcida única nos estádios;

P.S. (3) Muitos dos campeonatos estaduais foram decididos nesta semana em disputa de pênaltis. Com um futebol cada vez mais competitivo, em que prevalecem a força e os esquemas táticos e, portanto, maior equilíbrio entre as equipes, as decisões de mata-matas e de campeonatos por penalidades máximas tende a ser cada vez mais frequente. Se eu fosse técnico exigiria que todos os jogadores treinassem esse fundamento, independentemente da posição de origem.

P.S. (4) A decisão por pênaltis do campeonato gaúcho conquistado pelo Grêmio sobre o rival Internacional foi um show à parte dos dois goleiros. Os ótimos Marcelo Lomba pelo Inter e  Paulo Victor pelo Grêmio  assustaram os cobradores e realizaram defesas incríveis;

P.S. (5) Os goleiros que, no passado, não eram tão valorizados, no futebol de hoje ganharam maior projeção e prestígio. São muitas vezes os responsáveis por títulos e classificações, graças a intervenções precisas e estudo do perfil dos adversários. Cássio, do Timão, por exemplo, é ídolo e  reconhecido como diretamente responsável por vitórias fundamentais da equipe.

P.S. (6) 650 clubes profissionais no Brasil, segundo o presidente do Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia. A Globo só vai transmitir os campeonatos estaduais até 2.020, salvo o Campeonato Paulista que, por contrato, será transmitido até 2.022. O representante da emissora afirma não ser contra os estaduais. Mas a preferência da emissora pelos campeonatos nacionais é indiscutível. Afirma-se que é preciso que o público veja o que acontece no futebol brasileiro como um todo e não se cinja ao futebol local;

P.S. (7) A hegemonia da Rede Globo na transmissão do futebol e do esporte em geral está com os dias contados. As muitas mídias eletrônicas surgidas com a Internet pulverizaram a atenção dos espectadores e democratizaram as transmissões. Não acredito, assim, que o campeonato estadual de São Paulo, por exemplo, vá acabar, nem que não seja disputado por muitas dessas mídias, para transmissão aos fiéis torcedores que não podem ir, com frequência, aos estádios.