quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O ESPELHO - CONTO FILOSÓFICO DE MACHADO DE ASSIS

Olá amigos, 

Esboço da imagem do escritor Machado de Assis, 

emprestado de pixabay.com.br
Reli, ontem à noite, um dos contos que mais aprecio de Machado de Assis: O Espelho. É que, além de ser uma obra literária de qualidade, vazada naquela peculiar linguagem enxuta, escorreita e requintada do mais talentoso e versátil representante do realismo brasileiro, o conto revela sua incursão pelo campo dos ensaios filosóficos, aspecto que já vem denunciado no subtítulo que ele próprio elegeu, ao usar a expressão “esboço de uma nova teoria da alma humana”.  No colóquio de cinco personagens, reunidos em uma noite, num lugar qualquer não elucidado, Jacobina (alterego do próprio Machado?) traz à tona uma experiência por ele vivenciada na mocidade, que lhe permitiu concluir seguramente pela existência de duas almas, conclusão que em nenhum momento pôs em discussão para os demais companheiros: “Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro.... Espantem-se à vontade; podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo, não admito réplica. Se me replicarem acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens,um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades perde naturalmente metade da existência, e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.”
Para ilustrar a alma exterior, Machado se refere à patente de Alferes conferida a Jacobina. E de tudo o que tal lhe rendeu em termos de reconhecimento familiar e social, de maneira tão intensa e inevitavelmente imposta e assimilada que a alma exterior acabou por sufocar a interior: “O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.” E colacionou fatos para justificar a conjetura, relatando os detalhes de sua permanência de três semanas em modesta casa de uma tia, a tia Marcolina,  que não se cansava de ressaltar a importância de sua patente de alferes e lhe conferira privativo e adequado aposento, para onde determinara a remoção do único móvel valioso, um grande e tradicional espelho que se encontrava dantes adornando a sala de visitas.
Ah! Aquele espelho traria à tona o que sua mente jamais poderia suspeitar. As duas naturezas de Jacobina: a alma interior e a alma exterior, conforme o caso.
A primeira era a imagem de um mero autômato, de uma figura humana fragmentária, sem contornos definidos: “Olhei e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo, não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada, difusa, sombra de sombra.” Quando, porém, o alferes lembrou-se da farda e a vestiu, outra foi a sensação. A imagem se revelava  soberba, completa, cabal,  de contornos bem definidos, de um homem valente e seguro: “o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso: era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior.”  Acho que bem ou mal todos nós pressentimos a existência dessa dualidade. Vivendo necessariamente os nossos papéis sociais (pais, mães, marido, mulher, amigo, inimigo, vizinho, engenheiro, advogado, nacional, estrangeiro, patrão, empregado, etc. etc.) damos vida a nossa alma exterior,  seguindo regras e modelos bem definidos, que não constituem, porém, a nossa essência como seres individuais, únicos na espécie,  com vontades e sentimentos, razão e emoção, juízos de dúvida, em busca de uma coerência inútil e inexistente. Aqui, olhando de fora para dentro, buscando a nossa alma interior, já não há espaço para regras ou interferências. Penetramos no nosso “psique”  mais profundo, seja ele um anjo, uma alma, uma aura, uma natureza humana interior,  ou coisa que o valha, numa operação que comumente se apelida de busca de autoconhecimento. O equilíbrio entre as duas almas, as duas vertentes,  constitui a forma mais salutar de se viver neste mundo, sem enlouquecer. Nem sempre é fácil. Mas na medida em que não temos como evitar essa dualidade, num mundo que nos cobra muitos papéis na diversidade das relações humanas, é aceitável que se apele para as fantasias do personagem ou dos personagens sociais e seus papéis, quando eles alimentam a  auto-estima e nos auxiliam a suportar as nossas perdas e  dramas  existenciais, que a gente enfrenta, ou nega veementemente, como nega a realidade, preferindo substituí-la[1] pela fantasia, pela poesia e sua eficácia redentora[2]. Pela poesia e sua capacidade transformadora. Pela poesia e sua peculiar descrição da realidade sob a perspectiva de quem vê. Sem razão, portanto, o nosso poetinha[3] quando confessa piedade por sua poesia, que reputa bela, porém inútil.[4].  


Até mais amigos,

  
P.S. (1) O conto integra a obra, Papéis Avulsos, 3º livro de contos de Machado, publicado no ano de 1.882. Segundo os estudiosos do escritor e de sua rica literatura, nesse conto, se propõe ele a anunciar uma nova teoria metafísica sobre a alma humana.






[1]  "E me deito, feliz por ter vivido e sofrido em outros que não eu mesmo. Vocês talvez me digam: "Tem certeza de que esta lenda é verdadeira? Que importa o que possa ser a realidade situada fora de  mim, se me ajudou a viver, a sentir que sou e o que sou?" Charles Baudalaire em Pequenos Poemas em Prosa.
[2] “O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente”  - Fernando Pessoa.  Autopsicografia.
[3]  Apelido que Vinicius de Moraes recebeu de Elis Regina num episódio em que ambos se estranharam por causa de questões financeiras envolvendo o filme Garota de Ipanema.  Vinicius, por seu turno, respondeu atribuindo a Elis, a alcunha de “Pimentinha”, por causa de sua forte personalidade e seu gênio indomável. 
[4]      "Resta essa vontade de chorar diante da beleza. Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido. Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa piedade de sua inútil poesia e de sua força inútil". Parte do poema O Haver.


domingo, 14 de janeiro de 2018

ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE - BOA ADAPTAÇÃO DO ROMANCE PARA O CINEMA

Boa noite amigos,

Parte dos personagens do filme, em cartaz de divulgação

do longa de Kenneth Branagh.  Imagem emprestada de

http://ovicio.com.br.
Adaptado do romance de 1.934, considerando como a obra-prima da escritora inglesa, AGATHA CHRISTIE, a segunda versão para o cinema[1] de Assassinato no Expresso do Oriente, é uma boa surpresa. O diretor, produtor e protagonista KENNETH BRANAGH (diretor de THOR e especialista em Shakespeare),  investiu pesado na trama e não deve ter se arrependido, pois o filme tem sido sucesso nas bilheterias americanas e estrangeiras, dividindo, porém, como quase sempre acontece, a crítica especializada, entre os que o consideram uma adaptação quase perfeita e aqueles que o reputam mediano. O resultado, segundo meu ponto de vista como cinéfilo inciente, como diria o meu amigo Regis de Morais, é muito bom e agradável de se ver. Numa escala de 0 a 5, merece uma nota quatro com louvor. Tal como no original, a versão cinematográfica resgata o detetive Hercule Poirot, uma das criações da escritora, personagem de vários de seus romances,  que Kenneth encarna com muito talento e  humor. Obra de suspense, traz como linha-mestra um crime de homicídio praticado durante trajeto do famoso trem Expresso Oriente, que o detetive é instado, pelo amigo e coordenador da viagem,  a solucionar, antes que  a polícia seja comunicada do delito. O autor seria um dos passageiros? Um estranho que lograra ingressar na locomotiva durante a noite, praticado o homicídio e depois de evadido? Qual teria sido a motivação do crime?  E assim como no romance, o roteiro também segue acompanhando o tormento do detetive baixinho e cheio de manias,  e as xaradas que vai tentando desvendar, colhendo pistas deixadas no local do crime, a real identidade dos viajantes, o passado de cada um e o envolvimento ou não deles com a vítima. O final é bom e deixa uma interessante brecha para discussão para os amantes e estudiosos do Direito: existe sempre apenas o certo e o errado, dois extremos?
Foto da escritora Agatha Christie   
(1.890/1973). Imagem emprestada de
agathachristiewikia.com.
O elenco de muitos atores consagrados em Hollywood enriquece a trama,  mas nenhum deles, por causa mesmo da condição de meros coadjuvantes, estaria a merecer um troféu pelo desempenho. O destaque maior fica mesmo para a direção de arte e a fotografia esmerada, um colírio para os olhos enquanto o longa se desenvolve, trazendo à tona todo o cenário das colinas e cordilheiras asiáticas e europeias, nos seus mais diferentes momentos (algumas cobertas pela neve), com a utilização da mais moderna tecnologia disponível. Não é imperdível não, mas é um ótimo filme na sua categoria.



Até amanhã amigos.

P.S (1)  Além de Kenneth Branagh, no papel principal do Detetive Poirot, o elenco conta com velhos conhecidos do público brasileiro, como Johnny Depp da série Piratas do Caribe (2.003, 2.006 e 2.007), no papel de Edward Ratchett; Michelle Pfeiffer (Scarface (1.983), Uma Lição de Amor (2.001), incorporando a personagem Caroline Hubbard; Penelope Cruz  (Volver (2.005), Para Roma Com Amor (2.012) como Pilar Estravados;  a atriz inglesa, Lucy Boynton, no papel da Condessa Andrenyr) e o grande ator Willem Dafoe como Gerhard Hardmann. Dafoe, de 62 anos, esteve no Brasil em 2.015, filmando com Maria Fernanda Cândido e Bárbara Paz, Meu Amigo Hindu, último filme do saudoso cineasta argentino, naturalizado brasileiro, Hector Babenco. Aqui deu entrevistas, elogiou as mulheres brasileiras e particularmente a beleza e generosidade de suas colegas de trama Maria Fernanda e Bárbara Paz e encantou seus fãs. Dono de vasta filmografia Dafoe, além de Meu Amigo Hindu (2.015), integrou o elenco, dentre outros, dos filmes O Grande Hotel Budapeste (2.013); A Culpa é das Estrelas (2.014) e já era conhecido como o temível Green Gablin/Norman Osborn (o popular, Coringa) em Homem Aranha (2.002) e Homem Aranha 2 (2.004);

P.S. (2) A escritora, Agatha Christie nasceu em 15 de setembro de 1.890 e morreu em 12 de janeiro de 1.976, aos 85 anos. Seus romances foram traduzidos para mais de 100 idiomas e venderam cerca de quatro bilhões de cópias, um recorde. Só seu conterrâneo William Shakespeare e a Bíblia teriam vendido mais livros que ela, segundo o Guinnes World Records.


P.S. (3) A locomotiva denominada, Orient Express fez  sua primeira viagem em 1.883, ligando Paris a Constantinopla. Em 1.900 passou ao domínio privado e estendeu seu percurso a outros países e localidades.





[1] A primeira versão cinematográfica de ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE foi lançada em 1.974 com o ator ALBERT FINNEY no papel do detetive belga, HERCULE POIROT.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

CINEMA NACIONAL DE ARTE - O FILME DA MINHA VIDA


Boa noite amigos,
Tony (Johnny Massaro) no cinema, homenagem do diretor
ao cinema de Tornatore e Fellini. Imagem de www.cine-
plaers.

Ao assistir a entrevista com Selton Mello, numa das apresentações do extinto talk show de Jô Soares na Globo, falando do lançamento  de seu terceiro filme como diretor[1], O Filme da Minha Vida,  criei uma expectativa muito positiva em torno do longa, considerado pelo próprio ator como a sua melhor obra, nas entrevistas que antecederam o seu lançamento comercial. Baseado no livro Um Pai de Cinema, um romance apenas mediano do chileno Antonio Skármeta[2], autor da obra-prima, O Carteiro e o Poeta, adaptado para um dos mais belos filmes já produzidos pela sétima arte, o drama se passa na pequena Remanso, localidade da Serra Gaúcha, mostrando a vida pacata e harmônica da família de Tony Terranova (Johnny Massari), filho de um francês e de uma brasileira, que, ao retornar da capital para onde foi concluir seu curso universitário e se tornar professor de francês, não se conforma com o abandono do pai,  Nicolas (Vincent Cassel), que teria, segundo a versão corrente, voltado para a França. Mergulhado em profunda melancolia, em busca de si mesmo, inadaptado ao mundo, como definiu o próprio Mello ao falar sobre seus protagonistas e afirmar que eles revelam um aspecto de sua própria personalidade, o personagem busca entender a reviravolta que sua vida experimentara, ao mesmo tempo em que a memória o remete seguidamente para os fatos marcantes de sua infância.

Imagem emprestada de globofilmes mostra o protagonista

Tony (Johnny Massaro) com a namorada Luna (Bruna -

Linzmeyer).
Agora, Tony divide o seu tempo, dedicando-se aos alunos durante e além das  aulas ministradas em uma escola local; a troca de sentimentos e dúvidas com sua amiga, confidente, depois namorada,  Luna (Bruna Linzmeyer) e a companhia da mãe,  Sofia (Ondina Clais), inconformada e deprimida com o abandono do companheiro. Como parceiro constante de Tony,  Paco (Selton Mello), antigo amigo da família, de visão realista e brutalizada da vida, se preocupa em manter o jovem longe de suas memórias do pai e da infância ao lado dele e de seus sonhos futuros. A crítica se dividiu: parte viu no longa defeitos na direção, criando descompasso entre o roteiro e a narrativa, ao contrário do que se passou com o Palhaço, e outra parcela reputou, ao contrário, que a narrativa foi ajustada à intenção do diretor, ao conferir proposital ritmo lento e arrastado à história, com o objetivo de sugerir um tom reflexivo e especulativo à obra. Em algumas cenas como a que o jovem Tony, mergulhado na sua memória de infância, começa a flutuar, ou naquelas em que ele finalmente entra no cinema para assistir o clássico Rio Vermelho, há clara homenagem de Selton ao cinema de Fellini (8 ½) e de Tornatore (Cinema Paradiso)  e para enfatizar ser o cinema importante elo de ligação entre pai e filho. 
Os personagens Nicolas (Vincent Cassel) e Paco (Selton

Mello) em cena do longa. Imagem emrpestada de www.

cinemacomrapadura.com.

O filme, porém, entre virtudes e defeitos é um bom filme. Um filme delicado que fala de amor, de memória afetiva, das relações humanas mais profundas e que contribui com seu indiscutível valor estético para a retomada do cinema nacional de arte. Todos os críticos e críticas destacam, sem exceção, o excepcional trabalho do elenco, especialmente do protagonista, o pernambucano Johnny Massaro, um dos mais expressivos atores da nova geração, revelado no seriado Malhação, da Rede Globo, e da atriz Ondina Clais, ótima no papel da sofrida Sofia. Também ressaltam a excelência da direção de arte de Carlos Amaral Peixoto, da fotografia magnificamente captada pelas lentes mágicas de Walter Carvalho, dos figurinos de Kika Lopes e da trilha sonora de Plínio Profeta, com canções nacionais e internacionais dos anos 60, escolhidas em função do envolvimento de suas letras e mensagens com as cenas focalizadas e de sua musicalidade para dar alma e retoque ao desenvolvimento do roteiro. Não deixe de ver.


Até mais amigos,

P.S. (1) No embalo de HIER ENCORE ("Ainda ontem", sobre as lembranças de um homem a respeito de seus 20 anos) de Charles Aznavour), a trilha sonora traz ainda Nina Simone (I Put a Spell on You), The Animals (The House Of The Rising Sun), Claude François (Comme d’Habitude, versão original de My Way) e Sérgio Reis (Coração de Papel).


P.S. (2) Mais de 90% dos internautas que se manifestaram sobre o filme nas redes sociais,  gostaram do que viram. Nas bilheterias, pelos dados parciais que foram divulgados, o longa atingiu, de 04 de agosto (data da estreia) a 10 de setembro, 1.282.104 espectadores, o que já o inclui no rol dos filmes nacionais mais vistos no ano passado, devendo ultrapassar ou se igualar ao O Palhaço, que vendeu cerca de 1.500.000 ingressos.  



[1] Os dois primeiros longas dirigidos pelo ator foram Feliz Natal (2.008) e O Palhaço (2.011), ótimas produções do cinema nacional.
[2] Com quem foram pessoalmente discutidos aspectos do roteiro adaptado e que também aparece no filme rapidamente numa cena de bordel.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

GRAMADO - TERCEIRA POSTAGEM - TURISMO DE CHOCOLATE ARTESANAL

Boa noite amigos,

Loja Vip da Florybal, Av. das Hortensias ao lado da Loja

Temática - Estrada Gramado/Canela. Imagem empres-
tada de www.montarumnegocio.com/chocolates de -
gramado-para-revender/
Continuando nossas postagens sobre Gramado, na bela Serra Gaúcha,  o turista, chocólatra ou não, não pode deixar de visitar  as  várias lojas e fábricas de chocolates, uma das mais importantes referências da cidade.
Gramado é conhecida, dentre outras inúmeras atrações, por acomodar o maior número de marcas de chocolates artesanais do Brasil e a mais antiga do país, a Prawer, fundada em 1.975, quando um experiente profissional gaúcho, treinado em Bariloche, na Argentina, deu início à fabricação da primeira linha em forma de barras e ramas. Hoje são muitas as marcas que disputam a simpatia do consumidor, todas de qualidade, variando, porém, os preços. São chocolates que competem, sem dúvida,  com as grandes indústrias nacionais e internacionais.  Uma das sugestões para quem pretende empreender negócio nesta fase difícil da economia, é comprar chocolates de Gramado para revender, por conta própria ou mediante franquia ou, ainda, como representante comercial ou distribuidor. Várias são lojas de fábrica e oferecem aos visitantes visualizar como são feitas as iguarias, com direito à degustação de alguns produtos. Grande parte dessas lojas estão situadas na Avenida Borges de Medeiros, a mais comercial e movimentada da localidade, praticamente uma ao lado da outra, o que facilita a visitação, as compras e as comparações de preços e variedade dos produtos. São chocolates brancos ou pretos, doces ou amargos, em vários teores, chocolates com licores, com frutas secas, com  pimenta, em forma de tabletes, bombons, barras, ramas, trufas, em formas de bichos, bonecos, brinquedos, replicando locais famosos, etc.,  cada vez mais desafiando a criatividade dos talentosos confeiteiros. A Lugano inaugurou em março de 2.015, um Parque Temático denominado Mundo do Chocolate, com 200 peças todas confeccionadas com chocolate maciço, que se distribuem em 3 mil metros quadrados, para o que consumiu 30 toneladas do doce.
Móveis e objetos em chocolate maçico do
Parque Temático Mundo do Chocolate.
Imagem do meu celular.
O Parque está situado na rua Borges de Medeiros, 2497.  Além dessa atração imperdível, segue o roteiro dos principais endereços onde o produto pode ser encontrado em centenas de formas e sabores. As embalagens criativas dão ao chocolate um toque especial, fazendo a festa da criançada e também dos adultos, que costumam comprar o chocolate para consumo ou presentes. Um delicado e gostoso presente, sem dúvida:

CHOCOLATES PRAWER – Tem sido considerada a melhor marca em matéria de qualidade. E também a mais antiga. Os preços acompanham a qualidade.

A)  LOJA DE FÁBRICA – Avenida das Hortênsias, n. 4.100, Av. Central, Estrada Gramado/Canela;
B)   ARMAZÉM PRAWER – Avenida Borges de Medeiros, 2.759, Centro;
C)   RÓTULAS DAS BANDEIRAS – Avenida Borges de Medeiros, 1.050, Planalto.


CHOCOLATES CARACOL.

A)  CARACOL BOUTIQUE – Avenida Borges de Medeiros, 2.935.
B)   RUA COBERTA – Rua Madre Verônica, 30, Loja 1.
C)   LARGO DO BORGES – Avenida Borges de Medeiros, 2727, loja 26.

CHOCOLATES LUGANO.

São mais baratos que os da Caracol e da Prawer, mas, ainda assim, muito bons.
A)  LOJA BOULEVARD – Avenida Borges de Medeiros, 2529, Centro;
B)   LOJA BORGES – Avenida Borges de Medeiros, 2784;
C)   LOJA – Avenida das Hortênsias, 585.

CHOCOLATES FLORYBAL.

     Chocolate bem caseiro, com preços acessíveis.

A)  CONCEITO STORE – Avenida Borges de Medeiros, 2.771, Centro;
B)   LOJA CENTRO GRAMADO – Avenida Borges de Medeiros, Praça do Moinho;
C)   LOJA E FABRICA – CASA DO CHOCOLATE.- Avenida Tristão de Oliveira, 1.200, Floresta;
D)  LOJA VIP – Avenida das Hortênsias ao lado da Loja Temática – Estrada Gramado – Canela.


Até amanhã amigos.











quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

CRÔNICA - TEREZA OFICIAL DE JUSTIÇA?

Boa noite amigos,

Escrevi essa crônica agora à noite, recordando-me do episódio e de minha querida e saudosa amiga, Tereza, que continua vivendo alegre como sempre foi, na nossa lembrança e no nosso coração.


Imagem emprestada de Peregrina Cultural Word Press.com.
Conheci Tereza Nascimento Rocha[1] quando ingressei, pela primeira vez, no chamado Páteo dos Leões, o Prédio Central da Universidade Católica de Campinas[2], no final do ano de 1.969, com a finalidade de me inscrever ao vestibular para concorrer a uma das vagas do Curso de Direito. Ali, defronte à Secretaria, estávamos apenas nós dois, com o mesmo objetivo e muitos sonhos. Eu, meninão com 17 anos, e Tereza, com 10 a mais e muitas histórias de uma vida dura e sofrida que ela pretendia deixar para trás. Nascia também uma amizade que duraria uma vida inteira e que se estendeu ao Nivaldo Doro, seu grande companheiro desta vida, e aos filhos, uma das quais, a Paulinha, minha afilhada de batismo. Anos depois de nossa formatura e quando ambos já lecionávamos na mesma faculdade de nossa colação de grau, eu como Professor de Direito Civil e ela docente da cadeira de Direito Penal, Tereza, na sua caminhada de sucesso, estava para realizar um de seus sonhos: o de publicar um livro sobre a área de sua predileção, tanto na advocacia, quanto na docência. Tudo estava sendo preparado com muito capricho para o lançamento editorial em noite de autógrafos. O marido Nivaldo pediu a mim que fizesse o prefácio, tarefa que aceitei com muita honra, dada a nossa intimidade e o carinho recíproco que nos unia. Mas esse prefácio, para garantir maior emoção, haveria de permanecer secreto para a autora até a ocasião do lançamento. E assim se fez. Lembro-me que escrevi um texto emocionado, falando menos das virtudes da obra e mais da mulher que eu conhecera e cuja trajetória na área do Direito se evidenciara independente, corajosa e competente, qualidades que Tereza tinha de sobra. Ao enumerar os vários cargos e funções que Tereza desempenhara, durante o período de estudante e até o início da militância na política e na advocacia, escrevi que ela tinha sido Oficial de Justiça. Tereza tinha sido escrevente da 2ª. Vara Criminal, mas nunca Oficial de Justiça, cargo que quem ocupou foi seu marido Nivaldo. E a coisa ficou assim. Na noite de autógrafos, muitos amigos, alunos, Juízes, Promotores, Delegados e estudantes acorreram à convocação para o lançamento e a autora estava sinceramente emocionada. Filas, abraços, cumprimentos e, de repente, uma das senhoras presentes aproxima-se e à autora assevera: - Eu nunca soube que você tinha sido Oficial de Justiça! Terezona, então,  de pronto, com aquela franqueza e a “boca suja” que lhe era peculiar mandou essa: - Nem eu, o filho da puta do Jamil é que inventou!  O fato é que toda a primeira edição estava pronta e a falsa notícia introduzida no currículo de Tereza permaneceu. Não cheguei a me penitenciar pelo erro que “no conjunto da obra” acabou por se tornar irrelevante. Mas o episódio, a vida inteira, nos meios forenses e acadêmicos e, ainda, entre amigos, foi motivo para boas risadas.  Cada vez que me lembro parece que volta a cara de surpresa, olhos arregalados e indignação da Terezona, me recriminando:  “Esse filho da puta do Jamil é que inventou”.        






[1] Com o casamento Tereza acresceu ao seu nome o patronímico do marido Nivaldo e passou a ser citada, com mais frequência, pelo nome abreviado: Tereza Doro.
[2] Naquela época a Universidade de Campinas ainda não havia obtido o título de Pontifícia.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

CONTO - FALA QUE EU TE ESCUTO OU CHEGA DE PROSA?

Boa noite amigos,


Imagem emprestada de 
https://www.youtube.com/watch?v=s2CRX7IeLyI
Hoje vai uma crônica escrita ainda agora à noite, que relata um antigo episódio envolvendo as minhas crônicas confusões e o  querido amigo Dr. Romeu Santini. Vai lá:

"O Romeu Santini é uma figura marcante na história política e social da cidade de Campinas. Foi vereador do município durante sete mandatos diferentes, ao longo de sua carreira política. Na década de 60, disputando eleição para Prefeito, foi derrotado pelo carismático então jovem candidato, Orestes Quércia, que, depois, foi deputado, senador da República e governador do Estado de São Paulo. Nem por isso perdeu prestígio. Muito ao contrário, de temperamento alegre e cativante, Romeu só granjeou simpatia de seu vasto eleitorado e círculo de amizade. Desde os primeiros anos de minha advocacia se tornou cliente e dileto amigo por via de outro amigo comum, o Dr. Walter Hoffmann. A ele devo a iniciativa do projeto que me concedeu o título de cidadão campineiro, de que muito me orgulho.  Mas o que vou contar nos une em torno de um episódio pitoresco que rendeu e rende muitas risadas, por onde ele é contado e, muitas vezes, recontado.  Romeu tinha um programa diário numa televisão local, afiliada, se não me engano, da rede Bandeirantes. Nesse programa, o Romeu político, no exercício do mandato e, ao mesmo tempo, sempre candidato natural a sucessivas reeleições, ouvia o povo da periferia, dando voz a ele para  formular, no ar, sugestões, pleitos e reclamações quanto a questões locais negligenciadas pela Administração Pública. Era a falta do asfalto prometido, aumento da conta de água, do IPTU, árvores que ameaçavam cair ou provocar danos por falta de poda e assim por diante. O programa completava, naquela noite, um ano e a audiência, segundo se soube, não era desprezível. Não sei por que cargas d’água, decidiu-se por uma grande festa comemorativa desse aniversário, a ter lugar num dos elegantes salões do Hotel Resort Royal Palm Plaza. Era grande o número de convidados, numa lista que levava em conta a importância de autoridades e, ainda, de personalidades da sociedade local e, finalmente, de amigos do vereador-apresentador. Não sei se ainda era Juiz em Campinas, Comarca na qual me aposentei, ou se já estava aposentado. O evento, é claro, seria coberto pela imprensa escrita e também pelo mesmo canal no qual o programa era diariamente exibido. Cheguei usando traje esporte fino, como se recomendava no convite, acompanhado de minha sempre elegante esposa (e aqui aproveito para ganhar pontos com ela). Ainda na porta do salão, avistei, e fui avistado, por uma jornalista baixinha, simpática e que eu já conhecia por ela ter trabalhado na TV Puc, universidade na qual lecionava e leciono ainda hoje. Sorridente, ela me convidou para dar uma entrevista sobre o evento e o programa, a respeito do qual eu não tinha grandes dados. Sabia algo por cima.  Não me fiz de rogado. Microfone na mão, indagado acerca do que eu achava do Romeu e do programa, deitei simpáticos elogios. Dentre outras coisas, acabei afirmando que por ele abria-se um importante canal de comunicação entre o cidadão e o vereador, permitindo que este ouvisse daquele, no ar, a reivindicação desatendida ou negligenciada. E, assim, o vereador poderia levar diretamente ao Prefeito as demandas da comunidade, exigindo providências. Por isso mesmo – e aí eu disse textualmente – “o programa se chama FALA QUE EU TE ESCUTO, numa clara alusão à atenção e oportunidade que Romeu confere ao pessoal mais carente e que não tem meios de fazer chegar ao Prefeito suas reclamações e carências”.  Nesse momento, fez-se um silêncio geral em torno de mim. A entrevista estava sendo mandada ao ar ao vivo. E, como diz o Faustão, quem sabe faz ao vivo. E eu concluo, quem não sabe se estrumbica também ao vivo. O antigo programa FALA QUE EU TE ESCUTO, como todo mundo sabe, é franquia da IGREJA UNIVERSAL, tem conotação religiosa e é mandado ao ar pela TV Record, do Pastor Edyr Macedo. O Programa do Romeu, cujo aniversário estava sendo comemorado e que eu nunca assisti, se chamava CHEGA DE PROSA, um jargão que ele usava em seguida à reclamação do distinto ouvinte, batendo numa espécie de tribuna: - Então Prefeito, CHEGA DE PROSA! Vamos atender a Dna. Maria ou vamos esperar que a árvore caia sobre ela? Putz! E eu sei que ficou por isso. Não sei, mas acho que a entrevistadora, minha amiga, em seguida chamou os comerciais para ter tempo de se refazer. E o episódio virou, como eu disse, um motivo para muitas e muitas risadas.


Até amanhã amigos.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

NATAL LUZ EM GRAMADO PARTE DOIS - O FESTIVAL DE CINEMA

Boa noite amigos,

Interior da entrada do Palácio dos Festivais,

destacando o Kikito, o Deus do humor, esta-
tueta conferida aos vencedores.
Neste segundo dia do novo ano, o clima no litoral paulista está convidativo para praia ou piscina. O calor beira os 35 graus e nem penso em deixar o apartamento aqui na Riviera para encarar uma estrada com quilômetros e quilômetros de congestionamento no já tradicional transtorno da volta dos feriados de Natal e Ano novo. Não programamos mesmo retorno antes do dia 10 de janeiro, uma esticada providencial, mas necessária, especialmente para o Rafa, que este ano,  promovido do pré para o infantil, deve voltar às aulas no final de janeiro.   Voltamos  a falar de Gramado, na segunda postagem sobre o assunto. Um dos programas obrigatórios para os amantes da sétima arte, os cinéfilos, é visitar o Palácio dos Festivais, prédio majestoso em estilo colonial, que reúne o teatro onde acontece todo ano o maior e mais importante Festival de Cinema da América Latina, salas de projeção, e, ainda, o Museu do aludido festival. O Festival de Cinema de Gramado surgiu modestamente em 1.973, como mero festival nacional, e gradativamente foi ganhando corpo e importância. Em todos os anos recebeu inscrições e premiou as principais categorias do cinema nacional, posteriormente do cinema nacional e latino, separadamente, e finalmente, assumiu o perfil de festival internacional, admitindo inscrições e premiando filmes estrangeiros de qualquer nacionalidade.

Placa homenagem ao ator Lima Duarte,

destacando seu pronunciamento acerca
da importância do Museu do Festival.
Entre momentos de apogeu da produção do cinema nacional, como em 1.996, ano em que venceu o ótimo filme de José Jofeily, Quem Matou Pixote? e crises intensas, como em 1.992, durante o governo Color, quando, pela única vez, o festival apenas premiou um filme estrangeiro (Técnicas de Duelo – Uma Cuestiòn de Honor) do colombiano Sérgio Cabrera, por falta de produção e inscrição de filmes nacionais, o evento, a cada versão,  atrai  mais produtores, diretores, atores e agências interessadas na participação e especialmente  nos prêmios, simbolizados pelo Kikito[1], a estatueta que representa o troféu de conquista conferida aos vencedores. Em 2.006 o Festival foi declarado patrimônio histórico e cultural do Estado do Rio Grande do Sul. Em 2.016 deu-se a mudança do Museu do Festival para o prédio atual situado na rua Borges de Medeiros, 2.697, Centro. Ali, na entrada do prédio, que abriga todo o acervo e ainda, o teatro, uma escultura do Kikito, o deus do bom humor e ao lado, do ator Hugh Jackman, o popular Volverine da série americana.  Defronte ao prédio, copiando Los Angeles, criou-se a calçada da fama, onde se pode conferir os contornos das mãos de gente famosa que visitou e prestigiou o festival, como a cantora Sandy, seu pai Xororó e o ator e diretor Selton Mello, dentre outros. 
Exercendo o meu direito de visitante que pa-

gou ingresso, minha self levantando o kikito, 
simbolizando hipotética vitória.
No interior do prédio, placas espalhadas por todos os lados, marcam os momentos mais relevantes do festival. Homenagens a vários atores e diretores, nacionais e internacionais,  que lá estiveram e que fizeram da sétima arte um grande e apreciável projeto de vida, encantando o mundo com enredos, mitos e lendas incorporadas para sempre ao imaginário popular, coisa que só o cinema, com a sua magia, consegue eternizar na memória afetiva. Dentro do museu pode-se acompanhar o depoimento de atores e diretores que venceram ou concorreram nas diversas edições do festival, ressaltando a importância do prêmio para o currículo deles e dos respectivos filmes. E, ainda, se permite levantar o kikito em tamanho original, registrando o momento com uma self simbólica, criando a boa ilusão de ter sido um cineasta de sucesso, coisa que nunca fui.


Até a próxima postagem amigos,

As mãos do sertanejo Xororó, imortalizadas na calçada da
fama de Gramado.



P.S. (1) Poucos foram as indicações e os prêmios que o cinema nacional recebeu ao longo de sua existência. Não me parece, particularmente, por isso, que o nosso cinema seja desimportante. Críticos e especialistas em cinema ovacionam mitos que produziram filmes originais e relevantes, embora nunca tenham sido premiados nos festivais mais importantes do mundo, especialmente o Oscar. Como se sabe há fatores, muito além da qualidade dos filmes, que interferem nas indicações e nos prêmios conferidos pela Academia de Hollywood. Por isso, embora seja inegável que nós, cinéfilos de carteirinha, não ignoremos o Oscar, a cada ano, adquirimos a sabedoria de conferir a ele um valor relativo na avaliação geral das produções cinematográficas de todo o mundo;



P.S. (2) Queiram ou não a questão política americana, e suas várias facetas, jamais foram apartadas das indicações e premiações da Academia de Hollywood. Daí a sua relatividade a ser sempre considerada, sem dúvida.




[1] “O Kikito surgiu na imaginação da artista Elisabeth Rosenfeld em 1967, como representação do deus do bom humor. Desde a primeira edição do Festival de Cinema de Gramado, foi escolhido para ser o seu símbolo. Esta reprodução em cimento, criada a pedido  de Kurt e Elisabeth Berz, foi doada pelo casal à cidade de Gramado em agosto de 1.995” (literalmente inscrição em uma das muitas placas que adornam o museu do festival).