quinta-feira, 18 de julho de 2019

PEQUENA REFLEXÃO SOBRE A VIDA E A FIDELIDADE


Amigos,

Imagem de abraço como a mais sensível forma 
da arte. Foto emprestada de Fôlha Vitória.
Cada vida humana é única e uma experiência fundamental e individualmente pragmática e sensitiva.  Cada ação ou omissão do homem é sempre dependente da forma, do modo, do lugar, do tempo e das circunstâncias em que ela acontece.  Assim, a teorização da vida, a formação, o preparo, o planejamento e a racionalização das ações em face do conhecimento adquirido e transmitido pelas ciências, exercem um papel menos relevante do que se imagina na condução da vida. Ninguém deixa de fazer algo que lhe seja fundamental (e diga-se fundamental no sentido do próprio ego) porque lhe trará eventualmente infelicidade, doença, tristeza, morte ou reprovação.  Pode-se teorizar a respeito, pode-se deixar de agir ou não agir por algum tempo, mas nem o medo é capaz de justificar um estado permanente de infelicidade e insatisfação quanto a auto-infidelidade, com o sacrifício dos próprios valores e sentimentos.  A auto-infidelidade, aliás,  é a pior das infidelidades que o ser humano pode experimentar na sua existência.


Abraço caloroso.  


sábado, 22 de junho de 2019

UM PEIXE CHAMADO PESCADA - VERSÁTIL, LEVE E SABOROSO


Boa tarde amigos,

Filé de Pescada com batatas e cenoura cozidas. Imagem em-

prestada de guiadacozinha.com.br.
No fim de semana prolongado pelo feriado de Corpus Christi da quinta, finalmente conseguimos dar um pulo aqui na Riviera, driblando os compromissos profissionais, familiares e sociais (ufa!). No início do inverno, o frio por aqui passou longe. À noite um ventinho leve, não muito gelado, pode lembrar um pouco a estação. Nada para pôr blusa ou roupa mais pesada. Bem, ontem demos um pulo até o centro de Bertioga para comprar peixes e frutos do mar no seu concorrido Mercado de Peixes. Quanto aos itens preferidos da família estão o camarão rosa, branco e o sete barbas, carne de siri e, dentre os peixes, o salmão, o caçonete (que quase nunca se encontra por aqui) e especialmente a pescada, esse peixe fantástico          que reúne cerca de 30 espécies de sabor e qualidade equivalentes.

Em imagem de abobora-pingodoce. pescada ao purê de abóbora,
uma das iguarias das muitas possíveis com esse peixe magro  e 
saboroso.
A pescada é um peixe de água salgada muito apreciado pela culinária tradicional. Pescada branca, amarela, Cambuci ou pescadinha[1], a variação está mais na aparência e tamanho do que no sabor, praticamente igual. A pescadinha, como indica o nome, é a menorzinha, em média com 25 cm. A amarela, maior, mede, ainda em média, 80 cm. e pesa 1,5 kg. A pescada branca, mais popular por aqui, é a de sabor mais suave e ideal para ser servida em filés fritos, empanado em farinha de trigo ou fubá. Com arroz branco ou integral e legumes cozidos garante uma refeição nutritiva e leve.
Bela imagem desse paraíso chamado Riviera de São Louren-

ço, litoral norte de São Paulo. Foto emprestada de o-que-
fazer-em-sua-viagem.com.br.


A Cambuci tem sabor pouco mais intenso ou acentuado e é ideal, com pele,  para caldeiradas e moquecas, embora também possa garantir bons pratos em postas ou lombo com arroz, batatas, legumes cozidos, empanadas ou ainda à dorê. As pescadas são peixes com pouca gordura, boa para quem quer emagrecer ou sofre com mal de estômago,  mas que contém purinas, um composto que aumenta a taxa de ácido úrico, pelo que não é indicada para quem sofre de gota, especialmente nas crises. É fonte de cálcio, fósforo, ômega 3, potássio e selênio. Por isso combate os terríveis radicais livres, mais uma vantagem no seu consumo. 

Banca de peixes no Mercado de

Peixes de Bertioga, oferecendo
a pescada cambucu.

Enfim um peixe extremamente versátil que alimenta uma série de possibilidades na cozinha, com as versões em postas, lombo, rolinhos recheados, sashimi, caldeiradas, moquecas ou iscas empanadas e fritas, para acompanhar aquela cervejinha estupidamente gelada sob o sol e mar, numa bela praia, como esta aqui da Riviera de São Lourenço, no litoral norte de São Paulo.  Ah! A Pescada é um peixe importante no movimento da pesca e do comércio de pescados, em particular  para duas comunidades litorâneas: Bertioga no Estado de São Paulo e Paraty no Estado do Rio de Janeiro.

O preço do quilo dos três tipos de pescada no dia de ontem no Mercado de Peixes de Bertioga: Pescada branca: R$22; Pescada amarela: R$26; Pescada Cambucu R$29. 

Abraço amigos e bom final de semana.




[1] Pescada-verdadeira, pescada-de-dente, pescada-do-reino, cambuci, corvina, pescada-bacalhau, dentão, rabo-seco, pescada-real são alguns outros nomes que se atribuem à espécie nesse continente de diversidade cultural e linguistico que é o nosso Brasil.

sábado, 1 de junho de 2019

PACOTE ANTICORRUPÇÃO - PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA


Amigos.

               Caricatura de Juiz,emprestada de Elo7.

Vamos combinar: se a Constituição, de forma soberana, é que diz o que pode e o que não pode, é o Supremo Tribunal Federal que diz o que é que a Constituição diz que pode e o que ela garante que não pode. E ponto final. Li que dois dispositivos do pacote anticorrupção do Ministro da Justiça Sérgio Moro enfrentam forte oposição no Congresso para aprovação. Um deles se refere à exclusão de ilicitude em favor dos agentes de segurança por homicídios praticados no desempenho de suas funções. A outra é o do início do cumprimento da pena privativa de liberdade, logo com a condenação em segunda instância. Quanto ao primeiro ponto, mais complexo e polêmico, vou verificar exatamente o teor do texto sugerido e me atreverei posteriormente a declarar minha opinião, conquanto não seja um especialista no assunto. Registro, porém, que minha condição antiga de Bacharel em Direito, advogado por mais de 03 décadas  e, especialmente, juiz hoje aposentado, conheci, na teoria e na prática, as agruras da aplicação da lei penal num país em que faltam educação, preparo e recursos de toda ordem para  o enfrentamento eficiente da criminalidade, com o objetivo de fazer  justiça tanto a algozes, quanto a vítimas. Relativamente ao segundo tema, li que juristas e especialistas em Direito Constitucional alertam que para inserção, em texto de lei ordinária, da recente posição da Suprema Corte no sentido de permitir o cumprimento da pena já com a decisão de 2ª. Instância, demandaria emenda constitucional. Concordo integralmente. Com efeito, qualquer pessoa razoavelmente alfabetizada que leia o artigo 5º, inciso LVII,[1] da Carta Constitucional de 1.988, vai entender claramente, que antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória ninguém pode iniciar cumprimento de pena. E cumprimento de pena criminal antes do trânsito em julgado não combina com presunção de inocência, de jeito nenhum. Argumentar-se-ia que o Supremo Tribunal Federal diz o contrário com apoio popular e das instituições, por razões reputadas relevantes do ponto de vista social. A necessidade de vedar estímulo à impunidade, os inúmeros recursos previstos de natureza constitucional e processual que dão, sobretudo aos réus ricos, largo tempo e vantagens para nunca iniciarem o cumprimento da pena privativa de liberdade durante o  período mais saudável da vida, senão quando já se encontram velhos e doentes  e podem invocar os benefícios legais, como a conversão da pena de reclusão ou detenção em  prisão domiciliar, tratamento  hospitalar  e outras regalias, certamente exerceram influência sobre os Ministros da Augusta Corte, que, por maioria embora, já firmaram jurisprudência quanto à constitucionalidade dessas prisões, após condenação em instâncias ordinárias. Mas essa posição, longe de ser pacífica e que, a todo momento,  é ameaçada  de modificação, não infirmam, absolutamente, a preocupação dos doutores quanto à necessidade da tal emenda. Vivemos hoje, no Brasil, um momento histórico peculiar. O protagonismo do Supremo Tribunal Federal na definição dos rumos políticos da Nação é manifesto. Os jornalistas que cobrem política em Brasília correm diariamente do Palácio do Planalto, da Esplanada dos Ministérios e do Congresso Nacional para o Supremo, bastando que surja alguma sugestão de mudança. E os nossos Ministros, com honrosas exceções, não se privam de tecer considerações sobre oportunidade e conveniência de medidas cogitadas, a legalidade delas etc., ainda que possam, com os comentários, atingir decisões monocráticas  de seus próprios colegas, tomadas, em regra, em caráter liminar, gerando profunda instabilidade jurídica e política. Até os  partidos políticos costumam correr para o Tribunal, buscando ora interpretação do regimento interno das Casas Legislativas,  ora a vedação de voto assim ou assado, inconformados com decisões dos órgãos intestinos competentes. Não questiono as decisões do Supremo Tribunal Federal no que concerne ao mérito e a importância delas para a solução de temas ligados aos direitos fundamentais e sociais do cidadão, diante da inércia do Poder Legislativo de prover e regulamentar esses institutos, caros a categorias, grupos ou à totalidade do povo brasileiro. Mas que essa prática, conquanto justificada até mesmo na Constituição, ao conferir instrumentos como as ações afirmativas e os mandados de injunção, mediante os quais a mais alta corte da Nação pode e deve prover direitos concretos, cuja regulamentação faltou, por desídia e negligência do Congresso,  tem perturbado a normalidade política da Nação e, bem assim, a segurança jurídica, não se tem dúvida[2].  A prática da chamada judicialização exacerbada coloca o Judiciário como um superpoder que, a pretexto de obedecer meros princípios, praticamente recusa ou ignora a existência de muitas leis formalmente vigentes no país, ainda que possam ser consideradas ultrapassadas[3]. De qualquer forma se vamos ter lei agora que possibilite a prisão com a condenação em segunda instância, o mais adequado, o desejável é que se busque emenda constitucional para alterar a Constituição Federal, dela excluindo a tal presunção de inocência antes do trânsito em julgado, para limitá-la expressamente às condenações em instâncias ordinárias, ou coisa que o valha. Vamos repetir: Segundo a Carta Magna,  o Legislativo  faz  lei. A lei, por sua vez,  diz o que pode e o que não pode. E o Supremo Tribunal Federal  diz o que é que a lei quer dizer quando ela diz que pode ou quando ela diz que não pode[4]. E chamam isso de hermenêutica, certo. Portanto, a interpretação atual da Corte de Justiça sobre a garantia constitucional referida não afasta, senão aconselha, que o pretendido início do cumprimento da pena já com condenação em 2ª. Instância,  seja introduzido no nosso sistema jurídico,  por via de emenda constitucional. E se ela for clara, clara mesmo, não há risco de que o entendimento atual do Supremo, seja alterado por mudança de um ou outro Ministro, ou, ainda, ao sabor dos interesses e do humor de respeitáveis cidadãos  que não foram eleitos pelo povo para mandatos políticos. Entenderam agora ou preciso desenhar?
Abraço amigos.




[1]  Constituição Federal, art. 5º, inciso  LVII –“ ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”
[2] Para o Professor de Direito Processual Civil da Puc do Rio Grande do Sul e Desembargador Aposentado, .José Maria Rosa Teisheiner,  Tornou-se corrente a crítica à idéia do juiz como “boca da lei”. (.... ) Mas a crítica está longe de ser justa. A ideia de Montesquieu decorre naturalmente do princípio da legalidade que, embora enfraquecido, continua a integrar nosso sistema constitucional. Subjacente a essa ideia há est’outra que não pode ser desprezada: a de que uma sociedade de homens livres deve ser governada por leis, e não por homens, ainda que juízes. Trata-se, em suma, de substituir as decisões judiciais discricionárias (decisões predominantemente políticas) por decisões vinculadas ao sistema jurídico (decisões predominantemente jurídicas). Observe-se que “poder” no sentido  mais próprio da expressão, é poder discricionário. O juiz que obedece à lei não exerce verdadeiro poder. Defere ou indefere o pedido do autor, em obediência a um dever. O juiz que, abusando da hermenêutica, faz a lei dizer o que ele quer, este sim exerce poder: defere ao amigo o que nega ao inimigo.”  Juiz Bouche de La Loi,     Disponível em  https://www.paginasdedireito.com.br/index.php/artigos/64-artigos-jun-2008/5975-juiz-bouche-de-la-loi--em-defesa-de-montesquieu Acesso em 20 de agosto de 2.018.

[3] Praticamente todo o Capítulo referente ao Direito de Família do Código Civil de 2.002 está superado por novos institutos e conceitos que doutrina e jurisprudência criaram ou introduzirem, em nome da garantia da aplicação do princípio da dignidade da pessoa humana.
[4]  No direito medieval já vigorava a máxima segundo a qual “a coisa julgada faz do branco preto; origina e cria as coisas, transforma o quadrado em redondo; altera os laços de sangue e transforma o falso em verdadeiro”. Posteriormente, simplificou-se a fórmula para: “A coisa julgada faz do branco, preto, e do quadrado, redondo.”  

domingo, 26 de maio de 2019

CAIXA ABERTA 2019 - O EVENTO DA PANDORA ESCOLA DE ARTE


Boa noite amigos,

Autorretrato - Ilustração Vetorial do Professor
Mário Cesar - 31 anos.
NOSSA MISSÃO: “Desmistificar a arte tornando-a uma ferramenta básica para o crescimento psicológico, social e profissional do ser humano.”  (Escola de Arte Pandora).





“O assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até o ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é – ou deveria ser – a mais elevada forma de arte (Charles Chaplin).




Fui hoje cedo à quinta edição do evento “Caixa Aberta” promovido pela Escola de Artes Pandora, que opera desde o ano de 1.998 na cidade de Campinas e atualmente está sediada no bairro do Cambuí, em prédio amplo da rua Joaquim Novaes, n. 146. A Escola de Artes Pandora já é uma referência na cidade de Campinas pela excelência com que oferece cursos variados a adultos e crianças.  O Encontro gratuito e  aberto ao público, oferece uma série de atrações: a exibição de trabalhos de alunos e professores da escola, interação entre os artistas e professores e o público em geral para aprender e tirar dúvidas,  feira com apresentação ao vivo das várias técnicas utilizadas em obras de diversas categorias artísticas, oficinas para adultos e crianças, venda de produtos acabados ou materiais de última geração para desenhos e pinturas e palestras com renomados convidados especiais.


Sala com as crianças desenhando e pintando, observadas e
orientadas por professoras monitoras..
 O objetivo do evento é divulgar a arte, os cursos práticos e teóricos oferecidos pela escola,  os artistas e professores, toda a  indústria que se movimenta em torno do setor e o incentivo, especialmente para as crianças e adolescentes que sintam talento, vontade e interesse pelo desenvolvimento dos pendores artísticos em suas várias facetas. As crianças são recebidas com cuidado e carinho, inscritas e participam, com orientação de monitores, de uma jornada de desenhos e pinturas. No final, recebem o trabalho que elaboraram, uma obra certamente marcante para suas vidas e de seus familiares.

Até mais amigos,


Artista executando pintura de muro, a chamada arte urbana,
antiga grafitagem.
° A Pandora Escola de Artes oferece os seguintes cursos práticos: Anatomia Artística; Aquarela, Arte Urbana (Graffiti), Artes para Crianças, Caligrafia Básica, Caligrafia Clássica, Caricatura, Cartum, Charge, Desenho Artístico, Desenho para Estamparia; Design de Superfície, Design de Acessórios, Design de Moda, Design de Games, Design de Jóias, História em Quadrinhos (Comics), Ilustração, Ilustração de Moda, Ilustração Vetorial, Iniciação ao Desenho

Os mictórios do Bar e Restaurante Vidottinho.

Iniciação ao Design para Games, Lettering – Caligrafia Criativa, Linguagem Arquitetônica, Mangá, Modelagem 3-D NOVO, Pintura Digital, Projeto Pessoal, Quadrinização (Técnicas de Narrativa), Técnicas de Pintura.  Oferece, ainda, cursos teóricos de História da Arte e Ilustração de Mercado.   

° Os mictórios aí ao lado não estavam no evento da Pandora Escola de Arte. Foram flagrados por mim, ontem, durante o almoço, no banheiro masculino do Boteco Vidottinho (Rua Emílio Ribas, 887, Cambuí, Campinas). Originais, sem dúvida, o problema é que sugerem uma suposta reciclagem dos nossos xixis de chopp e cerveja. 





quinta-feira, 23 de maio de 2019

ANTONIO CARLOS GARRIDO




Meu amigo Garrido, em visita ao meu escri-

tório, relembrando os bons tempos de car-
torio.
Boa tarde, 

Garrido foi um amigo que marcou a minha mocidade. Eu o conheci quando fui trabalhar no Cartório do 5º Ofício de Campinas, no distante ano de 1.966. Tinha eu 13 anos e fui admitido como auxiliar, enquanto o Garrido, oito anos mais velho, já ostentava a condição de Escrevente Autorizado do 4º Ofício. Naquele tempo tudo se concentrava no prédio do Fórum da Rua Regente Feijó, um edifício moderno, de cinco pavimentos. Todas as Varas e  Cartórios Cíveis e Criminais, o Juizado de Menores, os Cartórios de Registro de Imóveis e os Tabelionatos se espalhavam por quatro dos  cinco pavimentos, havendo espaço ainda para a copa, o salão de barbeiro, os sanitários e os gabinetes dos Promotores Públicos (hoje Promotores de Justiça). No último andar, funcionava a Câmara Municipal de Campinas.Colega de trabalho como ressaltei, o Garrido se notabilizava por várias virtudes. Dono de uma memória extraordinária, conhecia todos os processos que corriam pelo seu Cartório, não só pela natureza da ação, como pelo nome das partes e, pasmem, sabia o número que eles tinham recebido e pelo qual eram processados, de cor e salteado, como se dizia outrora. Os próprios advogados das partes se valiam de sua memória, quando não anotavam previamente o número do processo que pretendiam examinar. Exímio datilógrafo dividia comigo as audiências da 2ª. Vara Cível de Campinas, sob responsabilidade do nosso saudoso Juiz Manuel Carlos de Figueiredo Ferraz Filho: enquanto ele fazia as audiências do 4º Ofício, eu respondia pelas do 3º Ofício. Posteriormente, passei a acompanhar e registrar todas as audiências da Vara, tanto as do 3º, quanto do 4º Ofícios. Introvertido, porém humano e competente, Garrido ajudava a todos, facilitando a vida de advogados, estagiários e dos funcionários de seu Cartório. Generoso se ofereceu como garante e efetivamente avalizou o empréstimo que eu fiz aos 18 anos, junto ao City Bank, para comprar o meu primeiro fusquinha usado. De minha parte, além de boa vontade e honestidade, nada podia oferecer, pois não tinha “um gato para puxar pelo rabo” numa expressão daquela época, equivalente à absoluta pobreza patrimonial. Foi também o protagonista de um dos contos que escrevi para o meu livro Causas & Causos, tomo III, ao se oferecer – e oferecer imprudentemente -  o seu próprio carro para que eu e o Jeová, um outro cartorário, tomássemos com ele, as primeiras aulas de direção. Quando se aposentou, Garrido deixou saudades. Ainda assim, durante um bom tempo se dirigia ao Fórum e ali, como voluntário experiente, auxiliava o Juiz e o Cartório, com seus valiosos conselhos e decisões. Fazia tempo que eu não o via. Localizei seu contato e liguei convidando-o para o lançamento do meu livro, no Fórum da Cidade Judiciária. Ele não pode ir por conta de um acidente doméstico com a irmã que reside com ele. Mas esta semana, a meu convite,  esteve no escritório para buscar o seu exemplar autografado. Foi um encontro com sabor de saudade dos velhos tempos. Dentre as coisas que ele me disse, e eu não sabia,  estava o fato de como começou a torcer para a Ponte Preta, uma de suas poucas paixões, além do trabalho no Cartório. Ainda morando na sua terra natal, São Sebastião do Paraíso, de certa feita a Macaca foi jogar com um time local e perdeu o jogo. Nada obstante a derrota, por razões que ele não sabe explicar, gostou do time e começou a acompanhar a sua trajetória. Quando se mudou para Campinas foi morar encostado com o Majestoso. E está lá até hoje. Aos 75 anos bem vividos o meu amigo me confidenciou, com a sabedoria de quem mais viu e ouviu do que falou nesta vida, que naquele tempo a gente tinha prazer em ir para o trabalho e as nossas relações eram verdadeiramente afetivas e sinceras. É verdade. Não havia internet, nem celulares. E tanto os abraços, quanto as brigas eram presenciais e não virtuais. E a gente sofria de verdade, na própria carne, as sensações de prazer e de dor. Grande Garrido!


"CARRO 1.  Quando completei exatos 18 anos de idade me bateu um desejo incontrolável de comprar um automóvel. Vim de família de classe média baixa, categoria que na década de 70 não tinha recursos para adquirir veículo próprio, comodidade reservada aos mais abastados. Já trabalhava no Fórum de Campinas há 5 anos e convivia com respeitáveis Magistrados, Promotores e Advogados, além dos cartorários, muitos amigos queridos que fiz durante a vida. O Garrido, um deles, mais velho e generoso, se dispôs a ser avalista do financiamento que eu faria junto ao City Bank e ainda, de quebra, como possuía um fusquinha, de iniciar, eu e o Jeová, na arte de condução de veículos. Ambos os alunos eram absolutamente ignorantes,  tanto na teoria, quanto na prática, na direção de automóveis. Não sabia sequer onde ficava e para que serviam os pedais de embreagem, de breque e como funcionava o câmbio de marchas. Podem crer. Tivemos uma única e desastrada aula num sábado à tarde, que o Garrido cismou de nos levar para uma estrada de terras em Valinhos. Lembro-me perfeitamente que o Jeová entrou no carro no banco do motorista (e o Garrido, doido e corajoso, ao lado). O instrutor amador mandou que ele pusesse na primeira marcha. O Jeová, sem pisar na embreagem, tentou engatar a marcha e, ao forçar um pouco para o engate, sem liberar a embreagem,  começou a gritar que o câmbio estava dando choque. E o Garrido com paciência de Jó. Foi a minha vez. Consegui, orientado, colocar a marcha e pôr o carro em movimento. Primeira, segunda.  Atordoado com tantos movimentos que deveria fazer simultaneamente (segurar a direção, olhar para a frente, tirar o pé do acelerador, trocar a marcha pisando na embreagem), que desembestei e por mais que o Garrido mandasse  brecar, eu  não conseguia tirar o pé do acelerador. Só fui parar no barranco, danificando levemente o carro e lesionando o cotovelo direito do Garrido, que estava do lado de fora. O Garrido  nos perdoou, mas nos mandou para a auto-escola."     (CAUSAS E CAUSOS TOMO III, pág. 89/90).

MAIS FOTOS DO LANÇAMENTO.

Minha amiga de toda a vida, a Procuradora Estadual e ex-

professora da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, Dra.
Cleuza Aparecida Carnieli.



Dr. Pedro Antunes Negrão, médico e Presidente da Creche
Lar Ternura e da Unicred e sua mulher, Dra. Ana Maria de
Melo Negrão, advogada, professora, escritora e membro
da Academia Campinense de Letras.

O advogado Cláudio Pires, filho do meu saudoso amigo, Dr.
Moacir Pires.


sábado, 18 de maio de 2019

CAUSAS E CAUSOS - O EVENTO DO FÓRUM DA CIDADE JUDICIÁRIA DE CAMPINAS



Meu neto Rafael e meu grande amigo Alberto
Moura Filho, protagonizando o conto "O Ve-

lho e Menino". Ao lado, trecho da crônica
inserido na orelha dianteira do livro.
Então veio a meia-noite e as sirenes anunciaram a chegada do Ano Novo. Todos se confraternizaram. E o velho e o menino, os dois extremos da vida, também brindaram um com o outro. O velho com uma taça de champanhe que lhe deram, com a ordem de ingerir apenas um gole. O menino, com um copo de leite que ele tinha escolhido, investido no pleno exercício do livre e precoce arbítrio. E o amor fraterno reinou naquela sala, naquela noite, entre velhos e moços, homens e mulheres, crianças e adultos, afastando, por momentos, as diferenças, a incompreensão, o desencontro e a sensação de solidão que cada ser humano experimenta e carrega, por vezes, neste mundo.”  (O VELHO E O MENINO).



Boa tarde amigos,

No último dia 09 de maio, sempre prestigiado pelo meu amigo de tantos anos, Luiz Antonio Alves Torrano, Juiz Diretor do Fórum da Cidade Judiciária de Campinas, recebi amigos de todas as tribos, no hall do Bloco A daquela Corte de Justiça, para autografar o livro Causas e Causos, tomo III, editado recentemente pela Pontes Editora. A presença de tanta gente que eu estimo e que devota, por mim,  igual carinho, me deixou feliz e acolhido. Além desses, destaco minha mulher e companheira,  Mara Furlan Miguel,  responsável por grande parte das providências e pela arrumação do ambiente, incluindo a mesa que me foi reservada para os autógrafos; a sobrinha e afilhada, Luciana Bressan, o sobrinho Carlos Eduardo Miguel e sua esposa Vanessa Miguel,  meus irmãos Laila Miguel Bressan e Antonio Miguel e os cunhados Gianfranco Bressan e Cláudia Valim Cortês Miguel mais a trupe dos Schmidts, (o Renato, o Ricardo, a Elisete, o Alexandre e a Mariana e suas queridas filhas Ana Julia (a Ju) e a Ana Lara (a Larinha), sogros, cunhados e sobrinhas, respectivamente, de minha filha Samira, igualmente presente e  atuante no recebimento dos convidados. Eles  formaram o bloco dos parentes que taambém fazem parte inseparável de minha pródiga vida familiar e afetiva. 


Tânia Meira Barros veio trazer o seu
abraço afetuoso.
Tinha lá uns “engasga gatos”, expressão emprestada de meu queridíssimo doutor José Augusto Marin, Desembargador aposentado, ex-professor do qual fui assistente no começo de minha carreira no Magistério Superior, para serem engolidos como tira-gosto,  com um copo de suco, água ou uma taça de espumante, ingeridos entre a espera e os bate-papos. Meus mais sinceros agradecimentos a todos que ali estiveram,  à Margareth da Editora, à Cida e ao Fernando da Cantina e seus incansáveis colaboradores e o pessoal da Apamagis e da Administração do Fórum que muito auxiliaram na divulgação e realização do evento. Publico hoje algumas fotos do evento. Outras divulgarei nas próximas postagens.

Gabriela, a querida Gabi, advogada, e seu pai, o
 o Juiz da 3a. Vara da Família de Campinas, 
 Venilton Cavalcante   Marrera.


Célia Vasconcelos de Souza e Cármino Antonio
de Souza, médico, pesquisador e professor, com
a neta,  a linda Maria Clara de Souza.






A Procuradora da Universidade Estadual de   -

 Campinas, Cláudia Alface.
O advogado Marcelo de Castro Silva

entre o casal Telma Guimarães e Cleso
Castro Andrade, ela destacada escritora
de literatura infantil; ele médico oftal-
mologista.



quarta-feira, 15 de maio de 2019

CAUSAS & CAUSOS TOMO III LANÇAMENTO E GUARANI NA SÉRIE B


Boa noite, amigos:


 Imagem de Letícia Martins, o meia-atacante Arthur Rezende
emprestado pelo Boavista ao Guarani e que vem se destacan-
do nos treinos e nos jogos. Foi dele um dos três gols bu-
grinos na vitória de 3 a 2 sobre o Vitória da Bahia.

 °  Quem viu o jogo do Guarani contra o Vitória, na segunda-feira à noite, no Brinco de Ouro da Princesa, deve ter chegado à conclusão que o lateral bugrino, Lenon, há muito tempo fora do time, sem condições ideais, suponho, de jogo, tem lugar nesse time em qualquer posição. Dele saiu o cruzamento certeiro para o primeiro gol do Bugre, por Diego Cardoso, numa pixotada do goleiro adversário. A apertada vitória por 3 a 2 serviu para algumas conclusões que me parecem indiscutíveis. A equipe é fraca e precisa urgentemente de reforços em várias posições, antes que se pense em dar a ela um padrão de jogo. Carências na defesa, no meio de campo e no ataque são visíveis. A solução caseira pode e deve ser tentada, diante da falta de recursos e de escassez no mercado. Matheusinho, já promovido para a equipe principal, e que vem jogando como titular é, sem dúvida, uma boa solução, ao lado do meia, Arthur, que nos lampejos de lucidez do time – raros diga-se de passagem – nos três jogos até aqui da série B, mostrou que tem categoria para suprir a ausência de um meia de criação, posição carente com a saída de Thiago Ribeiro. E se Diego Cardoso não é o centroavante dos sonhos da torcida, é um dos que resolvem no ataque (e deverá continuar a resolver) se a bola chegar com alguma qualidade. De qualquer maneira, a vitória sobre a equipe baiana, que vem fazendo péssima campanha até aqui, não pode servir para tapar o sol com a peneira. A torcida está de olho no que vai fazer essa diretoria e o técnico contratado, na esfera de suas respectivas competências e responsabilidades.

Peter Panutto e André Heinemann,
Professores e Advogados.
° No dia 29 de abril, uma segunda-feira, à noite, promovi um primeiro lançamento de meu livro Causas & Causos, tomo III, no hall do auditório Dom Agnelo Rossi, do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da Pontíficia Universidade Católica de Campinas. Ali recebi amigos, entre professores, alunos e ex-alunos da Faculdade de Direito, em ambiente muito agradável. Hoje publico algumas fotos do evento.

Eu e o Professor e Advogado Denis

Ferraz.

Os professores e amigos Pedro Santu-

ci, André Heinemann e Fábricio  Pe-
loia.
Da esquerda para a direita, Leonardo,

Aline, eu, Ana e Maria Júlia, atuais
alunos do 2º C Matutino.
Ao meu lado a simpática e compe-
tente acadêmica Rebecca Hilkner. 
Abraço aos amigos e até breve.

domingo, 5 de maio de 2019

CAUSAS E CAUSOS TOMO III - LANÇAMENTO




Boa noite amigos,

Depois de 09 anos do lançamento do livro Causas & Causos n. II (2.010, Campinas, Millenium Editora), reúno, no Tomo III, outros tantos contos, desta vez mesclando o humor com um pouco de saudosismo e reflexão sobre as coisas que vi, vivi e senti na caminhada por esse mundo. E mesmo sem ter tido a intenção de formar uma trilogia, a verdade é que quem escreve o segundo livro continuando o primeiro, acaba quase que compelido a escrever o terceiro, o último de uma suposta trilogia não imaginada. Bem, decidi assim dividir com os amigos contos que surgiram espontaneamente nos meios forenses, que frequentei em pelo  menos três circunstâncias ou condições (como cartorário, advogado, Juiz de Direito e novamente advogado) e que foram marcantes pelo desencontro e humor que despertaram, como também alguns outros, registrados na memória da minha mocidade na cidade de Campinas, que tão bem me acolheu, com os seus personagens, redutos e instituições das décadas de 60,70 e 80. 
O Professor e Procurador do Trabalho, Doutor Silvio 
Beltramelli Neto. Imagem do Youtube.
Publico, desta vez, pela Editora Pontes e o livro de 111 páginas, com prefácios do professor Doutor e Procurador do Ministério Público do Trabalho, Silvio Beltramelli Neto e de minha sobrinha, a professora universitária, Doutora Fernanda  Valim Côrtez Miguel, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, sediada em Diamantina, nas Minas Gerais, que é mestre em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais, que muito me honraram  com a aceitação do convite e registraram, em linhas competentemente escritas, o caráter generoso direcionado a mim e à minha modestíssima obra. O livro já está nas livrarias  e também pode ser adquirido pelas livrarias virtuais.

Minha sobrinha, a Professora Doutora Fernanda Valim Cor-
têz Miguel, da Universidade Federal dos Vales do Jequiti-
nhonha e Mucuri (UFVJM), situada em Diamantina, em
Minas Gerais. Foto do Youtube.

Fiz um lançamento na última segunda-feira na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, onde leciono e no próximo dia 09 de maio, a partir das 18,00 horas, marquei outro encontro no Fórum da Cidade Judiciária de Campinas, bloco A,  para receber os amigos que se animarem em me visitar.

Abraço e boa semana.