domingo, 19 de novembro de 2017

GUARANI LIVRE DE REBAIXAMENTO E A POSSÍVEL DESPEDIDA DE FUMAGALLI

“O dramático empate sem gols nesta sexta-feira, no Brinco de Ouro, ratificou a permanência na série B do Campeonato Brasileiro e, ao mesmo tempo, rebaixou o Luverdense com uma rodada de antecedência. É pouco para a história dessa camisa, mas serve de presente aos 6.648 torcedores que foram ao estádio” (globoesporte.com.)


Boa noite amigos,

O meia Fumagalli, ídolo do Guarani, que provavelmente
encerrou sua carreira como jogador de futebol no jogo
contra o Luverdense. Imagem emprestada de meninosdavila.

É, sem dúvida pouco mesmo para a história dessa camisa que na segunda metade do século passado fez impressionante história no futebol nacional, com um título de campeão brasileiro (1978),  dois vice-campeonatos (1.986 e 1.987) e, ainda, de campeão da chamada Taça de Prata, correspondente à 2ª. divisão do brasileiro. Guarani e Ponte, na década de 70, converteram a cidade de Campinas na capital do futebol nacional e o refinado e competitivo futebol que praticavam foram  considerados pelo Le Monde da França, como a mais fina flor do futebol brasileiro naquela época.  Mas a realidade desse século é bem outra.  Ao contrário de sua principal rival, o clube, assolado por sucessivas crises políticas e financeiras, deixou o futebol, razão maior de sua existência, à deriva, e as equipes montadas e desmontadas, foram escrevendo episódios de participações pífias, com sucessivos fracassos e rebaixamentos, a ponto de hoje nem sequer figurar entre os times que disputam primeira divisão nacional e paulista. Assim, foi com muito esforço de uma equipe formada praticamente na temporada, e com um orçamento infinitamente menor do que o do Internacional de Porto Alegre, ou do Goiás, que também jogam a mesma competição neste ano, que se manteve, na penúltima rodada, livre do ameaçado rebaixamento para a série C. Ontem, fui ao Estádio ressabiado, como sempre. E como era de se esperar, foram rigorosos 99 minutos de apreensão, até o apito final do árbitro, que selava, definitivamente, a sorte da partida e dos concorrentes: a da bravo  Luverdense, que jamais se entregou, teve domínio territorial e ameaçou seriamente a meta do goleiro Leandro Santos em pelo menos três oportunidades reais de gols, mas que amargou um rebaixamento esperado, desde a derrota, em casa,  na rodada anterior, para a equipe do Boa;  a do Bugre que, finalmente, depois de tantos empates indesejados em seus domínios, perseguiu senão a vitória, que não veio, ao menos  a agora suficiente igualdade que o livra da degola. O Bugre jogou pelo empate? Não, absolutamente. Richarlison meteu uma bola na trave, num lindo lance que merecia morrer nas redes e Paulinho perdeu um gol incrível aos 46 do segundo tempo, quando teve, em suas mãos, livre e escancarada, a chance de inaugurar o marcador. Como franco atirador e precisando desesperadamente da vitória, o protagonista foi o adversário matogrossense que jogou um bom e eficiente futebol na defesa e no meio campo, pecando, porém, nas conclusões, enquanto o Bugre contou também com uma boa postura de sua defesa para segurar o marcador, sem,  contudo, conseguir, como pretendia, executar com perfeição os contra-ataques a que se propunha e o rival oferecia,  inúmeros no decorrer da partida. Um 0 a 0, pois, como se disse, precioso pelo seu significado e que foi comemorado pela torcida, pelos jogadores e pela comissão técnica como se fosse um título.

FUMAGALLI

A disputa estava acirrada como nunca. O placar teimava em não sair do zero. Um zero a zero que seria suficiente para evitar a degola do Bugre, desde que o adversário não balançasse as redes, condição que ninguém se atrevia a garantir naquela altura do espetáculo.  Eram 09 minutos do segundo tempo quando o representante da Federação ergue as placas indicativas de substituição no Guarani. Sai  Fumagalli, entra o jovem Luiz Fernando. Nesse momento, se encerrava, ao menos supostamente, a carreira de um grande e querido jogador de futebol. De um dos mais importantes atletas que passaram pelo Guarani Futebol Clube,  desde sua fundação. José Fernando Fumagalli, aos 40 anos, dera muitas entrevistas anteriores, salientando que ao final desta temporada, encerraria sua carreira como jogador de futebol. O estádio todo ficou em pé, aguardando a saída do atleta para homenageá-lo. E ao se dirigir para a lateral do campo, acompanhado pelo árbitro, que queria pressa na substituição, Fuma foi aplaudido de pé pelos quase 7.000 torcedores presentes, que entoaram o famoso grito de guerra conhecido dos bugrinos e temido pelos adversários: Fumagalli  eh, eh; O Fuma Gol.  Lágrimas rolaram dos olhos do atleta, emocionado, acenando para a multidão que o reverenciava, com muita justiça. Mas ainda não era tempo de comemorações. Nem de falar da história gloriosa dessa carreira.  O jogo corria solto e o atleta esperou o apito final, que selaria a sorte de seu amado clube na competição para daí, aliviado, atender a uma multidão de repórteres que se acotovelavam à cata de seu depoimento. Atendendo a todos com a elegância e a humildade que o caracterizam como homem e profissional, então, aos prantos, destacou a união, a expectativa e o sofrimento dos últimos tempos e especialmente da última semana em que, sem ser escalado teve que seguir com a equipe para Londrina, pelo seu fundamental papel de líder junto ao elenco. E a despeito da derrota no Estádio do Café, foi chamado também à concentração com  os colegas para o confronto do final de semana contra o Luverdense, decisivo para as pretensões do Bugre de permanecer na série B do Brasileiro. Falou de seus temores, da responsabilidade que pesava sobre seus ombros, do filho pequeno que se negava a dormir sem a presença do pai, da importância da família que lhe deu o apoio necessário para que pudesse se dedicar nesses momentos, integralmente ao clube e aos colegas, no objetivo traçado e perseguido. Não há ainda certeza de que o atleta efetivamente encerrou sua carreira como jogador, na sexta-feira. Pode ser que decida ainda jogar o campeonato paulista da série B, ou alguns jogos, ao menos, com a intenção de ver seu clube retornar à primeira divisão do Paulista no ano que vem, se o clube renovar o seu contrato. Não há nenhuma censura nessa incerteza que invade os homens de bem e que são importantes naquilo que fazem nesta vida. Pelé se despediu inúmeras vezes da carreira.  Hebe Camargo também. E mais recentemente, o piloto Felipe Massa.  A importância de Fumagalli para a história do Guarani não se restringe ao campo de jogo, embora neste, os números sejam impressionantes: 89 gols que o converteram no quarto maior artilheiro do Bugre, à frente de Neto,  Jorge Mendonça, Zenon, China, Evair e Renato Pé Murcho, superado apenas por Careca com 118, Nenê com mais de 120 e Zuza, recordista com 149 gols. Dos 89 gols assinalados foram 35 de penalidades máximas, 10 de  faltas,  que cobrava com perfeição, especialmente do lado esquerdo e 2 gols olímpicos. Gols ou assistências, que levaram o Bugre, em 2.012, ao vice-campeonato paulista daquele ano, derrotando, nas quartas e na semi-final, respectivamente, o Palmeiras e a Ponte Preta, dois potentes e qualificados adversários. Três gols e uma assistência na impressionante goleada de 6 a 0 sobre o ABC no vice-campeonato brasileiro da série C de 2.016.  Não, não! Além disso, Fumagalli foi importante fora do campo. Sua serenidade, seu respeito pelo corpo, seu comprometimento com a carreira, com o clube e a torcida eram evidentes, mesmo nos momentos de crise administrativa e financeira, que quase sempre interferiam negativamente no campo de jogo. Fuma vivia e respirava o Brinco. Algumas vezes pude observá-lo de longe, sem que ele soubesse da minha existência, por nunca termos sido apresentados, durante a semana, no Shopping Center ou  em restaurantes de Campinas, acompanhando atletas muito jovens que tinham sido contratados ou emprestados ao Guarani, aos quais recebia carinhosamente como bom anfitrião, para ambientá-los na cidade e no clube. Alguma dúvida sobre a sua enorme relevância dentro e fora do campo? O torcedor não tem nenhuma e espera, senão contar com o seu futebol por mais uma temporada, que ele assuma logo função que faça jus à sua história, ao seu talento, ao seu amor pelo clube e ao seu caráter como homem e profissional. Que Deus dê ao Fuma e à sua família, saúde e harmonia que eles merecem. A nós torcedores só resta dizer: Obrigado Fuma. Você faz parte da história deste clube e desta camisa. E sabemos que, na sua modéstia, por essa história que você escreveu no Guarani e o respeito que conquistou, você tem o maior orgulho. Nós também temos. Forte abraço.





quarta-feira, 15 de novembro de 2017

AMISTOSO BRASIL E INGLATERRA E A ELIMINAÇÃO DA ITÁLIA



Um Mundial sem Itália, mas sobretudo, uma Itália sem Mundial. Adeus às noites mais ou menos mágicas, aos torcedores com um pedaço de pizza ou uma cerveja gelada, à ilusão de ter peso em algo, pelo menos em futebol”  (jornalista Massimo Gramellini, em sua coluna no jornal Corriere della Sera, comentando a eliminação da Itália da Copa do Mundo de 2.018 na Rússia).


Amigos,

O goleiro Bufffon, campeão mundial com a Itália em -
2.006, chora a eliminação da sua Seleção e se despe
de. Imagem emprestada de mil notícias.
O público que lotou o estádio de Wembley, em Londres,  e  pagou caro pelo ingresso merecia assistir ontem a um espetáculo de mais qualidade técnica, no último amistoso da seleção brasileira do badalado técnico Tite contra a dona da casa, a Seleção Inglesa. O empate sem gols frustrou, sem dúvida, o público e a crítica, levando-se em conta que a equipe da casa  jogou sem sete jogadores considerados titulares, dentre os quais, Harry Kane e Delle Ali,  e a circunstância de que a  seleção de Neymar e Phillipe Coutinho, vinha  jogando um futebol vistoso e competente nas Eliminatórias Sul-Americanas  e voltou a ser considerada uma das favoritas ao título ano que vem na Rússia. De qualquer maneira, o teste foi válido, ao menos para que a comissão técnica pudesse fazer avaliações, antes de fechar a convocação final no começo do ano que vem. E  também por se tratar de amistoso a menos de 8 meses da Copa,  no coração da Europa, continente em que jogam a quase totalidade dos atletas brasileiros, o que supostamente justifica a excessiva individualidade de alguns, ávidos por mostrar qualidade para o técnico e confirmar a aposta na convocação definitiva e, ainda,  na condição de titular na Copa do Mundo de 2.018.

Roberto Baggio preparando-se para a cobrança do quinto e

último penalti na final da Copa de 1.994. A imagem foi em-
prestada de globoesporte.com.
O que me pareceu mais importante, sem dúvida, foi a dificuldade que a seleção canarinho encontrou para sair da marcação sempre eficiente,  à la moda européia, a sinalizar que será preciso criar alternativas  que possam surpreender o adversário, o que não se viu ontem quando a seleção brasileira, em 90 minutos, meteu uma bola na trave em chute de fora da área  de Fernandinho e outro de William no corpo do goleiro Hart, num dos únicos lances  em que os defensores não conseguiram interceptar os lançamentos.  É muito, muito pouco, claro, para as pretensões de vencer  seleções como a alemã, a própria Inglaterra, a Espanha, a França e até mesmo Portugal, de Cristiano Ronaldo. É isso. Encerradas as eliminatórias europeias ontem, a grande surpresa ficou por conta da desclassificação da tradicionalíssima Seleção Italiana, tetracampeã mundial e que há quase 60 anos vai a todas as Copas do Mundo, jogando futebol nem sempre vistoso, mas inegavelmente competente e um dos nossos adversários mais duros e inesquecíveis, sobre o qual fizemos duas finais e ganhamos dois títulos mundiais, o tetracampeonato no México, em 1.970, quando a seleção de Pelé, Jairzinho, Gerson e Rivelino venceu pelo largo placar de 4 a 1, e em 1.994, com a equipe de Bebeto e Romário,  no tetra ganho no sufoco,  nos pênaltis, o último dos quais isolado por Roberto Baggio,  naquela cena que a televisão brasileira, para desgraça do atleta, repete com constância, para não cair no esquecimento. A Copa do Mundo de 2.018, certamente estará menos brilhante sem a Itália, sem a Holanda, e até mesmo sem os Estados Unidos que, sem o brilho e a tradição das duas europeias, tem estado nas últimas copas desde a que sediou e se  esforçado para entrar, um dia talvez, no rol dos seletos campeões mundiais de futebol.

Até breve amigos,

P.S. (1) Roberto Baggio afirma que aquele pênalti isolado na Copa do Mundo de 2.014, nos Estados Unidos, e que deu números finais e o título à Seleção Brasileira ainda o assombra pelas noites da vida. Se é verdade que é ele apontado como o responsável pela perda da Copa, não foi o único. Barezzi e Massaro também erraram suas cobranças, mas nunca são apontados como responsáveis ou co-responsáveis pela derrota. O Brasil venceu nos pênaltis por 3 a 2. A ordem das cobranças foi a seguinte: Barezzi abriu a série e perdeu. Marcos Santos também errou pelo Brasil. Depois Albertini fez 1 a 0 e Romário empatou em 1 a 1. Evani fez para Itália e e, em seguida, o lateral Branco novamente empatou em 2 a 2. Aí vem o pênalti defendido por Taffarel: o de Massaro. Em seguida, Dunga converteu (3 a 2 para o Brasil). Aí na quinta cobrança de cada lado é que Baggio isolou e deu números finais ao placar. Se Baggio tivesse feito e o Brasil convertesse a quinta cobrança também seria campeão, por 4 a 3 na cobrança de pênaltis.



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domingo, 22 de outubro de 2017

TELENOVELAS - A FORÇA DO QUERER - PARTE UM.

Boa noite, amigos,

Tres belas e competentes atrizes formaram o trio de prota-

gonistas da novela de Gloria Perez: A policial Geiza (Paolla
Oliveira), a irreverente Ritinha (Isis Valverde) e a audacio
sa Bibi (Juliana Paes). Imagem emprestada de Purepleope.
Desde Avenida Brasil, a TV Globo não conseguia emplacar mais de 36 pontos no Ibope no horário mais nobre de sua grade: o da novela das 21,00 horas. A Força do Querer, folhetim que começou em abril e terminou na sexta-feira passada, com média de 49% e picos de mais de 50%, resgatou a audiência perdida nesses anos decorridos, por causa da mesmisse e da falta de inspiração dos diversos autores para manter aceso o interesse do público, com  abordagens mais originais e atuais, em tempos de  pós-modernidade.  Há quem sustente que a Televisão perdeu audiência para a Internet, o que pode ser verdade. Porém,  logo que seja possível apurar, de forma mais abrangente, por quais meios o espectador está assistindo aos seus programas, incluindo as telenovelas (visto que ele não o faz mais apenas na televisão da sala, em tempo real de exibição) e essa afirmação poderá ser constatada ou contrastada de forma mais precisa. Não se pode afirmar, outrossim, que ao falarmos do espectador das novelas, estaríamos nos referindo exclusivamente às classes C e D, as mais modestas, social, cultural e economicamente falando. Não! A novela no Brasil adquiriu um “status” que nenhum outro segmento de comunicação conseguiu superar ou destruir. São décadas de tradição, construídas pelos inúmeros festejados autores que surgiram, desde a geração de Ivani Ribeiro e Janete Claire, ora a contar a  nossa história, com as chamadas “novelas de época”, ora a abordar dramas contemporâneos, sob o enfoque de valores morais e sociais, ou simplesmente provocar distração, mas que também não se abstêm, via de regra, da crítica social bem humorada, aspecto que aprecio muito nesses folhetins. Dos anos 60 para cá, as telenovelas, a exemplo das antecessoras, as radionovelas dos anos 40 e 50, permanecem vivas, mas necessitam, evidentemente, de sucessivas reciclagens, para não se perderem no tempo. Claro que os romances, as intrigas, as comédias e as tragédias, os dramas existenciais do homem e, pois, da vida de cada um de nós, como temas universais e atemporais, ainda que temperados pela ficção, são sempre bem vindos e estão aí autores consagrados, cujas obras se mantêm vivas, séculos passados,  graças a esse expediente, de que é exemplo emblemático William Shekespeare, considerado o maior escritor em língua inglesa e que ainda figura no topo, como recordista disparado de encenações pelo mundo inteiro. Mas as novelas no Brasil nunca se contentaram – e felizmente no meu modo de ver – em permanecer à margem dos problemas e das questões que a sociedade brasileira enfrentou e enfrenta a cada momento, ao menos para incentivar o telespectador a discutir, a rever seus conceitos, a apurar e opinar, de preferência, com conhecimento de causa. Cumprem, enfim, essa função social relevante, que não passa despercebida por nenhuma das autoridades e instituições de poder no país. Não levo muito a sério a corrente que considera apenas os pontos chamados de negativos das teledramaturgias, se é que podem ser comprovados, ou seja, de que as mensagens por elas transmitidas visam unicamente provocar lavagem cerebral no povo mais inculto, impor valores de interesse das empresas de comunicação e seus patrocinadores, dissociados da nossa cultura e tradição. Por outro lado,  aquela história de que novela é coisa de mulher, coisa de quem não tem o que fazer, é mais uma lorota criada pela sociedade patriarcal e machista em que vivemos. E, além de tudo, hipócrita.Esta semana o Ministro Alexandre de Moraes, advogado e professor de Direito Constitucional, ocupando atualmente uma das cadeiras da Suprema Corte do país, declarou a um veículo de comunicação que vê novelas e fez comentários acerca da Força do Poder. Mais à frente falarei a respeito dessa entrevista, com detalhes. O fato é que, convenhamos, a telenovela no Brasil é uma realidade incontestável e o maior veículo de comunicação, por atingir famílias inteiras de todas as classes sociais, transmitida pela televisão aberta e gratuita, o instrumento mais democrático do país, ao lado do rádio (ainda, podem crer). Daí porque as exigências em relação a esse relevante produto ser cada vez maior e os canais abertos têm consciência do poder que ele exerce no espectador ávido por entretenimento, emoção e porque não, também reflexão sobre questões que o assaltam no dia a dia, como educação dos filhos, o país em que se vive, o momento que a sociedade experimenta em relação às suas instituições, etc. Voltei dos Estados Unidos na sexta-feira e pelo canal latino Unimás constatei pessoalmente o que sempre se soube – que a novela brasileira é um dos nossos mais relevantes produtos de exportação e instrumento de divulgação de nosso país e de nossa cultura. Daí a exigência da qualidade em todos os sentidos e setores que envolvem a sua construção, desde os roteiros, o desempenho dos atores, a direção, os recursos técnicos etc. O canal exibe, com dublagem em espanhol, uma após a outra,  todos os dias em determinado horário, A Terra Prometida, uma produção da TV Record e Totalmente Diva, nome escolhido para a novela Totalmente Demais, produzida pela Rede Globo. E você, gostou do final da novela de Glória Perez? Amanhã começo a fazer as minhas considerações sobre a produção que vi quase na integralidade, suas eventuais virtudes e defeitos. Claro na minha opinião, compartilhada com prazer com você, meu amigo, e sempre com respeito à divergência.

Forte abraço.


P.S. (1) -  O folhetim da Globo deve atingir mais de 36 pontos de média na Grande São Paulo e share superior a 55%. O share corresponde ao percentual de audiência  apenas em relação aos aparelhos de TV ligados;

P.S. (2) -  A cada ano o Kantar Ibope atualiza o seu quadro de percentuais em função da atualização da população nos centros onde os índices de audiência são medidos. Na atualização válida a partir de 1º de janeiro de 2.017, para a Grande São Paulo, cada ponto representa 70,5 mil domicílios e 688,2 mil indivíduos;

P.S. (3) Os índices das novelas imediatamente anteriores foram os seguintes, respectivamente, no geral e relativamente ao share (apenas os aparelhos ligados): A Lei do Amor” (25,9 pontos e 36,8%), “Velho Chico” (28,7 pontos e 42,0%), “A Regra do Jogo” (25,1 pontos e 37,8%), “Babilônia” (25,2 pontos e 39,2%), “Império” (30,0 pontos e 48,6%), “Em Família” (30,5 pontos e 49,6%), “Amor à Vida” (34,3 pontos e 54,8%), “Salve Jorge” (30,3 pontos e 50,2%), “Avenida Brasil” (36,4 pontos e 60,1%) e “Fina Estampa” (38,0 pontos e 58,7%).

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

COPA DO BRASIL 2.017 - O CRUZEIRO É PENTACAMPEÃO.

Boa noite,

Imagem emprestada de guerreiro dos gramados.com. de 

Fábio, goleiro do Cruzeiro há 14 anos e que defendeu a
penalidade batida pelo meia atacante, Diego, dando o penta
campeonato da Copa do Brasil para o seu clube.



O  Mineirão, do fatídico 7 a 1 da Alemanha sobre a Seleção Brasileira na Copa de 2.014,  mas um belíssimo e tradicional estádio, foi hoje palco de mais uma final da Copa do Brasil. Flamengo (3 vezes) e Cruzeiro (4 vezes) campeões do torneio considerado o mais democrático do país, por reunir equipes das quatro divisões  e outras quase amadoras, buscaram incessantemente, durante o tempo normal de jogo,  o gol e a vitória que daria a qualquer deles, o título e, ainda, de quebra, uma vaga diretamente na fase de grupos da Copa Libertadores da América do ano que vem. Ambas as equipes fizeram, ao seu modo e com o esdrúxulo regulamento na mão,  jus à classificação para a final. A decisão ficou para as penalidades depois de um intenso 0 a 0 no tempo normal, repetindo a competividade do primeiro jogo no Maracanã, quando também empataram, mas pelo placar de 1 a 1. O Cruzeiro converteu todas as cinco. O Flamengo, de Diego, perdeu uma,  justamente com Diego, uma de suas grandes e mais caras estrelas. O Cruzeiro, assim, é o grande campeão da  Copa do Brasil de 2.017 e esteve na competição desde o começo. 

Imagem da Copa do Brasil 2.017.
O Flamengo, desclassificado na Libertadores e, depois, na Sulamericana, só entrou no torneio nas oitavas de finais. A equipe mineira disputou 12 jogos. Foram 7 vitórias (6 a 0 no São Francisco;  2 a 0 e 3 a 0 no Murici; 2 a 1 no Volta Redonda; 1 a 0 na Chapecoense; 2 a 0 no São Paulo; e 1 a 0 no Grêmio), 3 empates (0 a 0 com a Chapecoense;  e 1 a 1 e 0 a 0 contra o Flamengo) e 2 derrotas (2 a 1 para o São Paulo; e 1 a 0 para o Grêmio). O Mengão, em 8 jogos, teve 3 vitórias (2 a 1 contra o Atlético Goianiense; 2 a 0 contra o Santos; e 1 a 0 contra o Botafogo), 4 empates (0 a 0 contra o Atlético Goianiense e contra o Botafogo;  e 1 a 1 e 0 a 0 contra o Cruzeiro) e 1 derrota (4 a 2 para o Santos). O Cruzeiro é, assim, pentacampeão do torneio que é considerado o caminho mais curto para a Libertadores. Ao Flamengo, resta ignorar o ano em que foi desclassificado da Libertadores e da Sulamericana, perdeu a final da Copa do Brasil nos pênaltis para o Cruzeiro  e só chegou a mais um título do fraco Campeonato Carioca.
O meia atacante Diego Ribas, que teve seu auge no Santos

Futebol Clube, quando jogou ao lado de Neymar, forman-
do uma dupla inesquecível. Contratado pelo Fla para o-
Campeonato Brasileiro, perdeu hoje a penalidade que -
deu o título ao adversário, o que não elimina a sua im-
portância para a equipe atual do Flamengo.
Ah! Há ainda o Campeonato Brasileiro. Bom, pretender o título a esta altura parece mesmo impossível. A 13 rodadas da final, está em 7º lugar e a uma diferença de 15 pontos do líder Corinthians. Considerando que o Grêmio ainda pode ser campeão da Libertadores e o Cruzeiro já assegurou sua vaga, se o campeonato terminasse agora o Fla estaria classificado para a Libertadores de 2.018. É o que parece mais viável perseguir neste final de ano. O resto é para esquecer. O Flamengo montou uma boa equipe, equilibrada nos três setores, mas ainda assim não rendeu o que poderia para dar à sua fanática e imensa torcida, a maior do Brasil, um título compatível com a sua tradição e com os recursos que o clube recebeu no ano de 2.016. Para se ter uma ideia, no ano passado, só a verba que recebeu pela transmissão de seus jogos na série A do Brasileiro (quase 180 milhões de reais) foi três vezes superior àquela paga ao Cruzeiro (60 milhões de reais) seu adversário desta final. A mesma diferença se verifica em patrocínios. No campo, porém, essa sensível superioridade não apareceu. Coisas da vida. E do futebol. 



Até amanhã amigos. 


P.S. (1)  Fábio Deivson Lopes Maciel é o nome completo do goleiro Fábio, 1,88 metros e que está no Cruzeiro há nada menos que 14 anos. Prestes a completar 800 jogos pela equipe da Toca da Raposa, renovou seu vínculo com o clube até final de 2.018, por cerca de 600 mil reais por mês, o maior salário pago a atletas de sua posição no Brasil, segundo o Presidente. É muito dinheiro, né. Mas dizem que ele merece.

P.S. (2) O técnico Mano Menezes estava há 8 anos sem ganhar título na sua carreira. O último foi o da Copa do Brasil  com o Corinthians em 2.009. Esta noite terminou o incômodo jejum.

P.S. (3) Piada que corre nas redes sociais: Até a Alemanha ganhou a Copa do Brasil. O São Paulo continua virgem. Maldade!


terça-feira, 26 de setembro de 2017

OPHELIA REINECKE - TÍTULO DE CIDADÃ CAMPINEIRA




/Sei que amanhã, quando eu morrer/Os meus amigos vão dizer/ Que eu tinha um bom coração/ Alguns até hão de chorar/ E querer me homenagear/Fazendo de ouro um violão/ Mas depois que o tempo passar/ Sei que ninguém vai se lembrar/ Que eu fui embora/ Por isso é que eu penso assim/ Se alguém quiser fazer por mim/ Que faça agora/ Me dê as flores em vida/ O carinho, a mão amiga/ Para aliviar meus ais/ Depois que eu me chamar saudade/ Não preciso de vaidade/ Quero preces e nada mais/


 (NELSON CAVAQUINHO - QUANDO EU VIRAR SAUDADE)


Bom tarde amigos,


Ophelia Reinecke durante o seu

discurso de agradecimento na

Câmara Municipal de Campi

nas. A imagem é do celular

de Daniel Blikstein.
No último dia 19 de setembro, em cerimônia concorridíssima na Câmara Municipal de Campinas, transmitida ao vivo pela TV Câmara, a nossa estimada amiga Ophelia Amorim Reinecke recebeu o título de Cidadã Campineira. Oriunda de Campina Grande na Paraíba, Ophelia traz em seu currículo uma rica participação na advocacia, profissão que desempenha com competência e desenvoltura há quase 60 anos, bem como militância intensa em movimentos sociais e políticos, tendo participado e advogado, ainda recém-formada, para a Liga Camponesa da Paraíba, movimento de extrema esquerda, que lhe rendeu perseguição do regime da ditadura militar. Foi fundadora do S.O.S. Mulher, associação que na década de 80, em Campinas,  desenvolveu projetos voltados para a defesa judicial e extrajudicial da mulher, na luta pela sua dignidade e igualdade no casamento, na família e na sociedade. A iniciativa da láurea foi do vereador Gustavo Petta,  por sugestão que me permitiu fazer, em ofício de junho de 2.016, no qual relato a intensa atividade social e profissional da Dra. Ophelia, revertida em benefício dos cidadãos campineiros, na cidade em que ela elegeu para viver e trabalhar desde a década de 70. À solenidade se seguiu simpático jantar, no salão do Hotel Vitória, que os amigos ofereceram, por adesão, à homenageada, seus filhos, noras e netos.

Até amanhã amigos,

P.S. (1) À solenidade de entrega do título de cidadã campineira acorreram, além dos filhos, Marcos e Alexandre Reinecke, noras e netos, Juízes, Desembargadores, Procuradores e Promotores de Justiça, advogados, da ativa e aposentados, assim como políticos, clientes e ex-clientes e uma infinidade de amigos e simpatizantes;

Foto enviada por Daniel Blikstein de meu dis-

curso durante a homenagem à amiga Ophe-

lia.
P.S. (2) Além do vereador Petta, que presidiu a solenidade, por ter sido o autor do projeto de lei que concedia a honraria, estiveram presentes, integrando a mesa, o vereador e advogado, Marcos Bernardelli; o Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Sub-Seção de Campinas, Daniel Blikstein; o Conselheiro Estadual da Ordem dos Advogados do Brasil, Aderbal Bergo. Fui convidado para integrar a mesa, por delicadeza do Presidente, considerando a iniciativa da sugestão da concessão do título, a amizade com a homenageada e o fato de ter sido destacado para saudar a amiga de tantas décadas. Todos os integrantes da mesa fizeram questão de usar da palavra para relembrar as virtudes da antiga profissional e amiga, dispensando-lhe elogios e merecidos afagos;


P.S. (3) A comprovar o prestígio da Dra. Ophelia perante o seu órgão de classe, três ex-Presidentes da Sub-Seção de Campinas da OAB fizeram questão da presença e do uso da palavra: o atual Daniel Blikstein e os exs, Marcos Bernardelli e Aderbal Bergo;


P.S. (4) Ophelia foi Secretária dos Negócios Jurídicos da Prefeitura Municipal de Campinas durante a administração do Prefeito Jacó Bittar, entre janeiro de 1.989 e dezembro de 1.992;


P.S. (5) Durante a solenidade, em clima de muita emoção, pediu para usar a palavra, Alexandre Reinecke, filho da Dra. Ophélia, hoje  renomado diretor de teatro, tendo em seu currículo, peças que foram sucesso de público e crítica. Alexandre agradeceu autor da honraria e aos amigos e clientes, destacando a figura da mãe dedicada e  lutadora, que criou os filhos praticamente sozinha, depois do divórcio, ao mesmo tempo em que desempenhava suas atividades fora do lar. Em síntese: A força do exemplo em consonância com o discurso.

P.S. (6) A demonstrar que a honraria entregue à Dra. Ophelia foi um evento meta-político, a presença e aplauso de dois vereadores rivais: Gustavo Petta, do PCdo B, oposição, e, Marcos Bernardeli, do PSDB, atual líder do Prefeito, Jonas Donizetti, na Câmara Municipal de Campinas. E também do amigo e atual Secretário da Saúde do Município,  o médico e professor, Carmino Antonio de Souza.   



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

MORRE BOZÓ - TORCEDOR SÍMBOLO DO BUGRE

Boa noite amigos,

Bozó nos últimos tempos em foto do site oficial  Guarani Fu-
tebol Clube
Volto a escrever para o blog depois de exatos dois meses. E o faço nesta segunda-feira, longe de Campinas, para falar de uma pessoa muito querida dos campineiros e dos bugrinos, em especial. Nas primeiras horas desta manhã, meu sobrinho Silvano, sempre bem informado, me comunicou o falecimento de José Carlos Roque de Oliveira (quem?), conhecido  como Bozó (assim eu sei), um dos torcedores-símbolo do Guarani Futebol Clube, conhecido em toda a cidade. Sem idade confirmada (dizem que os mágicos não contam idade, pois são atemporais), Bozó era o retrato da alegria e da paixão pelo futebol e pelo  seu clube de coração. Uma paixão que se manifestava com leveza e mansidão, com respeito às divergências, sem que dele ou contra ele se tenha notícia de qualquer episódio de violência. Por isso era bem recebido e respeitado por todos os torcedores e cidadãos, indistintamente. Sua alcunha não vinha, como seria natural, daquele famoso ponta esquerda campeão brasileiro de 1.978, e que formava o badalado trio de  atacantes  com Capitão e Careca, ao lado de Renato e Zenon.


Imagem emprestada de R7 Diversões. O ator Vlademir Brich

ta, à esquerda, vivendo o protagonista, Arlindo Barreto, em

Bozo - O Rei das Manhãs, filme brasileiro indicado para

representar o Brasil no Oscar 2.018.
Nem decorre de um variação de "Bozo" (paroxítona com acento tônico na penúltima sílaba e não na última), palhaço que marcou a arte circense de muitas gerações e que tem até filme em cartaz, indicado como representante do Brasil no Oscar 2.018. O Bozó veio mesmo do personagem de Chico Anysio, gago e dentuço, com quem o nosso era parecido, que  propalava prestígio por trabalhar na Globo, para azarar  as gatinhas de plantão. Sempre animado, Bozó menos famoso comandava os torcedores no Brinco de Ouro, dando ritmo aos Olas,  nos grandes jogos e viu o clube, depois do apogeu dos anos 70/80, mergulhar em crise permanente e profunda, com rebaixamentos seguidos em todos os campeonatos dos quais participava, perdendo a gloriosa 13ª. colocação no ranking do futebol brasileiro.


O personagem Bozó, imortalizado por Chico Anysio. Imagem

emprestada de Diário gaúcho.com.
Essa vertiginosa queda de prestígio e de posição,  não foi motivo suficiente para abalar  sua paixão. Ao contrário, seguia o time na 2ª. e 3ª. divisões do Paulista e Brasileiro,  com o mesmo entusiasmo e otimismo do passado.


imagem recente do jogador Bozó, campeão brasileiro pelo -
Guarani Futebol Clube em 1.978. Foto emprestada de ter-

ceiro tempo. uol.
Nos últimos anos Bozó já não esbanjava a vitalidade da juventude. Muito mais gordo, tentava driblar algumas doenças sérias. No dia do jogo do Guarani com o Internacional pelo campeonato da série B deste ano, sofreu um infarto, que ontem se repetiu. Desta vez, o coração levou Bozó para sempre. E por certo com ele um pouco da pureza do torcedor símbolo que afirmava, a cada momento da vida e em todos os lugares por onde passava,  a sua paixão incondicional pela equipe de seu coração, vestindo a camisa verde e branca com o G no centro e duas estrelas laterais, a qual exibia com orgulho, mas sem arrogância. Fica o exemplo de uma pessoa doce, cordata, simples e que, por isso mesmo, simbolizava a alegria do futebol, esse esporte que é paixão nacional, embora muitas vezes lamentavelmente seja o pretexto para  discórdias, violências e mortes. Hoje o Brinco de Ouro amanheceu mais triste, pobre  e vazio. Descanse em paz caríssimo Bozó. E que Deus o proteja e conforte sua família e amigos, os muitos que fez por aí nesse nosso mundinho de passagem.

Até amanhã amigos.
  


P.S. (1) O Guarani Futebol Clube, no seu site oficial, lamentou a morte de seu torcedor símbolo, ressaltando a sua importância para a história do clube e deve a ele prestar homenagens justas nos próximos jogos e eventos;

P.S. (2)  Conversei pela última vez com o Bozó lá no Tonico’s Bar, em uma noite de muito samba, com a presença da neta de Dorival Caymmi, Juliana, e um time respeitável de sambistas, encontro que noticiei em postagem do dia 25 de junho de 2.011;  sambista também  foi o pai de Bozó,  no humilde bairro Manoel da Nóbrega, aqui em  Campinas

P.S.(3) Bozo - O Rei das Manhãs, é o nome da cinebiografia de Arlindo Barreto (Vladimir Brichta), o palhaço Bozo e seu drama. O filme foi indicado para representar o Brasil no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro do ano que vem;

   





terça-feira, 25 de julho de 2017

REALIDADE DE MARÍLIA MENDONÇA

Boa noite amigos,

Então não casa não/ por favor não casa não”, apelo de ex-namorada, em forma de refrão musical, que se ouve muito frequentemente nas rádios e especialmente nos bailes da vida. Trata-se de mais uma das composições de Marina Mendonça, uma goiana, cantora e compositora, que completou 22 anos no último dia 22 de julho. Sua voz firme de contralto, seu corpanzil de mulher aparentemente mais madura e o carisma dessa moça, que lembra a singeleza do interior ou da periferia mais pobre, preenchem qualquer palco onde regularmente se apresenta para mais de dezena de milhares de espectadores.  A maioria é de mulheres jovens, gênero a que não se resume o seu vasto público, de todas as regiões do país e que compreende pessoas de todos os sexos e idades, incluindo as crianças. É um dos novos fenômenos da música pop brasileira. O grande prestígio com o público feminino pode ser explicado pelas bandeiras que levanta nas letras de suas composições, identificadas com o perfil da mulher moderna, livre, forte, sofrida, na busca pela igualdade e independência e que não tem vergonha de falar de prazer, de sexo, de traição do companheiro, de despeito, de sofrimento[1]. De encarar até mesmo o politicamente incorreto: “Esse menino nada a ver/ E faculdade/ academia/ hora certa pra dormir. Eu bebia todo dia/ hoje eu mal posso sair/ Ele regra tudo o que vou fazer”, para completar: “Terminei com o parceiro que virava o copo/ Bebia comigo do jeito que eu gosto/ Ele que era homem de verdade/ Ai que saudade do meu ex”[2].  Há quem veja na sua postura e nas letras de suas composições uma emblemática sugestão do chamado "empoderamento feminino", expressão muito em moda para evidenciar o poder das mulheres na luta pela igualdade social e pessoal entre os gêneros.[3], espécie de versão do feminismo dos anos 60/70. Há, no seu repertório, coisas também surpreendentes: preciosidades que qualquer dos nossos poetas consagrados certamente assinaria[4]. Se existem músicas para serem ouvidas, outras dançadas e canções para serem cantadas, pode-se afirmar que a música de Marina sugere, em regra, as três coisas. Gênero: dizem os entendidos que é sertanejo. Não sei. Sou contra esse tipo de rótulo, que impõe reducionismo.  O artista, qualquer que seja a sua arte, sempre foi sinônimo de liberdade e de ausência de limites.[5] Não identifico na arte dessa jovem um único gênero, nem o chamado clássico sertanejo. A não ser que este, como de resto os demais, comporte uma infinidade de desdobramentos, como é o caso do samba, o nosso ritmo mais nacional e tradicional, e que ao longo de sua subsistência considerou multifacetados sub-gêneros, incorporando até mesmo o pagode[6]. Experimente perguntar a ela qual foi a sua influência musical. Não, não será Rio Negro e Solimões. Nem Chitaõzinho e Xororó, nem qualquer das antigas duplas caipiras. Gênero brega? Existe? Versão atual de saias do falecido Reginaldo Rossi e seu Garçon, que embalou todos os bebuns de carteirinha ou ocasionais, com dor de cotovelo? Talvez o ritmo das versões mais atuais do chamado sertanejo universitário, como Michel Teló, Paula Fernandes e que tais. A influência, segundo ela, é de Maria Gadú, Ana Carolina e Vanessa da Mata.  Sua trajetória começou muito cedo, no começo da adolescência, quando cantava em coral de igreja. Antes da estreia pessoal em 2.015, fez música para variadas duplas do mesmo gênero. Em julho de 2.016 lançou Marília Mendonça ao Vivo, seu primeiro disco, no qual se destacaram dois sucessos: Infiel  e Eu Sei de Cor, esta última canção reproduzida na faixa n. 1 do CD lançado agora em março de 2.017, gravado em Manaus e que é retumbante sucesso. Sucesso também no nordeste, onde vem cantando com regularidade, a cantora se envolveu recentemente numa polêmica com artistas da música regional,  herdeiros do som  de  Luis Gonzaga e Dominguinhos A cantora Elba Ramalho criticou a invasão do sertanejo nas festas juninas típicas do nordeste e Marília respondeu publicamente argumentando que o povo quer música  boa, como a sua, independente do gênero, alfinetando os seus críticos e gerando variados comentários, pró e contra, nas redes sociais.  De qualquer maneira, só o tempo vai dizer se a música composta e cantada por Marília Mendonça vai permanecer. E se não permanecer terá servido enquanto existir e embalar os bailes da vida de muita gente nestes tempos em que tudo é rápido e descartável e memória é coisa pra ficar guardada no Google, com finalidade utilitária. No momento o seu sucesso é incontestável e o seu público tem se mantido fiel, ao contrário dos amantes e namorados das suas composições.

Até mais amigos.

P.S. (1) O CD Realidade apresenta as seguintes canções, praticamente todas de autoria ou co-autoria de Marília, nas  19   faixas: EU SEI DE COR; A GENTE NÃO AGUENTA; TRAIÇÃO NÃO TEM PERDÃO; NEM FOI E JÁ VOLTOU; AMANTE NÃO TEM LAR; EI SAUDADE; DE QUEM É A CULPA; SAUDADE DO MEU EX; MUDOU A ESTAÇÃO; OLHA SÓ VOCÊ; SOFRENDO POR TRES; SE AME MAIS; EU NÃO SOU NOVELA; A GENTE NÃO TÁ JUNTO; POR MAIS TRES HORAS; NÃO CASA NÃO; ATÉ O TEMPO PASSA; PERTO DE VOCÊ; INFIEL;

P.S. (2) Acho que essa discussão entre os artistas do nordeste, defendendo o que julgam ser essencialmente a música popular brasileira e atacando Marília e o gênero de suas canções é uma grande estupidez, fazendo-me lembrar  o conflito entre o pessoal da MPB e da Jovem Guarda nos anos 60 e 70, que acabou superado, como se sabe. Se os artistas da música considerada pura do nordeste – e que indiscutivelmente foi e é muito boa  – não estão sendo contratados para espetáculos públicos ou privados e, eventualmente, para atuar no espaço que antes a ele se destinava, quase à exclusividade, como julgam que estariam a merecer, a questão é complexa e não pode ser debitada à conta do que consideram “invasão do sertanejo nas festas juninas do Nordeste”, nem à música e sucesso de Marília. Sequer tem lógica defenderem uma espécie de reserva de mercado, incompatível  com os anseios da geração atual de jovens. A polêmica, portanto, é desarrazoada e não tem mais lugar no mundo de hoje em que se fala em democracia, o que supõe liberdade e respeito à diversidade, seja em matéria de música, seja lá em relação a qualquer outra coisa.
  












[1] Ela própria se identifica com o título de “Musa da Sofrência” com que foi batizada pela mídia, em razão das letras de algumas de suas composições.
[2] “Que Saudade do Meu Ex”, faixa do disco Realidade, lançado no último mês de março e que e tremendo sucesso de público e crítica.
[3] Cf. www.significados.com.br.                          
[4] Em “De Quem  é a Culpa”: “Quem é você que eu não conheço mais? Me apaixonei pelo que eu inventei de você.”
[5] “Que nada nos limite, que nada nos sujeite, que nada nos defina. Que a liberdade seja nossa própria substância. “ (Simone de Beauvoir).
[6] Há sambas de raiz, sambas paulistas e cariocas, samba de roda, samba de breque, samba-canção, samba-enrêdo etc. etc. etc., cada um com sua origem, sua cultura,  suas regras, sua métrica e assim por diante.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

CAUSO - FORA NÚMERO UM

Boa tarde amigos,

Concorrentes de reality show com anãs que é sucesso nos

Estados Unidos. Imagem emprestada de recopia.
Aqui vai para iniciar as férias escolares e o recesso nos trabalhos das nossas combalidas instituições, um “causo” que publiquei no livro “Causas & Causos”, o primeiro, no ano de 2.006. Não sou Luiz Gonzaga, nem safoneiro, mas tenho um compadre Januário. É ele o protagonista desse causo, que posso jurar é inteiramente verdadeiro e se passou na Campinas de outrora, no tempo em que os cinemas todos eram localizados nas ruas do centro da cidade ou dos bairros e não se pensava em Shopping Centers. Vai lá o tal causo:

Caricatura de Mulher Maravilha decadente.

Da coleção "Superheroes Decadence" do
grande cartunista italiano, Donald Sof-
fritti. Imagem emprestada do blog do
Azevedo.

“Meu compadre Januário é um sujeito disposto e agitado. Nos seus quase setenta anos bem vividos, gosta ainda de se movimentar. Há quem garanta (e eu me incluo nesse rol) que para matá-lo, basta obrigá-lo a passar um dia inteiro parado e sem sair de casa. Fato é que, em certa manhã, o compadre se oferece para levar as três netinhas à sessão gazetinha que se anunciava num cinema local, no centro da cidade. Bons tempos, os de gazetinha!!!! A sessão estava marcada para as 10 horas. Às 9,30 horas já se formava uma fila ampla do lado de fora do estabelecimento, aguardando a abertura da porta. O compadre posta-se ali na fila com as crianças. Nada da porta abrir. E ele inquieto, como sempre. Já havia conversado com as netas, com o guarda, com o pipoqueiro. Na fila, imediatamente à sua frente, viu uma menina e um senhor que a acompanhava. Ambos estavam de costas, pois o antecediam na fila. Procurando ocupar o tempo e ser simpático, passa a mão por detrás, sobre a cabeça da menina, esfregando os seus cabelos e já disparando:  - Oi benzinho, você veio assistir a Branca de Neve com o papai. Imediatamente, ambos (o suposto pai ou avô e a suposta criança) voltam o rosto para trás. E aí o compadre constata que não se TRATAVA DE CRIANÇA NENHUMA, MAS SIMPLESMENTE DE UMA VELHA ANÃ. Ensaiando um sorriso amarelo, diante dos fulminantes olhares furiosos da anã e seu marido,  limitou-se o compadre a pedir desculpas pelo engano."


Até mais ver pessoal.