terça-feira, 16 de maio de 2017

O APARTAMENTO É UM GRANDE FILME DO BOM CINEMA IRANIANO

Boa noite amigos,

Cena do filme focalizando o professor Emad e sua mulher,
a atriz Rana, no drama, fiel representante do cinema exis-
tencialista do Irã. 

O Apartamento,  nome no Brasil do bom filme, Foushande,  do diretor, Asghar Farhadi, que conquistou, com méritos, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2.017, é um legítimo representante do cinema iraniano moderno. Trata-se de um cinema maduro e denso, com memoráveis exemplares, tais como, Um Instante de Inocência (1.996), Close Up (1.990), Gosto de Cereja (1.997),  Cópia Fiel (2.010), e mais recentemente, A Separação (2.011), do próprio Asghar. O drama vivido por Emad Elesami (Shahab Hossein) , um professor de literatura e ator de teatro e sua mulher,  a atriz Rana Elesami (Taraneh Alidoosti), vítima de agressão e estupro, arrebata o espectador, transmitindo, com intensidade, sensações de  ódio, medo, trauma, insegurança,  suspense, emoção e os valores do perdão e generosidade, ou ainda, de sua impossibilidade, alimentada pela força de uma cultura de machismo e, sobretudo, de discriminação da mulher, para além da questão religiosa. Mas essas sensações, como sóe acontecer em outros clássicos do cinema do Irã, não são comuns. A interpretação dos atores, os cenários, o jogo de câmeras, as questões sutis e subliminares que surgem nos longos períodos de silêncio e solidão dos personagens tornam tudo muito particular, específico e superior. E o mais importante: verossímil, a ponto do espectador imaginar que tudo está acontecendo ali, entre pessoas conhecidas, no prédio vizinho ou na esquina de sua casa, talvez. A universalidade dos temas explorados  e o comum dos sentimentos, reduz a distância entre Oriente e Ocidente, tão distintos, e na briga entre valores abandonados pelo imediatismo do mundo da pós-modernidade. E é justamente essa verossimilhança que faz a diferença de outro ou outros roteiros iguais ou similares. O dilema entre a impunidade ao estuprador e a denúncia pública do estupro, a censura pública, a dúvida, o ciúme, o perdão, tudo isso se mistura e se dosa bem no jeito de fazer cinema existencialista desse talentoso cineasta iraniano. Não deixe de ver.

Até breve amigos.  


segunda-feira, 1 de maio de 2017

CAUSO - A RAPIDEZ DA DOUTORA ELZA

Boa tarde amigos,


Imagem e charge emprestada de GGC.

Nesse primeiro de maio, dia do trabalho, depois de um gostoso passeio pelo suave sol de outono, mando aos amigos um causo que escrevi e publiquei no livro "Causas & Causos" n. 1, pela Editora Millenium, no já distante ano de 2.006.


                                             

"Doutora Elza ganhara o conceito de competente  e combativa advogada criminal no foro de Campinas.

Especializara-se em relaxamentos de prisões em flagrantes, flagrantes esses que lhe chegavam de forma rápida ao conhecimento, juntamente com a identidade do preso e o nome e endereço de parente próximo, tudo por obra e graça de conhecido investigador do Distrito Policial, por ela regiamente gratificado.

A par da fama de advogada, corria à boca pequena que ela também gostava de prestar, digamos, uma certa “assistência” além da judiciária, aos mais necessitados, sobretudo se fossem jovens, homens e bonitos, sem exigir atestado de pobreza, presumindo mesmo o estado de necessidade e de carência.

Com escritório montado a menos de duas quadras do fórum, tinha fácil e rápido acesso aos Juízes e Cartórios Criminais.

Deu-se em certa ocasião, que: um conhecido lhe pedira, embora com certo temor, para empregar um filho menor, pois a família passava dificuldades financeiras, diante da inesperada perda de emprego do seu chefe e arrimo.

O temor quase não tinha procedência, pois não constava da fama da Dra. Elza qualquer preferência pela prática de pedofilia.

 Havida por autoritária e mau humorada, na verdade a causídica tinha o coração mole e, ainda que achasse que não ia dar certo, concordou em receber, a título experimental, o tal moleque, um guardinha de treze anos, atribuindo-lhe serviços gerais e corriqueiros do escritório.

Eis que na segunda-feira ele se apresenta, e a advogada explica rapidamente a natureza das tarefas, exigindo que tudo fosse feito com presteza e qualidade.

Em seguida, lhe dá o seguinte aviso e advertência:

- Olhe, deve me telefonar o Senhor Fulano, pai de um cliente meu. Diga-lhe que eu fui ao fórum e que volto logo. Peça que ele deixe recado e o telefone de onde pode ser encontrado, que eu ligo logo que puder.

Ato contínuo, sai com o objetivo de ir ao Palácio da Justiça.

Não demoraram dois minutos e veio o telefonema esperado.

Ao receber a notícia de que a doutora não se encontrava no escritório, o Fulano, nervoso, diz ao moleque:

- Como? A doutora não está? Eu combinei com ela que ligaria nesta hora. Meu filho está preso e eu preciso falar imediatamente com ela.

Pouco adiantou ao menino tentar acalmar o cliente, garantindo que a doutora logo estaria de volta.

O homem insistia e exigia que ele fosse imediatamente chamá-la, onde quer que se encontrasse, tudo sob ameaça explícita de denunciá-la numa tal de “OAB”, coisa que o menino não fazia a menor idéia do que fosse, mas que não devia ser coisa boa, isso lá não devia.

Desligando o telefone, atônito e apavorado, o guardinha saí à rua,  pouco sabendo como se dirigir ao fórum.

Parando numa praça avista um policial e dele se socorre:

- O Senhor sabe onde é que fica o fórum?

- Sim, siga em frente, vire à direita e depois outra vez, primeira à esquerda. Pronto, você vai avistar um prédio de quatro andares. É ali.

Orientação cumprida.

Ao entrar no pomposo edifício, meio constrangido, ressabiado, dirige-se ao balcão de informações:

- Senhor! O Senhor conhece a doutora Elza de Tal?

- Conheço, sim.

-  O Senhor sabe onde ela está?

 -  Sei  sim, ela está na Quarta Vara.

O moleque tomou um susto e num misto de surpresa e incredulidade, não se conteve:

- Já? Será? Na quarta Vara? Pô, mas num faz nem cinco minutos que ela saiu do escritório.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

GASTRONOMIA CONTEMPORÂNEA - D'AUTORE RESTAURANTE

Amigos. Boa noite.

Panorama da parte externa e interna do Restaurante 
D'Autore situado na rua Bandeirantes, 313,Bairro do 
Cambuí. Imagem emprestada de Galeria de Arqui-
tetura.
Funcionando há um ano e meio, na esquina da ruas Bandeirantes e José Júlio, no charmoso bairro do Cambuí, em prédio especialmente construído para acomodá-lo, o Restaurante D’Autore já é referência de requinte e qualidade na área de gastronomia da cidade de Campinas e região. O local é amplo e agradável, possibilitando à clientela a escolha entre o espaço interno, dotado de ar-condicionado, mais silencioso e reservado,  e a área externa para os que preferem o contato direto com o charme da rua e calçada. Há ainda um amplo bar, simpaticamente decorado, onde se preparam os mais variados aperitivos e sucos, assim como bebidas alcoólicas e  um mezanino destinado a eventos como casamentos, aniversários e encontros corporativos.
Da esquerda para a direita, os garços Edson e Wilson. 

Depois eu, o gerente Junior, o garçon Roney e o Chef

Thomas. Imagem do meu celular.
O restaurante abre de terça a sábado para almoço  e jantar, oferecendo, no almoço, opção para pratos executivos, e aos domingos para almoço. Há alguns meses, o Chef francês Laurent Hervé foi substituído pelo Chef Thomas Salaar, que  desenvolveu um novo cardápio para o restaurante, baseado na cozinha contemporânea, prontamente aprovado pela variada clientela que visita o local e já é sucesso, como se pode observar dos vários comentários elogiosos e notas altíssimas no facebook, assim como em sites especializados sobre o assunto, como o Advisor. 

Filé de Pato "apicius" & Cacau. 
Imagem emprestada de Ingrum.
Como explica Davi Perez  a chamada cozinha contemporânea consiste numa culinária democrática e moderna, praticada nos centros urbanos, e se baseia na forma de preparar e apresentar os pratos, geralmente fruto de combinações de ingredientes de várias culturas, que se harmonizam, redundando num prato criativo, cheiroso, fresco e multicolorido, porque também se beneficia de tecnologia moderna como cozimento à vácuo, técnica que possibilita a  retenção da manutenção do sabor, cor, textura, odor e nutrientes e o resfriamento ou congelamento subseqüente, a garantir maior validade ao prato, sem adição de conservantes.  Tem origem relacionada às tradicionais cozinhas do mundo, como a francesa, a italiana, a espanhola, a portuguesa, a árabe, a oriental e a brasileira. Por isso, me parece fidelíssima a afirmação constante do site oficial do restaurante de que “D’autore representa um lugar onde a qualidade da comida e dos serviços se equivale às relações criadas com quem o freqüente. Um ambiente onde sofisticação e aconchego são transmitidos pela arquitetura, que proporciona bem-estar desde a chegada ao restaurante”. 


Ao meu lado, o criativo e simpático Chef Thomas Salaar,

responsável pelo novo cardápio já consagrado pelos --

fregueses do estabelecimento.
Visitamos ontem (eu e a família em almoço de Páscoa), pela primeira vez, o restaurante, por indicação de uma amiga e lá fomos recebidos gentilmente por um dos gerentes, o Júnior, que nos forneceu informações sobre a casa, sua origem e proposta de gastronomia e atendimento.

Magret com risoto trufado, uma das boas opções do cardá-

pio. Imagem emprestada de Ingrim.
Todos os pratos foram bem e adequadamente servidos e puderam ser degustados, acompanhados dos aperitivos e sucos de preferência de cada um. De minha parte,  dentro do cardápio de cervejas (a carta de vinho é extremamente interessante, também), optei por experimentar uma artesanal chamada Dama, da vizinha Piracicaba. E gostei imensamente, pois se trata de uma cerveja leve e refrescante, bem estruturada e com sabor intenso.  Considerando o ambiente, a simpatia de funcionários e gerentes, o aconchego, a qualidade dos pratos e os demais itens, minha nota também fica próxima da máxima e vai a indicação para os amigos que, certamente, adorarão provar pratos como pernil de cordeiro com batata doce ao molho cítrico; entrecôte com mandioquinha e um pouco de vinagrete; arroz de polvo com leite de coco; filé de pato & Cacau; Magret com risoto trufado e outros, todos criativos e muito bem apresentados. 


Cerveja Dama Bier Pilsen, um dos tipos arte
sa
nais produzidos pela Industria artesanal

de Piracicaba. Imagem do meu celular.
Vida longa ao estabelecimento que se soma à já ótima qualidade da gastronomia da terra.

Até mais amigos,   
P.S. (1) O restaurante contemporâneo D'Autore fica na rua Bandeirantes, n. 313, bairro do Cambuí, Campinas, São Paulo, telefones (19) 3307-3921 e (19) 33073957. www.restaurantedautore.com.br.; 


P.S. (2) Fundada em 26 de janeiro de 2.010, na cidade de Piracicaba, SP, Dama Bier é uma cerveja artesanal produzida de acordo com a Lei de Pureza da Baviera, utilizando ingredientes nobres selecionados no processo de fabricação.



sábado, 15 de abril de 2017

CINEMA - FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER

Boa noite amigos,

Meryl Streep, no papel da excêntrica, Florence,
 em exibição púbica (Imagem emprestada  de Adoro
Cinema).
Viúva do primeiro marido, que a contaminou com sífilis logo na lua de mel, cinquenta anos depois,  na Nova York dos anos quarenta,  ainda viva por um  milagre, e, agora casada em segundas núpcias com o ator St. Clair Bayfield (Hugh Grant),  Florence Foster Jenkins (Meryl Streep) é uma milionária extremamente generosa e amada por todos aqueles que cruzam o seu caminho. Julga, porém,  ter talento suficiente para alçar à carreira vitoriosa de cantora de ópera. O marido e os amigos buscam o tempo todo protegê-la da imprensa e da verdade, pois Florence desafina e o público a vê como uma péssima cantora,  a ponto de sua pretensa arte ser confundida com humorismo. Esse o roteiro de Florence: Quem é essa mulher, produção Reino Unido-França,  um drama-comédia dirigido por Stephen Frears, baseado em história real. O longa vale a pena, sem dúvida,  não fosse por outras qualidades, simplesmente pela soberba interpretação de Meryl Streep, no papel da protagonista, e ainda,  pela excelência do trabalho de outro ator, Simon Alberg, no papel do pianista Cosmé Mac Moon. Meryl foi mais uma vez indicada para o Oscar de 2.017,  por Florence, na categoria de melhor atriz, prêmio que ficou com a jovem,  Emma Stone (La La Land - Cantando Estações). 


O ator Simon Helberg, no papel do pianista, Cosmé Mac
Moon, fiel acompanhante de Florence (imagem em-
prestada de cinem(ação).
Interpretando, dançando, cantando bem, cantando mal, assumindo qualquer desafio, sempre com enorme grau de competência, sensibilidade e conhecimento, a atriz é  imbatível, em qualquer papel, dos  muito diferentes que fez na sua hoje vasta e seleta filmografia. Irretocável, beirando à perfeição, seja,  como a mãe superprotetora, Joana Kramer (Kramer vs. Kramer de 1.979);  como a altiva e implacável, Miranda, de O Diabo Veste Prada, 2.006; a sofrida, Sophie Zawistowski de A Escolha de Sofia – 1.982; a Bruxa de Caminhos da Floresta, 2.013; a inabalável Margareth Thatcher de A Dama de Ferro, 2.011;  a ácida Violet, de Álbum de Família,  ou a suave, alegre, talentosa e humana, Donna,  de Mamma Mia! O Filme,  de 2.008., Meryl é garantia de espetáculo e cinema de primeira classe. Não perca mais um show da atriz, numa história real,  adaptada, com leveza, para a telona.

Até mais amigos.
   


domingo, 2 de abril de 2017

MINHA MÃE É UMA PEÇA 2 - CINEMA NACIONAL DE REPETIÇÃO

Boa tarde amigos,

Paulo Gustavo ao centro no papel de Dona Hermínia, com os

filhos, Marcelina (Marisa Xavier) e Juliano (Rodrigo Pan-
dolfo). Imagem emprestada de Portal da RMC.
Dona Herminia, a mãozona mais amada do Brasil, volta a atacar. Inspirada em Dona Déa Lúcia, mãe do roteirista e ator, Paulo Gustavo,  que já se tornou conhecido pela excelência de seus personagens femininos, Minha Mãe é uma Peça 2 supera o sucesso de seu original. Enquanto este levou para as bilheterias, quase R$50.000.000,00, o filme que marca a sua sequência já  rompeu a casa dos R$100.000.000,00, tornando-se a mais rentável produção brasileira de todos os tempos, batendo Tropa de Elite 2, Os 10 Mandamentos, Dona Flor e seus Dois Maridos e Se Eu Fosse Você 2, embora essas películas  ainda continuem à frente no que se refere ao público que visitou as salas de cinema.  Diversamente do primeiro filme, agora dona Hermínia, a mãe superprotetora dos filhos, o advogado homossexual,  Juliano (Rodrigo Pandolfo), sem dúvida, o alterego do ator, e de Marcelina (Marisa Xavier)  é rica e comanda um programa de sucesso na televisão. Separada do marido, não casou novamente e nem tem um caso.  Dedica a vida ao trabalho e à permanente tutela e vigilância dos filhos solteiros. Estes cansados de sua intervenção e da falta de autonomia, mudam do Rio para São Paulo, com o aval do pai, Carlos Alberto (Herson Capri) e, lá, conseguem empregos. Na trama surge o primogênito, um terceiro filho,  que é casado, mora em outro Estado, e tem um menino loirinho, neto da apresentadora, personagens que aparecem muito esporadicamente na trama, sem vínculo maior com o enredo. Agora, Dona Hermínia vive uma solidão que não consegue superar, mesmo que viva às turras com as irmãs, Lúcia Helena, (Patrycia Travassos), que retornou dos Estados Unidos e se entocou na casa da apresentadora e Iesa (Alexandra Richter). Nessa continuação, há momento de comoção com a morte da tia Zélia (Suely Franco), a tia que sempre a acolheu nos momentos de dúvidas e depressão e a presença do marido do ator Paulo Gustavo, o dermatologista, Thales Bretas, numa cena rápida de avião. Há também, como bom e surpreendente destaque, a mãe do ator, Dna. Déa, cantando – e muito bem – a música Minha Mãe é uma Peça, composta por Zé Ricardo.  
O ator Paulo Gustavo com o dermatologista, Thales Bretas,
que aparece em uma única cena do filme, em assento, ao
lado de Dna. Hermínia, em viagem de avião. Imagem empres
tada de Extraonline.
Desbocada, irreverente, mas doce e sensível, Dna. Hermínia e seus indefectíveis bobes, conseguiu a simpatia do público e o amor eterno dos filhos, que agora a incentivam a refazer a vida em busca de um novo relacionamento, um gancho, sem dúvida, para eventual terceiro filme da série. O longa não encanta, nem decepciona totalmente. Passa como um inofensivo exercício de entretenimento na mesmisse das comédias nacionais.

Até mais amigos,



sexta-feira, 10 de março de 2017

FUTEBOL DO INTERIOR: O UNIÃO BARBARENSE AGONIZA!

Boa noite amigos,



Imagem do estádio Antonio Ribeiro Lins Guimarães, em -
Santa Bárbara D'Oeste, onde o União Agrícola Barba-
rense manda os seus jogos. 
O futebol, como os demais esportes, vive na atualidade, um grande paradoxo. Enquanto os grandes clubes pagam aos seus atletas salários milionários, os pequenos clubes do interior, mesmo do Estado de São Paulo, indiscutivelmente o mais rico da federação, passam por crises financeiras seguidas, sem receita e com tendência ao desaparecimento. O União Barbarense, clube tradicional da nossa região, disputando o campeonato paulista da série A-2, a mesma em que se encontram clubes como o Guarani e a Portuguesa de Desportos, não tem recursos sequer para pagar os salários dos jogadores ou para programar as viagens que a equipe tem de fazer quando joga fora de seus domínios. E olha que o salário médio dos atletas é de miseráveis R$1.500,00, quantia inferior a dois salários mínimos. Para bancar o custo de viagens a Batatais ou a Taubaté, municípios distantes de Santa Bárbara, a Diretoria resolveu fazer uma rifa. Isso mesmo, uma rifa de R$25,00, contando com a imprensa local para divulgar a promoção e ajudar financeiramente a equipe que está em último lugar na classificação, namorando seriamente com a terceira divisão do futebol bandeirante. Pode-se falar em má gestão, na falta de projeto, em amadorismo etc. Isso, contudo, não justifica a situação de penúria de um clube de tradição no futebol paulista e brasileiro, que precisa ser socorrido pela rica Federação. Aliás, a federação tem de garantir aos clubes que disputam todas as divisões do campeonato regional uma  quantia  que assegure a viabilidade na montagem e manutenção de uma equipe considerada média para a respectiva divisão e o pagamento das despesas básicas do clube com a disputa do torneio, ao menos enquanto ele durar. Mas não é só. Cadê os empresários do município? Onde estão os torcedores mais ricos e que podem contribuir com o clube de forma mais ou menos permanente? Como anda o projeto de modificação da Lei Pelé?

 Até mais amigos.





LIGA DOS CAMPEÕES - A HISTÓRICA CLASSIFICAÇÃO DO BARCELONA

Boa noite amigos,

O brasileiro Neymar  do Barcelona consola outro brasileiro,

o zagueiro Thiago Silva, do PSG: - Neymar me enlouqueceu,
declarou o zagueiro, numa alusão à jornada diabólica do ata-
cante, que desmontou a defesa da equipe francesa,  com --
seus dribles mirabolantes. A imagem é de goal.com.
O Barcelona, de Messi, Luizito Suárez e  Neymar fez nesta quarta-feira, uma exibição de gala em seus domínios, batendo a boa equipe do Paris San Germain, pelo incrível placar de 6 a 1, três dos últimos gols construídos após os 42 minutos do segundo tempo. A equipe catalã, no jogo de ida, tinha sido goleada pelo elástico placar de 4 a 0 e precisava igualar ou superar essa diferença para passar às quartas da Liga dos Campeões, o principal campeonato europeu. Foram 90 minutos de verdadeira aula de futebol, um futebol ofensivo, de velocidade e deslocamentos, de passes certeiros de seus atletas,  de marcação do adversário, que foi literalmente “encurralado” em seu campo, de superação, de técnica, garra e catimba, com todos os ingredientes de uma grande e histórica decisão. O gol de Cavani, aos 16 do tempo complementar,  caiu como um balde de água fria sobre os atletas, a diretoria e a torcida que lotou o Campi Nou. Vencendo a partida até aquela altura, pelo placar de 3 a 0, o Barça estava a pique de fazer o quarto gol, o que lhe daria, no mínimo, a chance de disputar a passagem à outra fase, nas penalidades máximas. Sofrendo, no entanto, como sofreu, um gol, e sendo o gol feito fora de casa, critério de desempate, essa tarefa ficou praticamente impossível. Seriam necessários outros três no tempo restante de jogo.  A virada sensacional começou com a perfeita cobrança de Neymar, de uma falta pelo lado esquerdo, sem chance para o goleiro,  aos 42 da etapa final. Ainda era pouco. O Barça, porém, não desistiu. Na base do sufoco foi construindo as chances de gol. Já no tempo complementar,  Suárez caiu na área e o árbitro, pressionado e fora do lance, marcou uma penalidade inexistente. Desta vez foi Neymar que assumiu a responsabilidade pela cobrança e não  perdeu. Era o 5º gol aos 47 minutos da etapa complementar, dois minutos do período de acréscimo de 5. Ninguém arredava pé do estádio, como se vaticinando um milagre. Mais um gol na prorrogação. Aos 49, no apagar das luzes, no apito final e implacável,  Neymar levanta bola na área e Sergi Roberto  chega antes do goleiro para mandar a bola para o fundo das redes. Era o 6º gol, o gol da classificação, o gol da reviravolta, o gol do último minuto, o gol do impossível. Estava decretada a desclassificação do PSG, que entrou em campo praticamente classificado, pela imensa vantagem que trazia na bagagem. Coisas do futebol esse esporte de emoções e surpresas. Foi a primeira vez que ocorreu uma reviravolta desse porte na história da Liga. E  a partida já está e ficará para a história, antológica que foi em todos os aspectos: pela importância do jogo, pelo desfile de respeitados craques dos dois lados, pela forma da disputa, pela qualidade do jogo, pelos sete gols marcados e especialmente pela superação dos atletas que conseguiram não só a vitória, mas uma classificação impossível àquela altura. Começou também a Libertadores na fase de grupos e a maior parte dos times brasileiros entraram em campo, inclusive o campeão Palmeiras, com o seu super-time. Assunto para outro dia.

Até mais amigos,

Em imagem emprestada de goal.com., o herói do jogo, Ney-

mar agradece aos céus a classificação incrível do Barce-
lona: - Foi minha melhor exibição, declarou após o jogo.
P.S. (1) Foi assim a história dos sete gols na partida de hoje entre Barcelona e PSG, jogo de volta pelas oitavas da Champion: Suárez aos 2 minutos do primeiro tempo; Kurzawa aos 40 minutos da etapa inicial; Messi cobrando penalidade máxima aos 5 minutos do segundo tempo; Cavani marcou para o PSG aos 17 minutos do segundo tempo; Neymar aos 42 e 46 minutos do segundo tempo; Sergi Roberto aos 49 da etapa complementar.

P.S. (2) Sem favor algum, Neymar foi o nome e o herói da partida. Fez dois gols, o primeiro em primorosa cobrança de falta, o segundo em perfeita cobrança de penalidade máxima e deu assistência para o sexto e último gol. O gol da classificação. Além disso, dos atacantes foi o mais efetivo, o mais intenso, o que mais sofreu faltas, como sempre. Teve também a catimba de sempre, o verberado "cai-cai" que segundo alguns, deslustra a imagem do craque. Partida inesquecível!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

E O OSCAR DE MELHOR FILME VAI PARA...

Boa noite  amigos,

Moonlight - Sob a Luz do Luar, o grande vencedor do Os-
car 2.017, focalizando o preconceito e a intolerância con-
tra negros e homossexuais. (imagem emprestada de adoro
cinema)
Quando os veteranos atores, Warrem Beatty (79 anos) e Faye Dunaway (76 anos), surgiram no palco do Dolby Theater em Los Angeles,  para anunciar a estatueta de melhor filme, O Oscarversão 2.017, na sua 89a. edição,  ninguém imaginava que estava para acontecer a maior gafe da história do famoso prêmio da Academia Americana de Cinema. Ao abrir o envelope para ler e comunicar ao público presente e ao mundo, o filme vencedor, Warren fica em dúvida e gera um momento de apreensão. Ao mostrar o envelope para sua companheira de palco, ela sim, decidida e imediatamente,  proclama o musical  La La Land Cantando Estações, como vencedor. Toda a equipe responsável pela película, então, invade o palco, ao som dos aplausos efusivos do seleto auditório, e já se iniciam os agradecimentos de praxe. Mas o real vencedor era o filme Moonlight – Sob a Luz do Luar, outro concorrente. Descoberto o engano são convocados os verdadeiros vencedores para subir ao palco, o que fazem anestesiados pela confusão, diante da perplexidade dos convocados anteriormente, num clima de constrangimento geral. O equívoco ficou por conta da troca de envelopes. O envelope dado aos apresentadores não era o relativo ao melhor filme, mas ao prêmio de melhor atriz para Emma Stone, àquela altura já anunciado e entregue. O fato ganhou especulação, piadas e memes em geral na internet (rendeu até um  Ga, Ga, Land para o casal anunciante). 
La La Land, musical que levou seis estatuetas, dentre elas
a de melhor diretor e melhor atriz.
Tirante o incidente,  o Oscar deste ano teve outros destaques.  Havia grande expectativa com relação aos discursos e pronunciamentos de produtores, atores e diretores contra a política de discriminação de imigrantes do Presidente Trump, especialmente depois da polêmica declaração de Mary Streep, durante o Globo de Ouro, que provocou reação raivosa do mais alto mandatário da política americana. Alguns discursos fizeram menção ao Presidente e a discriminação manifesta em relação aos imigrantes, a despeito de uma clara intenção de não polemizar demais, convertendo o prêmio numa espécie de  movimento político contra Trump e suas propostas de governo. O  apresentador, o comediante,  Jimmy Kimmel,  em tom de pilhéria, provocou risos,ao anunciar Mary Streep, solicitando ao auditório uma salva de palmas à atriz de Filomena, “embora ela não merecesse.”  E chegou a provocar, fazendo graça, o Presidente, indagando se ele já estava dormindo, porque até aquele momento, não tinha postado nada acerca da cerimônia no seu instagran. Nenhum dos prêmios constituiu surpresa, Com pelo menos três concorrentes explorando o preconceito contra negros e a indicação de atores e atrizes negros para os prêmios de melhor ator e melhor atriz (principal e coadjuvante), a Academia se redimiu das críticas do ano passado,  quanto à ausência completa deles na indicação às diversas categorias da premiação. Casey Afflex, o irmão mais novo do ator e diretor, Ben Affleck (Argo, Oscar de 2.013), sem ser favorito, venceu na categoria de melhor ator, pela atuação em Manchester à Beira Mar, deixando para trás atores veteranos consagrados como Denzel Washington (61 anos), a quem fez questão de agradecer, afirmando ter aprendido a arte de atuar com ele, conquanto não o conhecesse pessoalmente. E em particular a Matt Damon, que o convidou para o papel inicialmente destinado ao próprio Matt, que preferiu apenas permanecer como produtor do filme. À Emma Stone, soberba em La La Land, ficou bem a estatueta de melhor atriz. Era favorita e unanimidade, embora tendo como concorrentes atrizes do porte de Mary Streep (Filomena), a ótima francesa, Isabelle Huppert (Elle), e a americana Natalie Portmann, protagonista de Jackie, e que venceu na mesma categoria, em 2.011,  por Cisne Negro. Das doze indicações, La La Land ganhou a metade dos prêmios (Melhor atriz, direção, fotografia, canção original,  design de produção e trilha sonora), mas não levou o principal de melhor filme. Elegeu, porém, o mais jovem diretor, Demian Chazelle, que, com apenas 32 anos recentemente completados, entra para a elite dos grandes diretores consagrados pela Academia, prenunciando uma carreira auspiciosa em Hollywood.
Emma Stone, melhor atriz, um prêmio merecido. Imagem -
emprestada de TV Line.
Enfim, uma das versões mais avançadas da tradicional premiação, ao indicar filmes e diretores de vanguarda, com roteiros ousados, conferindo a  Moonlight Sob a Luz do Luar,  o premio máximo, um filme que, a um só tempo explora o preconceito americano em relação a negros e homossexuais. Ainda nas principais categorias, destaque para o melhor roteiro original que ficou para Manchester à Beira-Mar, melhor roteiro adaptado para Moonlight Sob a Luz do Luar e para melhor ator e melhor atriz coadjuvante, prêmios entregues a Mahershala Ali (Moonlight) e Viola Davis (Um Limite entre Nós).


Ate mais amigos.

Um trio vencedor: Matt Damon, Casey e Ben Affleck. Casey
venceu na categoria de melhor ator, num papel antes desti-
nado a Matt,que só permaneceu como produtor. Matt e Ben, 
porém, têm uma longa história de parcerias importantes.
imagem emrpestada de boston.com.
P.S. (1) Matt Damon me impressionou muito ao protagonizar um jovem auxiliar de limpeza de uma universidade e que se revela um gênio na solução das questões matemáticas. Gênio Indomável, de 1.998, venceu o Oscar daquele ano na categoria de melhor roteiro original e conferiu também a Robin William a estatueta de melhor ator coadjuvante. Matt recebeu, pela interpretação, o Urso de Prata, do Festival de Berlim;

P.S. (2) Warren Beatty e Faye Dunaway, o  casal de artistas  que anunciou equivocadamente o filme vencedor na cerimônia do Oscar de domingo, se tornou célebre nos anos 60, como protagonistas do revolucionário “Bonnie and Clyde”. A película, no melhor estilo do nouvelle vague francesa, era uma versão romanceada da história real de um  casal de bandidos que assaltava e matava durante o período da Grande Depressão, levando o terror aos estados centrais dos Estados Unidos. O filme arrastou milhões de espectadores aos cinemas de todo o mundo, enriquecendo Beatty, para quem a Warner Brothers ofereceu a bagatela de 40% da bilheteria, em substituição à remuneração  em valor fixo do que se pagava, no mercado, a um jovem produtor, por não acreditar no sucesso comercial do filme. 

P.S. (3)   "Eu sou da Itália, eu trabalho pelo mundo. Por isso dedico este prêmio a todos os imigrantes" alfinetou o italiano Alessandro Bertolazzi, prêmio de melhor maquiagem para Esquadrão Suicida; O diretor iraniano, Asghar Farhadi, vencedor do prêmio de melhor filme estrangeiro com O Apartamento,  se recusou a comparecer ao prêmio, mas mandou seu discurso, nos seguintes termos: "Minha ausência é devida ao desrespeito com as pessoas do meu país. Dividir o mundo em categorias como "nós" e "os nossos inimigos" cria medo, uma enganosa justificativa para agressão e guerra. Cineastas podem apontar suas câmeras para capturar e compartilhar as qualidades humanas e quebrar esteriótipos de várias nações e religiões. Eles criam empatia entre "nós" e "os outros", empatia de que hoje precisamos mais do nunca."; E o ator Gael Garcia Bernal, por seu turno, disse que "Como mexicano, como latino-americano, sou contra qualquer muro que queira nos separar."

P.S. (4) Há muito tempo que o cinema iraniano vem merecendo destaque. Asghar, pela segunda vez, vence o prêmio da academia dedicado ao melhor filme estrangeiro. O primeiro foi com o bom longa A Separação. Ano passado perdemos o consagrado diretor iraniano,  Abbas Kiarostami, que foi lembrado entre as personalidades que nos deixaram no ano de 2.016. Dentre eles, também foi merecidamente citado o nosso Hector Babenco, diretor do Beijo da Mulher Aranha, Carandiru, dentre outros. 


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

TCHAU VELHO! À VICENTE OTTOBONI NETO

Boa tarde amigos,

Vicente em momento de alegria e orgulho,  exibindo um
dos peixes grandes pescados no Canal do Panamá e que eu
dizia ter sido comprado no mercado só pra documentar men
tira de pescador. A imagem me foi fornecida pelo próprio.
Peço licença aos amigos hoje, para me despedir de um de meus amigos mais queridos, Vicente Ottoboni Neto, advogado íntegro e competente e grande figura humana,  que partiu desta vida no dia de ontem, deixando um enorme vazio no coração de seus parentes, clientes e amigos:

"Não, não vou me lembrar de sua morte. Nem de sua maldita doença.  Elas não importam agora que você nos deixou e virou uma lembrança.  Uma estrela no céu. Uma quimera, sei lá.  Uma retórica qualquer, com sabor de eternidade para se vingar do tempo.  Um tempo que nos limita. Um tempo que nos separa, impiedosamente, mas que também nos deu a grata chance da contemporaneidade. Importa o que você construiu. Importa a sua vida abençoada de doação para seus parentes, amigos, clientes e desconhecidos, privilegiados pela sua mansidão, disponibilidade,  sensibilidade, sua refinada educação, seu espírito voltado para a caridade e a justiça. Importa o abraço, aquele abraço forte, sincero, tranqüilo,  que você me deu na última vez que deixei sua casa e que eu senti como uma doída despedida. Importa o vazio da orfandade das cachorras que você não abandonava, fiéis companheiras em todos os momentos de sua improvável convalescença. Importa a amizade, o carinho, a relevância do ser humano forte, do bom combate travado, das boas causas e da busca incessante de aprimoramento da sabida ridícula e precária condição humana. Importam os amigos de diversas origens e destinos, que você fez nas fugas para as pescarias esportivas e nas viagens longínquas por caminhos áridos e perigosos, em busca de sua essência interior  e da natureza simples do mar e dos peixes, da sensação de estar livre, provisoriamente que fosse,  das questiúnculas  suscitadas em processos que inundam os tribunais humanos  e  dos desencontros forjados no convívio daqueles que lhe eram caros. Importa a sua enorme disposição para perdoar as ingratidões e a falta de caráter das pessoas, bondade para justificar tudo e a todos. Importa a nossa parceria forte sempre no sentido da condução das pessoas à conciliação, ao perdão, à cata da vida como a arte do encontro, como falou um dia a sensibilidade do poeta. Importa a alegria das vitórias justas e a tristeza das derrotas injustas. Importa a solidariedade da partilha de nossas indignações, diante das violências e injustiças sociais. Importam todas as manhãs dos dias seguintes às nossas tragédias, em que a esperança sempre se renovava para alimentar a continuidade da luta, apesar de tudo. Importam aqueles momentos não raros de alegria, divididos com nossas mulheres,  com amigos e com companheiros de escritório, em que trocávamos informações malucas e  piadas, jurídicas e leigas, comemorando o lado bufão e leve da vida, às vezes regado à boa comida e a várias taças de vinho ou cerveja.   Importa o exemplo e o legado que ficam e devem inspirar Rodrigo e Pedro, seus filhos sempre venerados.  Tchau Velho! Obrigado por tudo. Pela divisão da vida, dos sentimentos perscrutados no recôncavo de nossas almas, pelo inaudita e inesgotável poder de compreensão e  pelo ombro amigo. Te amo e esse amor fraterno permanecerá para sempre, ainda que o sempre seja mais uma retórica para se vingar do tempo.".


Até breve amigos.


P.S. Em postagem de 16 de julho de 2.012, contei neste blog, as aventuras de Vicente e seus amigos pescadores em "Pescaria Esportiva no canal do Panamá".

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

LITERATURA - 101 CANÇÕES QUE TOCARAM O BRASIL - NELSON MOTTA

Boa noite amigos,

Capa do livro destacando a sensacional dupla de

compositores, Vinícius de Moraes e Antonio Carlos 

Jobim, autores da música Garota de Ipanema, uma
das mais gravadas e executadas no mundo inteiro.
A Editora carioca, Estação Brasil, lançou no último mês de setembro,  na linha de sua coleção batizada de “101”, o livro 101 CANÇÕES QUE TOCARAM O BRASIL,  do paulista Nelson Motta (72 anos) conhecido jornalista, compositor, escritor, roteirista, teatrólogo, crítico musical e produtor cultural, e colaboração de Antônio Carlos Miguel,  no qual elege as 101 canções que no seu entender somaram beleza poética, integração letra-música, inovação e tornaram-se sucessos populares, tocados no rádio e na televisão nas respectivas épocas, ou em outras, quando relançadas. Tudo isso num ciclo de pouco mais de 100 anos, a começar por O ABRE ALAS, de Chiquinha Gonzaga, de 1.899 e terminar com o rap À PROCURA DA BATIDA PERFEITA, de Marcelo D2 e David Corcos, de 2.003. Nelson, nascido em 1.944, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde reside até hoje, e acompanhou pessoalmente todos os movimentos musicais a partir do nascimento da Bossa Nova.  Com apenas 20 anos venceu o I Festival Internacional da Canção (1966), com a música “Saveiros”, feita em parceria com Dori Caymmi. E quem, sendo da minha geração, não se lembra de O CANTADOR,  música que  fez com o mesmo parceiro da época e que a jovem Elis Regina defendeu em 1.967,  no III Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record de São Paulo?[1]. Sua obra conta hoje com mais de 300 canções, muitas de inesquecíveis sucessos como “Dancin’Days” e “Como uma Onda”, em co-autoria com Lulu Santos. Produziu discos de cantoras importantes como Elis Regina, Marisa Monte e Fernanda Takai. No posfácio do livro, afastando qualquer pretensão de ser o dono da verdade, começa por observar que “As 101 melhores, ou mais  bonitas, ou mais importantes canções brasileiras não existem”. Admite que existam e se possam fazer inúmeras listas diferentes e respeitáveis, por gênero, época, importância histórica ou sucesso popular, não de 101, mas de 1.001 músicas dos últimos 100 ou 50 anos, porque “Uma das grandes qualidades da música brasileira é a variedade inigualável de gêneros, estilos, ritmos e misturas musicais, de Belém a Porto Alegre, em épocas distintas e sob múltiplas influências, que representam nossa diversidade étnica e cultural” (sic, fls.215). 
Nelson e Elis Regina, uma de suas famosas
namoradas, para cuja obra o compositor
contribuiu, estudou e sobre a qual escre
veu.
Com bela e leve disposição gráfica, em que numa das páginas comenta a história da música e, na outra, estampa imagens dos compositores, cantores, discos ou cartazes de publicidade da época das edições, o livro é um convite  a uma leitura prazerosa, que mais lembra um bate-papo com um amigo entendido do assunto, numa roda de café ou cerveja. É quase impossível ler sem cantarolar baixinho ou simplesmente memorizar a música focalizada, num exercício de retorno ao passado, gostoso e saudável. São notas de como a música nasceu ou foi concebida por seus compositores, quem gravou, quem não quis gravar e se arrependeu,  quando surgiu o sucesso popular, o que ela trouxe de inovação ou contribuiu para o movimento musical específico[2]. E, ainda, detalhes considerados curiosos como a compra e venda de composições, prática comum em certa época (a dos chamados comprositores)[3].Claro que nesse rol se encontram canções de nossos mais respeitáveis compositores como Chico Buarque (Apesar de Você; Construção; Olhos nos Olhos); Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes (Chega de Saudade; Eu sei que Vou te Amar; Garota de Ipanema); Caetano Veloso (Força Estranha; Sampa; Terra); Gilberto Gil (Domingo no Parque; Aquele Abraço);  Milton Nascimento (Travessia; Coração de Estudante); Luiz Gonzaga (Asa Branca); Gonzaguinha (Explode Coração; O Que é o Que é?); Noel Rosa (Feitiço da Vila; Palpite Infeliz); Ary Barroso (Na Baixa do Sapateiro; Aquarela do Brasil; Pra Machucar meu Coração); Dorival Caymmi (Dora; Marina; João Valentão; Saudade da Bahia); Cartola (O Sol Nascerá; As Rosas não Falam; O Mundo é um Moinho); Nelson Cavaquinho (A Flor e o Espinho; Folhas Secas);  Adoniran Barbosa (Trem das Onze);  Paulinho da Viola (Foi um Rio que Passou na Minha Vida; Coração Leviano);  Roberto e Erasmo Carlos (Detalhes; Emoções; Fera Ferida); Tim Maia (Não Quero Dinheiro); Raul Seixas (Ouro de Tolo; Metamorfose Ambulante);  Cazuza (Pro dia Nascer Feliz; Brasil). Não necessariamente as que eu e você colocaríamos nesse apertado rol de apenas uma centena de canções. E outros compositores, como outras composições, segundo  critérios e gostos variáveis,  porque, como adverte o próprio Motta, a enorme diversidade, quantidade e qualidade da música popular brasileira, permite a construção de listas diferentes e igualmente sustentáveis[4]. Para quem gosta de música, gosta de histórias de como elas são feitas, gravadas, disputadas e caem na boca do povo, nos seus variados estilos e apelos, as situações e motivações com que elas foram criadas, gravadas ou censuradas, é um livro de leitura imprescindível.  Uma boa sugestão também para presentear os amigos que gostam de música, literatura e história.

Nelson Motta atualmente, aos 72 anos de idade.

Até mais amigos.

P.S. (1) A Editora Estação Brasil se qualifica como o “ponto de encontro dos leitores que desejam redescobrir o Brasil”. Afirma, ainda, a editora carioca: “ Queremos revisitar e revisar a história, discutir ideais, revelar as nossas belezas e denunciar as nossas misérias. Os livros da Estação Brasil misturam-se com o corpo e a alma de nosso país, e apontam para o futuro. E o nosso futuro será tanto melhor quanto mais e melhor conhecermos o nosso passado e a nós mesmos.”   Está dito e registrado;

P.S. (2) O nome completo de Nelson Motta é Nelson Cândido Motta Filho. O compositor foi casado quatro vezes, com mulheres de destaque, como a atriz Marília Pera, morta recentemente, e a empresária, Constanza Pascolato. Foi também amigo e namorado de Elis Regina;

P.S. (3) Sobre Elis, escreveu uma crônica no jornal O Globo, em 03 de abril de 2.015, onde salienta: "Derrubado por uma gripe assassina e longe do noticiário político para evitar náuseas, passei a semana na cama com Elis Regina, navegando pela sua breve, incandescente e trágica trajetória, narrada com precisão e riqueza de detalhes por Julio Maria na biografia "Nada Será como Antes". Fui fã, produtor, amigo e namorado de Elis, acompanhei toda a sua carreira, pesquisei muito sua vida para escrever "Elis, a Musical", e quanto mais aprendia sobre ela, mais certeza tinha de que menos a conhecia, tão complexa era sua personalidade, tão imprevisíveis as suas atitudes. Depois do livro, entre lágrimas e risos, lembrando de tanta beleza musical que ela criou, de tantas coisas feias e rudes de sua vida, acho que não sei quase nada sobre uma das maiores artistas de nosso tempo."






[1]  A música começava assim: “Amanhece preciso ir, meu caminho é sem volta e sem ninguém, eu vou para onde a estrada levar, cantador só sei cantar, eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor. Ai,  eu canto a dor, canto a vida e a morte, canto o amor.” Naquele tempo, a Rádio Jovem Pan, do mesmo grupo da TV Record, já no dia seguinte das fases eliminatórias do festival, mandava ao ar, pelos mesmos artistas que tinham interpretado as canções classificadas, um jingle adaptado com propaganda da estação de rádio. No caso de Elis, ela aparecia cantando assim: “Ai sou cantador, canto na Jovem Pan, meu grande amor”.
[2] O autor anota, quando comenta acerca do  samba de sucesso A VOZ DO MORRO, de Zé Kéti, de 1.955, o seguinte: “Sim, foi decisiva a contribuição dos sambas de roda do Recôncavo Baiano no começo do século XX, mas foi no Rio de Janeiro, a partir do início dos anos 1930, com Noel Rosa, Pixinguinha, Ismael Silva e demais bambas do Estácio, que o samba ganhou o seu formato urbano, distanciando-se do maxixe, do coco, do samba de roda e demais manifestações rurais. Carioca por adoção e formação, por meio do disco e do rádio o samba se espalhou pelo Brasil”
[3] Observação que Nelson faz em relação à música A FLOR E O ESPINHO, de autoria de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, de 1.957 (fls. 55).
[4] Uma das músicas mais memoráveis e que faz parte da antologia da música popular brasileira, não relacionada pelo escritor é CHÃO DE ESTRELAS (1.937), de Sílvio Caldas e do letrista, Orestes Barbosa. É considerada a letra mais bela de nossa música popular, que começa com uma linda metáfora, citada invariavelmente pelas professoras de português da época, para exemplificar essa figura de linguagem: "Minha vida era um palco iluminado, eu vivia vestido de dourado, palhaço das perdidas ilusões.”  Poesia pura da melhor qualidade, não?