sábado, 29 de setembro de 2012

ZIDANE - ARTE E HOMENAGEM

Boa noite amigos,
Está certo que arte é arte e qualquer nação civilizada e democrática deve  respeitar incondicionalmente  a liberdade de concepção e criação dos artistas.  Mas há certas coisas estranhas relacionadas ao interesse do autor por determinadas  perspectivas relacionadas a pessoas ou fatos  que eles buscam focalizar. Esta semana a mídia internacional deu destaque à introdução de uma grande  estátua, em bronze,  do jogador francês aposentado, Zinédani Yazid Zidane, no Museu de Arte Moderna do Centro Pompidou em Paris.  De autoria do artista plástico argelino Adel Abdessemed, a escultura alude à cabeçada que o famoso meia francês, hoje aposentado, deu no peito do defensor italiano Marco Materazzi, na Copa da Alemanha de 2.006, na final entre França e Itália,  e que provocou a sua expulsão e acendradas críticas ao seu comportamento. Tido como um jogador de toque elegante e clássico e de um temperamento equilibrado, o fato foi absolutamente excepcional na carreira do atleta, que pediu desculpas e justificou o desequilíbrio com  a alegação de que teria sido alvo de provocação do italiano, durante toda a partida (O zagueiro teria ofendido a irmã do atleta, reiteradamente).  Tantos foram os momentos de beleza plástica proporcionados por Zidane, eleito três vezes o melhor jogador do mundo pela FIFA, que mereceriam atenção e foco dos produtores de obras de arte, que  não se compreende a opção do artista  em render  “homenagem” (aspas propositais) ao inesquecível craque da bola, com a reprodução do  episódio mais feio e violento de sua carreira. O que será que o craque achou da homenagem?  
Até amanhã.
P.S. (1)  A Itália foi tetracampeã do Mundo, na Copa da Alemanha de 2.006, tendo vencido, na final, após empate no tempo  regulamentar e na prorrogação, a França, nos pênaltis (5 a 3);
P.S. (2) Zidane, depois de ter feito um gol pela Seleção da França,  foi expulso pelo árbitro argentino Horácio Elizondo aos cinco minutos do segundo tempo da prorrogação, justamente pela cabeçada dada no peito do jogador italiano, encerrando aí  sua fantástica carreira de jogador de futebol;
P.S. (4)  O Brasil foi para a final e perdeu a Copa do Mundo da França em 2.002, para a Seleção anfitriã. A Seleção Brasileira sofreu um apagão nesse jogo e perdeu a partida e o título para a França por 3 a 0. Zidane marcou dois dos três gols franceses. Não dá para esquecer dessa partida. Tristeza pela perda do pentacampeonato, que conseguíriamos na Copa seguinte, e encanto pelo futebol do craque frances.
P.S. (5) Só Zidane,  Ronaldo Fenômeno e, recentemente Lionel Messi é que conquistaram por  três vezes a Bola de Ouro, outorgada ao Melhor Jogador do Mundo pela FIFA. França e Argentina conquistaram, assim, o galardão por três vezes. O Brasil, no entanto, é campeão absoluto na conquista, pois obteve o título, nada menos do que 8 vezes,  com os jogadores Ronaldo, Romário, Ronaldinho, Rivaldo e Kaká.
P.S. (6) A imagem da coluna mostrando os dois jogadores no lance da partida e a obra de arte que retrata o episódio foi emprestada do site gazetaesportiva.net;
P.S. (7) Zidane é francês nascido em Marselha em 23 de junho de 1.972. Mas é neto de argelinos, nação de origem do artista responsável pela estátua-homenagem. É considerado o maior jogador francês de todos os tempos.
P.S. (8) Do Poeta Ronald de Carvalho: “A arte é uma aspiração à liberdade. O que nós, poetas, músicos, pintores, escultores, desejamos é criar o nosso ritmo pessoal, é transmitir a nossa harmonia interior. Cada um de nós é um instrumento por onde passa a corrente da vida. Não queremos regras, nem admitimos preconceitos. Não nos atraem as teorias especiosas. A lógica do artista não cabe nas fronteiras de um teorema, a lógica do artista é um problema cujos dados mudam a cada instante, e cuja solução varia de momento a momento. O artista é um transfigurador. Recebe a energia da vida e, em troca, lhe dá forma”.   Sim senhor. Está dito e registrado!
 
 
 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

FACULDADE DE DIREITO DA PUC - A TURMA DE 1.998

Meus prezados amigos,
Prosseguindo na homenagem ao 60º  aniversário da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a coluna registra hoje os formandos  da sua  XLIII Turma-  Ano de 1.998. A Turma recebeu o nome do Professor JOSÉ RICARDO HADDAD, teve como Professores Homenageados os docentes TEREZA NASCIMENTO ROCHA DÓRO,  ANTONIO FRANCISCO BASTOS,    CARLOS HENRIQUE MACIEL e  MARCOS  DESTEFANNI. O Patrono de ambas as Turmas (A e B) foi o Professor ANTONIO DE PAIVA CARVALHO e os Paraninfos foram  os Professores LUÍS FRANCISCO DE AGUILLAR CORTEZ (Turma A) e JAMIL  MIGUEL  (Turma B). Eis a relação dos bacharéis formados naquele ano:
TURMA A: ALESSANDRO ALVES BERNARDES,  ANA CAROLINA CARVALHO SILVEIRA, ANA LÚCIA PRADO, ANDRÉIA RODRIGUEZ GONZALEZ, ANTONIA RITA BONARDO DE LIMA, ANTONIO CARLOS PONTES CINTRA, ARTHUR HENRIQUE DOS  SANTOS, CAMILA MOREIRA, CARLOS ANTONIO ALEXANDRINO SILVA,  CÁSSIA MARIA DA SILVEIRA FRANCO,  CIBELE FÁTIMA DIAS DA SILVA, CLARK HARUTO ISO,  CLÁUDIA APARECIDA MORENO, CRISTIANE SILVESTRINI, DANIEL MAROTTA MARTINEZ, DANIELA NÍVEA ALVES, DANIELLE PAROLARI FARIA, ELIANA PEDROSO VITELLI, ELIESER MACIEL CAMILIO, ELISANA DE ANDRADE BUOSI,  FABIANA MARA MICK ARAÚJO,   FERNANDA DUBOC BIRCHES LOPES,  FLÁVIA MAJOR CARVALHAES CAMARGO, FLÁVIO HENRIQUE BERTON FEDERICI, FLORIANE POCKEL FERNANDES,  GABRIEL GUERREIRO, GABRIELA  ELENA BAHAMONDES MAKUCH, GILBERTO GABRIEL HOBEIKA, GIOVANNI NORONHA LOCATELLI, GIORDANO ROBERTO DO AMARAL REGINATTO,  GRAZIELA BARRETO LUCHETTI,  GRAZIELA MARISA GONÇALVEZ,  JANAINA BASSI TREVISAN, JULIANO FLÁVIO PAVÃO, KELEN JACOMINO,  LAIS MACHADO COSSERMELLI, LEANDRO DE SALES PUPO,  LUCIANA MARTINS, LUIZ GUSTAVO GIUNTINI DE REZENDE,  MAIRA PIRES VIDEIRA,  MARCELO FERREIRA DE CAMARGO, MARCIA CRISTINA BRAMUCI,   MARCO AUGUSTO  DE ARGENTON QUEIROZ, MARIA  CAROLINA CABREIRA, MARIA ISABEL MENDES,  MARIA RAQUEL AZEVEDO DE ARAÚJO TEIXEIRA,  MARIA TERESA DE CICCO BRAZ DA SILVA,  MAURÍCIO EDUARDO CROCETTI SURUR,  PAULA TOLEDO SIQUEIRA, RAQUEL MARQUES DE ARAÚJO SILVA, RENATA CHRISTINA VALVERDE CARVALHO, RENATO TORINO, RENATO PENTEADO STEVENSON,  RODRIGO DE SOUZA COELHO, RODRIGO HENRIQUE CIRILO, SUSANA PEREIRA FRANCO, TERESA CRISTINA PEDRASI,  VALÉRIA PERES SEIXAS RIBEIRO,  VIVIANE CRISTINA FERREIRA DA SILVA, WAGNER RIBEIRO DE OLIVEIRA, WENDEL ITAMAR LOPES BURRONE DE FREITAS.
TURMA B: ABILIO CARLOS DE OLIVEIRA CURY, ADRIANA ROCHA AGUIAR DANTAS DE MATOS,  AGOSTINHO GERALDO GOMES,  ALEXANDRE BRAGOTTO,  ANA BEATRIZ MORAIS SAMPAIO SILVA,  ANA CAROLINA PEREIRA LIMA,  ANA FLÁVIA MARTINS DE FREITAS, ANA PAULA SUSANNA,    ANA PAULA MURANAKA SALIBA, ANA RITA PICOLI GOMES,  ANDRÉA ABRAHÃO COSTA, BEATRIZ PUGLIESI BARBULIO,  CAMILA FOGAGNOLI, CLÁUDIA DE SOUZA CECCHI, CLÁUDIA RENATA SLEIMAN RAAD CAMARGO,  CRISTINA LEMOS VAZ GABRIEL,  DANIELA FRANCESCHINI OLIVO, DANIELA VIEIRA DE ALMEIDA,  DANIELE CRISTINA PIACENTI ORTEGA, DANIELA BARUCO MACHADO,  DANIELLE MENDONÇA CAMARGO, DENIS PAULO ROCHA FERRAZ,  ELAINE CRISTINA PULCINELI VIEIRA, FABIANA CHRISTIAN DE SOUZA FILETTI,   FABIO MENDES MORELLI, FERNANDA DE CAMPOS LEITE,  FLÁVIA HELENA ROSALEZ, FLÁVIA LYRA DE ABREU,  FLÁVIA PIMENTA DE CASTRO, FRANCISCO ROMANO, GABRIELA BARROS CABRAL, GIANPIERO SILVA DAVID, GILCELLI FERRAGUTTI,  GIOVANA ORTOLANO GUERREIRO, GIULIANO PRATELEZZI DENENO, GUILHERME DE OLIVEIRA ALVES BOCCALETTI,    GUSTAVO RAMOS PERISSINOTTO,  GUSTAVO URBANO DOS SANTOS,  ISA PAES DE BARROS MATTOS , ISABELA TOFANO DE CAMPOS LEITE,  JOÃO CURY NETO, JULIANA DE OLIVEIRA,  JULIANA APARECIDA JACETTE,  JULIANO ALVES DOS SANTOS PEREIRA, LEANDRO DE LIMA LOPES,  LUCIANA DO AMARAL SANTOS,   LUIZ HENRIQUE BOSELLI DE SOUZA, KARISMA DE FREITAS BARBOSA, MARCILIO SQUASSONI GOMES,  MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA GUIMARÃES NASCIMENTO,  MAURO ELLWANGER JUNIOR,  RENATA BRESSAN GUIMARÃES, ROSANA ELAINE SILVEIRA DA FONSECA, SERGIO AUGUSTO BERARDO DE CAMPOS JUNIOR, SYLVIA JUNQUEIRA VILLELA NORIEGA, TARSILA AMARAL GARCIA,  TEREZA HELENA DA SILVA,  THIAGO DE MORAES FERRARI,  VANESSA BALISTA JARDIM, WENDY SAUERBRONN DE CAMPOS,  MARIA LÚCIA BALTAZAR CARLOS,    IVANA SAYEG HUMSI DE MELLO.
Até amanhã.
P.S. (1) A relação dos formandos e dos professores homenageados  foi fornecida pela Dra. Cláudia de Souza Cecchi Alface, extraída do convite de formatura. A Dra. Cláudia (Alface, depois do casamento) é hoje competente Procuradora da Universidade Estadual de Campinas;
P.S. (2) A foto da coluna de hoje é de alguns dos bacharéis da referida Turma, em momento de descontração, dentre os quais a própria Cláudia (que também forneceu a foto), Isabela Tófano de Campos Leite,  Juíza do Trabalho, Denis Paulo Rocha Ferraz, hoje advogado, Professor e Integrador Acadêmico de nossa Faculdade de Direito, Guilherme Fernandes Cruz Humberto, Juiz de Direito do Estado de São Paulo, João Cury Neto, Prefeito do município paulista de Botucatu, Juliano Alves dos Santos Pereira, advogado de concorrido escritório especializado em Justiça Trabalhista, dentre outros. Os professores focalizados são Antonio de Paiva Carvalho, o saudoso médico e professor,  Antonio Francisco Bastos, de Medicina Legal, Cleusa Aparecida Carnielli, Eurico Cruz Neto, Desembargador do Tribunal do Trabalho da 15ª. Região, hoje aposentado, e eu;

P.S. (3) Thiago de Moraes Ferrari é vereador e Presidente da Câmara Municipal de Campinas, candidato à reeleição no próximo sufrágio de eleições municipais. A ótima Giovana Ortolano Guerreiro é Promotora de Justiça no Estado de São Paulo.

 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

DE DESEMBARGADOR, FILHO DE MARCENEIRO, JUSTIÇA PARA MENINO POBRE, FILHO DE MARCENEIRO

Boa noite amigos,
 
Na Comarca de Marília o menor Isaías Gilberto Rodrigues Garcia, cujo pai, marceneiro de profissão, foi atropelado e morto, ajuizou, representado pela mãe solteira e empregada doméstica, e por advogado por esta escolhido, ação de indenização contra o atropelador, pleiteando: a gratuidade para demandar e  uma pensão de um salário mínimo, mais indenização por dano moral que sofreu. O Magistrado negou o pedido de Justiça Gratuita, aos argumentos: a)   o autor não ter provado ser menino pobre, e b)  não ter ele peticionado por intermédio de advogado integrante do convênio OAB/PGE. Interposto recurso de agravo de instrumento, foi ele distribuído ao Desembargador PALMA BISSON da 36ª. Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, que concedeu liminar e depois redigiu o Acórdão que deu provimento, por unanimidade, ao recurso. Vale a pena a leitura do Acórdão, que transcrevo abaixo, quase na íntegra: “Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro – ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna”.  “Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é. O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante. Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres. Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d’água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou. Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos....”.
O teor do Venerando Acórdão revela a indisfarçável indignação do Desembargador com uma decisão desprovida de qualquer razoabilidade, como se viu, e especialmente, de ausência de sensibilidade. E por outro lado, cheia de poesia, de homenagem ao pai marceneiro e da honra  de ser filho de um marceneiro. E, finalmente,  de ter advogado para pobres, sem vislumbrar paga, a não ser a satisfação de poder servir  e colocar o seu talento como  auxílio na distribuição da justiça para  hipo-suficientes, num país tão injusto e desigual. Do ponto de vista da formação humanística que tanto se apregoa para o bacharel e o profissional do Direito, não há nada mais importante e fundamental do que trabalhar para os necessitados, seja nos Departamentos dos Centros Acadêmicos, seja nas Assistências Judiciárias oferecidas por Faculdades de Direito ou  nas Defensorias Públicas.  Concluo asseverando que “Há Juízes no Tribunal de Justiça de São Paulo”.
 
Até amanhã amigos.
P.S. (1) O Acórdão referido foi proferido no agravo de instrumento n. 1001412-0/0 da Comarca de Marília e pode ser conferido, na íntegra, no site do Tribunal de Justiça de São Paulo; A imagem que ilustra a coluna foi emprestada do site 1ppacaio.com.br
 
P.S. (2) Ao conseguir sucesso numa ação de reintegração de posse que movi, nos primeiros anos de minha advocacia,  em favor de uma velhinha viúva e sem filhos,  de quase 90 anos, injustamente desapossada de seu humilde imóvel, recebi como honorários um cacho de uva Itália, que ela, com sacrifico, suponho, comprou para me presentear. Jamais me esqueci desse gesto e de seu reconhecimento. Lembranças de uma advocacia que se fazia para sustento próprio e da família, mas que tinha espaço, no tempo e no coração,  para assistir, jurídica e judiciariamente, pobres que batiam à nossa porta;
P.S. (3) “Bem aventurados os que têm fome e sede de Justiça, porque serão fartos” (Mateus, V; 6);
 P.S. (4) A expressão “Há Juízes em Brasília” ou como usei aqui “Há Juízes no Tribunal de Justiça de São Paulo” nos remete para aquela da qual estas seriam derivadas. Ela está em um conto de François Andrieux, denominado “O Moleiro de Sans-Souci”. Em 1.745, o rei da Prussia, Frederico II, construiu um belo castelo de verão, mas do palácio se via um antigo moinho que tornava feia a paisagem. O rei era um déspota, porém esclarecido. Mandou que comprassem o tal moinho e o destruíssem. O moleiro, porém, se recusou a vender, porque dele necessitava para trabalhar e extrair renda de sobrevivência.  Por outro lado, estava velho e não encontraria outro trabalho. Indignado com a recusa, o monarca foi interrogar o moleiro e a ele perguntou: Como ousas recusar a proposta do Rei? Eu poderia, se quisesse, tomar a sua propriedade e derrubar o moinho, sem lhe pagar qualquer indenização. Em resposta a essa ameaça, o moleiro respondeu: - Não acredito que o senhor faça isso. Juízes em Berlim. Daí o uso dessa expressão toda vez que se quer elogiar o Magistrado, reafirmando suas virtudes de  independência,  sensibilidade e grau de excelência.
 
 
 

domingo, 23 de setembro de 2012

CASAMENTO EM ANALÂNDIA


Boa noite amigos,
O Amor é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser” (Mário Quintana).
No centro leste do Estado de São Paulo, a 225 km. da Capital e 35 da próspera São Carlos, também vizinha da agitada Brotas, a cidade nasceu da doação, por um fazendeiro, de 20 alqueires de terras de sua Fazenda, em 1.897, para o estabelecimento de um povoado. A área,  meio em declive, era especial, porque contava com uma paisagem deslumbrante, marcada por magnífica vegetação nativa, morros, nascentes e corredeiras. Foi batizada “Cuscuzeiro” e com a construção de uma capela em homenagem a Sant’Ana, padroeira da localidade, passou a se chamar Anápolis. Mas em 1.944, em razão de política que pretendeu acabar com a confusão criada com a atribuição de um mesmo nome a mais de uma cidade, teve o nome trocado para  Analândia. Em 1.966, recebeu do Governo do Estado o direito à inclusão como Estância Climática e a prerrogativa de acrescer, ao nome, essa condição. Ali tem início várias bacias importantes, como a Bacia do Corumbataí, do Feijão, do Pântano e outras, responsáveis pelas centenas de pequenas nascentes, que fornecem água limpa e pura. Nos seus 327,5 km2. de área, acomoda uma população que, pelo IBGE 2.010,  é de 4.289 habitantes. No município desenvolve-se um turismo rural e ecológico,  ainda incipiente,  mas que tem sido bastante procurado nos últimos tempos,  por aqueles que desejam praticar esportes variados (escalada, rapel, mountain bike, arborismo, cavalgada),  ou simplesmente visitar e apreciar as suas atrações naturais. O cartão postal da cidade é a Pedra do Cuscuzeiro, uma interessante formação rochosa em arenito, que se presta a escalada com diferentes dificuldades,  como se pode ver na primeira imagem da coluna de hoje. Foi no romântico e belo Chalé Macaúva,  que Denise Taffarello e Mário Mendiondo resolveram contrair matrimônio. Denise é uma das amigas mais próximas de minha filha, com quem estudou no Colégio Sagrado Coração de Jesus, durante muitos anos. Por causa disso, ficamos amigos da filha e  dos pais, Benedito Taffarello e Dayse Taffarello e também do irmão de Denise, Rogério Taffarello, hoje advogado criminalista em São Paulo. A cerimônia teve início ainda sob o sol das 16,30 horas, que iluminou a belíssima noiva, o noivo,  e os seus convidados. Algumas fotos mostram a singeleza e beleza da Pousada e a alegria dos convidados, que foram competentemente  servidos pelo ótimo buffet,  conversaram, cantaram e dançaram até a 1 hora da manhã. 

Até amanhã amigos. 
 
  P.S. (1) Analândia é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias climáticas, por cumprirem pré-requisitos definidos em lei estadual. Esse status  garante ao município uma verba maior por parte do Estado para promoção do turismo regional;
P.S. (2) A altitude do município é de 675 m. e seus pontos culminantes são a Pedra do Camelo e o Pico do Cuscuzeiro com 900 metros de altitude;
P.S.(3) A imagem do Morro do Cuscuzeiro foi emprestada do site mochileiros.com; P.S. (4) As imagens seguintes são todas fotografias tiradas do nosso celular e se referem, nesta ordem: a) de n. 2 ao Salto Major Levy; b) de n. 3 à bela noiva Denise, levada por seu pai, Benedito Taffarello, sob os raios de sol que iluminaram a tarde de ontem em Analândia; c) de n. 4, a noiva Denise e o casal Cris e William, que esperam a chegada de um bebê; Abaixo: d) o altar da cerimônia; e) uma tomada da mesa de bolo e doces do Chalé; f) plantas iluminadas ainda do Chalé Macaúva, situado no Portal das Samambaias.
 
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

CINEMA BRASILEIRO - O PALHAÇO - INDICAÇÃO AO OSCAR 2013 E GILSON KLEINA NO PALMEIRAS

               Boa noite amigos,

A Ponte Preta perdeu o seu treinador num momento importante do Brasileirão. Sua campanha até aqui, se não é excepcional, praticamente assegura a sua permanência na 1ª. Divisão do Campeonato Brasileiro, a primeira e mais importante meta do clube no primeiro ano subseqüente ao acesso. Mas continuo acreditando que a Macaca tem condições de  pensar mais alto. Com um time ajustado, sem grandes estrelas, e com um elenco de qualidade, a Ponte pode perfeitamente obter classificação para disputar a Sulamericana, bastando que mantenha a campanha que faz até aqui.

O Palmeiras e Gilson Kleina.

O jovem treinador Gilson Kleina não resistiu à oferta do Palmeiras e até convenceu os dirigentes da Ponte a reduzir a multa exigida da equipe do Parque Antártica, com base no contrato firmado. Gilson já havia recusado antes, proposta do Fluminense, preferindo permanecer na equipe pontepretana. Nas Laranjeiras Gilson iria apenas ser um técnico “tampão”, aguardando a contratação de um dos treinadores considerados de 1ª. Linha. Era muito pouco para deixar a estabilidade que gozava na Ponte, além dos salários que eram pagos em dia e o projeto de que participava, para metas a médio e longo prazo.  Agora, não. No Palmeiras,  um dos mais importantes clubes do futebol brasileiro, Gilson ganhará um salário de R$300.000,00 e assinou  contrato até o final de 2.013, o que lhe dá tranqüilidade de trabalho. Mas essa tranqüilidade é relativa. O treinador pega a equipe na zona de rebaixamento, em manifesta crise, na tentativa de salvá-la do rebaixamento para a Segundona.

A Matemática e as Previsões

Hoje, segundo sites especializados em cálculos, o Palmeiras tem 98% de chances de ser rebaixado. É um percentual arrasador. Pode escapar? Pode. Mas não será fácil. O Fluminense esteve em situação parecida, em 2.008, e na reta final teve uma reação espetacular e inesquecível. Conclusão: manteve-se na 1ª. Divisão, fez planejamento, contratou jogadores e o técnico Murici e foi campeão brasileiro no ano seguinte, em 2.009. O Palmeiras tem no que se espelhar, portanto. De qualquer maneira, muita gente garante que a contratação de Kleina até o final de 2.013, considera o fato de que dificilmente ele evitará a iminente queda para a série B e terá assim a tarefa principal de fazer uma campanha que traga o Verdão, de volta,  para a 1ª. Divisão, já no ano seguinte. Há  quem repute Kleina um especialista em acesso.

SALÁRIOS INFLACIONADOS

Os clubes inflacionam mesmo o futebol. Pagar R$300.000,00 de salário mensal para um treinador é uma quantia exagerada. Mas o Felipão, com todo o seu currículo e jurando paixão eterna pelo Verdão, ganhava simplesmente R$800.000,00, segundo afirmação da mídia. Sem comentários!


“O PALHAÇO” ESTÁ INDICADO PARA O OSCAR 2.013.

Fruto da  segunda experiência do ótimo ator Selton Mello  como roteirista e diretor, o filme “O Palhaço” foi o escolhido no dia de hoje, pela Comissão Especial de Seleção da  Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, para representar o Brasil na seleção dos filmes indicados para concorrer ao Oscar 2.013, na categoria melhor filme estrangeiro. O filme foi apresentado no Festival de Paulínia do ano passado e ganhou os prêmios de melhor diretor, melhor roteiro, figurino e ator coadjuvante para Moacyr Franco, e traz uma interpretação vigorosa do excelente ator veterano Paulo José e do próprio Selton, que também atua. O longa concorreu com outros 15 filmes nacionais. Vi e gostei do filme. Mas é apenas um filme bem feito, com ótimas atuações e um roteiro interessante, mas não original, tratando de temas universais, como a  insatisfação humana e a permanente busca da própria identidade. Há quem veja no filme uma homenagem à tradição verbal do humor brasileiro e quem considere que o seu sucesso é fruto da sensibilidade que transmite ao espectador,  ao retratar o circo e o palhaço, num resgate da memória de infância que todos nós carregamos com carinho.  Não arrisco, porém, dizer que não tem chances, porque como afirma o Diretor da Globo Filmes, Carlos Eduardo Rodriguesé difícil saber o que os americanos vão querer ver daqui a seis meses”, o que se justifica pela oscilações de gostos e gêneros nas várias edições do prêmio da academia americana. Mas se já tivemos as indicações de “O Quatrilho”, “O que é Isso Companheiro, Central do Brasil e “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias”,  todos melhores do que “O Palhaço”, na minha opinião, a julgar pela coerência com a experiência passada,  essa é a mais fraca indicação dos últimos anos. Isso sem contar com  “Tropa de Elite 2, um dos melhores filmes de todos os tempos e que simplesmente o ano passado não foi escolhido entre os 5 concorrentes. Enfim, vamos torcer para que Selton e os demais profissionais que produziram a obra, tenham melhor sorte.

Até amanhã amigos.


P.S. (1) O primeiro filme de Selton Mello como diretor foi “Feliz Natal” de 2.008;
P.S. (2) “O Palhaço” é um dos filmes de sucesso de público, tendo levado aos cinemas mais de dois milhões de espectadores.
P.S. (3) A presença do ator Jorge Loredo em “O Palhaço” é rápida e divertida. Para quem não sabe, Loredo ficou famoso com o seu personagem eterno, o Zé Bonitinho, que costumava carregar um pente enorme para aparar os longos bigodes e cabelos;
P.S. (4) Sobre a escolha de “O Palhaço” para disputar indicação de melhor filme estrangeiro no Oscar 2.013, o ator e diretor Selton Mello, fez a seguinte declaração: “O Palhaço” é um filme luminoso. Causou grande encantamento ao público brasileiro. Filme que oferece reflexão em uma estrutura simples, sem querer ser maior do que o tema pedia. E é na simplicidade dele que reside sua grandeza. Recebo com grande alegria a incumbência de representar meu País.”;
P.S. (5) A primeira imagem da coluna,  de Gilson Kleina se apresentando aos atletas palmeirenses, foi emprestada do site lancenet.com.br. A segunda imagem, dos atores Selton Mello e Paulo José, na interpretação dos palhaços, Benjamin e Puro Sangue, filho e pai, no filme “O Palhaço” foi emprestada do site cinemacao.com.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

REFLEXÕES SOBRE A VIDA E A MORTE - PARTE I

De manhã escureço. De dia tardo. De tarde anoiteço. De noite ardo. A oeste a morte. Contra quem vivo. Do sul cativo. O este é meu norte. Outros que contem. Passo por passo: Eu morro ontem. Nasço amanhã. Ando onde há espaço. – Meu tempo é quando.” (Poética – Vinícius de Moraes).
Caros amigos,

Assunto que foi tabu, desde os primórdios das civilizações,  a morte é, atualmente, tema proibido, especialmente entre jovens da classe média, assunto sobre o qual não se deve falar ou discutir, mas ignorar. Como afirma Luis Fernando Veríssimo, a morte dos outros é um fato, mas a nossa morte, para nós, é impensável. A sua inevitabilidade e o mistério em que se encontra envolta para todas as civilizações, em todas as épocas e até hoje, com todo o avanço das ciências, nos faz temê-la.  Todos querem viver muito, mas ninguém quer ficar velho. A velhice marca, de forma indelével, a decadência do corpo, como a máquina que, cansada, já vai funcionando com reservas, com falhas, mais devagar, até que um dia ela pára. E a decadência do corpo lembra a doença. E a doença o final de nossa trajetória por este mundo. Por mais que se tenha sido aquinhoado nesta vida, com saúde, dinheiro, sucesso, poder, nada disso evitará o óbito, o perecimento.  E quando se vai, os que ficam sentem menos ou mais. Diz o grande Cecílio Elias Neto, com a sua honestidade de piracicabano, que não se chora a morte pelo outro e sim pelo que o defunto representava na nossa vida. É duro, mas é certo. Somos seres egoístas. E a falta de explicação para a morte? A ignorância absoluta sobre o que se passará depois dela é que causa o medo. Bem ou mal, de uma forma ou de outra, todos tememos a morte. Não queremos morrer. Acredito que a morte é obsessão para  os suicidas, que não deixam de temê-la, mas  apenas não se adaptam à vida, não a suportam, buscam livrar-se dela, para livrar-se de si mesmo e de sua profunda e irremediável solidão. Pensar na morte, considerá-la como sendo uma contingência inevitável que um dia acontecerá, é extremamente positivo no projeto de vida da gente, acreditem. É isso que nos faz valorizar a vida a cada momento. É isso que nos torna mais humanos e que nos convida muito mais para o encontro do que para o desencontro, e nos faz praticar a bondade,  a solidariedade, a piedade, a compreensão, a generosidade, virtudes que resgatam o belo da condição humana, tão cheia de tendências boas e ruins. O segredo, portanto, não é ignorar a morte, muito menos a de deixar de viver por causa dela. O segredo é a valorização da vida, do espírito. É a superação do medo. Na coluna de hoje do Correio Popular (Caderno C2),  o escritor Paulo Coelho assim se refere ao tema: “É normal que procuremos evitar a morte. Não apenas é normal, como é a atitude mais saudável que podemos ter. Entretanto, é uma aberração negá-la, já que a sua consciência nos dá muito mais coragem. Se eu fosse morrer hoje, o que gostaria de fazer que não fiz? Este é o meu pensamento todas as manhãs. Aprendi, no  caminho de Santiago, que o Anjo da Morte é o meu melhor conselheiro.”  A coragem não significa, diz ainda o escritor, ausência de temoresmas a capacidade de não se deixar paralisar por eles. Curioso é que mesmo  aqueles que acreditam na vida após a morte, na recompensa da vida eterna, livre, boa, não querem morrer. A sobrevivência continua sendo, ainda, o mais vigoroso dos instintos humanos. Que seja. Mas que não se evite, de vez em quando, considerar que a morte é o caminho mais natural da vida. E que é extremamente positivo que a sua lembrança nos anime a criar sentido para as coisas da vida. Pois a gente leva da vida, diz a canção popular, a vida que a gente leva.
Até amanhã, amigos

P.S. (1) Tanatologia é a parte da medicina legal que se ocupa da morte e dos problemas médico-legais com ela relacionados. Palavra de origem grega, vem de Tanathos – o deus da morte e Logia – ciência.;

P.S. (2)  Para a Sociedade de Tanatologia de Minas Gerais, a Tanatologia é a ciência da vida e da morte que visa humanizar o atendimento aos que estão sofrendo perdas graves, podendo contribuir dessa forma na melhor qualificação dos profissionais que se interessam pelos chamados “Cuidados Paliativos”;

P.S. (3)  A tanatologia é, muito mais, uma ciência da vida do que da morte. “Ciência que olha – e ao mesmo tempo ilumina – a vida, a partir do que se aprende com os que estão morrendo” (Evaldo Alves D’Assumpção, médico e biotanatólogo, fundador da Sociência de Tanatologia de Minas Gerais);

P.S. (4) “ A morte me informa sobre o que realmente importa. Me daria ao luxo de escolher as pessoas com quem conversar. E poderia ficar em silêncio, se o desejasse. Perante a morte tudo é desculpável.... Creio que não mais leria prosa. Com algumas exceções: Nietzsche, Camus, Guimarães Rosa. Todos eles foram aprendizes da mesma mestra. É certo que não perderia um segundo com  filosofia. E me dedicaria à poesia com uma volúpia que até hoje não me permiti. Porque a poesia pertence ao clima da verdade e encanto que a Morte instaura. E ouviria mais Bach e Beethoven. Além de usar meu tempo no prazer de cuidar do meu jardim”Rubem Alves, “Sobre a Morte” em http:// envolverde.com.br/educação/reflexao/sobre-o-morrer/;
P.S. (5)  “A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais” (EPICURO);

P.S. (6) "Tenho sede de viver" (Hebe Camargo); "Tenho pena de morrer" (Chico Anísio).

P.S. (7) A imagem da coluna de hoje retratando os atores Demi Moore e Patrick Swayze é do filme  "Ghost - Do Outro Lado da Vida", grande sucesso de bilheteria e que trata da vida após a morte, sob o prisma da doutrina espírita. Foi emprestada do site cinecab.com.br




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

DIREITO - MENSALÃO E A PROPOSTA DA ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES PARA MINISTROS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES


Boa noite amigos,

Encontrei-me ontem, na sala de professores da Faculdade de Direito da Puc-Campinas, com o também professor, Magistrado, poeta e amigo, José Henrique Rodrigues Torres. Dr. Torres é atualmente Presidente da Associação dos Juízes para a Democracia (AJD), entidade que congrega Magistrados brasileiros de todas as entrâncias e instâncias, da Magistratura Estadual e Federal e é entidade bastante atuante,  sobretudo na defesa dos direitos humanos. Torres embarcaria para Brasília na tarde do mesmo dia, para um encontro com o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com  o objetivo de transmitir ao Ministro a proposta da Associação para o provimento de cargos de Ministros dos Tribunais Superiores. Como se sabe a indicação de nome para ocupar o alto cargo nas Cortes Superiores é do Presidente do República.A  indicação,  formalmente, deve passar por aprovação da maioria absoluta  do Senado Federal, que pode sabatinar o indicado (artigo 84, XIV, da CF).  Não há, no país, em qualquer tempo, notícia de que alguém, indicado para o cargo pelo Chefe do Executivo Nacional, tenha sido barrado no Senado.  Estabelece a vigente Constituição que a indicação deve recair em cidadão com mais de 35 e menos de 65 anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada (art. 101e 104 da Carta Magna). Ainda que a prerrogativa da indicação e, posteriormente, da nomeação, seja do Presidente da República, é claro que não se pode admitir o uso meramente político da indicação, como “moeda de troca”, quando a Carta Constitucional exige que o Administrador Público atenda a princípios fundamentais como o da impessoalidade, o da probidade, o da moralidade, o da legalidade, o da eficiência,  o que reclama a chamada “transparência” dos atos do agente político. O procedimento sugerido pela Associação é o mesmo que vigora atualmente na vizinha Argentina, ou seja, quando ocorre vacância no cargo, o Presidente da República convoca todos os cidadãos interessados, que reúnam as condições mencionadas (ou julguem reunir) para uma “inscrição prévia”, pela Internet,  acompanhada do respectivo “curriculum vitae”.  As inscrições são divulgadas, ainda via internet, para que  todo e qualquer cidadão do país, e especialmente entidades sociais, religiosas, órgãos de classe etc. façam sugestões acerca dos inscritos, realçando o seu trabalho, a sua vida e os seus predicados ou defeitos,  promovendo-se, assim, uma ampla discussão a respeito do perfil de merecimento desses pretendentes ao cargo. Finalmente, com todos os dados recolhidos e sopesados, o Presidente faz a indicação, justificando a escolha do candidato. Esse procedimento poderia ser adotado, sem violação de qualquer das regras constitucionais vigentes. E o processo, além de “transparente”, seria democratizado tanto quanto possível, atendendo-se ao real interesse público. Além disso, o Ministro escolhido levaria consigo, para a Corte, a certeza de ter alçado ao cargo, por mérito reconhecido pela Nação, e, pois, a suposição de uma isenção semelhante  a  do Juiz que presta concurso público e faz carreira, se orgulha de possuir, na maioria dos casos.

Até amanhã amigos.


P.S. (1) O julgamento do mensalão, transmitido por muitos veículos de comunicação brasileiros e estrangeiros, tem revelado que a vaidade humana não encontra limites. Mesmo serenos e vetustos Ministros do Judiciário, um poder que deve primar pela sobriedade,  não resistem aos holofotes e, não raro, pronunciam os seus votos com preocupação indisfarçável de demonstrar erudição,  uso de frases de efeito e presença cênica.
P.S. (2) A constante "troca de farpas" entre o relator do Mensalão, Ministro Joaquim Barbosa e o Revisor, Ministro Lewandowiski, é decepcionante.Os Ministros dão exemplo de falta de urbanidade e desrespeito   ao Estado de Direito, ao não cumprirem as regras  regimentais que asseguram o pronunciamento de cada qual, na sua vez e com autonomia, com o prerrogativa de  não serem interrompidos, questionados ou ofendidos;
P.S. (3) A imagem da coluna de hoje é de Ministros do Supremo Tribunal Federal durante o julgamento do Mensalão e foi emprestada do site veja.abril.com.br.

   

domingo, 9 de setembro de 2012

CURSO CINCO ESTRELAS, PARAOLIMPÍADAS E RODADA DO BRASILEIRÃO

Amigos, boa noite.
 
CINCO ESTRELAS.
 
A Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas recebeu, pela primeira vez em sua história, a avaliação de curso  Cinco Estrelas do Guia de Estudante da Editora Abril. O Curso sempre foi um dos mais conceituados do Estado de São Paulo e do Brasil, nos seus 60 anos de existência, o que se comprova pelos resultados dos Exames feitos pela Ordem dos Advogados, que conferiu à instituição, o selo de qualidade,    pelo ENEM, e, ainda,  pelos concursos de Magistratura,  Ministério Público e outros. A Pontifícia Universidade Católica de Campinas teve outros 4 cursos, com a mesma avaliação máxima,  e foi qualificada como uma das seis melhores universidades particulares do Brasil.
 AS COMEMORAÇÕES DOS 60 ANOS.
Já está no ar o site que anuncia a programação de comemoração dos sessenta anos da Faculdade de Direito da Puc. Os ex-alunos deverão ficar atentos para não perderem a oportunidade de voltar a encontrar os amigos dos bancos escolares e de matar saudades dos bons tempos de estudante. Os alunos atuais também deverão participar das comemorações,num verdadeiro congraçamento entre o passado e o presente da instituição. O site também pode ser alimentado com postagem de fotos que os interessados tiverem guardado,  das diversas turmas, anos e situações. Vamos participar!                                                
 
 
 
A RODADA DO BRASILEIRÃO.
 
Santos e São Paulo fizeram neste domingo, na Vila Belmiro, um clássico tecnicamente ruim. Sem Neymar, Paulo Henrique Ganso e Arouca, pelo Peixe e Lucas, pelo São Paulo, além do desfalque de  vários titulares de lado a lado, os atletas erraram muitos passes, fizeram muitas faltas e não conseguiram levar perigo efetivo à meta dos goleiros Rafael e Rogério Ceni. Resultado: Um 0 a 0, que reflete a precariedade do jogo. Pior para o Santos que continua com risco de cair para a zona do rebaixamento e vinha de três derrotas seguidas. O Corinthians, ontem, no Pacaembú, em 10 minutos, liquidou o adversário, o bom e regular Grêmio, que tinha chance de ocupar a liderança do campeonato, ainda que provisória, no caso de vitória. Com gols de Ralf e dos garotos Gilherme e Giovanni, este último, um golaço, o Timão se recuperou da derrota, no meio da semana, para o Figueirense, mas continua lá pelo meio da tabela, sem grandes chances de disputar o título e desinteressado pela disputa por uma vaga na Libertadores, vaga essa que já tem garantida por ser o último campeão. O objetivo mais próximo é o Mundial em dezembro no Japão e a equipe precisa de ritmo de jogo, sem dúvida. O Flamengo voltou a perder, e de goleada, desta vez para o Coritiba, na capital paranaense: 3 a 0.  Em queda livre no campeonato, a crise deve tomar conta da equipe da Gávea, que tem bons jogadores e não poderia fazer uma campanha tão frágil, sobretudo porque há risco de rebaixamento, a julgar pelo aproveitamento das últimas partidas. O Fluminense chega a 50 pontos com a grande vitória sobre o Internacional, no Beira Rio, por 1 a 0, gol do centroavante Fred, que assumiu a artilharia isolada do Brasileirão, com 11 gols. E o Botafogo, parece ter desencantado ao bater o Náutico, no Engenhão, por 3 a 1. A torcida da Ponte Preta esperava uma grande vitória no Moisés Lucarelli, neste sábado,contra o Figueirense, para embalar de vez e caminhar firme para a disputa de uma vaga na Copa Sulamericana. Mas a Macaca ficou no empate contra a equipe catarinense, pelo placar de 2 a 2. O resultado, pelo que foi o jogo, acabou ainda sendo razoável, pois a equipe da casa, depois de fazer 1 a 0, viu o adversário virar o placar, ainda no primeiro tempo, para 2 a 1. Só no 2º tempo é que conseguiu o empate, resultado final. O que se viu no jogo foi um Figueirense perigoso e que tem na frente os bons atacantes Caio e Aloisio, que poderiam jogar em qualquer das agremiações de primeira linha do futebol brasileiro e estrangeiro.  Parece que o problema da equipe é mesmo a defesa, que é fraca. Do contrário, com esses atacantes, não se compreenderia que permanecesse até aqui na zona de rebaixamento. Olho neles! 
 
A RODADA DA SEGUNDONA
 
Na  Segundona não teve grandes surpresas. A derrota do Criciúma, em casa, para o América Mineiro não seria tão ilógica, em um campeonato com equipes parelhas, não fosse pelo elástico placar de 4 a 0. O América, que já esteve na liderança do campeonato e muito tempo ali no G4, caiu de produção nas últimas rodadas e, antes dessa vitória, ocupava o modesto 8º lugar na tabela. Mas a reação dos times que estavam na zona intermediária no primeiro turno, era esperada, assim como a queda das equipes que ocupavam a ponta, num campeonato longo como este, de oito meses. A derrota do Guarani para o Ceará, em Fortaleza, pela contagem mínima, frustra os seus torcedores que já apostavam na continuidade de uma reação também esperada. O Bugre estava sem perder a 5 rodadas,  vinha de duas grandes vitórias fora de casa, contra São Caetano e Boa Esporte e de uma virada sensacional, no Brinco, na última rodada, contra o Joinville, vitórias essas com o mesmo placar: 2 a 1. No Ceará, no entanto, o time se esforçou, mas com a suspensão de Danilo Sacramento e a contusão de Fumagalli,  sentiu a falta de um homem de referência no meio de campo, um meia de criação que pudesse coordenar o setor e alimentar o ataque, que teve Schwenck e Rafael Oliveira, e posteriormente, um terceiro atacante, Ronaldo,   sem chances e sem brilho.  O Atlético Paranaense  mostrou que está recuperado e a vítima foi o Barueri que, mesmo em casa, sofreu uma acachapante derrota por 6 a 0. O Furacão chegou a 40 pontos e encosta no G4. No mais, a vitória do Goiás sobre o CRB, por 2 a 0, em Maceió,  confirma o bom  campeonato do time goiano e a sua condição de visitante indesejado.  E uma surpresa um pouco menos contundente foi a derrota do São Caetano, em casa, para o frágil ABC por 1 a 0, a primeira  do técnico Leão, desde que assumiu o Azulão. Estacionado nos 40 pontos, a equipe do São Caetano deixa a zona de acesso, ao menos até a próxima rodada.
 
PARAOLIMPÍADAS
 
Terminaram, em  Londres, as Paraolimpíadas,  uma competição paralela às Olimpíadas. Os competidores são  pessoas de todo o mundo que fizeram de limitações físicas ou mentais um desafio de vida e que disputam as provas de diversos esportes,  com a mesma competência e dignidade dos atletas sem limitações. O Brasil, confirmando uma tradição que vem sendo mantida nos últimos anos, apresentou  desempenho extraordinário e terminou a competição em 7º lugar, a melhor colocação de todos os tempos. Foram 43 medalhas, sendo 21 de ouro, 14 de prata e 8 de bronze, atrás apenas uma colocação dos Estados Unidos da América, que terminaram em 6º lugar. Daniel Dias, na natação, foi fantástico. Disputou 6 provas e obteve 6 medalhas de ouro. É o atleta que mais medalhas conquistou para o Brasil em todas as versões da competição. A todos eles rendemos a nossa homenagem e o nosso agradecimento. Gente exemplar que mostra a todos nós o que significa vontade e superação. Parabéns!
 
Até amanhã.
 
P.S. (1) A primeira imagem da coluna é do atleta paraolímpico Daniel Dias, o recordista de medalhas de ouro (6) para o Brasil,na natação e foi emprestada do site jm1.com.br. As fotos do meio da coluna são, respectivamente, do jovem atacante Aloísio, destaque do Figueirense,  e do atual artilheiro do campeonato brasileiro, o centroavante, Fred, do Fluminense, com 11 gols. As fotos foram emprestadas dos  sites esportes.terra.com.br e santaritahome.com.br, respectivamente. A última foto é de Giovanni, jovem atacante do Corinthians, responsável por um dos golaços da rodada e foi emprestada do site meutimao.com.br.
 
 
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

SETE DE SETEMBRO E O DISCURSO DA PRESIDENTA

Boa tarde amigos,
Entre um e outro intervalo da novela Avenida Brasil, a TV anunciou, em rede nacional, o pronunciamento da Presidenta Dilma Roussef. Véspera do feriado da Independência, a Presidenta reiterou o discurso, cuja tônica tem sido a relativa independência da economia do país, em relação aos efeitos devastadores da crise que vem assolando a Comunidade Européia, por ela adjetivada  da pior de toda a história do Velho Mundo. Continuou elogiando a política econômica de seu governo, ressaltou que graças a essa política foi possível tirar 40 milhões de brasileiros da linha da pobreza e, ainda, de manter índices que indicam um notório crescimento sustentável da economia. A novidade ficou por conta do reconhecimento de que o mercado brasileiro precisa ganhar urgentemente competitividade e para isso indispensável o barateamento do custo da produção. Como sinal da boa vontade governamental em colaborar com a redução do custo, anunciou que a partir de 2.013, a tarifa de energia elétrica será reduzida em todo o país, num estimado patamar  médio de 16% para os consumidores domésticos e de até 28% para a indústria. Prometeu, ainda, manter a política de  redução de  impostos e de investimentos para melhorar as condições de transporte em rodovias e ferrovias e um programa de melhoria da eficiência de portos e aeroportos. São estimados R$133 bilhões os investimentos nessa área. Nesse ponto, fez veladas críticas à política de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso e de  parcerias, que reputou frágeis pela fraca intervenção estatal, garantindo que no seu governo as parcerias terão perfil diferente. Ao reconhecer a necessidade de competitividade de nossos produtos para concorrer no mercado internacional, e, assim, assegurar níveis de exportação iguais ou superiores ao que o Brasil vinha conseguindo antes da crise européia, a Presidenta enfatiza o óbvio, como também não se ignora que o lento e precário escoamento de mercadorias, pela péssima malha viária desse país-continente, eleva o frete e incrementa o valor final que o consumidor terá que pagar pelo produto. As medidas anunciadas são mais do que benvindas e não acredito que  qualquer economista discorde delas. Aliás, a melhoria nas condições de transporte, incluindo o rodoviário, o ferroviário e o aéreo, também é pressuposto de sucesso do  projeto logístico do país que tem o dever de ser bom e competente anfitrião da Copa do Mundo de 2.014 e das Olimpíadas de 2.016. A questão é saber quem vai pagar a conta ou de onde vão sair os recursos para cobrir o subsídio e o financiamento, respectivamente. O dilema é grande. Para que a redução de impostos  não sacrifique os programas sociais, que o próprio governo considera prioridade, será preciso reduzir drasticamente o déficit público, coisa que nem este, nem os anteriores governos, conseguiram. Sem essa providência, e porque a equação econômica não é fruto de milagre, retirar dinheiro dos programas sociais implicaria em reduzir ou eliminar poder aquisitivo que tem garantido o nível de consumo e este o da produção. A produção, por seu turno, garante o nível de empregos e, por via de consequência, o poder de consumo. Só a redução de juros (Dilma comemorou a redução da taxa básica da Selic, hoje em 7,5% ao ano) e a redução de impostos federais para alguns setores pontuais, como ocorreu recentemente com o mercado automotivo, não irão garantir a manutenção do poder de compra e o giro necessário para o crescimento da economia. Sem que se efetive no país, uma ampla reforma tributária, sem a redução do déficit público e o efetivo combate à corrupção, mazela difícil de dizimar, as medidas que forem adotadas serão sempre parciais e emergenciais, para tentar apagar o “fogo”. Em economia não há muito mistério. É preciso compreender que a Europa está importando menos, por conta da crise e das medidas de proteção da economia interna dos países que compõem a União Européia. E ao importar menos vai exigir preço e qualidade. E o Brasil, exatamente pelo alto custo de seus produtos de exportação, não tem condições de competir com China e Índia. Perdendo competitividade e fatias do mercado internacional, a produção só continuará no mesmo patamar, se houver a absorção dela internamente. Para isso é indispensável o crescimento da  economia e  a manutenção dos empregos. O grande desafio do governo, então, será de conseguir reduzir impostos, criar subsídios que possam contribuir na redução do custo dos produtos, como a exportação de máquinas e equipamentos modernos,  sem corte nos programas sociais, elevando  ou mantendo os patamares do PIB anteriores à crise e fazendo com que esses produtos cheguem aos diversos mercados internos, sem o incremento de um frete, talvez o mais elevado do mundo, por força de uma malha viária incipiente e sucateada.
Até amanhã.
P.S. (1)  Dilma voltou a reclamar dos bancos e financeira privados efetiva  redução nas taxas de juros de empréstimos e cheque especial, a exemplo do que já anunciaram a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. A primeira fala em redução de até 58% e o segundo, de 30% em média.
P.S. (2) O preço dos automóveis no Brasil é um dos mais altos do mundo. E não é apenas porque a carga tributária embutida no preço é igualmente elevada. Mesmo abstraindo-se o valor do imposto, os preços praticados pelas montadoras no Brasil são exagerados, tanto assim que as multinacionais têm conseguido fechar a conta em vermelho de agências de outros países, ou de seus países de origem, na atual crise européia,  graças aos lucros que obtêm no Brasil.  E o governo, ao  impor  imposto de importação absolutamente proibitivo,  acaba, sem querer,  contribuindo para que o preço dos veículos no país, continue em altos patamares, por falta de efetiva concorrência, em benefício de nós, consumidores acostumados a pagar caro e a exigir pouca qualidade.
P.S. (3) Gostei, e muito, do adjetivo que a Presidenta usou para reclamar dos bancos e financeiras uma redução nos lucros. Vejam um trecho do pronunciamento, a esse respeito: “Isso (o corte da Selic) me alegra, mas ainda não estou satisfeita porque os bancos, as financeiras e, de forma muitos especial, os cartões de crédito podem reduzir ainda mais as taxas cobradas ao consumidor final, diminuindo seus ganhos para níveis civilizados”.  Níveis “civilizados” é muito bom, não acham?
P.S. (4) A imagem da coluna de hoje (emprestada do site colunistas.ig.com.br) é de um retrato feito pelo artista plástico pernambucano, radicado em Miami, Romero Britto, da Presidenta Dilma Roussef, em 2.011. A tela foi presenteada  à Dilma em visita feita pelo artista ao Palácio do Planalto e é fiel ao estilo consagrado por Britto em suas obras geométricas e com cores fortes e alegres. Segundo ele, a obra é uma homenagem à Dilma e a todas as  mulheres da América do Sul.