terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

GASTRONOMIA - CHURRASCARIA SULINA


Boa noite amigos.

A "churrascaria" ou "steak house", casa especializada em bifes com cortes especiais, surgiu no final do século 19, nos Estados Unidos da América, como complemento de serviços de pousadas e bares tradicionais. O charmoso Distrito de Sousas, aqui em Campinas, São Paulo, tem cada vez mais se tornado um interessante centro gastronômico, congregando bares, lanchonetes, restaurantes refinados, tratorias e churrascarias. Logo que você chega pela Avenida Antonio Carlos Couto de Barros, que une o Distrito ao município de Campinas, lá está majestoso, o badalado restaurante francês, Le Troquet, sobre cuja gastronomia e serviços falarei um dia desses. Mas não posso deixar de tratar hoje de uma tradicional churrascaria, que está ali funcionando, na mesma Avenida, mais adiante, antes da ponte sobre o rio Atibaia, há quase 40 anos. É a Sulina, a velha Sulina, a sempre boa e aconchegante Sulina. Há muito tempo que não íamos lá. O meu genro, que não se manifesta quase nunca, confidenciou que estava com vontade de voltar ao local. Marcamos um almoço para o último domingo. O restaurante funciona  num casarão de frente para a avenida, com um terreno anexo, que serve de estacionamento. Dentro há espaços para muitas mesas, algumas mais amplas destinadas à acomodação de famílias numerosas. E outras menores. Todas de madeira rústica, lembrando uma grande casa de fazenda. Os garçons são sempre gentis e simples são o ambiente, os copos e os talheres. A especialidade da casa são as carnes servidas em porções individuais ou coletivas, sempre generosas. No cartão, cuja imagem copiei para a coluna,  o cardápio principal registra  carne bovina, suína, frangos e peixes. Mas o imperdível mesmo, a especialidade mais importante da casa, é o T-Bone (vide imagem acima) preparado com muito capricho e que degustado com arroz e farofa, acompanhado de cerveja estupidamente gelada (Original ou Bohemia), ou um bom vinho,  é inesquecível e não fica devendo nada para as bistecas servidas nos restaurantes de Firenze, pois o T-Bone,  é um dos pratos mais apreciados da cozinha fiorentina. Mas não despreze o bom churrasco de lombo de porco ou mesmo o frango, para quem prefere. Todas as carnes oferecidas no menu são muito boas, de cortes especiais e bem preparadas. Chegando, peça uma caipirinha ou caipiroska para abrir o apetite. E outra especialidade da casa são  aquelas batatinhas pequenas cozidas e temperadas, que me fazem lembrar os casamentos de antigamente, quando as festas aconteciam na casa da noiva, do noivo ou do padrinho e logo que você chegava encontrava uma tina com as tais batatinhas mergulhadas em óleo ou azeite (acho que era óleo mesmo). Ali o convidado já se empanturrava e acalmava a ansiedade para enfrentar o que vinha depois. Se é que vinha. Peça também uma polentinha frita. E depois o prato principal. Se conseguir, após esse “manjar” coma alguma coisa de sobremesa e tome um cafezinho. Pronto. Um almoço de domingo perfeitíssimo, completado com um cochilo de  1 (uma)  hora antes do jogo das 4. Melhor que isso só se o seu time vencer. Bem, a Churrascaria Sulina fica na Avenida Antonio Carlos Couto de Barros, n. 633, Vila Sonia,  no Distrito de Sousas. O telefone é 3258-1970 ou 3258-6939. Almoço de terça a domingo, das 11 às 15 horas e jantar, também de terça a sábado, das 19 às 23 horas. Domingo apenas almoço até às 15,30 horas. Fecha às segundas-feiras. Os preços são absolutamente honestos para a qualidade e quantidade que é servida.
Boa noite, amigos.




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SOBRE O OSCAR 2012 E O FUTEBOL NO FIM DE SEMANA



Boa tarde amigos,
Para os cultores e apreciadores da sétima arte como nós, o grande acontecimento deste final de semana foi a entrega do Oscar, tradicional prêmio da academia americana. Para os amantes do futebol mais uma rodada sempre importante dos campeonatos estaduais, sobretudo os de São Paulo e  Rio de Janeiro. Por isso, vou mesclar os assuntos. Um lá, outro cá:
° “O Artista”, o grande favorito a melhor filme confirmou esse favoritismo. O filme francês ficou com mais quatro estatuetas, além da de melhor filme, sem dúvida, o principal prêmio da academia: melhor ator para Jean Dujardin, melhor direção para Michel Hazanavicius, melhor figurino e trilha sonora original;
° O favorito Vasco da Gama perdeu o título da Taça Guanabara para o surpreendente Fluminense (3 a 1). Quem diria: o Vasco fez um campeonato irrepreensível, não tendo perdido nenhuma partida, enquanto o Fluminense, para se classificar  ao quadrangular decisivo, dependeu de outros resultados e até da vitória do tradicional adversário sobre equipes de menor expressão.  Essa fórmula do campeonato carioca pode ser empolgante e imprevisível, mas é extremamente injusta;
° Foi a primeira vez que um diretor estrangeiro, no caso o francês Michel Hazanavicius ganha o Oscar de melhor direção. A estatueta nessa categoria jamais foi dada a um diretor não americano, mesmo que esse diretor tenha dirigido filme americano. Michel, com o seu inusitado filme mudo, em branco e preto, também rompe um tabu;
° O Guarani que vinha de cinco vitórias, fazendo excelente campanha no Paulistão-2012,  perdeu para o fraco time do Guaratinguetá, na casa do adversário. Com a vitória o Guara (que no ano passado foi para Americana e se chamava Americana) deixou a zona de rebaixamento. O Bugre, mesmo com a derrota, foi favorecido pelo empate entre São Paulo e Palmeiras e continuou na vice-liderança do campeonato, com 22 pontos, a mesma pontuação do Verdão. O Guarani, no entanto, vence no primeiro critério de desempate: tem 7 vitórias, contra 6 da equipe do Parque Antarctica;
° “Hugo”, o filme de Scorsese  que no Brasil e em Portugal recebeu o nome de “A invenção de Hugo Cabret” empatou com “O Artista” em número de estatuetas: 5. Mas venceu em categorias técnicas, como efeitos especiais, fotografia, mixagem, direção de arte e edição de som. Não vi ainda o filme, mas os amigos garantem que vale a pena. É outra película em homenagem ao cinema. Ao contrário, porém, de The Artist,  usa e abusa das cores, luzes e efeitos especiais. É para assistir em 3D;
° O zagueiro Domingos, suspenso pelo terceiro cartão amarelo e o meia Fábio Bahia, em decorrência de contusão, foram os desfalques do Bugre na derrota para o Guará e sem dúvida, ambos fizeram muita falta no jogo de ontem.Pelo que vinham fazendo esses jogadores , os substitutos não lograram desempenho nem de longe equivalente ou proporcional. Paciência! É a história de se  ter um time e de se  ter um elenco. Ainda bem que o campeonato é curto e que, a esta altura, provavelmente, o Bugre já esteja livre de qualquer cogitação de rebaixamento. Pelo menos;
° Se há um prêmio que ninguém discorda é a estatueta de melhor atriz para a fantástica Meryl Streep. Encarnando, com perfeição,  a ex-primeira ministra inglesa, Margareth Tatcher, Meryl abiscoitou o prêmio por sua atuação no drama “A Dama de Ferro”, um filme apenas razoável. Foi a 17ª. indicação de Streep e a 3ª. estatueta que conquista;
 ° Torcedores da Ponte Preta promoveram desordem, depredando dependência do Estádio do Majestoso, aqui em Campinas. Esses torcedores (ou arruaceiros, como se preferir), estavam inconformados com os últimos resultados obtidos pela equipe, especialmente pela goleada sofrida no sábado, em Barueri, quando a Macaca perdeu para a equipe do Santos, pelo elástico placar de 6 a 1, a maior goleada até aqui do Campeonato Paulista. Que a Ponte não vem correspondendo à expectativa de seus torcedores e da imprensa em geral quando o campeonato iniciou, não há dúvida, sobretudo porque subiu para a série A do Brasileiro, tendo realizado um grande campeonato da série B. Mas o futebol também é feito de circunstâncias. E se a derrota para o bom time do Santos seria normal, há que se considerar que a Macaca teve três jogadores expulsos, o que se não justifica, ao menos explica o placar dilatado. O melhor nessa hora é ter calma e trabalhar para que as falhas que vêm ocorrendo não se repitam nos próximos jogos. Importante também é trabalhar o lado psicológico dos jogadores.
° O Oscar, segundo muitos críticos, é um prêmio instituído por academia americana para premiar americanos. E isso parece indiscutível. A questão política das indicações e a força de certas agências que interferem nas aludidas indicações também é indiscutível. Para os estrangeiros, dizem, já há uma categoria especial: Melhor filme estrangeiro. E já está bom demais, pensam. Bem mas é o filme francês que venceu? Bom, não vamos esquecer que foi uma agência americana quem adquiriu todos os direitos de distribuição do filme. Senão, duvido que tivesse chance.
° A Portuguesa de Desportos, campeã da série B do Campeonato Brasileiro do ano passado, está fazendo uma campanha decepcionante no Paulistão, mantendo-se longe do G8, o grupo das equipes que se classificarão para a fase subsequente do torneio. Outro que trazia expectativa de um retorno consolidado para a 1ª. divisão, tendo sido campeão da segundona, foi o XV de Piracicaba. A campanha, porém, é decepcionante e há quem já considere, a esta altura, que o XV experimentará novo rebaixamento. Será uma pena, pois os torcedores fanáticos da equipe do “Nho Quim”, não merecem esse sofrimento, depois de tantos anos vendo o time tentar o acesso para a principal divisão do campeonato paulista.
° Foi decepcionante, mas esperada, a vitória da chata música do The Muppet  sobre a música original do filme Rio, de autoria de Carlinhos Brown e Sérgio Mendes. Bairrismo, terrível! É inexplicável também que a linda animação “Rio”, do carioca Carlos Saldanha, tenha ficado de fora das indicações para essa categoria. Quem viu os concorrentes certamente chegará a mesma opinião. Sem bairrismo, inclusive;
°  Premio merecido foi o de melhor roteiro original para “Meia-Noite em Paris”, o excelente filme de Wood Allen. Se você não foi ver, vá. Você sai do cinema com a cabeça leve, os olhos ainda experimentando as maravilhas de uma poética Paris e com boas lembranças dos grandes intelectuais e artistas  dos anos 20.
° O clássico entre Palmeiras e São Paulo não foi excepcional tecnicamente. Valeu pelo empenho das duas equipes e pelo número de gols: 6, sendo 3 para cada lado, o que mostra o equilíbrio do jogo. Para as pretensões dos times no campeonato até que não foi bom. O Palmeiras não reconquistou a liderança e ficou parado no lugar que estava na tabela: terceiro. O São Paulo ficou fora do G4 e foi ultrapassado pelo Santos que venceu , no sábado, a Ponte Preta. Mas as diferenças continuam mínimas, a justificar um campeonato equilibrado, pelo menos entre as grandes equipes. 

P.S. A imagem do periquito e do velhinho que ilustra esta coluna hoje foi emprestada do site tv.2010.com.br.

Até amanhã amigos.



domingo, 26 de fevereiro de 2012

CINEMA - O ARTISTA E ENTREGA DO OSCAR


Bom dia amigos,

Hoje é dia da entrega do Oscar, o mais famoso e tradicional prêmio conferido ao cinema. A torcida brasileira é toda para a trilha sonora do filme Rio, dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, mas que concorre numa única categoria: a de melhor trilha sonora original, pela música de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, Real in Rio.  Importante anotar que a música tem uma única concorrente, Man Or Muppet, de Bret Mckenzie, integrante da trilha sonora do filme Os Muppet,  e, ao menos do ponto de vista aritmético, 50% de chance de levar a estatueta. Vamos fazer figa até o horário da abertura dos envelopes. Se a trilha ganhar, será o primeiro Oscar brasileiro da história.  A TNT, canal de assinatura n.  48 da Net, transmite toda a solenidade a partir das 20,30 horas.  A Globo, canal aberto, também transmite, mas só a partir das 23,00 horas, isto é, depois do Fantástico e do Big Brother.  

O ARTISTA

Com título original, THE ARSTIST, traduzido para Portugal e Brasil como O ARTISTA, o filme é mudo e em branco e preto. Drama, Comédia Dramática ou musical, como queiram,  franco/belga, em  100 minutos deliciosos de homenagem à sétima arte. O cenário é a nostálgica Hollywood da década de 20. No argumento, o  veterano ator, George Valentin (Jean Dujardin)  vê o declínio de sua carreira, com a chegada do cinema falado, e com ele assiste ao sucesso de uma jovem dançarina, Peppy Miller (Bérénice Bejo) ,  a qual tinha auxiliado no começo da carreira e por quem se apaixona.  A direção é de Michel Hazanavicius, que confessa ter, durante muitos anos, sonhado em fazer um filme mudo, porque grande parte dos cineastas que admira era dessa época do cinema.  Por outro lado considera que  havia um fascínio pela predominância da imagem  no formato. Nunca, porém, teria sido levado suficientemente a sério nessa empreitada, finalmente realizada agora em 2.011, com absoluto sucesso e originalidade. Realmente é impressionante, especialmente para essa jovem geração que não deve perder a oportunidade de ver a reconstituição impecável da técnica do cinema mudo, como era preciso ter talento, quando toda a mensagem, a ação e as emoções de um filme  tinham que  ser transmitidas aos espectadores, sem qualquer diálogo e, no máximo, com a inserção de  algumas legendas explicativas escritas. Nessa arte o papel da trilha sonora também passou a ser fundamental, operando como valiosa técnica auxiliar na experimentação das  várias sensações vivenciadas pelos personagens, segundo o roteiro (alegria, tristeza, nostalgia, saudade, terror etc.).   A distribuição é da Paris Filmes. Roteiro original surpreendente, como excelente a atuação dos artistas (o francês Jean Dujardin compete com George Clooney pelo Oscar de Melhor Ator),  e do pequeno cão, Uggie, de 10 anos,  da raça Jack Russel Terrier,  com uma atuação comovente e inesquecível e que dá origem a um concurso recém-lançado em Hollywood (Coleira de Ouro), para premiar a atuação do melhor cão do cinema. Omar Von Muller, o treinador de Uggie, recebeu o prêmio na noite de segunda feira, 13 de janeiro (Um colar de cristais Swarovski, com um pingente em forma de osso). O cão também recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes do ano passado (Palma Canina) e seu treinador anunciou sua aposentadoria, após a atuação no longa. Fui ver o filme neste fim de semana,  em sala de exibição (Topázio) do Shopping Prado, que tem se especializado em cinema de arte, captando grande público aqui em Campinas. O filme realmente satisfez a expectativa que tinha em torno dele. Dos bons filmes indicados ao Oscar que assisti e comentei nesta coluna (Os Descendentes, A Separação e, agora, o Artista) é o mais original e, portanto, cinco estrelas na avaliação. Não deixe de ver de jeito nenhum. Está indicado ao Oscar em 10 categorias.

P.S. (1) Na imagem acima n. 1, emprestada do site portaldasnoticias.com,  os atores principais do filme, Jean Dijardin e  Bérénice Bejo. P.S. (2) Na imagem n. 2, emprestada do site cinema.uol.com.br, o cãozinho Uggie, grande estrela e grande atuação do filme.

Até amanhã.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

DIREITO DE VISITA DOS AVÓS - DISTRIBUINDO AFETOS


Boa tarde amigos,

Questão tormentosa no Direito de Família diz respeito a se saber se  outros parentes da criança ou adolescente podem exigir dos pais do menor, no caso de  dissidência ou afastamento, o direito de visita.  O fundamento desse direito, a mim parece óbvio, é a solidariedade familiar, os direitos e deveres recíprocos que moral e juridicamente envolvem os parentes, e  a harmonia familiar vista esta, tanto quanto possível,  no seu sentido mais amplo. E o que estabelece a lei a respeito? Bem num primeiro plano e de maneira expressa, tanto o Código Civil de 1.916, quanto o  Código atual, de 2.002, não previram originariamente direito de visitação por parte de outros parentes, além do pai e da mãe que, por circunstâncias, convenção ou condenação, não tinham ou não têm a guarda do menor. Ao cônjuge guardião impõe a lei o dever de permitir que o outro cônjuge, igualmente detentor do chamado “poder familiar” (antigo pátrio poder) possa visitá-lo, para que o convívio entre pais e filhos se possa fazer de maneira ampla e efetiva,  sem prejuízo da separação ou do divórcio. Com efeito, estabelece o art. 1.589 do Código Civil em vigor que: “O pai ou a mãe, em cuja guarda não estejam os filhos, poderá visitá-los e tê-los em sua companhia, segundo o que acordar com o outro cônjuge, ou for fixado pelo juiz, bem como fiscalizar sua manutenção e educação”.   E quanto aos avós?  Bem, como se disse não dispunha a lei no sentido de assegurar essa prerrogativa, mas por proposta do dinâmico Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), a Lei 12.344, de 09 de dezembro de 2.010, acrescentou  parágrafo único  ao art. 1.589 do Código Civil, dispondo nesse sentido: “O direito de visita estende-se a qualquer dos avós, a critério do juiz, observados os interesses da criança ou do adolescente” . A bem da verdade, a jurisprudência sempre se pronunciou favoravelmente sobre pretensões dessa natureza, quando chamada a decidir em casos concretos, vindo a lei apenas a chancelar ou sacramentar o que estava sedimentado por construção pretoriana, elaborada a partir dos princípios que inspiram, como se disse, o chamado Direito de Família moderno. Penso que o assunto não se esgota aí. O pedido pode ser deferido, por exemplo, em favor de um tio, ou de um sobrinho, de um irmão, de um amigo? Bem, a questão aí merece algumas considerações. O Código Civil de 2.002, ao contrário do anterior revogado, criou um sistema de normas abertas, que possibilita ao juiz elaborar, em face da casuística que lhe é apresentada, a norma a ser aplicada no caso concreto, consoante o sentido de justiça e equidade. Ora, se certos parentes na linha reta e colateral são herdeiros, uns dos outros, em caso de sucessão; se esses mesmos parentes podem ser chamados a prestar alimentos à criança ou adolescente, o fato é que  por questão de reciprocidade, a eles deve ser assegurado, também, o direito de visita. Recebí há alguns anos no escritório, o tio de um adolescente desesperado para visitar seu sobrinho que sofrera uma cirurgia delicada e estava correndo sério risco de morte. O pai, por uma briga interna na família, não permitia que esse tio, e mesmo os avós, visitassem o menor. As relações entre esse tio, que era inclusive solteiro e vivia com os pais, avós do menor,  e o adolescente, eram fortes afetivamente e tanto um, quanto o outro, segundo se dizia na ocasião, queriam muito se avistar. Ora, nesse caso, algum juiz negaria o direito de visita a esse tio? Mais do que isso, negaria, ao próprio adolescente, a prerrogativa de estar com o parente querido? A resposta só pode ser negativa. Bem, se se reconhece que o Direito de Família hoje, inclusive no que toca à união estável e ao próprio casamento, se funda primordialmente nas relações afetivas e não em outro elemento, a pretensão pode ser deduzida por qualquer parente e até por amigos, sem parentesco. A diferença consistirá apenas, no meu modo de ver, à prova exigida pelo Magistrado. Em se tratando de parentes  na linha reta ou colateral até o segundo grau (irmãos), haverá presunção dessa afetividade e do bom relacionamento com o incapaz, presunção essa que, todavia, poderá ser desfeita, por prova em contrário, a cargo dos pais ou do genitor que se recusa a permitir o convívio.  Se o parentesco for além desse limite, ou inexistir, será preciso demonstrar, antes, por todo e qualquer  meio de prova, que existe uma ligação afetiva especial  entre o incapaz e aquele que pretende exercer o direito de visita. Também será importante verificar, especialmente no caso de adolescente, se ele concorda com a visita (para tanto o Magistrado pode e deve ouvir informalmente o menor),  e discutir uma forma que preserve o cotidiano e o dia-a-dia do incapaz e de seus pais. É também relevante registrar que infelizmente muitos pais, por egoísmo ou por falta de compreensão quanto à necessidade de convívio e afetividade da criança e adolescente também com os avós, tios e parentes próximos, acabam afastando-os desses parentes ou criando, em relação a eles, por eventualmente não terem a mesma forma de vida, a mesma origem, as mesmas condições econômicas e outras circunstâncias,  preconceito que não pode ser admitido. A criança e o adolescente precisam sentir que existem outras formas de vida além daquelas vivenciadas no seu lar, entre seus pais, ou relativamente ao genitor-guardião. E que o filho não constitui propriedade de seus pais, mas antes é fruto de uma cadeia genética e histórica de seus ancestrais, que podem ser, sem exclusão, alemães e índios, negros e franceses, paranaenses e mineiros,  e daí por diante.  Num país como o Brasil, praticamente todos nós somos fruto de uma saudosa miscigenação.  Agora lembrei daquela toada do Chico Buarque que começa dizendo assim: “O meu  pai era paulista. Meu avô pernambucano. O meu bisavô mineiro, Meu tataravô baiano. Meu maestro soberano. Foi Antonio Brasileiro” .   Deixe a criança e o adolescente participarem do convívio, desde que saudável, com os avós paternos e maternos e outros parentes, deles recebendo, e podendo a eles também oferecer,  os afetos que o ser humano precisa para ser sentir estimado neste mundo de tantas incompreensões e violências. Garanto que o resultado será muito bom para todos.

Até amanhã.

  


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A VOLTA DA BOLA NOS CAMPOS DEPOIS DO CARNAVAL


Boa noite amigos,

Mais uma rodada de meio de semana do Paulistão e semifinais da Taça Guanabara. São Paulo e Bragantino fizeram um grande jogo em Bragança Paulista, com uma chuva de gols: 6. Três para cada lado. Final: empate que teve de tudo. Braga saindo na frente com 2 gols. Pênalti assinalado pelo árbitro em favor do São Paulo. Empate em 2 a 2 no primeiro tempo. Virada tricolor no segundo tempo e novo empate relâmpago do Bragantino, em falha da defesa tricolor, com um gol de cabeça  do bom  Romarinho. Muitos erros de passe e prevalência manifesta dos ataques sobre as defesas. O Coringão bateu a Portuguesa  no Pacaembu por 2 a 0 e assumiu a liderança do campeonato pelo menos até amanhã, quando o Palmeiras joga contra o Oeste. O Bugre também encara amanhã, em casa, o XV de Piracicaba, que vem de péssima campanha e está na zona do rebaixamento. Mesmo assim não terá moleza, pois se trata de um clássico regional de muita tradição. Mas a situação do Bugre é tão boa nesta altura, no campeonato, que qualquer que seja o resultado do jogo amanhã, não perderá a 3ª. Posição na tabela. A Ponte, agora no Majestoso,  voltou a ganhar depois de 4 partidas sem vitória, do Ituano, pelo placar de 1 a 0, gol de Rodrigo Pimpão, que entrou e resolveu desta vez. a Macaca, com a vitória, mantem-se  no G8, o que é importante. Os destaques da rodada no meu modo de ver foram os seguintes: a) Neymar  foi, sem dúvida, o grande responsável pela nova vitória do Peixe (2 a 0), nesta noite, sobre o Comercial de Ribeirão Preto, em Barueri. Participou dos dois gols e fez jogadas fenomenais, lembrando as arrancadas de Messi quando parece que a bola gruda nos pés e nenhum adversário consegue retirá-la; b) não houve pênalti do goleiro Rafael sobre Jadson,  no primeiro gol tricolor e o tal do 4º bandeira estava na cara do lance e não se manifestou. A pergunta é a seguinte: Pra que esses dois bandeiras adicionais se eles, mesmo verificando erro do árbitro nada fazem ou não ouvidos? Outro dia aconteceu a mesma coisa num jogo do Corinthians. Não tenho visto erros dessa natureza ou omissão, em favor dos times do interior. Nem da Portuguesa de Desportos que tomou o segundo gol corintiano em jogada que começou na ponta direita com William completamente impedido; c) Olho neste menino chamado Romarinho, o número sete do Bragantino. É veloz, tem boa técnica, puxa bem contra-ataque e até finaliza; d) Deivid perdeu um gol incrível para o Flamengo contra o Vasco, na derrota do Fla por 2 a 1 no clássico desta noite. Não deixe de ver nos vídeos da Internet; e) o goleiro Felipe, do Fla, está em péssima fase. Falhou nos dois gols do Vasco, pois em ambos rebateu a bola para  a frente, onde ela encontrou, nas duas vezes, dois atacantes vascaínos que fizeram os gols. Azar do Flamengo que, assim, fica de fora da final da Taça Guanabara, domingo, contra o vencedor de Botafogo e Fluminense, a outra semifinal marcada para amanhã.

E de importante é só.

Até amanhã.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

É CARNAVAL!


Boa noite amigos, 
Estamos no carnaval e a magia da bola deixa os campos por todo o Brasil, substituída pelos confetes e serpentinas, para alcançar as ruas e os salões, os Sambódromos e as Sapucais da vida. O Tênis Clube de Campinas resgatou os seus bailes de carnaval, com essa diretoria, sob Presidência do Renato Maudonnet. E a cobertura da festa de Momo, por todo o Brasil, feita pelas emissoras de televisão é a maior que já se viu. Além disso,  mais de 100 países transmitem o carnaval das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, que é sem dúvida, o maior espetáculo da terra.

CARNAVAL DO RIO DE JANEIRO I
O carnaval do Rio há muito deixou de ser uma simples festa popular que reúne gente de todas as classes e de todos os morros, para se tornar uma grande festa profissional, que movimenta milhões em dinheiro, gente, emprego, em torno de confecções, matérias primas, poetas, cantores, compositores e  turismo em geral (hotéis, restaurantes, casas de espetáculos etc.etc.). Não é à toa que a ameaça mais séria feita por policiais militares que pretendiam entrar em greve na Bahia e no Rio de Janeiro, foi a de que não haveria segurança e, portanto, não haveria carnaval, nem no Rio, nem na terra de Caymi e Jorge Amado. A greve não aconteceu e a festa está garantida. O Carnaval deve ser uma festa de todas as tribos, de todas as torcidas, de todas as pessoas, de todas as idades. É, ou ao menos deve ser, uma grande confraternização universal em torno da paz, do respeito à dignidade de cada um, da música e da alegria. Em homenagem a essa festa, trazemos hoje imagem de uma atriz e modelo que tem sido, há anos, sinônimo de elegância, beleza e bom gosto nos carnavais do Rio: Luísa Brunet, eterna rainha da bateria da escola de samba Imperatriz Leopoldinense.

CARNAVAL DO RIO DE JANEIRO II

Os enredos e as homenagens escolhidas pelas Escolas de Samba são feitos com muito cuidado, contando com a colaboração de profissionais das mais diversas origens. Por isso há garantia que sempre as escolas oferecem um verdadeiro "banho de cultura". Vejam os temas das escolas neste ano, com alguns comentários adicionais. Abaixo o video do Youtube com Elis Regina e Chico Buarque cantando "Noite dos Mascarados" composição dele, uma das canções mais bonitas em homenagem ao carnaval. Mas não se esqueçam. Se cantarem no final  ..... "O que você pedir eu lhe dou. Seja você quem for/ Seja o que Deus quiser" não esqueça a camisinha. É indispensável.


ENREDOS

  1. BEIJA FLOR DE NILÓPOLIS : "São Luís - O Poema Encantado do Maranhão". Trata-se de uma homenagem à capital do Maranhão, única cidade brasileira fundada pelos franceses e depois construída pelos portugueses. A escola ainda homenageia Joãozinho Trinta, sem dúvida o maior carnavalesco que já passou pela Sapucaí e que faleceu no final do ano passado.
  2. GRANDE RIO: "Eu Acredito em Você! E Você?" A escola, com esse tema, busca mostrar a importância da autoconfiança e da superação.
  3. IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE: "Jorge Amado Jorge". Homenagem ao mais conhecido e consagrado escritor brasileiro, o baiano Jorge Amado, que foi traduzido para mais de 40 línguas e vendeu livros em mais de 100 países. Foi também o escritor que mais ofereceu obras adaptadas para cinema e televisão. O autor de Gabriela, Cravo e Canela e de Dona Flor e seus Dois Maridos completaria este ano o seu centésimo aniversário e terá toda sua importante obra reeditada.
  4. MANGUEIRA: "Vou Festejar, sou Cacique, sou Mangueira". A mais tradicional escola de samba brasileira, a verde e rosa levará para a avenida um enredo que realçará os 50 anos do bloco Cacique de Ramos.
  5. MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL: "Por ti, Portinari: Rompendo a tela, à Realidade." Homenagem a Candido Portinari, um dos maiores pintores brasileiros de todos os tempos. A homenagem acontece ao mesmo tempo em que o MASP realiza uma mostra de suas obras, incluindo "Guerra e Paz", uma tela gigante que foi doada à ONU e que está circulando pelo Brasil, enquanto se promove uma reforma nas dependências da organização internacional.
  6. PORTELA: "... E o Povo na rua cantando é feito uma reza, um ritual..." A escola homenageia a grande cantora falecida, a mineira, Clara Nunes, sambista que cantou as coisas da Bahia. E também a Bahia e a influência da cultura africana. Destaque também para o sincretismo religioso.
  7. PORTO DA PEDRA: "Da seiva materna ao equilíbrio da vida" A homenagem aqui é para o leite e seus derivados, considerados a seiva e o equilíbrio da vida.
  8. RENASCER DE JACAREPAGUÁ: "O Artista da Alegria dá o Tom da Folia". Homenagem ao pintor pernambucano Romero Britto, que hoje   reside nos Estados Unidos e é destaque como pintor naquele país e no resto do mundo. Tem obras expostas no Museu do Louvre em Paris. Na foto abaixo, em destaque, imagem de seu quadro denominado "Carmem Miranda" (extraída do blog gabysha de my.blogspot.com).
  9. SALGUEIRO: "Cordel Branco e Encarnado"  Aqui o destaque é para a literatura de cordel e seus encantos.
  10. SÃO CLEMENTE: "Uma aventura musical na Sapucaí". O carnavalesco escolheu como tema os grandes musicais e os personagens desses musicais, desde "Cantando na Chuva" a "Alice no País das Maravilhas". Do "Fantasma da Ópera" a "A Bela e a Fera".
  11. UNIÃO DA ILHA:   "De Londres ao Rio: era um vez... uma Ilha...". O enredo destacará duas ilhas: A ilha do Brasil e a Inglaterra. A ilha que samba e a co-irmã das cores vermelho, branco e azul. E Saint George, padroeiro da Inglaterra estará ao lado de São Jorge, padroeiro da Escola.
  12. UNIDOS DA TIJUCA: "O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão". o carnavalesco Paulo Barros decidiu com esse tema homenagear o grande compositor e cantor Luiz Gonzaga, falecido em 1.989, que deixou obras musicais como a antológica "Asa Branca".
  13. VILA ISABEL:  "Você Samba Lá .... Que Eu Sambo Cá!
O Canto Livre de Angola". O destaque é para a origem angolana do samba. Mostra os irmãos angolanos e sua cultura.



Grande abraço a todos e bom carnaval.


CRÔNICA - O GRITO EM BUENOS AIRES


Viagem internacional virou “carne de vaca”. A expressão, comum na minha infância e mocidade lá pelos anos 50/60,  é uma gíria típicamente paulista que significa coisa comum, banal e, pois, popular e  acessível a todo mundo, pelo menos aos ricos e remediados. Bons tempos aqueles, embora eu acredite que a carne de vaca hoje esteja mais fácil e mais  barata do que naquela época. Na nossa vizinha Argentina, a Presidente Kirchner até criou um programa similar ao nosso Bolsa-Família. Trata-se do Bolsa “Carne de Vaca”, que consiste em fornecer aos mais necessitados, um tanto de carne bovina subsidiada pelo governo. Bem o fato é que antigamente era impensável que nós, da classe média, pudéssemos ter automóveis, computadores, celulares e viajar de avião. Viajar para o estrangeiro como também se dizia. Mal a gente podia visitar uns parentes em Sumaré, Americana ou na capital. Já era muito. Quando o professor de ciências da minha escola resolveu fazer uma viagem, supostamente educativa, para a vizinha cidade de Limeira, consegui, com muito custo, autorização do meu pai (e uma graninha para pagar a viagem e o almoço),  para a “grande empreitada”. Sim, empreitada significativa pois sairíamos de ônibus, pela manhã, lá da porta da escola, visitaríamos a famosa Festa da Laranja de Limeira e voltaríamos lá pelo fim da tarde. Passei três noites sem dormir direito, meio emocionado, sonhando com a viagem. Pois bem, há uns 10 ou 15 anos, indiscutivelmente nós brasileiros, com a valorização de nossa moeda (o real), a contenção da inflação, a nossa estabilidade política e o desempenho da economia, estamos viajando para o exterior. Eta, nóis. As passagens aéreas ficaram mais baratas, pela competição entre as empresas. E há parcelamentos e promoções. Antes íamos, de ônibus à Foz do Iguaçu, deliciávamos com as Cataratas,  dávamos um pulinho no Paraguai e na Argentina, ali pela fronteira mesmo e trazíamos algumas bugigangas (especialmente whisky falso, blusas de couro ou de cashemere), rezando para que não fossemos parados pela Polícia Rodoviária Federal em Cascavel, no Paraná, porque julgávamos que aqueles poucas tranqueiras nos convertesse em sonegadores perigosos. Eta inocência!  Depois passamos a viajar de avião e ao invés de Puerto Iguazu, vamos mesmo a Buenos Aires, ouvir tangos, apreciar os magníficos cortes de carne bovina e os vinhos de Mendonza. Há excursões para todos os cantos: Disneyword para as crianças de todas as idades, Cáncun, depois Londres, Paris, etc. etc. O pessoal mais velho que tinha “ralado” para estudar os filhos e economizado uma graninha, ‘tava podendo’ fazer uma viagem internacional. Mesmo que fosse meio perto. A Reny e o Cizinho pegaram uma excursão para Buenos Aires, incentivados pelos filhos casados  e amigos. Foi um custo convencê-los a gastar a grana e a viajar de avião. A Reny começou  a rezar o terço uma semana antes. E quando o veículo gigante levantou vôo os dois se abraçaram. Meio comovidos, meio acovardados. Mas a coisa foi bem e o avião chegou a Buenos Aires. Depois de acomodados no Hotel, foram dormir, pois no outro dia, havia uma city-tour imperdível pela bela cidade portenha. A Reny acordou animada. Chamou o Cizinho. Bateu na porta do quarto dos amigos que também viajaram e lá foram tomar café. Farto café de hotel três estrelas. Seguiram para o ônibus. A guia falava em português e ficava fácil entender. A cada ponto turístico e explicações fazia um olhar de sincero interesse, embora não entendesse tudo. Ficou animada. Eis que ao chegarem ao Parque Rivadavia, onde se encontra o monumento em homenagem a Simon Bolivar, considerado o libertador da América (vide imagem que ilustra a coluna hoje), obra do arquiteto argentino José Fioravanti, a Reny, num arroubo de entusiamo, gritou para o Cizinho que estava um pouco distante.- Cizo, vem cá:  Foi aqui que  o hóme deu o grito?

P.S. (1)  O “hóme” era D. Pedro II.

P.S. (2) O grito era o do Ipiranga, São Paulo, Brasil.

Eta nóis!

Até amanhã.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

LITERATURA - GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA AMÉRICA LATINA

Amigos,
Ganhei-o ,  no fim do ano passado, dos amigos Carlos e Laís Farah, com a observação de que, por certo, a temática me interessaria. Só agora, em fevereiro, acabei de lê-lo. Trata-se do livro GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA AMÉRICA LATINA lançado pela editora Leya, de São Paulo, em 2.011. Os autores são  dois jovens, mas experimentados e competentes jornalistas, com passagem, dentre outras mídias, pela Revista Veja: o curitibano, LEANDRO NARLOCH e o paulista DUDA TEIXEIRA. Leandro escreveu o livro similar GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL, que eu ainda não li e Duda é autor de um livro divertido sobre a Grécia Antiga, cujo nome é O CALCANHAR DE AQUILES, que eu li, gostei e recomendo. A proposta é mostrar particularidades da vida e da  história de líderes da América Latina e dos países latinos americanos, que desmascaram as versões rotineiras que os converte em heróis e políticos responsáveis pelo progresso econômico e ético dessas nações. As fontes nas quais os jornalistas se basearam são inúmeras. Pesquisas bibliográficas cuidadosamente feitas em grande parte na literatura estrangeira e nacional dos países latino americanos e ainda informações obtidas diretamente no que se extraiu de entrevistas e reportagens. Os personagens focalizados são Che Guevara, Simón Bolivar, Perón e Evita, Pancho Villa e Salvador Allende. Há também a preocupação em desmitificar, sem justificar, a opressão dos Estados colonizadores sobre os colonizados, desfazendo a mística de bandido contra mocinho, pois nem todos os males pelos quais passaram os povos advieram dos europeus colonizadores, mas também dos próprios povos nativos. Fala-se, abertamente, das ditaduras de direita e da esquerda dos vários governos. Das revoluções vencedoras e derrotadas e de como a tomada do poder e a prática política se apartou do discurso e da ideologia de todos eles.  Sinta essa nota sobre Che Guevara:  Rebeldia juvenil? Só se dentro do quartel. Che adorava uniformes do exército e seus símbolos. Em abril de 1959, então chefe de instrução das Forças Armadas Revolucionárias, ele fundou a revista verde Olivo, de assuntos militares. EM 1963, ajudou a aprovar a maior inimiga dos jovens: a lei do serviço militar obrigatório. Ironicamente, o próprio Che tentou escapar do serviço militar da Argentina, em 1946, quando completou 18 anos.” Ou ainda sobre a fundação criada e gerida por Evita Perón e sua riqueza em jóias e obras de arte:  O dinheiro que ela usava para essas aventuras vinha do governo e das companhias que eram extorquidas. Aquelas que se recusavam a ajudar a instituição filantrópica de Eva Perón corriam o risco de ser estatizadas. Foi o que aconteceu com a Massone Química e a Chocolates Mu-Mu. Suspeita-se ainda que, entre seus bens, havia peças do tesouro nazista, oriundas de famílias judias ricas assassinadas em campos de concentração. O próprio Perón chegou a falar de bens de “origem alemã e japonesa” de que o governo argentino teria se apropriado.”  Por fim adverte a editora que “é ele, o falso herói latino-americano, o principal alvo deste livro”.  Em 336 páginas, com interessantes notas  marginais e algumas ilustrações-retratos, o livro é polêmico, instigante, interessante, oferecendo uma outra perspectiva para análise da história real da América Latina, seus povos, a influência dos colonizadores e dos nativos nas suas trajetórias políticas e especialmente a personalidade, as virtudes e defeitos e os erros e acertos dos chamados heróis latinos-americanos.
Até amanhã.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

GUARANI - O SEGUNDO JOGO CONTRA O VASCO NAS SEMIFINAIS DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 78


Boa noite amigos,



Já imaginaram o que foi o segundo jogo do Bugre, contra o Vasco da Gama, nas semifinais do campeonato brasileiro de 1.978? Pois imaginem o que nós, torcedores,  passamos. Para começo de conversa, tínhamos  ganho o primeiro jogo, no Brinco de Ouro, com mais de 30.000 espectadores, no meio da semana, pelo placar de 2 a 0 e podíamos perder até por um gol de diferença. Mas será que a meninada do Bugre, organizada pelo experiente meio-campista Zé Carlos, não ia amarelar jogando no gigante do Maracanã? Bem, a verdade é que fosse como fosse era tudo ou nada. Quando a TV mostrou a torcida no Maraca ficamos até arrepiados. Mais de 100.000 espectadores. Isso mesmo. Mais de cem mil o público que foi ver o espetáculo e, é claro, noventa  por cento de vascaínos. Tinha também torcida do Fla, do Flu e do Botafogo, secando o rival carioca. E torcedores bugrinos que também foram ao Rio, ou eram do Rio. Anunciou-se, lembro-me bem, a presença, no platéia vascaina, da bela atriz Sônia Braga, naquela época confundindo-se com a personagem da novela inspirada em conto de Jorge Amado:  a morena Gabriela. E desta vez, o Vasco vinha com o seu centroavante goleador, Roberto Dinamite, que tinha ficado fora da partida de Campinas. Ninguém duvidava da vitória da equipe cruzmaltina, dada como certa e por placar dilatado. Mas sempre havia uma desconfiança. O Bugre não tinha chegado até ali por acaso. E seria parada dura. O jogo começou. A preocupação era segurar a equipe do Vasco nos primeiros minutos e, se possível, no primeiro tempo, para depois evitar uma derrota por mais de um gol de diferença. Acontece que logo aos 7 minutos, o goleiro Neneca cobra tiro de meta e manda a bola para o ataque. Careca recebe próximo da área e sofre marcação de 3 adversários. Inteligentemente rola a bola para Zenon que vem de trás e  bate com perfeição.  Gol. Golaço! O Maracanã ficou mudo. Daí para a frente o Vasco apertou mais e mais, aparecendo bem os defensores e o meio de campo, além das defesas do goleiro Neneca. Fim do primeiro tempo. Bugre 1 a 0. Não dava para acreditar. Começa o segundo tempo e o panorama é o mesmo. Vasco no ataque e os meninos do Bugrão tentando segurar o marcador. 20 Minutos de jogo. Num conta-ataque o árbitro apita falta para o Bugre, próximo da área.  Zenon, como exímio cobrador, se prepara para a cobrança. Barreira formada, mas em vão. Cobrança perfeita. Bola na rede: Guarani 2 a 0. O Maracanã era um túmulo, tirante o barulho da pequena torcida bugrina e os gritos das centenas de repórteres que transmitam o jogo para todo o Brasil. O Vasco parte para o tudo ou nada. Sabia que agora teria que fazer 3 gols. Fez apenas 1, com Dirceu aos 37 minutos. E no apito final,  decepção da equipe carioca e de sua imensa torcida, além da crônica local. E o Bugre estava na final do campeonato brasileiro e classificado para disputar, representando o Brasil, em 1.979,  a Taça Libertadores da América.



GUARANI 100 ANOS.

Campeonato Brasileiro de 1978.

Para um público total  de 101.541  pagantes e e uma renda de Cr$4.176.615,00, moeda da época,  o trigésimo  jogo do Bugre, já pelas semifinais do Campeonato Brasileiro de 1.978, aconteceu no dia 06  de agosto  do mesmo ano, um Domingo,  às 17,00 horas, no  Estádio Mário  Filho, o Maracanã.    O Guarani venceu o Vasco da Gama pelo placar de 2 a 1, gols de Zenon (2),  aos 7  minutos da primeira etapa e aos 22 da etapa complementar, e de Dirceu, aos 36 minutos do segundo tempo. Apitou o árbitro,  Maurílio José Santiago, tendo como assistentes Alvimar Gaspar dos Reis e Osmar Camilo da Silva, todos de Minas Gerais. O Guarani, do técnico Carlos Alberto Silva, jogou com Neneca,  Alexandre, Gomes, Mauro e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca (Adriano) e Bozó (Macedo). O  Vasco da Gama, do técnico Orlando Fantoni, formou com Mazzaropi, Orlando, Geraldo, Gaúcho e  Marco Antônio; Helinho, Paulinho (Ramón) e Zanatta (Wilsinho); Guina, Roberto Dinamite e Dirceu.  



Abaixo o vídeo com os gols do jogo e uma boa noite.










 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A MORTE DE WHITNEY HOUSTON - HOMENAGEM A TOM E O FUTEBOL DO PAULISTÃO

A  MORTE DE WHITNEY HOUSTON
A inesperada morte da cantora americana Whitney Houston, aos 48 anos de idade,  foi a notícia triste do final de semana. Há poucos dias, ao falar sobre os trinta anos de falecimento de Elis Regina, citei Whitney como um das dez mais importantes cantoras de todos os tempos. A consideração não é apenas minha, mas de grande parte do público e da crítica especializada. Parece mesmo uma sina essa de artistas excepcionais alimentarem tragédia na vida pessoal. Envolvida com cocaína e um casamento conturbado com Bobby Brown, a cantora experimentava uma fase de suposta superação, e seus fãs, em todo o mundo, já contavam com seu retorno às paradas de sucesso, que ela freqüentou, com tanta assiduidade, entre os anos de 1.985 a 1.995. Inesquecível a trilha sonora do filme O Guarda Costas, em que ela contracenou com o galã Kevin Costner    (foto acima emprestada do site theartofthinkingwithsound.lumbli.com) e que vendeu 17 milhões de cópias em todo o mundo. Abaixo um vídeo em que interpreta a sua canção mais conhecida, dessa mesma trilha sonora, I Will Always Love You. No geral a cantora lançou 7 álbuns (Whitney Houston (1985); Whitney (1987); I’m Your Baby Tonight (1990); My Love Is Your Love (1998); Just Whitney (2002); One Wish: The Holiday Album (2003) e  I Look To You (2009), vendendo mais de 170 milhões de discos na carreira. Sua madrinha, outro monstro sagrado da música pop universal, a cantora Aretha Franlkin fez a seguinte declaração quando tomou conhecimento da morte da cantora, por afogamento (acidental ou não, ainda não se sabe), numa banheira de hotel de luxo em Beverly Hills, hotel esse onde estava hospedada para participar do Grammy, premio considerado o Oscar da música, quando  seria homenageada: “Não  consigo falar sobre isso agora. É tão terrível e inacreditável. Não conseguia acreditar no que eu estava lendo na tela da TV”. Outra diva da música, que foi confessadamente influenciada por Whitney na sua carreira, Mariah Carey, declarou “Estou chorando com a morte chocante de minha amiga, a incomparável Whitney Houston”. A música está de luto de novo. Uma pena!

HOMENAGEM A TOM JOBIM
Por falar na edição de 2.012 do  Grammy, o nosso saudoso poeta, compositor e maestro, Antonio Carlos Jobim, foi homenageado pelo conjunto de sua obra. Um reconhecimento merecido, mesmo que tardio e póstumo.
CAMPEONATO PAULISTA
O Campeonato Paulista atingiu, no final de semana, a 7ª. rodada, sem grandes surpresas. No primeiro clássico envolvendo Corinthians e São Paulo, o Timão venceu mais uma vez, pelo magro placar de 1 a 0, irritando a torcida sãopaulina, que teve que ouvir o côro de "freguês". O São Paulo perdeu um pênalti chutado, por cima da trave, pelo jogador Jadson, ainda no primeiro tempo, quando o Coringão já vencia pela contagem mínima e ainda teve o zagueiro João Filipe expulso por agressão ao jogador Jorge Henrique. O técnico Leão saiu irritado e considerou a expulsão de seu atleta determinante para a derrota. Com o resultado o Timão assumiu a segunda posição com 17 pontos, mesma pontuação do líder, que agora é o Palmeiras, mas o Verdão ganha em saldo de gols (8 contra 6) e não teve dificuldades, no sábado, para bater, em casa, o time do Ituano, pelo placar de 3 a 0. O São Paulo agora caiu para a 4ª. posição, com os 14 pontos que já tinha. A surpresa positiva continua sendo o Guarani que venceu o forte time do Paulista, ontem, no Brinco de Ouro,em jogo bastante movimentado, pelo placar de 2 a 1, acumulou 16 pontos e assumiu a 3ª. posição do campeonato, há apenas 1 ponto dos líderes Palmeiras e Corinthians. O Bugre manteve 100% de aproveitamento em casa vencendo todas as 4 partidas disputadas em seu estádio. Dos três jogos disputados fora de casa, venceu 1 (1 a 0 sobre o São Caetano), empatou 1 (1 a 1 com o São Paulo) e perdeu apenas 1 (0x 3 contra o Mogi Mirim). Uma campanha impressionante, considerando que o time foi montado pouco tempo antes do início do campeonato, dentro da realidade do clube. O grande maestro desse time é o meia Fumagalli, que está em ótima forma aos 34 anos de idade. A Ponte Preta é que vem decepcionando e dela esperava-se, como ainda se espera, mais. Mesmo com dois empates fora de casa,  sem deixar o G8 (a Macaca agora está em 7º lugar) com 11 pontos, a instabilidade parece ter tomado conta de seus jogadores, que não conseguem manter a vantagem no placar, como aconteceu no sábado, quando, vencendo por 2 a 0 e, depois, por 3 a 1, permitiu que o Mirassol fizesse dois gols e igualasse o placar em 3 a 3, resultado final. O técnico Gilson Kleina promete puxão de orelhas generalizado e mudanças na equipe para os próximos jogos no Majestoso. Outro time da região que decepciona  - e muito – é o XV de Piracicaba, que venceu apenas 1 partida em sete rodadas, e que perdeu, diante de sua torcida, para a fraca equipe do Catanduvense, por 2 a 0, no sábado, resultado que provocou a demissão de seu treinador. Já o Red Bull Campinas continua sendo sensação no Campeonato Paulista da segundona, ao vencer a sexta partida na sexta rodada, com 100% de aproveitamento, a liderança, 18 pontos, com cinco pontos de distância para o segundo colocado, que é o Barbarense, que tem 13. Bela campanha de Sérgio Guedes, seu treinador.


 




Até amanhã amigos.



domingo, 12 de fevereiro de 2012

CINEMA - A SEPARAÇÃO


Boa noite amigos,


Confirmando a repetida afirmação de que é na adversidade que a arte se manifesta de maneira mais efetiva, o cinema iraniano tem  revelado grandes cineastas, capazes de produzir filmes profundos e sensíveis, da melhor qualidade. Comentei aqui nesta coluna a minha admiração pelo novo cinema iraniano, para o qual fui despertado por um querido amigo-irmão, o Professor, sociólogo, filósofo e escritor, Regis de Morais. Preciosidades como Um Instante de Inocência,  Cópia Fiel e Close Up, do badalado diretor Abbas Kiarostami, dentre outros, testemunham a qualidade e originalidade do cinema da outrora terra dos Xas, e atual reduto do ditador Ahmadinejad. Pois bem, o assunto hoje é um novo filme, indicado para Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: A Separação, título no Brasil e em Portugal (no original Jodaeye Nader Az Simin) do diretor e roteirista Asghar Farhadi, de apenas 40 anos. Farhadi dirigiu bons filmes, destacando-se o premiado,  A Bela Cidade (2004), Fogos de Artifício Quarta-Feira (2006)  e Sobre Elly (2.009) , com o qual ganhou o Urso de Prata do Festival de Berlim. Fui ver o filme neste sábado, aproveitando para conhecer as novas salas (já não tão novas assim) abertas no Shopping do Parque Prado, aqui em Campinas. Cuida-se de um vigoroso drama de 123 minutos, produzido no Irã, que narra toda a problemática vivenciada por um jovem casal que em dado momento decide pela separação. O motivo do rompimento seria o desejo da mulher Simin (na pele da bela atriz Leila Hatami) de ir embora do país, levando consigo a única filha do casal, Termeh  (Sarina Farhadi), de 11 anos de idade. O marido (magnífica interpretação do ator Peyman Moaadi), não quer acompanhá-la e discorda da deliberação da mulher, pois tem  que cuidar do pai velho e portador do Mal de Alzheimer,  não deseja se apartar da filha e entende que a esposa deve enfrentar os problemas com dignidade e responsabilidade e não simplesmente fugir deles.  O filme começa tenso com discussão acalorada de ambos, diante de um Juiz, utilizando argumentos de lado a lado, que possam comover o Magistrado a tomar partido e definir a pendenga, segundo a expectativa de cada um. Não tendo conseguido, porém, autorização para levar consigo a filha, Simin permanece no Irã, mas sai de casa, obrigando o marido (que nela permanece na companhia da filha adolescente) a aprender afazeres domésticos e a cuidar da filha e do pai doente. Quando ele contrata para os serviços domésticos, uma jovem que está grávida, sem conhecimento ou autorização do marido dela, acontece um incidente e a partir daí pai, mãe e filha, além do casal da empregada, passam a relacionar-se de forma tumultuada, com acusações recíprocas, diante de um Estado-Juiz que delibera de acordo com os costumes e a lei, sem atenção às particularidades do caso. Sobre esse drama,  o objetivo é mostrar um país que não respeita regularmente direitos humanos, mas também  evidenciar a cultura sensível de seu povo, educado, religioso e cheio de valores. A proteção da  família, antes de qualquer coisa,  a consciência ética, mas também  os escorregões, as mentiras, as decepções, o perdão, a piedade, a culpa, o temor a Deus e ao pecado, são ingredientes  que se misturam a revelar os limites entre o racional e o sensitivo na vida e nas relações humanas. O crítico de cinema João Nunes, do Correio Popular, ao falar sobre a narrativa, afirma: “Mas, a Separação vai além da narrativa estonteante e das reviravoltas que produções de entretenimento fazem rotineiramente. Além da seriedade com que toca num tema político importante, ele se respalda em belíssimo roteiro (surpreendentemente indicado ao Oscar) que se desenvolve em perfeito suspense entregando as informações em doses homeopáticas” (Correio Popular, Caderno C, 10 de fevereiro de 2.012). É isso. Em todos os momentos você sente como se fizesse parte do drama daqueles personagens, buscando entendê-los,  justificar a conduta deles, além de torcer para que as coisas se resolvam da melhor maneira possível. O filme é vencedor do Urso de Ouro de filme e também do Urso de Prata para o elenco masculino e feminino no Festival de Berlim do ano passado. Tem tudo para faturar o Oscar de melhor filme estrangeiro, para o qual é considerado favorito. Tão bom quanto o nosso Tropa de Elite n. 2 (injustificadamente desclassificado dentre os selecionados), embora de gêneros diferentes. Não deixe de ver. Na minha avaliação 4 estrelas e meia, pois há pérolas na história do cinema que são insuperáveis (p. ex. Cinema Paradiso, O Carteiro e o Poeta).  E só eles devem ficar com as cinco estrelas, pontuação máxima, sob pena de perda de critério.


Até amanhã amigos.


















sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CINEMA - OS DESCENDENTES


Boa noite amigos,

Fui ver no último domingo, um dos filmes que tem indicações para o Oscar e que já havia sido contemplado com Dois Globos de Ouro (melhor ator e melhor roteiro adaptado),  prêmio que como se sabe funciona como  uma espécie de avant-première do cobiçado e tradicional prêmio da Academia de Hollywood.  Está  indicado  ao Oscar em cinco categorias, quais sejam, melhor filme, melhor ator para George Clooney, Melhor Diretor, Montagem e Roteiro Adaptado. Trata-se de um filme de 115 minutos, produzido nos Estados Unidos em 2.011, lançado neste ano, indicado no gênero de comédia dramática. O nome, em português é fiel tradução do título em inglês: OS DESCENDENTES (The Descendants). O argumento  se desenvolve no campo das relações afetivas familiares, envolvendo o advogado e latifundiário,  Matt King  (George Clooney),  pai  e marido ausente do dia-a-dia da família e da criação das filhas adolescentes, Scottie (Amara Miller) e Alexandra (Shailene Woodley),  e que se vê na contingência de resgatar esses laços, diante de um grave acidente de que é acometida sua mulher Elisabeth (Patrícia Hastie),acidente esse  que a coloca em coma irreversível, durante a qual todo o drama se desenvolve. Nessa busca, procura ou retomada, Matt encontra grande resistência na aproximação com as filhas, que vivem e estudam em outra ilha do arquipélago e, bem assim,  tenta entender o que se passou com a mulher,  se ela o amou ou ama,   da qual descobre um caso recente de infidelidade, relatado pela própria filha mais velha e cujas razões juntos buscam desvendar.  O ritmo imprimido ao roteiro é muito bom, pois mesmo na sucessão de cenas em que prevalece mais a instrospeção, a reflexão ou o mero diálogo dos personagens diante da problemática familiar, em nenhum momento o espectador sente monotonia ou sono, mantendo-se aceso, vibrante e interessado na sequência e no desfecho da estória. Baseado no romance homônimo (best seller) da hawaiana, Kaui Hart Hemmings. a boa direção do americano de origem grega, Alexander Payne deve ser elogiada, assim como a   escolha dos atores que ficam praticamente num mesmo nível de excelência de interpretação, destacando-se George Clooney pela experiência, charme e talento que esbanja mais uma vez,  e que o torna sério candidato ao Oscar de melhor ator,  e da jovem e talentosa atriz Shailene Woodley, que vive a filha mais velha de Matt.  A questão da venda ou não de magníficas terras herdadas no Hawai, onde a trama se passa, por Matt e seus primos, que seriam os descendentes de antepassados milionários,  é questão absolutamente periférica que não tem dimensão, nem relevância no desenvolvimento das questões postas em evidência, e que são temas universais:  a importância da família, o resgate das coisas essenciais da vida, o valor do perdão, da generosidade, a fortuna sem mérito, etc. Alexander, que costuma pender para um tipo de humor negro nas suas películas, e que se notabiliza também  por crítica aos costumes americanos, dirigiu filmes importantes, como Electron (Eleição) em 1.999 e Sideways (Entre Umas e Outras) em 2.004, com o qual ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado. Destaque também para a magnífica fotografia, mostrando paisagens  das praias e montanhas do Hawai, verdadeiro colírio para os olhos. Filme bem feito, bem dirigido, com roteiro simples, bem cuidado e estória cativante. Na minha avaliação um belo quatro estrelas e que possivelmente não seja um favorito para o Oscar de melhor filme. Bem, ainda preciso ver os demais indicados, especialmente para avaliar as chances do veterano Clooney para Oscar de melhor ator. Mas vá ao cinema com tranqüilidade, pois vale, sem dúvida,  a pena.

 P.S. A imagem que ilustra a coluna foi emprestada do site adorocinema.com e focaliza os atores George Clooney (Matt King) e Shaylene Woodley (Alexandra), em cena do filme comentado.

Até amanhã.