Boa noite amigos,
Eu batendo um papo com Walt Disney, que pacien- temente, ouve as minhas queixas, sem reclamar. |
De repente alguém gritou: “Corre” e pulou do automóvel, sem tempo para
qualquer explicação. Desci também, mas não sabia para onde correr, nem por que
ou para que. Em seguida recebemos ordem do meu genro para que parássemos uma
vez que não ia adiantar toda aquela correria, porque um determinado ônibus já
tinha saído. Respirei profundamente, na medida em que meu fôlego permitiu. Até
que mereci uma singela explicação: iríamos a um programa num hotel, que
consistia em jogar, em equipe, um jogo de
mini-golfe. Para que não
pagássemos mais 40 dólares de estacionamento privado no tal local, deixaríamos
o carro onde estávamos, em estacionamento público e gratuito e embarcaríamos,
de graça, em um ônibus do tal hotel, que depois nos traria de volta. O
corre-corre sugerido, até então, não permitiu saber se fugíamos da polícia de
imigração, se corríamos o risco de deportação, etc., etc. Esse é apenas um dos
episódios que ilustram a saga-tortura de um idoso no mundo da Disney, atual
império trampista. Bem, você sai de férias e a família já programou tudo. Data
do embarque e do retorno, cia. aérea, categoria do transporte e local de
acomodação. No meu caso específico a nossa casa situada num condomínio em
Kissimmee, na grande Orlando. Você só sabe que vai pagar as contas e que deve
“dançar conforme a música” e aí embarcar, todo dia, no carro alugado, munido de
uma imensa mochila que vai carregar nas costas, para onde os membros da família
decidirem ir, e nela hospedando, gradativamente, garrafas de água sua e dos
outros, objetos inúteis adquiridos pelo caminho, sacos de pipoca com as que
sobraram e não se pode jogar fora, blusas que são levadas porque é provável que
à noite possa esfriar, etc. etc. Ah, é bom avisar: esse negócio de preferência
de idoso não existe lá. Ninguém deixa você passar na frente, nem levanta para
te dar lugar nos coletivos ou restaurantes. E muito menos mijar, quando você
está pra lá de Bagdá, mijando nas calças, mas há uma fila disputando os quatro
mictórios disponíveis, ou quer fazer o número dois e entra num banheiro que só
tem um sanitário grande para deficiente e lá se encontra trancado um filho de
puta jovem que fica lendo e respondendo mensagens no celular. Não dá para cagar
nos mictórios. Então o remédio é ir rezando para não cagar nas calças. Nas
atrações dos parques você é tão maltratado quanto um jovem travesso, com a
agravante de que exigem de você a mesma rapidez e reflexo dos mais moços. Em
uma das atrações aconteceu o seguinte: Os carrinhos nos quais os turistas se
acomodam não param completamente nem para descer no final, nem para subir, no
início. Quando passam vagarosamente vazios, você tem que entrar correndo e
sentar. Foi o que fizemos, mas eu, por não estar acostumado, estava com a
mochila nas costas. Minha filha gritou que a mochila tinha que ser retirada
antes de entrar no carrinho e colocada no chão. Antes que eu pudesse tirar a
mochila das costas e acomodá-la no chão, desceu sobre nós,
automaticamente, uma trava de ferro.
Fiquei sufocado entre a mochila nas costas e a trava na minha barriga me
pressionando. Resultado: encolhi ao máximo a barriga e prendi a respiração e
assim fiquei por quase três minutos, orando, o tempo que durou o passeio, até
que a bendita trava se soltou novamente e pude constatar que estava vivo. Entrar
em loja para distrair e olhar as novidades, nem pensar. A família não deixa,
porque com esse negócio de mochila nas costas você pode virar e ir derrubando
os objetos, alguns caros e frágeis. Então melhor é esperar lá fora, porque vai
ser rápido. E nunca é. Nos parques lotados, é comum as pessoas se tocarem ou
trombarem, inclusive os americanos. Você (isto é, eu) baixinho e mais velho,
levo tranco toda hora e só escuto um sonoro Sorry como consolo. Geralmente se
forem latinos (argentinos, colombianos etc.) nem tomam conhecimento e seguem a
rota, te ignorando. É foda!![JM1]

