Boa noite amigos,
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Imagem de Beatriz Segall a Odete Roitmann da versão originária da novela. |
A Rede Globo de Televisão, no seu centenário, e a TV Globo, no seu sexagésimo aniversário, resolveram apostar no remake de uma de suas notáveis novelas do passado, para superar a crise decorrente da perda de audiência e da concorrência com a diversificação dos streamings. E assim, a eleita foi VALE TUDO, novela de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, que em 1.988 e 1.989, anos de sua exibição, atingiu médias elevadas de audiência e praticamente parou o Brasil no capítulo em que se revela a autoria do assassinato da vilã Odete Roitmann (Beatriz Segall). Andei lendo que na nova versão, a escolha para essa personagem, não foi fácil, e várias de nossas experientes e grandes atrizes foram cogitadas, incluindo Fernanda Torres, que não pode aceitar o convite por causa das viagens pelo mundo na divulgação do filme “Ainda estou Aqui”, película que recebeu mais de quarenta prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No final, a escolha recaiu sobre Débora Bloch, cujo talento e competência na dramaturgia é incontestável. A tarefa, contudo, para qualquer uma que fosse eleita, seria árdua e desafiante, diante da antológica criação da personagem pela hoje falecida atriz Beatriz Segall, a ponto de ser impensável e até, digamos, impossível separar uma da outra. Vários atores do novo elenco, ouvidos, incluindo a autora da adaptação, Manuela Dias, fizeram questão de ressaltar a atualidade do enredo, decorridos mais de trinta anos. Bem, versando a novela sobre questões éticas (para vencer na vida qualquer meio é aceitável? Vale tudo?), associados às carências ou contingências humanas de ontem e de hoje (o alcoolismo invencível da sensível e carente personagem Heleninha, tão bem desempenhada pela veterana Renata Sorrah), a obra estaria mesmo sempre atualizada, como continuam atuais, quinhentos anos depois, as peças do maior dramaturgo inglês de todos os tempos, Sir William Shakespeare, exatamente pela abordagem de temas universais e atemporais decorrentes de comportamentos e conflitos típicos do ser humano, desde o surgimento da espécie há 200.000 anos. Por outro lado, esse nosso Brasil não mudou quase nada nesses trinta anos decorridos. A manutenção da trilha sonora de abertura, com Gal Costa interpretando Brasil, de Cazuza, foi acertada na minha opinião, considerado o ambiente em que se passa a obra. Agora esperar a estreia e conferir.
P.S. Na nova versão a Heleninha será interpretada por Paola Oliveira. Comentei com minha
mulher que não vejo na atriz, ao menos antes de vê-la construindo o personagem,
a cara da “Heleninha”, como via em Renata
Sorrah. Aliás, considero que uma das
tarefas mais difíceis para qualquer artista é interpretar de forma convincente
a imagem de um bêbado, uma pessoa alcoolizada para além da conta. Ressalvo, na
área da comédia, a competência do impagável Tom Cavalcante, transmitindo, embriagado, um jogo de futebol.
Abraço e até mais.