Grande abraço e até amanhã.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
SOBRE GRAVATAS
terça-feira, 30 de agosto de 2011
O FIM DO PRIMEIRO TURNO DO BRASILEIRÃO 2011 - FAVORITOS E DECEPÇÕES
Boa noite amigos,
Terminou domingo o primeiro turno do campeonato Brasileiro da Série A, sem grandes novidades, mas, a exemplo do último campeonato, com enorme equilíbrio entre as grandes equipes, sem que seja possível apontar um grande favorito ao título. Vamos aos principais destaques da rodada, e dessa primeira fase que se encerra:
CORINTHIANS É DERROTADO, MAS FICA COM O TÍTULO SIMBÓLICO.
Graças à gordura que conseguiu acumular nas primeiras rodadas, que lhe permitiram distanciar dos outros concorrentes diretos, o Timão, derrotado no domingo pelo Palmeiras, no Derby disputado em Presidente Prudente, pelo placar de 2 a 1, ainda assim terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 37 pontos e 11 vitórias. Mas nos últimos jogos o time caiu bastante, alternando bons e maus resultados. O técnico Tite precisa urgentemente acertar o time para o segundo e decisivo turno, a fim de que mantenha a regularidade e, por incrível que pareça, já sofre pressão para ser demitido. No Palmeiras, depois da eliminação na Copa Sul-Americana, no meio da semana, pelo Vasco da Gama, mesmo tendo vencido o jogo por 3 gols a 1 (havia perdido o 1º, no Rio, por 3 a 0), a atenção está totalmente voltada para o Brasileirão, torneio no qual começou bem, mas tropeçou várias vezes, no meio do caminho, a ponto de estar agora, mesmo com a vitória sobre o principal rival, em apenas 6º lugar, com 32 pontos, atrás de Botafogo, Vasco, São Paulo, Flamengo e Corinthians. Destaque do jogo foi para o atacante Fernandão, que foi contratado durante a semana, ao Guarani de Campinas, não deveria fazer a sua estréia, mas foi chamado de última hora em função da lesão do jogador Maycon Leite. Pois com muita personalidade, embora numa fogueira danada, estreando na série A, justamente num grande clássico, participou do 1º gol de Luan, e fez o segundo, com categoria, decretando a vitória do Verdão. Só hoje é que foi oficialmente apresentado pela Diretoria.
O BRASILEIRÃO COM CARA DE RIO-SÃO PAULO.
Sem o Santos que surpreendentemente termina o primeiro turno, embora em nítida ascensão, apenas no 14º lugar e o Fluminense, em 11º, os grandes do Rio de Janeiro e de São Paulo, dominaram esse primeiro turno, deixando de fora times tradicionais como Cruzeiro, Internacional, Gremio e Atlético Mineiro. Corinthians (1º), Flamengo (2º), São Paulo (3º), Vasco da Gama (4º), formam o G4. Em seguida, temos o Botafogo (5º) e o Palmeiras (6º). Só no sétimo lugar, aparece o Cruzeiro, o primeiro melhor classificado fora do eixo Rio-São Paulo. Vamos ver se o panorama se altera para o segundo turno.FAVORITOS E DECEPÇÕES
Como já disse, não há favoritos ao título, por enquanto, diante do equilíbrio real entre algumas equipes, equilíbrio esse que também se espelha na pontuação e classificação. Sem dúvida, porém, o Flamengo, que só perdeu uma partida nas 19 rodadas, é um dos candidatos, sobretudo porque tem Ronaldinho Gaúcho, recuperado (recuperado?) e em grande forma. Mas se é certo que é o clube com menos derrotas (apenas 1), acumulou um grande número de empates (8 vezes), além das 9 vitórias, contra as 11 do Corinthians. O Timão também é outro candidato, não só por ter feito até aqui a melhor campanha entre os 20 clubes, como principalmente se o treinador Tite conseguir dar ao time mais estabilidade ao longo do segundo turno. O São Paulo, de Rogério Ceni, Dagoberto em grande fase e os meninos Lucas e Henrique, embora com um time jovem e em reestruturação, também não pode ser esquecido, nem subestimado. E o Vasco da Gama, campeão da Copa do Brasil, que caminha bem na Sulamericana, é um time bem preparado, com alguns craques em ascensão como Diego Sousa (o bom e instável Diego Sousa), Juninho Pernambucano e Alecsandro. ah!, ia me esquecendo do Santos que está lá atrás na classificação, mas que voltou a jogar bem, sobretudo com os genais Paulo Henrique Ganso e Neymar, embora pareça improvável que consiga recuperar o prejuízo. Num campeonato porém de 3 pontos, tudo é possível. No lado de baixo da tabela de classificação, as decepções: o América Mineiro não tem time para disputar a Série A, e é candidatíssimo ao rebaixamento, após a ascensão no ano passado; o Avaí, vice-lanterna, não vive uma boa fase, mas tem se mantido,entre altos e baixos, na primeira divisão, com méritos próprios. E as surpresas negativas dos Atléticos. O Mineiro, há tempos, vem claudicando nos Brasileirões, fazendo campanhas pífias, como a do ano passado em que brigou para não cair e este ano continua lá embaixo, embora tenha nome, torcida, um time que não é excelente, mas é bom, e técnicos que não resolveram o problema. O “Furacão” também não vive uma boa fase e tem uma equipe apenas razoável. Vamos ver se revertem a situação no segundo turno. Por ali, flertando, como diria um repórter esportivo, com a zona do rebaixamento, o Bahia e o Gremio, que precisam urgentemente ganhar jogos. A conferir.
OS BONS JOGADORES E OS GOLS.
Futebol, como diz o ditado, é bola na rede. E com a permanência de craques no Brasil, o Brasileirão deste ano tem proporcionado bons jogos, como aquele espetacular Santos 3 e Flamengo 4, na Vila, recentemente, com jogadas de efeitos e golaços. Ronaldinho Gaúcho, que voltou a fazer jogadas geniais, Neymar, o garoto-revelação, Paulo Henrique Ganso (que fez um golaço no domingo, no empate contra o São Paulo, também em Santos), e Lucas do São Paulo (que fez o primeiro gol do clássico, numa jogada sensacional, levando dois jogadores adversários, depois dando um drible "da vaca" ou uma "meia-lua" no bom zagueiro Edu Dracena, até colocar a bola na rede, com categoria), têm proporcionado momentos de beleza desse esporte que é paixão nacional. Há outros jogadores e times bem montados, que proporcionam espetáculo ou contribuem para ele, provando que continuamos a ser celeiro de grandes jogadores, espalhados por esse Brasil imenso e esses campinhos improvisados.
Até amanhã.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
A MORTE DE DOM BRUNO GAMBERINI - ARCEBISPO METROPOLITANO DE CAMPINAS
Boa noite amigos,
A comunidade religiosa católica de Campinas e região e dirigentes, professores, funcionários e alunos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, foram surpreendidos na tarde de ontem, com a notícia do falecimento do Arcebispo Metropolitano de Campinas, Presidente da Sociedade Campineira de Educação e Instrução e Grão Chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Dom Bruno Gamberini. O arcebispo tinha sido internado em junho, com encefalopatia decorrente de problemas hepáticos. Sofria da chamada “síndrome metabólica”, quadro que, segundo o médico patologista, Dr.Tercio Genzini, contempla características como sobrepeso e diabetes. A morte foi decorrente da própria doença e de seu agravamento. Já havia se instalado um quadro de fibrose hepática, com cirrose e, na sequência, infecção generalizada. D. Bruno nasceu em 1.950 e tinha completado 61 anos, recentemente. De origem humilde, nasceu na cidade de Matão, em 16 de julho de 1.950, filho de um operário da indústria metalúrgica e de uma dona de casa. Ciente da plural dimensão humana, não gostava de rótulos. Sua imagem, jovem e vigorosa, combinava com o seu gênio afável, o seu bom humor (ver seu ar tranquilo e sorridente em foto não muito antiga acima) e o seu entusiasmo pelas ciências e pelas artes. Interessava-se com extremo carinho pelos projetos desenvolvidos nas paróquias de toda a Província Eclesiástica de Campinas (A Província é responsável pelo conjunto de dioceses e, no caso da Arquidiocese de Campinas formada pelas dioceses de Campinas, Bragança Paulista, Limeira, São Carlos, Piracicaba e Amparo), e ainda pela qualidade de ensino, pesquisa e extensão na visão cristã, desenvolvida na Pontificia Universidade Católica de Campinas, da qual era o Grão Chanceler. Sabia distinguir com extrema sensibilidade e delicadeza a missão da igreja católica e da Universidade. Dom Bruno tomou posse na Arquidiocese, em agosto de 2.004, sucedendo a Dom Gilberto Pereira Lopes, que havia renunciado, atendendo à praxe eclesiástica em virtude de sua idade avançada, em junho de 2.004. Conheci D. Bruno ao tempo de sua nomeação e posse, quando dirigia a Faculdade de Direito da Universidade e com ele mantive contatos esporádicos. Aprendi a admirar o homem, o dirigente, o líder religioso e o exemplo de equilíbrio, sobriedade e humildade, virtudes das quais era sereno e autentico portador. Sua morte deixa uma lacuna grande entre os seus discípulos e admiradores. O velório está sendo realizado na Catedral Metropolitana, onde amanhã, às 10,00 horas, seu corpo será inumado na cripta localizada embaixo do altar. Nosso adeus emocionado ao grande líder e nossa eterna saudade e agradecimento pela sua imensa contribuição à sociedade campineira, à comunidade católica de sua arquidiocese e aos dirigentes, alunos, professores e funcionários da sua e nossa querida Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Ate amanhã
domingo, 28 de agosto de 2011
ULTIMA RODADA DO PRIMEIRO TURNO DO BRASILEIRO DA SÉRIE B 2.011
Boa noite companheiros.
Terminou ontem o 1º Turno do Campeonato Brasileiro da Série B e hoje, daqui a pouco, terminam os últimos jogos também do encerramento do turno do Campeonato Brasileiro da Série A. Das rodadas, recheadas de gols e de grandes clássicos, falo hoje da série B e das equipes da região, e, durante a semana, da série A.
A PORTUGUESA DE DESPORTOS – CAMPEÃ DO PRIMEIRO TURNO DO BRASILEIRO DA SÉRIE B
Na data de seu aniversário, a Portuguesa de Desportos evitou o que seria uma surpreendente derrota, no Canindé, para o modesto time do Icasa, nos últimos minutos. Perdendo pelo placar de 3 a 1, a Lusa conseguiu o empate heróico em 3 a 3. Com esse empate chegou aos 38 pontos e manteve o primeiro lugar na classificação, com o título simbólico do Primeiro Turno. A campanha da Lusa é realmente surpreendente, similar àquela do Corinthians quando esteve na série B.
A PONTE EM ARARAQUARA. GRANDE JOGO COM O NÁUTICO.
A Ponte Preta fez ontem, na rodada final do primeiro turno, o primeiro jogo na Fonte Luminosa, em Araraquara, onde jogará, ainda, mais 4 jogos, para cumprir a penalidade de perda de 5 mandos, em razão dos fatos acontecidos no Derbi Campineiro. Vi o jogo que foi transmitido pela TV Bandeirantes. Sem dúvida foi um dos melhores jogos do Campeonato, incluindo as séries A e B. O Náutico se revelou um time entrosado, bem treinado pelo técnico Waldemar Lemos e que tem jogadores muito bons tecnicamente. Destaque para o centroavante, Kiesa, que já esteve na Macaca e que, não por acaso, é atualmente o vice-artilheiro da série B, com 11 gols, um a menos que Ricardo de Jesus. Destaque também para o seu companheiro de ataque, Rogério, especialista em belas jogadas e para o meia, Eduardo Ramos. Na Ponte, os destaques ficam com o recém-contratado meia, Renato Cajá, que, reeditando o seu bom campeonato paulista de 2.008, como jogador da Ponte, vice-campeã, paulista (perdeu a final para o Palmeiras), fez um segundo tempo brilhante, demonstrando raça e técnica, e para o lateral Guilherme, que marcou um golaço aos 33 minutos do 2º tempo, dando números finais ao marcador. Guilherme tem apenas 21 anos, veio da categoria de base da Ponte e foi o melhor jogador em campo. O resultado, um empate em 3 a 3. O Náutico foi melhor no 1º tempo e a Ponte no 2º. Todos os gols foram golaços. A Ponte marcou primeiro com Lúcio Flávio de cabeça, numa bola bem alçada por Renato Cajá, aos 17 do primeiro tempo. O Náutico empatou aos 28 com um chute indefensável de Elicarlos de fora da área, e virou com Rogério, aos 39 minutos ainda da etapa inicial. Kiesa faz grande jogada pela direita e cruzou para a área, encontrando Eduardo Ramos que rolou para Rogério entrar livre pela esquerda e bater por baixo do goleiro Júlio Cesar. No segundo tempo, mesmo melhor, a Macaca levou o terceiro gol aos 18 minutos, com outro golaço da entrada da área, agora de Eduardo Ramos. Aos 26 minutos Gerson avançou pela direita e Renato Cajá completou para o gol, diminuindo o placar. Finalmente aos 33 minutos, numa cobrança de escanteio, Guilherme subiu e cabeçou para as redes do bom goleiro Gedeão. Fim de um jogo eletrizante, que teve alternativas, gols, técnica e raça. A Ponte Preta termina o primeiro turno na 2ª. posição, com 35 pontos e o Náutico em terceiro lugar, com 34, revelando que ambos têm condições plenas para disputar o acesso. Completando o G4, outro time da região, o Americana, que começou bem o campeonato, depois caiu muito, mas se recuperou e mantém a privilegiada quarta posição.
O GUARANI E A ZONA DO REBAIXAMENTO
O Bugre mais uma vez decepciona e termina o turno com 20 pontos, na 18ª. posição, na zona de rebaixamento para a série C. Há muito campeonato pela frente,sem dúvida. Mas é desanimador ver os últimos jogos do Guarani, que sinalizou com uma reação quando venceu o Duque de Caxias por 4 a 0, o Gremio Barueri e o São Caetano por 1 a 0. Voltou a cair e chegou a perder, em Araraquara, para o péssimo time do Salgueiro, que ainda assim terminou o turno na 19ª. posição, com 16 pontos. Não há dúvida que a falta de perspectiva anunciada pelo Presidente, (que quando dá entrevista, faz questão de reafirmar o seu pessimismo com relação ao futuro), e os salários atrasados, são em parte circunstâncias responsáveis por essa má campanha, embora se saiba que o time não é brilhante. É lamentável que durante tanto tempo a Diretoria tenha insistido com a tal venda do Estádio (principal bandeira da campanha de reeleição da atual Diretoria, lembram-se?), sem aludir a qualquer plano B, para o caso de inviabilidade da negociação. E ao que se supõe o Plano B é apagar as luzes e fechar as portas. É triste e lamentável. Com a palavra a grande nação alviverde, os conselheiros e os empresários bugrinos. É preciso alguma luz no fim do túnel. Vou continuar escrevendo neste blog, sobre a grande história do Guarani e de seu passado glorioso. Quem sabe surge algum iluminado que consiga transformar essa história em investimentos para que o clube volte a ter uma rotina administrativo-financeira de sustentação.Quem sabe.
Até amanhã.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
CINEMA - UM INSTANTE DE INOCÊNCIA
Parodiando o “Cogito ergo sum” de Descartes, eu poderia dizer: “tenho uma imagem, logo existo” Que seria o mundo, que visão teríamos de nós mesmos, se não existisse a possibilidade de oferecer a cada um seu reflexo, seja o de uma fotografia, de um espelho ou de um reflexo na água? Todos têm necessidade e vontade de ver sua imagem. Porque somente ela nos permite acreditar em nós mesmos e de tomar consciência de nossa existência” (Abbas Kiarostami, 1.994).
Boa noite amigos,
Vamos falar de cinema produzido por cineastas iranianos. Sim, iranianos. O bom cinema iraniano. Os bons cineastas como Abbas Kiarostami, também fotógrafo e poeta, que se tornou conhecido no mundo ocidental, nos anos 90, a partir da revolução islâmica. Dirigiu filmes de sucesso como Onde fica a casa do meu amigo? vencedor do Festival de Locarno em 1.987, A Vida Continua (1992) e o Gosto de Cereja (1.997). Porém, seu filme mais conhecido, de sucesso, é Close-Up (1990), objeto de muitas discussões, trabalhos e discursos acadêmicos e no qual dirige um outro grande cineasta conterrâneo, Moshen Makhmalbaf. A originalidade está na ideia de um cinema-imagem, que inspira reflexão sobre a existência e o auto-conhecimento (vide a bela mensagem acima do fotógrafo-poeta-cineasta), e que, sobretudo, convida o espectador a dele participar, um cinema de ruídos e silêncios profundos, que dialogue com o espectador. Pois bem, Moshen Makhmalbaf é outro diretor genial. Um Instante de Inocência (Num Va Goldun, Irã-França, 1.996), um drama de 78 minutos, é reconhecido como seu primeiro sucesso no Ocidente. No longa, Makhmalbaf, que interpreta a si mesmo, reconstitui o episódio real que viveu quando tinha 17 anos e era militante muçulmano combatente, em luta armada, da ditadura do Xá Reza Pahlevi. Como precisasse de um arma, não teve dúvidas em ferir com um punhal um guarda do Xá, para tomar-lhe o revólver. Foi preso e o guarda, internado, perdeu, no mesmo episódio, a jovem que iria pedir em casamento naquele mesmo dia e que desapareceu de sua vida, alterando-lhe o curso profundamente. Tendo já se tornado cineasta famoso, o diretor reencontra o policial, a quem prometera um dia lhe oferecer papel num filme e este lhe cobra a montagem e a participação. É disso que trata Um Instante de Inocência, um filme que diverte, envolve e emociona, como afirma João Gabriel de Lima. E basicamente coloca em discussão algumas reflexões necessárias sobre o ser humano: como é difícil reconstituir situações vivenciadas no passado, sem que elas se alterem pela visão equivocada e subjetiva que temos e carregamos a respeito delas; como é complexo separar o que faz parte objetivamente da realidade e aquilo que a nossa imaginação construiu, sedimentou e conservou na memória dos fatos. Bem, a técnica usada pelo diretor é bastante interessante, reproduzindo a mesma cena inúmeras vezes, indo e voltando no tempo (o que é a gravação agora e o que foi o fato que aconteceu e como aconteceu). O filme também traz o universo do jovem politicamente engajado nos pulsantes 17 anos, na crença purista de ser predestinado e capaz de salvar a humanidade. Documenta a opção pela luta armada como contradição na busca da liberdade, da paz e da justiça social, na metáfora da arma e da flor e na sutileza da retrospectiva que mexe com as essências e os valores dos personagens e dos atores novos e antigos. Enfim, um filme sensível e profundo, que bem reflete o bom cinema dos iranianos e merece aplausos. No elenco, Moshen Makhmalbaff (ele mesmo), Miryam Mohamadim (amada do policial) e Mhyradi Tayebi (policial).
Não deixe de ver.
Até amanhã.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
DIREITO - INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL POS MORTEM E DIREITO Á HERANÇA II
Boa noite amigos,
Recentemente, em postagem do dia 19 de agosto, comentamos a respeito de decisão de um Magistrado do Estado do Paraná, que autorizou inseminação artificial em viúva, com o sêmen armazenado em vida pelo marido antes de se submeter a tratamento com quimioterapia, para tratamento de um câncer. É que o marido não deixara autorização escrita para o procedimento, razão pela qual tanto o laboratório, quanto o Conselho Estadual de Medicina daquele Estado da federação se recusaram a realizá-lo e autorizá-lo, respectivamente. Prometi na ocasião voltar ao assunto para tentar resposta a uma indagação que tem sido feita nesses casos, raros ainda na prática e, pois, na literatura jurídica: o filho, fruto de inseminação artificial feita na mulher, após a morte do marido, é herdeiro do falecido pai? Pois bem, dispõe o artigo 1.798 do Código Civil Brasileiro que: “Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão”. Ora, o momento da abertura da sucessão é o da morte do autor da herança. Como asseveram Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, “No momento da morte, com a cessação da personalidade (CC 6º), ocorre a abertura da sucessão. O herdeiro sucede o morto na data da sua morte” (Código Civil Comentado, 5ª. edição, p. 1109, São Paulo: 2007, Editora Revista dos Tribunais). Bem se sabe que pelo princípio da saisine, a herança não fica acéfala, passando aos herdeiros legítimos e testamentários automaticamente no instante mesmo da morte do “de cujus” (le mort saisit le vif). Assim,pela interpretação literal do artigo 1.798, que trata da sucessão legítima, não havendo testamento, ou não sendo este válido, só as pessoas nascidas ou pelo menos concebidas na ocasião da morte do autor da herança é que seriam herdeiras, o que afastaria a sucessão do filho fruto de inseminação artificial feita após a morte, seja ela efetivada com sêmen do próprio marido (inseminação homóloga), seja com sêmen de terceiro doador, desde que exista autorização do marido (inseminação heteróloga.). Ocorre que, o mesmo Código considera no artigo 1.596, que “Os filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.” E logo no artigo seguinte, ou seja, no 1.597, que “Presumem-se concebidos na constância do casamento, os filhos: I -...., II -...., III -....., IV – havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga” e, “V – havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido”. Na verdade a isonomia absoluta de direitos e obrigações entre os filhos, qualquer que seja a natureza da filiação, está na Constituição Federal, artigo 227, § 6º, e no ECA artigo 20, não havendo qualquer novidade, portanto, no preceito reproduzido pelo artigo 1.596. Assim, da conjugação do disposto nesse artigo, com os incisos IV e V do art. 1.597 do Código Civil, tem-se que impossível será afastar a sucessão do filho concebido superveniente à morte do pai. É bem verdade que no caso não há embrião, mas material genético (sêmen) deixado para utilização em laboratório, visando a produção dos embriões. Nada obstante, autorizada por antecipação, seja expressa, seja tácita ou presumida, como aconteceu, pelo marido, do sêmen armazenado, é indiscutível que o filho gerado será filho dele próprio e, portanto, não poderá ser afastado da herança. O assunto, porém, carece de regulamentação legal adequada, pois até quando se pode utilizar o material genético, havendo autorização seja escrita, seja tácita? E se houver sido feito o inventário e partilhados os bens da herança, por quanto tempo deve-se admitir o pleito de petição de herança, de caráter reivindicatório? Lembre-se que muitos juristas, filósofos, religiosos e pessoas comuns são contrários à admissão de uma gestação pós morte do pai. Em simpósio promovido pelo Superior Tribunal de Justiça sobre o Código Civil de 2.002, uma das conclusões que gerou o enunciado n. 127 (Jornada n. I), deliberou-se pela alteração do inciso III do artigo 1.597, para suprimir a expressão “a qualquer tempo”. A Justificativa para a proposta de supressão ficou assim registrada: “Para observar os princípios da paternidade responsável e dignidade da pessoa humana, porque não é aceitável o nascimento de uma criança já sem pai.” O tema, pois, longe de estar equacionado e regulamentado, ainda suscita e suscitará vivas controvérsias. Caro amigo, o que você acha a respeito?
Até amanhã.
domingo, 21 de agosto de 2011
CINEMA NACIONAL - ONDE ESTÁ A FELICIDADE?
Depois da pré-estreia apenas para a família e amigos íntimos, no Rio de Janeiro, no último dia 15, neste final de semana estreou em todo o Brasil, o novo filme de Carlos Alberto Riccelli, Onde Está a Felicidade? (Brasil-Espanha 2.011), que traz no elenco a mulher do diretor, a atriz e que também assina o roteiro, Bruna Lombardi (na foto acima, ao lado do ator Bruno Garcia). O longa veio bem recomendado. Na avaliação rigorosa da revista Veja SP, obteve três estrelas, a mesma cotação, por exemplo, de Meia Noite em Paris, do diretor Wood Allen e que foi exibido recentemente nas salas de cinemas brasileiras. Além disso, o filme ganhou o Prêmio do Juri Popular do Festival de Paulínia e conquistou também o de melhor atriz coadjuvante para Mara Pujalte. A distribuição é da Fox Filmes. Não foi divulgado o valor do orçamento. Trata-se de uma comédia romântica que conta a estória de Teodora (Bruna Lombardi), uma chef de cozinha que tem um programa gastronômico de TV, onde ensina a preparar pratos afrodisíacos e que vive um duplo drama: enquanto perde o emprego, porque o canal foi adquirido por uma igreja que pretende remodelar a programação, na vida pessoal descobre que o marido Nando (Bruno Garcia) a está traindo virtualmente pela Internet. A conselho de sua maquiadora Aura (Mara Pujalte) viaja para a Espanha, pretendendo fazer o caminho de Santiago de Compostela, onde acredita deverá encontrar a força espiritual que necessita, em busca da felicidade. Na viagem é acompanhada por Zeca (o ótimo Marcelo Airoldi), seu diretor no programa de TV e que também perdeu o emprego, e por uma amiga espanhola, Milena (Marta Larralde), que é sobrinha da maquiadora. Grande parte das gravações foram feitas no Polo Cinematógrafico de Paulínia e as locações realizadas na Galícia são excelentes, como também merecem destaques as cores de Almodóvar e a trilha sonora. Bruna se revela como comediante, ao lado dos "batutas" Bruno Garcia e Marcelo Airoldi. Apesar de alguns clichês que são inevitáveis em comédias brasileiras, como as piadas sobre sexo e os palavrões às vezes exagerados, sempre como recurso para provocar humor, o roteiro é bom, explorando o “políticamente correto”, como na cena em que Teodora encontra uma senhora que vela o seu cão, que está à beira de morte, justificando sua conduta como gesto de gratidão, amor e solidariedade. Ou naquela em que se enfatiza o valor do casamento duradouro, na celebração das bodas de ouro dos pais de Nando. Aliás, como o Sr. Cezar, pai de Bruno, foi bom rever o veterano ator Rogério Marcico, com sua imensa simpatia, comparável a de Leo Batista, comentarista esportivo da Rede Globo. No elenco, ainda, Wandy Soratiotto (Arnon), Sérgio Guizé (Juninho), a menina-adolescente Hanna Rosenbaum (Clarinha) e o ator espanhol Luiz Zahera (Anxo). Atores famosos como Dan Stulbach e Sandra Coverlone (detentora do Urso de Ouro do festival de Berlim), fazem rápidas aparições no longa. Entre coisas boas e ruins, o saldo é bem positivo. Vale a pena conferir, pois é muito melhor que a maioria das últimas comédias românticas americanas, tão na moda e ao gosto da juventude.
Até amanhã.
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