quarta-feira, 6 de julho de 2011

PAULÍNIA - AINDA O FESTIVAL DE CINEMA E ARLETE MONTENEGRO

Amigos, boa noite,
Ontem, dando uma rápida passada pela TV Brasil, deparei-me com a bela imagem da atriz Arlete Montenegro, num velho filme brasileiro. Há anos que não a vejo. Onde será que anda a Arlete? Fazemos várias vezes essa pergunta quando lembramos ou vemos antigas imagens ou fotos ou programas ou filmes de gente que a gente gostava, cujo trabalho foi importante, como é o caso de Arlete para a dramaturgia. Fui pesquisar e quero inaugurar nesta coluna, um ONDE ANDA VOCÊ? Para conhecer o paradeiro atual de artistas, cientistas, esportistas, e gente notável em geral, na sua  área de atuação, contando com a ajuda dos amigos.
ARLETE MONTENEGRO – QUEM É E ONDE ANDA.
Arlete Montenegro é atriz com grande talento e uma dicção perfeita. É paulistana nascida em 15 de outubro de 1.938. Sua foto está aí estampada acima para eventual reconhecimento por quem não lembra dela ou para os jovens que não tiveram o privilégio de conhecê-la, assim como a seu trabalho. Aos 72 anos, está viva e saudável, embora sua figura esteja longe atualmente das telinhas. De infância difícil, Arlete cursou apenas o primário e foi, no início da adolescência, trabalhar em uma fábrica. Aos 19  começou a trabalhar na rádio, atuando em rádio-novelas. Ganhou o premio Tupiniquim, como melhor rádio-atriz. Foi convidada para trabalhar na TV Record, interpretando a personagem Esmeralda, em “Corcunda de Notre Dame” no programa especial chamado de TV Vanguarda. Nessa época começou também a fazer dublagens. Depois trabalhou na TV Excelsior, onde atuou em inúmeras novelas, como “As Solteiras”, “As Minas de Prata” e a primeira versão para a televisão  de “A Muralha”,  que conta a saga de bandeirantes,. Da Excelsior foi para a TV Tupi, atuando também em folhetins (O Preço de um Homem, Divinas e Maravilhosas, Meu Rico Português, "João Brasileiro, o Bom Baiano"). Com a falência da Tupi foi para a Bandeirantes e em seguida para a emissora de Silvio Santos, o SBT. Na TV Globo, trabalhou na novela “O Profeta” e fez uma participação especial em “Páginas da Vida”, famosa novela de Manuel Carlos. Levando em conta a sua perfeita dicção, dublou grandes atrizes em filmes famosos, dentre as quais, Jane Fonda, Lana Turner, Shirley MacLaine e Bette Midler. Quanto a esta última, vide os filmes Amigas para Sempre, Cuidado com as Gêmeas e Abracadabra. Dublou também personagens de desenhos, como a Vovó Ursa, em Ursinhos Carinhosos e Senhora Puff, em Bob Esponja. Fez também teatro e cinema. Atualmente se dedica principalmente às dublagens. Arlete se casou, teve um filho e ficou viúva aos 33 anos.
FESTIVAL DE CINEMA BRASILEIRO DE PAULÍNIA
O badalado festival de cinema Brasileiro de Paulínia terá sua abertura oficial amanhã, dia 07 de julho e prossegue até o dia 14, data do encerramento.Já indicamos a programação do dia 08, com os curtas e longas que serão exibidos gratuitamente ao público. Registramos hoje a presença dos cantores, compositores e músicos que se apresentarão no PAULÍNIA F.E.S.T. 2011, Parque Brasil, n. 500, ao lado do THEATRO MUNICIPAL DE PAULÍNIA.
Dia 07 de julho – RITA LEE e ADDICTIVE TV;
Dia 08 de julho – CAETANO VELOSO e SEU JORGE;
Dia 09 de julho -  GILBERTO GIL e VANESSA DA MATA.
Acesse www.pauliniafest.com.br para informações e aquisição de ingressos (ingressorapido.com.br)
Até amanhã.








terça-feira, 5 de julho de 2011

CASSIA KISS MAGRO - MORDE E ASSOPRA


Boa noite amigos,

As telenovelas da Globo fazem sucesso no mundo inteiro. E além  das atuais, vistas na grade normal da emissora (18,20, 19,20 e 21,10 horas), mantida há anos por força dos apreciáveis números do IBOPE, e que muito tem a ver, é claro, com a qualidade de seus folhetins,  também as antigas podem ser revistas no Vale a Pena Ver de Novo, que a própria Globo exibe todas as tardes, logo após o Video Show;  no canal fechado TV VIVA, n. 36 e, ainda, pelos regravações  que reproduzem  sucessos passados,  como será o caso de O Astro, novela  dos anos 80, cujo remake será agora exibido em novo horário: o das 23,00 horas. Considerando, ainda, Malhação e os telejornais, muito pouca coisa restará na grade da emissora para outros programas, especialmente musicais. Mas o assunto de hoje é a atriz CASSIA KISS, que  depois da união com seu atual companheiro, João Baptista Magro Filho, acrescentou ao nome artístico,  o sobrenome Magro. Com mais de 20 novelas e boas atuações,  Cássia se supera agora, encarnando a personagem Dulce, na novela de Walcyr Carrasco, MORDE E ASSOPRA (19,20 h.). Dulce é uma mulher humilde, inculta e maltratada pela vida simples e carente que leva, vendendo cocada nas esquinas e fazendo faxinas para ganhar a vida e poder sustentar um suposto curso de medicina que seu único filho Guilherme (Klebber Toledo) estaria cursando na cidade grande. A atriz revela em entrevista  que, por sugestão do marido, foi para a Recife e lá, caminhando e observando, encontrou um modelo para conceber o seu personagem: uma vendedora de meia-idade, que trajava roupas simples, coloridas e desentrosadas, exibindo alegria e dentes em mau estado. Voltou para o Rio e solicitou os recursos destinados à composição física de sua  Dulce, incluindo uma prótese que ela usa nas gravações para supor arcada dentária em decomposição. A personagem, singelamente ética, vive o drama de ter sido enganada pelo filho, que gastou o dinheiro que ela, com muito esforço, enviava a ele, na crença de que se tratava de custear um curso de medicina. De quebra, depois de descobrir as mentiras do filho vaidoso e ambicioso, que não vê limites para se dar bem na vida, busca recuperá-lo e torná-lo uma pessoa humana, preservando valores, nos quais ela acredita. Ao mesmo tempo em que o censura e quer castigá-lo, vende tudo o que tem para livrá-lo de uma condenação criminal certa, revelando o seu amor maternal incondicional.    Os diálogos escritos para  Dulce (que vem de doce), doce mãe e ao mesmo tempo amarga,  enternecem o espectador. A entrega da atriz à interpretação é magistral. Cássia, de 53 anos, afirma que se dedica de corpo e alma à sua profissão e quer ser, ainda,  a melhor atriz brasileira. Não duvido disso, pelo que tem demonstrado. O público se encanta e se emociona com esse seu atual trabalho, realmente magnífico e convincente. Há não muitos anos, a atriz confessou, no programa de Ana Maria Braga, que é portadora de bulimia e de transtorno bipolar, males que trata com medicamentos. Nada obstante, cuida de 4 filhos de 15, 13, 7 e 6 anos e do atual companheiro.  E de forma exemplar também  da profissão. A cada dia revela o seu amadurecimento e o seu talento, agora indiscutíveis. Dizem que todo o foco da novela das 7, foi  voltado para a personagem Júlia, uma paleontóloga à caça de ossos de dinossauro,  interpretada por Adriana Estevez, o que teria suscitado um certo descontentamento de outros atores consagrados do elenco. Pode ser. Mas em verdade, o melhor de MORDE E ASSOPRA, e público e crítica já consagraram, é mesmo a DULCE, de Cássia Kiss Magro. Pelo seu drama, pelo seu senso ético, por representar um paradigma e modelo de que esse país tanto precisa, numa sociedade utilitarista, em que tudo é precário e descartável e para a qual os fins justificam os meios. E especialmente pela magistral, irretocável e convincente interpretação de CÁSSIA KISS MAGRO, a quem rendo hoje (e o Brasil certamente também) as homenagens,  nesta coluna.

Até amanhã.






segunda-feira, 4 de julho de 2011

CINEMA BRASILEIRO - FESTIVAL DE PAULÍNIA - O PALHAÇO


Amigos, boa noite.

Esfriou no sudeste. E muito. São Paulo, no final da tarde, marcava 10 graus, com sensação térmica de 7. Aqui em Campinas os números não são diferentes. Nesta noite fria o assunto é cinema nacional. E o acontecimento mais marcante desta e da próxima semana, por certo, é e será o Festival de Cinema de Paulínia 2.011, que acontecerá de 07 a 14 de julho de 2.011.  A cada ano o Festival vem ganhando notoriedade, com mostras interessantes, premiações e grande adesão de artistas, diretores, pessoal técnico e convidados.  E também do público que vem lotando as sessões gratuitas de exibição de curtas e longas. Com o belíssimo teatro, construído com a melhor técnica e que comporta todos os tipos de espetáculo, como apresentação de grandes orquestras, peças de teatro, filmes, óperas, etc., Paulínia passa a ser referência nacional no assunto. E, além disso, transformada em cidade cenográfica, muitos diretores passaram a usar seus recursos para gravação de cenas de seus filmes. Vamos hoje à programação do dia 08 de julho, primeiro dia  de exibição do festival e ao comentário sobre longa de Selton Mello.

OS FILMES NACIONAIS QUE SERÃO EXIBIDOS NO DIA 08 DE JULHO, SEXTA-FEIRA.

18,00 HORAS: O CÃO, DE EMILIANO CUNHA e ABEL ROLAND (CURTA);

18,30 HORAS: UMA LONGA VIAGEM, DE LÚCIA MURAT;

20,30 HORAS: POLAROID CIRCUS, DE MARCOS MELLO e JACQUES DEQUEKER (CURTA);

O PALHAÇO – DIREÇÃO DE SELTON MELLO (na foto acima, em descanso durante as filmagens,  com o ator Paulo José).

SELTON MELLO   é sem dúvida um de nossos melhores atores, seja no teatro, na televisão ou no cinema. Estrelou e brilhou em  filmes de sucesso como O que é isso Companheiro (1.997- Drama),  Caramuru – a Invenção do  Brasil (2001-Comédia), Lisbela e o Prisioneiro (2.003 – Comédia Romântica), O Coronel e o Lobisomen (2.005- Comédia), O Cheiro do Ralo (2.007 – Comédia), Meu Nome não é Johnny (2008 – Drama), A Mulher Invisível (2009-Comédia), dentre outros. O ator é mineiro, talentoso, tem 38 anos e 28 de profissão. Em 2008 lançou-se também no campo da direção. Dirigiu Feliz Ano Velho, sem atuar. Agora, em O Palhaço, cuja estréia nas telas dos cinemas estava inicialmente prevista para o mês de agosto, mas que só deve ocorrer em 28 de novembro,  assume pela segunda vez a direção de um longa. Desta vez,  também atua no filme. Convém conferir. O Palhaço conta a história de Benjamin (Selton), um palhaço sem identidade que se apresenta formando a dupla Pangaré e Puro Sangue,   com seu pai Valdemar (Paulo José). O palco é o Circo Esperança que viaja pelo país. Benjamin, no entanto, em crise, acha que perdeu a graça e abandona o circo para viver uma aventura, em busca de seu sonho. O longa foi rodado parte em Paulínia e parte no Parque Estadual de Ibitipoca em Minas Gerais, no ano passado. Com um orçamento estimado em R$5.000.000,00 (cinco milhões de reais), tem no elenco, além de Selton e Paulo José, os atores Fabiana Karla, Teuda Bara e Renato Macedo. O filme será exibido no primeiro dia do festival de Paulínia, 8 de julho, sexta-feira, às 21,00 horas, com entrada franca.

Até amanhã.

domingo, 3 de julho de 2011

COPA AMÉRICA, RODADA DO BRASILEIRÃO DA SÉRIE B E A ROTINA DO BUGRE


Boa noite caros amigos blogueiros:
A nona rodada completa da série B aconteceu sexta feira e ontem,  sem grandes novidades. O predomínio foi dos times que jogaram em casa. A Lusa perdeu o jogo contra o ASA, em Arapiraca, por 2 a 0  e a liderança do campeonato. Em Curitiba,  o Paraná também venceu o lanterna Duque de Caxias por 3 a 1 e subiu uma posição, estando agora em 3º lugar, dentro do G4. O Barueri finalmente venceu e venceu bem, o bom time do Vitória por 1 a 0 e subiu para o 13º lugar. Boa e Salgueiro empataram em 0 a 0. O Bragantino também ganhou em Bragança, do Americana, pelo placar de 2 a 0. A surpresa da rodada ficou por conta da derrota do Vila Nova, que vinha de uma boa vitória contra o Guarani, em Campinas, e foi supreendido, em Goiás, pelo Icasa  (perdeu por 2 a 1). No ABC,  São Caetano e Sport fizeram um jogo de muitas emoções, gols e alternativas e acabaram empatando em 3 a 3. Finalmente, os times de Campinas continuam contrastando: a Ponte fez mais uma vítima. Jogando no Moisés Lucarelli venceu o Goiás pelo placar de 2 a 1, somou 6 vitórias no campeonato, 20 pontos ganhos e assumiu a liderança isolada da competição. O Bugre, bem o Bugre perdeu de novo. Desta feita do Náutico, em Recife e entrou na zona de rebaixamento.
A COPA AMÉRICA
Acima foto do atacante Alexandre Pato da Seleção Brasileira, que continua nas manchetes, menos pelo futebol que vem jogando no Milan,   mais pelas conquistas amorosas. O moço agora diz que está firme com a namorada, Bárbara,  filha do poderoso Primeiro Ministro italiano, Sílvio Berlusconi, que é também seu patrão.  E o irmão da jovem anda dizendo que o rapaz já é quase de casa. Quem sabe se esse romance não acaba em casamento e ameniza a crise entre Brasil e Itália por causa da não extradição de Cesare Battisti.  Bem, mas a foto é porque começou a Copa América. E com  grandes surpresas, pois duas das seleções favoritas à conquista do torneio não ganharam. A anfitriã só empatou com a fraca Seleção da Bolívia, em 1 a 1, na sexta-feira à noite, em La Plata, gols de Rojas, aos 2 minutos para a visitante e de Agüero, aos 30 do segundo tempo para a Argentina. Hoje à tarde, num jogo fraco tecnicamente, a Seleção da Venezuela, retrancada, conseguiu conter o Brasil, que em todo o jogo praticamente não levou perigo para a meta do experiente goleiro Vega. As promessas Neymar, Ganso e Lucas não luziram. Nem os demais jogadores, com raras exceções, como o caso de Pato, o atacante mais perigoso e do velho Lúcio, o bom Lúcio, zagueiro seguro e de futebol técnico, sério e elegante.  O meia Paulo Henrique errou muitos passes e não conseguiu dar sequência às jogadas. Final do jogo, um frustrante 0 a 0. Sábado que vem o Brasil pega um adversário teoricamente mais forte: o Paraguai.  E Mano Menezes terá muito trabalho para dar à sua equipe ritmo de jogo e entrosamento.
GUARANI E A ROTINA DE DERROTAS
O Guarani jogou ontem à tarde no Estádio dos Aflitos, em Recife, contra o Náutico, pela 9ª. Rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Pressionado pelos últimos resultados (derrotas para Portuguesa, Americana e Vila Nova e empate contra Bragantino), ganhando 1 ponto apenas em 12 disputados, o que provocou a demissão do técnico Wilson Tadei no meio da semana e a imediata contratação, no dia seguinte, de seu sucessor, Giba, o Bugre entrou tímido e logo aos 7 minutos, em nova falha da defesa, sofreu gol de bola parada. Lucas subiu com o atacante, perdeu a bola e Derley, livre, chutou no canto direito, abrindo o placar para os pernambucanos. Bola alta na área do Guarani é uma festa para o adversário. Ailson e Aislan, com grande estatura, não se entendem e parece que nunca jogaram juntos. Estão sem tempo de bola, o que indica falta de treinamento e entrosamento. Acontece que no campeonato passado essa era a zaga titular do time. Neto, machucado, ainda não voltou e nem convenceu também até aqui. Depois do gol o alviverde se encolheu e sofreu pressão do modesto time do Náutico que teve várias chances de ampliar até os 30 minutos. Aí o Bugre resolveu sair um pouco mais e adiantar o seu meio de campo. Teve, então, várias chances aos 32, 35 e 37, duas em cabeçadas de Fernandão e uma com Dadá. No término do primeiro tempo, a impressão que se tinha é que o Guarani viria melhor para a etapa complementar. Doce ilusão. Giba tirou o meia Felipe, que vinha mal  e promoveu a entrada de Jefferson Luís. O meio de campo continuou mal, perdendo as jogadas para os jogadores do Náutico. Aos 4 minutos o árbitro não marcou um pênalti de  Lucas no jogador Rogério, provavelmente para  compensar penalidade máxima sofrida por Fernandão, no primeiro tempo, que ele também ignorou. Aos 7, Eduardo Ramos livre no meio da área bateu para boa defesa de Emerson. Aos 10:26 não deu para evitar. Denilson fez grande jogada, dominou e passou para Kieza (ex-Ponte Preta), que dominou no peito, ganhou de Aislan e livre bateu com o pé direito, sem chances para o goleiro. Daí por diante o Náutico aumentou a sua marcacão e ganhou todas as jogadas. E ainda saía em rápidos contra-ataques com os laterais, dos dois lados, aproveitando da fragilidade de Chiquinho e Ari que nada faziam no ataque e não conseguiam deter os laterais pernambucanos, que criaram várias jogadas para o terceiro gol. Fernandão saiu para entrada de Denilson e Dadá  foi substituído por  Lusmar. Nada melhorou. Aos 44 minutos a única chance efetiva de gol do Guarani: Denilson levantou para a área, Jefferson Luis entrou livre, mas caiu, não conseguindo dominar a bola, que sobrou tranquila para o goleiro Gideão. Fim de jogo e o Bugre entra na zona do rebaixamento. Triste rotina. Claro que faltam 28 rodadas para o final do campeonato e ainda é cedo para prognósticos sombrios. Mas o Guarani que jogou ontem em Recife é um arremedo de time,  falho em todos os setores e  fundamentos. Apesar de  lento, o número de passes errados é impressionante e inaceitável. A defesa é falha na bola área e na marcação. Os laterais que jogaram ontem – e pelo menos ontem -  – mostram que não são titulares e nem têm condições de jogar no Guarani. Pior é que João Paulo e Carlinhos, que estão fora, não demonstraram até aqui que possam ser muito melhores. No meio de campo Felipe não vem bem, Lucas é esforçado, mas erra demais passes e, no ataque, o grandalhão Fernandão e o baixinho Fabinho não conseguem vencer sozinhos as defesas dos times adversários, normalmente compostas de atletas altos, fortes e voluntariosos. Falta garra também. O time está abatido. Falta liderança.  Ninguém fala com ninguém. Jogadores não se apresentam para a jogada e tentam se livrar da bola. Isso indica que o time está sem moral também. Enfim, parodiando o saudoso Armando Nogueira, o Guarani de hoje, ao menos na partida de ontem, é um time acuado, que nem por isso consegue marcar o adversário, sem força,  sem criação, sem ataque, sem jogadas, padrão ou esquema de jogo. Em resumo: um time sem talento, nem alma. É verdade que se cogita de atraso de salários. No Náutico, ao que consta, os salários estão mais atrasados ainda. Mas o que se viu foi um Náutico com fome de bola e um Guarani esperando o apito final, conformado com o resultado adverso, incapaz de mudar o rumo e o seu destino no jogo. Tomara que consiga mudar a sua sina no campeonato. O mais desanimador é ouvir o goleiro Emerson dando entrevista para a TV Bandeirantes, no final do jogo, inteiramente conformado e alegando que o Bugre fez um bom primeiro tempo. Fala sério? Só pode ser ironia. Que saudade da indignação de Rogério Ceni, ou do Marcão do Palmeiras, quando as equipes deles vão mal. Será que os jogadores do Bugre, além de todas as carências, perderam também a auto-crítica? Que Deus te ajude Giba, nessa empreitada corajosa que você assume nesse nosso  glorioso time do coração.
Até amanhã.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

ÉTICA E A CRISE GREGA

Amigos, boa noite.

 A grave crise porque passa a Grécia, um dos importantes berços da civilização, país de origem das Olimpíadas e da ainda hoje prestigiada cultura helênica, terra de Platão, Sócrates, Aristóteles, é uma crise anunciada. Quando se chega hoje à Grécia, o que se nota, ao lado da imponência do passado memorável, com uma Acrópole completamente iluminada (vide foto ao lado), edifício que se vê do último andar de um hotel de luxo,  local do requintado restaurante, é um país em destroços, incapaz de andar com as próprias pernas. Uma economia que não se sustenta. Um país sem grandes potenciais, pleno de empregos públicos e com uma dívida externa e interna impagáveis, sem a ajuda do FMI e da União Européia. Alega-se que a Grécia gastou mais do que podia, pedindo pesados empréstimos, deixando a economia refém dessa dívida monstruosa. Os gastos públicos atingiram patamares insustentáveis, os altos salários do funcionalismo praticamente dobraram e a evasão histórica de tributos, acabaram por sangrar completamente o debilitado Erário Público. Quando chegou a crise global de crédito que atingiu o mundo, a Grécia estava despreparada e o seu déficit atingiu mais de 13 por cento do PIB, mais de quatro vezes o recomendado pela zona do euro. A dívida grega é superior a 300 milhões de euros e os empréstimos pretendidos nessa situação, quando concedidos, o são com a cobrança de altos juros e "sprads", para compensar o risco da quebra. Pois bem, as medidas anunciadas pelo Governo, de arrocho geral, deverão atingir em cheio a população, com a perda de empregos, congelamento de salários e modificação nas regras das aposentadorias e pensões. O problema maior é que se a crise grega não foi contornada, ela poderá imediatamente afetar a economia de outros países mais frágeis como Portugal,  Espanha e Itália,  que poderão deixar o euro, com a volta à moeda própria, enfraquecendo também a união monetária. E além disso, determinar uma quebra de bancos e instituições financeiras, especialmente as francesas que concederam muitos empréstimos à Grécia. Por isso, aposta-se na intervenção do FMI e da União Européia, em favor da crise grega, muito menos por aquele espírito de solidariedade que deve unir países irmãos, e mais pela defesa das próprias instituições e da manutenção de uma união inteiramente desejada e defendida pelos países ricos. Do jeito que anda a economia no mundo, dependemos uns dos outros. Há não muitos anos, simples inadimplência de mutuários de bancos que concederam empréstimos para aquisição da casa própria nos Estados Unidos, conseguiu provocar uma crise nas principais Bolsas de Valores do Mundo. E a quebra da Grécia, pela repercussão imediata, pode ter um efeito cascata muito mais significativo, atingindo direta e imediatamente outros países europeus, sobretudo com economia mais frágil, a União Européia como um todo e a estabilidade do euro, que já está abalada. Como nesse mundo utilitário, não importam os meios e sim os fins, o socorro à Grécia, mais do que um gesto de solidariedade, vai significar uma auto-defesa da economia européia e mundial, mostrando que nesse mundo globalizado, é impossível estar isolado, porque ricos, pobres e miseráveis, a seu modo e proporção, estão todos num mesmo barco e podem afundar juntos ou sobreviver. Saudemos pois esse espírito ecumênico que nos une cada mais no mundo moderno, ainda que seus propósitos contingenciais  sejam muito diversos do que se poderia pretender, numa visão ética da humanidade.

Até amanhã caríssimos amigos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A OITAVA RODADA DO BRASILEIRO DA SÉRIE B E OS PAULISTAS


Boa  noite companheiros.


A oitava rodada completa do Campeonato Brasileiro da Série B foi ontem, na fria terça-feira, isto no sudeste e sul do Brasil, porque no Nordeste, o pessoal estava muito à vontade no campo, como se pode ver pelas telas das TVs, no jogo da Ponte Preta contra o Salgueiro, em Recife. Vamos aos acontecimentos importantes da rodada, envolvendo os times paulistas, incluindo a Lusa, hoje homenageada pela coluna, com o seu belo distintivo retratado acima:


° ( A Lusa está demais) A Portuguesa de Desportos imprimiu mais uma impressionante goleada, desta vez sobre o São Caetano, no Canindé: 5 a 2. O Azulão vem mal no campeonato e agora ocupa a 14ª. posição, precisando urgentemente de recuperação para não namorar demais a zona de rebaixamento. A Lusa assumiu a liderança isolada do campeonato da série B com 17 pontos e a seguinte campanha em 8 jogos: cinco vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. Marcou 25 gols, não menos impressionante média de 3,13 gols por jogo e tomou 10 (1,25 gols) por jogo, com saldo de 15;


° (Lusa tem números do Santos de Pelé). Os números do campeonato que está apenas no início (8ª. rodada) mostra que a Portuguesa lembra (só em números,  é claro), o saudoso Santos de Pelé, Coutinho, Pepe e Cia., um time ofensivo, que tomava  gols, mas fazia muito mais. Isso prova que a melhor defesa é mesmo o ataque. E, convenhamos, não há nada mais frustrante do que ver o time de coração num esquema defensivo demais, passando por sufoco. Ou um resultado xoxo de 0 a 0;


° (Esses goleiros maravilhosos e seus frangos inacreditáveis..) Goleiro bom de vez em quando toma frango. Foi incrível o frango que o excelente Rogério Ceni tomou no domingo, na goleada do Corinthians sobre o São Paulo por 5 a 0, que está repercutindo até hoje.   Ontem, na série B, o goleiro Julio Cesar, da Ponte Preta, que vem fazendo boas partidas, também tomou um gol inacreditável no jogo contra o Salgueiro, em cobrança de lateral, com a única diferença que a Macaca ganhou o jogo assim mesmo, na casa do adversário, pelo placar de 3 a 2;


° (A boa e regular campanha da Ponte...) Registre-se que a Macaca está bem no campeonato, com 17 pontos, após a vitória de ontem sobre o Salgueiro, em Recife. Tem o mesmo número de pontos da Portuguesa de Desportos e só perde no critério de saldo de gols. Os números da "Nega Véia" são os seguintes, em oito jogos: 5 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. Marcou 18 (média de 2,25 gols por partida) e sofreu 7 (média de 0,88).


° (A briga na Artilharia.....) Ricardo de Jesus, o bom atacante da Ponte Preta, marcou ontem dois gols, um de pênalti e continua isolado na artilharia da Série B, com 09 gols marcados. Na vice-artilharia, 3 gols atrás do artilheiro, 3 jogadores: Elionar Bombinha do ABC, Edno da Portuguesa e Dodô do Americana, todos com 6 gols.


° (Por falar em Edno....). Edno fez sucesso na Portuguesa. Por isso foi contratado pelo Corinthians. Nada aconteceu. Do Timão foi para o Botafogo do Rio,  e por lá passou desapercebido também. Retornou à Lusa. E a velha casa é efetivamente o lugar de Edno, que, no Canindé voltou à antiga forma e tem sido importantíssimo na campanha da Lusa até aqui. Com afirma um colunista, o Edno da Portuguesa joga em qualquer time do mundo. O Edno do Corinthians e do Botafogo só joga na Portuguesa. É isso: tem jogador que só funciona em determinado time. Ou então em clube, mas não na seleção, por exemplo. Coisas do futebol;


° O Americana, depois que venceu o Guarani em Campinas, de virada, por 2 a 1, parece que firmou no campeonato. Ontem venceu mais uma, com a ajuda incrível da arbitragem. Pelo magro placar de 1 a 0, gol de Dodô, ganhou de outro paulista, o Gremio Barueri. O trio de arbitragem, formado pelo árbitro Vinícius Furlan e pelos bandeiras, Celso Barbosa de Oliveira e Carlos Nogueira Junior, todos de São Paulo, prejudicou flagrantemente o Barueri, não assinalado um  um gol totalmente válido, no começo do segundo tempo, quando dois jogadores do Barueri, em carrinho duplo, empurraram a bola para dentro das redes e Jaílson tirou.  A bola entrou, e entrou muito além da risca do gol, como mostrou várias vezes o programa Globo Esporte de hoje, na TV Globo. O lance, é claro, era mais dos bandeiras, que estão lá para isso. E assim mesmo não dão conta. Eta arbitragem paulista! Mas o Americana, que não tem nada com isso, soma agora os mesmos 17 pontos de Portuguesa e Ponte Preta, com exatamente a mesma campanha em número de vitórias (5), empates (2) e derrota (1). Marcou porém, 10 gols (média de 1,25) e sofreu 6 (média de 0,75), com um saldo positivo de 4. Está no G4, ocupando o 3º lugar;
° (O velho Dodô ainda brilha....) Dodô (o mesmo de São Paulo e Fluminense), em final de carreira, ainda continua brilhando pelo time de Americana. Dos 10 gols da equipe ele fez 4 e está na vice-artilharia da série B.



° O Guarani continua a dar vexame.Ontem foi a vez do Vila Nova vir a Campinas e em pleno Brinco de Ouro, depois de sofrer muitos ataques no primeiro tempo e nenhum gol, sair daqui com 3 inesperados pontos na bagagem, na estréia do técnico Hélio dos Anjos. O Bugre, que começou o campeonato mais ou menos regular, empatando com o Sport, mas vencendo o Vitória na Bahia, amargou a 4ª. partida sem vitória (perdeu para a Lusa por 3 a 2, no Canindé, depois foi derrotado pelo Americana, em Campinas, de virada, por 2 a 1, obteve um empate em jogo horroroso, com o não menos horroroso time do Bragantino, em Bragança, num melancólico 0 a 0 e ontem, mais uma vez, perdeu, para a equipe de Goiás. Conclusão: despencou na tabela, ocupando agora a 13ª. posição, a menos de 20 dias do Dérbi.


° O ambiente no Brinco, depois do jogo de ontem, era sombrio. Torcedores insatisfeitos, xingando a Diretoria, o técnico Wilson Tadei, os jogadores. A má campanha tinha que estourar em alguém e  estourou: o técnico Tadei foi demitido após a partida;


° Não vou fazer a defesa de Tadei, porque acho que nos últimos jogos ele foi muito mal, mudando frequentemente esquema de jogo, sem que nenhum deles surtisse efeito, ou conseguisse dar ao Bugre, alguma consistência ou padrão de jogo.  Mas o problema do Guarani não é apenas o Técnico. Jogadores que antes luziam, vão muito mal. É o caso de Fabinho, que mais uma vez foi figura apagada no ataque, sendo completamente dominado pelos zagueiros grandalhões. Fernandão, que nos primeiros jogos foi muito bem e deu alento aos torcedores no sentido de que finalmente chegara um bom centroavante, grande e bom cabeceador, e, de quebra com bom domínio de bola, além de virtude de visão e boa assistência aos companheiros, parece que desaprendeu. Perdeu um pênalti outro dia, não fez boa partida em Bragança, nem contra o Americana, nem ontem. Não se encontrou em momento algum com Fabinho;


° No meio de campo, tirante a luta de Lucas, um  bom destruidor, mas péssimo no passe, e a correria de Dadá, nenhum dos jogadores que entram tem resolvido. O meia Felipe não vem bem e o melhor jogador do Bugre, Jefferson Luis, vindo de contusão, não reencontrou ainda o seu melhor futebol. Resta Rodrigo Paulista, que também se revelou bom jogador na campanha de acesso à Primeira Divisão do Paulista, mas não tem tido a preferência do treinador para entrar como titular. 


° Ontem, o Bugre jogou sem laterais, pois os que foram escalados, eram meio-campistas. E reservas. O time embolou  povou, povou o meio de campo, foi lento,desarticulado, facilitou a marcação do adversário e as chances que foram criadas foram desperdiçadas pela má pontaria dos atletas. E o pessoal treina a semana inteira para acertar, pelo menos aqueles 7 metros de gol.  E Emerson, infeliz no retorno, podia muito bem ter evitado aquele gol que tomou por estar ligeiramente adiantado. Quando a  maré é ruim, tudo dá errado;


° O Bugre, me conta o pontepretano Ricardo Ortiz, advogado, amigo e seguidor deste blog, já tem novo treinador. Trata-se de GIBA, que mais uma vez assume o Guarani com a incumbência de dar padrão a um time que ainda não convenceu ninguém de que é capaz de ter pretensão de acesso à Primeira Divisão do Brasileiro e começa a preocupar até sobre se tem competência para fugir do rebaixamento. Será que o calvário bugrino do sobe-desce vai continuar?


Boa noite e até amanhã.



terça-feira, 28 de junho de 2011

O VÁCUO LEGISLATIVO E O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - BUGRE 100 ANOS

Boa noite amigos,
Notícia que movimentou esta semana não só os meios jurídicos e empresariais, mas todas as camadas sociais,  foi o julgamento, no Supremo Tribunal Federal, de quatro mandados de injunções (ns. 943, 1010, 1074 e 1090), nos quais empregados da Vale  pediam a regulamentação do dispositivo da Constituição de 1.988, que assegura aos trabalhadores em geral, dentre outros direitos, o do aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, de no mínimo  30 dias, nos termos da lei (artigo 7º, XXI). O julgamento, apesar de suspenso a pedido do Ministro Gilmar Mendes, mostrou a disposição dos Ministros integrantes da Corte Maior, de disciplinar o tema, suprindo a ausência da lei. Desde o advento da Carta Constitucional de 1.988, tem  o Supremo Tribunal Federal, de maneira geral,  no julgamento de mandados de injunções ou ações declaratórias de inconstitucionalidade por omissão, se limitado ao reconhecimento do vácuo legislativo, comunicando o órgão competente para que providencie a  edição da lei. Mas, em época não muito distante, a Suprema Corte já havia regulamentado dois outros direitos assegurados na Constituição, dependentes de lei, que não foi votada até agora, a despeito dos 23 anos decorridos de sua vigência. No Mandado de Injunção n. 708, determinou a aplicação da Lei n. 7.783 de 28 de junho de 1.989, que trata das condições de greve no setor privado, para regular a grave dos servidores públicos, à míngua de regulamentação do artigo 37, inciso VII, da Constituição. E no Mandado de Injunção n. 721, Relatado pelo  Ministro Marco Aurélio, mandou aplicar o Regime Geral da Previdência Privada, a uma trabalhadora que pedia o reconhecimento do tempo de  serviço executado em condições de insalubridade, fazendo efetivo para ela o disposto no § 4º do art. 40 da CF.  E quem não se lembra da regulamentação do uso das algemas nos meios policiais e judiciários e bem assim, tema de maior impacto ainda, relacionado com  a vedação do nepotismo direto ou cruzado em todas as esferas da administração pública do país? Juristas, políticos, empresários e cidadãos comuns opinaram a respeito. Os Ministros do Supremo, em geral, criticaram a lenta e ausente atividade do Congresso e, a despeito de considerarem ideal que toda a disciplina normativa deva se originar da lei, como atividade inerente ao Legislativo,  invocaram a obrigação de julgar os pleitos que à Casa de Justiça chegam, de maneira adequada, atentando para os princípios constitucionais, em nome da efetividade dessas garantias. Acontece que ao decidir como decidem, os Ministros criam precedente judiciário, mesmo que o efeito declarado não passe das partes, como acontece no mandado de injunção. É que  não se trata de precedente qualquer, mas precedente do maior Tribunal do país. O de instância constitucional e, pois, do que dá a última palavra a respeito. Tem mais: com a Súmula Vinculante, os Ministros do STF estabelecem limites e restrições a todas as instâncias do Judiciário do País, que já não podem interpretar a lei, nem julgar na lacuna da lei, sem observância do ponto de vista que gerou a súmula. No caso do nepotismo, logo em seguida ao julgamento, o Conselho Nacional de Justiça determinou a observância das regras estabelecidas pelo Supremo, em todos os Tribunais Federais e Estaduais, inclusive os Tribunais de Contas. O mesmo se cobrou dos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. E por efeito de simetria, das Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Note-se que a própria Constituição Federal estabelece mecanismo de ação para o particular que se sinta prejudicado em face da omissão de atividade legislativa regulamentadora. Trata-se do mandado de injunção que se presta a acionar o Judiciário para que, constatando a ausência de lei regulamentadora de direito fundamental assegurado na Carta Magna, que torna inviável o exercício das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LXXI),  determina que o Congresso legisle a respeito. Não há, porém, prazo estabelecido para esse efeito.  E a determinação do Supremo não vinha, nem vem surtindo os efeitos esperados, porque também não há sanção alguma pela inobservância, senão propriamente simples advertência para as consequências da falta dessa legislação. Agora, embora não tendo estabelecido as regras que orientarão essa proporcionalidade, o Supremo já acena que vai estabelecê-las, em face da omissão,  já havendo algumas  sugestões a respeito. Ontem, proferindo palestra aqui em Campinas, o Ministro Gilmar Mendes falou abertamente sobre o assunto, reafirmando que a competência de fazer a lei é do Congresso, no âmbito do qual existem nada mais, nada menos do que 50 projetos de lei sobre o assunto. E rematou, asseverando que o Supremo só está discutindo isso porque essa matéria não foi regulada no tempo devido no Congresso. Por fim,  obtemperou  que a crítica dos parlamentares no sentido de que o Judiciário estaria pressionando o Congresso, ao ameaçar normatizar esse e outros temas, não deve ser dirigida ao  Supremo, mas à própria Constituição Federal que criou esse mecanismo. Certo é que,   alardeia-se entre alguns operadores de Direito, cuidar-se de  prática que equivale a usurpação de poder, colocando em risco a independência e harmonia entre os Poderes.  Mas se se trata de usurpação de poder é questão discutível. Não se pode ignorar que a Constituição Federal de 1.988, ao criar o Estado Social, em oposição ao Estado Liberal de antes, criou mecanismos para defesa intransigente das garantias constitucionais do cidadão, inclusive em face do próprio Estado, incluindo o Estado legisferante. Ora, se é certo, entre  os doutos em Direito Constitucional, que o Estado não viola os direitos e garantias fundamentais  apenas por meio de ação ou atos comissivos, como também quando nega, por omissão, a possibilidade de exercício de direito garantido pela Carta Magna,tanto que esta prevê, além do mandado de injunção, a ação direta de inconstitucionalidade por omissão (cf. art. 103, § 2º), com razão  a corrente, que pouco a pouco ganha força, que defende a possibilidade do Supremo Tribunal Federal, não só constatar a omissão, como a de legislar no vácuo, no exercício de um chamado “poder normativo supletivo” que lhe foi  conferido pelo próprio Poder Constituinte. Não há outra leitura possível, sem que se reconheça a absoluta inocuidade da atividade de controle, pela Suprema Corte, da efetividade dos direitos conferidos  pela Carta Magna, de que o Supremo é guardião, se o sistema constitucional não conferisse realmente instrumento hábil ao gozo do direito,  no caso de reiterada omissão do Legislativo, por tempo injustificável. Aplausos ao Supremo que com a coragem de tornar efetiva essas garantias, pune um Legislativo inadimplente, e garante a presença do Estado na tutela dos direitos constitucionais.
GUARANI – 100 ANOS.
O décimo sexto jogo do Bugre pelo Campeonato Brasileiro de 1.978, marcou o segundo encontro do alviverde campineiro com o Vasco da Gama do Rio de Janeiro, naquele torneio. O primeiro foi na estréia e o Guarani amargou uma derrota de 3 a 1, em pleno Brinco de Ouro, para o time do então centroavante Roberto Dinamite. Desta vez, jogando no Estádio de São Januário no Rio de Janeiro, na quarta-feira 07 de junho de 1.978, às 21,00 horas,  o Bugre, mesmo perdendo por 2 a 0 no primeiro tempo, chegou a  merecido empate na etapa complementar em 2 a  2. No apito o árbitro baiano Saul Mendes. O público presente foi de 2.328 pagantes, para uma renda de Cr$74.490,00. Os gols foram marcados por Zanatta e Paulinho, para o Vasco, aos 27 e 33 minutos, respectivamente, do primeiro tempo. Careca anotou os dois gols bugrinos, aos 4 e 45 minutos da etapa complementar. O Vasco, do técnico Orlando Fantoni, jogou com Mazzaropi, Orlando, Marcelo, Gaúcho e Marco Antonio; Zé Mário, Paulo Roberto (Hélinho) e Zanatta; Guina, Paulinho e Ramon. O Guarani, do técnico Carlos Alberto Silva,  jogou com João Roberto, Mauro, Silveira, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon (Manguinha), Capitão, Careca e Macedo (Gersinho).
Até amanhã.