segunda-feira, 16 de julho de 2018

COPA DA RÚSSIA E SUAS LIÇÕES


Caros  amigos,

Na imagem emprestada de www.pulse.ng. o campeão Antoine

Griezmann, atacante da Seleção da França, que fez 4 gols na
Copa. O atleta joga na Espanha pela equipe do Atletico de
Madri e teve seu passe indiscutivelmente valorizado  depois
da Copa e do título.
A Copa do Mundo de Futebol terminou neste domingo com uma final improvável e empolgante, cheia de alternativas, reunindo as seleções da França e da Croácia. O evento reservou a torcedores, atletas, confederações e aos amantes do esporte bretão, muitas surpresas, lições, inovações, tudo a revelar, especialmente, as novas tendências do futebol e que devem provocar muitas reflexões e dores de cabeça aos treinadores de todo o mundo.  O futebol é o único esporte capaz de fazer de seu Mundial uma festa absolutamente universal, um momento em que o nacionalismo e o orgulho patriótico de cada cidadão se manifesta de forma escancarada, mas, em regra,  sem ódio, passionalidade, sem agressão aos oponentes, embora se possa registrar, aqui e acolá, algumas condutas censuráveis, tanto do ponto de vista esportivo, quanto do ético. A Seleção Francesa, que não estava entre as favoritas, foi crescendo durante a competição e acabou campeã, com absoluta justiça. Jogou o melhor futebol entre todos os participantes, eliminando, no mata-mata, as tradicionais seleções da  Argentina, do Uruguai e da Bélgica, até chegar à grande final. E que Bélgica, meus amigos!

Eden Hazard, meia e ponte esquerda do Chelsea e da Seleção
Belga. Futebol refinado e que encanta com dribles sucessi-
vos em velocidade. Sou grande fã de seu talento. 
A nossa desafeta merecia estar na final pelo futebol envolvente, verticalizado, de grande velocidade e que matou o nosso futebol clássico, exageradamente cadenciado e lento, cuja leitura tem sido feita com facilidade pelos técnicos e jogadores adversários. A Copa mostrou que o futebol atual e futuro vai exigir, além de uma boa equipe, técnica, preparo físico, equilíbrio emocional, força, superação,  velocidade, explosão e coração. Um conjunto de elementos que faltou não só ao Brasil, como também à Argentina e a um Uruguai, com Luisito Suãres, mas sem Cavani, quando da dupla mais se necessitava.  E quanto ao VAR? Bem, uma experiência que foi mais positiva do que negativa, mas que interferiu, sem dúvida, nos destinos das seleções nesta Copa do Mundo, mudando decisões da arbitragem de campo, nem sempre de forma oportuna e justa, a mostrar que a interferência tecnológica no futebol não é tão simples, quanto nos outros esportes, nos quais não há disputa corpo-a-corpo, de regras dependentes de interpretação. Outro dia qualquer, amigos, voltamos a esse assunto polêmico. Em breve resumo, a Copa da Rússia mostrou uma Croácia surpreendente, viva,  coordenada pelo experiente atleta Luka Modric, eleito o melhor jogador da competição.

O melhor jogador da Copa eleito pela FIFA, Luca Modric -
foi a alma e o equilíbrio da seleção da Croácia. Imagem
emprestada de www.acritica.com.
Também consagrou  Mina, ex-Palmeiras,  que saiu direto da reserva para  classificar a sua Colômbia para as oitavas; que mostrou uma Inglaterra muito melhor que as das edições anteriores com o oportunista   Harry Kane, o artilheiro do torneio, com 6 gols; um Mundial que revelou a maturidade e segurança de Antoine Griezmann, na sua melhor forma, comandando a França,  e Eden Hazard, ditando o ritmo da belíssima seleção belga. E que dizer do menino MBappé que encantou o mundo com um futebol moleque, alegre, abusado, divertido e não menos eficiente e forte. Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar não luziram. Foram embora antes da festa final, junto com suas equipes. Tempo de renovação ou apenas surpresas do surpreendente futebol?



Até mais amigos.

    


domingo, 1 de julho de 2018

MOACYR FRANCO EM CONVERSA COM BIAL


Boa noite amigos,

Cartaz publicitário do show que o can-
tor apresenta pelo Brasil, ao lado da-
jovem Paola Karime, cantora serta-
neja. Imagem emprestada de Itunes
Apple.
É tão calma a noite. A noite é de nós dois. Ninguém amou assim, nem há de amar depois.” Esses versos serenos marcavam o início de uma canção que ouvi, lá atrás, na década de 60, gravados porém para sempre na minha memória afetiva de menino-adolescente. O cantor era um mineiro com forte presença cênica e que enquanto cantava chacoalhava a cabeça para todos os lados, uma marca das muitas que ilustrariam a sua carreira versátil: cantor, compositor, humorista, comediante, ator, apresentador. Um dos homens que inauguraram a televisão neste país.  E certamente um artista popular,  a quem não se fez plena justiça, diante de sua estatura e importância para a televisão, o cinema e a música. Moacyr Franco, mineiro de Ituiutaba é uma das minhas referências mais significativas de profissional completo e relevante para a cultura brasileira. O artista, hoje com 82 anos bem vividos, foi entrevistado nesta semana no programa Conversa com Bial, da Rede Globo.
O cantor e compositor em foto recente. Imagem emprestada
de Polemica Paraiba.
Cantou como  nossos velhos tempos, contou episódios de sua vida pessoal, de sua formação autodidata, de suas experiências e reviu conosco momentos importantes de sua participação no cinema e na televisão,  em videos editados pela direção do talk show de Pedro Bial. Com a simpatia e o carisma de sempre,  encantou a plateia e o público presente à gravação, que muitas  vezes, como o artista e o apresentador, se emocionou, chegando às lágrimas. Por causa de um passado gostoso de se recordar. Um passado que faz parte da história da minha geração e que nos remete para muitos momentos e episódios, aos quais Moacyr inspirou, suavizou, fez rir,  dramatizou ou embalou com canções românticas recheadas de poesia e ternura. E quem não se lembra da marchinha manjada de carnaval,  cantada por mais de quatro gerações?: Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí. Não vai dar, não vai dar não, você vai ver a grande confusão. Eu vou fazer beber até cair. Me dá, me dá, me dá oi, me dá um dinheiro aí.” Obrigado Moacyr pela  sua luz a serviço do nosso entretenimento, de nossa reflexão, de nossa inspiração e ânimo para enfrentar as mais diferentes sensações e situações experimentadas nesta vida terrena. E obrigado a Bial e à sua direção pela boa lembrança de incluí-lo entre os seus convidados ilustres e relevantes.

Até mais amigos.

Contrastes, LP`de 1.963. Imagem emprestada de Mercado
Livre.
P.S. (1) Nas suas aventuras pelos vários ritmos que cantou ou compôs merece destaque a canção Tudo Vira Bosta, gravada pela rainha do rock in roll nacional, Rita Lee;

P.S. (2) Ninguém chora por mim, samba canção da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim, gravada por Moacyr Franco em 1.963, foi um sucesso retumbante, frequente nas paradas daquele ano e o final “Mas se um dia eu tiver que chorar, ninguém chora por mim” virou carta de apresentação do cantor nas suas aparições públicas, ou em programas de TV da época;

Um dos personagens humorísticos de Moacyr na Praça

da Alegria, humorístico tradicional, ao lado de Carlos-
Alberto da Nóbrega.
P.S. (3) A música Suave é a Noite é um versão brasileira de Nazareno de Brito para a canção homônima americana “Tender is the Night” de Sammy Fain e Paul Francis Webster.  Foi gravada por muitos cantores, dentre os quais os saudosos Agostinho dos Santos, Luiz Melodia e Nelson Gonçalves. Nenhuma das gravações, porém, superou, em vendas e fama, a de Moacyr.


domingo, 24 de junho de 2018

OPINIÃO: QUEM FATURA A COPA DA RÚSSIA?


Boa tarde amigos,
O atacante  croata Modric, que muitos apontam como 

sendo atualmente o melhor jogador do mundo. Imagem
 emprestada de Static Independent.co-uk/S3 fs.public/th.
Quem já viveu muitas Copas sabe que a primeira fase, meramente classificatória, não indica necessariamente a equipe favorita  à conquista do título. Os chamados favoritos, inclusive na bolsa de apostas,  continuam sendo aqueles que assim são apontados antes mesmo do início da competição, pelo futebol que vinham jogando durante as Eliminatórias e Amistosos e pelo ranking atualizado da FIFA. Aliás, o campeão, pelo retrospecto histórico, raras vezes joga um futebol vistoso na primeira fase ou consegue o maior número de pontos possíveis nos três jogos. A tendência, superada a fase classificatória, é que o campeão vá surgindo durante o mata-mata, em que enfrenta outras seleções de maior gabarito ou camisa. E aí, igualadas as condições técnicas e táticas, vai prevalecendo o imponderável, a álea, como o mau momento de uma estrela decisiva, ou contusões, expulsões etc. Por isso, não se enganem com a impressionante goleada (5 a 0)  da Rússia sobre a Arábia Saudita na abertura da Copa, nem com a vitória da Croácia sobre a Argentina pelo placar elástico de 3 a 0, ou do México, sobre a campeã Alemanha. Hoje assistimos um passeio, por exemplo, da Inglaterra sobre a fraca seleção do Panamá, por  6 a 1, placar quase todo construído nos primeiros 45 minutos de jogo. A Seleção da Bélgica é, sem dúvida, a grande surpresa até aqui pelo vistoso e eficiente futebol que vem jogando, e muitos agora já a apontam como uma candidata inédita ao troféu. Não acredito, porém. Para mim, nem Bélgica, nem a Croácia,  nem o México, nem a Inglaterra e muito menos a Rússia beliscam o cobiçado título. E Brasil e Alemanha continuam credenciados, pois acredito no crescimento de ambas as seleções durante a competição. Trata-se, é claro, meus amigos, de mera opinião. O futebol é o único esporte coletivo em que o mais fraco pode vencer o mais forte, como no histórico episódio bíblico de David e Golias.  Já tivemos surpresas demais com a não classificação de Itália, Holanda e até dos Estados Unidos, que perdeu a vaga de forma impressionante para a frágil, mas simpática, seleção do Panamá. Quarta-feira vamos ao último episódio da primeira fase para o Brasil. E a chance de cruzar com a Alemanha logo nas oitavas, é grande.


Bom domingo.

terça-feira, 12 de junho de 2018

MORRE ZÉ CARLOS, O VOLANTE CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1978 E O MEIA DO CRUZEIRO DA LIBERTADORES

Boa noite amigos,
O volante Zé Carlos, no Guarani campeão
brasileiro de 1.978. Foto de galeria.
Soube, agora à tarde,  do falecimento do jogador Zé Carlos, o inesquecível volante do Guarani Futebol Clube, campeão brasileiro de 1.978. Aos 73 anos, o atleta sofria de problemas de saúde desde que foi acometido por um acidente vascular cerebral e vivia atualmente em Contagem, nas Minas Gerais. No Cruzeiro, clube onde jogou por 12 anos e que o projetou para o futebol brasileiro e mundial, sua posição era de meia. Destaque em grandes times montados pela  Raposa, foi o segundo jogador que mais jogou pelo Cruzeiro em todos os tempos. Foram 619 jogos, perdendo apenas para o goleiro Fábio, que recentemente superou a casa dos 700. Pelo clube celeste ganhou a Taça Brasil, torneio que equivalia ao Brasileirão atual, foi campeão da Libertadores e nove vezes campeão mineiro. Aos 32 anos, em 1.977, por um ato de esperteza da Diretoria do Guarani, veio para o Bugre, que venceu a competição com grandes equipes do futebol brasileiro, que já haviam avançado nas negociações com o clube mineiro para trazê-lo e acabaram frustrados. Prevaleceram, além do assedio da Diretoria,  a predileção do jogador por Campinas, uma cidade do interior de São Paulo que, à época, oferecia condições de vida mais tranquila e segura, era dotada de recursos de primeiro mundo, e se situava em posição geográfica privilegiada em relação à Capital do Estado. E, ainda, a amizade com o técnico recém-contratado, Carlos Alberto Silva, igualmente mineiro de nascimento e coração.  Zé Carlos veio para suprir a lacuna deixada por Flamarion, o último volante do Bugre, ídolo do clube e da torcida. E o experiente atleta caiu como luva, num time de jovens talentos e que lograria o título inédito do campeonato brasileiro de 1.978, encantando o Brasil e o Mundo, com um futebol objetivo, ofensivo e de arte, onde despontavam os laterais Mauro e Miranda, os meias Zenon e Renato, e principalmente um menino de 17 anos, Careca, que iria fazer grande carreira no Brasil e no exterior e seria o nosso centroavante na Copa de 1.986.  Zé Carlos jogou com a camisa 5, na posição de volante. Um volante de futebol eficiente e refinado e que comandava a equipe com a sua experiência, ora cadenciando, ora fazendo lançamentos

Zé Carlos logo após o AVC que determinou o encerramento
de sua carreira no futebol, como técnico e olheiro que foi
tanto de Guarani, quanto do Cruzeiro, clubes que defen-
deu como atleta exemplar, na mocidade.

primorosos, cobrando faltas, criando jogadas para os atacantes e, sobretudo, dando segurança e proteção à defesa, cujos laterais tinham liberdade para apoiar o ataque. Um amigo que, certo dia, assistia comigo a uma das partidas daquela equipe bugrina no Brinco do Ouro, encantado com o futebol do volante, afirmou literalmente que a bola “gostava do Zé”, estava sempre ali, no seu pé, ou aos seus pés. E eu, fingindo entender bastante do assunto, lhe garanti que era Zé Carlos que tinha um sentido de posicionamento no campo de jogo, que lhe permitia receber qualquer bola: a que vinha na cobrança de longo tiro de meta, a segunda bola rebatida pela defesa, e assim por diante. Foram de seus pés, de sua visão de jogo, de sua liderança, de sua competência ofensiva e defensiva, que aquela jovem equipe pode superar todos os obstáculos, chegando ao título do campeonato. Era ele quem dava o equilíbrio entre os departamentos do time.  Por isso sempre afirmei que Zé Carlos estava para aquele Guarani campeão de 1978, como Ademir da Guia estava para o Palmeiras da Academia. Sem qualquer exagero. O tempo passou. Agora se foi. A história, porém, de seu futebol invejável, vigoroso e vitorioso, o seu futebol de talento e competição, deixou saudades e alegria na memória de torcedores e de todos quantos apreciam o esporte mais popular do Brasil. Descanse em paz, Zé. Tive muito prazer nesta vida de vê-lo em campo tratando sua majestade, a bola, com carinho, cuidado e respeito. Obrigado por tudo.

domingo, 13 de maio de 2018

MÃES......


AMIGOS,
UM POEMA ESCRITO AGORA DE MANHÃ.

Imagem emprestada de Calle 2.com.br
MÃES.

Mães há,
De um, de vários, de todos.
Mãe que pariu,
Mãe que criou,
Que assistiu,  que renunciou.


Há  mães pretas, brancas, mães de leite, mães-rainhas,
Mãe do mato, Mãe do ar, do mar, do céu.
Mães comuns e marginais,
Adotivas, adotadas, sagradas e profanas.





Mães com Deus, Mães sem  Deus.
Mãe-pai, pai-mãe, mãe-homem, homem-mãe, mãe de gênero, mãe sem gênero,
Gênero de mãe.


Conheci
Mães que morreram, mães que mataram.
Mãe universo, mãe do universo, universo de mães, de mãe.
Fecundas e estéreis,
Mãe da filha, filha da mãe.
Mãe pobre, mãe rica, miserável.


Superficiais e profundas,
Preocupadas e preocupantes
Mães fortes,  frágeis, suaves e agressivas,
Absorventes e absorvidas,
Mãe que explica, que entende, que não entende, que justifica,
Mãe que entrega, que não entrega, que mente,
Mães que sonham, que elevam, que machucam.

Mãe loucura, loucura de mãe,
Mãe que é cega, instruída, analfabeta.
Mãe que protege, que inspira, que encaminha,  que advoga,

Doente, carente, forte, frágil, bendita e maldita,
Mãe que acolhe, que aquece, que ignora, que lamenta, que sublima, que abandona.

Mãe-origem, começo, fundamento,
Mãe-conceito, pleno, indescritível, intangível, imensurável,
Condição síntese do incondicional amor,
Um Amor incondicional,  conquanto controverso,
Como as várias  formas de amor de  todas as múltiplas mães do mundo.


Bom domingo amigos.





domingo, 6 de maio de 2018

SOBRE O DERBY (OU DÉRBI) CAMPINEIRO DO PASSADO E DE ONTEM.

Boa noite amigos,

André Luis, atacante da Ponte Preta, comemorando o gol
da virada sobre o Guarani, no derbi de ontem disputado no

Estádio Brinco de Ouro da Princesa. Imagem emprestada

de Jovem Pan Uol.
                                                              Aconteceu ontem o 191º derbi entre Guarani e Ponte Preta, considerado o mais importante clássico do interior do Brasil. E também o mais antigo do Estado de São Paulo. O palco o Brinco de Ouro da Princesa, estádio do Bugre. O encontro não acontecia desde 2.013, por causa da diferença entre as divisões em que as equipes atuavam, tanto no campeonato paulista, quanto no Brasileiro.

Essa história começou em 24 de março de 1.912, quando as equipes se enfrentaram pela primeira vez e o resultado é desconhecido até hoje.  Das 191 partidas entre os clubes constata-se o equilíbrio existente: foram 66 vitórias do Guarani, 62 vitórias da Ponte e 62 empates. O Bugre marcou 261 gols e a Ponte 255, incluídos os anotados ontem na vitória da Macaca por 3 a 2;

Cada uma das equipes venceu na casa do adversário os primeiros dérbis disputados nos estádios atuais dos clubes. Em 26 de setembro de 1.948 o Bugre venceu a Macaca por 1 a 0 no Estádio Moisés Lucarelli. E a Ponte fez 3 a 0 sobre o Guarani em 07 de junho de 1.953 no então recém-inaugurado Brinco de Ouro da Princesa;

O lateral esquerdo Odirlei, da famosa equipe

da Ponte Preta, vice-campeã paulista de -

1.981, que fez o gol de desempate no derbi
que decidiu o Primeiro Turno do Campeo-
nato Paulista de 1.981.
O jogo considerado o mais importante entre as equipes aconteceu em 05 de agosto de 1.981, no Estádio Moisés Lucarelli, valendo como final do 1º turno do Campeonato Paulista daquele ano. A Macaca venceu por 3 a 2 e foi para a final do campeonato contra o São Paulo, ficando com o vice-campeonato. Os gols da  Ponte foram anotados por Osvaldo, Serginho e Odirlei, enquanto Ângelo e Jorge Mendonça descontaram para o Bugre;


O único derbi fora de Campinas foi disputado no Estádio do Pacaembu em São Paulo no dia 03 de junho de 1.979. O mando era da Federação Paulista e nenhuma das duas equipes aceitava jogar no campo do outro. Curiosamente, disputado na Capital, registrou o recorde de público no clássico, que reunia na ocasião as duas excelentes equipes, consideradas entre as melhores do Brasil: 38.900 pagantes.  2 a 0 para o Bugre foi o resultado, com gols de Zenon e Capitão.


Zenon à esquerda e Careca à direita, campeões bra-

sileiros pelo Guarani em 1.978. Zenon fez um dos gols

do Derbi disputado no Pacaembu para 38.900 torce-
dores, vencido pelo Bugre pelo placar de 2 a 0.
SOBRE O DERBI DE ONTEM.


Desde que a Confederação Brasileira de Futebol divulgou a tabela do campeonato brasileiro da série B, marcando o primeiro dérbi, depois de cinco anos de ausência do principal clássico do interior do Brasil,  para o Estádio Brinco de Ouro, logo na 4ª. rodada, bugrinos e pontepretanos passaram a alimentar grande expectativa de como seria esse espetáculo, sobretudo porque as equipes estavam hoje muito modificadas em relação ao passado. E enquanto a Macaca vinha em queda, depois de um ressentido rebaixamento da série A do Brasileiro,  onde permanecera por vários anos, disputando e quase conquistando o Campeonato Sul-Americano, dispensando vários jogadores e apostando na formação de uma equipe renovada, sob orientação do experiente técnico Doriva, o Guarani parecia ressurgir das cinzas, mantendo-se na série B do Brasileiro, a duras penas no ano passado, mas conquistando o seu retorno para a serie A do Paulistão, com a melhor equipe que havia conseguido formar nos últimos anos. Jogando em seu estádio, contando mais uma vez  com o apoio maciço dos torcedores (foram 18.078, recorde de público em Campinas no ano) e o entusiasmo de dirigentes, comissão técnica e jogadores, com 10 dias de folga para descansar, treinar e preparar os seus atletas para o clássico, enquanto o adversário vinha de duas derrotas em casa, uma pela série B contra o Londrina,  outra pela Copa do Brasil contra o Flamengo, embora ninguém assegurasse, havia sim uma ponta de favoritismo em favor do Bugre. Mas os mais escolados sabiam que “derbi é derbi” e não há favoritismo que resista às peculiaridades únicas desse tipo de disputa. Mas vamos ao jogo. A Ponte não se intimidou em qualquer momento com a presença da torcida, que fez uma grande festa nas arquibancadas para recepcionar o dono da casa e incentivá-lo a partir para o ataque, nem mesmo quando logo aos 15 minutos de jogo, sofreu o primeiro gol, contra de Danilo. Marcando firme desde o início, com garra e velocidade, a Macaca se impôs no meio de campo, anulando o bom entrosamento entre os atacantes do Bugre, especialmente com marcação serrada sobre Bruno Nazário e Bruno Mendes. Com isso forçou os erros de passe e as jogadas de contra-ataque, realizadas em alta velocidade pela dupla Danilo Barcelos e André Luis, este, sem dúvida, o melhor jogador do clássico, também, mas não só por ter marcado dois dos três gols da Macaca. Com maior posse de bola o Guarani não conseguiu traduzir essa vantagem em efetividade, quer no número de gols, quer nas chances reais ou chutes a gol. Foram no final 11 da Ponte contra 09 do Bugre. Nos 95 minutos de jogo era nítida a maior raça dos pontepretanos, que se traduzia em roubadas de bola, velocidade e acerto dos passes, sempre com objetividade e jogando em verticalidade, ao contrário do adversário, muitas vezes lento e sentindo dificuldades para criar jogadas, a maior parte anuladas pela boa marcação realizada. Vários jogadores bugrinos estiveram abaixo das condições em que vinham jogando, entre os quais, o volante Baraka, Erik, Bruno Mendes e Bruno Nazário e especialmente o lateral Marcílio, o pior em campo, ausente no ataque e deficiente na defesa. Sua escalação era duvidosa e se suspeita, inclusive, que não estivesse em perfeitas condições para entrar num jogo dessa importância.  Em resumo, a vitória por 3 a 2 foi justa e premiou a equipe que, no campo de jogo,  demonstrou mais humildade, maturidade e raça para enfrentar o adversário na casa deste, supostamente mais entrosado e favorecido por diversos fatores que,  como se sabe, desaparecem quando o árbitro apita o início do jogo. Para o Guarani e seu jovem técnico resta assimilar o resultado e as lições extraídas dessa partida, diferenciada pelo seu caráter de clássico e de intensa rivalidade local, já pensando, porém,  na continuidade do campeonato, que é longo e difícil. E à Ponte, igualmente, preparar-se para mais uma missão difícil: encarar o Flamengo, já na 5ª. feira, no Maracanã,  pela partida de volta da Copa do Brasil.


Até mais amigos.

P.S. (1) O melhor jogador da partida no dérbi de ontem, o atacante (ponta direita) André Luis, tem apenas 21 anos, é mineiro e veio do Cianorte, tendo disputado o campeonato paranaense neste ano. No ano passado jogou pelo Santa Cruz pelo campeonato brasileiro da série B  e foi rebaixado com a equipe pernambucana. Canhoto, veloz, habilidoso, recentemente contratado pela Ponte Preta, promete ser um grande reforço para a Macaca na disputa do longo campeonato. 

P.S. (2) Careca e João Paulo estavam ontem nas Vitalícias do Estádio Brinco de Ouro torcendo e sofrendo pelo Guarani, cuja história enriqueceram no passado. O centroavante que chegou à Seleção Brasileira é um dos mais importantes jogadores na história do Bugre. No campeonato brasileiro de 1.978, encantou a torcida e dirigentes fazendo os dois gols da vitória do Bugre contra a Ponte, no Brinco de Ouro e conquistando, junto com os atletas daquele time inesquecível o título de campeão. Ambos (Careca e João Paulo) estavam em campo na decisão do Campeonato Brasileiro de 1986, entre Guarani e São Paulo, igualmente disputado no Estádio Brinco de Ouro. Mas em lado opostos. Enquanto João Paulo, um ponta esquerda de velocidade, atormentava a defesa de seus adversários, com seus dribles infernais e precisos, Careca era o centroavante da equipe da Capital. O jogo acabou empatado em 3 a 3 e a decisão foi para as penalidades. Mais feliz, o São Paulo sagrou-se campeão nos pênaltis, frustrando a torcida que esperava o bicampeonato brasileiro, um feito que seria inimaginável, mas era merecido. O Bugre fez 53 pontos no campeonato, enquanto o São Paulo tinha conquistado 48. Não se cogitava, porém, do campeonato de pontos corridos, naquela ocasião;

P.S. (3) O jogo entre Guarani e São Paulo  pelo campeonato de 1.986 foi marcado por outras curiosidades envolvendo os dois jogadores, hoje grandes amigos aqui em Campinas, onde residem. A partida estava 3 a 2 para o Guarani quando numa das arrancadas mágicas, João Paulo ganhou do lateral e sofreu pênalti claro. O árbitro José de Assis Aragão, porém, não assinalou a penalidade, favorecendo a equipe paulistana. Quando faltavam apenas dois minutos para o final, Careca, fez o gol de empate e a partida, uma vez encerrada, foi para as penalidades, vencida, como se disse, pelo tricolor do Morumbi. O famoso comentarista Milton Neves, da Jovem Pan e TV Bandeirantes até hoje garante que esse foi o pênalti mais claro que ele já viu. Coisas do futebol!

sábado, 21 de abril de 2018

MORRE NO RIO, NELSON PEREIRA DOS SANTOS, UM DOS NOSSOS MAIS IMPORTANTES CINEASTAS E INTELECTUAIS

Boa noite amigos,

Nelson Pereira dos Santos em fotografia recente. Imagem

emprestada de Jornal do Comércio Uol.com.
O Brasil perde hoje, perdemos todos nós hoje, amantes da cultura e da arte, uma grande personalidade, um dos nossos mais expressivos e importantes cineastas. Aos 89 anos, Nelson Pereira dos Santos faleceu no Rio de Janeiro, deixando um legado extremamente relevante para o cinema nacional, que ele amou desde a infância, quando acompanhava os pais em sessões de cinema e já se interessava pela magia da sétima arte. O nome de Nelson está ligado inexoravelmente ao cinema novo, como um de seus precursores. Estudioso e dedicado, Nelson, a exemplo dos artistas liberais deste país, e como outros de sua geração, teve seu trabalho muitas vezes interrompido e censurado pela ditadura militar.
Subsistiu, porém, íntegro e integral a ela, nos legando preciosidades como Rio Quarenta Graus (1.955), Rio Zona Norte (1.957), Como Era Gostoso o Meu Francês (1971), Vidas Secas (1963), Tenda dos Milagres (1.977) e Memórias do Cárcere (1.984),  este baseado na obra homônima do grande Graciliano Ramos, sem dúvida  a sua obra-prima. Lembro perfeitamente como o filme me impressionou na minha mocidade, quando o cinema era até então, para mim,   um  mero e descompromissado meio de entretenimento apenas. 

Arduino Colassanti e Ana Maria Magalhães, nos papéis do

francês e da índia, protagonistas do excelente Como Era
Gostoso o Meu Francês, uim dos bons filmes do cineasta.
Acho que esse filme foi um marco na minha vida, mudando completamente a minha visão de cinema e especialmente do cinema intenso, engajado, comprometido com a nossa história, cultura e  literatura e as discussões políticas relevantes do país. Aos meus amigos mais jovens, de uma geração que não conheceu a obra de Nelson, quero dizer que se trata de um intelectual da mais alta expressão para a nossa cultura e a nossa memória. Imortal pela Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira que, no passado, foi do nosso poeta Castro Alves, Nelson Pereira dos Santos ainda assinou, antes de nos deixar, uma verdadeira relíquia, qual seja, o delicado filme A Música segundo Tom Jobim (2.012), uma das cinebiografias de outro monstro sagrado que ele tanto admirava: o Maestro, Músico e compositor, Antonio Carlos Jobim

Cartaz de promoção publicitária do filme

Memória do Cárcere, obra-prima do-
cineasta, baseada no livro de Graci-
liano Ramos.
Ave Nelson! Sua morte não nos retira, antes reafirma, a expectativa de que sua obra continue  a inspirar  as novas gerações de cineastas a pensar e realizar  um cinema verdadeiramente comprometido com a realidade dura e crua de nossa sociedade e com a altivez de um povo que aprendeu e aprende, nos revezes por que passa, a descobrir a sensível necessidade de se envolver politicamente  para manter viva a chama da esperança de que tenhamos, um dia qualquer no futuro, uma sociedade minimamente ética, justa e solidária.


Até amanhã amigos.


P.S. (1) O ator Carlos Vereza foi o protagonista do filme Memórias do Cárcere, vivendo, no cinema, Guimarães Rosa, preso durante 10 meses no Presídio da Ilha Grande,  sob a acusação infundada de que era comunista. O livro, que ficou inacabado pois Rosa morreu antes de conclui-lo é uma denúncia das condições daquele presídio e do despotismo da ditadura Vargas;

P.S. (2)   O filme está entre os nacionais que levaram aos cinemas mais de um milhão de espectadores. Com um elenco vasto e de qualidade, entre eles a ótima Glória Pires, vivendo na tela a mulher de Guimarães,  o longa tem 185 minutos de duração.