sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

EDUCAÇÃO EM DIREITO E BUGRE VS. BOTAFOGO DE SÓCRATES


Amigos, alguns temas voltam à baila de tempos em tempos, sugerindo que é indispensável reflexão e reciclagem sobre os rumos do ensino em geral, no Brasil, e do ensino jurídico, em especial.

EDUCAÇÃO EM  DIREITO I

 Há muitos anos que o ensino eminentemente técnico ou dogmático do Direito tem sido questionado. Em abril deste ano, o presidente da Comissão do Exame de Ordem na OAB/Amazonas, Caupolican Padilha Junior, anunciou, entre as mudanças no Exame, a inclusão da disciplina de Direitos Humanos, e outras do chamado "ciclo básico" de formação do Bacharel (Introdução ao Estudo do Direito, Sociologia Jurídica, Filosofia do Direito, Psicologia Jurídica, História do Direito), a serem selecionados pela OAB. Além dessa novidade que já está incluída no Exame de Ordem, recentemente declarado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, alguns concursos da Magistratura e do Ministério Público, também passaram a incorporar questões relativas a essas áreas do conhecimento. Sem dúvida que, a formação de bons profissionais, reclama, além do conhecimento das chamadas "disciplinas profissionalizantes (Direito Civil, Direito Penal, Administrativo, Constitucional etc.), uma sólida formação humanista. Mas é possível lecionar disciplinas técnicas, com sugestões de reflexão sobre princípios e valores éticos, por exemplo, dependendo da qualidade, do talento, criatividade e compromisso do docente com o verdadeiro processo de ensino-aprendizagem, numa metodologia voltada para a multidisciplinaridade.

EDUCAÇÃO EM DIREITO II

“O aluno, (nem ninguém), gosta de estudar algo abstrato sem qualquer tipo de aplicação prática. Acredito que o aluno deve saber onde aplicará o conhecimento adquirido, é o que torna a disciplina fascinante. Por isso, entendo que um professor deve ter amplo conhecimento da Filosofia e do Direito, assim consegue despertar o fascínio. Porém, sublinho novamente, o aluno, ao ingressar na Faculdade de Direito, já deveria estar apaixonado. Daí, acho que já detectamos a origem do problema”.(Alexandre Sanches Cunha, advogado e professor, na entrevista sobre “Educação Jurídica: a valorização humanística no ensino” constante da coluna PONTO DE VISTA, do Jornal da Ordem (OAB Campinas), novembro/2011, n. 122, no X, referindo-se à falta de disciplinas reflexivas no ensino de segundo grau, como Filosofia, Sociologia, Psicologia, dentre outras.


GUARANI 100 ANOS – BUGRE X BOTAFOGO DE RIBEIRÃO COM SÓCRATES EM COMEÇO DE CARREIRA.

Para um público de 15.334 pagantes e mais 1.743 menores, que proporcionou uma arrecadação de Cr$429.530,00, moeda da época, o vigésimo  quinto jogo do Guarani Futebol Clube pelo Campeonato Brasileiro de 1.978, aconteceu no dia 19 de julho de 1.978, uma quarta-feira, em Campinas, no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, às 21,00 horas.   Apitou o árbitro paulista Almir Ricci Peixoto Laguna. O Bugre venceu o Botafogo de Ribeirão Preto, pelo placar de 1 a 0, gol de Zenon, aos 10 minutos da etapa complementar. Com esse resultado, o Guarani se classificou para as quartas-de-finais do Campeonato, por antecipação. O Bugre do técnico Carlos Alberto Silva, jogou e venceu com  Neneca, Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Adriano (João Carlos) e Bozó. O Botafogo de Ribeirão Preto, do técnico Antoninho, jogou e perdeu com Aguilera, Wilson Campos, Batista, Manoel e Ângelo; Miro (Zito), Sócrates e Osmarzinho; Terto, Arlindo e João Carlos Motoca.
Forte abraço a todos e até mais.

E. T: A imagem constante deste blog foi extraída do portalrenatoribeiro.com.br.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

RISTORANTE FIRENZE ENOTECA E GOLA GELATERIA E CAFFÉ


Amigos, hoje é feriado aqui em Campinas, dia 08 de dezembro, em comemoração à Padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição. Mas é também “Dia da Justiça” e não há expediente em 1ª. e 2ª. Instâncias do Poder Judiciário. Aproveito para falar de dois  assuntos que são bem-vindos e universais: Gastronomia e Enologia.

RISTORANTE FIRENZE ENOTECA – VIENA 

Se você for, ou se algum parente ou  amigo seu  lhe pedir dica sobre restaurantes, em Viena, na Áustria, pode ir,  ou indicar, sem susto, o Restaurante Enoteca Firenze (imagem acima), situado em endereço central elegante da cidade (Singerstrasse 3| 1010). Trata-se de um estabelecimento vinculado a um Hotel do mesmo nome, em prédio de arquitetura que reproduz um palácio italiano renascentista, e que oferece amplo conforto aos seus clientes, em ambiente cem por cento italiano. No centro uma fonte e afrescos por todo lado. No menu, pratos da  cozinha  italiana e mediterrânea, e uma carta extensíssima para os enólogos apaixonados por toda espécie e origem de vinhos. Risotos e massas (spaghetti, tagliatelli, gnocchi), carnes, peixes  e frutos do mar inundam o cardápio, tudo preparado com esmero, molhos e temperos, no melhor  melhor estilo da comida Fiorentina que se experimenta no coração da Toscana. Como sobremesa há ofertas de doces maravilhosos, incluindo o Apfelstrudel (folhado de maça), o mais popular doce austríaco. Claro que a refeição pode e deve ser regada a um belíssimo Chiantti clássico, o vinho dos fiorentinos. Na saída você ganha de brinde  um livro de receitas em italiano, cada uma com a indicação,  no rodapé, do vinho ou vinhos indicados para acompanhamento.  As porção são bem servidas e a média é de 70 euros por pessoa, incluindo a  bebida e gorjeta. O restaurante integra a Unione Ristorante del Buon Ricordo. 

GOLA – GELATTO E CAFFE

A Gola Gelatto e Caffe  é uma sorveteria tipicamente italiana que fica em ambiente descontraído em prédio situado na rua Dr. Sampaio Ferraz, 322, Cambuí, Campinas, São Paulo,  telefone 3294-3027. Os gelatos são produzidos com matérias- primas  100% italianas e os equipamentos de preparo também são importados, garantindo o alto nível de qualidade do produto final. A gelateria ainda oferece cafés (quentes e frios), salgados, doces, chocolates, “petit gateau”e  “brownie”, como autêntico gelato italiano.  A  casa  tem gelatos e sorbettos especiais para adultos e crianças com restrições alimentares, como a lactose e o açúcar (para os diabéticos). Os sorvetes são realmente extraordinários, nos seus variados sabores ofertados. O de chocolate e frutas vermelhas, ou ambos misturados,  são imperdíveis. Dê uma espiada na imagem acima. Não deixe de ir e levar quem você gosta. Não indique para os inimigos. O site do Gola Gelatto e Caffe é www.golagelato.com.br. O e.mail para contato ou sugestão é contato@golagelato.com.br

Bom final de feriado ou de trabalho, conforme o caso e até amanhã.










quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

FACULDADE DE DIREITO 60 ANOS - A FOTO DOS DOCENTES

Amigos blogueiros, colegas docentes e filhos da Puc em geral:

A foto que se vê ao lado,  retrata parte considerável do atual  corpo docente da Faculdade de  Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, da nova e da velha guarda,  no ano em que a nossa Universidade completa 70 e a Faculdade de Direito, 60 anos. Taí a homenagem da coluna a esses professores, aos quais se deve o bom desempenho do curso nas avaliações internas e externas, inclusive com a outorga, mais uma vez, do selo de qualidade conferido pela Ordem dos Advogados do Brasil, que noticiamos recentemente. De baixo para cima e da direita para a esquerda,  o atual Diretor da Faculdade, Peter Panutto. Em seguida e pela ordem, os Professores Luís Arlindo Feriani (ex-Diretor), Arthur Marques da Silva Filho, Mária de Fátima Franco dos Santos, Heitor Regina (ex-Reitor), Brenda Carranza, José Henrique Spécie, Cleusa Aparecida Carnielli, José Eduardo Queiroz Regina,  Luís Arlindo Feriani Filho (atual Diretor Adjunto do CCHSA), Monnalisie Gimenes Cesca Iamarino, Maria Helena Campos de Carvalho, Manuel Carlos Cardoso, José Antonio Minatel (Coordenador do Pós-Graduação), André Nicolau Heinemann Filho, Silvio Arthur Dias da Silva,  Arnaldo Lemos,   Carolina Iwancow Ferreira,  Elisangela Rodrigues De'Avila,  Renata Tavares Gaspar,  Fabrício Pelóia Del'Alamo,  Wagner José Penereiro Armani,  Paulo Roberto de Sousa,  Monsenhor Celso Antonio de Almeida,  Marcelo Hilkner Altieri, Josué Mastrodi Neto, Harlei da Costa, Silvio Beltramelli Neto,  Luis Guilherme Soares Maziero,  Gustavo Bove Gonçalves, Pedro José Santucci, Daniel Blikstein, Pedro R.  Lemos, Denis Paulo da Rocha Ferraz, Lúcia Avary de Campos, Thiago Silva Freitas Oliveira, José Guilherme Di Rienzo Marrey,   Nivaldo Doro Junior, Renan Teixeira Severo da Cunha, Fabrizio Rosa, Paulo de Tarso Barbosa Duarte, Marta Divina Rossini e Jamil Miguel (eu) (ex-Diretor). 

Até mais.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MORADORES DE RUA, MORTE DE BILEO SOARES E FUTEBOL


Boa noite amigos,

1 - Depois do assassinato violento  de três moradores de rua em menos de uma semana aqui em Campinas,  e da suspeita da Polícia da existência de  ligação entre os crimes, não é que outros  indigentes decidiram se unir para se proteger. Enquanto uns dormem, outros fazem sentinela para evitar a aproximação e o ataque de algozes,  que possam causar mais mortes. O que impressiona nesse caso é a constatação de que também entre esses pobres desiludidos, desamparados e carentes  também pode haver  sentido de organização e proteção, ao menos quando se trata de manter o  instinto de preservação. E mais: que a idéia preconcebida de que essa gente de rua não liga pra nada, não se importa se vive ou se morre, não é verdadeira. Trata-se, antes de mais nada, de uma forma de vida, de uma opção diferente, mas que  como todas as diferenças deve ser entendida e respeitada. O fato me levou a recordar a experiência vivida anos atrás quando estive em visita ao Canadá. O grande Canadá, país rico de primeiro mundo. Lá também  têm moradores de rua, apesar dos oito meses de rigoroso inverno e programa governamental que assegura benefício pecuniário mais do que razoável a eles, só para que deixem as ruas;

2 - Ele entrava na sala de aula sistematicamente atrasado. No rosto um largo sorriso era acompanhado de respeitosa saudação ao mestre, suficiente para que o professor desistisse de qualquer pretensão de bronca.  Com um imenso carisma,  disposição incomum e enorme generosidade para servir, tornou-se Bacharel em Direito. De ilustre família campineira, seu pai foi médico renomado, o Dr. Gilberto Soares, e seu padrinho o inesquecível advogado, depois Desembargador e também professor de Direito Penal, Dr. Álvaro Cury. Seguiu a carreira política. Casou, teve filhos e se revelou grande amigo de seus amigos, pai exemplar e marido companheiro e leal. Filiou-se ao PSDB, partido pelo qual foi eleito vereador anos atrás aqui em Campinas. Sem conseguir reeleição, seguiu trabalhando pelo partido em todo o Brasil, inclusive na Câmara Federal como principal assessor do Deputado Carlos Sampaio. Voltou a Campinas e se elegeu vereador para um novo mandato que estava em curso.  Foi surpreendido por um câncer algum tempo atra´s. Não  escondeu o seu drama, nem dele usou para alimentar auto-comiseração. Continuou na luta política, louvando a  devoção  da família e dos amigos, a dedicação dos médicos e a sua força interior. Otimista, acreditou até o fim numa cura improvável, embora, no íntimo, aceitasse resignadamente o seu destino. Hoje cedo ele se foi, deixando exemplo de dedicação à causa pública e um enorme caráter. Saudade dos amigos, dentre eles de seus professores, como eu. Não havia solenidade na Câmara ou em outro local que ele não lembrasse da sua Faculdade de Direito da Puc de Campinas e de seus mestres, pelos quais nutria agradecimento e carinho. Bileo Soares se foi hoje cedo. Muito cedo. Aos 52 anos.  

3 - Como já se suspeitava, Neymar não está entre os  finalistas do premio de melhor jogador do mundo em 2.011 (Bola de Ouro oferecido pela FIFA). Os três finalistas são Xavi e Messi, ambos  do Barcelona, e Cristiano Ronaldo, do Real Madri. Enquanto Messi busca o terceiro título, Cristiano Ronaldo corre atrás do segundo. Já Xavi compete para ganhar um título inédito. Mas Neymar ainda compete ao Prêmio Puskas, nome dado ao troféu oferecido ao gol do ano, pelo belíssimo gol feito pelo Santos na Vila Belmiro, em jogo de segundo turno do Brasileirão, contra o Flamengo, em que o Peixe foi batido pelo incomum placar de 5 a 4. Nessa categoria seus adversários são Leonel Messi, pelo gol marcado contra o Arsenal, na última edição da Liga dos Campeões (lance em que invadiu a área, passou entre dois  zagueiros, deu um chapéu no goleiro e completou para o gol) e o inglês Wayne Rooney, do Manchester United (gol de bicicleta no clássico contra o Manchester City). Sem bairrismo, vi os três gols e indiscutivelmente o de Neymar é o mais bonito, por toda a jogada, desde o início, e a inusitada “meia lua” ou “drible da vaca”, antes da conclusão. Vamos aguardar.

4- Vadão está de volta ao Guarani.  E assim como Cilinho, Zé Duarte e alguns outros, acho que é uma bola solução caseira. Vadão conhece o clube e suas dificuldades. E pode dar certo, como deu no acesso do Bugre à Série A, no campeonato brasileiro de 2.009.

 E. T.   A imagem que ilustra a coluna de hoje, retrata o já saudoso vereador Bileo Soares, ao lado da deputada estadual também do PSDB, Célia Leão.
 Até amanhã.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A MORTE DO DOUTOR SÓCRATES


Amigos, bom dia

Acordei essa manhã de domingo quente de primavera, nesta terra que já foi das Andorinhas, com a notícia do falecimento do Doutor Sócrates. O carismático jogador de futebol desaparece aos 57 anos depois de sucessivas internações, decorrentes de seu precário estado de saúde. Na última entrevista concedida à imprensa, Sócrates admitiu ser dependente de álcool, causa provável de sua cirrose hepática. Isso agora já não importa. Quero dizer aos amigos que o paraense Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, nascido em Belém no dia 19 de fevereiro de 1.954, ou simplesmente o Doutor Sócrates, ou ainda, o “Magrão” foi uma das personalidades  mais marcantes do século XX, quebrando sucessivos tabus no esporte brasileiro. Tinha nome de filósofo grego, conferido pelos pais sem que eles soubessem que efetivamente o seu destino estava marcado para ser um “filósofo” da bola, da política e da vida. Era terceiranista do curso de Medicina, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, quando passou a jogar futebol profissional por insistência dos dirigentes do Botafogo. Não pretendia seguir carreira, mas simplesmente "obter alguns trocados para o cigarro e a cerveja", como declararia mais tarde.  O destino, porém, fez com que se revelasse craque para todo o Brasil.  Levou o Botafogo, onde jogou de 74 a 78,  à sua mais alta trajetória dentro do futebol de São Paulo e do Brasil (O Bota foi campeão do primeiro turno do campeonato paulista em 77, e Sócrates, o artilheiro da competição).  Transferiu-se para o Corinthians, o clube mais popular de São Paulo, onde, ao lado de outros craques como Vladimir e Casagrande, inaugurou a chamada “Democracia Corintiana”, postulando o direito dos atletas de participarem das decisões políticas do clube. Escolhia técnico e horários de treinamento,  demonstrando uma liderança nunca vista nesse esporte. No Timão foi tricampeão paulista nos anos de 1.979, 1.982  e 1.983.  Convocado para a seleção brasileira, fez parte daquela sensacional equipe que tinha Zico como grande comandante, Júnior,  Toninho Cerezzo (terrível aquele passe errado que culminou num dos gols italianos),  Falcão, Paulo Isidoro, Roberto Dinamite, Sérginho,  dentre outros, equipe essa que jogava o mais bonito futebol já visto na época,  favoritíssima ao tetracampeonato mundial e que sofreu aquela fatídica derrota para a burocrática seleção da  Itália de Paolo Rossi, no pequeno Estádio Sarriá, na Espanha.  Jogou também na Seleção na Copa de 1.986, no México. Participou, emprestando o seu nome e o seu prestígio para  o famoso movimento das “Diretas Já”, em que a intelectualidade e a sociedade brasileiras reclamaram a volta da Democracia no Brasil. Doutor Sócrates era efetivamente um gênio e fazia poesia com a bola, de quem gostava e era correspondido. Ficaram famosas as suas jogadas e gols de calcanhar. Seu talento superava a paixão do torcedor. Lembro-me de que em um jogo Guarani e Corinthians aqui no Brinco de Ouro, Doutor Sócrates fez um desses gols antológicos “de calcanhar”. E o seu belíssimo tento provocou em mim e em toda a torcida bugrina,  a um só tempo, raiva e admiração. Era uma dolorosa, mas honrosa, derrota para o talento e a estética. O  “Doutor” não era gratuito. Sócrates, rompendo outra das barreiras do futebol (antes dele ao que me consta só Tostão tinha esse título universitário)  era médico, profissão que procurou exercer depois que encerrou sua carreira como atleta. Nos anos 90, quando Sócrates deixou de jogar, surgiu Raí, seu irmão mais novo e que também foi um “cracasso”,  jogando no São Paulo, onde foi Campeão Brasileiro e Campeão Mundial. E na nossa geração o fato provocava discussão sobre qual dos dois irmãos era melhor. Saudável polêmica, para os amantes do futebol. Nunca se soube, verdadeiramente. Sócrates, ao contrário de Raí, não jogou muito tempo na Europa,  não aprendeu francês, não foi campeão brasileiro, nem campeão mundial (foi campeão paulista com o Corinthians em 1.979, 1.982 e 1.983, e carioca, pelo Flamengo, em 1.986),  e teve a carreira encurtada.  Por isso, há controvérsias pela ausência de um número mínimo de parâmetros. Penso que Sócrates era um jogador mais completo (concluía, com eficiência, fazendo gols de dentro e fora da área, dava assistência magníficas, cobrava faltas ou pênaltis com categoria, fazia gols de cabeça, de bico ou de calcanhar e um estilo elegante, auxiliado pelo seu porte esguio). Mas ao contrário de Raí, não teve a sorte do irmão. Nem se poupou de riscos, críticas posições, nem do cigarro ou da cerveja.  E fez de sua trajetória,  apologia da célebre frase do escritor ingles, Oscar Wilde, para quem “Posso resistir a tudo, menos à tentação”.  Os deuses dos estádios choram. A bola lamenta. Nós, amantes desse esporte tão apaixonante, sentimos saudade. E agradecemos por ele ter existido para o futebol, para a democracia e para a vida, cujo sentido  buscou, certamente,  o tempo todo, entre sucessos e fracassos. A busca de  nosso Sócrates brasileiro, acabou. Descanse em paz!
E.T. A imagem acima pertence a "Ze-games.net", de quem tomei emprestado para homenagear o atleta morto.

Até amanhã.

sábado, 3 de dezembro de 2011

GUARANI E PONTE PRETA - PREPARATIVOS PARA 2012


GUARANI 100 ANOS

ONTEM

O décimo quarto jogo do Bugre pelo Campeonato Brasileiro de 1.978, aconteceu no dia 16 de julho de 1.978, um domingo, às 16,00 horas,  em Campinas, no Estádio Brinco de Ouro da Princesa. O adversário foi o Goytacas do Estado do Rio de Janeiro. O Guarani venceu a partida pelo clássico placar de 3 a 0, gols de Zenon (de falta) aos 33 minutos do primeiro tempo e novamente Zenon (agora de pênalti) aos 20 minutos do segundo tempo. A goleada foi completada com gol do zagueiro Gomes, aos 38 minutos da etapa complementar. Apitou o árbitro baiano Nei Andrade Nunes Maia. A renda somou Cr$257.020,00, para um público total de 10.777 espectadores, entre 9.580 pagantes e 1.197 menores. As equipes jogaram com as seguintes formações: Guarani: Neneca, Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon (Manguinha); Capitão, Careca (Adriano) e Bozó. Técnico: Carlos Alberto Silva. Goytacaz: Augusto, Ricardo Batata, Totonho, Paulo Marcos e Zé Rios; Marquinhos, Wilson Bispo e Vanderley (Manoel); Silvinho (Edu), Zé Neto e Zé Roberto. Técnico: Laélio Lopes.

HOJE

Depois de um semestre tumultuado com o atraso de salários de atletas, comissão técnica e funcionários, o que culminou com a demissão da Diretoria, o Presidente eleito, Marcelo Mingone,  parece estar disposto a trabalhar incessantemente em busca de solução para o grave problema financeiro do clube. Tem viajado a São Paulo e a outras localidades, no objetivo de conseguir recursos para honrar os compromissos em atraso e também na montagem do time que disputará, por força do acesso, o Campeonato Paulista da 1ª. Divisão, que começa no próximo mês de janeiro. Uma grande  parte de bugrinos considera que o atual Presidente não tem nada de novo para oferecer ao clube, já que fazia parte do grupo do ex-Presidente Leonel. Não é possível avaliar tão cedo. Fato é que Mingone prometeu pagar os salários em atraso na semana que vem e já trouxe para o grupo o empresário Cláudio Corrente. Com o desligamento do técnico Giba, imediatamente buscou formar nova comissão técnica, recaindo a preferência no técnico Vadão. E garante que o clube terá um time de aluguel para disputar o paulista. Vamos aguardar.

PONTE PRETA

A Ponte Preta, vivendo ótimo momento, ao contrário de seu adversário, já pôs fim na novela que mal começou, relativamente à tentativa de renovação do contrato do técnico Gilson Kleina. Kleina já acertou a sua permanência no Majestoso para 2.012, ano que a Macaca pretende concorrer ao título no Campeonato Paulista e pelo menos manter-se na divisão de elite do Campeonato Brasileiro. Sérgio Carnielli foi reeleito, mas continua afastado. Na próxima semana, o seu advogado, com quem conversei hoje, vai buscar a revogação da tutela antecipada concedida pelo Juiz da 1a. Vara Cível de Campinas, Dr. Renato Di Pretto, perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Também a conferir.

Bom domingo e até amanhã.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

SARAMANDAIA - HIPÉRBOLE E FANTÁSTICO DE DIAS GOMES



Boa noite amigos,


Em distantes aulas de português, no curso médio e que na minha época era chamado de curso ginasial, tínhamos contacto com as chamadas figuras de linguagem. Dentre elas, destacava-se para mim, uma em especial, a “hipérbole”. É figura de retórica na qual o significado da expressão é exagerado, dizia a mestra. E citava exemplos: "Joana esperava loucamente a chegada da primavera". "Maria repetiu um milhão de vezes a mesma ladainha". "Pedro quase morreu de rir".  Tais expressões são usadas para enfatizar um sentimento, um esforço, uma reação. E se são usadas na linguagem coloquial, também a figura é explorada em obras de arte, no cinema, no teatro, na literatura.  No ano de 1.976, a TV Globo exibiu, no horário das 22,00 horas, uma telenovela do saudoso escritor e dramaturgo, Dias Gomes, denominada SARAMANDAIA.  A telenovela, que foi grande sucesso, é lembrada até hoje. O roteiro tem como palco a cidade de Bole-Bole, na zona canavieira do interior da Bahia, em que parte de seus cidadãos, os chamados mudancistas,  dentre os quais João Gibão e o Prefeito Lua Viana (estréia na TV do ator Antonio Fagundes) querem mudar o nome da cidade para Saramandaia, pois se sentem envergonhados pela origem do nome Bole-Bole, relacionado com uma aventura de D. Pedro I. De outro,  os coronéis tradicionais que invocam motivos históricos para manter o nome. À margem do tema central, o autor explora características fantásticas de seus personagens. João Gibão (Juca de Oliveira), possui asas e no último capítulo sai voando, realizando o sonho de Ícaro, personagem da mitologia.   O coronel Zico Rosado (Castro Gonzaga) solta formigas pelo nariz. Dona Redonda (a saudosa Wilza Carla, recentemente falecida), explode de tanto comer; Seu Cazuza (Rafael de Carvalho) ameaça cuspir o coração toda vez que se emociona; Marcina (Sonia Braga), quando excitada, fica em brasa, queimando tudo o que encosta, e o professor Aristóbulo (o ótimo Ary Fontoura), além de virar lobisomen, há anos que não dorme, tendo em suas andanças noturnas se encontrado com D. Pedro I (vivido por Tarcísio Meira) e Tiradentes (participação especial de Francisco Cuoco). Uma das cenas mais lembradas da novela é aquela em que Dona Redonda explode de tanto comer, deixando um enorme buraco no meio  da praça (Vide imagem que abre a coluna emprestada de www.purepeople.com.br).


Na trilha sonora o destaque é para o cantor e compositor Ednardo, que se tornou nacionalmente conhecido, com o seu “Pavão Mysteriozo” tema de abertura da novela. Os autores,  do  gênero conhecido nas artes como “fantástico”,  utilizam muito comumente três figuras de linguagem,  quais sejam,  a metáfora, a hipérbole e a metamorfose. E a hipérbole ainda tem homenagem do não  menos saudoso Cazuza, no seu ótimo "Exagerado". E  eu, com algum exagero,  aprecio o gênero, especialmente  quando explorado em obras bem acabadas como as de Dias Gomes e do nosso grande Murilo Rubião (não deixem de ler, se não leram o seu “O Pìrotécnico Zacarias”).

Um abraço. 

P.S. (1) A segunda imagem da coluna é de João Gibão (Juca de Oliveira), empreendendo o seu vôo e foi emprestada do site www.teledossie.com.br.