quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

CARTA AO TERAPEUTA

Bom dia amigos,

Imagem do badalado quadro de Edvard Munch datado de 
1.893:  "O Grito". A interpretação gera ainda hoje grande
polêmica entre os especialistas.E o mais famoso dos qua--
tros quadros e se encontra na Galeria Nacional de Oslo.
Acho essa coisa de crise de existencialismo uma merda. Mas como em todo ser humano que pensa, dotado de raciocínio e inteligência, vez em quando baixa aí uma necessidade de pensar e repensar a vida no estágio em que se encontra e de exteriorizar o que sente (ninguém teria nada a ver com isso, claro).  As linhas abaixo não foram escritas agora, mas nos últimos meses do ano passado quando bateu uma nostalgia da vida passada e de como ela poderia ser vivida de maneira mais sábia ou proveitosa, sabe-se lá, fruto talvez dessa insatisfação permanente que assola todo ser humano.  Em todo caso, compartilho esse desabafo com quem pretender tomar conhecimento dele por qualquer razão ou, então, por nenhuma. Abraço afetuoso.

"Doutor,  qual é o diagnóstico no meu caso? Existe um?  Será um só? Vou ter que tomar um remédio novo? Acrescento ele aos meus oito medicamentos  que eu já tomo por decisão do meu cardiologista, urologista, clínico geral? Como ficam as “interações medicamentosas? É esse mesmo o nome técnico? Ah, estou perguntando tudo de uma vez? Preciso relaxar? Sou ansioso, né? Quais serão as próximas restrições que deverei acrescentar àquelas a que  já me submeto?  É, obedeço a elas,  mais ou menos, porque, o senhor não sabe, mas sou meio rebelde, não totalmente, porque sou cagão também. Doutor! Como o senhor deve saber a gente não é uma coisa só. Está na moda e eu gosto muito de dizer que somos plurais. Andei pela vida procurando coerência, autoconhecimento e outras bobagens. Nunca achei nada que me satisfizesse. Agora, esse negócio de ser plural me convence hoje muito mais. Eu me lembro de quando ouvi  o Tom Jobim dizer a respeito do nosso “poetinha”, que o Vinícius era um sujeito plural, porque se fosse singular, chamaria (ou chamar-se-ia, não sei se ainda usam essa tal mesóclise) Vinício de Moral. O  fato é que não consigo mais segurar a barra da vida. Quero contar uma coisa ao senhor que talvez ajude no diagnóstico e encontre o remédio certo para o meu mal. Ou então para o senhor me mandar embora, informando à minha acompanhante que meu caso não tem remédio: é incurável. Uma semana depois da morte do ator e diretor Jorge Fernando, sua irmã, entrevistada pelo Fantástico, asseverando sua  paixão pelo único mano, de quem se dizia mãe, avó, companheira, amiga, amante e tudo o mais que se pudesse adjetivar para explicar uma relação afetiva intensa  e sem limites, disse que sua filha, sobrinha do falecido, a consolou, dizendo que Jorginho tinha que partir, porque ele não cabia mais naquele corpo. Fiquei pensando por esses dias e cheguei à conclusão que, de certa forma, a mesma coisa vem se passando comigo. Sem comparações com o talentoso ator, a verdade é que nunca fui capaz de deter as viagens que a minha imaginação e a minha cabeça, que muita gente achava brilhante, me levaram enquanto caminhava pela vida, dura e difícil desde o início, mas vitoriosa pelas conquistas pessoais,  sociais e profissionais. Conquistas que me tornaram estimado, mas das quais me sinto “refém” agora na velhice, quando me cobram permanentemente comportamentos estereotipados e convencionais do juiz, do advogado, do professor, do pai, do avô, da idade, da condição social etc. etc. etc.  As minhas viagens, os meus sentimentos, a minha cabeça jamais puderam ser detidos ou controlados.  O corpo, sim. Material e tangível, pode ser preso, seguro, restrito aos limites de paredes e apelos. Limitado aos argumentos, ao bom senso, ao medo,  aos preconceitos, às exigências sociais e morais, às minhas escolhas.  Doutor, o meu corpo já não obedece a maturidade ou loucura da minha cabeça e eu não posso trocar de corpo não é? Nem posso rejeitar a forma com que apareci nesse mundo e pela qual existo na realidade concreta dessa vida. Doutor, o que eu tenho, é grave, tenho pouco tempo de vida? A única coisa que me preocupa mesmo é se posso continuar tomando minhas cervejinhas e fazer as minhas viagens para a terra do nunca. Sozinho, como sempre viajei. Solitário como acredito que todos nós surgimos, vivemos e vamos embora deste mundo. Um Whisky, de  vez em quando, hein? Será que eu serei capaz de dar uma de “macho” e mandar meus remédios todos à merda e tomar um porre, uma última vez nesta vida? Estou mais do que nunca deslumbrado com a juventude. Quando vejo meus alunos, meninos e meninas, começando a vida com sonhos e energia, plenos de saúde e de futuro,  fico com vontade de me envolver nas suas vidas, ouvir as suas preocupações, aconselhá-los, quando me pedem palpites. Tenho vontade de levá-los para casa, me intrometer nos seus sonhos, os quais gosto de incrementar e incentivar,  com o objetivo quase desesperador de que saibam aproveitar a juventude, sem abrir mão de suas crenças, de seus próprios valores e de suas opções; que aproveitem o tempo que lhes é imensurável, por enquanto com a plenitude da sabedoria.  É que a gente descobre – e essa descoberta acontece apenas na velhice -   que a juventude, como dizia Bernard Shaw, é tão maravilhosa que é pena desperdiçá-la em jovens. É um paradoxo mesmo.  Sim, já me senti e de vez em quando me sinto com a sina de um velho vampiro, ávido pelo sangue novo, que lhe garanta um sopro de vida e de juventude por tempos adicionais de existência.  Calma, doutor, não vou chegar a sugar o sangue dos meus jovens, não recomende minha internação.  A comparação é apenas figurativa. E convenhamos, vampiro não existe. Mas,  lá na minha cabeça, fértil e cheia de truques, a condição de ser real algum dia chegou a ser decisiva? Saiba, porém, o senhor que a realidade tem muitas facetas e vertentes. E que um dia disse o poeta francês, com muita razão,  que não importa o que seja a realidade fora da gente, se aquela que a gente sente ajuda a gente a viver e a ser o que a gente é. Para terminar quero dizer ao senhor que eu não vim aqui por vontade própria. Fui quase obrigado. Quando as pessoas ficam assim como eu, falando o que pensam, agindo fora do protocolo e da idade, às vezes sentindo tristeza, noutras alegria, se recusando a acompanhar a família em programas que não agradam, ou seja, agindo diferente, pensando diferente do que sempre supostamente agiu e pensou, ninguém acha que somos camaleões nesse mundo. Mais fácil é indicar o caminho do psiquiatra. E daquele remédio tarja preta que faz a gente esquecer quem a gente é, como disse um dia o Cazuza, em “Exagerado”. Não resista, já me advertiram. É reposição química mesmo que a gente precisa, não adianta só fazer terapia. Tá, não adianta mesmo é argumentar. Doente nunca acha que está doente. O melhor é ceder, deixar levar. Mas antes vou gritar bem alto, naquele tom que as pessoas cultas e educadas não devem usar:   Viva Cazuza! Viva Baudalaire! Viva Bernard Shaw! e  abaixo a ditadura  da coerência e das convenções. Bem, agora é a vez do senhor falar. Qual é o diagnóstico? Ah! Antes que o senhor responda, acrescento mais uma:  estou de saco cheio da política e dos políticos. Me contaram nesta semana que a mais nova denúncia se refere às tais “rachadinhas”, que tudo mundo no meio político, garantem por aí,  já fez  e ainda faz. E o que é a rachadinha, o senhor não sabe? Eu também não sabia. No meu tempo, “rachadinha” era apenas o apelido do órgão sexual feminino tão apreciado por uns e indiferente a outros. Mas hoje, é o nome que se dá àquelas participações “espontâneas” nos salários,  que os políticos ou os partidos recebem dos seus assessores ou dos que eles empregam.  De direita, de esquerda, de centro, da puta que pariu. E se o senhor encontrar o Lula e o Bolsonaro por aí, mande, por mim,  os dois à merda, tá?  Não, não quero saber o seu diagnóstico. Não vou pagar consulta, esqueceu? Isto é só  uma carta. Um desabafo. Um monólogo. Obrigado por me emprestar a sua condição de interlocutor legalmente habilitado e ilustre. Agora que estou postando essas reflexões, vou tomar o meu último remédio do dia e tentar dormir. Para esquecer quem eu sou e a necessidade patológica de saber se  essa porra que eu sou,  presta para alguma coisa ainda."

Boa noite!  

P.S. O diretor do Museu Munch, Stein Olav Hernichsen, fazendo coro com a curadora da exposição dedicada ao artista em Londres, Giulia Bartrum, afirma que o quadro representa não uma pessoa que grita, mas uma pessoa que ouve um grito e cobre os ouvidos. A declaração é baseada num litografia encontrada do quadro, em que o próprio Munch nele registra uma inscrição do seguinte teor: "Eu senti um grande grito em toda a natureza". Há todavia controvérsias que certamente jamais serão dirimidas;


P.S. (2) O Grito é uma série de quatro pinturas do norueguês Edvard Munch. A obra representa uma figura andrógina em momento de profunda angústia e desespero existencial. E considera uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, tal qual a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. A série tem quatro pinturas conhecidas: dois dos quadros da série, "A Ansiedade" e "O Desespero" se encontram no Museu Munch, em Oslo; outra na Galeria Nacional de Oslo e uma quarta em coleção particular.



















domingo, 5 de janeiro de 2020

CAUSO - SÓ PINGA


Bom dia de domingo minha gente boa!

Em imagem criada por Dinosuch e -
crédito de Getly Images,caricatura
de padre com taça de vinho.

Para alegrar o dia, geralmente modorrento de domingo, um "causo" que está no meu terceiro livro  "Causas & Causos" e que me foi contado pelo Professor Arnaldo Lemos, meu colega de docência na Faculdade de Direito. O Arnaldo fez seminário, foi padre, sim senhor, e depois deixou o sacerdócio para se casar e constituir família. O "causo", porém, aconteceu quando ele ainda jovem, justificava a batina, celebrando missas e mais missas, dada a carência de sacerdotes. Não se sabe, porém, se "o sucedido" contribuiu ou não para a decisão de deixar a sua primeira opção de vida, ou se lhe deu um certo conceito de "cachaceiro". Enfim, vamos lá. O leitor que tire suas conclusões, como o fez o desconfiado sacristão:


"Era a quinta missa que o jovem sacerdote começara a rezar, já no início da noite de sábado, num longínquo bairro da metrópole, encostado à zona rural. O dia tinha sido exaustivo. A primeira missa acontecera logo no começo da manhã na Catedral do centro, e, em seguida, se sucederam os demais compromissos, em pontos opostos da urbe. Dirigindo um velho Fusca, veículo muito na moda naquela época, o padre gastava o tempo entre um e outro culto, atendendo a fiéis que queriam se aconselhar ou confessar e, ainda,  nos duros trajetos entre os pontos distantes que separavam os templos. Assim, durante a quinta liturgia eucarística do dia, após as oferendas, o sacerdote, exibindo o cálice que deveria receber o “sangue de Cristo” ao sacristão, cansado e tendo sorvido vários cálices de vinho, em nome do sangue de Cristo para cumprir a liturgia,  lhe sussurra quase em tom de súplica: “Só pinga, por favor”. O sacristão, entre surpreso e incrédulo, mas de forma decidida, responde ao sacerdote: “Padre, pinga não tem,  só tem vinho”.  Quá, quá, quá! 

Bom domingo amigos.

P.S (1) O padre que toma várias sobras de vinho, após seguidas missas, cumprindo a liturgia da missa, pode dirigir e invocar escusa legal para não ser multado, nem soprar o bafômetro? Com a palavra os advogados leitores do blog.


sábado, 4 de janeiro de 2020

PAULINHO DA VIOLA E PORTELA - UMA HISTÓRIA DE AMOR

Boa tarde, amigos.


Paulinho da Viola e seu inseparável violão. 
Meu interesse e encanto pela música popular brasileira vai além de ouvir e apreciar as canções, ouvir e curtir as interpretações dos mais diversos cantores e intérpretes deste país, pródigo nesta arte, graças a Deus. Procuro fuçar e descobrir, se possível, como a canção surgiu, quem escreveu a letra e a música, como se deu a parceria, quando ela ocorreu e por que,  e especialmente qual foi o momento de inspiração e  o mote da canção. Se você tiver esse tipo de curiosidade e for saciado, certamente entenderá melhor todo o contexto e viverá, junto com o autor ou os autores, aquele momento de inspiração para a obra que, se de qualidade, tornar-se-á um sucesso inesquecível. Pois bem, um dos sambas enredos mais festejados, cantados e que hoje faz parte da antologia do carnaval e da música popular brasileira, tem como autor o talentoso Paulinho da Viola.Título: Foi um Rio que Passou em Minha Vida, um samba-enredo que o Brasil inteiro conhece, canta e se encanta. Vencedor do carnaval do Rio de Janeiro  de 1.970 com a Portela, o samba constitui uma potente declaração de amor do compositor à sua escola de samba de coração, desde a meninice. Porém, talvez ela nunca tivesse surgido com a força de seus versos e o vigor de seus compassos, não fosse um fato ocorrido um ano antes de sua criação. Em 1.968, Hermínio Bello de Carvalho, um dos nossos mais ilustres compositores, pediu a Paulinho que musicasse os versos que havia escrito em homenagem a Escola de Samba Mangueira. Foi atendido, daí surgindo o belo samba Sei lá, Mangueira, que teve muitas gravações, a primeira delas da cantora Elza Soares, que a defendeu em festival da música popular brasileira, na época veiculado, com grande repercussão e ibope,  pela TV Record, para a qual foi inscrita por Hermínio. O temor de Paulinho que a música fosse divulgada e se tornasse popular estava justificado. O Brasil todo e, claro, o pessoal da Portela tinha tomado conhecimento e estranhava a infidelidade do compositor. Embora ninguém tivesse diretamente questionado Paulinho sobre o fato, este se sentia mal perante os confrades da Escola. Arrependido e preocupado com a dúvida que se instalara sobre sua fidelidade e amor à escola de sua infância, escreveu e musicou Foi um Rio que Passou em Minha Vida, que venceu a competição prévia para samba enredo da escola e, depois, o próprio Carnaval juntamente com a Portela. Estava desfeita a dúvida. Estava escrita e musicada uma das mais belas declarações de amor a uma escola de samba. Agora que sabemos a historia, vamos examinar a letra: Se um Dia meu coração for consultado/para saber se andou errado/será difícil negar/ meu coração tem manias de amor/amor não é fácil de achar/a marca dos meus desenganos ficou, ficou/ só um amor pode apagar/ Porém, ai porém há um caso diferente/que marcou um breve tempo/meu coração para sempre/ era dia de carnaval/Carregava uma tristeza/não pensava em novo amor/quando alguém que não me lembro anunciou/Portela, Portela/O samba trazendo alvorada/Meu coração conquistou/ Ai, minha Portela/ Quando vi você passar/Senti meu coração apressado/Todo meu corpo tomado/Minha alegria voltar/Não posso definir aquele azul/Não era do céu/Nem era do mar/Foi um rio que passou em minha vida/E meu coração se deixou levar.   E assim Paulinho não só compôs a sua música de maior sucesso, como resgata e confessa a sua fidelidade induvidosa a sua escola amada: a Portela. 

Até mais amigos.

 




quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

BOM SUCESSO - OI? COMO ASSIM? INFORMAÇÃO DESATUALIZADA.


Boa noite,  amigos.

Em imagem emprestada de O FUXICO, da esquerda para a -
direita, Antonio Fagundes, Rômulo Estrela, Grazi Massafera e 
Davi Junior, parte do elenco da novela BOM SUCESSO, --
dando vida, respectivamente, ao Dr. Alberto Prado Montei-
ro, Marcos Prado Monteiro, Paloma da SIlva e Ramon.
Feliz  2020!,

Os nossos autores da Globo,  quando tratam de questões jurídicas, em regra prestam um desserviço ao espectador. Amiúde, justificam os desvios cometidos, à concessão artística por se tratar de obra de ficção e pela necessidade de provocar maior expectativa e emoção ao telespectador. Convenhamos: Julgamentos silenciosos pronunciados entre quatro paredes por juiz singular não  são  atraentes, nem impactantes. Nada como uma sessão do tribunal de júri  popular, com pompas e circunstâncias,  direito a público variado e atento, bate-bocas entre testemunhas e promotores ou entre advogados e promotores, com  aquela manjada ameaça do juiz presidente e seu indefectível martelo, de que vai esvaziar o recinto se não houver silêncio,  para dar colorido e suspense, durante vários capítulos, até  o esperado pronunciamento do Conselho de Sentença. Daí a ficção ter estendido indevidamente a competência do tal Tribunal do Júri Popular para julgar um sem número de causas, inclusive de natureza civil.  Imbecilidade sem tamanho. Em “A Dona do Pedaço”, novela que terminou recentemente, foram muitas as teratologias jurídicas, que dediquei duas longas postagens para apontá-las. A bola da vez é a novela Bom Sucesso, a teledramaturgia das 19 horas, que vem batendo recordes de audiência no horário. Os autores, Rosane Svartman e Paulo Hall, ao lado de quase uma dezena de roteiristas, conseguem dar boa e interessante dinâmica à estória, atraindo e mantendo a atenção do telespectador com o tema central de resgate do amor pela literatura. A leitura sistemática de trechos de grandes clássicos da literatura universal, pelos protagonistas, dr. Alberto Prado Monteiro e Paloma da Silva, interpretados com muita competência, respectivamente, pelo veterano Antonio Fagundes e a jovem Grazi Massafera, é um dos pontos altos da novela, mas não o único. Cada personagem, cada núcleo da novela, merece igual atenção e isso funciona bem. Mas no capítulo de ontem o advogado Dr. Machado (Eduardo Galvão) sustentou uma tese superada. Disse que o antagonista, outro advogado, o Dr. Diogo (Armando Babaioff) precisava necessariamente de um sócio para poder constituir uma pessoa jurídica de responsabilidade limitada. Se a novela tivesse se passado antes de 2012, a informação estaria correta, porque o direito brasileiro não admitia sociedade unipessoal. Isso, porém, acabou em 11 de janeiro de 2.012, quando entrou em vigor no Brasil a Lei 12.441/11, que criou entre nós as chamadas Eirelis, as empresas individuais de responsabilidade limitada. Agora ninguém mais precisa arrumar um sócio. Pode constituir uma empresa de responsabilidade limitada sozinho. Melhor só do que mal acompanhado, diz o sábio ditado. Coitado do Dr. Machado. Desatualizado e pouco confiável para orientar a clientela. A culpa não é dele. Uma consultoria jurídica ia bem para as novelas da Globo. Bem que o povão merecia aprender direito como funcionam as leis e as coisas no país, não? Novela também é cultura. E deveria se comprometer em ensinar também Direito e Etica A exemplo do que faz com informações preciosas sobre Medicina e outras ciências.


Até mais amigos.




sábado, 28 de dezembro de 2019

LENON DEIXA O GUARANI. OBRIGADO LENON.


Boa tarde amigos,

O lateral direito Lenon 
vestindo a camisa que
honrou durante cinco
anos.

O lateral direito e volante Lenon não renovou seu contrato com o Bugre. Pelo que li havia interesse de ambas as partes pela renovação do contrato que vencerá no próximo dia 31 de dezembro. Revelado pelo Flamengo em 2.009, o atleta veio para o Guarani em maio de 2.015 e aqui permaneceu jogando ininterruptamente, até agora,  com pequena lacuna num período de 6 meses, em que foi emprestado ao Vasco da Gama. Durante sua permanência jogou pelo alviverde campineiro, 164 partidas, marcando 4 gols. Lenon participou, com destaque,  de duas campanhas vitoriosas do Guarani nesta década. No acesso da série C para a série B do Brasileiro, em 2.016, e no retorno do Bugre, que disputava a série A-2 do Campeonato Paulista para o grupo de elite do Paulistão, em 2.018, quando o Guarani não só conseguiu o acesso perseguido há anos, como também sagrou-se campeão da segunda divisão paulista. A torcida bugrina, sem exceção, acredito, é grata ao jogador. Serviu a vários treinadores e só não jogou ou foi escalado nos poucos períodos de afastamento para tratar lesões. Lateral de origem, também aceitou e foi escalado como volante, quando necessário. Foi um atleta importante e de impressionante regularidade. Se não me engano entrou em campo no dia seguinte ao seu casamento, adiando assim, em nome do profissionalismo, a sua lua-de-mel. Seu comportamento revela que, além de um profissional consciente e cumpridor de seus deveres, também é um homem de caráter, o que é muito apreciável no meio esportivo, como diria o Faustão. Mas se havia interesse bilateral na renovação do vinculo, por que não se chegou a um resultado positivo?Também procuro entender e justificar o eventual radicalismo de ambas as partes na malograda negociação. A diretoria do Bugre, que perde o atleta por uma diferença de 10.000 reais, segundo li. E o atleta que pela mesma pequena diferença prefere assinar com o Cuiabá, um clube sem grande tradição, para jogar num Estado distante dos centros e vitrines do futebol brasileiro. De qualquer forma, como bugrino, sou grato ao atleta por sua dedicação e compromisso, honrando a camisa que vestiu por mais tempo em sua carreira e por ter feito parte de momentos relevantes para  o retorno do Bugre a posições que ele não poderia ter perdido pela sua história e tradição. A ele desejo muita sorte no futebol mato-grossense e na vida pessoal. Ao Bugre espero que rapidamente supra a lacuna na posição, o que não será fácil dada a limitação de orçamento, que contrate bem e anuncie as contratações para dar ao jovem treinador Tiago Carpini, uma equipe em condições de se manter na elite do futebol paulista e na série B do Brasileiro de 2.020, considerado o escasso orçamento com que poderá contar e o fato de que nem sequer jogará a Copa do Brasil.

Até mais amigos e feliz ano novo.










quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

SOBRE PREFERÊNCIAS


Boa noite amigos,

Do meu celular foto da placa com a advertência de que o -
atendimento preferencial não seria observado no caso de -
prenotação de título.
No mundo moderno propaga-se a necessidade de ética e de resgate de valores abandonados pela sociedade ou por ela ignorados por gerações do passado. As religiões namoram com um ecumenismo que permita aos fiéis um convívio recíproco respeitoso. A ideia fundamental é a "inclusão", sem deixar ninguém de fora, seja qual for a sua condição de idade, física e mental, de sexo, cor, opção sexual etc. etc. As casas legislativas votam leis que estabelecem quotas raciais nas universidades, para compensar desequilíbrios decorrentes de preconceito e falta de oportunidades a negros e descendentes. Surgem estatutos para defesa dos idosos, das crianças, de índios, de adolescentes, e assim por diante.  São as chamadas “preferências legais”. A questão que lei alguma resolve, no entanto, diz respeito  a como estabelecer a ordem de  preferência entre pessoas com primazias legais. Tomando-se como exemplo,  uma sala de atendimento de  um médico geriatra  como organizar a ordem em que os pacientes deverão ser atendidos em cumprimento do preceito legal?  Observada a condição de todos os considerados idosos que critério seria aceitável para estabelecer  essa ordem? Os mais velhos antes dos mais novos? Os deficientes antes dos idosos?  Entre os deficientes os de melhor estado depois daqueles em pior estado? Bem, quero falar do que li numa placa retratada acima na postagem de hoje. Ela se  encontra afixada na sala de atendimento do Primeiro Cartório de Registro de Imóveis de Campinas. Curiosa a advertência adicional que o Oficial externa. Nela se lê que a preferência de idosos,  gestantes, deficientes etc não prevalece para efeito de prenotação  de títulos. Para quem não sabe, a prenotação é  medida legal destinada a garantir prioridade no registro de um título de propriedade ou de outro direito real. Como no Direito brasileiro o registro é que transfere a propriedade imobiliária e não a escritura pública, a ordem de entrada de um título no registro determina, no caso do ingresso de dois títulos que transferem a pessoas diversas, um mesmo bem, qual deles deverá ter o título registro e se tornar o proprietário do imóvel e a qual deles restará o caminho de um pedido de indenização. Assim, como parece óbvio, a prioridade legal no atendimento de idosos, deficientes e gestantes não pode ser invocada para efeito de inverter a ordem na prenotação  de títulos. Juro que imaginei a seguinte situação inusitada: Na fila de atendimento do Cartório um mocinho na frente e um velhinho atrás. Cada um com uma escritura de compra e venda para registro, envolvendo o mesmíssimo imóvel. O velho invoca prioridade no atendimento, passa na frente do moço, prenota o seu título antes e garante, com isso, é só por isso, a eficácia na transferência da propriedade. 
Essa nem o Walcyr Carrasco imaginou, hein!

Até mais amigos.

domingo, 8 de dezembro de 2019

CINEMA DE TARANTINO: ERA UMA VEZ... EM HOLLYWOOD


Boa noite amigos,

O trio de protagonistas do longa de Tarantino, pela ordem, -

Brad Pitt, Leonardo Dicaprio e  Margot Robbie.
Era uma Vez em Hollywood, o último badalado longa de Quentim Tarantino, candidato a várias estatuetas no Oscar de 2.020, é mais uma vez a “cara” de seu diretor e roteirista, com sua conhecida paixão pela indústria cinematográfica e a vontade de prestar tributo a estilos, épocas e a atores e diretores que se tornaram notáveis no passado, quando o cinema não contava com os recursos tecnológicos atuais e dependia fundamentalmente das grandes atuações dos artistas e de diretores capazes de apresentar e desenvolver roteiros que agradassem tanto ao público, quanto a produtores  dispostos a apostar seus milhões de dólares em  produtos que deixassem nas bilheterias muitas vezes o valor de orçamentos milionários. O longa desta vez presta homenagem a Hollywood de 1.969, época em que o mundo passava por grandes transformações e o cinema ingênuo e simples, de romances açucarados e faroestes americanos e italianos (espaguetes), e que ele já homenageara em filmes anteriores como o bom  Django Livre, estava com os dias contados.  A “guerra fria” que se desenvolvia entre as potências (Estados Unidos e União Soviética), a Guerra do Vietnã, a conquista do universo com a pousada na lua, o surgimento do movimento hippie e da contra-cultura em geral, chegava também a Los Angeles. Hollywood vivia o fervor da revolução política e cultural que se passava no mundo e buscava um novo e comprometido público, para além dos romances açucarados, bandidos e mocinhos, índios e caras pálidas, e finais felizes. Movimentos como a Nouvelle Vague na França e a Escola de Nova York nos Estados Unidos, com diretores como Godard, Fellini, Antonioni, pensavam um cinema intimista, cadenciado, reflexivo, que ensejasse discussões políticas e existenciais mais em voga. Li em um crítico renomado que a ignorância do jovem espectador sem vivência, nem  conhecimento dos fatos políticos do mundo da época e seus personagens, o impedirá de compreender as mensagens expressas ou subliminares do filme e identificar lugares, fatos ou personalidades. É verdade. Mas nem por isso estará condenado ao enfado, porque Tarantino consegue, graças ao seu talento no domínio do roteiro, prender o espectador ciente ou  inciente,até o fim,num filme de quase três horas, focado em três personagens: Rick Dalton (Leonardo diCaprio), um ator em busca de reconhecimento; seu Double permanente, Cliff Booth (Brad Pitt), que se conformava em conservar o seu emprego de segunda linha e a  servir o seu amigo e patrão em todas as necessidades e a atriz, Sharon Tate (Margot Robbie), na época casada com o diretor polonês, Roman Polansky. E enquanto os dois primeiros são fictícios, a atriz e outros personagens existiram e fizeram história na Hollywood de 1.969. O expediente de juntar ficção e realidade para contar fatos ou acontecimentos de quem ou do que pretende prestar tributo é marca registrada de Tarantino. Seu forte, portanto, não é o gênero documentário, mas o de construir uma realidade, como se pudesse reescrevê-la ao sabor de alguns ingredientes que ele concebe e inclui com o objetivo de alterar o seu curso. Falar do talento de LeonardoDiCapri para mim é uma constante. Sou fã desse ator de 45 anos, que acompanho desde o menino romântico do Titanic. E ele desempenha mais uma vez de forma magistral o atormentado ator fictício em busca de sua identidade e do reconhecimento num mundo em que predominam talento, dinheiro, estilos, mas também hipocrisias, traições e “egos” exacerbados. Brad Pitt não fica atrás, merecendo destaque pela construção de seu personagem de forma marcante. E o trio se completa com a atuação de Margot Robbie para Sharon Tate, a bela atriz americana que foi brutalmente assassinada, naquele fatídico ano de 1.969, por fanáticos hippies da seita de Charles Manson, quando estava grávida de nove meses do diretor Polansky. Não deixe de ver o filme. Há quem o considere o melhor no conjunto da obra de Tarantino.