domingo, 12 de maio de 2013

LITERATURA - NELSON RODRIGUES POR ELE MESMO


Boa noite amigos,

Se vivo fosse, Nelson Rodrigues teria completado 100 anos no ano passado. Um dos maiores dramaturgos brasileiros, que foi também jornalista, cronista e comentarista esportivo, Nelson inaugurou e consolidou o movimento modernista no teatro brasileiro. E Porque Hoje é Sábado, como dizia Vinícius de Moraes, e porque “Sábado é uma ilusão”, frase atribuída ao controvertido dramaturgo, hoje resolvi falar com os amigos sobre o livro NELSON RODRIGUES POR ELE MESMO, cujo autor, por óbvio, é o próprio, mas  organizado por Sonia Rodrigues, uma de suas filhas. Trata-se de um repositório ou compilação de artigos, entrevistas e manifestações do dramaturgo,   expendidas ou publicadas ao longo de sua vida, nas quais expõe seu pensamento a respeito de diversos assuntos como política, futebol, jornalismo, nacionalismo, cinema, literatura, casamento, amor e sexo e, é claro, sobre sua vocação maior: o teatro brasileiro. Leitor e admirador de Emile Zolá,  Nelson tem no seu currículo nada menos do que dezessete peças de sucesso, sobre as quais manifesta seu sentimento em vários momentos da vida. Ao longo de sua trágica  existência, o dramaturgo, que assistiu ao assassinato de um de seus irmãos, viu a morte de outro por causa de tuberculose, doença que também o acometeu na juventude e da qual teve nada menos que cinco recaídas e uma milagrosa cura,  Nelson causou com suas peças,  declarações e posições,   furor, ódio,  surpresa, elogios, aplausos, vaias. Enfim, os mais variados sentimentos. Mas inegavelmente o que marca a sua obra é a grande capacidade de captar e transmitir, sem retoques, nem maquiagens, a controversa natureza humana. Considerado um amoral, suas peças, na sua ótica, eram, ao contrário, moralistas, pois só nelas, segundo o seu juízo, o bem triunfava sobre o mal e o crime era efetivamente punido.  Contraditório (Toda coerência é no mínimo, suspeita, dizia), era torcedor doente do Fluminense (Se o Fluminense jogasse no céu, eu morreria para vê-lo jogar),  chegou a afirmar a respeito de seu mais tradicional rival que “Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia”.   A publicação é da Editora Nova Fronteira. Uma boa oportunidade para os que não conheceram Nelson (para mim o equivalente nacional ao dramaturgo do Reino Unido,  Oscar Wilde),  nem sua obra, ou para aqueles que gostariam de estreitar o seu conhecimento sobre esse célebre brasileiro, realizar esse intento.  

TRINTA PENSAMENTOS DO AUTOR

1)    Os homens mentiriam menos, se as mulheres fizessem menos perguntas;

2)    Nem todas as mulheres gostam de apanhar; só as normais;

3)    Deus só frequenta as igrejas vazias;

4)    Grandes são os outros. O Fluminense é enorme;

5)    Via de regra, cada um de nós morre uma única e escassa vez. Só o ator é reincidente. O ator ou a atriz pode morrer todas as noites e duas vezes aos sábados e domingos;

6)    Deus escreve certo por pernas tortas (sobre Garrincha);

7)    Invejo a burrice, porque é eterna;

8)    Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura e futebol com bons sentimentos;

9)    Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe;

10)                      Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata;

11)                      O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: a inexperiência;

12)                      O dinheiro compra até o amor verdadeiro;

13)                      O brasileiro quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte;

14)                      A liberdade é mais importante que o pão;

15)                      Não existe família sem adúltera;

16)                      A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem;

17)                      A plateia só é respeitosa quando não está a entender nada;

18)                      A mulher ideal deve ser dama na mesa e puta na cama;

19)                      Se os fatos estão contra mim, pior para os fatos;

20)                      A televisão matou a janela;

21)                      Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado;

22)                      Com sorte você atravessa o mundo; sem sorte você não atravessa a rua;

23)                      O homem de bem é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu;

24)                      O brasileiro é um feriado;

25)                      O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É degradante que um homem deseje a mãe dos seus próprios filhos;

26)                      Até os canalhas envelhecem;

27)                      Meu Deus porque existem tantos olhos no mundo?

28)                      O problema do tapa não é o tapa, é o barulho;

29)                      Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca;

30)                      Só os inimigos não traem nunca.


ALGUNS EXCERTOS DO LIVRO.

“O PROBLEMA É QUE TENHO A MAIOR NOSTALGIA DE MINHA PUREZA INFANTIL, ISTO ATÉ HOJE. EU ME ARREPENDO DA MINHA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA SEXUAL. A PARTIR DO MOMENTO EM QUE CONHECI O AMOR FÍSICO, PASSEI A SER OUTRA PESSOA E, ATÉ HOJE, SE ME PERGUNTAREM QUAL É A SOLUÇÃO QUE SUGERIRIA PARA A ANGÚSTIA SEXUAL DE TODOS NÓS, EU DIRIA: A CASTIDADE. OU ENTÃO O AMOR FÍSICO EXCLUSIVAMENTE POR AMOR.” (PP. 22/23).

“EU ACHO, COMO JÁ DISSE, QUE A RELAÇÃO SEXUAL SEM AMOR É UMA IGNOMÍNIA, E COMO NÓS A USAMOS SEM AMOR NORMALMENTE, NÓS SOMOS UNS DESGRAÇADOS. O SEXO SÓ FAZ DESGRAÇADOS E PULHAS. ISTO É O QUE EU APRENDI EM TODA A MINHA EXPERIÊNCIA VITAL. NUNCA VI O SEXO FAZER UM SANTO OU UM HOMEM DE BEM. OU ELE FAZ UM DESGRAÇADO, O QUE É NORMAL, O COMUM, OU FAZ UM PULHA”. (p. 27).

“O DISTANCIAMENTO QUE HÁ ENTRE O REPÓRTER E O FATO, ENTRE O REPÓRTER E UMA EMOÇÃO, ENTRE O REPÓRTER E O PATÉTICO É UMA COISA HORRENDA” (p. 35).

“TODO O MEU TEATRO TEM A MARCA DE MINHA PASSAGEM PELA REPORTAGEM POLICIAL” (p. 35).

“HOJE OS NOSSOS VELÓRIOS PERDERAM ISSO, É TUDO LUZ ELÉTRICA. UMA COISA INCRÍVEL, UMA FALTA DE RESPEITO. ANTIGAMENTE HAVIA OS GEMIDOS E OS GRITOS NA HORA DO ENTERRO. O ENTERRO ERA APAIXONANTE. ENTRAVA TUDO MUNDO ASSIM, DE CARA DE PAU. HOJE A CAPELINHA DESMORALIZA A DOR. ANTIGAMENTE,A HORA DE SAIR O ENTERRO ERA UMA COISA TENEBROSA” (p. 38).

“O ASSASSÍNIO DE MEU IRMÃO MARCOU A MINHA OBRA DE FICCIONISTA, DE DRAMATURGO, DE CRONISTA, ASSIM COMO A MINHA OBRA DE SER HUMANO. E ESSE ASSASSINATO ESTÁ MARCADO NO MEU TEATRO, NOS MEUS ROMANCES,NOS MEUS CONTOS” (p. 42).

“ESSE CRIME ME MUDOU INTEIRAMENTE. O FATO DE UM SUJEITO MORRER POR SER FILHO DO MEU PAI, QUE POR SUA VEZ NÃO TINHA NADA COM O PEIXE, ME DEU HORROR DA OPINIÃO PÚBLICA. TODA UNANIMIDADE  É BURRA. A MAIORIA GERALMENTE ESTÁ ERRADA. TENHO HORROR DE ELEIÇÃO. QUEREM QUE QUARENTA MILHÕES DE PESSOAS JULGUEM COMO SE FOSSEM ARISTÓTELES OU PLATÃO. UMA DAS MAIORES  PEÇAS DO MUNDO É UM INIMIGO DO POVO,  de IBSEN. O  PROTAGONISTA DIZ, NO FINAL, QUE O GRANDE HOMEM É O QUE ESTÁ MAIS SÓ. POR ISSO BRINQUEI COM MINHA CLASSE TEATRAL, QUANDO ANDAVA EM COMÍCIOS, ASSEMBLÉIAS E PASSEATAS. SOU O QUE ESTÁ MAIS SÓ.” (p. 42).

“A FOME NÃO TEM LIMITES. AS PESSOAS FAZEM AQUILO QUE JAMAIS PENSARAM QUE FOSSEM CAPAZES DE FAZER, QUANDO PASSAM FOME” (p. 45).

“ROBERTO MARINHO PAGOU OS MEUS VENCIMENTOS INTEGRAIS POR TRÊS ANOS, DURANTE TODO O TEMPO EM QUE ESTIVE DOENTE. RECAÍ DA TUBERCULOSE CINCO VEZES E ESTIVE EM CAMPOS DO JORDÃO TRÊS VEZES. NO CASO DA TUBERCULOSE, NAQUELE TEMPO, ERA PRECISO TER SORTE E  A LESÃO NÃO TER NENHUMA ADERÊNCIA.”(p. 47).

Até amanhã amigos,

P. S. (1) Sonia Rodrigues é escritora e jornalista. Fez Mestrado e Doutorado em literatura pela PUC do Rio de Janeiro. Pesquisa e patrocina pesquisas sobre o seu pai Nelson Rodrigues desde 1.999;

P.S. (2) Duas visões diferentes sobre o ser humano. Situação 1:  Sentindo que o escritor lusitano, José Saramago, não demonstrava grande alegria ou surpresa ao saber que tinha sido contemplado com o Premio Nobel de Literatura, um jornalista perguntou se ele não estava satisfeito ou honrado com o premio, ao que o escritor, demonstrando humildade e ponderação, respondeu: “Estou sim, mas cá penso comigo: O que significa o Premio Nobel diante do universo? Situação 2: Nelson Rodrigues ao se pronunciar sobre a relevância do ser humano em face desse mesmo universo, afirmou: “Qualquer indivíduo é mais importante que a Via Láctea”.

P.S. (3)  O dramaturgo Nelson Rodrigues escreveu 17 peças de sucesso: A MULHER SEM PECADO (1.942); VESTIDO DE NOIVA (1.943); ÁLBUM DE FAMÍLIA (1.945); ANJO NEGRO (1.948); DOROTEIA (1.950); VALSA N. 6 (1.951); A FALECIDA (1.953); SENHORA DOS AFOGADOS (1.954); PERDOA-ME POR ME TRAÍRES (1.957); VIÚVA, PORÉM HONESTA (1.957); OS SETE GATINHOS (1.958); BOCA DE OURO (1.959), O BEIJO NO ASFALTO (1.961); OTTO LARA REZENDE OU BONITINHA, MAS ORDINÁRIA (1.962); TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA (1.965); ANTI NELSON-RODRIGUES (1.974); A SERPENTE (1.980).  Muitas delas foram adaptadas para a literatura e para o cinema.

P.S. (4) A imagem da coluna é da capa do livro NELSON RODRIGUES POR ELE MESMO.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

CINEMA - DJANGO LIVRE


Boa noite, amigos.


Nome do Filme: Django Unchained (Django Livre). Uma grande brincadeira do  diretor, Quentin Tarantino (Pulp Fiction; Kill Bill 1 e 2; Cães de Aluguel; Bastardos Inglórios).  Uma homenagem a um gênero de  filme que arrebanhou multidões para os cinemas nos anos 50/70 e que marcou a adolescência da geração que hoje chega aos  60 anos. O resgate de um roteiro simples e direto, com heróis e bandidos perfeitamente definidos, estes escondendo, escravizando e violentando,  e aqueles lutando para libertar e livrar inocentes de seus algozes, consagrando assim  os valores do bem e da coragem. Muitos tiros e muito sangue, a ponto de Django Livre” ter sua exibição suspensa na China, país severo na censura a conteúdos de sexo, política e violência. A crítica especializada foi extremamente generosa com o longa (longa mesmo, 165 minutos de duração). Num universo de 26 veículos de comunicação (dentre os quais, Folha de São Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Zero Hora), obteve média de 4,2, numa avaliação de 0 a 5 pontos). Indicado para várias categorias do Oscar, levou duas estatuetas: a de melhor roteiro original para Tarantino e a de melhor ator coadjuvante para Christoph Waltz, que viveu o caçador de recompensas alemão, King Schultz. Tendo como inspiração “Django”, um memorável faroeste italiano de 1.966, considerado pelos americanos como um belo exemplar do gênero  spaghetti western”, o filme é ambientando no sul dos Estados Unidos, anos antes da Guerra Civil Americana. Django (Jamie Foxx), um negro escravo, é comprado de seu proprietário  pelo caçador de recompensas, dr. Schultz (Christoph Waltz), tendo este o objetivo de localizar os sanguinários irmãos Brittle, procurados pela Justiça, vivos ou mortos. Como só Django pode levá-lo até os assassinos, o caçador promete alforriar o escravo se lograr o intento. Com  o êxito na busca e a execução dos bandidos,  ambos passam a perseguir outro desiderato, qual seja, o de localizar e salvar a negra, Broomhilda (Kerry Washington), mulher de Django, escravizada pelo terrível fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). A crítica que se pode fazer ao filme é que ele é longo demais e poderia ser encurtado. Mas parece que a intenção de Tarantino foi realmente arrastá-lo, mesclando os diálogos e as cenas sérias, com outras divertidas,  para que o espectador  envolvido na trama, não se esqueça  em momento algum que aquilo tudo ( repertório de tiros, um só batendo em muitos, gente voando com as balas que recebe, sangue para todo o lado) é mesmo  uma bela ficção, um joguinho desses de internet, sem requintes de violência séria capaz de assustar e inibir. Pelo menos foi com essa leveza e muito riso que  assisti ao filme durante um voo internacional,   o que não foi por certo a ótica dos chineses impressionados com as cores fortes do sangue  e o barulho dos tiros. Resta considerar, embora eu seja suspeito porque tenho especial predileção pela arte desse extraordinário ator, a interpretação fantástica de Leonardo DiCaprio, na pele de proprietário da Fazenda “Candyland, em que os escravos são utilizados para lutas, como esporte ou hobby do inescrupuloso dono.  Divertido, saudosista, um pouco longo e enjoativo também. Fica na média. Sem o brilho e a originalidade  de um  Bastardos Inglórios.

Até amanhã amigos.



P.S. (1) A China é o segundo maior mercado de cinema,. Só perde para os Estados Unidos;

P.S. (2)  Brasil, Rússia, China e Índia juntos são responsáveis por 25% de todo o faturamento de cinema do mundo. Não é muito se considerarmos que só as duas últimas possuem a metade da população do planeta.

P.S. (2) Tarantino possui uma belíssima coleção de filmes de  faraoeste. Apaixonado pelo gênero, Django Livre foi inspirado na série italiana Django, que fez sucesso nos anos 60/70. Django era branco e um vagabundo que arrastava um caixão de defunto,  no qual escondia uma metralhadora;

P.S. (3) A Saga “Django” inclui ainda os seguintes fimes: Django Atira Primeiro; Viva Django, Django, o Bastardo; Django Não Perdoa, Mata, todos eles vividos na tela pelo ator italiano Franco Nero;

P.S. (4) Tarantino não suportou ficar longe da tela nesse filme-homenagem. Ele aparece discretamente em uma rápida cena de “Django Livre”.  Quem também aparece, a seu convite, é o veterano ator Franco Nero, que viveu Django na saga dos anos 60/70;

P.S. (5) Franco Nero foi dirigido, em todos os longas originais,  pelo cineasta Sérgio Corbucci;




P.S. (6) O escravo Django seria inicialmente interpretado pelo conhecido ator Will Smith, que recusou o papel, entendendo que o personagem não seria o protagonista. O orçamento do filme foi de cem milhões de dólares, dispendio já recuperado e ampliado quase cinco vezes (nas bilheterias a película já rendeu algo por volta  dos quinhentos milhões de dólares).

P.S. (7) O ator Jamie Foxx viveu no cinema o papel do cantor cego Ray Charles, no filme Ray, em que também faz par romântico com a atriz Kerry Washington;

P.S. (8) As imagens da coluna de hoje foram emprestadas, respectivamente:  de blogs.D24am.com (cartaz de publicidade de Django Livre) do site entretenimento.r7.com (de Tarantino recebendo o Oscar); do site www.dbcobers.com. (cartaz de publicidade de Django, do ano de 1.966).


terça-feira, 23 de abril de 2013

TENDÊNCIAS DA MODA MASCULINA OUTONO-INVERNO 2.013


Boa noite amigos,

Desfiles em Milão e Paris, além daqueles que aconteceram no Rio e em São Paulo, denunciaram algumas tendências da moda masculina outono-inverno 2.013. O arrocho porque passa a Europa, como em tudo, também teve reflexo na moda. Volta a tendência do branco e preto, do cinza, do azul,  e como novidades o amarelo e/ou roxo e o laranja. O Xadrez  continua prestigiado para todas as vestimentas e complementos: camisas, calças, bermudas e gravatas. Os consultores salientam a universalidade do xadrez, que tanto pode fazer parte de “looks” despojados com bermudas e tênis; casuais, como calças, camisas e coletes;  e formais, como gravatas e ternos.


As combinações do xadrez estão também mais livres, mas, repita-se, sempre reclamando  bom senso. Uma camisa xadrez reclama uma calça ou bermudas lisas ou, no máximo,  com listras ou desenhos discretos. Na coleção outono-inverno de 2.013, a moda masculina ganha vida com destaque para os padrões florais, geométricos, riscas, bolinhas e estampas animais. Abaixo gravatas da última coleção da Dudalina acompanhando essas tendências. O terno de dois botões continua em pauta. E outra dica: gravatas e camisas da mesma cor deixam o visual mais elegante e estão sempre na moda.

Até amanhã amigos.

P.S. (1) A Dudalina continua apostando nas abotoaduras. Na foto ao lado conjunto de camisa e abotoaduras comercializadas em conjunto;



P.S. (2) As gravatas retratadas na coluna de hoje, todas da Dudalina,   podem ser adquiridas na Angelo Verti, do Shopping D. Pedro em Campinas;





 P.S. (3) Por falar em terno e gravata da mesma cor essa é a vestimenta permanente do personagem Estênio, um dos advogados  da novela Salve Jorge (Globo, 21,00 horas), ex-marido da Delegada Helô e que, além de labutar no escritório, passa o resto do tempo  tentando reconquistar a ex-mulher.



P.S. (4) A imagem do ator George Clooney portando camisa e gravata da mesma cor foi emprestada do site www.casamentoclick.com.br. Todas as demais fotos foram tiradas por mim na loja da Angelo Verti.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

CRÔNICA - A VINGANÇA DO DEFUNTO


 Boa noite, amigos. Pegando leve neste início de final de semana, vai lá uma crônica sobre fato verdadeiro curioso e que me fez lembrar da primeira infância vivida no interior de São Paulo. O resto foi fácil: emendar a imaginação com a história real noticiada pelos jornais e pronto.

    A crônica está no meu livro "Causas & Causos n. II" da editora Millenium.


             "Aconteceu no Rio Grande do Sul.
         Tudo quanto é de vanguarda ou inusitado parece vir do Sul.
Li e reli a notícia e não acreditei.
Diria como o ex-Presidente Lula que nunca se viu tal coisa na história desse país.
E que seria cômico se não fosse trágico.
Mas a comédia e a tragédia são situações antagônicas muito próximas, dependendo do momento e da interpretação, o que não as torna assim tão ontologicamente  diferentes.
 Já dizia o compositor que o que dá pra rir, dá pra chorar, questão só de peso ou medida, problema de hora e lugar...[1]
A imaginação viajou, viajou e foi até a primeira infância vivida em pequena cidade do interior  de São Paulo.
Não havia iluminação pública e as noites escuras, de quarto minguante, povoavam nossa mente infantil de fantasmas que, poderosos, transitavam livremente pelas ruas e casas, atravessando com facilidade portas e portões, paredes e muros, invariavelmente  à nossa cata.
Impossível se esconder.
Éramos todos presas fáceis,  personagens involuntários do primeiro “big brother” inventado e os nossos desafetos e espiões não eram nada telespectadores e muito menos “brothers” como o Batmann, o Hary Pother ou a Mulher Maravilha.
O uivo dos cachorros de rua no breu da noite completavam aquele cenário de medo e horror, propício para que fôssemos todos executados sem dó, nem piedade, pelas almas do outro mundo, sem que ninguém nos pudesse dar auxílio ou acompanhasse o último suspiro da passagem desta para a outra vida.
Os mortos, as almas, na versão das estórias que a vizinha nos contava (só por sacanagem) eram seres inconformados com a própria condição e tinham raiva ou inveja de gente viva.
 Apareciam nas noites de Pirambóia, em forma de caveiras com a foice na mão. Caveiras sádicas  que sorriam  com dentes iluminados, enquanto a foice ia cortando tudo o que vinha pela frente.
 Daí o uso de seus poderes sobrenaturais voltados sempre para o mal, para lesar, matar, enlouquecer, especialmente as criancinhas e os menininhos frágeis de uns 5 a 10 anos, de preferência, como nós, eu, meu irmão e meus coleguinhas.
Quando me lembro, acho que a Dona Tereza foi a primeira sacana que eu conheci, pois não consigo me esquecer dela e de suas malditas histórias até hoje, quando pesadelos com o sobrenatural, ainda, de vez em quando, permeiam as minhas noites de sono, nada mais, nada menos  cinqüenta anos depois.
Que força de convicção tinha aquela bruxa quando contava, inventava e interpretava.
 Que Deus ou o Diabo a tenha!
Voltemos à notícia, cinqüenta anos depois.
Manchete: ‘MULHER ATINGIDA POR CAIXÃO DE DEFUNTO MORRE EM ACIDENTE RODOVIÁRIO”.
O título instigante convidou-me imediatamente à leitura:
“Caxias do Sul: Acidente ocorrido no km. 19 da  BR 116, envolvendo um caminhão e um carro fúnebre provocou a morte de Dona Ismênia da Silva. A vítima acompanhava o traslado do corpo do marido, João da Silva, falecido na cidade de Nova Petrópolis. Segundo a versão do motorista, que sofreu apenas escoriações leves,  a viúva ocupava o banco dianteiro, ao lado do condutor, e   com o forte impacto da colisão, o caixão do defunto deslocou-se, vindo a atingi-la violentamente  na cabeça, o que  provocou lesão cerebral e morte instantânea”.
Que coisa impressionante, hein!
 Que infelicidade!
Duplo velório para os parentes.
Tragédia?
Coincidência do destino?
Nada disso.
Minha memória voltou imediatamente à infância e à Dona Tereza, que devia ter alguma razão.
E lá, das profundezas das minhas remotas lembranças  montei o cenário.
No centro do palco o João, calmo, camisa do Colorado,  chimarrãozão na mão,  falando pra a Ismênia, naquele  sotaque gaúcho:
“- Bah! mulher. Tu pensô que ia ficá numa boa, tche? Tu aqui e eu lá?
Mar eu me vô e tu já vai se espraiando pra cima do motorista da viatura, sua despudorada!

Tu vai é comigo.
E agora!”

Que é coisa de maluco, isso é.
Mas, convenhamos, que tem lógica, lá isso tem."

Até amanhã amigos.

P.S. (1) A ilustração acima foi emprestada do blog cristianogoes.blogspot.com. As imagens de baixo foram emprestadas, respectivamente, dos sites www.flickr.com e www.ufrgs.br.

P.S. (2) Os amigos estranharam a menção a "Pirambóia". É isso mesmo. Sou natural de uma cidade chamada Pirambóia. E como dizem alguns amigos, "Isso lá é natural"?

P.S. (3) "Pirambóia (De pirá + tupi mboy, "cobra". S.f. Bras. Peixe dipnóico, da família dos lepidossirenídeos das bacias amazônica e do Paraguai. Coloração cinza-olivácea, com manchas negras irregulares; o corpo é revestido de pequenas escamas, com dois pares de apêndices vermiculares e olhos muito pequenos. Comprimento: até 1,20 m. Vive em lugares pantanosos ou em águas rasas, passando de uma estação chuvosa à outra enterrado na lama." (Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Hollanda);

P.S. (4) O pequeno município, hoje Distrito de Pirambóia fica ao pé da serra de Botucatu, Estado de São Paulo. Só há uma placa indicando a sua situação e acesso. Veja aí embaixo:











P.S. (5) Afinal, Pirambóia é "peixe" ou é "cobra"? Sei não! Olha o bicho aí gente!







[1] “Choro Chorado”, samba de autoria de Billy Blanco que ficou em 4º lugar na I Bienal do Samba, promovido pela TV Record na década de 70.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

FUTEBOL E AS COTAS DE TV


Boa noite amigos,




A Ponte Preta acaba de assinar acordo com a TV Globo para a transmissão de seus jogos do Brasileirão 2.013. Apesar da cláusula de confidencialidade, que não permite que as partes divulguem as cifras reais do negócio, sabe-se que o valor foi de R$25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de reais), quantia mediana entre aquela que a emissora propôs (vinte e dois milhões) e o que a Macaca pretendia (trinta milhões). Uma soma apreciável para o clube, cuja folha salarial chega hoje a um milhão e seiscentos mil reais por mês, ainda que extremamente inferior ao que receberão os grandes Flamengo, Corinthians, São Paulo, Internacional, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Fluminense, Vasco da Gama, Botafogo, Santos e Grêmio, algo acima de R$100.000.000,00 (cem milhões de reais). O Palmeiras receberá menos por disputar a 2ª. Divisão, em virtude do rebaixamento do ano passado. Há muito que todas as equipes que disputam o campeonato brasileiro dependem fundamentalmente do valor pago pela TV Globo, que transmite as partidas nos seus vários canais aberto e fechados,  visando as contratações e especialmente para bancar, em dia, os altos salários que ainda se paga no Brasil a atletas e comissão técnica. Por isso mesmo, também há muito que a CBF e as Federações perderam a prerrogativa de decidir os dias e horários dos jogos. Para atender ao interesse exclusivo da televisão, jogos são marcados para dias e horários estranhos e inconvenientes para o público. É o interesse comercial prevalecendo sobre as possibilidades e conveniências dos torcedores e amantes do esporte bretão. Sobreviver à custa de renda de jogos nem pensar. A média de público nos estádios tem caído muito e poucas são as partidas que atraem mais de 20.000 torcedores. Desconforto, horários estapafúrdios, insegurança,  alto preço dos ingressos,  considerado o poder aquisitivo médio dos torcedores, jogos ruins e excesso de partidas  afastam o público dos estádios. Aliás, esse último item (excesso de jogos) tem sido responsável até pela queda da audiência na transmissão das partidas pela TV, como atesta o IBOPE. A ponto, inclusive, dos canais abertos, inclusive a poderosa Rede Globo, passar a transmitir  ao vivo jogos dos campeonatos espanhol, italiano e francês e da Liga dos Campeões Europeus, mais atraentes. Algo de novo e melhor precisa ser feito em favor das equipes, dos atletas, dos torcedores, do futebol brasileiro, enfim.

Até amanhã, amigos.




P.S. (1) É verdade que também na Europa há vários campeonatos paralelos e muitos jogos. Volta e meia Real Madrid e Barcelona, os mais ilustres rivais do futebol mundial na atualidade, se enfrentam ora pelo Campeonato Espanhol, ora pela Copa do Rei, ora pela Liga dos Campeões e assim, por diante. Mas convenhamos, ter em campo Cristiano Ronaldo, Xabi,  Xavi, Iniesta, Leonel Messi, Kaká,  Marcelo  e Cia, é muito diferente do que suportar o baixo nível técnico e  a ruindade da maioria das equipes brasileiras da atualidade, distribuídas pelas várias divisões do campeonato brasileiro.

P.S. (2) O pior efeito dos rebaixamentos do Guarani está exatamente na perda substancial da verba da televisão. Pouco ou nada receberá o Bugre disputando a segunda divisão do campeonato paulista o ano que vem e a terceira divisão do campeonato brasileiro este ano. É trágico para um clube que tem em seu currículo um título brasileiro, dois vice-campeonatos brasileiros, três participações em  Libertadores, dois vice-campeonatos paulista e outras conquistas. Quem sabe um dia a agonia do torcedor bugrino chega ao fim. Quem sabe; 

P.S. (3) Ao contrário do Bugre, a Ponte Preta vive um momento de absoluta tranquilidade, pela excelente campanha que realiza no Campeonato Paulista, antecipadamente classificada para as quartas-de-final. O ambiente no clube é o melhor possível e isso há vários anos. Graças, é claro, ao bom trabalho da Diretoria e dos recursos injetados no clube pelo Presidente, o empresário Sérgio Carnielli.

 P.S. (4) A primeira imagem da coluna de hoje (emprestada do site www.jvconline.com.br)  é do zagueiro Oscar, que fez história no futebol brasileiro, jogando pela Ponte Preta (na melhor equipe da Macaca de todos os tempos, que foi Vice-Campeã Paulista em 1.977, perdendo o título para o Corinthians de Palhinha e Vaguinho), depois pelo São Paulo e pela Seleção Brasileira de 1.982, considerada uma das melhores equipes de todos os tempos, sob o comando do saudoso Telê Santana.   

 P.S. (5) A segunda imagem  (emprestada do site www.pautadebuteco.com.br) é de atletas do Real Madrid e Barcelona, clássico considerado o mais importante do mundo na atualidade, em razão da qualidade dos jogadores das duas tradicionais equipes espanholas e de suas comissões técnicas.







domingo, 14 de abril de 2013

O BOM CINEMA FRANCÊS DA ATUALIDADE: MARGUERITTE, INTOCÁVEIS E AMOR


Boa noite amigos,


Haverá algo em  comum entre os filmes MINHAS TARDES COM MARGUERITTE (França, 2.010, Direção de Jean Becker), INTOCÁVEIS (França, 2.011, Direção de Olivier Nakache e Eric Toledano) e AMOR (França/Alemanha/Áustria, 2.012,  Direção de Michael Haneke)? Foram os três últimos filmes franceses que vi e o suficiente para atestar a alta qualidade desse cinema  da atualidade e de seus diretores mais ousados e criativos. Na contra-mão da indústria de entretenimento, que atola as salas de exibição com  as indefectíveis comédias românticas, ou as sagas e seriados que conquistam a juventude, apesar de  roteiros batidos e superficiais,  nos quais preponderam muitas ações, barulho, efeitos especiais e superficialidades, os cineastas franceses tendem a reproduzir nas telas  adaptações de grandes  obras da literatura, ou a experimentar roteiros originais que explorem os valores que marcam as  relações humanas universais e eternas, como o amor e a amizade,  esquecidos pela sociedade mercantilista e imediatista em que vivemos.  E o desafio vem sendo coroado de êxito,   conquistando crítica e público, a demonstrar que grandes bilheterias, críticas favoráveis e qualidade podem coexistir, sim senhor. Não sei dizer qual dos três filmes referidos é que mais gostei. Mas gostei de todos eles, seguramente. O mais badalado foi Amor (Amour), que conquistou três grandes prêmios (a Palma de Ouro do Festival de Cannes e o Globo de Ouro e Oscar de Melhor Filme Estrangeiro). Os outros dois foram apenas injustiçados. Num ano com poucas opções de qualidade, o Oscar 2.013, não lembrou sequer de Intocáveis (Intouchables), um retumbante sucesso de público na França e no resto do mundo. E o sensível e terno,  Minhas Tardes com Margueritte,  passou desapercebido. Mas de diretores tão diferentes como encontrar nos longas pontos comuns? Compare os roteiros: /Um rude e inculto trabalhador braçal, Germain (Gerard Depardieiu),  encontra casualmente uma senhora idosa, Margueritte (Gisèle Casadeus),  que todas as tardes, num banco de jardim, tem por hábito apreciar a natureza e exercitar  a leitura de bons livros. Sem objetivo certo na vida, ela consegue conquistar o trabalhador para quem  passa a ler obras e chamar a atenção para a beleza e a sabedoria da natureza e dos livros, com isso despertando os valores do amor e da solidariedade no espírito daquele tosco cidadão/ (Minhas Tardes com Margueritte).  /Baseado numa história real, o milionário empresário, Philippe  (François Cluzet),  fica tetraplégico ainda jovem e depende de serviçais para realizar tarifas  básicas. Dos muitos candidatos habilitados e supostamente virtuosos, contrariando a lógica, acaba escolhendo para o seu subordinado mais direto,  um jovem negro, Driss (Omar Sy), que é estrangeiro,  ocioso, vive em  desavença com a família e tem passagem pela Polícia, por roubo. Avesso ao rol de atribuições que lhe são confiadas, o jovem se recusa num primeiro momento a realizar tarefas íntimas e pesadas, como a de submeter o patrão a exercícios corporais, dar banho e fazer a sua assepsia após evacuações, mas é convencido a realizá-las. Dali nasce entre eles uma grande amizade e uma ligação que permanece, mesmo depois do rompimento do contrato de trabalho e do casamento e  mudança do empregado para outro país/ (Intocáveis).  Finalmente, /um casal de octogenários, professores de músicas, cultos e independentes, tem a relação colocada à prova, quando a mulher, Anne (Emmanuele Riva) sofre um derrame e fica com parte do corpo paralisada, necessitando de cuidados. O marido George (Jean Louis Tintignast) assume então toda a responsabilidade pelo tratamento da mulher, a quem vê piorar a cada dia, sem que possa fazer algo capaz de  interromper o longo e doloroso processo de decadência física e mental da amada. O roteiro ressalta aspectos relacionados com a a ética,  a  beleza e a temporalidade da vida, a importância dos valores e do amor na superação,  a velhice, a doença e  a impotência diante das vicissitudes/(Amor). A linguagem de todos eles é uma beleza. Profunda, reflexiva, inteligente e colocando no centro ou foco as mais diversas questões existenciais que pipocam na França multicultural de hoje,  do precursor do existencialismo,  Jean Paul Sartre. Em síntese: cinema de arte, de boa qualidade, feito por gente grande para gente grande. Arrisque!

Até amanhã.


P.S. (1) O diretor austríaco, Michael Haneke é formado em Psicologia, Filosofia e Teatro pela Universidade de Viena e seu filme mais conhecido no Brasil, é La Pianete (A Professora de Piano), um drama de 2.001;


P.S. (2) Vi, hoje, finalmente, o filme que recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Amor (Amour),  e me convenci ainda mais de que a grande injustiçada da Academia, este ano, foi a veterana atriz francesa, Emmanuele Riva. Riva está simplesmente soberba no papel da octogenária professora de música, Anne. Vale a pena conferir. Perder a estatueta de melhor atriz  para a novata Jennifer Laurence, que é também uma boa atriz, mas que esteve comum, muito comum, em  O Lado Bom da Vida só demonstra o protecionismo da Academia para as produções e atores, americanos e ingleses.





P.S. (3) O diretor e roteirista Michael Haneke consegue transmitir no desenrolar do roteiro do longa, Amor, toda a atmosfera de tristeza, desolação, decepção e reflexão que o enredo propõe.  Conta com isso com o ritmo lento da câmera e  o grande desempenho dos protagonistas. Além de Emannuele Riva, do também veterano ator, Jean Louis Tintignast, no papel do professor de música, George.

P.S. (4) Mais de vinte milhões de franceses deixaram seus euros nas  bilheterias da segunda economia da União Européia, para ver o filme “Intocáveis”. Um retorno e tanto para os produtores;

P.S. (5) A eutanásia é uma das questões que o filme Amor focaliza, mas ao que parece muito mais como decorrência do enredo do que como abordagem para provocar reflexões ou discussões quanto ao controvertido tema.


P.S. (5) As imagem da coluna de hoje foram emprestadas: a) de Minhas Tardes com Margueritte, do site  www.ambrosia.com.br; b) dos Intocáveis, do site www.revistaafro.com.br e, c) de Amor do site www,maisacao.com.