sábado, 26 de março de 2016

BRASIL E URUGUAI - EMPATE NAS ELIMINATÓRIAS DA COPA DA RÚSSIA

Boa noite amigos,

Cavani - atleta do Paris San Germain da França e da Seleção 
Uruguaia, autor de um dos gols na partida de hoje. Imagem
emprestada de www.mercadofutebol.com.
Logo depois da goleada que o Brasil sofreu para a Alemanha na Copa de 2.014, seguida de outra para a Holanda, pelo terceiro lugar, afirmei nesta coluna, que um dos problemas daquela seleção era, sem dúvida, não ter disputado as Eliminatórias, circunstância que teria permitido não só buscar o necessário melhor entrosamento da equipe pela obrigação de obter a vaga, o  que ela não mostrou em nenhuma das partidas, como também, com a serenidade necessária, detectar os seus profundos defeitos, que acabaram sendo escamoteados com a ilusória vitória de 3 a 0 sobre a sonolenta e desinteressada  campeã do mundo, a seleção espanhola,  e o título simbólico da Copa das Confederações um ano antes. Dormimos em berço esplêndido. A Copa estava no papo. Ainda mais sendo no Brasil. Já se vaticinava o resgate do sentimento nacional depois da catástrofe da Copa de 50, no Maracanã. Pois bem, depois da humilhação, voltamos à realidade, assumindo a necessidade de um recomeço, com a troca da Comissão Técnica e a disputa das Eliminatórias para a Copa de 2.018, que agora a noite concluiu a 5ª. rodada. Jogando na Arena Pernambuco, com o maciço apoio dos fanáticos torcedores pernambucanos, a seleção canarinho, depois de estar vencendo pelo placar de 2 a 0, permitiu o empate do Uruguai  e sofreu bastante para não sair de campo com uma derrota, de virada, pelo placar de 3 a 2, o que seria justo. Mas estamos longe do final das eliminatórias que prevê ainda mais 13 das 18 partidas para cada uma das seleções. E, melhor do que se esperava, a seleção brasileira, com 08 pontos em 15 disputados, encontra-se em posição mediana, em 3º lugar, com a mesma pontuação que o Paraguai, que se mantém em 4º, por causa do critério de saldo de gols (3 contra 1). Nada mal, mas também não dá para achar que tudo está bem. A equipe carece claramente de uma liderança em campo, capaz de botar “ordem na casa”, nos momentos em que a produção cai durante o jogo, toma um ou mais gols, ou que o adversário passa a exercer forte pressão. Um “xerifão que saiba “ler o jogo”, como dizem os especialistas; que possa se impor e seja respeitado pelos companheiros, uma função que o hoje técnico Dunga executou, como atleta,  com sucesso, na vitoriosa seleção de 94, que conquistou o tetracampeonato nos Estados Unidos. Há outras deficiências.  Neymar,  nosso único jogador considerado fora de série há tempos vem jogando abaixo de suas condições reais, evidenciando a mais absoluta falta de equilíbrio emocional. Se isso decorre ou não dos problemas que vem enfrentando com a justiça espanhola, por causa da transferência para o Barcelona, ou não, é questão pessoal que transcende a análise esportiva. O fato é que um atleta pode passar por delicada situação, seja familiar, seja decorrente de doença, de ordem financeira, pessoal, emocional, como qualquer ser humano que é. No caso da seleção brasileira é preciso que ela se liberte da dependência seja desse atleta, seja de qualquer outro considerado individualmente. Se se pode contar com ele em boas condições, ótimo. Se não, é preciso ter plano B, como em tudo na vida. 

Jonas centroavante da Seleção Brasileira e atleta do Benfica
de Portugal. Imagam emprestada de www.maisfutebol.iol.pt. 
Neymar em campo, além de não estar rendendo o que dele é lícito esperar, pode (uso o verbo no condicional por se tratar de hipótese) estar afetando o equilíbrio emocional de toda a equipe, que vê nele o padrão, a perfeição esperada. Em cinco rodadas, Neymar jogou três jogos e já está suspenso para o jogo de quarta-feira próxima, contra o Paraguai, em Assunção. Ou seja, jogará três de seis jogos, apenas metade, por causa de cartões vermelhos e amarelos que recebeu em razão de violação de regras esportivas. Há pontos positivos, sem dúvida. William continua sendo o nosso melhor jogador nestas eliminatórias, demonstrando raça e velocidade, exercendo, não raro, a função de um ponta direita que vai à linha de fundo com facilidade e alça a bola  para seus companheiros na área adversária, uma das mais eficientes jogadas para neutralizar a retranca de adversários, sobretudo quando jogam por  aqui. Renato Augusto vem se firmando como um meia  atacante competente que tem boa visão do campo de jogo,  sabe girar no meio de campo, e criar boas situações de ataque, além de às vezes surgir em boas condições de concluir a gol, com oportunismo de centroavante. Mas a dupla de zaga está devendo e precisa ser cobrada ou incomodada. David Luiz hoje fez uma péssima partida. Lento e perdendo o tempo da bola, foi diretamente responsável pelos dois gols uruguaios e  não fosse uma grande defesa à queima roupa do goleiro Alisson, numa bola por ele recuada nos pés do oportunista Suarez, teria decretado a derrota da seleção brasileira, por um placar de virada. Nada disso desmerece o desempenho da boa seleção do Uruguai, uma das melhores dos últimos tempos e que não se entregou, nem se desesperou em nenhum momento da peleja, mesmo sofrendo dois gols, um deles a menos de um minuto de jogo. Destaque para o ataque com Cavani e Suarez, justamente os autores dos dois gols da Celeste. Vamos ver o que acontece quarta-feira próxima em Assunção, quando a seleção jogará fora de casa, contra uma equipe bem entrosada e sem Neymar, mas possivelmente com um centroavante de referência, Ricardo Oliveira ou Jonas, que poderá estrear.


Até mais amigos,


P.S.  Jonas começou a carreira nos juniores do Guarani Futebol Clube. Depois de grande destaque na categoria sub-20 do Bugre, estreou como profissional, no Guarani, aos 20 anos em 2.003. Foi um dos artilheiros da Série B de 2.005, com 12 gols, destacando-se ainda na Copa do Brasil e no Campeonato Paulista. Foi transferido para o Santos e jogou ainda no Grêmio, antes de seguir para o exterior. Jogou no Valença da Espanha e atualmente é jogador do Benfica de Portugal e o atual artilheiro europeu.  Pode fazer sua estréia pela seleção brasileira na próxima quarta-feira;

quarta-feira, 23 de março de 2016

CINEMA: O JUIZ (THE JUDGE)

Boa noite amigos,

Uma parte da crítica achou muitos defeitos e fala de abuso no uso de clichês. O cinéfilo comum gostou. E muito! Prova de uma e de outra afirmação pode-se conferir na avaliação de um blog especializado em sétima arte e  em reunir críticas e atribuir conceitos em forma de estrelas de 0 a 5, entre internautas, público em geral e avaliação dos especialistas feitas nos principais veículos de imprensa. Particularmente fiquei bem impressionado com o roteiro adaptado e com o andamento do drama, cujo desfecho não me pareceu tão previsível quanto possa parecer, embora não seja mais novidade a exploração do gênero drama/policial, com ênfase para debates travados em tribunais criminais e a estratégia de promotores e advogados, para vencer a causa.  Há bons filmes a esse respeito como 12 Homens e uma Sentença (1957) e O Advogado do Diabo (1.997), para citar dois. Com competente direção de David Dobkin, o drama, um roteiro adaptado do livro do mesmo nome do consagrado escritor, John Gusham, especialista em dramas forenses e familiares, conta a história do velho Juiz Joseph Palmer (numa magistral interpretação do veterano Robert Duvall), que, depois de mais de 45 anos de uma judicatura da qual se orgulha, é acusado de ter cometido homicídio, na mesma noite em que enviuvou, e o difícil e traumático relacionamento dele  com um de seus três filhos, justamente o advogado Hans Palmer (Robert Downey Junior), que se afastou da família durante anos e que agora retorna para o velório da mãe e vê o pai ser acusado de um crime que ele duvida possa ele ter cometido. Cioso de sua qualidade profissional e disposto a defender o pai,  vê-se tolhido, porém,  pela negativa deste em contratá-lo, preferindo atribuir a sua defesa a um jovem e inexperiente advogado. As cenas passadas no Tribunal, porém, não constituem a essência do longa, que mais se concentra na problemática de uma família dilacerada pelos desencontros do passado e no esforço de cada um de seus membros para restabelecer o elo perdido, buscando o resgate das raízes afetivas, para o que não se dispensa o exercício de catarse, que envolve necessariamente admissão de culpas e concessão de  perdões. Não se trata de um filme sensacional, mas sem dúvida é um filme bom, muito bom, daqueles que vale a pena assistir e se emocionar se puder. Há cenas, diálogos e interpretações suficientes para isso.

Até amanhã amigos.
  
P.S. (1) O diretor e roteirista David Dobkin tem em sua filmografia duas comédias que fizeram muito sucesso no Brasil: Bater ou Correr em Londres (Shanghai Knigths, no original americano), de 2.003 e Penetras Bons de Bico (Wedding Crashers, no original), de 2.005, este o seu maior sucesso de bilheteria em todo o mundo;

P.S. (2) Dentre os especialistas que consideraram o filme O Juiz como um filme de  médio para bom está o conhecido comentarista de cinema, Rubens Ewald Filho (3 estrelas),  e de bom para ótimo,  o jornal a Folha de São Paulo  (4 estrelas);

P.S. (3) O cinqüentão Robert Downey Junior é um dos queridinhos de Hollywood e nosso velho conhecido por ser expert em protagonismos de heróis e famosos.  Foi, dentre outros, o Hulk, de O Incrível Hulk (2.008), o Sherlock Holmes do filme do mesmo nome (2.009), o Homem de Ferro na trilogia Iron Man 1 (2.007), 2 (2.010) e 3 (2.013). E vem aí o Capitão América: Guerra Civil, de 2.016;

P.S. (4) Robert Duvall é um veterano ator de cinema e televisão, com 85 anos de idade, nascido em San Diego, na California e que foi indicado, em 2.015, para o Oscar,  na categoria de melhor ator coadjuvante por sua atuação como o Juiz Joseph Palmer em The Judge, mas não venceu. Ganhou porém o Oscar de Melhor Ator em 1.984, por sua atuação em Tender Mercies, um delicado filme de 1.983, que no Brasil recebeu o título de A Força do Carinho. É detentor ainda de quatro troféus do Globo de Ouro e de outros prêmios importantes do cinema e televisão americanos e estrangeiros;


P.S. (5) a imagem da coluna de hoje foi emprestada do blog animação.com., do jovem Henrique Rizatto, especializado em comentário sobre cinema e eventos culturais.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

CAUSO - DISTRAÇÃO E DISTRAÍDOS


Boa noite amigos,

Nesse complicado mês de fevereiro de ano bissexto, curto, porém oneroso, porque é mês de IPVA, IPTU, material escolar e outras despesas pesadas e extraordinárias, falta também vontade e inspiração. Mando aos amigos, assim, um dos "causos" incluído no meu livro Causas & Causos n. II, publicado pela Editora Millenium, no ano de 2.010. Vai lá:  


"DISTRAÇÃO E DISTRAÍDOS:

  
                                                                    “O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído” (Sérgio Britto, Epitáfio)


                       
Nesse mundo moderno, nas grandes cidades, os fatos e as condutas se repetem.
Não há tempo definido para nada.
Tudo se mistura e, a um só tempo, se deve elaborar projetos e executar tarefas na correria do cotidiano.
A vida fica assim  intercalada e fragmentada.
Vida privada e vida profissional não são estanques.
O pensamento também gira entre uma coisa e outra.
Assim, amiúde, se executa uma tarefa mecanicamente, enquanto a mente viaja para tentar solver alguma problemática pessoal, social ou profissional que não se verifica no momento, tudo para, supostamente, se ganhar tempo.
Daí a distração e os distraídos, que nada mais são do que vítimas de uma mente desviada do ambiente em que se acha o corpo e se passa a situação concreta.
Melhor explicando: é estar ali e não estar ao mesmo tempo, estar em dois lugares diferentes, um na rua ou na casa, ou no escritório, outro no pensamento.
 Para alguns, é “viajar na maionese”, que significa dar tratos a bola, para além dos tratos e  das bolas.
Entenderam?
Fato é que inúmeras situações curiosas aconteceram comigo exatamente em função do corpo estar  executando mecanicamente uma tarefa,  reproduzindo uma dada conduta, enquanto o pensamento viajava por um outro lugar, um outro mundo.
Assim, seis meses depois que mudamos (eu e a minha família) de uma casa da Vila Industrial para outra, que construímos, no Jardim das Paineiras, aqui em Campinas, em pontos diametralmente opostos da cidade, não é que, em uma bela manhã, oi só eu chegando na casa velha para almoçar.
Só me dei conta quando já estava abrindo o  portão para colocar o carro na garagem, diante do olhar estupefato da nova moradora,   inquilina da minha sogra, dona do imóvel.

De outra feita, estava eu retornando, num sábado pela manhã, do Mercado Municipal, o velho mercadão,  quando avisto um desses “amarelinhos”, fiscais de trânsito.
Não havia muito tempo, tinha virado lei o uso obrigatório do cinto de segurança.
Demorei, como sempre, para me acostumar com o tal cinto. Ele me apertava. Com ele me sentia sufocado. Enfim, não foi fácil adquirir o hábito de usar o maldito artefato.
Já havia, por isso, sido multado.
Não é que ao avistar o tal fiscal eu imediatamente, corri a mão pelo peito para conferir se estava portando o cinto ou não.
Só tinha um detalhe.
Eu vinha a pé!
A campeã das situações inusitadas, porém, aconteceu há uns 15 anos.
Vinha eu distraído na direção de meu automóvel  pelas ruas do centro da cidade.
Estava preocupado com um processo que eu deveria apresentar contestação ainda naquele dia.
Num dos cruzamentos, o semáforo muda do verde para o vermelho.
 Em atenção ao comando do sinal, automaticamente parei.
Mas em seguida, peguei o controle do portão da garagem do meu prédio e clic.
Com ele tentei abrir o sinal de trânsito.
Vá lá entender que coisas a minha mente juntou para me sugerir essa esquisita solução.
Coisa de doido, né?
Ou de nego distraído.

E põe distraído nisso!" 


Até mais. 

P.S. (1) A imagem da coluna de hoje foi emprestada de www.revistamais.com.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

FUTEBOL EM 2.016

Boa noite amigos,

Imagem do grande escritor e poeta peruano, Cesar 
Vallejo, que dá nome ao clube de futebol fundado em 
1.996, na  cidade de Trujilo, interior do Peru (peru21.pe).
Terminada a Copa São Paulo, a simpática copinha, que abre o ano futebolístico no Brasil, começaram os principais campeonatos regionais e hoje, para o São Paulo, o início de mais uma participação na Taça Libertadores da América, o principal campeonato do continente americano. O Tricolor tenta passar pela fase de pré-classificação, num “mata-mata”,com a modesta equipe peruana do Cesar Vallejo,  da cidade de Trujilo, interior do Peru. O adversário tem, na sua curta existência (foi fundado em 6 de janeiro de 1.996), apenas um título sem grande expressão: o de campeão da segunda divisão do campeonato peruano.  Sem Rogério Ceni, que se aposentou, e Pato, negociado ao Chelsea, da Inglaterra, mas com técnico novo, o argentino Edgardo Bauza, o time brasileiro, tricampeão da Libertadores tenta voltar a ser a temida equipe de outrora, após anos de jejum, sem conseguir qualquer título compatível com a sua tradição e sua exigente torcida. Sem grandes contratações, em tempos de vacas magras (à exceção do retorno de Lugano, ainda fora de forma, e do empréstimo do argentino Calleri), seu técnico investe principalmente na ressurreição  do meia Paulo Henrique Ganso, um craque que jamais jogou no São Paulo, o que sabe e o que fez nos tempos do Santos de André e Neymar. É esperar para ver. 
Imagem do atacante Jonathan Calleri emprestado pelo São
Paulo e que marcou o gol de empate do tricolor no Peru.

Por aqui a estreia de Ponte Preta e Guarani, respectivamente, na primeira e segunda divisões do Campeonato Paulista, o mais disputado, rentável e interessante campeonato regional do país. A Macaca decepcionou, perdendo na estreia para o Oeste, em Itápolis, pelo placar de 3 a 1. E decepcionou menos pelo resultado, mais pela fraca atuação, a  causar alguma preocupação quanto ao que essa equipe, que perdeu algumas peças importantes, possa render num campeonato, em que sempre esteve, nos últimos anos, nas principais colocações, ao lado dos grandes. No momento em que escrevo esse comentário, a Ponte está perdendo, em seus domínios, para o Santos, pelo placar de 2 a 0, jogo da segunda rodada. E a partida ainda está no intervalo. 
Gabriel Rodrigues (imagem emprestada de globoesporte.
globo.com), atleta de base do Guarani, promovido à equi
pe titular e que marcou um golaço no empate do Bugre
contra o Taubaté pela 2a. rodada do Campeonato Pau
lista da Serie A-2, ontem no Brinco.
O Guarani  traz alguma esperança ao seu torcedor. Pela primeira vez nos últimos anos a diretoria conseguiu implementar um planejamento decente e indispensável, como se sabe,  à pretensão de sucesso num esporte coletivo como o futebol: manteve o bom técnico Pintado, montou um elenco com antecedência e realizou uma boa pré-temporada. Gostei do comportamento da equipe no sábado quando, estreando fora de casa, venceu, com autoridade, a equipe do Monte Azul, pelo placar de 3 a 1, com direito a um golaço de falta do incansável Fumagalli (nesse fundamento tão bom quanto Zenon, Jorge Mendonça e Neto, craques que se destacaram no Guarani do passado). Ainda é cedo para uma avaliação da real possibilidade desse elenco conseguir o acesso, que a torcida espera ansiosamente desde 2.013, mesmo porque talvez seja este o campeonato mais difícil dos últimos anos, por reunir muitas equipes tradicionais como o Bugre: a Portuguesa Desportos e o Bragantino, que já foram campeões paulistas da 1ª. Divisão; o São Caetano, que foi campeão paulista, vice-campeão brasileiro e vice-campeão da Libertadores, e o Paulista de Jundiaí, que já foi campeão da Copa do Brasil, e outras antigas e tradicionais como Marília e Batatais. E ainda pelo fato de que apenas duas equipes alcançarão o acesso, enquanto seis (6) experimentarão descenso à 3ª. divisão. Ontem, porém, jogando no Brinco do Ouro para quase 4.000 torcedores, o Bugre não logrou superar a forte equipe do Taubaté, de Danilo Sacramento e Cia.,  num jogo extremamente disputado e que terminou empatado em 1 a 1.

Até mais amigos,

P.S. (1) Começou também o Campeonato Carioca, um campeonato que só leva público aos estádios nos clássicos. A primeira rodada do campeonato paulista, por exemplo, teve um público três vezes maior do que o da rodada idêntica do campeonato do Rio de Janeiro, que em todos os jogos da rodada levou menos público do que Corinthians e XV de Piracicaba na Arena.  Hoje o Fluminense goleou a equipe do Bonsucesso, por 4 a 0,  em Volta Redonda,  para heroicos 537 pagantes;

P.S. (2) Termina agora o jogo do São Paulo no Peru, com empate em 1 a 1, um bom resultado para o tricolor, que, quarta-feira de cinzas, faz o jogo de volta no Pacaembu, precisando de uma vitória simples, ou mesmo de um empate em 0 a 0 para obter a classificação. Aqui em Campinas, terminou também Ponte e Santos com o mesmo placar do intervalo, ou seja, 2 a 0 para o Peixe.

P.S. (3)  Cesar Vallejo foi um dos grandes escritores em língua espanhola. Sua poesia é comparada a de outro badalado escritor, detentor de Prêmio Nobel da Literatura, o lendário Pablo Neruda. Qualquer dia falo mais sobre Vallejo, cuja poesia me fascina.


sábado, 30 de janeiro de 2016

O CONTO DA ILHA DESCONHECIDA - SARAMAGO



 Boa noite amigos,

O estranho pedido de um barco, feito por um súdito, ao seu rei, com a intenção de poder viajar pela imensidão dos mares, à procura da ilha desconhecida é a metáfora que o escritor lusitano, José Saramago utiliza, com sua sensibilidade e talento, para contar a história de um homem simples, mas incomum, em busca da realização de seus sonhos,  contra o status quo social e político, que lhe impõe dificuldades, dúvidas, desestímulo, limitações e insegurança de  toda ordem, incrementada pela vaga noção que ele próprio tem do que vai encontrar pela frente, e do que o destino, sempre imprevisível e imponderável, lhe reservará. Otimismo,  coragem, dúvidas e contradições são sentimentos antagônicos, mas presentes, que se misturam e criam a dificuldade de  como enfrentar o monstro do mar[1], por quem nunca aprendeu a navegar [2]. A ilha desconhecida é o próprio ser perscrutando o seu interior, a sua alma na mais relevante profundeza, o que deve ser enfrentado sem medo ou receio, com força e obstinação[3]: “Tenho, tive, terei se for preciso, mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver. Não o sabes. Se não sais de ti, não chegas a saber quem és”, eis o trecho que revela, dentre outros, o sentido da ilha desconhecida. A mensagem: Podemos passar toda a vida apenas na superficialidade do conhecimento acerca de nós mesmos e do mundo; Ou podemos optar por uma vida que se compromete em controverter esse conhecimento, com o objetivo de aperfeiçoamento. O Conto da ilha Desconhecida é mais uma obra do escritor, capaz de emocionar e de revelar a genialidade  do autor de Ensaio sobre a Cegueira e outras preciosidades da literatura universal. São vários os formatos, edições e idiomas em que o Conto da Ilha Desconhecida se apresenta ao leitor. Refiro-me aqui à interessante publicação da Companhia das Letras na sua 36ª. impressão, veiculada em 63 páginas, com capa e aquarelas internas de Arthur Luiz Piza (vide imagem da coluna de hoje, emprestada de www.garagemdearte.com.br). Imperdível àqueles que apreciam a obra desse grande escritor e  de sua vasta e relevante literatura.


Até amanhã amigos,







[1] “Sozinho não serei capaz de governar o barco, Pensasses nisso antes de ir pedi-lo ao rei, o mar não ensina a navegar” (fls. 57)
[2] “E tu para que queres um barco, pode-se saber, foi o que o rei de facto perguntou quando finalmente se deu por instalado, com sofrível comodidade, na cadeira da mulher da limpeza. Para ir à procura da ilha desconhecida, respondeu o homem. Que ilha desconhecida, perguntou o rei, disfarçando o riso, como se tivesse na sua frente um louco varrido, dos que têm a mania das navegações, a quem não seria bom contrariar logo de entrada.” (fls. 16/17).
[3] Não queres vir comigo conhecer o teu barco por dentro, Tu disseste que era teu, Desculpa, foi só porque gostei dele, Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.” (fls. 32).








domingo, 17 de janeiro de 2016

ALÉM DO TEMPO - NOVELA, VINHO E REENCARNAÇÃO

Boa tarde amigos,


As atrizes Ana Paula Nogueira e Irene Ravache, uma dupla
que viveu os personagens Emília e Vitória, nas duas fa-
ses da novela, com interpretações viscerais que comoveram
os espectadores. A imagem é emprestada de www.
purepeople.com.br
Não sou “noveleiro”, como se costuma dizer por aí. Mas também estou longe de nutrir qualquer preconceito pelo gênero, que tem sido a grande opção de entretenimento de considerável parcela do povo. Ou, então,  de sofrimento consentido (afinal, sobrevivendo neste país acho que temos algo de masoquismo no nosso DNA coletivo, ainda a ser revelado). E ao contrário das rádios-novelas,  em moda nos anos 40 e 50, que só alimentavam um "vale de lágrimas" e não se via a cara, nem a casa de ninguém, para copiar, os folhetins da TV, exercem na sociedade uma influência significativa, ditando,  não raro, costumes e modas, de linguagem a comportamentos. Bem, esse é um assunto que já foi muito debatido por nossos sociólogos, filósofos e que tais. O que me atrai nas novelas, especialmente as da TV Globo, de reconhecido bom  nível técnico, um dos produtos de exportação do país, é muito mais uma curiosidade estética do que propriamente de outra ordem. Mas não nego que, de vez em quando, alguns autores, grandes atores e roteiros originais me provocam para acompanhar a trama com a regularidade que minha vida profissional e pessoal me permitem. Foi assim com Além do Tempo (Globo, 18,30 horas), que terminou na última sexta-feira, felizmente sem aqueles alongamentos irritantes, mas costumeiros, quando o folhetim emplaca uma boa audiência para o horário,  o que efetivamente ocorreu com a trama de Elizabeth Jihn
Imagem emprestada de www.tvpravc.combr., dos persona-
gens Lívia e Felipe, vividos por Alline Moraes e Rafael Car-
doso, com vestes da primeira fase da novela, que se -
passou no século XIX.
Dividindo os capítulos em duas épocas distintas, a primeira passada no século XIX e a segunda nos anos contemporâneos, a escritora explorou como tema central o renascimento na visão da doutrina espírita, embora a emissora, por seus diretores e técnicos, afirme que não se objetivou qualquer espécie de proselitismo e que a doutrina da reencarnação  é sustentada por várias religiões e seitas diferentes, sob os mais diversificados fundamentos e aspectos. Na novela, porém, a questão da reencarnação é utilizada com muito equilíbrio e bom senso,  mais um artifício supostamente ficcional, ou um  mote para, a um só tempo: a)  propagar, com louvável ufanismo, valores como a bondade, a solidariedade, a  misericórdia,  o perdão, a igualdade livre de preconceitos de cor, raça e origem e, b) para recontar a história dos personagens, para as quais o renascimento cria nova oportunidade de resgate de má conduta de vidas passadas (caso da personagem Melissa, vivida pela ótima atriz Paola Oliveira), ou para viabilizar a sobrevivência de um romance convertido em casamento, ceifado anteriormente pelas armadilhas preparadas pelos maus espíritos (caso de Felipe e Lívia, interpretados, respectivamente, pelos atores Rafael Cardoso e Alline Moraes). Nesse ponto, a autora conseguiu garantir para si a simpatia do público pelo final da trama, ao contrário do que aconteceu com Alma Gêmea, novela que a Globo transmitiu no mesmo horário, entre 2.005/2006, de autoria de Walcyr Carrasco, que também explorou o tema do espiritismo, mas que termina com a morte dos protagonistas, Rafael (Eduardo Moscovis) e Serena (Priscila Fantin). Uma insatisfação que o público não quer experimentar.  Novela que se preze tem que acabar bem para  o mocinho e a mocinha viverem  o esperado “Felizes para Sempre”, com todo o vigor e a dignidade que o sofrimento a eles imposto, durante os longos dias em que correram os capítulos, exige, como recompensa.  Outro ponto positivo para o merecido sucesso de Além do Tempo, foi a escolha do elenco. As atrizes Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira, que nos dois tempos viveram os personagens Vitória Ventura e Emília Navona Beraldini (no primeiro como sogra e  nora e, no segundo, como  mãe e filha), seguraram a dramaticidade da obra, incomum para o horário das seis e meia. Destaque também para o versátil Luis Melo, com a sua categoria de sempre, no papel do criativo e extrovertido, Massimo Vicenzo e para um ator jovem, Emílio Dantas,  que interpretou o invejoso Pedro, resoluto na sua maldade, da qual não se redimiu nem mesmo na chance de reencarnação que a autora lhe deu. Por fim, caiu muito bem a presença do personagem apenas citado como Mestre dos Anjos,  vivido pelo magnífico Othon Bastos, um ator que admiro desde sua fantástica interpretação do bandido Corisco, no antológico filme nacional do Cinema Novo, Deus e o Diabo na Terra do Sol (1.964),  do saudoso Glauber Rocha. 


Imagem emprestada de www. yotube. com, da belíssima  

PAOLA OLIVEIRA, que viveu a maldosa personagem

Melissa, que se converteu no último capítulo, sal--

vando a vida de seu ex-marido Felipe e de sua anta-

gonista, Lívia.
As suas raras aparições sempre foram oportunas, para explicar os limites da intervenção metafísica no mundo real, segundo preconiza a doutrina kardecista, ora dialogando com um de seus discípulos, o Ariel (Michel Melamed), para lamentar os desencontros, ou exigir dele que não interferisse no “livre arbítrio” dos personagens, ora para encorajar almas que pretendiam a regeneração, a buscá-las com ânimo e afinco, como no caso do personagem Bento Ventura, vivido pelo ator Luiz Carlos Vasconcelos. E finalmente, entre vinhas, vinhos e espiritismo, gostei mesmo do nome dado ao vinho produzido pela vinícola de Felipe e sua sócia de último capítulo, Lívia. O “Além do Tempo” é realmente um bom nome para vinho. Principalmente, porque como dizem, quanto mais velho for o vinho, tanto melhor. Imagine, então, se for de outra encarnação!

Até amanhã amigos,

P.S. (1) A novela Além do Tempo é a quarta escrita pela autora, Elisabeth Jihn, versando sobre tema da espiritualidade. As três antecessoras foram, Amor Eterno Amor (2.012); Escrito nas Estrelas (2.010) e Eterna Magia (2.007);

P.S. (2) A mensagem  transmitida pela voz do  médium mineiro, Chico Xavier, encerrando o último capítulo da novela, foi uma das surpresas reservadas ao público e que reafirma que a doutrina explorada na trama se fundamenta no espiritismo de natureza kardecista. Uma grande lição de humanismo,  independentemente de dogmas ou predileções por doutrinas e religiões.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

BUGRINHO NA COPINHA, O GOL DE WENDELL LIRA E O RETORNO DE LUGANO

Boa noite amigos,

O jovem meia, João Victor do Guarani F.C.de Campinas (imagem
emprestada de blogcomgravata.com.br),  já incorporado pelo -
técnico Pintado à equipe principal que ira disputar o cam-
peonato Paulista da Série A-2.
01: O Guarani começou o ano de 2.016 com uma participação interessante na Copinha, apelido carinhoso da Copa São Paulo de Futebol Juniores, a maior e mais tradicional competição da modalidade e que, ao longo de sua existência tem revelado grandes jogadores. Nos últimos dois anos, seguindo a sina que acompanha a equipe titular, o Bugrinho, que foi campeão do torneio em 1.994,  não passou da 1ª. fase. Agora, porém, com uma equipe bem treinada por Renato Morungaba, o meia direita, Renato Pé Murcho, campeão brasileiro de 1.978 ao lado de craques como Zenon e Zé Carlos,  avançou até a 3ª. fase e só deixou a competição na terça-feira, quando foi eliminada na fase de “mata-mata” pelo Corinthians, atual campeão do torneio, pelo apertado e honroso placar de 2 a 1. Apesar da eliminação, pelo menos três jogadores chamaram a atenção pelo bom desempenho físico, técnico e tático: Mineiro, Chiclete e João Vitor, este último autor de um golaço contra o Timão, prometem uma grande carreira, se devidamente lapidados e tiverem juízo e sorte, um binômio que é indispensável ao sucesso de qualquer atleta e, porque não dizer, de qualquer ser humano. Olho neles, portanto,  e que, desta vez, os dirigentes do alviverde campineiro, não revelem incompetência e insensibilidade para permitir ou criar condições legais que permitam a perda dessas promessas para outras equipes, sem qualquer contraprestação que compense o investimento neles.

O atacante Wendell Lira preparando o lance do gol mais
bonito do ano de 2.015 pela FIFA (imagem empres-
tada de www.agenciadenoticas.uniceub.br).
02: Com a preterição de Neymar, que ficou em último lugar entre os três craques indicados à laurea de melhor jogador do mundo em 2.015, restou ao Brasil comemorar o prêmio  recebido pelo jogador Wendell Lira, até certo ponto inesperado, como o autor do gol mais bonito do ano, uma meia bicicleta que redundou no belo gol da equipe do Goianésia numa partida contra o Atlético Goianiense, pelo campeonato goiano do ano passado. O atleta entra assim para a história e a antologia do futebol mundial, coisa que ninguém mais poderá retirar dele. No entanto, apesar disso, num mundo de celebridades fabricadas e descartáveis, o feito isolado não será sinônimo de sucesso. Ao contrário, o atleta de 27 anos e um histórico de graves e repetidas lesões,   não tem sequer garantido  um emprego considerável em alguma grande equipe do futebol brasileiro ou estrangeiro. Contratado atualmente pelo Vila Novas, de Goiás, seu futuro na carreira é incerto e não será surpresa se for obrigado a encerrá-la, para buscar outra ocupação visando o sustento próprio e da família.


O zagueiro Diego Lugano, várias vezes  cam-
peão pelo São Paulo F.C., clube para o  qual
retorna neste ano de 2.016, com uniforme
da Seleção Uruguaia de Futebol (imagem em
prestada de globoesporte.globo.com.).
03: A contratação do zagueiro Lugano pelo São Paulo foi a notícia que mais ecoou entre os torcedores do tricolor e a imprensa em geral. O próprio jogador se surpreendeu com a recepção calorosa que recebeu ainda no Aeroporto de Guarulhos, invadido por mais de 1.000 torcedores, que gritavam o seu nome, muitos uniformizados ou vestindo camisetas confeccionadas com o nome do atleta. Não sei das condições físicas e técnicas atuais do zagueiro de 35 anos,   mas a sua carreira como futebolista, especialmente no São Paulo, é marcantemente vitoriosa, a justificar a euforia com o seu retorno. Particularmente sempre gostei do jogador. E um zagueiro inteligente, que sabe sair jogando,  é raçudo, além de exercer considerável liderança sobre os companheiros de equipe. Uma virtude que será fundamental para o novo tricolor na primeira temporada sem Rogerio Ceni que, a final, se aposentou.


Até amanhã amigos,