sexta-feira, 31 de agosto de 2018

GASTRONOMIA - REDE OLIVE GARDEN CHEGA A CAMPINAS

Boa noite amigos,


Boas vindas do restaurante
Olive Garden a Campinas. A
cozinha é italiana, como se
anuncia, mas a rede e a pro
posta é norte-americana.

A Rede americana Olive Garden inaugurou recentemente o primeiro restaurante da marca aqui em Campinas, instalado em ampla área externa do Shopping Center D. Pedro, defronte ao Giovanetti, na entrada das Águas. Conhecemos os sabores e o serviço da rede, em estabelecimentos que visitamos, com alguma frequência, quando vamos a Orlando, na Flórida.  No Brasil, esta é a quarta casa. As três outras, que nunca visitei, ficam em São Paulo, localizadas, respectivamente, no Shopping Center Norte, Shopping Morumbi e Aeroporto de Guarulhos. Há expectativa de abertura de outras duas a curto prazo. Uma, novamente em São Paulo  e a outra no Rio de Janeiro. Bem, fomos ontem à noite visitar a casa recém-inaugurada, aproveitando para comemorar o aniversário de minha filha Samira. Casa lotada em plena noite de 4ª. feira, com pequena fila de espera.  O ambiente interno, amplo e muito bem decorado, tem, no centro, um simpático bar, onde se pode encostar nas banquetas, pedir um drinque elaborado no capricho e curtir a solidão ou a dor de cotovelo trocando meia dúzia de palavras com os garçons.  A casa ainda se ressente do fornecimento regular de comidas e bebidas que estão no cardápio. A carta de cervejas, por exemplo ainda não funciona na prática.   Tomei a única marca de cerveja disponivel: a Heineken.
uma das que menos aprecio. Mas o que fazer? Há promessa de regularização do fornecimento a curto prazo. O que compensa, especialmente para as mulheres e apreciadores do gênero, é a chamada sangria, um combinado de frutas variadas com vinho branco. 

Vista de um dos ambientes
internos do restaurante.
Dentre as entradas (antipasti) destaque para  a Lasagna Fritta (pedaços de lasanha empanadas com queijo parmesão, servidos sobre molho Alfredo e cobertos com queijo parmesão e molho marinara) e o Fried Mozzarella (mozzarella empanada e frita, coberta com o molho Alfredo e servido acompanhado de molho marinara). Também podem ser degustados, a título de antepasto, entradas com camarão e bruschettas. As pastas frescas oferecidas como pratos de fundo, destaque para a Lasagna Clássica, o Spaghetti & Meat balls. (espaguete com almôndegas), muito popular nos Estados Unidos e Fettucini Alfredo. Há, ainda, opções em carnes (o Steak Gorgonzola Alfredo é um prato interessante), aves e peixe. Por fim, saladas e sobremesas. O atendimento, ainda que  um pouco confuso nos momentos de grande movimento, revela um grupo de garçons e funcionários comprometidos com a simpatia, a atenção para explicar a natureza e composição dos pratos e o esforço para atender as solicitações dentro do menor tempo possível. Nota para a carismática  garçonete, Bia Oliva, experiente no ramo e feliz com o que faz – e faz bem e competentemente. Vale a pena conferir. Tire também qualquer dúvida ou ofereça sugestão ao gerente geral, Raul Grilo, pelos telefones (019) 3199-2580 ou (011) 97319 3776.

A simpatia de Bia Oliva, a 
garçonete que nos serviu
e encantou.
Até mais amigos.

P.S. (1) A eleição do cineasta Cacá Diegues para a Academia Brasileira de Letras é mais um reconhecimento ao cinema como arte, que merece destaque, ao lado da literatura. Pontos para a Academia;


P.S. (2) A Rede Olive Garden no Brasil respeita mais a nossa cultura, não excedendo no uso da pimenta, uma característica da cozinha americana;


P.S. (3) Há candidato a Presidente da República que promete retirar o nome dos devedores do cadastro geral de crédito (SPC e Serasa). Lá isso é coisa para se incluir em Programa Oficial de Governo?



P.S. (4) O Corinthians se despediu da Libertadores de forma melancólica, mais uma vez. Ficou nas 8ªs. de finais, depois de perder o primeiro jogo para o Colo-Colo por 1 a 0 fora de casa e ganhar, em Itaquera, pelo placar de 2 a 1. Essa regra que privilegia o gol fora, como critério de desempate, não tem qualquer razão ou fundamento lógico e já devia ter sido abandonada há muito tempo por essa incompetente Commebol;

Vista da entrada do restau
rante na área externa do 
Shopping D. Pedro em Cam-
pinas.




P.S. (5) Por falar em Commebol mais uma vez ela revela a incompetência e descaso com que trata os seus filiados e clubes. Essa de divulgar uma lista lacunosa, considerada não oficial, que informa quais os jogadores punidos impedidos de jogar e da qual não constava o nome do atleta do clube da Vila Belmiro, e a divulgação da punição do Santos no mesmo dia marcado para o segundo jogo  são dois exemplos claros do que se afirma. Lamentável! Lamentável também a confusão generalizada provocada pelos torcedores do Peixe no Estádio do Pacaembu, coisa que não se justifica absolutamente, por mais que a punição do Santos tenha sido injusta e inexplicável.




segunda-feira, 16 de julho de 2018

COPA DA RÚSSIA E SUAS LIÇÕES


Caros  amigos,

Na imagem emprestada de www.pulse.ng. o campeão Antoine

Griezmann, atacante da Seleção da França, que fez 4 gols na
Copa. O atleta joga na Espanha pela equipe do Atletico de
Madri e teve seu passe indiscutivelmente valorizado  depois
da Copa e do título.
A Copa do Mundo de Futebol terminou neste domingo com uma final improvável e empolgante, cheia de alternativas, reunindo as seleções da França e da Croácia. O evento reservou a torcedores, atletas, confederações e aos amantes do esporte bretão, muitas surpresas, lições, inovações, tudo a revelar, especialmente, as novas tendências do futebol e que devem provocar muitas reflexões e dores de cabeça aos treinadores de todo o mundo.  O futebol é o único esporte capaz de fazer de seu Mundial uma festa absolutamente universal, um momento em que o nacionalismo e o orgulho patriótico de cada cidadão se manifesta de forma escancarada, mas, em regra,  sem ódio, passionalidade, sem agressão aos oponentes, embora se possa registrar, aqui e acolá, algumas condutas censuráveis, tanto do ponto de vista esportivo, quanto do ético. A Seleção Francesa, que não estava entre as favoritas, foi crescendo durante a competição e acabou campeã, com absoluta justiça. Jogou o melhor futebol entre todos os participantes, eliminando, no mata-mata, as tradicionais seleções da  Argentina, do Uruguai e da Bélgica, até chegar à grande final. E que Bélgica, meus amigos!

Eden Hazard, meia e ponte esquerda do Chelsea e da Seleção
Belga. Futebol refinado e que encanta com dribles sucessi-
vos em velocidade. Sou grande fã de seu talento. 
A nossa desafeta merecia estar na final pelo futebol envolvente, verticalizado, de grande velocidade e que matou o nosso futebol clássico, exageradamente cadenciado e lento, cuja leitura tem sido feita com facilidade pelos técnicos e jogadores adversários. A Copa mostrou que o futebol atual e futuro vai exigir, além de uma boa equipe, técnica, preparo físico, equilíbrio emocional, força, superação,  velocidade, explosão e coração. Um conjunto de elementos que faltou não só ao Brasil, como também à Argentina e a um Uruguai, com Luisito Suãres, mas sem Cavani, quando da dupla mais se necessitava.  E quanto ao VAR? Bem, uma experiência que foi mais positiva do que negativa, mas que interferiu, sem dúvida, nos destinos das seleções nesta Copa do Mundo, mudando decisões da arbitragem de campo, nem sempre de forma oportuna e justa, a mostrar que a interferência tecnológica no futebol não é tão simples, quanto nos outros esportes, nos quais não há disputa corpo-a-corpo, de regras dependentes de interpretação. Outro dia qualquer, amigos, voltamos a esse assunto polêmico. Em breve resumo, a Copa da Rússia mostrou uma Croácia surpreendente, viva,  coordenada pelo experiente atleta Luka Modric, eleito o melhor jogador da competição.

O melhor jogador da Copa eleito pela FIFA, Luca Modric -
foi a alma e o equilíbrio da seleção da Croácia. Imagem
emprestada de www.acritica.com.
Também consagrou  Mina, ex-Palmeiras,  que saiu direto da reserva para  classificar a sua Colômbia para as oitavas; que mostrou uma Inglaterra muito melhor que as das edições anteriores com o oportunista   Harry Kane, o artilheiro do torneio, com 6 gols; um Mundial que revelou a maturidade e segurança de Antoine Griezmann, na sua melhor forma, comandando a França,  e Eden Hazard, ditando o ritmo da belíssima seleção belga. E que dizer do menino MBappé que encantou o mundo com um futebol moleque, alegre, abusado, divertido e não menos eficiente e forte. Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar não luziram. Foram embora antes da festa final, junto com suas equipes. Tempo de renovação ou apenas surpresas do surpreendente futebol?



Até mais amigos.

    


domingo, 1 de julho de 2018

MOACYR FRANCO EM CONVERSA COM BIAL


Boa noite amigos,

Cartaz publicitário do show que o can-
tor apresenta pelo Brasil, ao lado da-
jovem Paola Karime, cantora serta-
neja. Imagem emprestada de Itunes
Apple.
É tão calma a noite. A noite é de nós dois. Ninguém amou assim, nem há de amar depois.” Esses versos serenos marcavam o início de uma canção que ouvi, lá atrás, na década de 60, gravados porém para sempre na minha memória afetiva de menino-adolescente. O cantor era um mineiro com forte presença cênica e que enquanto cantava chacoalhava a cabeça para todos os lados, uma marca das muitas que ilustrariam a sua carreira versátil: cantor, compositor, humorista, comediante, ator, apresentador. Um dos homens que inauguraram a televisão neste país.  E certamente um artista popular,  a quem não se fez plena justiça, diante de sua estatura e importância para a televisão, o cinema e a música. Moacyr Franco, mineiro de Ituiutaba é uma das minhas referências mais significativas de profissional completo e relevante para a cultura brasileira. O artista, hoje com 82 anos bem vividos, foi entrevistado nesta semana no programa Conversa com Bial, da Rede Globo.
O cantor e compositor em foto recente. Imagem emprestada
de Polemica Paraiba.
Cantou como  nossos velhos tempos, contou episódios de sua vida pessoal, de sua formação autodidata, de suas experiências e reviu conosco momentos importantes de sua participação no cinema e na televisão,  em videos editados pela direção do talk show de Pedro Bial. Com a simpatia e o carisma de sempre,  encantou a plateia e o público presente à gravação, que muitas  vezes, como o artista e o apresentador, se emocionou, chegando às lágrimas. Por causa de um passado gostoso de se recordar. Um passado que faz parte da história da minha geração e que nos remete para muitos momentos e episódios, aos quais Moacyr inspirou, suavizou, fez rir,  dramatizou ou embalou com canções românticas recheadas de poesia e ternura. E quem não se lembra da marchinha manjada de carnaval,  cantada por mais de quatro gerações?: Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí. Não vai dar, não vai dar não, você vai ver a grande confusão. Eu vou fazer beber até cair. Me dá, me dá, me dá oi, me dá um dinheiro aí.” Obrigado Moacyr pela  sua luz a serviço do nosso entretenimento, de nossa reflexão, de nossa inspiração e ânimo para enfrentar as mais diferentes sensações e situações experimentadas nesta vida terrena. E obrigado a Bial e à sua direção pela boa lembrança de incluí-lo entre os seus convidados ilustres e relevantes.

Até mais amigos.

Contrastes, LP`de 1.963. Imagem emprestada de Mercado
Livre.
P.S. (1) Nas suas aventuras pelos vários ritmos que cantou ou compôs merece destaque a canção Tudo Vira Bosta, gravada pela rainha do rock in roll nacional, Rita Lee;

P.S. (2) Ninguém chora por mim, samba canção da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim, gravada por Moacyr Franco em 1.963, foi um sucesso retumbante, frequente nas paradas daquele ano e o final “Mas se um dia eu tiver que chorar, ninguém chora por mim” virou carta de apresentação do cantor nas suas aparições públicas, ou em programas de TV da época;

Um dos personagens humorísticos de Moacyr na Praça

da Alegria, humorístico tradicional, ao lado de Carlos-
Alberto da Nóbrega.
P.S. (3) A música Suave é a Noite é um versão brasileira de Nazareno de Brito para a canção homônima americana “Tender is the Night” de Sammy Fain e Paul Francis Webster.  Foi gravada por muitos cantores, dentre os quais os saudosos Agostinho dos Santos, Luiz Melodia e Nelson Gonçalves. Nenhuma das gravações, porém, superou, em vendas e fama, a de Moacyr.


domingo, 24 de junho de 2018

OPINIÃO: QUEM FATURA A COPA DA RÚSSIA?


Boa tarde amigos,
O atacante  croata Modric, que muitos apontam como 

sendo atualmente o melhor jogador do mundo. Imagem
 emprestada de Static Independent.co-uk/S3 fs.public/th.
Quem já viveu muitas Copas sabe que a primeira fase, meramente classificatória, não indica necessariamente a equipe favorita  à conquista do título. Os chamados favoritos, inclusive na bolsa de apostas,  continuam sendo aqueles que assim são apontados antes mesmo do início da competição, pelo futebol que vinham jogando durante as Eliminatórias e Amistosos e pelo ranking atualizado da FIFA. Aliás, o campeão, pelo retrospecto histórico, raras vezes joga um futebol vistoso na primeira fase ou consegue o maior número de pontos possíveis nos três jogos. A tendência, superada a fase classificatória, é que o campeão vá surgindo durante o mata-mata, em que enfrenta outras seleções de maior gabarito ou camisa. E aí, igualadas as condições técnicas e táticas, vai prevalecendo o imponderável, a álea, como o mau momento de uma estrela decisiva, ou contusões, expulsões etc. Por isso, não se enganem com a impressionante goleada (5 a 0)  da Rússia sobre a Arábia Saudita na abertura da Copa, nem com a vitória da Croácia sobre a Argentina pelo placar elástico de 3 a 0, ou do México, sobre a campeã Alemanha. Hoje assistimos um passeio, por exemplo, da Inglaterra sobre a fraca seleção do Panamá, por  6 a 1, placar quase todo construído nos primeiros 45 minutos de jogo. A Seleção da Bélgica é, sem dúvida, a grande surpresa até aqui pelo vistoso e eficiente futebol que vem jogando, e muitos agora já a apontam como uma candidata inédita ao troféu. Não acredito, porém. Para mim, nem Bélgica, nem a Croácia,  nem o México, nem a Inglaterra e muito menos a Rússia beliscam o cobiçado título. E Brasil e Alemanha continuam credenciados, pois acredito no crescimento de ambas as seleções durante a competição. Trata-se, é claro, meus amigos, de mera opinião. O futebol é o único esporte coletivo em que o mais fraco pode vencer o mais forte, como no histórico episódio bíblico de David e Golias.  Já tivemos surpresas demais com a não classificação de Itália, Holanda e até dos Estados Unidos, que perdeu a vaga de forma impressionante para a frágil, mas simpática, seleção do Panamá. Quarta-feira vamos ao último episódio da primeira fase para o Brasil. E a chance de cruzar com a Alemanha logo nas oitavas, é grande.


Bom domingo.

terça-feira, 12 de junho de 2018

MORRE ZÉ CARLOS, O VOLANTE CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1978 E O MEIA DO CRUZEIRO DA LIBERTADORES

Boa noite amigos,
O volante Zé Carlos, no Guarani campeão
brasileiro de 1.978. Foto de galeria.
Soube, agora à tarde,  do falecimento do jogador Zé Carlos, o inesquecível volante do Guarani Futebol Clube, campeão brasileiro de 1.978. Aos 73 anos, o atleta sofria de problemas de saúde desde que foi acometido por um acidente vascular cerebral e vivia atualmente em Contagem, nas Minas Gerais. No Cruzeiro, clube onde jogou por 12 anos e que o projetou para o futebol brasileiro e mundial, sua posição era de meia. Destaque em grandes times montados pela  Raposa, foi o segundo jogador que mais jogou pelo Cruzeiro em todos os tempos. Foram 619 jogos, perdendo apenas para o goleiro Fábio, que recentemente superou a casa dos 700. Pelo clube celeste ganhou a Taça Brasil, torneio que equivalia ao Brasileirão atual, foi campeão da Libertadores e nove vezes campeão mineiro. Aos 32 anos, em 1.977, por um ato de esperteza da Diretoria do Guarani, veio para o Bugre, que venceu a competição com grandes equipes do futebol brasileiro, que já haviam avançado nas negociações com o clube mineiro para trazê-lo e acabaram frustrados. Prevaleceram, além do assedio da Diretoria,  a predileção do jogador por Campinas, uma cidade do interior de São Paulo que, à época, oferecia condições de vida mais tranquila e segura, era dotada de recursos de primeiro mundo, e se situava em posição geográfica privilegiada em relação à Capital do Estado. E, ainda, a amizade com o técnico recém-contratado, Carlos Alberto Silva, igualmente mineiro de nascimento e coração.  Zé Carlos veio para suprir a lacuna deixada por Flamarion, o último volante do Bugre, ídolo do clube e da torcida. E o experiente atleta caiu como luva, num time de jovens talentos e que lograria o título inédito do campeonato brasileiro de 1.978, encantando o Brasil e o Mundo, com um futebol objetivo, ofensivo e de arte, onde despontavam os laterais Mauro e Miranda, os meias Zenon e Renato, e principalmente um menino de 17 anos, Careca, que iria fazer grande carreira no Brasil e no exterior e seria o nosso centroavante na Copa de 1.986.  Zé Carlos jogou com a camisa 5, na posição de volante. Um volante de futebol eficiente e refinado e que comandava a equipe com a sua experiência, ora cadenciando, ora fazendo lançamentos

Zé Carlos logo após o AVC que determinou o encerramento
de sua carreira no futebol, como técnico e olheiro que foi
tanto de Guarani, quanto do Cruzeiro, clubes que defen-
deu como atleta exemplar, na mocidade.

primorosos, cobrando faltas, criando jogadas para os atacantes e, sobretudo, dando segurança e proteção à defesa, cujos laterais tinham liberdade para apoiar o ataque. Um amigo que, certo dia, assistia comigo a uma das partidas daquela equipe bugrina no Brinco do Ouro, encantado com o futebol do volante, afirmou literalmente que a bola “gostava do Zé”, estava sempre ali, no seu pé, ou aos seus pés. E eu, fingindo entender bastante do assunto, lhe garanti que era Zé Carlos que tinha um sentido de posicionamento no campo de jogo, que lhe permitia receber qualquer bola: a que vinha na cobrança de longo tiro de meta, a segunda bola rebatida pela defesa, e assim por diante. Foram de seus pés, de sua visão de jogo, de sua liderança, de sua competência ofensiva e defensiva, que aquela jovem equipe pode superar todos os obstáculos, chegando ao título do campeonato. Era ele quem dava o equilíbrio entre os departamentos do time.  Por isso sempre afirmei que Zé Carlos estava para aquele Guarani campeão de 1978, como Ademir da Guia estava para o Palmeiras da Academia. Sem qualquer exagero. O tempo passou. Agora se foi. A história, porém, de seu futebol invejável, vigoroso e vitorioso, o seu futebol de talento e competição, deixou saudades e alegria na memória de torcedores e de todos quantos apreciam o esporte mais popular do Brasil. Descanse em paz, Zé. Tive muito prazer nesta vida de vê-lo em campo tratando sua majestade, a bola, com carinho, cuidado e respeito. Obrigado por tudo.

domingo, 13 de maio de 2018

MÃES......


AMIGOS,
UM POEMA ESCRITO AGORA DE MANHÃ.

Imagem emprestada de Calle 2.com.br
MÃES.

Mães há,
De um, de vários, de todos.
Mãe que pariu,
Mãe que criou,
Que assistiu,  que renunciou.


Há  mães pretas, brancas, mães de leite, mães-rainhas,
Mãe do mato, Mãe do ar, do mar, do céu.
Mães comuns e marginais,
Adotivas, adotadas, sagradas e profanas.





Mães com Deus, Mães sem  Deus.
Mãe-pai, pai-mãe, mãe-homem, homem-mãe, mãe de gênero, mãe sem gênero,
Gênero de mãe.


Conheci
Mães que morreram, mães que mataram.
Mãe universo, mãe do universo, universo de mães, de mãe.
Fecundas e estéreis,
Mãe da filha, filha da mãe.
Mãe pobre, mãe rica, miserável.


Superficiais e profundas,
Preocupadas e preocupantes
Mães fortes,  frágeis, suaves e agressivas,
Absorventes e absorvidas,
Mãe que explica, que entende, que não entende, que justifica,
Mãe que entrega, que não entrega, que mente,
Mães que sonham, que elevam, que machucam.

Mãe loucura, loucura de mãe,
Mãe que é cega, instruída, analfabeta.
Mãe que protege, que inspira, que encaminha,  que advoga,

Doente, carente, forte, frágil, bendita e maldita,
Mãe que acolhe, que aquece, que ignora, que lamenta, que sublima, que abandona.

Mãe-origem, começo, fundamento,
Mãe-conceito, pleno, indescritível, intangível, imensurável,
Condição síntese do incondicional amor,
Um Amor incondicional,  conquanto controverso,
Como as várias  formas de amor de  todas as múltiplas mães do mundo.


Bom domingo amigos.





domingo, 6 de maio de 2018

SOBRE O DERBY (OU DÉRBI) CAMPINEIRO DO PASSADO E DE ONTEM.

Boa noite amigos,

André Luis, atacante da Ponte Preta, comemorando o gol
da virada sobre o Guarani, no derbi de ontem disputado no

Estádio Brinco de Ouro da Princesa. Imagem emprestada

de Jovem Pan Uol.
                                                              Aconteceu ontem o 191º derbi entre Guarani e Ponte Preta, considerado o mais importante clássico do interior do Brasil. E também o mais antigo do Estado de São Paulo. O palco o Brinco de Ouro da Princesa, estádio do Bugre. O encontro não acontecia desde 2.013, por causa da diferença entre as divisões em que as equipes atuavam, tanto no campeonato paulista, quanto no Brasileiro.

Essa história começou em 24 de março de 1.912, quando as equipes se enfrentaram pela primeira vez e o resultado é desconhecido até hoje.  Das 191 partidas entre os clubes constata-se o equilíbrio existente: foram 66 vitórias do Guarani, 62 vitórias da Ponte e 62 empates. O Bugre marcou 261 gols e a Ponte 255, incluídos os anotados ontem na vitória da Macaca por 3 a 2;

Cada uma das equipes venceu na casa do adversário os primeiros dérbis disputados nos estádios atuais dos clubes. Em 26 de setembro de 1.948 o Bugre venceu a Macaca por 1 a 0 no Estádio Moisés Lucarelli. E a Ponte fez 3 a 0 sobre o Guarani em 07 de junho de 1.953 no então recém-inaugurado Brinco de Ouro da Princesa;

O lateral esquerdo Odirlei, da famosa equipe

da Ponte Preta, vice-campeã paulista de -

1.981, que fez o gol de desempate no derbi
que decidiu o Primeiro Turno do Campeo-
nato Paulista de 1.981.
O jogo considerado o mais importante entre as equipes aconteceu em 05 de agosto de 1.981, no Estádio Moisés Lucarelli, valendo como final do 1º turno do Campeonato Paulista daquele ano. A Macaca venceu por 3 a 2 e foi para a final do campeonato contra o São Paulo, ficando com o vice-campeonato. Os gols da  Ponte foram anotados por Osvaldo, Serginho e Odirlei, enquanto Ângelo e Jorge Mendonça descontaram para o Bugre;


O único derbi fora de Campinas foi disputado no Estádio do Pacaembu em São Paulo no dia 03 de junho de 1.979. O mando era da Federação Paulista e nenhuma das duas equipes aceitava jogar no campo do outro. Curiosamente, disputado na Capital, registrou o recorde de público no clássico, que reunia na ocasião as duas excelentes equipes, consideradas entre as melhores do Brasil: 38.900 pagantes.  2 a 0 para o Bugre foi o resultado, com gols de Zenon e Capitão.


Zenon à esquerda e Careca à direita, campeões bra-

sileiros pelo Guarani em 1.978. Zenon fez um dos gols

do Derbi disputado no Pacaembu para 38.900 torce-
dores, vencido pelo Bugre pelo placar de 2 a 0.
SOBRE O DERBI DE ONTEM.


Desde que a Confederação Brasileira de Futebol divulgou a tabela do campeonato brasileiro da série B, marcando o primeiro dérbi, depois de cinco anos de ausência do principal clássico do interior do Brasil,  para o Estádio Brinco de Ouro, logo na 4ª. rodada, bugrinos e pontepretanos passaram a alimentar grande expectativa de como seria esse espetáculo, sobretudo porque as equipes estavam hoje muito modificadas em relação ao passado. E enquanto a Macaca vinha em queda, depois de um ressentido rebaixamento da série A do Brasileiro,  onde permanecera por vários anos, disputando e quase conquistando o Campeonato Sul-Americano, dispensando vários jogadores e apostando na formação de uma equipe renovada, sob orientação do experiente técnico Doriva, o Guarani parecia ressurgir das cinzas, mantendo-se na série B do Brasileiro, a duras penas no ano passado, mas conquistando o seu retorno para a serie A do Paulistão, com a melhor equipe que havia conseguido formar nos últimos anos. Jogando em seu estádio, contando mais uma vez  com o apoio maciço dos torcedores (foram 18.078, recorde de público em Campinas no ano) e o entusiasmo de dirigentes, comissão técnica e jogadores, com 10 dias de folga para descansar, treinar e preparar os seus atletas para o clássico, enquanto o adversário vinha de duas derrotas em casa, uma pela série B contra o Londrina,  outra pela Copa do Brasil contra o Flamengo, embora ninguém assegurasse, havia sim uma ponta de favoritismo em favor do Bugre. Mas os mais escolados sabiam que “derbi é derbi” e não há favoritismo que resista às peculiaridades únicas desse tipo de disputa. Mas vamos ao jogo. A Ponte não se intimidou em qualquer momento com a presença da torcida, que fez uma grande festa nas arquibancadas para recepcionar o dono da casa e incentivá-lo a partir para o ataque, nem mesmo quando logo aos 15 minutos de jogo, sofreu o primeiro gol, contra de Danilo. Marcando firme desde o início, com garra e velocidade, a Macaca se impôs no meio de campo, anulando o bom entrosamento entre os atacantes do Bugre, especialmente com marcação serrada sobre Bruno Nazário e Bruno Mendes. Com isso forçou os erros de passe e as jogadas de contra-ataque, realizadas em alta velocidade pela dupla Danilo Barcelos e André Luis, este, sem dúvida, o melhor jogador do clássico, também, mas não só por ter marcado dois dos três gols da Macaca. Com maior posse de bola o Guarani não conseguiu traduzir essa vantagem em efetividade, quer no número de gols, quer nas chances reais ou chutes a gol. Foram no final 11 da Ponte contra 09 do Bugre. Nos 95 minutos de jogo era nítida a maior raça dos pontepretanos, que se traduzia em roubadas de bola, velocidade e acerto dos passes, sempre com objetividade e jogando em verticalidade, ao contrário do adversário, muitas vezes lento e sentindo dificuldades para criar jogadas, a maior parte anuladas pela boa marcação realizada. Vários jogadores bugrinos estiveram abaixo das condições em que vinham jogando, entre os quais, o volante Baraka, Erik, Bruno Mendes e Bruno Nazário e especialmente o lateral Marcílio, o pior em campo, ausente no ataque e deficiente na defesa. Sua escalação era duvidosa e se suspeita, inclusive, que não estivesse em perfeitas condições para entrar num jogo dessa importância.  Em resumo, a vitória por 3 a 2 foi justa e premiou a equipe que, no campo de jogo,  demonstrou mais humildade, maturidade e raça para enfrentar o adversário na casa deste, supostamente mais entrosado e favorecido por diversos fatores que,  como se sabe, desaparecem quando o árbitro apita o início do jogo. Para o Guarani e seu jovem técnico resta assimilar o resultado e as lições extraídas dessa partida, diferenciada pelo seu caráter de clássico e de intensa rivalidade local, já pensando, porém,  na continuidade do campeonato, que é longo e difícil. E à Ponte, igualmente, preparar-se para mais uma missão difícil: encarar o Flamengo, já na 5ª. feira, no Maracanã,  pela partida de volta da Copa do Brasil.


Até mais amigos.

P.S. (1) O melhor jogador da partida no dérbi de ontem, o atacante (ponta direita) André Luis, tem apenas 21 anos, é mineiro e veio do Cianorte, tendo disputado o campeonato paranaense neste ano. No ano passado jogou pelo Santa Cruz pelo campeonato brasileiro da série B  e foi rebaixado com a equipe pernambucana. Canhoto, veloz, habilidoso, recentemente contratado pela Ponte Preta, promete ser um grande reforço para a Macaca na disputa do longo campeonato. 

P.S. (2) Careca e João Paulo estavam ontem nas Vitalícias do Estádio Brinco de Ouro torcendo e sofrendo pelo Guarani, cuja história enriqueceram no passado. O centroavante que chegou à Seleção Brasileira é um dos mais importantes jogadores na história do Bugre. No campeonato brasileiro de 1.978, encantou a torcida e dirigentes fazendo os dois gols da vitória do Bugre contra a Ponte, no Brinco de Ouro e conquistando, junto com os atletas daquele time inesquecível o título de campeão. Ambos (Careca e João Paulo) estavam em campo na decisão do Campeonato Brasileiro de 1986, entre Guarani e São Paulo, igualmente disputado no Estádio Brinco de Ouro. Mas em lado opostos. Enquanto João Paulo, um ponta esquerda de velocidade, atormentava a defesa de seus adversários, com seus dribles infernais e precisos, Careca era o centroavante da equipe da Capital. O jogo acabou empatado em 3 a 3 e a decisão foi para as penalidades. Mais feliz, o São Paulo sagrou-se campeão nos pênaltis, frustrando a torcida que esperava o bicampeonato brasileiro, um feito que seria inimaginável, mas era merecido. O Bugre fez 53 pontos no campeonato, enquanto o São Paulo tinha conquistado 48. Não se cogitava, porém, do campeonato de pontos corridos, naquela ocasião;

P.S. (3) O jogo entre Guarani e São Paulo  pelo campeonato de 1.986 foi marcado por outras curiosidades envolvendo os dois jogadores, hoje grandes amigos aqui em Campinas, onde residem. A partida estava 3 a 2 para o Guarani quando numa das arrancadas mágicas, João Paulo ganhou do lateral e sofreu pênalti claro. O árbitro José de Assis Aragão, porém, não assinalou a penalidade, favorecendo a equipe paulistana. Quando faltavam apenas dois minutos para o final, Careca, fez o gol de empate e a partida, uma vez encerrada, foi para as penalidades, vencida, como se disse, pelo tricolor do Morumbi. O famoso comentarista Milton Neves, da Jovem Pan e TV Bandeirantes até hoje garante que esse foi o pênalti mais claro que ele já viu. Coisas do futebol!