quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O AMISTOSO ENTRE BRASIL E ALEMANHA


Prezados amigos,

Terminou agora há pouco, o amistoso em  que a seleção brasileira perdeu para a alemã, por 3 gols a 2,  em Stuttgart.  O resultado não mostrou o que foi o jogo efetivamente, pois a merecida derrota brasileira acabou acontecendo por uma diferença mínima, mas a Alemanha merecia mais.  Mano Menezes terá muito trabalho pela frente, antes de colocar nossa seleção   como uma das  favoritas à conquista da Copa de 2.014, mesmo em casa. Para se ter uma idéia do nosso jejum de vitórias importantes,  desde a Copa do Mundo na África do Sul o Brasil não ganhou um jogo, oficial ou amistoso, contra qualquer das dez seleções melhores classificadas no ranking da Fifa.  Enquanto a seleção alemã mostrou entrosamento, talento e evolução tática de Klose e seus companheiros, a seleção brasileira foi uma sucessão de desentrosamento, erros e total ausência de qualquer inovação tática. Tudo bem que é começo de um trabalho de renovação. Tudo bem que a seleção alemã está há 4 anos formando esse time novo e de muito talento, como demonstrou na última Copa do Mundo. Mas a seleção brasileira se limitou a alçar bola para a área, contra a lógica do jogo. O adversário,  com uma  zaga alta, nada permitiu por lá. As tentativas de jogadas ensaiadas pelo meio ou pelas pontas, poucas, aliás, foram todas mal sucedidas, bloqueadas pela boa marcação dos alemães. A isso se acresça o individualismo de alguns jogadores, como Robinho, que buscavam jogadas de efeito, tentando driblar um, dois, três adversários, até perderem  a bola. E ainda a má pontaria dos atacantes, como Pato e  os erros de passe ou os passes "telegrafados", como se diz na gíria futebolística, tudo facilitando a tarefa da  equipe germânica. O primeiro gol brasileiro nasceu de um pênalti inexistente. E o segundo, de uma jogada individual de Neymar, já na prorrogação. Anote-se, ainda, que o lateral André Santos falhou grotescamente no segundo gol alemão, ao ter a bola dominada na área e por duas vezes, imprudentemente, tentar driblar o adversário, até perdê-la, o que foi fatal para a meta do goleiro Julio César. A galera já tá chiando e o pessoal da Globo pedindo a convocação de  Ronaldinho Gaúcho e Tiago Santos, só por causa do bom momento de ambos no Flamengo. O problema da seleção, não é esse, acredito. Vejamos o que acontece daqui para a frente, se é que vão deixar o Mano Menezes trabalhar com a calma que a situação requer.

Até amanhã.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MÚSICA - ALMA LÍRICA BRASILEIRA - MONICA SALMAZO


Boa noite amigos,

A excelente cantora paulista, Monica Salmazo se une ao marido, o músico Teco Cardoso e ambos ao  pianista Nelson Ayres e,  num encontro descontraído  e de improviso, produzem um espetáculo  musical livre e descompromissado com rótulos, esquemas ou gêneros e que depois vira um CD considerado pela crítica como um dos mais belos do ano. Tive a atenção despertada para o disco por uma menção feita pelo gaúcho Luis Fernando Veríssimo em uma de suas crônicas domingueiras. Depois de alguns dias,  Monica deu uma entrevista sobre o projeto no programa do Jô. Pronto. Fui buscar com grande curiosidade o disco. E degustá-lo. Isso mesmo. Degustá-lo, tamanho o prazer de ouvir todas as suas faixas variadas, mas cheias de encantos e surpresas. Tudo é original, com a  marca do trio, mas extremamente simples, sem a sofisticação dos grandes arranjos e de múltiplos instrumentos: A voz precisa colocada sobre cada verso de cada canção; O piano mágico de Nelson Ayres;  E o lirismo dos sopros de Teco Cardoso. Mônica diz que é prazeroso mostrar esse repertório, de coisas “que não estão na moda”, feitas com extrema liberdade autoral.  E conta que ele (o repertório) foi surgindo como numa brincadeira, uma mágica musical, um lembrando e entoando determinada canção e  os outros, instantaneamente, aceitando a proposta e o desafio da criação,  dando, assim,  vida e identidade à composição, com  releitura própria. Mas o que teria em comum o samba Trem das Onze de Adoniram (faixa n. 14), com a música de José Miguel Wisnik colocada sobre os versos graves de Gregório de Matos em Mortal Loucura (faixa n. 7)? E o Carnavalzinho (Meu Carnaval) do bom músico Mário Adnet, com Casamiento de Negros da saudosa Violeta Parra? Ou, ainda,  a História de Lily Braun, do Chico e Edu, com Promessa de Violeiro, um sertanejo dos anos 40? Bem,  a tônica está descrita no título dado ao show e ao disco: ALMA LÍRICA BRASILEIRA. Lirismo que você encontra em LÁBIOS QUE BEIJEI, de J. Cascata e Leonel Azevedo (faixa n. 2),   grande sucesso de Orlando Silva, o "Cantor das Multidões" nos anos 30 e 40, veja o vídeo abaixo:

e que teve muitas gravações posteriores, destacando-se a  de Nelson Gonçalves, a de Caetano Veloso e aquela só musicada,  em solo de violão, magistralmente,  por Toquinho, no Álbum Passatempo – Retrato de Uma Época, 2.005. Aqui a voz de Mônica, profundamente suave, contrasta com o piano de Nelson e a flauta baixo (a gorda) e a flauta em dó de Teco. Belíssima a reprodução do Sambo Erudito (faixa n. 3),  do consagrado Paulo Vanzolini, e que foi gravado por Chico Buarque de Holanda, num compacto simples perdido no ano de 1.965: “Andei pelas águas como São Pedro/Como Santos Dumont fui aos ares sem medo/ Fui ao fundo do mar como o velho Piccard/ Só pra me exibir/Só pra te impressionar/Fiz uma poesia como Olavo Bilac/ Soltei filipetas para lhe dar um cadillac/ Mas você nem ligou para tanta proeza/Põe um preço tão alto na sua beleza/ E então como Churchill, tentei outra vez/Mas você foi demais pra paciência do inglês/ Aí me curvei ante a força dos fatos/Lavei minhas mãos como Poncio Pilatos.”  De Herivelto Martins, o samba  Meu rádio e meu Mulato (faixa n. 5), também dos anos 40 e sucesso na voz de Carmen Miranda,  tem Monica usando  frigideira e com voz levemente alterada pelo Kazoo,  (instrumento de sopro africano, usado para modificar a voz de pessoas ou para imitar animais). Do folclore chileno, tão bem explorado e representado por Violeta Parra, a música Casamiento de Negros (faixa n. 8), fala da cultura campesina do povo do Chile e que Monica interpreta com muita graça (a gravação é muito diferente da de Violeta e também da de Milton Nascimento), sob acompanhamento de flauta de bambu do Teco e do piano de Nelson. Comprovando certa predileção das cantoras por essa música (vide gravações de Maria Gadu e Maria Rita, dentre outras),  Monica  também grava A História de Lily Braun (faixa n. 11), uma das raras composições conjuntas de Chico e Edu Lobo, feita em 1.982 para a peça teatral “O Grande Circo Místico”. A  melodia lembra um swing jazz, daí a  justificativa para o sax barítono “o Moa” introduzido por Teco. Destaque também para a linda canção sertaneja (mais uma prova de liberdade do trio na escolha do repertório), Promessa de Violeiro (faixa n. 12), de Raul Torres (mesmo compositor de clássicos sertanejos como “Cabocla Tereza” e “Pingo D’Água) e Celino, cantada com muita inspiração e uma ponta de tristeza  por Monica. Para esse desempenho contribui a introdução do tambor de reisado, ao lado da flauta em sol, e o piano..(Vou deixar moda sentida/ de amor de beijos e abraços/falando da minha vida vou contar esse pedaço/ já quiseram me matar/ por inveja com um balaço/eu sou que nem boi arisco/não saio do mato/pra não cair no laço...). Por fim dois clássicos líricos: Derradeira Primavera, de Tom e Vinícius (faixa n. 6), na voz limpa de Monica, acompanhada por flauta em dó e flauta baixo “a gorda” e piano, e, do imortal Heitor Villa Lobos e Dora Vasconcellos, Melodia Sentimental (faixa n. 13), páginas que sintetizam o espírito e a unidade do disco, em torno da proposta de uma lírica brasileira, tão bem garimpada por esse incrível trio de voz e instrumentos. Ao comentar o disco e a cantora, o jornal O Globo, escreveu  “A Cantora é a maior de sua geração e não precisa provar mais nada a ninguém”. A Uol Música considera que “Alma Lírica Brasileira, cumpre, com certa sobriedade, e muito talento, o seu propósito". Um disco realmente marcante neste ano de 2.011 e que vale a pena ter,  ouvir e presentear os amigos.

Até amanhã.




sábado, 6 de agosto de 2011

ERALDO E O DIA EM QUE O BUGRÃO GOLEOU O SANTOS DE PELÉ


Amigos, bom dia.

Sentado ali na mesa mais próxima da calçada do Café Regina reformado,  ele sorri para quem passa e é retribuído. Muitos o cumprimentam com um gesto de cabeça ou com um aceno. A pele morena não permite que revele, assim instantaneamente, os 78 anos que diz ter. Certamente é figura conhecida  e benquista. Assim como faz com os outros, ele me cumprimenta gentilmente quando eu chego para tomar, quase que diariamente, aquele imperdível café de coador e troco, às vezes, dependendo do tempo disponível,  dois dedos de prosa com os conhecidos, habitués do local. Mas não sabia quem era. A semana retrasada um senhor meu conhecido, sentado ali ao lado da figura, olha curiosamente para uma foto. E virando-se para mim com o retrato na mão: - Doutor, olha aqui o Eraldo no dia em que o Guarani venceu o Santos por 5 a 1. Olhei a foto. Como bugrino orgulhoso não desconhecia que um dia o Bugre não tomou conhecimento do Santos de Pelé e meteu uma goleada histórica no Peixe, no Brinco de Ouro, ainda sem o tobogã, por esse placar mesmo: 5 a 1. Não vi o jogo pois na época eu tinha apenas 12 anos e não freqüentava estádios, nem tinha dinheiro para pagar ingresso. Olhei a foto em xerox, meio apagada. Ao lado, escrito a mão, o nome dos jogadores, na ordem em que se encontravam. Primeiro, os “em pé”. Depois “os agachados”. Mas quem é o Eraldo? Aí ele me apresentou esse senhor que costumeiramente se sentava ali, na mesma mesa, e cumprimentava todos que passavam e também a mim. Em verdade, foi uma apresentação recíproca: - Doutor – Eraldo – Eraldo-Doutor. Prazer e tal. O Eraldo estava na foto. Era quarto-zagueiro do bugre na ocasião. Pedi a ele se poderia me conceder uma cópia do foto, ao que ele respondeu prontamente que sim. Perguntei se ele poderia me dar uma entrevista para falar um pouco da sua vida de atleta e de ser humano e também daquele jogo histórico para o Guarani e para Campinas. Marcamos para o dia seguinte ali mesmo. A entrevista serviria para colocar no blog. E talvez para um projeto que eu já tenho em mente: Publicar um livro a respeito de pessoas que se destacaram em Campinas, ou saindo de Campinas, ganharam o mundo lá fora. Nome provisório: Brava Gente Campineira. Talvez. Bem, segue a entrevista e a história daquele jogo incrível:

Eraldo Correia Araújo. Nascido em Pilar, Estado de Alagoas, em 30 de março de 1.933.

O primeiro clube foi o América de São  José de Rio Preto, em meados de 1.955. Depois jogou no Clube Atlético Taquaritinga e, finalmente, no Guarani Futebol Clube, de 1.959 a 1.966, quando se aposentou do futebol com 34 para 35 anos. Ganhava bem, mas “não dava para guardar, nem investir naquela época”. Ainda tentou, sem sucesso, a carreira de treinador. Aventurou-se  como corretor de imóveis, atividade que explora até hoje, mas “o mercado está fraco e esvaziado”. Casou-se duas vezes. Vive com a segunda mulher e o filho de 21 anos, que está tentando entrar na Universidade. A aposentadoria é pequena. Mora num pequeno apartamento naquele conjunto de prédios populares ali no São Bernardo, encostado ao 2º Distrito Policial de Campinas. Relativamente bem de saúde, tem contudo artrose nos dois joelhos, o que faz com que ande com dificuldade. A vida não é fácil. Mas quando surgem as lembranças da juventude e do futebol sorri. Ah, como dizia o poeta, se não fossem as lembranças, o que seria de nós?

Em pé: Soselini, Oswaldo Cunha, Sidney, Ditinho, Ilton, Eraldo e Diogo.
Agachados: Joãozinho, Nelsinho, Babá, Américo Murolo e Carlinhos.


O JOGO SEGUNDO ERALDO: Era 18 de novembro de 1.964. Campeonato Paulista, 24ª. rodada.  Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas. Guarani e Santos. O Estádio estava lotado. Era uma noite muito quente. Naquele jogo tudo deu certo para nós. Os gols foram saindo. O primeiro foi do Joãzinho, que era ponta direita. Esse Joãzinho era na verdade João Guedes, que foi vereador na época do Grama (o falecido Prefeito José Roberto Magalhães Teixeira). Aí eles empataram com um gol de pênalti batido pelo Pelé. Mas nós viramos: Nelsinho, meia direita fez o segundo. O Nelsinho depois jogou no Corinthians e no São Paulo. Babá, centroavante marcou o terceiro. Esse Babá era bom de bola e fez carreira em grandes clubes, jogando também no Corinthians e no São Paulo. O quarto gol foi do Américo Murolo, meia esquerda que hoje tem uma padaria em Bragança Paulista, onde reside. Finalmente, o último gol foi de Carlinhos, ponta esquerda que já é falecido, vítima infelizmente de homicídio. Aquele time do Guarani era muito bom. Além do Babá, do Nelsinho, do Américo, tinha também o goleiro, Sidney,  que hoje também é falecido que  fez carreira no Flamengo e defendeu, naquele jogo, um pênalti cobrado pelo Pelé.  A torcida ia ao delírio com a goleada. Teve muita festa depois do jogo. O Presidente, na época, era o Jaime Silva. Mas o detalhe foi o seguinte: já quase no final do jogo eu me machuquei e o Renga (o argentino, Armando Renganeschi, técnico do Guarani na ocasião),  mandou eu jogar de centroavante, deslocando o Osvaldo Cunha, que era lateral direito, para a quarta-zaga e o Joãzinho, que era ponta direita para a lateral. Perguntei se o técnico já tinha feito todas as substituições, ao que ele respondeu: Não, não tinha disso não. Naquele tempo, não havia substituição. Isso de banco de reserva só começou depois.

Alguém grita ali de dentro do “Regina” que o Eraldo era considerado o maior marcador de Pelé. Ele sorri, mas não confirma, nem desmente. Muda de assunto e mostrando surpresa, me diz: - Você sabe que o Milton Neves me chama de Eraldo Cabeção. Não sei onde ele inventou isso. Eu nunca fui chamado, nem conhecido como Cabeção. E eu arremato: Nem tem cabeça grande, pô.  Pergunto se ele acha que o Neymar pode ser considerado um novo Pelé. Ele torce um pouco o nariz e responde: - Olha, esse menino tem grande velocidade e habilidade. Mas o Pelé,sabe,  o Pelé era bom em tudo. Até na cobrança de faltas. Dificilmente vai aparecer alguém bom em todos os fundamentos do futebol. Para encerrar ele me conta uma história engraçada do “Rei”, que qualquer dia eu conto aqui, se ele me permitir.


O JOGO SEGUNDO A HISTÓRIA REGISTRADA:

Data: 18 de novembro de 1.964.

Competição: Campeonato Paulista, 24ª. rodada.

Local: Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, SP.

Público: 25.258 pagantes.

Renda: Cr$12.283.200,00.

Árbitro: Armando Marques.

Gols: Carlinhos, Ditinho (contra), Joãzinho, Babá, Américo e Nelsinho.


GUARANI: SIDNEI, OSVALDO CUNHA, DITINHO E DIOGO: ILTON E ERALDO; JOÃOZINHO, NELSINHO, BABÁ, AMÉRICO E CARLINHOS.

TÉCNICO: ARMANDO RENGANESCHI.

SANTOS: GILMAR, ISMAEL, MODESTO E GERALDINO; ZITO E LIMA; PEIXINHO, MENGÁLVIO, COUTINHO, PELÉ E PEPE.

Técnico: LULA.

Notas:

a) Na foto acima, de propriedade do jogador,  Eraldo ao lado do Rei Pelé e do então menino, Paulinho Pedroso, da família proprietária da Rádio Brasil de Campinas.
b) O Eraldo fez pequenas confusões sobre os marcadores dos gols naquele jogo. O Pelé na verdade não marcou nenhum gol.Nem o Santos. O Guarani fez todos os seis. Cinco a favor e um, de Ditinho, contra.
b) O técnico Armando Renganeschi faleceu em Campinas, no ano de 1.983.Foi jogador e treinador. Tinha fama de durão. Era argentino e treinou com sucesso o São Paulo e o Flamengo, dentre outros grandes clubes;
c) O Santos F. C. foi o campeão paulista de 1.964 e o Palmeiras, vice-campeão.

Até amanhã.






sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CINEMA - O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON



Amigos, segue comentário sobre um longa badalado que já não está mais nas telas do cinema, mas é possível encontrar em DVD, para locação ou compra, ou na programação dos muitos canais de assinatura. Quem sabe até a rede Globo, qualquer dia desses, resolve incluí-lo na sessão da tarde. Ou na Tela Quente. Prepare-se, então: 

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Há filmes que apesar de monótonos, compensam a falta de ação com a riqueza dos diálogos. Não é a hipótese do Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin  Button). Apesar de badalado, o longa americano (2 horas e 46 minutos) se arrasta narrando, em flashbacks, lembrando, em estilo, o consagrado “Forrest Gump” (Tom Hanks, 1.994), uma história de  ficção,  sem, contudo, mostrar  o glamour deste. Em Forrest, o personagem de Tom Hanks é denso e profundo, ao contrário de Benjamin, que é superficial, realçando, unicamente,  a figura detentora da patalogia.  Trata-se de uma ficção romântica até certo ponto original, mas que  vai cansando o espectador pela obviedade e falta de dramaturgia. Em  nenhum momento  senti que não se tratava de um filme. Essa medida, para mim, é absolutamente essencial. Quando o roteiro ou os atores não conseguem fazer com que o espectador se desligue e por algum momento se sinta dentro do contexto , esquecendo que está no cinema, o resultado é trágico. Pois é isso que senti durante a exibição do filme. Nem a direção, nem os atores conseguem fazer com que a trama funcione em termos de cinema.  O roteiro, baseado em romance de F. Scott Fitzgerald de  1.920, sobre um homem, Benjamin (Brad Pitt),  que nasce com 80 anos e começa a rejuvenescer, num sentido contrário da  vida, é coisa que tudo mundo sabe antes de entrar no  cinema, pois consta de todas as sinopses.  Talvez por isso, uma ficção algo de original, faz com que se espere do filme o que ele não é capaz de proporcionar. Reflexão, tensão, apreensão, surpresa,  não acontecem em momento algum, no roteiro de Eric Roth, que  se desenvolve a partir da paixão de Benjamin por Daysi (Cate Blanchett), um amor impossível, na medida em que enquanto ela envelhece, ele rejuvenesce, até voltar a infância. A mensagem que se pretende passar de ode à vida, à tristeza da vida e da morte, o respeito às diferenças e ao amor, que supera e ultrapassa a barreira do tempo e os limites humanos, fazendo com que Daysi se comprometa a acompanhar o amado na sua estranha e invertida trajetória até a morte,   num típico filme equivalente a um livro de auto-ajuda, não convence. Termina e fica a sensação, o gosto de que a coisa ficou mal acabada. Essa sensação me levou a ir dormir pensando, como fiz outras vezes, que o filme nada acrescenta verdadeiramente. Dispensável como tal, e assim, irrelevante. O filme ganhou Oscar em três categorias. Na de melhor direção de arte. Na de maquiagem e efeitos especiais.  Na minha opinião, não vale a pena, nem mesmo em deferência  ao grande ator e à figura bela de Brad Pitt, apagado e sem graça. Se quiser arriscar, contudo, arrisque. Pode ser que a sua opinião seja diferente e sinta melhor aquilo que considero ausente - a dramaturgia. Mas que não é filme para fazer sua propria história, isso não é, seguramente.
Até amanhã.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ÉTICA NO FUTEBOL


Oi amigos,
Ainda ecoa, nos meios midiáticos, o lance em que o jogador palmeirense, Kleber, em partida contra o Flamengo, deixa de conceder o chamado "fair play" (jogo limpo, na tradução literal),  e, no momento da  “bola ao  chão” decretada pelo árbitro, apossasse-se rapidamente da redonda e com ela parte para o ataque, entrando na área do adversário e concluindo para fora, rente ao arco. O assunto rendeu. Houve explicações de lado a lado, do técnico Filipão, do próprio Kleber, para quem a posse da bola, quando o jogo foi paralisado, não era do Flamengo, mas do Palmeiras. Divergências à parte, trato do assunto hoje em razão das considerações feitas por um grande ex-jogador, profissional de primeira e comentarista esportivo, ou seja, o nosso inesquecível Tostão. Em coluna que assina no Correio Popular de Campinas, o mestre indaga se o esporte, tal como é encarado, é foro adequado para exigir comportamento ético. Realmente, quando se fala em competição, valoriza-se efetivamente apenas a vitória e o vencedor. Esse é o valor social reproduzido há décadas. No Brasil, em especial, um vice-campeonato significa nada. Toda a campanha desenvolvida ao longo de um campeonato para que se chegue a uma difícil finalíssima, de nada vale, se a equipe não vencer e conquistar a taça. Nessa competição insana  em que se fala em guerra e  garra,  em táticas, em marcações, em corpo a corpo, não dá para ser bonzinho, sobretudo porque o adversário não será. Essa é a inexorável premissa.  Por que devo conceder um fair play, se a paralisação do jogo decorre da simulação de contusão do adversário?  Se o atacante cai na área simulando um pênalti? Se o adversário, ao ser tocado, rola artisticamente pelo campo como se tivesse sofrido uma falta grave e pede cartão para mim? Some-se a isso a valorização do engodo, da enganação. Maradona até hoje se gaba do gol marcado com a mão na final da Copa do Mundo de 86. E ainda debita a mão boba ao Criador. Isso é uma desfaçatez, mas a gente ri, como se tal coisa fosse normal e adequada. Não é. Penso que no esporte em geral, e no futebol em particular, reproduz-se um valor social equivocado: a aceitação da  transgressão como sinônimo de inteligência e esperteza, desde que o agente vença, não seja pego. Porque os fins justificam os meios, em resumo.  A isso acrescente-se a expectativa dos torcedores e o calor do envolvimento na competição.  É, fica difícil falar-se em fair play, nesse cenário e nessas circunstâncias todas, com o peso que se joga sobre os ombros de meninos ou meninas que muitas vezes são oriundos de famílias desestruturadas, e são atirados em verdeira arena, onde o que vale é vencer ou vencer. Vencer ou morrer. Parece acertada a análise de Tostão de que a solução passa necessarimente por um processo de educação. Ou talvez reeducação. Do atleta e dos torcedores que não podem transferir para o esporte, suas frustrações e insucessos. É preciso reafirmar, de uma vez por todas, o sentido lúdico das competições e o  bem que a sua prática saudável e racional traz para o homem em formação. Considerando, sobretudo,   os valores morais e o respeito à pessoa humana, princípios que  não admitem relativização. Sem guerra, sem morte dentro ou fora do campo, sem trapaças. O futebol é alegria, é diversão, é arte, sim, por que não? Assim, como se faz com o profissional, em qualquer área do conhecimento humano, os atletas devem ser preparados não para uma guerra, mas para a competição limpa, fraterna, com respeito aos companheiros, adversários e torcedores. Aliás, o fair play significa também espírito olímpico, próprio do esporte. Tomo como exemplo a recente conquista da Copa América, pela boa equipe da seleção uruguaia. Os co-irmãos já viam cumprindo, com fidelidade, um projeto elaborado pelo técnico e pela Federação Uruguaia de Futebol, de formação e atenção integral aos atletas. Quando não jogam,  recebem aulas sobre  a história de seu país, dos grandes homens e dos grandes feitos, e também do futebol consagrado desde a conquista da Copa do Mundo de 1.930. E de ética.  Sem que percam a liberdade, são fiscalizados no exercício dessa liberdade, dentro e fora do campo. E é essa formação e a atenção integral ao homem que traz frutos ao atleta e à seleção. Grande Exemplo. Precisamos valorizar a educação e cuidar dos nossos futuros atletas. Enquanto isso não acontecer o fair play que se cobra de jogadores, aqui ou acolá, numa ou noutra situação, não passa de  hipocrisia. A esquecida educação para o esporte, de quem participa, organiza, vê e torce é que pode criar uma ética que seja verdadeiramente perseguida, cobrada e praticada, de preferência, espontaneamente. Mais uma vez quero lembrar Vinicius que num de seus muitos momentos de rara felicidade e inspiração, nos sugere que é possível VENCER.  E que é possível principalmente  VENCER,  SEM DEIXAR VENCIDOS.

 Até amanhã

 



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CINEMA - O RETRATO DE DORIAN GRAY


Boa noite amigos,


Oscar Wilde, poeta, escritor, filósofo, dramaturgo irlandes,  viveu entre 1854 e 1900 na Inglaterra. Em 1.891 publicou um romance,  considerado na época pelos setores reacionários, uma obra imoral e homoerótica, e hoje,  um dos clássicos mais populares da literatura inglesa  dentre os 200 melhores de todos os tempos: O Retrato de Dorian Gray.  A ficção se passa na Inglaterra do Século XIX. O Lord Henry Wotton , um aristocrata hedonista, típico da época, conhece Dorian, jovem de extrema beleza e o seduz para uma visão do mundo, em que o único propósito que vale a pena perseguir é o da beleza e do prazer. Mas segundo afirma o Lord para Dorian  a beleza acaba e quando a mocidade passa – e com ela a beleza -  então  já não haverá o que comemorar. Como o Lord é amigo de Basil, um grande pintor da época,  apresenta-o a Dorian e o pintor,encantando com sua beleza e juventude, passa a nutrir por ele uma paixão platônica, tomando-o como modelo para um trabalho considerado sua obra-prima. Logo surge o quadro que retrata Dorian, de forma encantadora.  Ao ver o quadro pronto, o vaidoso Dorian não resiste e afirma: “Eu irei ficando velho,  feio, horrível. Mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele nunca serei mais idoso do que neste dia de junho... Se fosse o contrário! Se eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse!.. Por isso, por esse milagre eu daria tudo! Sim, não há no mundo o que eu não estivesse pronto a dar em troca. Daria até a alma!” O romance teve várias versões para o cinema, sendo esta, de 2.009, do Reino Unido,  a décima. O roteiro é do estreante Toby Finlay, a direção de Oliver Park. No elenco, destaque para mais um excelente trabalho de Colin Firth (Marido Por Acaso, Mama Mia! e principalmente, Discurso do Rei), no papel de Lord Henry Wotton. Como Dorian Gray e sem convencer muito, por falta de carisma, o belo Ben Barnes (o princípe Caspian das Crônicas de Nárnia) e Ben Chaplin, como o pintor Basil. Ainda no elenco, Rebecca Hall, Emília Fox e Rachel Hurd-Wood.  O filme dividiu a crítica e os espectadores. Há os que vêm nesta versão uma vontade de reinvenção do diretor, buscando situar a obra num contexto moderno, bem ao gosto dos jovens, no estilo de Crepúsculo, mas sem vampiro. Outros consideram as cenas de amor e sexo como mais grotescas que sensuais. Mas todos reconhecem o bom trabalho de fotografia e a atuação de Colin. O filme busca mais as imagens que os diálogos ou as ações e se torna lento e arrastado em certos momentos. O mais importante, porém, da obra de Wilde – e os jovens precisam conhecer - é o convite à reflexão e as metáforas que utiliza nos diálogos entre os personagens, envolvendo discussão sobre a vida e a morte, a ética e a estética e os valores em geral, na sociedade vitoriana da Inglaterra do século XIX.  Salva-se a história e por isso o livro é mais envolvente e profundo, tanto que até hoje é objeto de estudos no mundo inteiro. Mas Wilde e sua  fantástica história já são motivos, por si sós, para se ver o filme.

Até amanhã.


RESTAURANTE CONTE STEAKHOUSE - BOA PEDIDA


Boa noite amigos,
Hoje voltamos a falar um pouco de gastronomia, dando ênfase aos restaurantes  que devem ser focalizados e indicados para os preciosos momentos de boa gastronomia,um dos melhores prazeres da vida.
Trata-se do restaurante CONTE – ITALIAN STEKHOUSE,  que une a cozinha italiana clássica com a cozinha americana contemporânea. A especialidade é de carnes com cortes especiais, massas e risotos, tudo feito com  capricho, amor e talento pelo Chef Conte (vide foto acima da bela fachada).
O ambiente é amplo e acolhedor, e o serviço de muito boa qualidade.
A carta de vinhos é bastante razoável com maior oferta  de vinhos italianos e norte-americanos,  como seria de se esperar, e leva em conta, na escolha dos rótulos, as combinações que devem ser feitas com os pratos do cardápio.  Há por isso, também, vinhos excelentes, tintos e brancos franceses, espanhóis, portugueses,  chilenos, argentinos, uruguaios e brasileiros.

Dentre os espumantes, muito bons para harmonizar sabores variados,  experimente um Nocturno Bruit, argentino, que sai a R$53,00 e é excepcional e adequado para acompanhar um prato de massa e carne ou apenas de massa e molho.
O cardápio é extenso.  Dentre as carnes de cortes especiais (os Steaks),  há oferta de preparados como o Chorizo “Tex Max” (Corte alto de contra-filé (300g) ao molho “spicy” (apimentado) com couscous marroquino, ervilhas frescas, bacon, pimentões vermelho e amarelo e chips de mandioquinha), ou o Chorizo Pimento (Corte alto de contra-filé (300g) ao molho demi-glacê. Acompanha arroz com pimentas  e batatas Hash Brown).
Provei e gostei muitíssimo do Bife de Tira com Nhoque (Corte especial de picanha (300g) com nhoque de espinafre e pecorino e lascas de amêndoas).
Há  também o T-Bone, que é um corte especial americano (400 g.), acompanhado de farofa crocante e batatas salteadas em azeite de especiarias.
O aroma, a cor e o sabor dos pratos é que fundamenta a sua cozinha, como assevera o Chef Conte, privilegiando pratos diferenciados e bem concebidos com ingredientes selecionados.
O restaurante participa da 3ª. edição do Festival Gastronômico de Campinas, promovido pelo Convention & Bureay, que tem apoio da Secretaria do Comércio, Indústria, Serviços e Turismo de Campinas, com tema de gastronomia italiana e a sugestão de entrada é pra Brusqueta de Mix de Cogumelos, Parma, tomate cereja, rúcula e granapadano. No prato principal Carré de  cordeiro com redução de vinho tinto e risotto Alla Genovese e de sobremessa, o imperdível Semifreddo de chocolate com sorvete de nata, calda de morangos e farofinha de frutas secas.
O restaurante funciona para almoço, às sextas, das 12,00 às 15.00 horas, aos sábados, das 12,00 às 15,30 horas e aos domingos, das 12,00 às 16,00 horas. Para jantar, de terça a quinta, das 19,30 às 23,00 horas, às sextas, das 19,30 às 23,30 horas e aos sábados das 19,30 até meia-noite.
Importante registrar que o estabelecimento aceita promover eventos conforme combinação entre as partes.
Você pode obter maiores informações e participar de um blog acessando o site  www.conterestaurante.com.br.

Até amanhã.