sexta-feira, 23 de março de 2012

MORRE O HUMOR INTELIGENTE DE CHICO ANYSIO


Boa tarde, amigos,
Estava  agora à tarde, no balcão do Café Regina, aqui próximo de meu escritório, quando soube do falecimento do humorista Chico Anysio. Todos os que se encontravam ali, sem exceção, interromperam conversas, tragos de cigarros e goles de café para, de forma silenciosa e respeitosa, lerem a notícia nas legendas da GLN (Globo News), canal de assinatura da rede Globo, preferido por donos de bares, restaurantes e lanchonetes, por causa das notícias legendadas em rodapé, o que permite a dispensa de som nos ambientes já sonoros desses estabelecimentos. O óbito era mais ou menos esperado. Chico, de dois anos para cá, tinha vivido muito mais em UTIs. e apartamentos de hospitais, do que propriamente em casa ou no trabalho, que ele tanto enfrentou até os últimos dias, com garra, talento e disposição incríveis. A dor ou ao menos a contrariedade e o aborrecimento percebido nos rostos de todos aqueles que, como eu, ali ficaram sabendo do falecimento de Chico, demonstrava o quanto ele era familiar a todos nós e quanto ele tinha de popular, embora fizesse um humor inteligente e refinado. Chico era a prova de que se podia fazer humor  sem apelações  ou pastelões desnecessários e grosseiros. Difícil dizer qual Chico era mais interessante ou preferido do público: o Chico do banquinho, sem fantasias ou máscaras, falando, de cara limpa de maquiagem, um monólogo de ironia, fazendo graça com o cotidiano da vida política, artística ou do povo brasileiro em geral, num palco de teatro, ou na abertura do Fantástico de vinte anos atrás , ou  se o Chico travestido em centenas de personagens, tipos que a gente e também as novas gerações aprenderam a identificar, gostar e rir: Bozó (com o seu indefectível “Eu trabalho na Globo”), o vampiro Bento Carneiro, Haroldo, um gay que se dizia convertido a hetero, o deputado Justo Veríssimo, o Pastor Tim Jones, o matuto Pantaleão (É mentira Terta?), Tavares, o Silva, Urbulino, o velho Popó com suas ranhetices, o ator cafona de redinha na cabeça, Alberto Roberto, a gaúcha politizada Salomé, que falava com os Presidentes da República etc. e outros tantos. Chico, mais recentemente (isto de uns 20 anos para cá, considerada a sua vasta carreira)  passou a ser com mais freqüência o Professor da Escolinha do Professor Raimundo,  um programa que foi por ele recriado para prestigiar e empregar uma série de comediantes de sua geração, ou da geração ainda anterior, que estavam esquecidos ou desempregados e também da geração mais jovem, gente que precisava de oportunidade para mostrar seu talento, como o Nerso da Capitinga e Tom Cavalcante, este apontado pelo próprio Chico, em certa época, como seu sucessor. Seu nome completo era Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, um cearense nascido em Maranguape, no dia 12 de abril de 1.931 e que faria no mês que vem, 81 anos de idade. Chico foi humorista, ator, dublador, escritor, compositor e pintor, deixando uma vastíssima obra cultural que jamais será esquecida do povo brasileiro. Perde o Brasil sem dúvida um dos maiores, senão o maior humorista da era do rádio e da televisão, ao lado de Jô Soares. Descanse o seu merecido descanso caro e amado Chico. Obrigado por você ter co-existido entre nós. Obrigado pela honrosa contemporaneidade.
P.S. (1)  Uma frase de Chico Anysio: “Claro que eu tenho depressão. Tive seis mulheres, nove filhos e dez netos. Se eu não tivesse depressão, teriam de me internar, porque eu seria um psicopata”
P. S. (2) Outra frase de Chico: “No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado” 
P.S. (3)  A imagem que ilustra a coluna é do personagem "Alberto Roberto" e foi emprestada do blog "apatotadopitaco.blogspot.com"
Até mais tarde. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

FACULDADE DE DIREITO DA PUC-CAMPINAS - HOMENAGEM AO PROFESSOR WALTER HOFFMANN


Boa noite amigos,

No ano de 2.008, ao ensejo de mais uma semana de Estudos Jurídicos da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a Comissão Organizadora formada pelo Centro Acadêmico XVI de Abril e professores, além da Direção da Faculdade, decidiu homenagear personalidades que contribuíram para a história da instituição. E na noite do dia 25 de setembro daquele ano, por razões de vinculação afetiva e histórica que mantive com o Professor Doutor Walter Hoffmann, coube-me a honrosa incumbência de proferir o discurso em sua homenagem, retratando o seu perfil de homem, profissional e docente. Resolvi publicar essa saudação, não por mera vaidade, mas porque considero a memória e a gratidão, dois valores fundamentais na formação humanística das pessoas, sobretudo numa Faculdade de Direito. E aqui menos que a memória do teor do discurso ou de seu autor (o que é irrelevante), avulta os dados que revelam quem foi e o que fez o Professor e Vice-Diretor da Faculdade de Direito de nossa faculdade. Foi assim: “Excelentíssimo Senhor Professor Marcelo Hilkner Altieri, Digno Diretor Adjunto da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.  Excelentíssimo Senhor Professor Antonio Paiva Carvalho, em nome de quem saúdo os demais professores presentes.                                     Prezados acadêmicos representantes do tradicional e atuante Centro Acadêmico XVI de Abril da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.   Caros Alunos, Senhoras, Senhores. Aos filhos do homenageado aqui presentes,  Ricardo,  Cristina e Marlene.                                      A morte é, a um só tempo,  cessação e rompimento.                                     Fecha-se o ciclo da vida  e o homem volta à sua origem:  pó ou alma, terra ou eternidade. Deixa para trás a vida biológica finita. E uma história! Ouvi de um poeta, de certa feita, e gravei,  que só se morre realmente pelo esquecimento.    Os grandes homens, assim, não morrem, pois permanecem vivos, intensos, na lembrança de suas boas  ações e na saudade dos que sentem a sua ausência, nas suas vidas.  Vai-se a vida. Fica a memória. Dentre os valores fundamentais à formação do Bacharel, em qualquer instituição de ensino, destacam-se o culto à memória e o sentido de Justiça. E é em nome, sobretudo, desses valores, que se presta hoje, nesta casa, durante a semana de Estudos Jurídicos, uma justa homenagem a uma personalidade que, pela importância de sua atuação social,  transcendendo a advocacia e a docência,   esteve, durante significativo tempo de sua existência, ligado umbilicalmente, em corpo e espírito, à nossa velha e tradicional Faculdade de Direito.    Walter Hoffmann teve a grata honra de viver nesta casa  duplo papel: de aluno e de  mestre. A dignidade de compor a importante, histórica e saudosa 1ª. Turma, de Heitor Regina, Carlos Soares Junior, José Carlos Virgílio, dentre outros,  formada já no distante ano de 1.957 e a qual se deve a responsabilidade pelo começo de um dos mais relevantes cursos de Direito do país, cuja qualidade  de ensino é sobejamente conhecida e atestada por   instituições como o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil.                                 Filho de Ricardo Hoffmann (ferroviário) e de Dna. Maria  Delle Done Hoffmann, uma costureira, natural desta cidade de Campinas, Walter nasceu no dia 16 de janeiro de 1.933.    Oriundo de família humilde, mas de valores, e ainda colhido na primeira infância por uma infecção que o levaria a conviver com uma deficiência mecânica, jamais se esmoreceu e, superando adversidades e dificuldades, estudou e trabalhou para realizar o seu sonho que era formar-se advogado.   Ajudando a família com vários empregos e atividades, inclusive a de radialista, logrou obter bolsa de estudos para  o perseguido curso universitário. Colando grau, valorizou essa história e o auxílio recebido, tendo dado à cidade de Campinas e às suas instituições, em manifesta gratidão, inestimável colaboração com trabalho e fidelidade. Inúmeros os títulos de reconhecimento à sua dedicação e competência: Professor Emérito de Campinas, conferidos em 1.979, pelo Sindicato dos Professores de Campinas; Medalha Carlos Gomes; Cidadão Emérito de Campinas, por decisão unânime de sua  Câmara Municipal, dentre outros. Incontáveis as funções que exerceu com brilho durante os mais de 75 anos de fecunda existência.                                   Releva aqui acentuar que nesta casa foi Professor de Direito Comercial por quase 35 anos, de 1.965 a 2.000.    Foi, ainda, Vice-Diretor da Faculdade de Direito de 1.991 a 1.993 e  Coordenador do Departamento de Direito Privado, em variados períodos. Paralelamente, foi Consultor Jurídico do Sindicato dos Professores de Campinas, Consultor Jurídico das Prefeituras Municipais de Campinas e Indaiatuba, Professor e Diretor da Faculdade de Direito de Espírito Santo de Pinhal e, posteriormente, Reitor naquela instituição até o seu falecimento, ocorrido recentemente. Por suas mãos, e sob sua firme orientação, iniciei eu, no também já distante ano de 1.972, o exercício nobilitante da advocacia, ainda como aluno e estagiário.                                  Era o princípio de  um relacionamento entre mestre e professor, depois entre profissionais e amigos, que perdurou por toda a vida, conquanto nos últimos anos, por circunstâncias profissionais, não nos víssemos com freqüência, o que em nada alterou a admiração e o carinho recíproco que nutríamos.  Coube-me, por isso, só por isso, exatamente por isso, talvez, a tarefa de conduzir essa homenagem nesta noite, homenagem que não é minha, mas de toda a comunidade acadêmica. Gostaria de dizer a todos os senhores presentes que são inesquecíveis, para mim e para todos os seus ex-alunos, as aulas de Direito Comercial que ministrava de forma segura e apaixonada.  Remanescem vivas na retina e na memória os conceitos que transmitia, com desenvoltura, sobre títulos de crédito, teoria da inoponibilidade das exceções pessoais e do negócio subjacente ao terceiro de boa fé em direito cambiário, a distinção entre sociedade de pessoas e as de capital, os aspectos relacionados à ação renovatória e a Lei de Luvas, sobre a caracterização da falência, e, assim por diante.                                Penso que as característica mais marcantes de sua personalidade tenham sido  o amor pelas profissões que abraçou, quais sejam, o magistério superior e a advocacia, respectivamente,  por sua família, mormente pelos quatro filhos e oito netos e a serenidade com que enfrentava todas as situações, fossem quais fossem, a ponto de eu jamais ter presenciado uma alteração no timbre de voz. Essa paz, essa tranqüilidade, com que nos brindava, convertia-o em uma pessoa especial, que buscava sempre a concórdia, a conciliação. Sábio, era consciente da relatividade da vida e das coisas. E a cada um dos problemas ou supostos problemas consigo ou com seus alunos, seus amigos, sua família, tinha a virtude de emprestar a solidariedade e o ombro amigo.  Dois de seus filhos seguiram-lhe os passos profissionais: Ricardo e Cristina. Ricardo labutando na advocacia, nos primeiros tempos de bacharel, logo logrou aprovação em Concurso da Magistratura e é hoje ilustre Juiz Titular da 3ª. Vara Cível da Comarca de Campinas. Cristina, igualmente advogada competente, ministra há anos, nesta casa, a disciplina Direito do Trabalho Material e Processual, sendo reconhecida como uma de suas melhores professoras. A imagem e a personalidade de Walter ficará sempre em nós e nas coisas que vivemos juntos. Com seu estilo indefectivelmente elegante nos gestos e no trajar, garantirá, por muito tempo, forte presença, pelos corredores do Páteo dos Leões, pelos prédios do Sindicato dos Eletricitários, do Sindicato dos Professores, pela Casa de Saúde, instituição  que tanto e tão bem  serviu. E a ele me dirijo finalmente para dizer: Walter, esteja onde estiver, saiba que nós os seus alunos, os seus parentes, os seus amigos, sentimos falta de sua companhia, de seus conselhos, de suas aulas, de suas peças jurídicas. Uma saudade grande e serena, como serenamente você nos ensinou a encarar as coisas da vida.  Para dizer a você, como a canção popular que, se é verdade que a gente leva da vida, a vida que a gente leva, obrigado pela vida que você levou, e, obrigado pela vida que você  nos fez viver na feliz contemporaneidade de parte das  nossas existências.                              Faço-o em nome de toda a comunidade desta casa, com profundo respeito de eterno aluno e admirador e grande  saudade de amigo”.



P.S. (1) a imagem da coluna de hoje é de um escrito, um singelo bilhete que o amigo Walter me enviou em janeiro de 1.998, cumprimentando-me pelo aniversário.



Até amanhã amigos.






A PROPÓSITO DO DERBI CAMPINEIRO E COPA LIBERTADORES

Bom dia  amigos,

No próximo sábado, dia 24 de março, acontece mais um derbi (ou derby) campineiro,  nome que se dá para o confronto entre as duas equipes tradicionais da cidade de Campinas, a Ponte Preta, também conhecida como “Macaca” ou “Nega Véia” e o Guarani, o velho Bugre. É o clássico mais antigo do futebol paulista, completando este ano  o seu centenário,  pois a Macaca foi fundada em 1.900 e o Bugre em 1.911. O confronto é o de n. 188, válido pelo Campeonato Paulista da 1ª. Divisão. Na contagem geral o Guarani venceu 65 vezes, a Ponte 60, e foram registrados 61 empates. Por incrível que pareça o primeiro derbi aconteceu no dia 24 de março de 1.912 e o resultado é desconhecido. Ainda vou tentar tirar essa história a limpo, mas convenhamos, vai ser muito difícil conseguir apurar aquilo que ficou na estranha clandestinidade por cem anos. Vejam o que diz o jornalista Rogério Verzignasse, da agência Anhanguera, em reportagem do jornal Correio Popular, edição de hoje, a propósito desse jogo: “O ano  era 1.912. Um tempo romântico. De torcedores educados, de trajes engomados. As reportagens no jornal tratavam as partidas como verdadeiros eventos sociais.Todos os times eram basicamente formados por gente humilde, que trabalhava a semana toda na roça ou nas oficinas. Atletas que, minutos antes da bola rolar, vestiam gravata para a fotografia. Pelo menos teoricamente, não havia espaço para fanatismo, agressões físicas ou verbais. Não havia, por sinal, nenhum motivo para que os torcedores de Ponte e Guarani se odiassem. Tanto é que o encontro nem foi digno de muita atenção na imprensa. E ninguém sabe dizer, ao certo, qual foi o placar final do encontro. A reportagem no Diário do Povo, anunciando o jogo, aconteceu por uma daquelas inexplicáveis peças do destino. O amistoso estava marcado para o domingo anterior, dia 17 de março, no campo da Vila Industrial. Mas um temporal desabou sobre Campinas e o jogo foi adiado. No dia 24, a imprensa se viu obrigada a tocar no assunto para prestar serviço. Afinal, um evento aberto ao público tinha mudado de data. Só por isso. Nas edições seguintes, não se fez qualquer referência ao placar.Ninguém nas redações tinha noção de que aquele episódio seria histórico”.

O DERBI FORA DE CAMPINAS.

Em toda a história dos derbis campineiros, uma única vez a partida foi disputada fora de Campinas. Isso aconteceu no dia 03 de junho de 1.979, pelo 3º turno do Campeonato Paulista de 1.978.   A partida foi disputada em São Paulo, no Estádio do Pacaembu e o Guarani venceu pelo placar de  2 a 0, gols de Capitão e Zenon. Curioso anotar que vários sites e blogs, inclusive a Wikipédia registram como tendo sido o jogo realizado no dia 3 de julho de 1.978, em pleno curso do Campeonato Brasileiro daquele ano, o que não é verdade. Embora realizado fora de Campinas esse derbi é o recorde de público das partidas entre as equipes. Foram 38.948 espectadores, dos quais 35.209 pagantes. Nessa época Ponte e Guarani tinham timaços e Campinas era considerada a Capital Brasileira de Futebol.

Durante a semana falaremos um pouco mais da história desse famoso derbi, com as maiores goleadas de um time sobre o outro e outras curiosidades para registrar na memória de bugrinos e pontepretanos.

TAÇA LIBERTADORES DA AMÉRICA

Acabo de assistir a partida entre Corinthians e Cruz Azul do México pela 1ª. Fase da Copa Libertadores da América. Num jogo extremamente movimentado e gostoso de assistir, o Timão, impulsionado pela dupla Ralf e Paulinho, mas com todos os demais jogadores num mesmo nível, foi superior nos dois tempos e venceu a partida pelo placar de 1 a 0, gol de Danilo na primeira etapa. Depois de perder muitas oportunidades para ampliar o marcador, no final da partida o alvinegro do Parque São Jorge quase sofreu o empate com o time mexicano mandando uma bola na trave do goleiro Julio Cesar. Com a vitória o Coringão assumiu a liderença de seu grupo a duas rodadas do final dessa fase de classificação. Impecável a arbitragem do experiente árbitro uruguaio, Martin Vasques e dos bandeiras que o auxiliaram. Um exemplo para as últimas arbitragens do campeonato paulista que revelam erros capitais, sobretudo dos bandeiras.

P.S.  A foto que ilustra a coluna mostra o folclórico e fanático torcedor bugrino, conhecido como “Bozó”, que encontrei recentemente no Tonico’s Boteco, durante a apresentação da cantora Juliana Caymmi. Bozó estava gordo e de rosto cheio, como eu nunca tinha visto.

Até amanhã amigos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

OITENTA ANOS DE OAB-CAMPINAS


Bom dia  amigos,


No dia 21 de março de 1.932, ou seja, há exatos 80 anos, o ilustre advogado Dr. Plínio Barreto assinava a ata de criação da Subseção de Campinas, da Ordem dos Advogados do Brasil. Nessa trajetória, advogados ilustres e modestos, colaboradores e funcionários novos e antigos, contribuiram para a construção de uma das histórias mais ricas e importantes da comunidade, evidenciando o valor social e ético do braço campineiro dessa imprescindível entidade de classe. Ao todo foram 24 Presidentes, incluindo o atual, Dr. Sérgio Carvalho de A. Vallim Filho. Recordo-me de grande parte deles, alguns inclusive, que conheci tempos após terem exercido o seu mandato, como no caso do Dr. Carlos Foot Guimarães, cuja gestão ocorreu entre 1945/1952, antes do meu nascimento, mas com quem  mantive grande contacto, no tempo em que eu era auxiliar, e, depois escrevente no Fórum de Campinas, e também como aluno e posteriormente colega de docência na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, da qual o Dr. Foot foi Diretor e professor durante muitos anos. Lembro-me com grande carinho do Dr. Camilo Geraldo de Souza Coelho, que dirigiu a entidade entre 1.953/1.956, ainda como advogado militante no Fórum da Comarca, uma das pessoas mais educadas e elegantes que conheci na minha vida, além de seus revelados predicados como causídico e cidadão.  Destaco também o Dr. José Machado de Campos Filho (1979/1980),  com quem advoguei nos anos 70 e parte dos anos 80, e do qual fui assessor na Comissão de Ética da OAB/SP. Outros profissionais atuantes na advocacia de Campinas (Dr. Júlio Cardella (1.985/1.988), Dr. Alberto Carmo Frazatto (1.989/1.990), Dr. Ataliba Soares de Sá (1.973/1.974 e 1977/1978), Dr. Marcos José Bernardelli (1995/1996), Dr. Roberto Francisco de Carvalho (1.991/1992), Dr. Aderbal da Cunha Bergo (1.998/2000), dentre outros, exerceram o cargo com desembaraço e independência.   Cada um deles como profissional e ser humano, com virtudes e defeitos, foi responsável pela condução e pela defesa da classe, muitas vezes mal compreendida ou vítima da intolerância e de arbitrariedades das mais diversas autoridades.  Mas não só eles. A OAB-Campinas também contou com o auxílio valioso de muitos ex-Presidentes como o saudoso Dr. Nhemtalla Andery, de advogados que formaram e trabalharam nas muitas Comissões, realizando tarefas das mais relevantes, independentemente de remuneração, de dia, hora e lugar. Lembro-me com saudade da funcionária Eunice, que trabalhou na Sub-Secção, se não me engano, por quase ou mais de 30 anos, até a sua aposentadoria. Nunca soube o seu nome completo ou se um dia soube, já me esqueci. Dela, porém, não. Era afável, solícita e competente em qualquer questão que envolvesse a OAB-Campinas. Não sei onde anda, nem se está viva. A todos eles, porém,quero transmitir o meu abraço e agradecimento como advogado que fui antes da Magistratura, e que sou, com muita honra, depois da Magistratura,  e até quando Deus assim o permitir.



Até amanhã.





segunda-feira, 19 de março de 2012

ARREPENDIMENTOS

Boa noite amigos, 

Broonie Ware é um enfermeira australiana que cuidou durante muitos anos, em sua casa, de pessoas à beira da morte, ministrando-lhes os chamados “cuidados paliativos”. A vasta experiência adquirida no convívio diuturno com essas pessoas, de ambos os sexos, permitiu que pudesse compreender e apreender, um pouco, dos sentimentos de seus pacientes, quando ganhavam consciência da proximidade e irreversibilidade da morte e dos arrependimentos que elas nutriam quanto ao sentido que deram às  suas vidas. Esse o tema de um livro escrito por Broonie denominado The Top Five Regrets of the Dying (Os Cinco Maiores Arrependimentos à Beira da Morte), que é sucesso no mundo todo. Bem, os tais cinco arrependimentos mais lembrados são os seguintes: 1º) Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse; 2º) Eu gostaria de não ter trabalhado tanto; 3º) Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos; 4º) Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos; 5º) Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz.  Vejam que tais sentimentos são mais comuns do que se imagina. Por que não fazer uma retrospectiva agora de como estamos vivendo e que tipo de insatisfação essa vida nos traz. E a partir daí ter coragem de mudar, enquanto há vida e enquanto é tempo. Isso de dizer aos amigos e pessoas queridas, por exemplo, que gosta delas, que as ama sem constrangimento é um bom começo e ao que parece, bem mais fácil do que buscar afastar, radicalmente,  as demais queixas. Talvez você descubra que algumas pessoas vão achar você mais estranho, mais esquisito. Mas ainda assim de duas, uma: a) ou com o tempo elas se acostumam com você versão 2.012 para a frente,  ou b) com o tempo você vai descobrir que não se importa mais com o que elas pensam a seu respeito. É lucro de qualidade de vida, na certa.

Até amanhã.







domingo, 18 de março de 2012

TEATRO - EQUUS


Boa tarde amigos,
Está em Campinas, em estréia nacional, no Teatro Amil do Shopping Center Dom Pedro, a obra de  dramaturgia denominada EQUUS (Cavalos, do latim para o português), de Peter Shaffer, vencedor do prêmio Tony.  Trata-se de uma peça de teatro escrita na Inglaterra em 1.973, que conta a história de um psiquiatra forense encarregado de descobrir as causas e, bem assim,  tratar um adolescente que teria cegado cinco cavalos, sem explicação lógica alguma para o estranho e bárbaro comportamento. O autor inglês inspirou-se num crime real, mas sobre ele fez um relato fictício do que poderia ter causado o incidente, mesmo porque não conhecia qualquer detalhe do delito. O resultado é um texto belíssimo, forte, que visa perscrutar o misterioso mundo interior das pessoas, estabelecendo franco embate entre o instinto e a razão, ilustrado pelas fantasias patológicas do adolescente Adan Strang, que revela um fascínio sexual e religioso por cavalos. À medida em que a relação entre o jovem e o psiquiatra vai se estreitando, durante o difícil tratamento, o profissional também passa a questionar (e a ser questionado pelo paciente) a respeito de sua própria vida, da validade ou não dos tratamentos dispensados aos que convencionalmente são considerados anormais, as hipocrisias sociais fruto da necessidade de cumprir rituais e trabalhar verdades preconcebidas, e de seu real envolvimento afetivo com a psiquiatria e seus pacientes. Há passagens impagáveis, como a que Martyn em diálogocom a Juíza encarregada do caso, afirma: “Nós médicos podemos matar uma paixão. Mas jamais seremos capazes de criar uma paixão.”  O psiquiatra é representado pelo velho  Elias Andreato em  desempenho irretocável. O adolescente é encarnado pelo ator Leonardo Miggiorin (que estreou em televisão  na célebre minissérie da TV Globo, Presença de Anita, como Zézinho,  um adolescente  cheio de espinhas, contracenando, naquela oportunidade,  com o veterano ator José Mayer e com  a também novata atriz Mel Lisboa (Anita ou Cyntia). A direção do espetáculo, na sua nova versão, ficou a cargo do campineiro Alexandre Reinecke, um dos mais talentosos atores e diretores da nova geração, e que dirigiu gente do mais alto quilate, como Beatriz Segal e Natália Thimberg, dentre outros monstros sagrados. Leonardo Miggiorin é uma grata surpresa como intérprete dramático, dando vida a um personagem marcante e difícil de ser realizado. Os cenários simples, poucos e bem concebidos são movimentados, durante a exibição,  pelos próprios atores, como eles mesmos representam, de forma estilizada, os animais vítimas de Alan. É teatro puro, belo, em que os atores é que fazem o verdadeiro espetáculo. Não deixe de ver esse drama psicológico consagrado.  A peça está em cartaz nos finais de semana, no horário das 21,00 horas às sextas e sábados e de 19,00 horas,  aos domingos, até 1º de abril. O próximo final de semana, portanto, será o último em exibição na cidade de Campinas, devendo seguir carreira após, pelo Brasil.
Notas.
P.S. (1) O diretor Alexandre Reinecke, ao falar sobre a peça, assinalou em entrevista ao Correio Popular, jornal de Campinas “A peça é um grande clássico, já foi montado no mundo inteiro e com grande aceitação. Aqui ela é tratada de uma maneira diferente da forma como foi da primeira vez com Paulo Autran, em 1.976, pois hoje nós temos outra relação com a psicanálise. A diferença não é no texto, é na recepção do público, que é outra. É mais contemporânea.”
P.S. (2) Para Leonardo Miggiorin, o personagem exige muito e está sempre em construção. “O mundo inteiro deste cara tem que ser percebido como um todo, pois ele tem uma faísca de loucura, de vida”, desabafa.
P.S. (3) Elias Andreato, que faz o psiquiatra, analisa o contexto da história: “Neste encontro o psiquiatra descobre uma ausência de amor pela profissão. A gente não pode abrir mão destas paixões, deste amor profundo, pelo que nós somos e pelo que fazemos. A peça oferece isso. É  onde o espectador olha pelo buraco da fechadura e vê o que ele tem de animal e de ausência de paixão dentro dele. É um espetáculo onde a família pode se identificar, pois fala de várias violências e não só de cegar animais, mas de se cegar, se fechar para o amor”.
P.S. (4) A peça esteve em cartaz na Inglaterra e no mundo nos anos 70, quando foi escrita pelo autor. Em Campinas, foi encenada no Teatro Castro Mendes, na Vila Industrial, atualmente em reforma. Naquela oportunidade o papel do psiquiatra, Martin Dysart foi desempenhado pelo inesquecível ator dramático, Paulo Autran. O do jovem adolescente, Alan por Paulo Guarnieri (filho do saudoso ator e diretor, Gianfrancesco Guarnieri). Quem se lembra perfeitamente disso é a minha irmã, Leny, que garante que estivemos presentes numa das apresentações.
P.S. (5) O drama foi recentemente encenado novamente na Inglaterra e nos Estados Unidos. O adolescente foi  representado, no palco,  pelo ator Daniel Radcliffe, o Harry Potter do cinema e causou muitos rumores, não só pelo bom desempenho que o teria consagrado, como também pelo fato de que o personagem fica completamente nú, durante parte do desenrolar do drama;
P. S. (6) Também o ator Leonardo Miggiorin, em interpretação excelente, fica nú em cena, como no original,  tendo confessado que quando recebeu o convite sentiu certo constrangimento, mas depois, na medida em que foram se passando os ensaios foi descontraíndo, atento à beleza do personagem e do texto, circunstância que absorvem o impacto da nudez, que fica num segundo plano;
P. S. (7) Em 1.977, a peça escrita para o teatro cinco anos antes, foi parar no cinema. O filme Equus, foi dirigido por Sidney Lumet e os papéis do psiquiatra Martin Dysart e do jovem Alan Strang, foram desempenhados, respectivamente, por Richard Burton e Peter Firth. Ambos os atores foram premiados com o Globo de Ouro inglês de 1.978, como melhor ator de cinema dramático e melhor ator coadjuvante, ainda respectivamente.
 P.S. (8) A primeira imagem mostra a versão atual da peça encenada na Inglaterra e Estados Unidos, com o ator Daniel Radclliffe no papel do adolescente Alan Strang e foi emprestada do site oconfessionario.wordpress.com. A imagem n. 2, embaixo à esquerda, é da versão nacional com Leonardo Miggiorin no mesmo papel. Foi extraída do site campinas.com.br. A 3a. imagem, emprestada do site gosepbr.webnade.com.br,  mostra a apresentadora Ana Hickmann com o modelo Miro Moreira em reprodução de cena da peça, para fazer publicidade  da  Equus, uma parceria de mais de três anos entre a bela apresentadora da TV Record com uma grife de moda. Foi gravada em Ilha Bela, litoral de São Paulo.   

Até amanhã.


quinta-feira, 15 de março de 2012

GASTRONOMIA - RESTAURANTE KILIMANJARO


Boa noite amigos,

Hoje, quero falar de gastronomia. De um excelente restaurante que prima pela qualidade da alimentação e pelos ótimos serviços prestados. O ambiente contemporâneo é adequado à proposta de servir receitas importantes, das mais variadas e universais cozinhas do mundo.  Falo do Kilimanjaro, uma marca explorada por duas casas aqui em Campinas e o proprietário garante que só existem estas no Brasil. Ambas se situam em Shopping Centers: A primeira foi aberta no  terceiro piso do Shopping Iguatemi. A outra no segundo piso do Shopping Galeria. Embora situadas em praças de alimentação, conservam um diferencial em relação a todas as outras que oferecem refeições rápidas e pré-prontas, ou do tipo self-service. Só existe o serviço à la carte e os pratos são elaborados com requinte e esmero, reunindo qualidade dos ingredientes, tempero e proposta de novas receitas e sabores e,  bem assim,  cuidado no oferecimento de  alimentos leves e livres de excesso de gorduras e proteínas. Toda essa boa gastronomia você pode degustar sentado em mesas com flores naturais ou em sofás coloridos, ao som de música ambiente suave e selecionada (MPB, bossa-nova, jazz). Por isso tudo,  recebeu, do júri da Revista Veja Campinas, o prêmio de melhor restaurante em comida variada. As frituras são feitas com óleo de palma,  livres de gorduras trans e há combinação ou mix de saladas, com um pouco da grega (folhas, nozes, tomate cereja, abobrinha, pepino, endívia,  cestinhas com queijo de cabra e cream cheese, ao molho de mostarda e ervas), tailandesa (shiitake e champignon refogados com rúcula, parmesão, castanha de caju e molho oriental), malaui (alface, peru defumado, abacaxi, cenoura, molho de iogurte, castanha de caju e passas ao azeite de manjericão) e italiana (rúcula, alface, presunto cru, laranja, lâminas de parmesão, tomate seco e azeitonas pretas ao azeite de manjericão). No prato principal, várias sugestões podem ser feitas. Não deixe de fazer uma refeição que para mim é excelente e ao mesmo tempo light: truta ou salmão grelhado, trouxinhas de cogumelos e legumes (cenoura, batatas assadas, alcaparras, shiitake e pupunha), puxados na margarina light. Uma delícia.  Pode-se optar por truta com risoto de limão e uvas frescas, servida com shiitake ao azeite de ervas e aspargos grelhados, ou o robalo mediterrâneo, com batatas assadas, alcaparras, pupunha, shiitake e pesto de alcaparras. Optando por carnes vermelhas, arrisque um filé ao Parma (file-mignon com presunto cru e queijo brie, guarnecido de polenta cremosa, agrião, shiitake, pupunha e tomatinhos). Em matéria de massas, elas são associadas a recheios ou temperos vegetarianos.  No almoço de segunda a sexta você pode  pedir o prato do dia, elaborado só com ingredientes de baixa caloria. Ex: frango verde ao perfume de maça servido com cuscuz de quinua e castanha. Sobremesas variadas, incluindo sorvetes (peça um crumble de maça com sorvete de creme). Ah, tem o cafezinho expresso acompanhado de uma incrível bala de coco geladinha com raspas de limão (não aquelas industrializadas, mas aquelas que estiveram na moda no passado, feitas em casa e bem puxadas e que estavam presentes nos aniversários e casamentos).  Os preços variam e ficam entre R$40,00 a R$60,00 por pessoa. Não deixe de provar, antes ou depois de um belo passeio pelo Shopping ou de uma sessão de cinema.

Até amanhã.
P.S. (1) A primeira imagem da coluna foi emprestada do blogdokili.com.br. A segunda do blog maisolhoquebarriga.blogspot.com

P.S. (2) O Galleria Shopping fica na Rod. D. Pedro I, Km. 131,5, Jardim Nilópolis. O restaurante corresponde à Loja A-152, Cep. 13091-901, Campinas (SP). Fone/Fax: (55 19) 3207-3332/3207-2122. E.mail: kiligalleria@terra.com.br ;

P.S. (3) O Shopping Iguatemi fica na Avenida Iguatemi, 777, Lj. 18/19, Quadra 24 – Piso 3. Vila Brandina. Cep. 13091-694, Campinas, São Paulo. Fones/Fax: (55 19) 3295-0051 e 3295-3761. E.mail: killiiguatemi@terra.com.br ;

P.S. (4) Os restaurantes funcionam de domingos a 3ª.s feiras das 12,00 às 22,30 horas; de 4ªs. e 5ªs. feiras, das 12,00 às 23 horas e de 6ªs. e sábados,entre 12,00 e 00,0 horas.

P.S. (5) O Kilimanjaro  ou Kilima Njaro,  que em "Kiswahili" significa Montanha brilhante, por causa da neve que recobre todo o seu cume e que derrete gradativamente, é um vulcão extinto que se situa no norte da Tanzânia, na fronteira com o Quênia, na África. Sua visão é belíssima porque ele se ergue sobre uma planície de savanas e sua altitude é de 5.891,80 m. no Pico Uhuru. As viagens  para lá são bastante intensas e é um dos locais mais procurados, na África, pelos turistas;

P.S. (6) O cientista de alimentos, Jaime Amaya Farfan, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)  afirma relativamente à quinua:  "ela é muito completa em relação às quantidades de calorias, proteínas, gorduras e carboidratos". A quinua é um alimento que vem dos Andes e que só recentemente passou a ser incluída em cardápios e receitas de restaurantes e casas. Não contém gluten e há quem sustente que ela supera, em qualidade nutritiva,  até o  leite materno. A conferir.

 Até amanhã, amigos.