sábado, 7 de abril de 2012

FRANCISCO ISOLINO DE SIQUEIRA - O FILHO DE DONA MAURA

Boa noite amigos,
Nesta quarta-feira quando cheguei à Procuradoria Geral na Unicamp recebi a notícia do falecimento do Dr. Francisco Isolino de Siqueira. O ambiente, entre os funcionários e procuradores mais antigos, era de consternação. Senti, naquele momento, o  quanto  Chico era estimado por aqueles que trabalharam com ele, nos tempos em que foi Procurador Chefe daquela Universidade. Mas essa história eu não conheço. Conheço a minha história com o Chico Isolino, como a gente o chamava, nos momentos de proximidade e intimidade que ele nos conferia, por seu jeito simples e direto, afetivo e aconchegante, o que não nos permitia, antes dispensava, qualquer cerimônia. Ouvi falar de Isolino por sua mãe, a saudosa Dona Maura. Quando viemos para Campinas, nos idos de 1.958, meu pai comprou um pequeno armazém (como eram nominados, na época, os empórios de bairros), no Taquaral, ali na Rua Amélia Bueno. Dona Maura morava bem em frente e era uma senhora bondosa, já viúva do Professor Hildebrando Siqueira, um respeitado professor e pedagogo da cidade. Chico era o filho mais velho, casado e que não residia ali. Quase todos os outros ainda moravam naquela velha casa que de forma inimaginável acolhia todos os filhos de Dona Maura. E eram dezenas. A maioria esmagadora de mulheres. Todas Marias em homenagem a Nossa Senhora: Maria Zélia, Maria Isabel, Maria Tereza, Maria da Glória, Maria do Carmo, Maria de Lourdes. E claro todos as chamavam pelo segundo nome: Lourdinha, Carminha, Zélia, Isabel, Tereza etc. etc.Dona Maura ministrou aulas de catecismo para mim e para meu irmão Toninho. E por suas mãos e suas palavras doces, seus santinhos com os quais nos brindava ao término das aulas que eram ministradas ali na área, sentados, nós e ela, naquelas muretinhas de alvenaria, fizemos a primeira comunhão na Igreja Nossa Senhora de Fátima, sob a batuta do Padre Milton Santana. Apesar da amizade com todos da família, não conheci o Chico naquela ocasião. Aos 14 anos, quando comecei a trabalhar no Cartório do 5º Ofício de Campinas, no Palácio da Justiça do Largo do Rosário é que passei a ter contato com as personalidades do mundo jurídico da cidade: Juízes, Promotores e Advogados. Os advogados, sobretudo, não eram tantos, como são hoje. E Chico era um respeitado causídico, cujo escritório conceituadíssimo ficava no edifício da Associação Comercial, na rua José Paulino, bem atrás do Fórum. Advogava para grandes empresários, comerciantes e também para clientes de diversas origens, patrocinando causas cíveis, comerciais e tributárias. Era grande a lista de advogados do corpo jurídico do escritório: Drs. José Carlos e José Eduardo (os irmãos Sanches), José Antonio Trevisan, Sérgio Benedito Siqueira, Maria do Carmo Siqueira, sua irmã e nossa grande amiga e outros.  Fiquei impressionado com a figura de Isolino. Na época ele também escrevia para o Correio Popular e sua coluna era concorrida. Falava de tudo: política, economia, educação, saúde, direito e quotidiano, muito do quotidiano. Mas tudo com um diferencial: a poesia, o otimismo, o sonho, a grande alegria que transmitia pela vida e pelas causas sociais que abraçava. Já o admirava e respeitava muito, quando entrei para o curso de Direito, na nossa querida Puc, e já no primeiro ano tive o grande prazer de encontrá-lo, agora numa relação professor-aluno, como Mestre na disciplina Economia Política, constante do currículo do curso. Suas aulas eram o reflexo de sua figura carismática.  Transmitia lições de economia política de forma leve e suave, com conotação de alegria e poesia. Depois disso continuamos nos cruzando pela vida: como colegas advogados, como Juiz e advogado, como colegas Professores de Direito da Puc. Há anos, porém, nossos encontros passaram a rarear, mesmo porque Chico praticamente aposentado, levava uma vida mais regrada e caseira, tratando da família e da saúde, um tanto precária. Mas ainda pude revê-lo algumas vezes na Academia Campineira de Letras, para a qual foi eleito e se tornou, de forma meritória, imortal. Agora Chico se foi. Não fui ao seu velório. Estou aqui na praia desde 4ª. Feira, ensaiando para escrever sobre ele. Não é fácil. Foram tantos os seus predicados. Tantas as suas obras e ações. Tanta a sua relevância como jornalista, advogado, professor, católico, amigo, parente, filantropo, marido, pai, avô, que num curto espaço fica difícil escolher o que dizer – e, sobretudo, as palavras adequadas para expressar o sentimento da gente nesta hora. Com Chico aprendi muita coisa. E um inesquecível advérbio de intensidade: GOSTOSAMENTE. E era gostosamente que Chico encarava a vida e  os tantos prazeres por ela proporcionados. Os revezes? Bem, esses ele os encarava com coragem, confiança, resignação e uma profunda  confiança em Deus. Descobri hoje, fuçando no google, que Chico também tinha um blog (isolinodesiqueira.blogspot.com).  E que era corintiano, coisa que eu também nunca soube. Em sua homenagem, reproduzo aqui uma frase sua, que está na apresentação de seu blog, para cuja leitura convidava os amigos e que bem resume o seu amor e gratidão pela vida:
“Se eu pudesse recomeçar eu procuraria fazer meus sonhos ainda mais grandiosos porque essa vida é infinitamente mais bela e esplêndida do que eu pensava, mesmo em sonho” (Francisco Isolino de Siqueira).
Até qualquer dia amigo Chico. Obrigado pela participação importante na minha vida e de tantos outros:conhecidos e anônimos.
Boa noite amigos.
P.S. Ainda outro dia perdemos um outro Chico querido. O Chico Anísio e seus 209 personagens, aos quais criou e atribuiu vida própria. Pois Chico, há 10 anos, teria dito, em uma entrevista: “Tenho pena de morrer”. Um eterno tributo pela vida. Especialidade dos bons Chicos, suponho.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A 17a. RODADA DO PAULISTÃO 2012 - DESTAQUES


Boa tarde,  amigos,

Terminada a 17ª. rodada do Campeonato Paulista da Primeira Divisão, os oito times que vão para a fase decisiva, já estão classificados, com duas rodadas de antecedência. São eles, o São Paulo, o Corinthians, o Santos, o Palmeiras, o Mogi-Mirim, o Guarani, o Bragantino e a Ponte Preta, na ordem que se encontram hoje, na tábua classificatória. As duas rodadas remanescentes não deixarão de ser empolgantes, pois elas definirão a ordem final de classificação para efeito das quartas-de-finais e dos cruzamentos.  O interessante para todos, indistintamente, é figurar no G4, ou seja, entre as quatro primeiras equipes que terão a vantagem de mando de jogo, o que é indiscutivelmente importante. No cruzamento, o 1º pegará o 8º, o 2º o 7º, o 3º o 6º, o 4º o 5º.  As rodadas finais também definirão, de vez, os times que cairão para a 2ª. divisão. Portanto, nada de considerar tudo definido. Vamos aos destaques da rodada:


CORINTHIANS

Voltando a jogar um futebol consistente nos três setores, o Timão venceu – e o que é incomum – por goleada (?)  (há os que consideram goleada apenas a marcação de 4 gols para cima), ou seja, 3 a 0, o Oeste, em Presidente Prudente. O grande destaque foi a volta dos gols do bom centroavante Liedson, em jejum há muito tempo. Liedson, com assistência de seus companheiros,  marcou 2 importantes gols na vitória corintiana. O outro foi assinalado pelo atacante William (ex-Guarani).

SÃO PAULO

O Tricolor deu um susto na sua torcida. Jogando em Itú, contra a equipe  do Ituano, sofreu dois gols no primeiro tempo e foi para o intervalo com o indigesto placar de 2 a 0. Não se intimidou, porém. Voltou voando e no segundo tempo fez simplesmente 4 gols e não tomou nenhum. Os destaques dessa partida foram os três gols do zagueiro Rodolpho, um contra e dois a favor de sua equipe,  e o golaço de Lucas, de fora da área.O resultado acabou com as esperanças do Ituano de buscar a 8ª. vaga no octogonal e recolocou a equipe do Morumbi novamente na liderança do campeonato, com os mesmos 40 pontos do Corinthians, mas na frente no critério de desempate. Rodolpho está virando especialista na marcação de gols de cabeça, de bola parada. Uma jogada que é importante para equipes que jogam contra outras retrancadas.

PALMEIRAS

O Verdão com uma formação mista (de reservas e titulares)  fez uma partida medíocre no sábado  e perdeu, no Pacaembu, para o Mirassol, pelo placar de 1 a 0. Com a nova derrota (a segunda em duas partidas), o Palmeiras despencou na tabela e, embora na 4ª. posição, está a um ponto do Mogi-Mirim (35 contra 34) e a dois pontos do Bugre (35 contra 33). O Guarani é justamente o próximo adversário do Palmeiras que, no domingo de Páscoa, vem ao Brinco de Ouro. Nova derrota pode implicar na saída do verdão do G4, de forma definitiva. E não é que o Felipão resolveu fazer experiência no jogo de sábado? A esta altura do campeonato? Vá entender.


SANTOS

O Peixe, mesmo com um time reserva, bateu a Lusa por 2 a 0 e assumiu o terceiro lugar na classificação. Muricy é só felicidade. O time vai bem no campeonato e na Libertadores. 4ª. Feira tem jogo pesado, contra o Internacional de Porto Alegre, no Beira-Rio, pela Taça continental. O técnico Jorginho já jogou a toalha e lamentou, dizendo que nada dá certo para sua equipe.   A sorte da Portuguesa é que os times de baixo da tabela também não conseguem pontuar muito. A Lusa está em 15º lugar a apenas 3 pontos da zona de degola. Uma decepção para quem vinha com a pretensão de disputar o título.


XV DE PIRACICABA

Finalmente o "Nhô Quim" deixou a zona de rebaixamento. E para aqueles que já não acreditavam mais na permanência na 1ª. divisão, proporcionou novo alento. Com a vitória, em casa, de virada (2 a 1) sobre o Comercial, e a derrota do Catanduvense para o Guarani em Catanduva, o XV agora é o 16º e vem com tudo pra cima da Ponte Preta, no final de semana, com o objetivo de fugir de vez do rebaixamento. A Ponte, por sua vez, não tem muita pretensão nessa reta final. Está classificada para a fase seguinte, mas sem possibilidade de entrar no G4, único objetivo de real interesse para as equipes classificadas para as quartas-de-final.


PONTE PRETA

A Macaca perdeu boa chance de pontuar e quem sabe tentar melhor posição na classificação geral. Começou vencendo o desesperado Guaratinguetá, mas cedeu o empate e depois permitiu a virada da equipe adversária, que venceu por 2 a 1. Apesar disso,  foi beneficiada pelas derrotas de Ituano e Linense, alcançando, assim, também, a classificação para o octogonal,  na 8ª. posição (perdeu uma para o Bragantino, que venceu o São Caetano e ficou na 7ª. colocação). Mas a Ponte sabe que jogará o mata-mata fora de seus domínios, pois o Palmeiras, que está em 4º lugar, já tem 35 pontos, pontuação que a Macaca, com 28,  não conseguirá, mesmo que vença as duas partidas restantes.


 GUARANI

Confirmando a sua boa e surpreendente campanha, o Bugre venceu mais uma. Foi a Catanduva enfrentar o desesperado Catanduvense, saiu na frente com 2 gols, tomou 1 e segurou o resultado, ficando mais próximo das primeiras colocações. O Bugre está na 6ª. colocação,  com 33 pontos, um a menos que o Mogi-Mirim e dois a menos que o Palmeiras, seu próximo adversário no Brinco. Esse jogo será o mais importante, acredito, da próxima rodada, pela possibilidade de inverter a posição das equipes no G4. Será imperdível para o torcedor bugrino. E também palmeirense. Vamos aguardar.

MOGI MIRIM

O Sapão também vive um grande momento. Já classificado para o Campeonato Brasileiro da Série D, o Mogi venceu, com folga, o Paulista, pelo placar de 3 a 1, no sábado, foi a 34 pontos, encostou de vez no G4 e mostra que tem uma equipe com bons jogadores e a força de seu conjunto. Tem o artilheiro do Campeonato, o centroavante Hernani, com 14 gols,  e o meia Felipe, que disputou o Campeonato Brasileiro da Série B, ano passado, pelo Guarani, é um dos destaques.  Mas Felipe, que pertence ao Palmeiras, não estará disponível na temporada restante, pois Felipão, de olho no atleta e seu bom momento, já avisou que o quer de volta para a disputa do Brasileirão. Pelo jeito, Mogi e Guarani, que estariam interessado no jogador,  ficarão chupando o dedo.


OS GOLAÇOS DA RODADA

Destaco, na rodada, três golaços: o de Richely, pelo Paulista, contra o Mogi-Mirim, no sábado. O atacante saiu de seu campo e foi driblando todos os adversários até chegar ao gol, arrematando com perfeição. Golaço. O de Oziel, lateral do Guarani, de fora da área, aproveitando a deixada de Danilo Sacramento, na vitória do Bugre sobre a Catanduvense.  E o de Lucas, do São Paulo, também de fora da área, com a bola fazendo uma perfeita curva e entrando no canto direito do goleiro do Ituano. Golaços que valem a pena rever.

No campeonato carioca, a partida perfeita de Juninho Pernambucano, coroado com 2 gols, foi o grande destaque de Vasco (4), Macaé (1). Beleza!


Até amanhã.


P.S. A imagem da coluna de hoje, emprestada do site guaranifc.com.br é do lateral Oziel, autor de um dos golaços da rodada, pelo Guarani contra a Catanduvense. Oziel França Soares da Silva é paraibano e teve passagem por várias equipes, dentre as quais o Ceará, o Macaé, o Botafogo do Rio e o Goiás, de onde veio para o Guarani. Gerou desconfiança da torcida no começo por atuações pouco convincentes. Aos poucos, porém, foi tomando conta da lateral, tendo se revelado um dos principais jogadores do Bugre no Campeonato Paulista, pela eficiência na marcação e apoio ao ataque.

domingo, 1 de abril de 2012

MPB - CLEMENTINA DE JESUS - A RAINHA QUELÉ


Bom dia amigos,


Seu canto é rouco, excluído de qualquer padrão es-
tético conhecido, sem  paralelo entre as cantoras brasileiras. Coreografia de palco impressionante, estilo selvagem,  lembra cantoras afro norte-americanas, como Bessie Smith. Seu nome: CLEMENTINA DE JESUS, também conhecida como Rainha Quelé ou Tina.  Não foi à escola para aprender técnica vocal. Gravou, ao longo de sua carreira, 9 LPS e 3 compactos, tendo participado de discos com outros artistas, dentre os quais o badalado Milton Nascimento. Começou a carreira artística aos 63 anos de idade, quando foi descoberta pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho que, encantado com a sua forma de cantar e seu timbre peculiar de voz, a levou para o espetáculo Rosas de Ouro. Nele contracenava com a cantora Araci Cortes, de teatro de Revista, e com acompanhantes jovens, como Paulinho de Viola, Elton Medeiros e Nelson Sargento, dentre outros. Durante mais de 20 anos foi empregada doméstica de uma mesma família. Enquanto lavava, passava e realizava tarefas domésticas, cantava. Nascida em Valença, Estado do Rio, a 7 de fevereiro de 1.902, ainda menina, acompanhava sua mãe, Dna. Amélia, com a incumbência de acender seu cachimbo. Dona Amélia, enquanto lavava roupa, fumava e entoava cantos que a filha registraria, em seu peculiar e diversificado repertório, cinqüenta anos mais tarde. Destacam-se, nesse repertório baseado nas músicas de sua infância e mocidade, os cantos de trabalho, entoados pelos escravos em sua lida nas fazendas, as rezas dedicadas aos mortos (incelências), o jongo, pó partido alto e também os sambas mais modernos de João Bosco, Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Martinho da Vila, dentre outros. Sua ancestralidade africana transmitiu-lhe o legado de conhecimento e reprodução do riquíssimo folclore dos terreiros, aos quais emprestou linguagem urbana e contemporânea. Clementina pode ser considerada o retrato do sincretismo brasileiro. Rezas em gegê e nagô e contos em ioruba que ouvia da mãe, além de hinos católicos cantados no coro da igreja, pontos de candomblé e sambas de roda das festas das quais participava, também foram estilos que ela incorporou de forma intensa e magistral. Não foi grande vendedora de discos e Carlos Calado,crítico musical, chegou a afirmar, em desabafo, acerca da pouca difusão da obra da cantora que “irônico e triste, mas em certos países, as bijuterias valem mais do que os diamantes brutos”. Diamante bruto seja talvez a melhor definição do estilo  grave, potente e selvagem de Tina, a Rainha Quelé Clementina. Em julho de 1.987, aos 85 anos de idade, a cantora veio a falecer no Rio de Janeiro, deixando um vazio na música popular afro-brasileira de raiz, mas registrada, tanto quanto possível e para a posteridade, a força de uma raça e do sincretismo do nosso povo. Ainda não tinha me dado conta que agora, em 1.912, a EMI tinha lançado esse  magnífico CD que traz, em essência, a obra de Clementina, não toda, à evidência, mas o suficiente para mostrar um pouco de seu trabalho e de seu legado. Ganhei-o de presente da querida amiga,colega de PUC, a professora Maria Helena de Carvalho, que conhece o meu gosto musical e minha especial afeição por essa respeitável senhora que foi empregada doméstica e rainha.



O CD RAINHA QUELÉ CLEMENTINA DE JESUS (CAPA ACIMA), TRAZ CLEMENTINA:



A) Na sua versão solo, com as faixas Incompatibilidade de Gênios, um gracioso samba de João Bosco, os conhecidos sambas  Marinheiro Só, de Caetano Veloso, Essa Nega Pede Mais e Na Linha do Mar, do excelente Paulinho da Viola, Na hora da Sede , de Luiz Américo e Braguinha,  Moro na Roça, de Xangô da Mangueira e Jorge Zagaia, Esta Melodia, de Jamelão e Bubu, Graças Pardas, de Zé da Zilda e Cartola e Saudosa Mangueira, de Heriveldo Martins;

B) Com acompanhantes ilustres nas faixas: PCJ (Partido Clementina de Jesus), antológico samba de Candeia,  com a saudosa Clara Nunes (confira o vídeo abaixo), Circo Marimbondo, com Milton Nascimento, Boca de Sapo com João Bosco, Cocorocó, com Roberto Ribeiro e Torresmo à Milanesa, com Adoniram Barbosa e Carlinhos Vergueiro.

Obrigado a EMI pela reedição desses sucessos da nossa saudosa Rainha Quelé.

Obrigado Clementina, por ter existido e cantado para nós as belezas e as  raízes de um país preto e branco, africano e brasileiro, reproduzido nesse seu canto forte e profundo. Relembrando Vinícius "Mas  o samba nasceu lá na Bahia e se hoje ele é branco na poesia, ele é negro demais no coração."


 
Até amanhã amigos,


 
P.S. (1) Para obter informações mais detalhadas sobre a vida e a obra de Clementina consultei os sites www.maze.kunghost.net.  www.candomble.aspx.;

P.S. (2)  Discografia de Clementina. 1966 – Clementina de Jesus (Odeon MOFB 3463); 1.970 – Clementina, Cadê Você? (MIS, 013); 1.973 – Marinheiro Só (Odeon, SMOFB, 3087); 1976 – Clementina de Jesus – Convidado especial Carlos Cachaça (EMI – ODEON SMOFB); 1.979 – Clementina e Convidados (EMI – ODEON). Coletâneas: 1.999 – Raízes do Samba – Clementina de Jesus (EMI 5226592);

 
P.S. (3) Todos os membros da  família para quem Clementina trabalhou como doméstica durante mais de vinte anos apreciavam vê-la cantando durante os trabalhos que realizava. Mas a dona de casa não. Ela dizia que a voz de Clementina a irritava,pois parecia um “miado de gato”. Não se pode, como se vê, agradar a todos.

P.S. (4) Há um documentário, que corre pelo Estado da Bahia,  do cineasta Werlrinton Kerns sobre a vida e a obra da cantora, fazendo grande sucesso: "Clementina de Jesus - Rainha Quelé" 












sábado, 31 de março de 2012

LITERATURA - LYA LUFT - O LADO FATAL


Boa noite amigos,

A vocês, neste sábado de outono, final de março de 2.012, um pouco da poesia de Lya Luft.


Extraída  da Obra O Lado Fatal (1988, Editora Record, reeditada em 2.011),  em que a autora associa um conjunto de poemas sobre a morte.


Escrevendo sobre a obra de 1.988, a autora diz para a reedição de 2.011:

 “A maior homenagem que se pode fazer a alguém que morreu  é voltar a viver da melhor forma possível. Porque tudo é transformação. E a vida sempre chama. Eu acredito nisso” (O Lado Fatal, Editora Record).

PORQUE ELE MORREU

“Porque ele morreu

abriu-se em meu peito este buraco:

através dele arrancaram-me o coração

e colocaram o estranho maquinismo

cheio de lâminas e pontas

que me recorta e preserva

- pois se de um lado a morte me abraça,

do outro a vida me chama.”

  
QUANDO ELE MORREU

 "Quando ele morreu,

não pude acreditar:

andei pelo quarto sozinha repetindo baixo:

“não acredito, não acredito.”

beijei sua mão ainda morna,

tirei sua pesada aliança de prata com meu nome

e botei no dedo.

ficou larga demais, mas mesmo assim eu uso.



Muita gente veio e se foi.

olharam, me abraçaram, choraram,

todos com ar de um incrédula orfandade.

aquele de que hoje falam e escrevem

(ou aos poucos vão-se esquecendo)

é muito menos do que este, deitado no meu coração,

como um menino que apenas dorme”

  

NÃO FALEM ALTO COMIGO

 “Não falem alto comigo:

andem sempre na ponta dos pés.

principalmente, não me toquem.

finjam que não veem se tenho um jeito absorto,

e nem sempre entendo as perguntas

com a rapidez de antigamente,

se pareço fatigada

e sem graça como nunca fui.


 
Façam silêncio ao meu redor.

não me interessa nada o cotidiano nem o mistico.

não quero discutir os preços do mercado

nem os mistérios da vida e da morte

(levo quem morreu no peito

como quem carrega nos braços

uma criança morta

- e a gente não sabe onde depositar.).


Boa noite amigos e até amanhã.

P.S. (1) A autora é uma consagrada e respeitada escritora,  com vasta obra diversificada em romances, ensaios, crônicas e poesias traduzidos para vários países e objeto de muitas dissertações de mestrados e teses de doutoramento aqui no Brasil e no exterior. É tradutora de inglês e alemão, foi professora de Linguística e atualmente assina a coluna Ponto de Vista da Revista Veja.
P.S. (2) Algumas obras consagradas da escritora: O Ponto Cego (1.999), O Rio do Meio (1.996) prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, O Silêncio dos Amantes (2.008), Criança Pensa (literatura infantil escrita em conjunto com o filósofo Eduardo Luft,seu filho em 2.009).









quinta-feira, 29 de março de 2012

MILLOR FERNANDES E ADEMILDE FONSECA. SEMANA SANTA E VINHOS FRUTADOS


Boa noite amigos,

Carioca da gema, nascido em agosto de 1.923, Millor Fernandes foi uma das mais importantes personalidades do século XX, deixando uma obra multifacetária relevante, com a qual fez sucesso em todos os gêneros explorados. Foi desenhista,  humorista, dramaturgo, escritor e tradutor. Passou pelos mais importantes jornais e revistas, como O Cruzeiro, O Pasquim, jornal do qual foi um dos fundadores e que sobreviveu apesar de desafio permanente ao regime militar, a Revista Veja e o Jornal do Brasil. É o autor de charges inteligentes e humoradas e de frases que se tornaram célebres, revelando o grande homem, o pensador, o filósofo, o político, o crítico e o artista que conservava no seu rico interior. Morreu anteontem no seu Rio de Janeiro, aos 88 anos. Ela nasceu no Rio Grande do Norte,  em quatro de março de 1.921 e veio para o Rio de Janeiro ainda jovem,   onde fez  carreira. Mercê de seu timbre peculiar de voz, afinadíssima, construiu uma carreira de vasta discografia. Vendeu mais de meio milhão de discos. Dedicando-se especialmente aos choros, foi eleita a Rainha do Choro. Ademilde Fonseca foi a primeira cantora a gravar o famoso Tico-Tico no Fubá, chorinho de fama internacional, composto por Zequinha de Abreu e E. Barreiras, com letras. Com um metro e meio, mas vigorosa, Ademilde jamais se aposentou e dias antes de sua morte ainda cumpria agenda profissional, tendo dado entrevista ao repórter Chico Pinheiro da Rede Globo, mostrada ontem no Jornal Nacional. A coluna homenageia as duas estimadas e valorosas personalidades, cujos passamentos deixam  o país menos inteligente e mais triste.



DEZ FRASES DE MILLOR FERNANDES



1)    Não há pessoa mais chata do que você mesmo. Fuja da solidão.

2)    Acabar com a corrupção é o objetivo supremo de quem ainda não chegou ao poder.

3)    Idade da Razão é quando a gente faz as maiores besteiras sem ficar preocupado.

4)    Generalizando-se a corrupção, restabelece-se a justiça.

5)    Chega de prisões de segurança máxima!Queremos é ruas de segurança mínima.

6)    A diferença entre existir e viver é de dez salários mínimos.

7)    O homem é o único animal que ri. E é rindo que ele mostra o animal que é.

8)    Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem.

9)    Fiquem tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira para matar.

10)                      O cadáver é o produto final. Nós somos apenas a matéria-prima.


 
    O BACALHAU DA SEMANA SANTA E DICA DE VINHO



Aproxima-se a Semana Santa e deve aumentar consideravelmente o consumo do bacalhau. Nessa época, especialmente no Mercado Municipal (o Mercadão de Campinas), aparecem muitas ofertas de variados tipos de bacalhau, desde os mais simples até os mais caros e sofisticados.  Já falei a respeito de algumas marcas na coluna do dia 16 de abril de 2.011 (Vamos Subir Bugreee e Bacalhau da Semana Santa).  Mas o Grand Cru, loja especializada em vinhos, aproveita para informar que os vinhos tintos frutados, de leve a média estrutura, sem influência de carvalho, são opções interessantes para acompanhar a iguaria. As indicações desses  bons vinhos, a preços razoáveis, inclui o francês Bouchard La Vigneé 2009, que sai a R$78,00 e o português Quinta Nova Colheita 2009, a R$59,00. O Grand Cru Campinas fica na rua Dr. Sampaio Ferraz, n. 336, Cambuí, fone: (019) 3252-4311.




Ao lado uma das charges de Millor.

Abaixo o vídeo com interpretação do famoso Tico-Tico do Fubá por Ademilde Fonseca, com acompanhamento dos saudosos Jacob do Bandolim e Waldir Azevedo.







Até amanhã.



P.S. (1) O vídeo do Youtube, corresponde à faixa do disco “Ves se Gostas”.

P.S. (2) A imagem de Millor foi emprestada do site intretenimentos.uol.com.br. A charge do senado, do site esquizofia.wordpress.com e a foto de Ademilde do site sidneirezende.com.

segunda-feira, 26 de março de 2012

"DEUS TE ABENÇOE", HOMENAGEM A CHICO ANYSIO E OUTRAS DO FUTEBOL


Bom dia  amigos,



Aos três minutos da primeira etapa, o desconhecido Victor Ferraz, zagueiro  do Bragantino, sai do meio de campo e vai driblando um, dois, três, quatro. Chega ao gol. Na conclusão, porém, com o goleiro já batido,  a bola passa rente à trave direita e sai. Uma pintura de jogada. Uma jogada “à La Neymar e Messi”. O menino deve ser bom. Ou então a jogada isolada foi só para confirmar o jargão popular segundo o qual “também Victor Ferreira tem dia de Neymar". Tomara. Quem vai ganhar é o futebol e nós torcedores. Esse esporte que exatamente por causa de todas as imprevisões, todas as contrariedades à lógica e à vida, continua sendo a grande paixão nacional e por que não, atualmente até mundial. O Santos ganhou o jogo do Braga por 2 a 0, gols de Alan Kardec e de Borges, que voltou a marcar depois de um mês de jejum. Com isso assegurou a 4ª posição na tabela, com 30 pontos, exatamente a mesma pontuação do surpreendente Mogi Mirim que foi a Lins e não tomou conhecimento da Linense, vencendo, pelo mesmo placar do Peixe (2 a 0 ou 0 a 2, como se assinala quando o jogo é no campo do adversário). O “Sapão”, como é carinhosamente chamado o Mogi, permanece em 5º lugar, por perder do Santos em saldo de gols, segundo critério de desempate porque em número de vitórias também se igualam.


O CARROSSEL CAIPIRA

Para os saudosos do futebol de outrora e daquele timaço da Holanda de 1.974, que no entanto perdeu a final do Campeonato Mundial de Futebol para a dona da casa, a Alemanha, e ainda para os novatos que não chegaram a conhecer nem a Seleção Holandesa da época, nem o Mogi-Mirim, lembro que o Sapão, no ano de 1.992 fez também um campeonato paulista magnífico, com uma campanha irrepreensível. Seu treinador na ocasião era o desconhecido Vadão (Osvaldo Alvarez), hoje técnico do Guarani de Campinas. Pois Vadão conseguiu imprimir ao time do Mogi, o mesmo esquema e ritmo da seleção holandesa, com todos os jogadores defendendo e saindo para o ataque em leque e harmonia, girando, girando, como um carrossel.  Daí ter sido aquele time do Vadão batizado de Carrossel (o nome foi conferido por jornalistas e comentaristas de esporte na época para a Selação Holandesa). Mas como a Holanda era o verdadeiro Carrossel, alguém acrescentou o "Caipira" para o Mogi (Carrossel Caipira) em homenagem à boa gente do interior do Estado de São Paulo. A Seleção Holandesa, em razão da sua cor de camisa e do seu eficiente esquema, foi também chamada de “Laranja Mecânica” (A Clockwork Orange), título do famoso filme inglês de Stanley Kubrick, grande sucesso dos anos 70 e um dos 50 melhores filmes de todos os tempos.

SÃO PAULO LÍDER.

O São Paulo aproveitou a bobeada do Palmeiras, que perdeu o “Derby” e a invencibilidade no campeonato paulista para o Corinthians e assumiu a liderença do campeonato,  batendo o Mirassol, fora de casa, pelo magro placar de 1 a 0, gol do eficiente zagueiro Rodolpho, de cabeça, em cobrança de escanteio. Essa estratégia, aliás, dos zagueiros altos irem para o ataque na hora de cobrança de escanteios, tem sido muito utilizada, com sucesso, ultimamente. Mas depende muito de treinamentos, porque zagueiro eficiente está acostumado a botar a bola pra fora, não pra dentro. Daí, por força do hábito.... O zagueiro, Edu Dracena tem feito muitos gols pelo Santos e é destaque nesse ítem. William José perdeu um pênalti para o tricolor no começo do segundo tempo, causando muita irritação ao técnico Leão.


O DERBI CAMPINEIRO

O público, pouco mais de 7.000 torcedores no Majestoso foi um dos piores na história do clássico mais antigo de São Paulo. Mas era justificável. Limitação de ingresso para o não mandante (o Guarani recebeu menos que 1.000 e sua quota foi esgotada), tensão com a morte do torcedor em confronto de torcidas, apelo dos especialistas, Prefeito e dirigente querendo pedir transferência do espetáculo para outra localidade, agitação na Polícia Militar etc. etc., tudo a contribuir para a fuga do torcedor cauteloso. Mas o jogo foi bom. Aliás, muito bom, movimentadíssimo, e o que se viu foram 22 atletas totalmente envolvidos jogando com muita raça. E como muita gente esperava, inclusive eu, tendo em vista o equilibrio entre as equipes, o empate foi um resultado previsível e aceitável. Mas as alternâncias foram grandes. A Ponte foi beneficiada com a marcação de um pênalti inexistente de Domingos sobre Enrico. Erro à parte, o jogador Guilherme, escalado para a cobrança,  chutou na trave. Foi o que bastou para que os ânimos, que já estavam à flor da pele entre os pontepretanos, ficassem mais exaltados. O Bugre aproveitou esse desequilíbrio e a partir daí dominou a partida, criando seguidas jogadas de perigo, que não foram aproveitadas pelos atacantes. Aos 35 minutos, ainda da etapa inicial,  o atacante Fabinho, até então o jogador bugrino mais perigoso, envolveu-se num incidente com o jogador Guilherme e foi expulso juntamente com Wesclei da Ponte, ficando cada time com um jogador a menos. No segundo tempo, a Ponte veio com tudo e dominou completamente o jogo. Tirante um ou outro contra-ataque (num deles a bola de Fumagalli bateu na trave), o domínio pontepretano foi flagrante e a equipe da casa foi coroada com gol de Diego Sacoman, em discreto impedimento, sem culpa da bandeira,  aos 29 minutos, em bola alçada pelo bom Renato Cajá.  Assim foi até os descontos, quando Vadão resolveu apostar na entrada do centroavante Ronaldo, mandando que ele fosse para a área e tentasse forçar um pênalti. E a expectativa acabou se confirmando. Aos 46 minutos, bola lançada na área, Ronaldo domina e, de frente para  o gol,  sofre pênalti de Gerson,  assinalado pelo árbitro. Fumagalli, o frio e competente Fumagalli, cobrou a penalidade,  no alto e no canto direito, sem chances de defesa. O clássico estava empatado. Pela 62ª.  vez na história do confronto. E o empate acabou sendo justo. Com gosto amargo para os pontepretanos que já contavam com a vitória e jogavam em casa. Com gosto de vitória para os bugrinos que empataram na casa do adversário e continuaram uma posição na frente da classificação geral do campeonato. E Gilson Kleina e Vadão, os treinadores de Ponte e Guarani, respectivamente, mantiveram os seus tabus. Nenhum deles perdeu o derbi campineiro até agora.



 HOMENAGEM A CHICO ANYSIO.

Foi emocionante como, em todo o Brasil, o futebol homenageou o grande humorista Chico Anysio. Vascaíno no Rio, Palmeirense, em São Paulo, o cearense Chico recebeu homenagem também no seu Estado de nascimento, que ontem teve clássico entre Fortaleza e Ceará, com vitória deste por 1 a 0. Vasco e Palmeiras jogaram com camisas que faziam homenagem aos 209 tipos criados pelo humorista. O gol palmeirense foi marcado pelo Professor Raimundo, quer dizer Marcos Assunção vestido de camisa do Professor da Escolinha. E o jogador, criativo, comemorou com homenagem. Com o indicador da mão  direita próximo e em paralelo ao polegar, mandou ver: “E o salário ó.....”, jargão que marcou o personagem. Claro que o salário pequeno era do Professor Raimundo, não do Assunção, como observou desnecessariamente Cleber Machado narrando o jogo pela TV Globo.


QUE DEUS TE ABENÇÕE. E VAI PAU, NEGO!

Em entrevista no final do jogo entre Santos e Bragantino na Vila Belmiro, bem humorado, o atacante Neymar afirmou que  zagueiro Junior Lopes, jogador do Braga encarregado de sua marcação e que fez muitas faltas, quando o  derrubava faltosamente, desculpava-se dizendo “Que Deus te abençõe”  . Ou seja, por outras palavras: “Meuo, desculpe. Eu sou pago pra te pegar. Não gostaria e não quero que você se machuque, tá. Mas não tem jeito não”. Ou, então: “Nego, não quero nem saber. Reze e peça a Deus que te ajude”  Problemas de interpretação das intenções.

Até amanhã.

P.S (1) A imagem que ilustra a coluna de hoje é do ator Malcom McDowell,  protagonista do famoso filme inglês "Laranja Mecânica" de 1.971 e foi extraída do site cinema10.com.br;
P.S. (2) Para obter informações mais precisas sobre o clássico do cinema inglês citado nesta coluna e da história do Mogi-Mirim consultei a Wikipédia.com, a chamada enciclopédia livre.


sábado, 24 de março de 2012

HOJE É DIA DE DERBI

Bom  dia amigos,

Hoje é dia do agora já  centenário derbi campineiro, a que me referi na coluna de anteontem. O jogo está marcado para as 18,30 horas no Estádio Moisés Lucarelli (o Majestoso), campo da Associação Atlética Ponte Preta. O canal de assinatura Sportv  promete transmití-lo ao vivo, inclusive para Campinas.  A partida é válida pelo campeonato paulista da 1ª. Divisão de 2.012 e está cercada de muita apreensão pelos incidentes envolvendo torcedores de ambas as equipes, nos últimos dias, uma vez que num dos estúpidos confrontos, um torcedor do Bugre foi agredido até a morte, que ocorreu  no hospital, alguns dias depois,  para onde foi removido. Muito se falou sobre como evitar ou como punir agressores, torcedores e até as equipes que, absolutamente, nada têm a ver com isso, pois o futebol, como esporte, não existe para proteger bandidos travestidos de torcedores. Incidente à parte infelizmente,  vamos ao jogo. Segundo o que ficou acertado, menores não serão admitidos no estádio sem a companhia de adultos responsáveis. Também as torcidas organizadas não poderão comparecer como tal, isto é, com bandeiras, camisetas ou qualquer material que identifique o torcedor como pertencente a esta ou aquela facção. Os bugrinos (devem ser menos de 1.000 por causa da limitação dos ingressos), deverão se dirigir ao Estádio Brinco de Ouro e dali serão escoltados até o Majestoso.  Abaixo algumas curiosidades envolvendo os derbis de hoje e do passado.


DERBI SEM FAVORITOS

Nenhuma das equipes pode ser apontada como favorita,embora o jogo aconteça no estádio da Ponte Preta e a grande torcida seja do time da casa, por força de ser a mandante, com direito a 90% dos ingressos. Na tabela de classificação do Campeonato Paulista, ambos estão dentro do chamado G8, os que se classificarão para o octogonal da fase decisiva. E estão encostados. As campanhas são as seguintes: o Bugre está em 6º , com 26 pontos, resultado decorrente de 8 vitórias, 2 empates e 4 derrotas. Marcou 17 gols e sofreu 12, com saldo positivo de 5 gols. A Ponte está em 7º, com 24 pontos, decorrentes de 7 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. Marcou 27 gols e sofreu 23, com saldo positivo de 4 gols. Campanhas absolutamente equilibradas.  A rivalidade histórica contribui também para a imprevisão quanto ao resultado final, pois é um jogo sempre diferente, decidido por circunstâncias ou detalhes, salvo em algumas situações em que a superioridade de uma equipe aparece flagrante em relação à outra, o que não acontece hoje, absolutamente.

O DERBI CONSIDERADO MAIS IMPORTANTE

Se o derbi do Campeonato Paulista de 1.978, disputado no Estádio do Pacaembú em São Paulo, foi o único fora de Campinas, na história dos confrontos e, apesar disso, registrou o maior público  do clássico (38.948 espectadores), o derbi considerado o mais importante foi o de 1.981, disputado no dia 5 de agosto daquele ano,  no Majestoso. Isso porque esse derbi  valia, como valeu, o título de campeão do primeiro turno do campeonato Paulista de 81. Em jogo eletrizante e que foi transmitido pela televisão, inclusive para Campinas (eu vi o jogo pela TV e me lembro perfeitamente), a Ponte Preta venceu pelo placar de 3 a 2, foi campeã do Primeiro Turno (algo equivalente à Taça Guanabara do Campeonato Carioca),   e se classificou para disputar o título daquele ano com o São Paulo.  Foram cinco belíssimos gols marcados por Osvado, Odirley e Serginho, pela Ponte e Jorge Mendonça e Ângelo, pelo Guarani. Naquela época um time hipotético montado só com jogadores das duas equipes corresponderia tranquilamente à seleção brasileira. Na imagem n. 1, extraída do blog de João Carlos de Freitas (derbi j.p.g) acima o mistão quente com o goleiro Carlos, Oscar, Mauro, Serginho, Zé Carlos e Odirlei, Lúcio, Renato, Careca, Zenon e Tuta.


HOMENAGEM DO VERDÃO AO ILUSTRE PALMEIRENSE MORTO


Amanhã, os jogadores do Palmeiras entrarão em campo com as camisas estampando a foto do humorista Chico Anysio, ilustre palmeirense que faleceu no dia de ontem. A homenagem da coluna de hoje também vai para Chico e o Palmeiras. A foto n. 2. mostra Chico com a camisa de sua equipe de coração e foi emprestada do site ecfut.wordpress.com.

EXPECTATIVAS NO JOGO DE HOJE.

Muitos jogadores e os próprios técnicos serão atrações à parte no jogo de hoje. Oswaldo Alvarez, o Vadão, técnico do Bugre jamais perdeu o clássico, seja na condição de treinador do Guarani, seja na de treinador da Ponte Preta. Gilson Kleina, técnico da Ponte, também não perdeu, embora tenha disputado apenas 3 jogos.

Os centroavantes Roger, da Ponte e Bruno Mendes do Guarani, poderão se consagrar se marcarem gols ou fizerem, pelo menos, uma boa partida, com assistências eficientes, por exemplo. Olho neles!

O vencedor do derbi, se houver um, terá dado também um passo gigantesco para a classificação à etapa seguinte do campeonato.


Até amanhã  amigos e que tenhamos um bom jogo, digno da tradição desse clássico.