quinta-feira, 6 de março de 2014

O FUTEBOL PELO MUNDO, DEPOIS DO CARNAVAL

Amigos, boa noite:


Se a quarta-feira de cinzas não encerrou totalmente os festejos carnavalescos (vide Bacalhau do Batata em Recife e outros blocos que tradicionalmente se apresentam nesse dia), ela trouxe de volta, numa rodada diversificada e multiplicada mundo afora, o futebol, com os campeonatos regionais, pelo Brasil, e os amistosos internacionais, que precedem e testam as seleções para o  principal evento do ano: a Copa do Mundo de Futebol promovida pela FIFA, desta vez tendo como palco o vasto território do único país pentacampeão mundial. Em Johannesburgo, com homenagens a Mandela, a Seleção Brasileira não encontrou dificuldades para golear a seleção da África do Sul, pelo placar de 5 a 0. O destaque foram os três gols marcados por Neymar, que passara em branco nos últimos amistosos. Essa seleção da  África do Sul é uma das piores que eu vi jogar nas últimas décadas e deu todo espaço que a equipe de Felipão precisava para os rápidos e mortais contra-ataques puxados por Oscar e Cia. Marcou em linha, quase no meio de campo, deixando os zagueiros praticamente sem cobertura, ao contrário do esquema de Felipão, que como todos nós sabemos, privilegia a marcação e a defesa, para só então (e de preferência em contra-ataques), ir beliscar os gols e os resultados positivos. Além dos gols de Neymar, os outros dois foram assinalados exatamente por Oscar (um belo gol por cobertura abrindo o placar logo no começo do primeiro tempo) e outro,  do meio de campo, do estreante Fernandinho, um golaço,  àquela altura do segundo tempo, jogando como segundo volante, posição em que se acomodou melhor (o outro estreante foi Rafinha, que não brilhou). A Seleção Brasileira só volta a jogar agora em ocasião próxima de sua estréia no mundial, o que se dará no dia 12 de  junho contra a Croácia (que hoje empatou em 2 a 2 com a Suécia),  fazendo dois amistosos em casa: contra o Panamá, em Goiânia, e contra a Sérvia, em São Paulo, respectivamente nos dias 03 e 06 de  junho, aí já com todo o elenco definitivo. Scolari demonstra grande confiança e, sobretudo,  tranqüilidade, salientando hoje que o grupo ainda não está fechado: 95%, segundo ele. Mas garante que  há vaga para um ou dois nomes, sem contar que pode ter surpresas com contusões às vésperas da convocação ou com o surgimento de algum “fenômeno” de última hora. Certo que Felipão deu padrão e equilíbrio à seleção e também tranqüilidade, o que se obteve com os resultados importantes que vieram, especialmente com a conquista da Copa das Confederações, numa esperada final em que aplicou um 3 a 0 sobre a campeã do Mundo, ainda que se apregoe que os espanhóis estavam mais interessados em curtir as praias brasileiras e as noitadas. Acabaram também as especulações, aqui e acolá, e a  seleção brasileira é, sem dúvida, uma das favoritas para a conquista do torneio, especialmente e também por jogar em casa.  E não venha alguém mau agourento nos lembrar que há 64 anos, a festa também era nossa e veio a inesquecível “tragédia” do Maracanã.   Vá agorar a mãe, sô!


Até amanhã amigos;


P.S. (1) Assisti integralmente ao amistoso da Seleção Brasileira à tarde e, agora à noite, grande parte do jogo Linense e Corinthians pelo Campeonato Paulista da 1ª. Divisão. Duas conclusões: o Linense é uma das piores equipes que eu vi jogar neste campeonato e dificilmente escapará do rebaixamento, o que não elimina, absolutamente, o bom jogo realizado pelo Timão. O Corinthians está em franca recuperação, sem dúvida, para azar do São Paulo, seu rival no clássico de domingo que vem. Aplicou no adversário, em Lins, uma significativa goleada (4 a 0), e parece ter sepultado de vez a crise por que passou no torneio e que motivou (?!!!) recentemente,  a inadmissível invasão de torcedores em sua praça de esportes,  com ameaça de agressão a jogadores. Sem as principais estrelas dos anos passados (Paulinho, Paulo André, Chicão, dentre outros), algumas delas no banco (Emerson, Danilo) e só aparecendo no segundo tempo, quando o placar já estava construído, os garotos ( Jadson, Guilherme, Luciano, Uendel, Bruno Henrique), é que estão brilhando, jogando com vontade, competência e velocidade. O principal deles: Jadson, que veio do São Paulo em permuta com Pato e vem sendo o responsável maior  pelos gols e pelo bom momento vivido pela equipe.

P.S. (2) Os gols do Timão foram feitos por Jadson (2) e Luciano (2) e a equipe agora pensa até na improvável classificação para a segunda fase do campeonato;

P.S. (3) O São Paulo também goleou, pelo mesmo placar (4 a 0) o bom time do Audax, que, ao contrário do Linense, vem sendo uma grande surpresa, tendo em vista a campanha que vem fazendo na primeira vez em que, na sua história, disputa a primeira divisão do campeonato regional;


P.S. (4) O maior jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, também brilhou nessa noite de goleadas e amistosos pelo mundo.  Fez dois gols na goleada da Seleção de Portugal contra Camarões (5 a 1);

P.S. (5) A primeira imagem da coluna de hoje é do paranaense Fernandinho, nascido Fernando Luiz Rosa há  28 anos,  jogador do Manchester City. A última imagem é do meia-atacante Jadson, depois do primeiro gol assinalado contra o Oeste, pelo Campeonato Paulista da 1a. Divisão, jogando pelo Corinthians. Ambas as imagens foram emprestadas do site www.goal.com.







terça-feira, 4 de março de 2014

TAPETE VERMELHO - O OSCAR DE 2.014

Boa tarde amigos,


A premiação do Oscar-2014 coincidiu com o Carnaval e a Rede Globo de Televisão, detentora da exclusividade na transmissão das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, decidiu exibir  apenas agora à tarde, um compacto  que chamou de Tapete Vermelho, comandado pela belíssima, simpática, talentosa  e elegante Fernanda Lima (de quem confesso ser fã de carteirinha),  que recebeu convidados, dentre os quais, a recém-contratada  Mônica   Iozzi (ainda pouco à vontade ali  emperiquitada,  dando uns pitacos aqui e acolá, mas ainda muito contida e distante  da repórter  irreverente do CQC) e do ator Alexandre Borges,  um confessado cinéfilo, esbanjando a simpatia de sempre, com intervenções pertinentes e objetivas. Gostei. É  claro que no meio do que interessava (a qualidade e originalidade dos filmes indicados, desempenhos de atores novos e veteranos, comentários sobre direção, arte, produções, roteiros adaptados, novidades tecnológicas etc.), a emissora quis tornar a apresentação algo palatável para a maior parte do público da rede aberta de televisão, entremeando a exibição das premiações e de trechos dos filmes indicados, com comentários sobre a vida pessoal dos atores e diretores,  os trajes usados por eles, e as gafes como por exemplo mais uma queda da loiríssima Jennifer Lawrence.
O compacto se concentrou nos prêmios principais de melhor filme, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor filme de animação, mas mostrou a euforia de Brad Pitt com a escolha de Doze Anos de Escravidão como o melhor filme, longa que ele praticamente produziu, financiando, e os efusivos saltos do diretor inglês Steve Mc Queen com o anúncio do prêmio máximo. Dedico este prêmio a todos os que sofreram com a escravidão e que sofrem ainda hoje” foram palavras que disse ao público presente, depois de quase arrancar o microfone do apresentador. Não houve grandes surpresas na premiação, tendo em vista as especulações em torno das indicações. Mas é preciso destacar que os bons filmes “Trapaça” e especialmente “O Lobo de Wall Street” com várias indicações, não receberam nenhuma estatueta.  E a despeito de mais um grande desempenho de Leonardo Di Caprio ( O Lobo de Wall Street), não houve praticamente voz discordante da destinação dada ao prêmio de melhor ator para Matthew McConaughey e de melhor ator coadjuvante para Jared Leto, ambos pelas respectivas atuações em “Clube de Compras Dallas”, um drama baseado em história real e que traz no roteiro a descoberta de contaminação pelo vírus HIV, por um texano heterossexual e homofóbico, na década de 80, quando o medo, a ignorância da ciência e o preconceito em relação à AIDS ainda eram muito intensos. Matthew emagreceu 20 quilos e Leto 15, entre o início e a conclusão das gravações para viverem seus personagens.  Um esforço recompensado agora pela Academia  e que deverá também se reverter em milhões de dólares nas bilheterias de cinema de todo o mundo.
A simpatíssima negra Lupita Nyong’o, nascida no México e criada no Quênia venceu acirrada disputa com atrizes de peso (Julia Roberts - Álbum de Família; June Squibb - Nebraska; Sally Hawkins - Blue Jasmine e Jennifer Lawrence - Trapaça), pelo prêmio de melhor atriz coadjuvante pela sua marcante atuação em Doze Anos de Escravidão, e muita gente entendida da sétima arte garante que aqui nasce mais uma espetacular atriz para o futuro do cinema americano. Lupita de apenas 31 anos e seu premio foram muito comemorados por toda a equipe de Doze Anos e pelo seleto público presente. Outra  que desbancou consagradas atrizes  foi a australiana, Cate Blanchett, por sua intepretação em “Blue Jasmine” do veterano e consagrado diretor, Woody Allen, que há tempos pretendia ter a atriz num filme seu.  (As outras indicadas foram Amy Adams (Trapaça), Sandra Bullock (Gravidade), Judy Dench (Philomena) e Maryl Streep (Álbum de Família).  Não vi ainda nenhum dos filmes premiados. Hoje, se conseguir ingresso, vou ver o vencedor, Doze Anos de Escravidão.

Até amanhã amigos.


P.S. (1) Eis a relação completa dos vencedores: Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado: Doze Anos de Escravidão; Melhor Diretor: Alfonso Cuarón (Gravidade); Melhor Atriz: Cate Blanchett (Blue Jasmine); Melhor Ator: Matthew McConaughey (Clube de Compras Dallas); Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o (Doze Anos de Escravidão); Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto (Clube de Compras Dallas);  Melhor Roteiro Original: Ela; Melhor Figurino: O Grande Gatsby; Melhor Maquiagem e Penteado: Clube de Compras Dallas; Melhor Animação em Curta-Metragem: Mr. Hublot; Melhor Animação: Frozen- Uma Aventura Congelante; Efeitos Visuais: Gravidade; Melhor Curta-Metragem: Hellium; Melhor Documentário em Curta-Metragem: The Lady in Number 6: Music Saved My Life; Melhor Documentário: A Um Passo do Estrelato; Melhor Filme Estrangeiro: A Grande Beleza; Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora: Gravidade; Melhor Design de Produção: O Grande Gatsby; Melhor Canção Original: Let it Go – Frozen- Uma Aventura Congelante. 

P.S. (2) As imagens da coluna de hoje são, pela ordem: 1) De cena do filme vencedor do Oscar, 12 Anos de Escravidão; 2) Do ator Jared Leto, vencedor do Oscar de Melhor Ator coadjuvante, por sua atuação em Clube de Compras Dallas (www. justfred.com); 3) Da australiana Cate Blanchett, eleita a melhor atriz por sua participação em Blue Jasmine (www.theguardian.com); 4) Do irreconhecível ator Matthew McConaughey mais magro 20 quilos para interpretar o protagonista de Clube de Compras Dallas (www.philly.com); 5) A veterana Meryl Streep, indicada para a categoria de melhor atriz,  encarnando personagem no filme Álbum de Família (www.entretenimento.br.msn.com).

sábado, 1 de março de 2014

CHURRASCARIA ESTAÇÃO MOGIANA

Bom dia amigos,

Fotos e objetos que lembram a antiga Estrada de Ferro Mogiana, fazem parte da decoração  da casa, um prédio amplo e rústico, situado no Jardim Novo Botafogo, aqui em Campinas, Estado de São Paulo. O objetivo é  resgatar, do fundo da memória,  o passado, o tempo áureo dos trens,  transporte mais arejado, disciplinado e romântico, devassando, para os passageiros, nas viagens curtas ou longas, a paisagem bucólica da metrópole ainda provinciana,  receptiva ao povo que migrava do campo, trazendo na mala a esperança de dias melhores.   Ali está, simples, mas majestosa, a churrascaria Estação Mogiana (foto 1 da coluna de hoje emprestada de golegula.wordpress.com),  local que conheci no último domingo, por indicação de meu genro, e que toda a família adorou. O cardápio, variadíssimo, de aves, carnes, peixes e frutos do mar é um desafio para os proprietários, chefes e cozinheiros. Desconfio muito das amplitudes de cardápios e vou logo perguntando ao garçom qual é o “carro chefe” da casa, ou seja, aquele prato que aparece como especialidade, responsável pela boa-fama do estabelecimento e, sobretudo, pelo diferencial em relação a outros do gênero. A surpresa fica, amigos, pela constatação de que tudo ali parece bom. Tenho outra mania: além de especular os garçons, saio à cata de  conhecidos, que estão saindo ou entrando, ou já estão servidos nas mesas, para perguntar o que estão comendo e o que recomendam. Dou sorte: sempre encontro um ou alguns que já conhecem a casa e me dão dicas preciosas. Não foi diferente no domingo. O curioso é que também as indicações eram variadas: !o salmão é maravilhoso!; !não deixe de pedir o “Maria fumaça”, nome de  batismo de um filé na chapa, à moda japonesa (teppan), coberto com cebola, tomate e queijo!; !a fraldinha na mostarda é um belo e suave prato!; !a picanha é boa, especialmente acompanhada da indefectível salada de rúcula com cebola e cebolete! (as vezes também com tomate), que dizem foi uma invenção, nos anos 70,  aqui na terrinha, do Hirata, um japonês da Vila Industrial, pioneiro no casamento do delicioso paladar da rúcula  com carnes de cortes específicos, como a picanha. Fui na do garçom que me indicou e afiançou (eu, muito chato, sempre pergunto ao garçom se ele garante que o prato é realmente bom e que eu vou gostar) e pedi  o bife de “chorizo”, ao chamado "ponto menos".   Excelente, realmente. O pessoal elogiou também a fraldinha e o espeto misto. Os preços são honestos: média de R$50,00 por pessoa, tirando as bebidas (depende do tanto de cerveja, caipirinha ou refrigerante que você toma), um preço muito razoável pela qualidade de tudo, especialmente da carne, que vem com a marca Red Angus, segundo o proprietário. Não deixe de ir mesmo. Bom para um jantar a dois, ou para um almoço incrementado, com toda a família, no domingo. Para quem não viajou neste Carnaval, é uma boa pedida também.
Até amanhã amigos.












P.S (1) A churrascaria foi inaugurada no ano de 2.009.     Fica na rua Angelo Rossi, n. 12, Jardim Novo Botafogo. Campinas (SP).   O telefone é (019) 3212-1880. O horário de funcionamento é de 2a. a 6a., das 11,00 às 15,00 horas (almoço) e das      18,00 às 23,30 horas (jantar). Aos sábados funciona sem interrupção entre 11,00 e  meia-noite. Aos domingos das 11,00 às 17,00 horas. Não há jantar, no domingo.

P.S. (2) Destaques do cardápio: 1) PICANHA (acompanha arroz, farofa e vinagrete); 2) PINTADO NA BRASA (arroz à grega e molho tártaro); 3) FRALDINHA MOGIANA (fraldinha ao molho de mostarda); 4) MARIA FUMAÇA (filé na chapa, coberto com cebola, tomate e queijo); 5) ESPETO  MISTO (lombo, lingüiça, frango, filé mignon e cebola); 6) FEIJÃO TROPEIRO. BEBIDAS: Cerveja Original e Caipirinha de Maracujá.

P.S. (3)  O movimento do restaurante é bastante intenso durante todos os dias em que ele funciona, tanto no almoço, como no jantar. No entanto, aos domingos, no almoço, a procura é maior ainda. A indicação, para evitar espera mais longa, é chegar logo ao meio-dia. O problema é que todo mundo gosta de dormir até mais tarde no domingo e ao meio-dia o café da manhã ainda está fazendo efeito.

P.S. (4) O estabelecimento (foto n. 2 emprestada do site www.cafeartezanalle.com.br) fica defronte  a uma praça, onde geralmente os fregueses aguardam a chamada. A praça foi adaptada pelo proprietário da casa, para oferecer maior comodidade. Há bancos e árvores que protegem contra o sol intenso do horário, neste verão também tórrido. E os garçons servem ali mesmo, à vontade do freguês, bebidas e tira-gostos (batatinhas fritas, torresmo, polentinha etc.). Não dá para sentir a espera,  que às vezes chega a 45 minutos ou 1 hora.


P.S. (5) O bife de chorizo (imagem n. 3 emprestada do site www.paratyonline.com.  é um corte nobre argentino retirado do miolo do contra-filé. A carne é muito macia e tem sabor acentuado. Possui uma gordura lateral que mantém a umidade natural da carne.  Ao contrário da picanha, ela não tem fibra definida, é neutra, e,  portanto, você pode cortá-la de qualquer jeito, sem se preocupar com o lado certo da fibra.  Ainda ao contrário da picanha, o chorizo não deve ser temperado com sal grosso e sim com tempero comum (cerca de 35 g. por quilo).



P.S. (6) O Teppan ou Teppanyaki é um estilo de cozinha japonesa que usa uma chapa de ferro para cozinhar alimentos. A palavra teppanyaki é derivada de teppan (chapa de ferro) e yaki (grelhado, assado ou frito). No Japão, teppanyaki refere-se a pratos cozinhados com uma chapa de ferro, incluindo bife, camarão, okonomiyaki, yakisoba e monjayaki (www.wikipedia.com.br).  A imagem n. 4 da coluna de hoje é de um Teppan de Salmão e foi emprestada de www.clubedogordinho.com.br ).





quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A PRAGA DO USO DO "MESMO" COM FUNÇÃO PRONOMINAL. PRÁTICAS DE ELEVADOR.

Boa noite amigos,


Estou ficando cada dia mais intolerante para alguns erros recorrentes  que,  embora inadmissíveis na linha culta, muita gente graúda (no sentido mesmo de qualificada, supostamente letrada, como professores universitários, juízes, promotores, médicos etc.) teima em  não aprender. Uma delas é a má e indiscriminada utilização do termo “mesmo”, usados na função pronominal, o que além de proibido, é feio demais. Quantas vezes você já ouviu coisa do tipo “Se a  mercadoria chegar, coloque a mesma na prateleira”; “Procurei por João, mas a mãe me disse que o mesmo ainda não chegara”. Use, por favor, os pronomes, nesses casos, adequados: "Se a mercadoria chegar, coloque-a na prateleira"; "Procurei por João, mas a mãe me disse que ele ainda não chegara". Evidentemente melhor, não?  A praga do “mesmo (a)” já contagiou até o legislador, neste país de leis mal redigidas. E não é que agora temos que copiar o que diz literalmente (mal e porcamente, diria o meu avô), erros registrados na redação de leis. Isso mesmo. Explico:  A Lei  do Estado de São Paulo n. 9.502/97, que regula a utilização de elevadores em edifícios reza: “Artigo 1º - Os prédios comerciais, edifícios de apartamentos, escritórios e outros estabelecimentos congêneres, públicos ou particulares, dotados de elevadores, ficam obrigados a fixar junto às portas externas desses equipamentos plaquetas de advertência aos usuários, com os seguintes dizeres:”Aviso aos passageiros: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”. Artigo 2º - A não observância do disposto na presente lei ensejará a aplicação de multa aos infratores.”A praga, a partir da ameaça expressa do artigo 2º está espalhada por toda a cidade. Onde quer que exista um elevador você é obrigado a ler exatamente aquilo que o legislador preconizou ou seja,  o tal aviso que avisa que é preciso verificar se “o mesmo” encontra-se parado no andar em que você está. Imagine se em vez de estar ali "o mesmo elevador" fosse parar ali o elevador do lado, ou do prédio ao lado. Sacaram? Credo, Deus me livre. Não vi até agora ninguém descumprir a lei, isto é, alguém que se arriscasse a colocar o tal aviso com a redação correta: “Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado neste andar”. Um aluno meu perguntou outro dia: Professor, se a gente não escrever exatamente como sugere o artigo 1º pode ser multado? Minha resposta: Não sei, se o caso chegar a um juiz, em forma de pendenga, para julgamento, será preciso saber como pensa "o mesmo".

Até amanhã amigos.


P.S. (1) Observem outra preciosidade. O artigo 2º da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) está assim redigido: “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade”. Alguém conhece alguém que tenha 12 anos incompletos?   Não seria mais simples dizer:  “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa entre 0 e 12 anos de idade; adolescente aquela entre doze e dezoito anos”;

P.S. (2) “Mesmo” é termo que pode e deve ser usado em várias circunstâncias, de maneira correta. Assim: 1)  como advérbio denotando “ainda, de fato, justamente”: É aqui mesmo que pretendo passar minhas férias (no sentido de é justamente aqui); 2) como substantivo, cuja acepção semântica (sentido) se refere à “mesma coisa”: Digo o mesmo a você, o que disse a ela (a mesma coisa); 3) Em algumas expressões correspondentes a “dar na mesma, dar no mesmo, na mesma, as quais se equivalem a “no mesmo estado, na mesma situação: Aconselhá-lo ou não, dá no mesmo (a situação é a mesma); 4) Na qualidade de uma conjunção concessiva, fazendo referência à “ainda que”: Mesmo cansada, não deixa de estudar com o filho quando chega do serviço (ainda que cansada);  5) funcionando como pronome/adjetivo, referindo-se à ideia relativa a “idêntico”, “próprio”, “exato”: Elas mesmas chegaram à conclusão que estavam erradas (elas próprias).
As explicações e alguns exemplos acima  foram emprestados de Vânia Duarte, graduada em Letras – Equipe Brasil Escola;

P.S. (3) Por falar em elevador  há práticas de usuários completamente deseducadas ou sem lógica. Exemplo: o cidadão chega e aperta os dois botões: para subir e para descer. Claro que ele não vai fazer as duas coisas. Não, ao mesmo tempo. Então a gente pergunta: o senhor vai subir ou vai descer. E ele responde: vou subir. Então, porque apertou os dois botões? Claro que ele não responde. Mas da próxima vez ele vai fazer a mesma coisa, de novo, certo? Outra coisa: tem gente que chega a aperta o botão dezenas de  vezes. Adianta? Não, o elevador não vai chegar antes, nem será mais rápido, se você insistir em ficar apertando o botão, né? Aí, você já irritado olha para o lado e encontra a maldita plaquinha de advertência: Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo está parado no andar. Para terminar, o elevador finalmente abre a porta e o folgado do motoboy que acabou de  chegar, finge ignorar a existência de fila ou de gente esperando,  com o capacete em punho tromba com quem está saindo do elevador e passa na frente de todo mundo. É mole, gente?

P.S. (4)  Lembro-me perfeitamente. Quando era Juiz na Comarca de Angatuba, durante uma audiência estava ouvindo um policial rodoviário. Durante o depoimento ele usou tantas vezes o mesmo, que eu já não sabia a quem ou a que (a expressão usando equivocadamente pode se referir a coisas ou pessoas) ele aludia. Falava ora de uma pessoa abordada, ora de documentos, ora de objetos que o negócio ficou meio assim: “Excelência, quando o rapaz chegou indaguei do mesmo se ele possuía documentos do veículo. Aí o mesmo respondeu que sim e o mesmo me exibiu a carteira de habilitação e o certificado de propriedade do automóvel. Olhei os mesmos e constatei que a licença estava vencida, aí perguntei ao mesmo se ele tinha pago o IPVA. Ao lado tinha uma moça e a mesma ficou muito nervosa quando eu solicitei do mesmo os documentos e disse que iria fazer uma verificação no carro. De fato, examinei o mesmo e não encontrei nada de irregular a não  ser a licença vencida. Adverti o mesmo que ele cuidasse de licenciar o mesmo logo na segunda feira, fiquei com pena,  então devolvi os mesmos para o mesmo e notei que a  mesma ficou mais tranqüila. Assim, em seguida, seguiram viagem.”;

P.S. (5) A imagem da coluna de hoje foi emprestada do blog lixeiradanette.blogspot.com.












quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

TEMAS DE DIREITO CONTEMPORÂNEO - UMA HOMENAGEM AO PROFESSOR PAULO DE TARSO BARBOSA DUARTE

Boa noite amigos,


Qual seria a homenagem mais adequada para celebrar 45 anos de um magistério superior exercido com comprometimento, competência e, sobretudo, muito amor e dedicação para tantas gerações de Bacharéis? Bem, advogados, Promotores de Justiça, Magistrados, ex-alunos, alunos e Professores de Direito, especialmente admiradores e amigos do Professor Paulo de Tarso Barbosa Duarte, decidiram comemorar a importante marca com o que consideraram  mais próximo da personalidade do homenageado,  intelectual reconhecido por sua relevância nas letras jurídicas: um livro. Uma obra coletiva, com diversos artigos versando sobre variados temas de direito contemporâneo. A comissão organizadora formada por Thiago Rodovalho, Jamil Miguel, André Nicolau Heinemann Filho, Fabricio Peloia Del’Alamo e Alexandre Gindler de Oliveira, trabalhou em segredo por mais de um ano, fazendo convites àqueles que haveriam de produzir, em conjunto, a obra coletiva, cobrando os artigos, contatando editoras, até que o lançamento da obra aconteceu no dia 06 de dezembro de 2.013, no Auditório Cônego Haroldo Niero, situado no Campus Central (Páteo dos Leões), da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, que hoje abriga apenas o Curso de Direito da septuagenária instituição. Nada mais propício para o evento, uma vez que foi na aludida instituição, da qual o Dr. Paulo de Tarso foi Vice-reitor acadêmico e Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários e, claro, Professor  de Direito Civil por quase cinco décadas. Comunicado da homenagem poucos dias antes de sua realização, o docente, dizendo-se sensibilizado, agradeceu a lembrança e o empenho dos organizadores e de todos aqueles que, direta ou indiretamente, se uniram em torno da homenagem. Na ocasião do lançamento, falei, a pedido e em nome dos organizadores, explicando a intenção e o significado da homenagem, que se inseria também nos festejos dos 60 anos da Faculdade de Direito da PUC-CAMPINAS,  e um pouco do perfil do homem e profissional,  para o centenário público presente, dentre parentes, amigos, colegas de docência e ex-alunos. A solenidade foi encerrada com o agradecimento do homenageado, que passou, então a autografar os exemplares adquiridos, enquanto acontecia um bate-papo informal entre os presentes e um singelo, mas elegante, coquetel.  

Até amanhã amigos,

P.S. (1) Os artigos e respectivos autores, responsáveis pela obra coletiva são os seguintes: ALEXANDRE GINDLER DE OLIVEIRA (União Estável e Casamento – Atos Jurídicos Distintos com Efeitos Sucessórios Distintos); ARTUR MARQUES DA SILVA FILHO (Aspectos Práticos Relacionados à Aplicação das Cláusulas Gerais do Código Civil); CESAR AUGUSTO ALCKMIN JACOB (Considerações sobre a Prova na Reclamação Constitucional em Salvaguarda de Verbete Sumular Vinculante); FRANCISCO VICENTE ROSSI (Ética Profissional: Estado e Servidor Público, a Parceria Necessária); JAMIL MIGUEL (Expulsão de Condômino por Conduta Antissocial no Direito Brasileiro); JOÃO LOPES GUIMARÃES-JOSÉ FERNANDO FERREIRA BREGA (A Sistemática Constitucional dos Precatórios: Críticas e Idéias para um Novo Regime); JOSÉ ANTONIO MINATEL (Sistema Tributário e o Paradoxo da Tributação das Atividades Educacionais); LEONARDO GRECCO (Contratos Redesenhados para um Mercado Refinado); LUÍS ANTONIO JOHONSOM DI SALVO (Aspectos Relevantes Sobre os Crimes dos Arts. 168/A, e  337/A, do Código Penal); LUIZ ARLINDO FERIANI (Necessidade de Coincidência da Base de Cálculo para a Cobrança do ITBI e do IPTU); LUIZ RENATO VEDOVATO (Os Refugiados e o Direito – Obstáculos Trazidos pela Realidade); LYGIA B. DE O. YOSHIKAWA (A Proibição de Constituição de Sociedades entre Cônjuges (art. 977 do Código Civil) e as Sociedades Anônimas); MARCO ANTONIO RIBEIRO FEITOSA (A Greve no Direito Coletivo do Trabalho); MARCO AURÉLIO COSTA JÚNIOR (Software: De Quem é a Propriedade Intelectual?); MARCO DESTEFENNI (Aspectos Processuais da Ação de Improbidade Administrativa); RENAN SEVERO T.DA CUNHA (Entre o Direito e a Política: A Interpretação dos Princípios e o Caráter Prospectivo da Constituição); SILVIO BELTRAMELLI NETO (Teoria dos Modelos do Direito e a Metodologia da Aplicação dos Direitos Fundamentais); TATIANE MOREIRA LIMA (Adoção); THIAGO RODOVALHO (Contributo para o Estudo Sobre os Pressupostos do Ato Ilícito e da Responsabilidade Civil);


P.S. (2)  O Professor Paulo de Tarso Barbosa Duarte, paralelamente à docência e durante mais de 30 anos, integrou as fileiras do  Ministério Público do Estado de São Paulo. Recém-formado,  foi logo aprovado em concurso público e exerceu a função de Promotor Público (hoje Promotor de Justiça) e, posteriormente, de Procurador de Justiça, por promoção;

P.S. (3) O prefácio da obra ficou a cargo do queridíssimo amigo, eminente professor e grande intelectual, Dr. Renan Severo Teixeira da Cunha, um dos mais ilustres professores que passou pela Faculdade de Direito da Puc Campinas, em todos os tempos. Os seus ex-alunos, onde os encontro, manifestam admiração e respeito pelo docente, saudosos, outrossim, de suas inesquecíveis aulas de Introdução ao Estudo do Direito e Hermenêutica e Aplicação do Direito., disciplinas que lecionou com entusiasmo, sabedoria e dedicação. Acrescento que além desses predicados, o Professor Renan é uma dessas figuras dotadas de grande carisma e invejável caráter. Tenho por ele um imenso carinho e uma enorme gratidão pelo auxílio desinteressado que me prestou no período em que fui Diretor da Faculdade de Direito;

P.S. (4)   As imagens da coluna de hoje são do professor homenageado, durante a solenidade ocorrida no final do ano passado; do Doutor Paulo entre os organizadores da obra e, finalmente,  da capa do livro de estudos em sua homenagem.


CINEMA NACIONAL - VAI QUE DÁ CERTO. E DÁ!

Boa noite amigos,


Que as  comédias dominam completamente o mercado do cinema nacional da atualidade não é novidade. Mas isso já acontecia antes mesmo da chamada “Retomada” do cinema nacional, como já falamos nesta coluna, ainda recentemente. Porém, há comédias e comédias. Vi neste final de semana, um filme nacional que estreou no final de 2.012 e fez carreira no ano seguinte, tornando-se um grande sucesso de público e de arrecadação (mais de 2.700.000 espectadores).  O roteiro de Vai que Dá Certo foi pensado por seu roteirista e diretor, Maurício Farias (responsável pela A Grande Família entre 2.004 a 2.010) no ano de 1.994, quando ouviu a história de um motorista de táxi no Rio, preso alguns anos antes por assalto. O que o impressionou foi o fato de que se tratava de pessoa íntegra, que teria tentado o crime em razão de determinada circunstância de vida. O projeto, porém, só decolou no ano de 2.008 quando Farias resolveu apresentá-lo à produtora Sílvia Frahia, que topou levá-lo às telas dos cinemas. O orçamento disponível foi incrementado com a contribuição de R$1.000.000,00, concedida pela Secretaria de Cultura do município de Paulínia, Estado de São Paulo, que recentemente voltou a promover o seu Festival de Cinema e reativou a sua cidade cenográfica. Gravado em Paulínia e em Campinas, o longa de 87 minutos, é uma grata surpresa no gênero, com diálogos  inteligentes à La Porchat (dialoguista, um dos atores e co-roteirista), distante dos clichês tão batidos e de mau gosto, geralmente ligados a sexo. Os atores são os mais jovens e talentosos humoristas da nova geração, todos excelentes no desempenho de seus papéis. Algumas poucas críticas (a  maioria foi favorável), voltam a lamentar a predileção dos produtores pelas comédias e a considerar que o humor raso das atuais produções nacionais é próximo do televisivo. Com a co-produção da Globo Filmes, não vejo grande diferença entre os bons textos de humor veiculados sobretudo pela Rede Globo em determinadas temporadas, como por exemplo o ótimo, Como Aproveitar o Fim do Mundo,  e os roteiros e diálogos das comédias nacionais da atualidade. O que não tem funcionado é a tentativa forçada de levar alguns sucessos da televisão como a novela O Bem Amado, o seriado, A Grande Família- (que virou A Grande Família - O Filme),  ou determinados personagens que agradam na telinha, como o Crô (Marcelo Serrado), do folhetim,  para as telonas.
Achei todos esses filmes muito ruins, sensivelmente piores do que os originais. Mas aí é outra história. A comédia Vai que Dá Certo é uma boa e divertida comédia nacional. Das melhores que assisti ultimamente. Não é nada excepcional, nem imperdível. Mas, podendo, não deixe de ver e se divertir.

Até amanhã amigos.



P.S. (1) SINOPSE:  Afundado em dívidas e sem emprego, o jovem Rodrigo (Danton Mello) é convencido por um amigo, Danilo (Lúcio Mauro Filho), empregado de uma empresa de segurança, a planejar um assalto a um dos carros-cofres da transportadora. Para conseguir o desiderato convence outros três amigos, os irmãos Amaral (Fábio Porchat) e Vaguinho (o talentoso Gregório Duvivier) e Tonico (Felipe Adib), que também vivem maus momentos financeiros, a participar do plano, tudo com  “muita ética” e o pacto de que devolverão o dinheiro algum tempo depois, quando a situação financeira do grupo se estabilizar. O filme gira em torno da combinação desse plano e especialmente de sua execução, com os percalços que ela encerra, envolvendo, ainda, um outro amigo de infância do grupo, o político milionário Paulo (Bruno Mazzeo);

P.S. (2) Destaque positivo para a participação do veteraníssimo Lúcio Mauro (Seu Altamiro), avô de Danilo na trama, no papel de ex-praça de guerra. O ator, com mais de 80 anos de idade, é, sem dúvida, um dos mais queridos e talentosos artistas de sua geração, aplaudido pela nossa e, certamente, pelos nossos jovens sucessores.  

P.S. (3) O filme obteve nota 4,0 no prestigioso site AdoroCinema, numa avaliação de 0 a 5 e 3,9 entre os usuários. Grande cotação. Na imprensa ficou a meio caminho (2,5), o que não é nada desprezível considerando a sempre dura, e nem sempre justa, avaliação dos críticos;

P.S. (4) No começo e no final do filme, os cinco amigos aparecem prontos para uma pelada de futebol. Todos devidamente trajados, de camiseta, calções e chuteiras, como se vê da imagem da coluna de hoje, emprestada do blog ambrosia.virgula.uol.com.br. Felipe  (Adib),  veste a camisa da seleção brasileira, Rodrigo (Danton) do São Paulo, Vaguinho (Duduvier),da Portuguesa de Desportos. Amaral (Porchat)  veste a camisa do Corinthians, e, finalmente,  Danilo (Lúcio Mauro Filho), aparece trajando  uma camisa do nosso glorioso Guarani Futebol Clube de Campinas. Os bugrinos vibraram.






segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CAUSO - ELEIÇÕES MUNICIPAIS II

Boa noite amigos,

Já relatei nesta coluna o causo que chamei de "Eleições Municipais I". Agora há outro, o "Eleições Municipais II", assunto da coluna de hoje. Ambos estão publicados no meu livro CAUSAS & CAUSOS N. II, da Editora Millenium. Vai lá:


                                 

“Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia. Porém, uma meia mentira nunca será uma meia verdade” (Jean Cocteau)


- Doutor esse voto também é para anular?
- É, sem dúvida. A regra do TRE é clara, como diria o Arnaldo César Coelho. Escreveu palavrão, o voto é anulado.
 Eleição à moda antiga, nem se cogitava de urna eletrônica.
Voto manual, contagem manual.
Tudo artesanal, demorado.
Foram se sucedendo alguns votos para um mesmo suposto indivíduo chamado “Zé Buceta”.
Todos anulados por ordem do Meritíssimo Juiz, em estrita consonância com as normas então vigentes.
Mas o fato era intrigante.
Teriam os eleitores combinado a mesma sacanagem?
Em dado momento enquanto se procedia a demorada apuração aproxima-se do Magistrado o Pedro Miranda,  um antigo funcionário do Cartório Eleitoral:
- Doutor o Senhor José, Presidente da Câmara, pede para falar com o senhor por um momento.
- Pois não.
Aproxima-se o Senhor José de Arimatéia Correa, Vereador Presidente da Câmara Municipal.
Tratava-se de pessoa extremamente elegante tanto no trajar, como no andar, no comportamento geral, incluindo a polidez com que, cerimonioso, sempre se dirigia ao Juiz de Direito, que já o conhecia de solenidades e outros encontros em que se faziam presentes, por questão protocolar,  as autoridades locais.
Aparentando certo nervosismo, o que contrastava com o seu jeito ordinariamente calmo e estudado, ar glacial, começa a cantilena:
- Doutor, me desculpe a intromissão. O senhor sabe como as coisas acontecem em cidade pequena. Há muita fofoca, muito mexerico, muita maldade. Mas o povo não é mal, é apenas simplório, fácil de ser levado. De boa fé até.
O Juiz não estava entendendo muito bem onde pretendia chegar o tal Presidente da Câmara, com esse interminável prólogo.
Mas continuou ouvindo atentamente por respeito e consideração, pois a tinha – e muito – em relação ao interlocutor, até por justificável reciprocidade.
- O Senhor é um homem experiente, vivido, sabe muito bem até onde chegam as maledicências, ponderou.
O Magistrado continuou ouvindo atenciosamente.
- Alguém resolveu fazer uma brincadeira, de certa feita, há muito tempo, achando que eu, veja bem, eu, senhor juiz,  pessoa sempre delicada e respeitosa, me aproveitava das moças que por mim se apaixonavam. Devia ser algum despeitado, pois eu sempre fui educado, de cidade, estudado, o senhor sabe como é. Andava de terno e gravata e isso causa ciúme, principalmente nos moços do sítio que rivalizam, nos ignorantes.
A coisa, pensou o Juiz, vai longe. Mas para onde vai?
- Assim, eu quero dizer pro doutor que o tal desavergonhado até me deu apelido muito feio, coisa que não se diz, mas acho até que não foi por mal, não.
Pronto, o Juiz entendera tudo:
O ilustre Vereador, Advogado formado, Presidente da Câmara, pessoa afável e cerimoniosa, fino no trato era nada mais, nada menos, que o tal Zé Buceta.
Quis confirmação.
Para poupar o coitado do candidato que já tinha mudado de cor várias  vezes durante a arrojada intervenção,  salientou que já entendera a pretensão e pediu que o ilustre edil aguardasse por um instante.
Foi conferir com o Pedro Miranda, do Cartório Eleitoral:
- Pedro, venha cá um instante. Me diga uma coisa. O Zé Buceta é ele, apontando para o candidato que estava distante.
- Ah, é ele sim, sem dúvida nenhuma. É assim que o povo conhece ele doutor.
- E por quê, você sabe?
- Por causa da fama de comedor do bicho. Com essa conversinha mole dele, o senhor percebeu, dizem as más línguas que é o “come queto”. Vestiu saia o bicho não perdoa.
- É mesmo? Exclamou o Magistrado, achando aquilo engraçado e surrealista.
- É, sim senhor.
- Obrigado.
Discretamente o Magistrado dirigiu-se à mesa de apuração e,  ao pé do ouvido do Presidente, determinou:
- Seu João, por favor. Pegue de novo aqueles votos anulados dados ao tal do Zé da tal...  “Vagina” o senhor sabe,  e conte para o senhor Presidente da Câmara, por favor.
E o Seu João, por pura sacanagem,  com um riso miúdo no canto da boca:
- Vagina ou Buceta doutor?
- O senhor entendeu, não é?
- Acho que sim senhor, poupou. E obedeceu.
Ato contínuo, foi ter com o candidato dizendo que a decisão anterior estava reconsiderada e que  tudo estava resolvido a seu favor, pela aplicação de outra regra eleitoral, segundo a qual, O QUE VALE É A INTENÇÃO DO ELEITOR.
O político saiu dali envergonhado, mas profundamente aliviado.
Afinal, entre perder a eleição e o vexame de dizer pro Juiz que os tais votos eram dele ou para ele, escolhera a última hipótese.
E graças à profunda generosidade do Magistrado, foi o candidato poupado da última oração que teria que ser dita depois de todo o  trololó.
Algo assim, naquela voz grave, respeitosa e solene:
- Doutor, desculpe, mas o Zé Buceta sou eu. Pode perguntar pro pessoal do eleitoral.
Coisa de eleição acontecida  no interior."

Forte abraço e até a próxima.

 P.S. A imagem caricatural da coluna de hoje foi emprestada de essentialiconsultoria.wordpress.com.