domingo, 17 de janeiro de 2016

ALÉM DO TEMPO - NOVELA, VINHO E REENCARNAÇÃO

Boa tarde amigos,


As atrizes Ana Paula Nogueira e Irene Ravache, uma dupla
que viveu os personagens Emília e Vitória, nas duas fa-
ses da novela, com interpretações viscerais que comoveram
os espectadores. A imagem é emprestada de www.
purepeople.com.br
Não sou “noveleiro”, como se costuma dizer por aí. Mas também estou longe de nutrir qualquer preconceito pelo gênero, que tem sido a grande opção de entretenimento de considerável parcela do povo. Ou, então,  de sofrimento consentido (afinal, sobrevivendo neste país acho que temos algo de masoquismo no nosso DNA coletivo, ainda a ser revelado). E ao contrário das rádios-novelas,  em moda nos anos 40 e 50, que só alimentavam um "vale de lágrimas" e não se via a cara, nem a casa de ninguém, para copiar, os folhetins da TV, exercem na sociedade uma influência significativa, ditando,  não raro, costumes e modas, de linguagem a comportamentos. Bem, esse é um assunto que já foi muito debatido por nossos sociólogos, filósofos e que tais. O que me atrai nas novelas, especialmente as da TV Globo, de reconhecido bom  nível técnico, um dos produtos de exportação do país, é muito mais uma curiosidade estética do que propriamente de outra ordem. Mas não nego que, de vez em quando, alguns autores, grandes atores e roteiros originais me provocam para acompanhar a trama com a regularidade que minha vida profissional e pessoal me permitem. Foi assim com Além do Tempo (Globo, 18,30 horas), que terminou na última sexta-feira, felizmente sem aqueles alongamentos irritantes, mas costumeiros, quando o folhetim emplaca uma boa audiência para o horário,  o que efetivamente ocorreu com a trama de Elizabeth Jihn
Imagem emprestada de www.tvpravc.combr., dos persona-
gens Lívia e Felipe, vividos por Alline Moraes e Rafael Car-
doso, com vestes da primeira fase da novela, que se -
passou no século XIX.
Dividindo os capítulos em duas épocas distintas, a primeira passada no século XIX e a segunda nos anos contemporâneos, a escritora explorou como tema central o renascimento na visão da doutrina espírita, embora a emissora, por seus diretores e técnicos, afirme que não se objetivou qualquer espécie de proselitismo e que a doutrina da reencarnação  é sustentada por várias religiões e seitas diferentes, sob os mais diversificados fundamentos e aspectos. Na novela, porém, a questão da reencarnação é utilizada com muito equilíbrio e bom senso,  mais um artifício supostamente ficcional, ou um  mote para, a um só tempo: a)  propagar, com louvável ufanismo, valores como a bondade, a solidariedade, a  misericórdia,  o perdão, a igualdade livre de preconceitos de cor, raça e origem e, b) para recontar a história dos personagens, para as quais o renascimento cria nova oportunidade de resgate de má conduta de vidas passadas (caso da personagem Melissa, vivida pela ótima atriz Paola Oliveira), ou para viabilizar a sobrevivência de um romance convertido em casamento, ceifado anteriormente pelas armadilhas preparadas pelos maus espíritos (caso de Felipe e Lívia, interpretados, respectivamente, pelos atores Rafael Cardoso e Alline Moraes). Nesse ponto, a autora conseguiu garantir para si a simpatia do público pelo final da trama, ao contrário do que aconteceu com Alma Gêmea, novela que a Globo transmitiu no mesmo horário, entre 2.005/2006, de autoria de Walcyr Carrasco, que também explorou o tema do espiritismo, mas que termina com a morte dos protagonistas, Rafael (Eduardo Moscovis) e Serena (Priscila Fantin). Uma insatisfação que o público não quer experimentar.  Novela que se preze tem que acabar bem para  o mocinho e a mocinha viverem  o esperado “Felizes para Sempre”, com todo o vigor e a dignidade que o sofrimento a eles imposto, durante os longos dias em que correram os capítulos, exige, como recompensa.  Outro ponto positivo para o merecido sucesso de Além do Tempo, foi a escolha do elenco. As atrizes Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira, que nos dois tempos viveram os personagens Vitória Ventura e Emília Navona Beraldini (no primeiro como sogra e  nora e, no segundo, como  mãe e filha), seguraram a dramaticidade da obra, incomum para o horário das seis e meia. Destaque também para o versátil Luis Melo, com a sua categoria de sempre, no papel do criativo e extrovertido, Massimo Vicenzo e para um ator jovem, Emílio Dantas,  que interpretou o invejoso Pedro, resoluto na sua maldade, da qual não se redimiu nem mesmo na chance de reencarnação que a autora lhe deu. Por fim, caiu muito bem a presença do personagem apenas citado como Mestre dos Anjos,  vivido pelo magnífico Othon Bastos, um ator que admiro desde sua fantástica interpretação do bandido Corisco, no antológico filme nacional do Cinema Novo, Deus e o Diabo na Terra do Sol (1.964),  do saudoso Glauber Rocha. 


Imagem emprestada de www. yotube. com, da belíssima  

PAOLA OLIVEIRA, que viveu a maldosa personagem

Melissa, que se converteu no último capítulo, sal--

vando a vida de seu ex-marido Felipe e de sua anta-

gonista, Lívia.
As suas raras aparições sempre foram oportunas, para explicar os limites da intervenção metafísica no mundo real, segundo preconiza a doutrina kardecista, ora dialogando com um de seus discípulos, o Ariel (Michel Melamed), para lamentar os desencontros, ou exigir dele que não interferisse no “livre arbítrio” dos personagens, ora para encorajar almas que pretendiam a regeneração, a buscá-las com ânimo e afinco, como no caso do personagem Bento Ventura, vivido pelo ator Luiz Carlos Vasconcelos. E finalmente, entre vinhas, vinhos e espiritismo, gostei mesmo do nome dado ao vinho produzido pela vinícola de Felipe e sua sócia de último capítulo, Lívia. O “Além do Tempo” é realmente um bom nome para vinho. Principalmente, porque como dizem, quanto mais velho for o vinho, tanto melhor. Imagine, então, se for de outra encarnação!

Até amanhã amigos,

P.S. (1) A novela Além do Tempo é a quarta escrita pela autora, Elisabeth Jihn, versando sobre tema da espiritualidade. As três antecessoras foram, Amor Eterno Amor (2.012); Escrito nas Estrelas (2.010) e Eterna Magia (2.007);

P.S. (2) A mensagem  transmitida pela voz do  médium mineiro, Chico Xavier, encerrando o último capítulo da novela, foi uma das surpresas reservadas ao público e que reafirma que a doutrina explorada na trama se fundamenta no espiritismo de natureza kardecista. Uma grande lição de humanismo,  independentemente de dogmas ou predileções por doutrinas e religiões.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

BUGRINHO NA COPINHA, O GOL DE WENDELL LIRA E O RETORNO DE LUGANO

Boa noite amigos,

O jovem meia, João Victor do Guarani F.C.de Campinas (imagem
emprestada de blogcomgravata.com.br),  já incorporado pelo -
técnico Pintado à equipe principal que ira disputar o cam-
peonato Paulista da Série A-2.
01: O Guarani começou o ano de 2.016 com uma participação interessante na Copinha, apelido carinhoso da Copa São Paulo de Futebol Juniores, a maior e mais tradicional competição da modalidade e que, ao longo de sua existência tem revelado grandes jogadores. Nos últimos dois anos, seguindo a sina que acompanha a equipe titular, o Bugrinho, que foi campeão do torneio em 1.994,  não passou da 1ª. fase. Agora, porém, com uma equipe bem treinada por Renato Morungaba, o meia direita, Renato Pé Murcho, campeão brasileiro de 1.978 ao lado de craques como Zenon e Zé Carlos,  avançou até a 3ª. fase e só deixou a competição na terça-feira, quando foi eliminada na fase de “mata-mata” pelo Corinthians, atual campeão do torneio, pelo apertado e honroso placar de 2 a 1. Apesar da eliminação, pelo menos três jogadores chamaram a atenção pelo bom desempenho físico, técnico e tático: Mineiro, Chiclete e João Vitor, este último autor de um golaço contra o Timão, prometem uma grande carreira, se devidamente lapidados e tiverem juízo e sorte, um binômio que é indispensável ao sucesso de qualquer atleta e, porque não dizer, de qualquer ser humano. Olho neles, portanto,  e que, desta vez, os dirigentes do alviverde campineiro, não revelem incompetência e insensibilidade para permitir ou criar condições legais que permitam a perda dessas promessas para outras equipes, sem qualquer contraprestação que compense o investimento neles.

O atacante Wendell Lira preparando o lance do gol mais
bonito do ano de 2.015 pela FIFA (imagem empres-
tada de www.agenciadenoticas.uniceub.br).
02: Com a preterição de Neymar, que ficou em último lugar entre os três craques indicados à laurea de melhor jogador do mundo em 2.015, restou ao Brasil comemorar o prêmio  recebido pelo jogador Wendell Lira, até certo ponto inesperado, como o autor do gol mais bonito do ano, uma meia bicicleta que redundou no belo gol da equipe do Goianésia numa partida contra o Atlético Goianiense, pelo campeonato goiano do ano passado. O atleta entra assim para a história e a antologia do futebol mundial, coisa que ninguém mais poderá retirar dele. No entanto, apesar disso, num mundo de celebridades fabricadas e descartáveis, o feito isolado não será sinônimo de sucesso. Ao contrário, o atleta de 27 anos e um histórico de graves e repetidas lesões,   não tem sequer garantido  um emprego considerável em alguma grande equipe do futebol brasileiro ou estrangeiro. Contratado atualmente pelo Vila Novas, de Goiás, seu futuro na carreira é incerto e não será surpresa se for obrigado a encerrá-la, para buscar outra ocupação visando o sustento próprio e da família.


O zagueiro Diego Lugano, várias vezes  cam-
peão pelo São Paulo F.C., clube para o  qual
retorna neste ano de 2.016, com uniforme
da Seleção Uruguaia de Futebol (imagem em
prestada de globoesporte.globo.com.).
03: A contratação do zagueiro Lugano pelo São Paulo foi a notícia que mais ecoou entre os torcedores do tricolor e a imprensa em geral. O próprio jogador se surpreendeu com a recepção calorosa que recebeu ainda no Aeroporto de Guarulhos, invadido por mais de 1.000 torcedores, que gritavam o seu nome, muitos uniformizados ou vestindo camisetas confeccionadas com o nome do atleta. Não sei das condições físicas e técnicas atuais do zagueiro de 35 anos,   mas a sua carreira como futebolista, especialmente no São Paulo, é marcantemente vitoriosa, a justificar a euforia com o seu retorno. Particularmente sempre gostei do jogador. E um zagueiro inteligente, que sabe sair jogando,  é raçudo, além de exercer considerável liderança sobre os companheiros de equipe. Uma virtude que será fundamental para o novo tricolor na primeira temporada sem Rogerio Ceni que, a final, se aposentou.


Até amanhã amigos,





domingo, 10 de janeiro de 2016

THE VOICE KIDS - GLOBO E BONINHO ACERTAM A MÃO.

Boa noite amigos,

Um roteiro que busca unir música e verdade, música e talento jovem, música e competição, criança em concorrência com outras crianças ou adolescentes, é um expediente que, embora já muito utilizado em formatos de programas de televisão de todo o mundo, nem sempre consegue satisfazer as expectativas dos espectadores leigos, de críticos e de profissionais que interagem no complexo e delicado processo de educação infantil, todos sensíveis ao cuidado que a exposição dos "baixinhos" na mídia, reclama. Quando se trata de estabelecer uma concorrência entre crianças e adolescentes, em idade entre 9 e 15 anos,  na qual se  tem necessariamente que escolher, criticar,  premiando uns e eliminando outros participantes, é indispensável muita delicadeza e cuidado dos críticos aos quais se atribui a difícil tarefa de trabalhar com as possibilidades, entusiasmos e inevitáveis frustrações de seres humanos ainda em formação da personalidade. 
Pois bem, A TV Globo e o diretor, Boninho, do The Voice Kids, que vai ao ar todos os domingos desde o começo do ano, no horário das 14,00 horas, ainda em fase inicial das chamadas eliminatórias cegas,  tem agradado em cheio, a começar pela escolha dos jurados e do apresentador. Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e a dupla Victor e Leo, conseguem se harmonizar e se equivaler positivamente, de forma absolutamente competente,  na tarefa de recepcionar os candidatos, fazer as críticas que entendem adequadas e pertinentes, em linguagem sempre positiva para classificados e eliminados, tudo com muita alegria e carinho, tarefa que é facilitada pelo fato de que todos os candidatos apresentam grande potencial, o que evidencia o rigor da pré-seleção, outro aspecto a merecer destaque positivo para a direção e a produção do programa. 

A esses ingredientes some-se o carisma do apresentador Thiago Leifert,  um “menino” de 35 anos, que fez uma das carreiras mais brilhantes no jornalismo, na área de esportes, onde começou transmitindo jogos de várzea (lembram-se do Desafio ao Galo?), aos 16 anos, para gradativamente ir conquistando espaços, primeiro numa emissora do interior afiliada da Globo,  depois no próprio Projac, onde assumiu como diretor-responsável pelo Globo Esporte, dando ao programa uma outra dinâmica. 

A maneira leve e humanizada com que desenvolveu seu trabalho, ganhou repercussão positiva e melhorou índices de audiência, atraindo a atenção dos diretores dos vários núcleos da emissora dos Marinhos.  Pois Thiago, no papel de apresentador do The Voice nas suas quatro edições, e, agora, do The Voice Kids, além de cobrar e disciplinar os chamados “técnicos”, para segurar o tempo sempre escasso na televisão, em horários nobres, o que faz com muito humor, respeito e elegância, interage com os candidatos e seus pais, torcendo pela “virada das cadeiras”, indicativo de que o candidato está agradando e está classificado para a fase seguinte. Nesse instante quem está lá na tela é o Thiago mesmo, sem verniz ou maquiagem., chorando,rindo, abraçando, incentivando.

Quem teve oportunidade de vê-lo em alguns momentos de pura emoção, destacadamente quando se despediu de toda a sua equipe do Globo Esporte, ainda no ano de 2.015, para assumir responsabilidades na área de entretenimento da emissora, tem certeza que todos esses gestos de emoção são espontâneos  mesmo e partem do cérebro e do coração desse menino,  que conquistou e conquista a cada dia a simpatia de todos nós. O The Voice Kids é uma das boas surpresas na grade da telinha no início deste ano. Que o seu exemplo possa orientar outras apostas da emissora e de outras emissoras, em mais musicais de qualidade.


Até amanhã amigos.

P.S. (1) A primeira imagem da coluna é do jornalista e apresentador, Thiago Leifert, emprestada de cnews.com.br; A segunda é da cantora, compositora e empresária, Ivete Sangalo (musica.com.br);   A quarta e quinta imagens são, respectivamente, da dupla Victor e Leo e do cantor, compositor, arranjador e agitador musical, o versátil, Carlinhos Brown, emprestadas, ainda respectivamente, de www.Kboing.com.br e redeglobo.globo.com.;

P.S. (2) A terceira imagem é da candidata Kaliny Rodrigues, de Mato Grosso, que foi classificada e entrou para a turma de Brown, interpretando a música Mira Ira (imagem emprestada de www.olhardireto.com.br).





domingo, 3 de janeiro de 2016

MEMÓRIAS DA FACULDADE - A REVISTA "ARTIGO PRIMEIRO"

Boa noite amigos,

Meu afetuoso abraço, agradecendo a companhia de sempre e desejando que nesse ano de 2.016 todas as energias do universo sejam canalizadas para o bem estar, a saúde e a evolução de cada um  de nós. O ano de 2.015, tão difícil, já virou saudade. E por falar em saudade, a primeira postagem do ano é um tributo à memória de um  passado que nos é caro, pela história de que fizemos parte e que sempre nos traz boas recordações e lições para o futuro. Bem, recentemente, por causa da mudança da Faculdade de Direito para o Campus I da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, nosso amigo e funcionário da Secretaria,Toninho, localizou no arquivo morto algumas edições de uma revista, que teria sido editada e circulado por volta de 1.977, entre alunos e professores. Sabedor de meu interesse pela memória da instituição, entregou-me  esse material para consulta e eventual aproveitamento de tudo quanto o conteúdo pudesse indicar ou revelar de interesse para estudo da história da cultura acadêmica e da sociedade campineira daquela época. Essa revista, denominada ARTIGO PRIMEIRO, deve ter circulado durante muito pouco tempo, provavelmente apenas no ano de 1.977. Os exemplares que tenho em mãos, são todos do referido ano (n. 4, de março; n. 6, de maio; n. 7, de junho;  n. 8, de agosto;  e n. 10, de outubro de 1.977).  Não tenho memória da edição e circulação dessa revista, conquanto no referido ano eu já lecionasse na Faculdade, como assistente voluntário na disciplina Direito Civil, cujo titular era o Dr. José Augusto MarinA revista, editada por alunos,  pode ter sido vinculada ao Centro Acadêmico (naquela época Diretório Acadêmico), mas também pode ter sido produzida por alunos independentes, o que é bastante viável, diante da ausência de referência ao Diretório. Vou registrar nessa primeira postagem a respeito dela, a Comissão Editorial (da edição mais antiga de março de 77, pois houve variação nas seguintes) e os anunciantes que patrocinaram a sua edição e  distribuição registrada como gratuita. Vamos lá: ARTIGO PRIMEIRO. COORDENADOR: MAVIAEL AUGUSTO DA SILVA. DIRETOR DE REDAÇÃO: BRAULIO FELÍCIO; DIRETOR COMERCIAL: ROBERTO ROCHA. REPORTAGENS: PEDRO FORTE JUNIOR. EQUIPE DE REDAÇÃO: AZAEL DUARTE MARTINS, ANTONIO M. MARIALVA, FLÁVIO M. PINTO, MARIA APARECIDA LUCARELLI, PAULO M. DA COSTA COELHO, RENATA AP. ZANCAN, SANDRA CATARINA PLAZA. Anunciantes: Roupas Esportivas e Presentes EZEQUIEL  (Rua 13 de Maio, 743) e EZEQUIEL II (Rua General Osório, 955); LOJAS ESPORTES CARIOCA (Rua General Osório, 1.243), O  CACHORRÃO -  HOT DOG (Rua Marechal Deodoro, 855, Esquina José Paulino); CASA DO ENGENHEIRO (Rua Francisco Glicério, n. 962). Um dos professores convidados a publicar na revista foi o nosso saudoso Dr. Milton Duarte Segurado, que lecionava Introdução à Ciência do Direito (disciplina que hoje se denomina Introdução ao Estudo do Direito). Dotado de vasta cultura geral, o Dr. Milton falava e escrevia com propriedade sobre qualquer assunto ligado ao Direito, às Letras e às Artes. Na edição dessa revista, publicou um curioso artigo em que aponta os erros do processo judicial contra Jesus Cristo, analisando a legislação então reinante em Roma e no Direito Hebraico. Numa próxima postagem, prometo um resumo dos argumentos jurídicos apontados para indicar o erro judiciário referido.

Até amanhã amigos,

E. T: A capa desse número da revista, cuja imagem digitalizada ilustra esta postagem é atribuída a DÉLICO MONTAGNINI, do Dung Hill Studio 47, Clanricard Gardens, Notting Hill, London W2, England. E há registro de que foi feita exclusivamente para a revista “Artigo Primeiro”. Chique não?





terça-feira, 29 de dezembro de 2015

COMÉDIA FRANCESA - SUPERCONDRÍACO

Boa noite amigos,


Apesar de raros atualmente no circuito comercial, os filmes franceses são sempre muito bem vindos,  pela boa qualidade que em geral apresentam. Vi, por recomendação,  o longa de 107 minutos, Supercondríaco (do original, Supercondriaque), uma co-produção franco-belga, de 2.014, roteiro, direção e interpretação de Dany Boon. Trata-se de uma comédia que provoca riso do começo ao fim, sem qualquer apelo para o escatológico ou aos clichês de sexo. Centrado nos exageros do protagonista, conta a história de   Romain Faubert, interpretado pelo ótimo Dany Boon, um solteirão de quase 40 anos que trabalha como fotógrafo de dicionário médico virtual, mas é um hipocondríaco em surto, que cria situações hilariantes e dificuldades para si e para  seu amigo, o médico, Dr. Dimitri (Kad Merad). Dimitri decide ajudá-lo a se livrar do mal, o que acredita seja possível se Romain se apaixonar de verdade. Convencido pelo doutor, Romain promove uma série de tentativas de encontrar, pela Internet,  a mulher ideal pela qual possa se interessar e eventualmente se curar. Depois de várias tentativas frustradas acaba se envolvendo, sem saber ou querer, com a irmã do médico-amigo, Alice Pol (Anna Zvenka), que o confunde com o lendário Anton Miroslav (Jean-Yves-Berteloot), líder da revolução do Tcherkistan, um país vizinho ficcional do Leste Europeu, governado por uma ditadura militar. Ao bom roteiro original, soma-se a bela interpretação de Dany, que é um comediante nato e competente, como já provara na direção e interpretação do longa anterior, A Riviera Não é Aqui, um sucesso de 2.008. Não faltam, também, as sutilezas da sátira francesa, presentes em boa dose. Enfim, um bom filme, uma boa comédia, sem pretensão de fazer carreira antológica.

Até amanhã amigos.


P.S. (1) A imagem da coluna de hoje é de um dos cartazes de propaganda do longa e foi emprestada de filmspot.pt.

domingo, 27 de dezembro de 2015

O IRMÃO ALEMÃO - CHICO BUARQUE

Bom dia amigos,

Terminei, nesta madrugada, a leitura do recente livro do poeta, escritor, cantor, compositor, dramaturgo e um dos maiores intelectuais brasileiros, Francisco Buarque de Holanda, que já foi o jovem Chico, autor da popular A BANDA, vencedora de um dos festivais de música popular brasileira, nos idos de 60, quando surgiu,  e que,  agora, mais de cinquenta anos depois, é o velho Chico, epíteto que disputa com o milenar Rio São Francisco. O Irmão Alemão (Cia. das Letras, 2.014), dizem os críticos[1], é o seu melhor romance. A inspiração para a obra não poderia ser mais instigante. Nasceu de um fato real, relevante e ignorado pelo poeta até o dia em que, ocasionalmente, num encontro informal de que também  participavam Tom Jobim e Vinícius, na casa do saudoso Manuel Bandeira, descobre que tinha um irmão concebido e nascido em Berlim, na década de 30, fruto do relacionamento de seu pai, o então diplomata brasileiro, Sérgio Buarque de Hollanda, com Anne Margrit Ernst. Esse irmão germano unilateral[2], cuja existência, omitida por seus pais, se traduzia em um assunto delicado, um verdadeiro tabu,  no qual não se tocava na família, desperta no poeta o interesse por saber notícias acerca da vida e do destino do mano mais velho, busca que teria levado finalmente o escritor, com a contribuição da filha Sílvia Buarque, a encontrar, em Berlim, no ano 2.013,  Kerstin Prügel, Josepha Prügel e Monika Knebel, respectivamente,  filha, neta e  ex-mulher de seu  irmão alemão,  Sérgio, falecido no ano de 1.981. O grande desafio para o escritor, conforme adverte nota de orelha do livro[3] foi mesclar o fato real com o ingrediente indispensável a todo romance  que se preze como tal,  ou seja, com a ficção, num mix que o autor manipula com extrema habilidade. Aí está talvez o maior mérito da obra: manter o leitor atento a cada detalhe, a cada descrição de ambiente ou de personagem, a cada fato histórico ou ficcional a que se refere o autor, nessa busca pelo irmão alemão,  cujo elo nunca foi estabelecido nesta vida. Muitas são as indagações subliminares dos leitores: As referências ao pai e à mãe são efetivamente reais? Em que medida a descrição do temperamento, do comportamento, das sensações  e do relacionamento entre o casal, e deles com os filhos é verdadeira? Existe um terceiro irmão, vagabundo e conquistador, dileto do pai, de quem o autor teria relativa inveja e  que desaparecera na época da ditadura, sem deixar vestígio, para desconsolo eterno da mãe extremosa e tolerante? E no tocante às namoradas, às conquistas, às buscas efetivas às quais o romance se refere, o que têm de real e o que há de fictício? Teria o autor descrito pessoas reais e alterado apenas os nomes, as referências?  Bem, se o mote para a obra foi efetivamente inspirador, o autor, no seu desiderato,  consegue atrair o leitor durante todo o tempo, para  um possível desfecho,  pela habilidade com que vai construindo o  roteiro cronológico dessa busca,  sem descurar do cotidiano do protagonista, de suas dúvidas, anseios, frustrações, relacionamentos com familiares, amigos e estranhos, com a profundidade de um bom romance psicológico, inclusive. De sobra um rápido, mas interessante, panorama de São Paulo e da Berlim dos anos 30 e dessas mesmas metrópoles, com suas arquiteturas e culturas, nesta época da chamada pós-modernidade. O respeitado autor, internacionalmente consagrado pela sua vasta e variada obra artística, cultural e estética, com o romance escrito na sua adiantada maturidade cronológica e intelectual, pretendeu explicitamente homenagear, a um só tempo e postumamente, o pai e o irmão alemão, ambos de prenome Sérgio,  como registra na lacônica, mas induvidosa dedicatória: Para Sérgios. O resultado é uma bela homenagem.


Até amanhã amigos.

P.S. (1) O romance psicológico é um gênero literário centrado mais no ânimo dos personagens, nos motivos íntimos de suas escolhas, no campo de afetos e memórias do inconsciente para o consciente e  menos nos condicionantes exteriores do meio ambiente social e cultural. A primeira obra representativa do chamado Romance Psicológico é “Les Liaisons Dangereuses” (As Relações Perigosas) do general francês Choderlos Laclos de 1.782. Porém, só no final do século XIX,  o gênero foi efetivamente reconhecido como tal, a partir da tradução do russo para outras línguas,  das obras de Dostoiévski, especialmente Crime e Castigo, de 1.866, que apresenta um personagem atormentado por sua memória após cometer um assassinato. São obras representativas do gênero no Brasil, Dom Casmurro, de Machado de Assis;  Laços de Família e Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector, e, São Bernardo, de Graciliano Ramos;

P.S. (2) A primeira imagem da coluna de hoje é de Chico Buarque recente, aos setenta anos, com o seu último romance, O Irmão Alemão e foi emprestada de louge.obviousmag.org. A segunda é de Chico jovem, ainda nos primeiros anos de sua carreira (imagem emprestada de musicariabrasil.blogspot.com).




[1] Publicou as peças de teatro RODA VIVA (1.968); CALABAR, em parceria com RUY GUERRA (1.973); GOTA D’ÁGUA, com PAULO PONTES (1.975), e ÓPERA DO MALANDRO (1.979). Autor da novela, FAZENDA MODELO (1.974) e dos romances, ESTORVO (1.991); BENJAMIN (1.995), BUDAPESTE (2.003) E LEITE DERRAMADO (2.009).
[2] A pág. 36, o autor brinca com as palavras,  lembrando que irmãos germanos, na língua portuguesa são os filhos do mesmo pai e da mesma mãe, uns com relação aos outros, portanto, sempre bilaterais. No caso acima o “germano”, obviamente,  significa "alemão", sentido que também e mais usualmente, inclusive, tem o verbete na língua portuguesa culta (cf. AURÉLIO BUARQUE DE HOLLANDA. NOVO DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA).
[3] “O que o leitor tem em mãos, no entanto, não é um relato histórico. Realidade e ficção estão aqui entranhadas numa narrativa que embaralha sem cessar memória biográfica e invenção. O romance se constrói na tensão permanente entre o que foi, o que poderia ter sido e a pura fantasia.”

domingo, 20 de dezembro de 2015

CERVEJA PARA CERVEJEIROS - UM GRANDE PRESENTE DE NATAL

Boa tarde amigos,
imagem emprestada de
www.aekojr.  Teor
alcoólico de 5,4%


Em tempos de vacas magras, com um final de ano desgastante por causa da grave crise econômica e política, é preciso imaginação para presentear neste natal, amigos visíveis ou invisíveis  (secretos) e parentes, sem gastos exagerados e incompatíveis com a situação geral e a particular de cada um. Há muito tempo já se sabe que não é necessariamente o preço do presente que vai agradar ou desagradar. Jóias e bijuterias, brinquedos, roupas e bebidas caros nem sempre atendem à expectativa do destinatário, mas ao contrário, muitas vezes revelam que o amigo não conhece, nem presta atenção na pessoa que visa presentear, provocando um efeito contrário decepcionante. É mais ou menos servir “peixe” no almoço em que o convidado, amigo de longa data, proclamou, em diversas oportunidades, nos últimos 30 anos de suposta amizade, que não come peixe, nem frutos do mar, “de jeito nenhum”,  desde que, num episódio assustador de infância, comeu camarão e sofreu um choque anafilático grave. Bem, imaginação e atenção redobradas à parte, acho interessante sugerir neste final de ano brindar os amigos “cervejeiros” (preste bem atenção, cervejeiros), com cervejas  (meia dúzia delas com marca única ou variada, desde que de boa qualidade,  farão um grande sucesso, com certeza).  Foi-se o tempo em que a cerveja era considerada uma bebida menor, de mau gosto, sem charme ou elegância, nem nobreza necessária para acompanhar banquetes e festas. A popular cachaça também já teve seus dias de infâmia esquecidos, na medida em que se provou ser  possível convertê-la numa bebida sofisticada, cuja fabricação, preparo e envelhecimento passaram a merecer a atenção de empresários do ramo, que hoje exportam a bebida para o mundo inteiro,  por preços similares aos do whisky.

Imagem emprestada de www.drinknanet.com.br
Teor alcoólico de 4,65%.
Observei que muitos estabelecimentos, como incentivo à compra do produto, estão promovendo verdadeiras liquidações, com até 50 a 70% de desconto, relativamente aos preços normais pelos quais o produto é comercializado. Aqui no Cambuí, em Campinas, a unidade do Pão de Açúcar, promete grandes descontos em vinhos e cervejas na próxima 3ª. feira, dia 22 de dezembro, segundo me advertiu o funcionário William.  O clube de compras Sam’s Club também está com preços abaixo da tabela e tem a vantagem de oferecer um grande número de opções entre cervejas nacionais e importadas. Abaixo uma pequena lista de cervejas dentre as muitas que aprecio e considero de boa qualidade, como sugestão aos amigos. Há infinitas outras, no entanto, para todos os gostos e bolsos. Experimente a baixinha belga, Vedett, feita, além dos ingredientes tradicionais, com adição de coentro e casca de laranja seca e refermentada na própria garrafa, por semanas. É suave e ultrarrefrescante para o verão brasileiro.  Finíssima.


Grande abraço e até a próxima.


1)    kirin ichiban –  a mais popular cerveja do Japão é fabricada pela japonesa Kirin que recentemente adquiriu o controle acionário da Schincariol e se tornou a segunda maior cervejaria do Brasil, atrás apenas da Ambev. A empresa se orgulha de realizar o processo de fabricação da cerveja  com uma única passagem pelo filtro-prensa (first press), o que lhe garante a utilização apenas da parte mais nobre dos ingredientes. No Concurso Brasileiro de Cervejas 2.015, foi premiada com a Medalha de Bronze. A cerveja é fabricada no Brasil há 1 ano e esse aniversário coincide com os 120 anos do Tratado Diplomático entre Brasil e Japão; Preço no San’s Club Campinas: R$2,99 a unidade de 355 ml;


Imagem emprestada de www.ocontador
decerveja.com.br.
Teor alcoólico: 4,7%.



Teor alcoólico de 4,7%
na versão clara.
2) Eisenbahn – produto da cervejaria nacional fundada em 2.002 em Blumenau, Santa Catarina,  mantém a fórmula originária alemã  (exclusivamente água, malte e lúpulo). São variadas as opções, nas diversas modalidades (pilsen, larger, dunkel, ale, etc.), premiadas no mundo inteiro em festivais e concursos relevantes na especialidade;  Preço no San’s Club Campinas: R$2,98 a unidade de 355 ml;


3)    Hofbräu Oktoberfestbier – produzida em Munique, na Alemanha, é versão especial em comemoração à grande oktoberfestbier, o maior festival popular de cerveja do mundo. Trata-se de uma cerveja produzida pela alemã Hofbräu rica, encorpada, de baixa fermentação e 100% natural, com índice de amargor considerado ideal e elevado teor alcoólico para a  modalidade; Preço no San’s Club Campinas: R$14,88 a unidade de 500ml;

Imagem emprestada de www.paodeacucar.com.br
Teor alcoólico: 4,8%.
4)    Benediktiner Weissbier – cerveja alemã tipo Ale, de trigo, produzida pela Ettal. Segue a fórmula da receita original dos monges beneditinos, desde 1.330. É feita com malte de trigo e cevada. É frutada, macia, cremosa e encorpada; Preço  no San’s Club Campinas: 16,88 a unidade de 500 ml;



5)    Pabst Blue Ribbon – é uma “larger” no melhor estilo americano, leve e premiada como uma das melhores cervejas nos Estados Unidos da América. Seu produtor orgulha-se de utilizar, na sua fabricação, produtos da mais alta qualidade. Na sua composição entram os tradicionais água, malte de cevada e lúpulo, acrescido do xarope de milho. Tem baixo teor alcoólico, sendo ideal para consumo no verão; Preço no San’s Club Campinas: R$5,56 a unidade de 355 ml.


Imagem emprestada de www. acritica.uol.com.br.
Teor alcoólico: 5,1%.

      6)  Black Princess Gold – cerveja brasileira tipo Pilsen Premium, coloração clara, feita à base de água, malte de cevada e lúpulo, contém antioxidantes e estabilizantes. Sua receita é própria da região da Boêmia, hoje pertencente à República Tcheca, é ideal para acompanhar peixes delicados, crustáceos, sushi, frango grelhado e saladas. Preço no San’s Club Campinas: R$9,19 a unidade de 600 ml.