quinta-feira, 26 de maio de 2016

PROSTITUIÇÃO, DIREITO, MORAL E O ESTADO LAICO


Boa tarde amigos,

O advogado Ricardo Ortiz, querido confrade, me envia e.mail para comentar decisão da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça que concedeu Habeas Corpus a uma garota de programa acusada de roubo, por ter tomado, à força, um cordão folheado a ouro, de um cliente que se recusou a pagar pelo sexo entre ambos, previamente acordado pelo valor de R$15,00. A Turma Julgadora, com base no voto do Ministro Relator Rogério Schietti Cruz, desclassificou o delito, de roubo para exercício arbitrário das próprias razões, e, em consequência, por ser este último sancionado com pena muito menor, reconheceu a prescrição da pretensão punitiva do Estado, e, em consequência, concedeu a ordem para liberar a paciente. [1]Meu interlocutor, na base da gozação, mandou o seguinte aviso, ipsis litteris:MESTRE JAMIL. Favor avisar a turma dos “pula cerca”. Tomem cuidado, agora elas podem “cobrar em juízo o pagamento por esse tipo de serviço”. Brincadeiras à parte, a decisão deve ser comemorada. Nenhum profissional com conhecimentos primários de Direito Penal, pode ver na conduta dessa jovem, a prática de crime de roubo. Para começo de assunto esse delito contra o patrimônio pressupõe dolo específico consubstanciado no chamado “animus furandi” (intenção de subtrair a coisa para si), qualificado pelo uso de violência ou grave ameaça[2]. É evidente que entre as partes existiu um contrato com todas as suas características básicas (partes, objeto, consentimento). Mas, meus caros amigos, o objeto do tal pacto seria lícito, uma das exigências que a lei, a doutrina e a jurisprudência consideram indispensáveis à validade das declarações de vontade? Para responder a essa questão é importante indagar: A que tipo de moralidade estaríamos nos referindo? O jus-filósofo, Miguel Reale, ao aludir ao mundo da cultura, assim se expressa: “Não vivemos no mundo de maneira indiferente, sem rumos ou sem fins. Ao contrário, a vida humana é sempre uma procura de valores. Viver é indiscutivelmente optar diariamente, permanentemente, entre dois ou mais valores. A existência é uma constante tomada de posição segundo valores. Se suprimirmos a ideia de valor, perderemos a substância da própria existência humana. Viver é, por conseguinte, uma realização de fins. O mais humilde dos homens tem objetivos a atingir, e os realiza, muitas vezes, sem ter plena consciência de que há algo condicionando os seus atos.” [3] Pois bem, se assim é, não se pode ignorar que todas as qualificações e consequências jurídicas em que se fundamentam as normas de igual cunho devem ser examinadas e aferidas de acordo com os valores em conflito, para se saber qual deles há de prevalecer. Vamos então indagar: será possível admitir, no estágio da civilização atual, que qualquer indivíduo possa contratar com profissionais do sexo e, obtida a anuência e a satisfação de seu objetivo, se furtar ao pagamento do convencionado, sob alegação de imoralidade na prática da prostituição? A eventual censura que se possa fazer a esse tipo de prestação de serviços poderia excluir a credora de proteção jurídica conferida a todos pelo princípio da igualdade e, especialmente, pelo da dignidade da pessoa humana? Alerte-se que este último é indiscutivelmente um meta princípio, inserido na nossa Carta Constitucional, como um dos objetivos do Estado democrático de direito. A sociedade fez a sua escolha ao excluir, seletivamente, a prostituição, do elenco dos delitos que pretende punir, preferindo adjetivá-la como mazela social. O Estado, por seu turno, participa dos proventos oriundos dessa prestação de serviços, que são normalmente tributados, e, ainda,  como assevera parte do Acórdão em exame, induz a sua legalidade como atividade econômica regular. Observe-se o seguinte trecho da decisão:   “.... O Código Brasileiro de Ocupações de 2002, do Ministério do Trabalho, menciona a categoria dos profissionais do sexo, o que “evidencia o reconhecimento, pelo Estado brasileiro, de que a atividade relacionada ao comércio sexual do próprio corpo não é ilícita e, portanto, é passível de proteção jurídica”. Além disso, lembrou o Relator, que a Corte de Justiça da União Europeia, considera a prostituição voluntária uma atividade econômica lícita. Por tais razões, ainda que fosse possível recusar, em função de uma Moral puramente Formal, licitude à prática da prostituição voluntária, roubo não haveria, porquanto a jovem estaria induzida a erro escusável no tocante à proteção jurídica que merecia a sua atividade, como qualquer outra econômica reconhecida pelo Estado.  Por outro lado, enquanto o atual direito positivo reconhece função social ao contrato, ressaltando os seus princípios fundamentais modernos, dentre os quais, os da lealdade e da  boa fé objetiva, a exclusão do mencionado pacto, de toda e qualquer proteção legal,  importaria numa espécie de “salvo conduto” aos exploradores do corpo e da boa fé alheia, amparados  num suposto preceito moral, que não só eles próprios desrespeitam, como figuram como partícipes necessários à sua violação?. Seria possível reconhecer diferença de efeitos entre duas condutas absolutamente iguais, sem contradição?  Há muitos anos, o saudoso Magistrado Quartim Barbosa, em antológica sentença conhecida nos meios forenses e transcrita neste blog na postagem de 29 de maio de 2.013,  denominada Casa de Prostituição, advertia para o óbvio: “fornicatio simplex continua livre, desde que não ofenda o vínculo conjugal, a menoridade, a liberdade sexual e  o pudor público”. Falou e disse! Por fim é indispensável que se saliente, com respeito a todos os pensamentos e ideologias políticas ou religiosas, que o Estado laico, não está autorizado a qualquer espécie de discriminação de tratamento em relação aos seus súditos, fundado em valores, quaisquer que sejam, que constituam óbice à construção de “uma sociedade livre, justa e solidária” (art. 3º, I, da CF) ou não se prestem a “promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3º, IV, da CF de 88), reputados pelo Constituinte, como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil. Portanto, meu caro Ricardo vamos advertir o pessoal que gosta de “pular a cerca”, ou que ainda não tem “cerca para pular” que transar e não pagar o que eventualmente for combinado, dá galho e é possível que, além de sofrer ação judicial de cobrança, pode sei lá, quem sabe, num futuro, responder por crime de estelionato ou coisa que o valha. Como dizia a velha sabedoria do caboclo: “O que combinado, não é caro”.

Até amanhã amigos.

P.S. (1) A imagem de hoje é da peça “A Prostituta Respeitosa”, baseada na famosa obra homônima do francês, Jean Paul Sartre, expoente do Existencialismo e foi emprestada do site of.org.br/sem-categoria/a prostituta-respeitosa-em-curta-temporada-na-arena-Dicró; A peça esteve em cartaz na Arena Dicró, bairro da Penha, em São Paulo, nos dias 14, 15, 16 e 17 de abril de 2.016

P.S. (2) -  A Prostituta Respeitosa conta um caso de segregação racial nos Estados Unidos na década de 40. Lizzie é uma prostituta branca, que deixa Nova York para tentar vida nova numa cidade do sul. Na viagem de trem, testemunha o assassinato de um negro cometido por um branco, sobrinho do ilustre senador Clark. A partir daí, a família deste vai fazer de tudo para comprar seu falso testemunho. Com esta peça, poucas vezes montada no Brasil, Sartre expõe a dinâmica dos excluídos.







[1] Conferir HC 211.888 (STJ).
[2] O  Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais,  em caso idêntico, ao julgar a apelação criminal APR 10040150043079001 (Acórdão publicado em 15 de fevereiro de 2.016),  decidiu pela inexistência de animus furandi na conduta de profissional do sexo que, após programa sexual, subtraiu telefone celular da vítima para compeli-la ao pagamento da quantia convencionada.



[3] LIÇÕES PRELIMINARES DE DIREITO, 1.996,  23ª. edição, São Paulo: Saraiva, p. 26.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

ABAIXA QUE VEM BOLA - CAUSAS & CAUSOS


Boa noite amigos,

Imagem emprestada do site www.nanihumor.com.
                               Posto hoje,  um novo conto, que está no meu livro Causas & Causos n. II, publicado em 2.010, pela Editora Millennium. Vai lá:

"O Diretor do Cartório foi falar com o juiz, logo que ele chegou, pela manhã, na segunda feira.
Pediu licença e disse que iria tratar de um assunto particular e delicado, se o juiz admitisse.
O Magistrado, afável, e que tinha grande consideração pelo seu auxiliar mais graduado disse que estava às ordens para ouvi-lo.
- Desculpe, doutor. A Bernardete nem queria que eu tocasse no assunto. Mas eu não achei justo.
A Bernardete era outra funcionária do Cartório. Escrevente Chefe. Competente e correta.
- É que aconteceu uma coisa com o irmão dela. O rapaz é casado, trabalhador e gente boa. Nunca botô um pingo de arco na boca. Já no sábado passado, parece que o rapaz bebeu, não tava costumado e fez aí umas besteira.
- Que besteira?
- Ah, parece que deu a louca no moço e ele andou acertando dois homens, com bola de bilhar, um deles, inclusive, é cumpadre dele até.
- Que coisa hein!
- É doutor e o rapaz está preso desde sábado à noite. O Delegado já fez o inquérito, o Dr. Promotor já denunciou e o processo tá na mesa do senhor para tocar.
- Separe o processo que eu vou examinar.
O Juiz viu o processo, denúncia por crime de lesão corporal dolosa em concurso formal.
Recebeu a denúncia, concedeu, de ofício, ao réu o benefício da liberdade provisória,  chamou o Diretor e disse que estava marcando o interrogatório para o mesmo dia, mais tarde.
Determinou, então, que o Diretor providenciasse a vinda do réu para o ato  judicial.
Dito e feito. Às 16,00 horas, um policial de plantão trouxe o distinto.
O rapaz muito bem educado, pediu licença para sentar e foi respondendo as perguntas do Magistrado:
- Consta da denúncia deste processo que o senhor, no sábado passado, por volta das 13,00 horas, no bar do Jairo, teria ofendido a integridade corporal de João de Deus Vicente e Luis Antonio Barroso, atingindo-os com bolas de bilhar. Isso é verdade?
- Doutor, para lhe ser sincero eu não sei dizer ao senhor se isso é verdade ou não, porque simplesmente eu não me lembro de nada.
- Mas como?
- Doutor, eu lhe conto direitinho o que aconteceu. O senhor acredite que eu nunca tomei bebida arcoólica na minha vida. E óia  que eu já  com 32 anos. Mas no sábado?
- No sábado....
- No sábado lá pelas 10 da manhã eu resorvi  no bar do Jairo. Fui lá pra exprimentá uma cerveja. Pedi uma e tomei inteirinha.  Aí eu pedi uma cachaça. O Jairo me botou num copo e eu virei tudinho. Ardeu inté a arma. Depois eu falei que eu queria prová um pouco de vinho. Ele serviu um copo e aí  chegou meu cumpradre. Falei pra ele bebê comigo. Ele num quis. Mas nóis pregamo a prosear um pouco. Daí pra frente eu num lembro mai nada. Apaguei de uma vez.  Eu só lembro que fiquei meio zonzo enquanto cunversava com ele, mas depois eu não sei mais o           que eu fiz. Os amigos falaram que eu fiz isso aí que está no paper, mas eu num lembro de nada mais, de jeito nenhum. Só sei que acordei depois no hospitar. Oi doutor estou muito envergonhado, eu não sô home de relá a mão em ninguém. Acredite.
O Juiz registrou os fatos tal como relatado, muito tocado com a situação do rapaz, que efetivamente era primário e de excelentes antecedentes.
Marcou data para ouvir as testemunhas de acusação.
Uma delas, era o Joilso, um cabocro simpático e falante.
Testemunha presencial do ocorrido.
Presentes o Juiz, o Promotor, o réu e seu Defensor, o Magistrado foi logo ao assunto:
- Senhor Joilso, o senhor é testemunha neste processo e como tal está obrigado a dizer a verdade, sob pena de cometer crime de falso testemunho. O senhor viu o acontecido?
- É fato, dotô. Tava memo presente em todo o acontecido.
O Promotor de Justiça se animou pois ao que constava se tratava, além das vítimas, da única testemunha verdadeiramente presencial. Mesmo o Jairo, dono do bar, tinha saído um instantinho quando o fato veio à tona.
Prosseguiu o Magistrado:
-  Então, conte como foi.
- Oi dotô. Era um domingo esse dia. A Gerarda, minha muié, falou pra mim ir no bar buscá um pacote de macarrão pro armoço.
- E daí?
- E daí que eu fui.
- E daí?
- Daí eu cheguei lá e falei pro Jairo, Jairo você me dá um pacote de macarrão?
- E aí?
- Aí ele meu deu e eu disse pra ele: O Jairo me diz uma coisa, eu tenho uma caderneta pra pagá procê do mês passado. Posso pagar metade hoje, metade semana que vem.
O Juiz foi ficando impaciente com o trololó que nada dizia respeito aos fatos relevantes da demanda.
- E daí seu Joilso, como foi o fato?
- Carma dotô que eu preciso contá direitinho, sem pulá nada, porque me disse o Promotor que eu sou testemunha chave. Eu num sei bem o que é isso, mas a tar da chave é de abri coisa, né. Vai vê que é pra abri os óio do Juiz, né. Descurpe o atrevimento.
- Tá bem Sr. Joilso, vamos com esse assunto de uma vez.
                                        - Aí o Jairo falô assim:- Ói pode me pagá, mai num passe da semana que vem que a coisa tá preta. Eu preciso comprá mais mantimento e sem grana.
- E daí seu Joilso?
- Daí né, eu falei pro Jairo: - Jairo posso usar o seu banheiro.
O Juiz, o Promotor e o advogado já estavam prestes a roer as unhas de impaciência e a tal história não desenrolava.
- E daí seu Joilso?
- Daí ele falô que podia. O senhor seu juiz sabe onde fica o banheiro lá no bar do Jairo?
- Não respondeu o Juiz já denotando mais irritação do que impaciência.
- Fica  lá no fundo e a gente tem que entrá pra dentro do barcão, travessá um corredô e tar.
- E daí?
- Daí eu fui, usei o banheiro e quando eu ia vortando e tava lavando a mão na piazinha que tem do lado de dentro, eu ouvi arguem gritá assim: - Abaixa que vem bola.
- E daí seu Joilson, o que o senhor viu.
- Oi douto, pra dizer a verdade quando ouvi a gritaria, do jeito que eu tava, de costa pro balcão lavando a mão na pia eu agachei rapidinho.
E aí?
- E aí memo douto eu só vi bola que voava por cima do barcão. Num vi  mai nada. Sê besta.
O Juiz começou a rir.
A principal testemunha de acusação, depois de um interminável depoimento, simplesmente não viu nada, pra alívio da defesa e desencanto da acusação.
E o Joilso?
 Ah, o Joilso contava pra Deus e todo mundo que ele tinha testemunhado no Fórum. E que o Juiz tinha ficado muito impressionado com o seu depoimento, porque ele tinha visto tudo. E dito TIM TIM por TIM TIM, sem esconder nada.
Para uns o Joilso ficou apelidado do “I daí” e para outros do “Abaixa que vem bola”.

Coisas da Justiça.

E da boa gente do interior."


Até mais amigos.

domingo, 15 de maio de 2016

O INCRÍVEL GRÊMIO OSASCO AUDAX - VICE CAMPEÃO PAULISTA DE 2.016

Gente,

Atletas do Audax levantando a taça de vice-campeão
do Campeonato Paulista de 2.016.
Se fosse campeão não seria nada demais. Nem imerecido, muito ao contrário. Depois de impor uma sonora goleada ao São Paulo Futebol Clube (4 a 1), nas quartas-de-finais e de despachar o franco favorito Corinthians Paulista, na semi-finais, em disputa de pênaltis (foi 2 a 2 no tempo normal),  o incrível Grêmio Osasco Audax, em dois jogos consecutivos, fez outro grande, o  Santos Futebol Clube se encolher e, em função da prudência e humildade  de seu experiente treinador, Dorival Junior, optar por  jogar como um time pequeno. Isso mesmo. Assim, abrindo mão da posse de bola e do esquema agressivo que caracterizou a equipe praiana durante o campeonato,  o Peixe se fechou na defesa e  em rápidos e  esporádicos contra-ataques, logrou  conquistar o título regional (o 22º de sua história),  com um empate em 1 a 1, no primeiro jogo em Osasco e um magro e suado 1 a 0 na Vila Belmiro totalmente tomada por seus torcedores. Parabéns à equipe de Osasco e especialmente ao seu jovem técnico Fernando Diniz, que deve merecer uma chance numa grande equipe do país ou do exterior. Para mim foi ele o melhor técnico do campeonato paulista de 2.016.  Impressionou – e muito -   o grande entrosamento que a equipe demonstrou,  com um grau de acerto de passes de quase 100% (no último jogo foram mais de 450 passes certeiros, contra menos da metade do adversário, que teve menos tempo de bola, é certo). O esquema também chamou atenção. Ou a falta de um fixo, talvez. É um time que, a exemplo da inesquecível seleção holandesa de 1.974, guardadas obviamente as devidas proporções, jogou um futebol solidário,  com uma impressionante posse de bola, passes certeiros e rotatividade dos jogadores, especialmente no meio de campo, o que revelou  virtudes homogêneas de versatilidade e adaptação dos atletas. Uma equipe que defendeu e atacou em bloco,  com muita eficiência e velocidade durante os 90 minutos.
O lateral/meiocampista Tchê-Tchê, destaque da equipe
do Audax, já contratado pela equipe do Palmeiras, que 
estreou ontem no Campeonato Brasileiro de 2.016.

Nota 10 também  para os responsáveis pelo condicionamento físico, pois não se viu jogador fisicamente estafado.  Anotei também, como ponto altamente positivo, especialmente nos jogos finais em que a pressão era grande e grandes os adversários e as camisas, que os meninos do Audax não amarelaram. Demonstrando confiança e personalidade, foram muitos os chutes de fora da área, dois dos quais redundaram em golaços no jogo contra o campeão brasileiro do ano passado. Gostei e muito do que vi. Foi o mais vistoso, o mais bonito e harmônico futebol que assisti na mesmisse dos  jogos dos campeonatos regionais brasileiros dos últimos anos. Por isso faço questão de registrar nesta coluna a equipe responsável por essa campanha histórica: a do vice campeonato paulista de 2.016.  Aliás, a  exemplo da Seleção Holandesa de 1.974, que perdeu a decisão para a fria e burocrática seleção alemã daquela copa. Coisas dos Deuses dos Estádios, diria um conhecido cronista esportivo campineiro.

Até breve amigos,

O jovem atacante Johan Cruyff, na Seleção Holandesa de 
1.974, vice-campeã do mundial e  que encantou o mundo
com um futebol moderno e solidário. A selação também
foi conhecida como Carrossel e Laranja Mecânica, em
homenagem a um famoso filme da época.
P.S. (1)  Eis o time do Audax que fez história neste campeonato: Sidão, Francis, Rodolfo, Yuri, Bruno Silva, Felipe Diadema,  Velicka,  Camacho, Tchê Tchê, Juninho, Wellington, Mika, Bruno Paulo, Ytalo;

P.S. (2)  O gol do Santos, na final contra o Audax, foi uma grande jogada do centroavante Ricardo Oliveira, que, sozinho, recebeu o passe fora da área e mesmo marcado por dois  jogadores, conseguiu tocar para as redes fora de alcance do goleiro Sidão. O atleta  continua tendo lugar na seleção do técnico Dunga,  com inteira justiça.

P.S. (3) O Audax nasceu no ano de 1.985, ainda como Pão de Açúcar, uma equipe montada por Abílio Diniz, com o objetivo de  investir em atletas de base. Em poucos anos e algumas transformações alcançou sucessivos acessos: da quarta, para a terceira divisão. Da terceira para a segunda e desde o ano passado está na elite do futebol de São Paulo. A campanha do vice-campeonato garantiu ao clube a disputa da Copa do Brasil de 2.016 e o ingresso na série D do Campeonato Brasileiro;


 P.S. (4) A inesquecível seleção holandesa de 1.974 teve como seu principal jogador o atacante Cruyff, recentemente falecido. Foi um dos maiores jogadores de todos os tempos e um treinador revolucionário. O time vice-campeão era assim formado: Jan Jongbloed, Wim Suurbier, Arie Haan, Wim Rijsbergen e Ruud Krol; Wim Jansen, Johan Neeskens e Van Hanegem; Rob Rensenbrink, Johan Cruyff e Johnny Rep. O técnico era Rinus Michels;

P.S. (5) Johan Cruyff foi treinador do Ajax e do Barcelona. Na equipe catalã ficou de 1.988 a 1.996 e é considerado o grande responsável pela implantação do futebol eficiente e envolvente do Barcelona, que há anos vem encantando o mundo.


domingo, 1 de maio de 2016

HORAS MORTAS


Breve momento após comprido dia
De incômodos, de penas, de cansaço
Inda o corpo a sentir quebrado e lasso,
Posso a ti me entregar, doce Poesia.

Desta janela aberta, à luz tardia,
Do luar em cheio a clarear no espaço,
Vejo-te vir, ouço o leve passo
Na transparência azul da noite fria.

Chegas. O ósculo teu me vivifica
Mas é tão tarde! Rápido flutuas
Tornando logo à etérea imensidade.

E na mesa em que escrevo apenas fica
Sobre o papel – rastro das asas tuas,
Um verso, um pensamento, uma saudade.

( Horas Mortas - Alberto de Oliveira).


Boa noite amigos,

Registro aqui, nesta noite fria, reflexões que fiz e escrevi no final do ano passado, dentro de um quarto de hospital, sozinho, enquanto aguardava o retorno de minha companheira, submetida a delicada cirurgia.


"Não tenho espaço para escrever senão o verso de uma folha nas costas de uma ficha de visitas que a Portaria do hospital me forneceu,  com o regulamento impresso, pela minha condição de acompanhante. Estou sozinho no apartamento há horas, esperando o retorno da companheira, submetida a uma cirurgia. Pensei muitas vezes em ligar a TV para aplacar a solidão. Resisti, porém. Entendi nesse momento que precisava de uma reflexão interior, um encontro comigo mesmo, uma perscrutação da alma, que é para o que servem, suponho, as horas mortas. Mas acho que as horas mortas morreram! Em qualquer canto, em qualquer sala ou ante-sala de clínicas e escritórios, nos elevadores dos edifícios comerciais, nas placas de out-door espalhadas por paredes de arranha-céus nosso silêncio, nossa tentativa de interiorização  é invadida por imagens e sons, analógicos e digitais, todos dispostos a capturar a qualquer custo, a nossa atenção absoluta. A TV, enfática, repetitiva, superficial, com as mesmas notas e os mesmos sons, os mesmos tons e comentários é a mais implacavelmente invasiva.  Pensei em protestar. Para que? Ali não havia ninguém senão eu mesmo. Ah, e aquele aparelho que estava desligado. Imóvel. Calado, como eu desejei permanecesse  naquele momento, enfrentando a solidão. Desse encontro com o espírito e a alma aproveitei intensamente. Fiz uma retrospectiva rápida de minha vida. Das alegrias, tristezas, conquistas, frustrações. Eram imagens que permaneceram na minha retina lá no fundo da alma e que, resgatadas, me devolveram momentos do passado no presente e me contaram a minha história. A minha com a sua, com a de todos aqueles com os quais esbarrei pelos caminhos e veredas dessa vida, criando o que chamamos de convivência, troca de experiências, o meu no teu e o teu no meu, se preferirem.  Momentos raros, íntimos, únicos, meus, sem comentários, interpretações, invasões e outras interferências. A vida logo voltou ao normal, com a retorno de minha companheira de vida, recuperada e tranquila. Aproveitei o resto do dia para conversar com ela, cuidar dela com o carinho e a atenção que ela merece, dando, porém,  sempre uma espiadinha  naquele aparelho suspenso de TV para ver se ele continuava apagado e calado.  No final da tarde, ao sairmos pelo corredor, quando as primeiras luzes se acendiam  anunciando a noite, olhei toda aquela  gente entretida, com os celulares. Fiz menção de falar com elas, mas recuei. Elas não notavam a nossa presença e ignoravam certamente a própria.  Se tivessem notado, eu pediria em alto e bom som: Por favor, devolvam as minhas horas mortas. Preciso muito delas. E vocês também precisam, embora não o saibam ainda. E talvez, não venham a saber jamais."

Até amanhã amigos,

P.S. (1) O fluminense Antônio Mariano Alberto de Oliveira  (1.857-1.937) foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e, ao lado de  Olavo Bilac e Raimundo Corrêa formou a tríade brasileira do parnasianismo;

P.S. (2) A imagem da coluna de hoje foi emprestada de diariosdesolidao.blogspot.com.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

FIM DA PRIMEIRA FASE DA LIBERTADORES E CESAR CIELO FORA DAS OLIMPÍADAS

Boa tarde amigos,

O futebol brasileiro,  de uma maneira geral, não decepcionou na fase de classificação da Libertadores, encerrada na noite de ontem.  Corinthians e Atlético Mineiro conseguiram passaporte para a segunda fase,  com folga,  em primeiro do respectivo grupo, e com excelentes saldos de gols (9 e 8, respectivamente).   Num estágio intermediário,  sem brilho, nem susto, vem o Grêmio, que cumpriu seu dever, sem provocar apreensão ou desconfiança nos seus torcedores.  Finalmente, o São Paulo conseguiu sua classificação, ontem à noite, na altitude de La Paz,   ao empatar em 1 a 1, com o The Strongest, para quem havia perdido no Pacaembu, numa partida emocionante e que teve de tudo, desde a já habitual falha do  goleiro Denis, que saiu muito mal da meta e foi encoberto no gol de Cristaldo, até a sua expulsão, em decorrência do segundo cartão amarelo, obrigando o treinador a improvisar na meta, Maicon, nos cinco minutos finais da partida.  O zagueiro  mostrou habilidade também com as mãos e ajudou a segurar o resultado e obter a sonhada classificação. Não faltaram brigas e agressões no final do jogo, rendendo, aparentemente sem qualquer motivo razoável, ao atacante Calleri, artilheiro do São Paulo e da competição, com 8 gols, expulsão pós-jogo, o que o afasta da próxima partida, sem contar com a preocupação com punição mais rigorosa, por parte da incompetente Conmebol. A decepção ficou por conta do Palmeiras que acordou tarde e mesmo tendo goleado o Nacional do Uruguai, por 4 a 0,  sob a batuta do experiente treinador Cuca, não conseguiu avançar por conta dos péssimos resultados anteriores e da improvável vitória do Rosário Central, sobre o Nacional, por 2 a 0, na casa do adversário.
Ao alviverde, que entrou na competição por conta da vaga reservada ao campeão da Copa do Brasil,  resta, neste primeiro semestre, tentar o título de campeão paulista, título esse que, para mim, já é do Corinthians, pelo futebol impressionantemente eficiente que vem jogando nas duas competições paralelas que disputa,aliada à sorte que acompanha os candidatos a campeão, em qualquer modalidade de esporte e da vida.

P.S. (1) Quando se fala de sorte é impossível não lembrar da clássica observação de Nelson Rodrigues: “Com sorte você atravessa o mundo; sem sorte você não atravessa a rua.” Concordo, claro.

P.S. (2) A arbitragem do chileno, Roberto Tobar,  ontem em La Paz, foi muito contestada pelos jogadores e pelo técnico do tricolor, Edgardo Bauza. Mas provavelmente não vai ter reclamação à incompetente Conmebol, por conta da classificação são-paulina, apesar dos pesares. Nem adianta. A Libertadores tem sido notabilizada por ser uma copa com muitas falhas:  Estádios ruins e inseguros, pressão de torcidas, arbitragens ruins,  têm sido aspectos negativos costumeiros e que, vem ano, vai ano, não são corrigidos. Até quando?

P.S. (3). As duas equipes do Corinthians (titular e mista) juntas fizeram nada mais, nada menos, do que 10 (dez) gols nos dois últimos jogos, sem tomar nenhum. A titular pelas quartas do Paulistão, meteu 4 a 0 sobre o bom Red Bull. E no último jogo da Libertadores, o mistão meteu implacavelmente    6 a 0 sobre o chileno Cobresal, com gols bem construídos pelos meninos do técnico Tite. Que fase,hein!

P.S. (4) Corinthians e Palmeiras devem fazer a final do Paulistão na minha aposta pessoal. O Audax, o bom Audax, não deve resistir ao Timão. E num jogo mais equilibrado o Verdão de Cuca deve vencer o Peixe, nas semi-finais. Nos últimos 10 jogos, o Palmeiras, mesmo estão mal no campeonato, tem levado vantagem sobre o Santos. Isso conta? Nem sempre. Mas essa história de tabus no futebol, sei não, às vezes funciona. Que influencia, positiva e negativamente,  no psicológico dos jogadores, isso lá influencia.
P.S. (5)  O goleiro Denis tem suscitado muitas críticas pelas falhas que vem demonstrando nos últimos jogos. Claro que Denis não ganhou ainda um ritmo mais longo na meta sãopaulina , que permita fazer um julgamento maduro e  racional de suas reais potencialidades. O atleta ficou mais de 6 anos na sombra de Rogério Ceni, o goleiro artilheiro que jamais, enquanto pode, deu espaço ou oportunidade aos seus reservas. Nem podia. A história que construiu no São Paulo, no futebol brasileiro e no futebol mundial foi meritória e antológica. Agora, é preciso calma para testar e encontrar o goleiro ideal para a meta tricolor. Há quem assegure (é a posição, por exemplo, do comentarista, ex-atleta, Casagrande), que Denis tem, no máximo, condições de ser um bom reserva. E que o São Paulo precisa contratar um grande goleiro, à altura de seu antecessor;

P.S. (6) Cesar Cielo, o nosso mais premiado e importante nadador, está fora das Olimpíadas do Rio, não tendo logrado superar dois outros conterrâneos, em índices de classificação para a competição em seu país. Cielo tem dezenas de recordes e títulos, muitos mundiais e pan-americanos. E ainda a inesquecível medalha de ouro, nas Olimpíadas de Pequim, em 2.008, nos 50 metros livres. Embora o desempenho ruim tenha tido várias causas, inclusive cirurgia nos dois joelhos, é sempre relevante registrar a efemeridade do sucesso, da carreira dos atletas em geral, e, porque não dizer, da própria vida.   

P.S. (7) As imagens da coluna de hoje são, respectivamente: a) do goleiro Denis do São Paulo, sucessor de Rogério Ceni (emprestada de www.spfc.net); b) do técnico Cuca que assumiu o Palmeiras, onde vem fazendo um bom trabalho, depois de várias derrotas (emprestada de ESPN.uol.com.br; c) do nadador Cesar Cielo, campeão mundial e olímpico, emprestada de www.cesarcielo.com.br.



sábado, 9 de abril de 2016

CAMPEONATO NÃO É COPA OU TORNEIO

Boa noite amigos,
A unificação dos títulos promovida pela CBF é medida politiqueira, feita para atender interesses  e pressão de alguns clubes e dirigentes. Não reflete, todavia, o que deveria: separar títulos de campeonatos nacionais de outros referentes a simples copas ou torneios. Um campeonato é uma competição de que participam todos os  clubes de uma divisão (primeira, segunda, terceira, etc.), com ascensões e rebaixamentos, dentro das séries. Do ponto de vista ideal é que todos joguem contra todos para que se chegue ao campeão, aquele clube que acumulou mais pontos, numa competição de pontos corridos, sem os artifícios de classificações por chaves, classificações para oitavas, quartas, etc. e outros critérios mirabolantes. Mesmo utilizando alguns desses artifícios, em verdade, só tivemos no Brasil um campeonato verdadeiramente nacional, a partir de 1.971. Uma Copa ou Taça jamais corresponde a um campeonato, a começar pelo fato de que seus participantes são convidados, ou, ainda que definidos por algum critério técnico, dela não participam todos os clubes de uma divisão. Podem, inclusive, reunir clubes de várias divisões, como é o caso da Copa do Brasil. As copas e torneios são disputados, em regras,  por meio de eliminatórias (os chamados mata-mata), antecipadas por fases de grupos. E o mais importante: mesmo o campeão, que participa do maior número de jogos, disputa poucas partidas e não enfrenta todos os adversários. São competições, como se costuma chamar entre os cronistas esportivos “de tiro curto”. 
Daí ocorrer nesse tipo de competição, não raro, um campeão que, simultaneamente participando  do campeonato brasileiro, encontrar-se neste na chamada zona do rebaixamento; ou sequer estar disputando qualquer das divisões do campeonato brasileiro. Nada contra as copas ou torneios. A Copa do Brasil, inclusive, é muito interessante e pode ser mesmo considerado o torneio mais democrático que temos, pois envolve clubes do Oiapoque ao Chuí deste vasto pais-território,de todas ou de nenhuma divisão oficial, capaz também de levar ao mais singelo município brasileiro (e com ele toda uma mídia, incluindo TV e Internet), um Flamengo, um Corinthians, um Internacional, ou outro grande clube, estabelecendo confrontos que jamais aconteceriam numa competição estratificada como é o campeonato brasileiro das quatro divisões.

No Brasil, antes de 1.971 tivemos muitos torneios ou copas que a imprensa chamou de campeonato apenas no objetivo de atrair ouvintes, leitores e espectadores da época. Não eram. Nunca foram. Eram os casos do Roberto Nunes Pedrosa e da Taça Brasil, cujos títulos foram considerados para a propalada unificação. Por isso essa unificação de títulos é um engano e um engôdo. Que me desculpem os palmeirenses, santistas e cruzeirenses, beneficiados com esse critério.

Até mais amigos,

P.S. (1) Atualmente o campeão brasileiro disputa 38 jogos, desde a época dos pontos corridos, a partir do campeonato de  2.003.  Nem sempre foi assim. Em 1.989, o Vasco da Gama foi campeão disputando 19 partidas, ainda assim um número mais significativo do que as 4 partidas que o Santos disputou quando tornou-se campeão, duas vezes, da antiga Taça Brasil, porque o representante de São Paulo e do Rio de Janeiro só entravam na competição em fase mais adiantada;

P.S. (2) Em 1.978, o Guarani Futebol Clube tornou-se campeão brasileiro num campeonato  que começou com 74 clubes, com fases de classificação, oitavas, quartas, semifinal e final. Disputou 32 jogos, nos quais somou 54 pontos. O Palmeiras, vice-campeão, disputou o mesmo número de jogos (32), mas somou apenas 44 pontos. Já o Internacional (3º lugar),  eliminado nas semifinais, fez 31 jogos e somou 53 pontos, nove a mais que a equipe do Palestra Itália;

P.S. (3) A Copa do Mundo é copa, torneio, portanto, e não campeonato. A Alemanha foi a última campeã, na Copa do Mundo de 2.014 realizada no Brasil, fazendo apenas 6 (seis) jogos.  O Uruguai, país  sede da Copa do Mundo de 1.930, foi campeão jogando apenas 4 vezes.  A Taça Libertadores da América, o mais importante torneio sul-americano pode ser conquistada, atualmente,  em  14 jogos, sendo 6 na fase de grupos, outras 6 nas 3 fases eliminatórias e mais 2 partidas na fase final;

P.S. (4) Com a unificação dos títulos o Palmeiras e o Santos tornaram-se os maiores colecionadores, com oito láureas cada.  Antes, o Palmeiras tinha cinco títulos (1.972, 1.973, 1.993 e 1.994). A eles se somaram as conquistas de 1.960, 1.967 e 1.969 da Taça Brasil. O Santos, campeão em 2.002 e 2.004 uniu a estes  os títulos de 1.961, 1.962, 1.963, 1.964, 1.965, 1.968, totalizando, os oito. Bahia (1.959), Botafogo (1.968) e Cruzeiro (1.966), foram os outros clubes beneficiados com a unificação. O Bahia tinha 1 título (1.988) e ficou com 2; o Botafogo também 1 (1.995) e ficou com 2.O Cruzeiro tinha 3 (2.003, 2.013 e 2.014) e ficou com 4, com a conquista de 1.966.

P.S. (5) As imagens do hoje são: a) do Santos de 1.962, que foi cinco vezes campeão da Taça Brasil, numa impressionante hegemonia que o levou ao pentacampeonato da Taça Brasil naquela década; b) do Guarani de 1.978, com muitos destaques, dentre os quais Zenon, Renato e principalmente o jovem Careca, que foi centroavante da Seleção Brasileira nas copas de 1.982 e 1.986; c) do fantástico time do Flamengo, campeão brasileiro de 1.980, seguramente o melhor time que o clube da Gávea já montou na sua história (Zico, Andrade, Junior etc.). Imagens emprestadas, respectivamente, de www.imortaisdofutebol.com., jornal diário do povo de Campinas e crflamengo.net.

domingo, 3 de abril de 2016

CÂNDIDO DE VOLTAIRE, CANDINHO DE MAZZAROPI E ETA MUNDO BOM DE CARRASCO

Boa noite amigos,

Eta Mundo Bom é  o nome definitivo que o escritor Walcyr Carrasco e o diretor Jorge Fernando definiram para a novela das 18,00 horas da Rede Globo, que estreou em janeiro e substitui um grande sucesso no horário, a saudosa Além do Tempo. Os grandes novelistas têm se desdobrado para agradar o espectador e assim garantir o mesmo nível de pontos no Ibope para a emissora do Projac, que tem nos seus folhetins e no telejornalismo, e, às vezes, na transmissão de um ou outro jogo de futebol,  os seus mais significativos índices de audiência. Para escrever, o autor se inspirou em famoso conto do escritor e filósofo Voltaire denominado Cândido ou o Otimismo, ou simplesmente Cândido. Cândido, na versão original do escritor francês, era um  jovem que cresceu no castelo do Barão de Thunder-ten-tronckh, rodeado de comodidades e paz, mas acaba expulso de lá ao se apaixonar pela doce Cunegundes, filha do Barão. Fora do castelo, o jovem passa a enfrentar um mundo que nunca havia conhecido, com suas misérias, dificuldades e infortúnios, ao mesmo tempo em que luta para recuperar sua amada. A primeira versão do livro para o cinema foi do ator, diretor e cineasta brasileiro, Amacio Mazzaropi, no filme Candinho, de 1.953, o terceiro de sua filmografia, dirigido por Abílio P. de Almeida, filmado nos estúdios da Vera Cruz e distribuído pela Columbia.  No lugar de um castelo numa região da Alemanha, o filme começa na fazenda de um Coronel (Domingos Terras), em Piracema, Minas Gerais, em 1926, na qual Moisés, um bebê, é encontrado num berço no riacho que atravessa a fazenda, junto com um medalhão e um jumentinho. A criança acaba sendo batizada de Candinho pelo casal de donos da fazenda, que até então não tinham filhos. Nosso herói se apaixona pela irmã de criação Filoca e se vê obrigado a abandonar a fazenda onde foi criado, indo parar na cidade grande, onde passa a procurar pela sua verdadeira mãe, enfrentando um sem número de dificuldades. 

O filme traz no elenco além de Mazzaropi como Candinho, Ruth de Souza, John Herbert, Marisa Prado, Benedito Corsi e Xandó Batista, entre outros. E até Adoniram Barbosa no papel do Professor  Pancrácio. Para a adaptação a Globo, como sempre, misturou atores consagrados e jovens promessas.  O elenco é extenso com os veteranos Ary Fontoura (Quinzinho), Elizabeth Savalla (Cunegundes), Rosi Campos (Eponina), Eliane Giardini (Anastácia) e Marco Nanini, no papel do Professor Pancrácio, ao lado dos jovens protagonistas, Sérgio Guinzé e Débora Nascimento, nos papéis respectivos de Candinho e Filó. Ver ou rever o filme é ótimo. 
A Cinemagia lançou todos os filmes de Mazzaropi em DVD, em forma de coleção no  projeto batizado de Coleção  Mazzaropi Os Anos Dourados da Vera Cruz. Para os fãs do saudoso comediante é a oportunidade de ter todos os trinta e dois filmes realizados por ele, ou qualquer deles, em especial.  

Até mais amigos.

P.S. (1) As imagens da coluna de hoje são: 1) do elenco da novela Eta Mundo Bom reunido na ilha de caras e foi emprestada de caras. UOL.com.br.; 2) de Walcyr Carrasco, autor da novela, entre os atores Anderson Di Rizzi (Zé dos Porcos) e a excelente Camila Queiroz (Mafalda) e foi emprestada de not1.xpg.uol.com.br; 3) de cena do filme Candinho de 1.953, mostrando Mazzaropi (Candinho) e a atriz Marisa Prado (Filó), emprestada de ocafe.com.br;

P.S. (2) A jovem modelo paulista,  Camila Queiroz foi escolhida para um dos principais papéis da minissérie Verdades Secretas, de Carrasco, grande sucesso no horário das 22,00 horas em 2.015,  e que mereceu elogios generalizados da crítica, pela inovação que trouxe em diversos aspectos. Camila, com aquele sotaque do interior de São Paulo, não precisou de muito esforço para adaptar-se à personagem caipira Mafalda no novo folhetim. Está bela, como sempre, e representando cada vez melhor.