sábado, 16 de outubro de 2021

MAIS UM DIA DEDICADO AOS PROFESSORES - HOMENAGEM À DONA SUZETE

Boa tarde amigos.


Eu a encontrei anteontem por acaso. O mesmo acaso que me fez reencontrá-la, em duas outras oportunidades distintas, nos últimos cinco anos. Uma na sala de espera de um banco, no Cambuí; outra no restaurante Estação Mogiana; agora, na véspera do dia dos professores,  na padaria do shopping da Riviera de São Lourenço, em Bertioga, zona norte do litoral paulista. A sua expressão jovial,  os seus olhos de um azul brilhante e o  sorriso largo continuam belos e inconfundíveis,  a despeito do longo tempo decorrido desde o ano de 1963 quando, com apenas 24 anos de idade, ela passou a lecionar Geografia no Colégio Estadual Barão de Ataliba Nogueira, no bairro do Taquaral, em Campinas. Extremamente rigorosa, exigia disciplina e aplicação de seus alunos, dentre os quais, euzinho, um menino de 11 anos, miudinho,  tímido e preocupado em atender  as exigências do curso ginasial, sem prejuízo do auxílio que eu e meu irmão deveríamos prestar aos nossos pais, no comércio que nos mantinha.  Numa das aulas, como sempre,  entrou e fez chamada. Em seguida, passou a cobrar dos alunos, carteira por carteira, a entrega de um trabalho de pesquisa que tinha encomendado na aula passada. Eu, doente, acabei me  ausentado da aula anterior  e não fiquei sabendo da tarefa. Em consequência, não a realizei. Conforme ela se aproximava assustado, pensava como iria pretextar pela ausência no cumprimento do dever de casa. Não tive muito tempo, nem imaginação. E havia ainda a questão que eu não gostava de mentir, porque a professora de catecismo garantia que era pecado grave. Quando em pé, na minha frente, ela esticou a mão direita, cobrando o exercício, depositando sobre minha pequena pessoa aqueles arregalados olhos azuis, disse, em tom baixo o suficiente para que meus colegas não ouvissem, que não realizara o realizara porque tinha faltado na aula anterior e “ninguém”, isso mesmo, “ninguém”, tinha me avisado. Ela recolheu as mãos, me olhou fixamente com olhar de reprovação e disparou: - Ah, ninguém avisou o senhor?  E quem é que o senhor pensa que é, o rei da Inglaterra? Todos os colegas obviamente ouviram a bronca; alguns, cruéis, riram para aumentar a minha vergonha.  Limitei-me a pedir desculpas, em meio à promessa de que a ausência do trabalho refletiria na minha nota final. Sonhei durante muito tempo com Dona Suzete me mandando para uma grande fogueira. Ela, vestida de bruxa, em meio a gargalhadas tenebrosas, gritava, enquanto o fogo me consumia: - Você pensa que é o rei da Inglaterra? Vire-se agora. Entendi cedo o recado. Foi a descompostura mais pedagógica que recebi. Ela me ensinou que nada somos nesta vida, que temos que ter humildade, que precisamos correr atrás dos nossos interesses; que ninguém tem o dever de nos comunicar a respeito do que aconteceu ou deixou de acontecer, quando deveríamos estar presentes e não estávamos, por qualquer razão que seja; que não temos o direito de invocar dificuldades de ordem  subjetiva, por mais inevitáveis que sejam, para justificar a ausência no cumprimento de nossas obrigações. O tempo passou. Fiquei surpreso quando soube circunstancialmente que um advogado que eu conhecera era casado com a Dna. Suzete. Isso por volta de 1987, quando eu já era juiz substituto em Campinas. Soube depois que ela ficara viúva, ainda relativamente jovem. O marido contraíra uma doença grave, não sei bem se era um câncer, e rapidamente falecera.  Nunca mais reencontrei Dona Suzete até cerca de cinco anos  num banco da Rua Coronel Quirino. Logo a reconheci; ela, obviamente não. Mas se mostrou muito alegre em reencontrar um ex-aluno. Contei a ela  do episódio que me marcara para toda a vida. Ela ouviu, meteu as mãos sobre os olhos fechados,  num gesto próprio de quem está envergonhado. E justificou, pedindo desculpas pela grosseria,  garantindo que a sua intolerância  naqueles tempos tinha ficado para trás e devia ser debitada à conta de sua juventude. Com a maturidade, porém, havia se tornado uma pessoa mais flexível e mais doce. Realmente, era possível sentir essa doçura quando  falou dos filhos e dos netos; do marido que cedo se foi, deixando-a com os filhos, ainda não criados; dos colegas de docência e da vida em geral. Voltei a reencontrá-la no Estação Mogiana, uma churrascaria muito concorrida da cidade de Campinas. Estava com a irmã e pouco pudemos conversar. Anteontem ela estava sozinha e eu lhe apresentei minha mulher, minha filha, meu genro e meu netinho Rafael, de 9 anos. Ele ficou curioso ouvindo a nossa conversa e  lhe contei que ela tinha sido minha professora quando eu tinha 11 anos e me deu uma bronca, porque não fiz um exercício. Ele sorriu para ela e olhou para mim com olhos de censura. Rimos muito. Aos 82 anos de idade, Dona Suzete é uma lenda para mim. Saiu dali sorrindo, agradecendo a vida, a vacinação, a possibilidade de retorno aos encontros, mesmo com máscara e da viagem para a praia, onde se encontra acolhida em casa de uma irmã, aproveitando, como enfatizou, “para cozinhar para todo mundo”, uma paixão que adquirira há não muitos anos. De minha parte já não tenho mais os terríveis pesadelos da juventude com a bela professora de Geografia me punindo com o inferno por não ter realizado um exercício. Nem lamento por não pertencer à família real inglesa. E que ninguém é ninguém e não pode ser culpado de nada, nunca, por nós. Porque o único sujeito ativo determinado nessa sucessão de pronomes como “ninguém”, “nada”, “nunca”, somos “nós”, certo? E que devemos assumir as consequências de nossas ações, omissões e escolhas que fazemos na vida, pelas quais somos os únicos responsáveis. E ir corrigindo, sorrindo, pois é  vida que segue.....

Afetuoso abraço amigos. 

 

 

 

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

AVES DO BRASIL - UMA EXPOSIÇÃO DE GUILHERME COTEGIPE.

 

Amigos boa tarde,


Guilherme Cotegipe Amâncio é um querido amigo desde a nossa adolescência, já perdida na noite dos tempos. A história dessa amizade e de Amâncio, como nós sempre o chamávamos, assim como sua incursão pelas artes plásticas, pode ser lida na postagem de 30 de setembro de 2.013, deste blog, denominada “A arte de Guilherme Cotegipe”. Vale a pena dar uma espiada lá. Guilherme participou, recentemente, on line, de uma Exposição na Noruega, cujo tema foi “The World has stopped and the nature thanks you”  (O Mundo Parou e a Natureza Agradece), em alusão ao afastamento social imposto pela pandemia da Covid-19, expondo suas telas (vide certificado na imagem ao lado). Após essa relevante experiência, montou um projeto educativo artístico e cultural que foi batizado de “Aves do Brasil”, uma exposição que pode ser solicitada por instituições de ensino público e privado, que nas suas palavras tem o “o objetivo de levar aos jovens o conhecimento e a conscientização da importância da preservação ambiental, além de levá-los a conhecer a rica fauna brasileira, especificamente a ornitologia dos diferentes biomas do Brasil.” Os interessados podem fazer contato com o artista pelo celular-Whatsapp (19) 993349941. Na imagem que segue, parte da exposição, o autor mostra quais são as aves-símbolos de cada estado brasileiro. Convoco outro amigo especialista em natureza e, sobretudo, um ornitólogo apaixonado, que se apresenta como passarinhista praticante e juramentado, Rubens Galdino Ferreira da Silva, o Rubinho (Indaiatuba- São Paulo),   a dialogar com o autor,  trocando experiências certamente enriquecedoras para ambos.  Contato pelo telefone (019) 38944543 ou (019) 997444192, Grande Amâncio, grande Rubinho! Abraço apertado a ambos. 



 Até mais amigos.

domingo, 29 de agosto de 2021

TEMPOS MODERNOS: O OUVIR EQUIVOCADO, O USO INADEQUADO E AS REPRODUÇÕES INEXISTENTES NO LÉXICO DA LÍNGUA PORTUGUESA.

 

Boa noite amigos,


Não precisa ser velho, com elevado déficit auditivo para que o nosso cérebro, muitas vezes,  faça a leitura incorreta da audição.   Aquela velha surda, personagem do antigo humorístico televisivo  A Praça da Alegria, do saudoso Manoel da Nóbrega e, depois, de  A Praça é Nossa, de seu herdeiro e filho, Carlos Alberto da Nóbrega, se popularizou e, assim, se tornou um ícone,  em função dessa possibilidade que, como eu disse, não é exclusiva dos deficientes auditivos. E que, em função disso, a nossa memória acabe gravando frases inteiras ou expressões isoladas erroneamente.  Lendo constantemente, por força das minhas carreiras de juiz, advogado e professor de Direito, escritos de advogados, Promotores, clientes e alunos, conservo ainda na retina, um rol de expressões incorretas e engraçadas. Algumas reproduzidas inúmeras vezes, o que comprova a tese de que tanto o certo, quanto o errado, em tempos de redes sociais, se espalham como pólvora. Dezenas de vezes ouvi o registro da expressão “é ponto passivo” no lugar de “é ponto pacífico”[1]:  O estagiário ou advogado que não muito familiarizado com os inventários da vida, pede ao cartorário o “formol de partilha”, em vez de “formal de partilha”. Ouvi dizer (não vi, nem li) que um Juiz do Trabalho Classista, erigido à condição de Desembargador de um Tribunal Trabalhista, lá pela década de 80 do século passado, durante uma sessão pública de julgamento, teria dito que o reclamante não se desincumbira do “ânus da prova” pretendendo, na verdade, referir-se a “ônus da prova”.  Ah, mas li muitas vezes, em tempos de máquinas de escrever, mas também de computadores, a palavra “peido” no lugar de “pedido”, bastando para tal que se tenha engolido o “d” que vem antes do “i”. E olha que “pedido” é um termo constantemente usado na linguagem forense escrita e falada. Se ninguém, na linguagem oral, diz peido quando quer dizer pedido,   pode perfeita e inadvertidamente anotar, em petições não revisadas depois de elaboradas, a expressão, pensando ter anotado “pedido”. Ouvi algumas vezes advogados nervosos, forçados pelo Magistrado (no caso euzinho),  a elaborar suas razões finais orais e  em plena audiência, limitarem-se a pronunciar, a esse título, a seguinte e lacônica frase: “Excelência, o autor reintera a inicial”. Hum, Reintera? (O verbo é reiterar). Infinitas vezes li e ouvi que “o réu reconviu” por “reconveio”, a lei vigiu, ao invés de “viger”, assim como vigindo em lugar de “vigendo”. Orações como “A  polícia deteu o réu”, no lugar de “deteve” e outros equívocos que, se devem ser censurados de todos os que possuem curso superior, dentre os quais engenheiros e médicos, são absolutamente imperdoáveis no Bacharel em Direito, no advogado, no Juiz, no Promotor, no Delegado, os quais têm como instrumento principal do exercício da função, a palavra escrita, a correção da linguagem, a comunicação direta, objetiva,  culta e adequada. Pois é. Há ainda “invenções” que se espalham prodigamente e se lê em petições, arrazoados e Acórdãos  aos montes, como “Inobstante” no lugar de “não obstante”[2] ou “nada obstante”, além da permanente dúvida sobre quando usar “onde”  ou “aonde”[3]. E o que dizer das intermináveis dúvidas sobre o uso da crase. Quanto a esta felizes os ingleses que não precisam se preocupar com acentuação para distinguir palavras homônimas, ditongos ou hiatos e essa tal crase com a qual muitos tem uma verdadeira relação de amor e ódio.[4]

Abraço amigos e bom domingo.



[1]  Por exemplo: “Saiba Vossa Excelência que o réu sempre foi bom pai e bom marido. Isso é ponto passivo...”

[2] O Dr. José Maria Costa, meu colega primeiro colocado no 153º. Concurso de Ingresso na Magistratura do Estado de São Paulo, professor de Língua Portuguesa, oferece completa explicação sobre essa praxe forense no uso do termo “inobstante”, respondendo a uma das indagações no tradicional jornal eletrônico forense “Migalhas”. Conferir se tiver interesse no site https://www.migalhas.com.br/coluna/gramatigalhas/29791/inobstante

[3] Sobre a diferença entre as expressões e quando deve ser utilizada uma e outra cf. excelente artigo em  https://ead.uri.br/blog/aprenda-usar-onde-aonde

[4] Há os que resolvem crasear todos os “as” sejam meros artigos femininos, sejam isoladas preposições ou a junção de ambas. Outros que preferem ignorar completamente a sua existência na língua portuguesa.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

LITERATURA - CRÔNICA DE BERNARTZ & BERTRAN

 

Boa tarde amigos, 

O mais recente romance de Luiz Carlos Ribeiro Borges, “CRÔNICA de BERNARTZ & BERTRAN”,[1] é uma obra cuidadosamente elaborada, como adverte o autor no prefácio, tecida a partir de duas dentre as suas confessadas paixões: a Provence do sul da França e a obra dos trovadores medievais, que criaram e cantaram as líricas trovas de amor, trazendo poesia, vida e luz à escuridão da Idade Média, marcada pelo teocentrismo e pelas delações, perseguições, condenações sumárias e execuções da Igreja Católica Apostólica Romana[2]Protagonistas reais do romance, com o único traço comum da notoriedade e reconhecimento como grandes trovadores que foram, Bernart de Ventadorn e Bertran de Born, dão título ao livro e têm os seus currículos explorados com apoio nas inúmeras pesquisas e obras consultadas pelo autor. Mas o caráter biográfico da obra fica por aí. A partir da notícia de que ambos os trovadores teriam se recolhido, numa mesma abadia, em Dalon,  por volta do ano de 1.195,  onde o primeiro se tornou monge, o autor supõe razoavelmente que eles teriam se encontrado e, a contar dessa probabilidade e de como teria sido esse relacionamento breve[3], cria o romance, construindo todos os outros personagens fictícios, com os quais os notáveis trovadores  teriam dividido uma convivência, ora harmônica, ora tensa e difícil, às vezes próxima, outras de distanciamento, num  mundo de desconfianças, medo e perseguições, que marcaram o obscurantismo da Idade Média e o desenvolvimento das várias correntes filosóficas então contemporâneas ou anteriores, voltadas para o homem, sua origem e finalidade[4]

 

Os diálogos são primorosos e cada um dos personagens fictícios foi construído e se conduz, no desenvolver do romance, em consonância com as bases da doutrina que professa ou censura, fidelidade que agrega ao romance, além da beleza estética, um apreciável valor pedagógico e histórico no que respeita aos precursores das doutrinas que deram vida às correntes filosóficas suscitadas.

 

Ao leitor é lícito supor que as reflexões a que se permitem os personagens, oriundos que são de mundos e experiência diversos, a par de enriquecedoras, por certo também revelam muito do próprio autor, na busca da compreensão pelo que seja a natureza humana, a finalidade e o destino do homem e, especialmente, as facetas do amor, nas suas diversas manifestações, não o amor platônico apenas, não só o amor divino, não só o amor de pai, de mãe,  mas também, dentro dessa natureza humana animal,  a legitimidade do amor-paixão, breve, arrebatador, real ou onírico e  o sexo perseguido como expressão única de prazer mundano, inevitável, buscado sem culpa ou pecado, como mera expressão hedonista[5].                               

Se o  livro é a viagem de quem perdeu o trem, ou que não tenha recursos para viajar, Borges, na sua desenvoltura para criar e conduzir o leitor pelo romance, vai apresentando os personagens,  inserindo-o  no  cotidiano deles, contando a sua história passada e revelando em que medida agora são  eles reflexos da experiência amealhada, do seu caráter, dos seus temores e conflitos, e bem assim, as suas dúvidas entre dedicar-se ao recolhimento monástico ou retornar à vida secular.


 Não é difícil, assim, compartilhar da loucura de Serapião, dos temores de Quirino, das informações do bibliotecário Isidoro, do monge Honorato, do abade Prudêncio e suas predileções pelos escritos apologéticos dos primeiros anos de Cristianismo e de tantos outros personagens com quem os trovadores se  cruzam no convívio da Abadia.

 

Por fim, viajando no tempo, o romance, até então contado, em primeira pessoa, pelo trovador Bernartz, com suas visões e impressões, vai  encontrar   nosso escritor, inserido no mundo moderno do século 20, transmitindo as suas conquistas e frustrações, num ensaio acerca do tempo, seus efeitos inexoráveis sobre a saúde física e mental, reproduzindo, assim,  os mesmos questionamentos que acompanham o ser humano, desde o aparecimento da sua espécie (o homo sapiens), vida e morte, a religião e seu papel e influência nas sociedades de todos os tempos,  amor e sexo, o sexo sem amor,  as virtudes e os pecados, os valores,  a transcendência e a finalidade do homem.

 

Aqui também, como em obras anteriores, Borges volta a uma de suas   temáticas prediletas: a natureza e o  poder do sexo sobre os homens e seus destinos, o  fascínio pelo enigma da mulher e seu poder de sedução e perdição, aproximando-se,  nesse particular, de  um dos elementos presentes na poesia de Vinicius de Moraes[7].

 

Há também, acredito, um certo fascínio por figuras reputadas marginais, ontem e hoje, que desafiam os costumes e valores sociais e morais, revelando a coragem e a possibilidade de alternativas de vida condicionadas apenas às suas próprias convicções e vontade.

 

A despeito de temas pesados e profundos, Borges consegue dar leveza e seguimento ao romance, sem gerar no leitor um fastidio ou cansaço,  mantendo-o envolvido com os personagens e os acontecimentos e a curiosidade pelo desfecho dos conflitos que essa interação provoca, outro aspecto marcante na obra.

 

Em síntese, uma obra que, adjetivada como ficção, um romance, é muito mais que isso e pode aparecer como indica o catálogo como relativa à poesia Medieval, os Trovadores, ao Trovadorismo, à Filosofia, além da biográfica com relação aos protagonistas, os notáveis trovadores, Bernardt de Venadorn e Bertran de Born.

 

Como todos os outros livros do autor não é obra com apelo popular ou comercial. Mas como disse um dia o escritor Manuel Carlos sobre Elis Regina: “Elis (substituo por Borges) não faz obra para o público; faz público para sua obra”. E se me permite o autor sem qualquer envolvimento da estima que nos une há muitas décadas, peço que me admita, modestamente, como fiel integrante dessa  última categoria.

 

Até mais amigos,



[1] Borges, Luiz Carlos Ribeiro. Crônica de Bernartz e Bertran/Luiz Carlos Ribeiro. – 1ª. Ed. Campinas (SP). Pontes Editores, 2020. 252 p.

[2] “Para suprir essas conversações, tive que empreender uma leitura, tão vasta quanto permitiam as minhas limitações: sobre as ideias teológicas, filosóficas e estéticas que vigoravam naquele final do século 12; a paixão medieval pelos livros e as iluminuras que os ornamentavam; os autores que eram então venerados ou execrados; as escolas de filosofia às margens do conhecimento; as heresias; os fatos históricos, tanto os contemporâneos à ação do romance quanto os pretéritos, assim como aqueles, vindouros, que esses fatos faziam prenunciar (por exemplo, o crescimento da heresia dos cátaros, em constante conflito com a doutrina oficial da Igreja, poderia acarretar um desfecho trágico, como em verdade aconteceu, já no século seguinte, com o extermínio dos adeptos da heresia)” (p. 9).

[3] Leituras e pesquisas, realizadas durante a confecção do romance, viriam a revelar que Bertran realmente se recolheu à abadia de Dalon: o encontro fictício e imaginário entre os dois poetas passou a se revestir de probabilidade histórica. (orelha da contra-capa do livro).

[4]Aparentemente, apenas o abade e o bibliotecário conhecem meu passado de trovador e cortesão. Os demais habitantes da abadia nada sabem de mim, nem se interessam, imersos nos motivo pessoais de sua própria reclusão, a maioria ali tendo vindo para cumprir uma sincera vocação monástica, outros para expiar algum terrível pecado da juventude, para se isolar do mundo exterior e de suas intermináveis guerras e tentações ou simplesmente para esperar a morte.”

[5] “Para minha perplexidade, a visão portentosa de suas carnes brancas, aliada ao gesto cerimonial de verter água sobre si mesma, fez refluir rios que eu reputava secos e estéreis...... Possuído, como que estimulado por algum elixir de bruxas, pensei em atacá-la, arrastá-la para a margem, derrubá-la e me espojar sobre ela. Mas tudo se fazia muito urgente, e não havia tempo para qualquer outro gesto.” (pág. 75).

[7] “Resta essa fidelidade à mulher re ao seu tormento. Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.”  O HAVER.

terça-feira, 13 de julho de 2021

O QUE ELES DISSERAM - ERRATA DE JAIR BOLSONARO


Amigos, bom dia.

Relembrando o que eles disseram:

“Sigam-me os que forem brasileiros” - Duque de Caxias em 06 de dezembro de 1.868, em solo paraguaio, durante a sangrenta  Batalha de Itororó.

Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”  - D. Pedro I, em 09 de janeiro de 1.822, em resposta aos brasileiros que pediam a sua permanência no país.

Quem não luta pelos seus direitos, não é digno deles.  Ruy Barbosa.

“Saio da vida para entrar na História” – Getúlio Vargas – 24 de agosto de 1.954 em sua carta-testamento.

“Deus deve amar os homens medíocres. Faz vários deles” – Benjamin Franklin.

“Caguei para a CPI”  - Jair Messias Bolsonaro em entrevista coletiva semana passada.

Perdão. Retificando..... O senhor foi é cagado pelo povo brasileiro no segundo turno das eleições presidenciais de 2.018.  Duro está sendo tentar limpar a bunda.

Até mais amigos.

 

sexta-feira, 9 de julho de 2021

CAUSO - FALA CU BEM ARTO.

                                                      Boa tarde.

O povo do interior de São Paulo, sobretudo os que ainda vivem e convivem na rica zona rural, conserva costumes e valores que a gente das grandes metrópoles há muito abandonou. O respeito aos mais velhos, a separação entre a linguagem que  os homens podem usar entre si e o que é proibido dizer perto das mulheres, novas ou velhas, especialmente o que se convencionava ser “palavrão” ou expressão imoral são princípios absolutos. Pois bem. Esta vem lá das bandas da “Varge”, que é como o pessoal da simpática cidade de Vargem Grande do Sul, próxima da divisa com o sul das Minas Gerais, costuma se referir à terra natal. E com o testemunho do meu querido amigo Dr. Cortez. Certa vez,  pelas bandas de um sítio, a molecada toda brincando e correndo pelo campo aberto, parou para conversar com o tio Zé, parente da maioria deles  e muito querido pela atenção e dedicação que dispensava a meninos e meninas da grande família que lá vivia e trabalhava. Enquanto conversavam, aponta ao longe, e caminha em direção a eles, uma velhinha, tia-avó  dos garotos e que  sempre manifestava exagerado afeto por eles. Estes odiavam  a forma com que ela os apertava nos calorosos abraços e abominavam os seus beijos molhados, cheios da baba vazada das bocas incontroláveis da respeitável dama da terceira idade. Ao avistarem a velhinha a criançada toda correu e tratou de se esconder onde podia. O tio permaneceu lá e não pretendia “dedar” os meninos para a anciã, sempre ávida de amor e baba para distribuir. Ocultos, atrás de um curral, os meninos permaneciam em silêncio absoluto, quando o tio gritou: - Agora podem sair, ela já foi. Como ele gostava de “pregar peças” e zoar a molecada, o Zé duvidou de  sua sinceridade. Mas ele insistiu: - Saiam meninos, ela já foi embora, estou falando. Diante da insistência, mas ainda receoso de estar sendo enganado pelo tio o Zé gritou: - Oi tio, ela saiu mesmo? E o tio: - Foi embora, já falei. E o moleque para se garantir: -- Se ela não tá aí mesmo, então fala “CU” bem arto.

sábado, 12 de junho de 2021

H. L. MENCKEN - LIVRO DOS INSULTOS

 

 

Boa noite amigos,

 

Henry Louis Mencken (1880-1956), um americano de origem judaica,  foi  considerado o precursor do modernismo americano por Edmund Wilson e, sem ele, nos anos 20, o país não estaria, garante o saudoso Paulo Francis, "aplainado para F. Scott Fiztgerald e Ernest Hemingaway". Versátil, quando morreu em 1956, a grande dificuldade da imprensa, segundo Ruy Castro, que traduziu e escreveu o prefácio de sua obra O Livro dos Insultos (Companhia das Letras),  uma seleção de muitos artigos que escreveu para jornais, teria sido escolher uma classificação que melhor o definisse: repórter, crítico, colunista, editor, polemista, escritor, filólogo, humorista. Em verdade ele foi tudo isso com muita autenticidade e talento. Li e reli muitas vezes essa coletânea, composta de artigos diversificados, nos quais sustenta  o  seu pensamento sobre o mundo, a religião, o amor, a vida e a morte, o sentimentalismo e tantos outros temas.  Sobre o Médico e a Medicina Preventiva cutucou:  A medicina preventiva é a corrupção da medicina pela moralidade. É impossível encontrar um médico que nāo avacalhe a sua teoria da saúde com a teoria da virtude. Toda a medicina, de fato, culmina numa exortação ética. Isto resulta num conflito diametral com a ideia da medicina em si. O verdadeiro objetivo da medicina não é tornar o homem virtuoso; é o de protegê-lo e salvá-lo das consequências de seus vícios. O médico não prega o arrependimento; ele oferece a absolvição." Conhecer o seu pensamento, a sua personalidade voltada para a polêmica e a crítica, as suas frases famosas, enfim inebriar-se um pouco  com os ataques de  sua língua afiada e maldita é uma empreitada interessante. E que viva a diversidade em qualquer de suas facetas.

Até mais amigos.