domingo, 11 de setembro de 2011

CINEMA NACIONAL: AS MELHORES COISAS DO MUNDO

                                                                               Caros amigos, falar da cineasta paulista,  Lais Bodanzky é uma grande satisfação. Tenho pelos seus trabalhos grande admiração, a começar pela sua coragem de ir buscar recursos para um filme que é marco no cinema nacional contemporâneo: Bicho de Sete Cabeças e pelo qual passou a ser conhecida e respeitada.  Quando se fazia cinema no Brasil a partir de temáticas mais ou menos óbvias e repetidas como o enfoque de favelas e da violência, falar  de drogas, de preconceitos, do tratamento em  hospícios, de uma realidade que em princípio é mais ou menos universal, porém rejeitada até pelo subconsciente coletivo, é roteiro que não interessa a  nenhum patrocinador associar o seu nome. O filme saiu com grande dificuldade e foi um sucesso. Depois veio o tocante Chega de Saudade, para mim um dos dez  melhores filmes nacionais de todos os tempos. E no ano passado, Laís lança AS MELHORES COISAS DO MUNDO (2.010, Brasil, 107 minutos), um drama que explora o universo da adolescência de classe média na São Paulo contemporânea, com os seus conflitos, incompreensões e aspirações. O roteiro é do marido da diretora, Luiz Bolognesi, que pesquisou para escrever o script, a partir do livro de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, “Mano”, mas não só. Adolescentes foram ouvidos pela equipe e colaboraram na descrição de seu dia-a-dia, desde o relacionamento com os parentes e amigos, até a linguagem e a maneira de encarar o mundo e o que esperar dele: “Não é impossível ser feliz depois que a gente cresce. É só mais complicado”, é uma das frases dita pelo protagonista.  Laís ganhou o premio APCA de 2.010, de melhor direção. Na sinopse o foco é o universo de  Mano, vivido pelo excelente jovem ator Francisco Miguez, que estuda num colégio burgues de São Paulo e tem que lidar  com uma série de problemas. Seus pais, Camila (Denise Fraga) e Horácio (Zé Carlos Machado) estão se separando, o que afeta o rapaz e também o seu irmão mais velho, Pedro (Fiuk). Mano tem como sua melhor amiga e confidente, Carol (Gabriela Rocha), que no entanto está apaixonada pelo professor Artur (Caio Blat). Situações do tipo “Como chamar atenção da menina por quem está apaixonado” “Como tratar o tabu da virgindade, ou confessá-la, aos 15 anos,  evitando a inevitável gozação dos amigos”, “Como conservar o respeito e o amor pelo pai que agora deixa um casamento convencional e vai viver com um aluno, seu orientando na Universidade, num relacionamento gay”. A trama se desenvolve com a delicadeza própria da diretora e do roteirista, capaz de humanizar  diferentes situações de vida. O vídeo acima é um trailler bem elaborado e um  bom aperitivo para quem pretende ver o filme. De quebra uma trilha sonora impecável e pertinente que vai de composições modernas até o inequecível Something dos Beatles. Não deixe de ver. É um dos melhores filmes do ano passado e no momento fora do circuito comercial dos cinemas, é, porém,  facilmente encontrado nas videotecas,  para locação ou venda.
Até amanhã.



sábado, 10 de setembro de 2011

SOBRE GRAVATAS II


Amigos, boa noite.

          Qual teria sido a origem da gravata? Há controvérsias a respeito, mas parece não haver dúvida que a introdução, na vestimenta, do uso da gravata, tem origem no regimento croata, quando o respectivo exército, esteve  a serviço da França,  durante a  Guerra dos Trinta  Anos. Esse acessório era usado como distintivo militar pelos croatas, composto de tecido rústico para os soldados e de algodão ou seda, tecido mais nobre, portanto, para os de patente superior;

2.     Observem o seguinte trecho do livro francês “La Grande Histoire de la Cravate” (Flamarion, Paris, 1994), sobre o assunto: “ Por volta do ano 1635, cerca de seis mil soldados e cavaleiros vieram a Paris para dar suporte ao rei Luis XIV e o Cardeal Richelieu. Entre eles, estava um grande número de mercenários croatas. O traje tradicional destes soldados despertou interesse por causa dos cachecóis incomuns e pitorescos enlaçados em seu pescoço. Os cachecóis eram feitos de vários tecidos, variando de material grosseiro para soldados comuns e  seda e algodão para oficiais”. Os franceses, logo se encantaram com esse adereço elegante e desconhecido, que chamaram de cravat, que significa, croata. O próprio rei Luis XIV ordenou que seu alfaiate particular criasse uma peça semelhante ao dos croatas e que a incorporasse aos trajes reais.”;

3.     Até hoje, o traço distintivo da gravata de estilo, tem se mantido. As gravatas italianas de seda pura, confeccionadas à mão, são as mais nobres e as mais caras de todas. Leves e ideais para os dias quentes, formam um nó menor.

4.     As gravatas de seda de jacquard são produzidas em tear de jacquard, inventado no começo do século XX. Trata-se de uma seda mais elaborada, formando no próprio tecido o padrão da gravata. São mais pesadas e por isso proporcionam nó maior. Neste caso usar o nó mais simples para evitar que ele faça grande volume.

5.     O grande  Oscar Wilde, a propósito do nó de gravata, já pontificava: “DAR UM BOM NÓ DE GRAVATA É O PRIMEIRO PASSO SÉRIO NA VIDA DE UM HOMEM”;

6.      Dentre as marcas famosas de gravatas, vamos focalizar hoje aquelas fabricadas por ERMENEGILDO ZEGNA. Todas as gravatas Zegna são feitas na Itália e, uma a uma, cortadas, preparadas e finalizadas à mão. Os tecidos são os mais sofisticados: seda pura da China, ou seda mesclada com algodão egípcio, linho ou cashmere da Mongólia;

7.     Destinados aos clientes de todo o mundo a Ermelindo Zegna divulga os detalhes com que são feitas as suas gravatas, envolvendo os procedimentos de modelagem, forro, costura e acabamento no site http://angelnews.at.ua/load/bauhttp://angelnews.at.ua/load/bau/gravatas_ermenegildo_zegna/1-1-0-210;

8.     As gravatas da Ermenegildo Zegna custam entre R$100,00 e R$200,00 aproximadamente, nas lojas de roupas masculinas (VR, Vila Romana, dentre outras).  Na foto acima cavalheiros usando as gravatas da marca referida.

Até amanhã.


























quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ECONOMIA BRASILEIRA - O DISCURSO DA PRESIDENTA DILMA


Amigos, boa noite,

Hojé é 7 de setembro, mais um aniversário da Independência do Brasil de sua condição de mera colônia de Portugal. Quase 190 anos depois, as comemorações começaram, em verdade, na noite de ontem com o pronunciamento da Presidenta da República, Dilma Roussef, em cadeia de rádio e televisão  no horário nobre. A manifestação pública da  primeira mulher a ser eleita para o mais alto cargo do Executivo da nação na era republicana e também Chefe do Estado Brasileiro foi  oportuna para tranqüilizar os ânimos,  num momento de crise e incerteza quanto aos destinos do país, diante da grave crise da economia mundial. É  que, de um lado, o cenário  acena com uma recessão importante dos Estados Unidos e o eventual calote aos credores de países integrantes da União Européia, e de outro, com as especulações sobre a possibilidade de volta da inflação desenfreada, diante dos números  divulgados ontem, para os últimos 12 meses (7,23% no acumulado), para o que contribuiu o índice de agosto, e que supera a meta estabelecida para o ano (6,5 até dezembro),  e do risco de recessão, ou, ao menos, estagnação da economia, com perda das ofertas de emprego e desestímulo à produção e investimentos em infra-estrutura pelos setores produtivos.  Acresça-se a isso a também ameaça de crise política com as últimas notícias de corrupção envolvendo três ministérios e  o boato de que a mandatária faria uma faxina atingindo gente de confiança e amiga do ex-Presidente Lula, independentemente das consequências para a amizade e   o partido do governo. Por fim, a grave crise da saúde pública no Brasil, manchete de todas as vertentes de mídia nas últimas semanas. Pois a Presidente não deixou nenhum desses assuntos sem abordagem. Sobre o quadro da economia, salientou Dilma: “Nosso Brasil, por ter sido, nos últimos anos, um país que se transformou, que soube fortalecer e ampliar as oportunidades de trabalho, seu mercado interno e o poder de consumo de sua gente, está plenamente preparado para enfrentar mais este desafio. Aqui, o emprego e a renda batem recordes históricos. Nossas reservas internacionais estão mais sólidas do que nunca. O crédito continua crescendo. E a inflação está sob controle. Os juros voltaram a baixar e a estabilidade da economia está garantida”. Acontece que parte de nossos desafios continuam sem solução a curto prazo. Temos desempregos e oferta de empregos, sem que cargos e funções sejam preenchidos. E por quê? Porque falta mão de obra qualificada e é preciso investir na educação formal e oferecer cursos profissionalizantes em áreas básicas como línguas estrangeiras e informática.  O risco da volta de uma hiperinflação como a vivida por nós na década de 80, está, porém, descartada. Como afirma a economista Miriam Leitão, o Brasil tem dois problemas neste momento: o governo não fez ajuste fiscal, apesar de garantir que fez,  e há dúvidas sobre a autonomia do Banco Central para evitar a alta de preços. De qualquer forma, por pior que seja o governo, não há possibilidade de inflação descontrolada nos níveis inesquecíveis do passado mais ou menos recente. Ainda segundo Miriam, “A melhor âncora continua sendo o país, que não quer viver de novo a sensação de preços em descontrole”. Entre os economistas há divergências no tocante ao comportamento do mercado e a volta ou não da inflação. Os otimistas raciocinam de maneira invertida: se o mundo vai crescer menos, o consumo será necessariamente menor e, com recessão, os preços vão cair necessariamente. Outros porém, consideram que apesar da desaceleração há fatores outros que manterão pressões inflacionárias. Certo é que a consciência geral de que, no momento atual de nossa economia,  índice superior a 7% já é intolerável, é um fator psicológico extremamente positivo, sem dúvida, e já aprendemos como as especulações e a sensação de insegurança no mundo de hoje são fatores que influenciam diretamente o comportamento da economia de uma nação. O Governo fez sua parte, ainda que em parte. Falou que o combate à corrupção deve ser um comportamento natural e ético, não devendo constituir meta ou projeto de nenhum governo em especial, incentivou os empresários a investir pesado, como vinham fazendo, em infra-estrutura e na produção, acenando com a priorização e a absorção dessa produção pelo mercado interno, diante do poder de consumo adquirido nos últimos anos, por parcela significativa do povo brasileiro e, finalmente,  aconselhou o povo a continuar acreditando e consumindo, ainda que com responsabilidade, dizendo estar  garantido o crescimento do crédito. O curioso de tudo isso está no seguinte: Desde 1.999, com a criação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice utilizado pelo governo para medir a inflação, que o país optou pela política de controle dos juros como único instrumento considerado eficaz no controle da inflação. Assim, por uma regra simples de economia, quando há demanda para o consumo, pela lei da oferta e da procura, a tendência é a subida de preços,com  a conseqüente alimentação da espiral inflacionária. Logo, o aumento da taxa de juros automaticamente faz baixar o crédito e, sem crédito, o consumo também tende a cair. Agora, a semana passada, o COPOM baixou a taxa básica de juros (SELIC),  em 0,5 ponto percentual, atendendo a apelo do próprio Governo. Com a inversão dessa equação, como ficará o controle da inflação? Acontece que ao mesmo tempo em que será necessário o controle do processo inflacionário, o país tem que proteger sua economia da crise mundial e do risco de recessão ou estagnação,  e para tanto, deve depender menos possível do comércio exterior. A manutenção dos níveis de investimentos e de produção e a conservação da demanda do mercado interno em alta são indispensáveis ao crescimento da economia. O cenário econômico muita vezes traz esse enredo. Crescimento econômico, sem inflação é a meta. Mas como conseguir tal desiderato? São muitos os componentes desse jogo. E o final dele, diante de tantas conjecturas, não pode ser previsto com segurança. Finalmente, considere-se o fato de que, em regra, o consumidor brasileiro de renda mais baixa, nem sequer sabe quanto paga de juros quando financia produtos que pretende adquirir, bastando que lhe dêem prazo suficiente para viabilizar o pagamento. É um dado bem brasileiro, mas que pode induzir uma grande inadimplência que certamente afetará a economia.  É  não tem jeito: É  um "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".  Aguardemos os próximos passos do jogo. Que o resultado seja bom para o país e para nós.

Até amanhã.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CASAMENTO GAY E O CONGRESSO NACIONAL - POSSE NO STJ

Boa noite amigos,

UNIÃO ESTÁVEL E CASAMENTO ENTRE HOMOSSEXUAIS – A AUSENCIA DE MANIFESTAÇÃO DO CONGRESSO.

A lentidão com que o Congresso Nacional vota os projetos de lei sobre temas de relevância social, sobretudo  na área dos direitos humanos, não significa hoje apenas prudência, mas com certeza dificuldade na regulamentação de assuntos, notadamente no novo Direito de Família, que possam suscitar grandes controvérsias e, especialmente, perda do eleitorado. A sociedade, no entanto, não pode se calar diante dessa reiterada omissão que tem levado, como abordado neste espaço anteriormente, a uma posição franca e aberta do Supremo Tribunal Federal no julgamento dos mandados de injunção e nas ações declaratórias de inconstitucionalidade por omissão em favor da regulamentação, pela Corte Maior, daquilo que deveria ser função do Legislativo, ou seja, legislar, ainda que para solver o caso concreto. É hora de nossos deputados e senadores, especialmente os Presidentes da Câmara e do Senado,  assumirem claramente suas posições e submeterem à votação, para aprovação ou não, esses projetos que se arrastam há anos nos escaninhos do Congresso Nacional. Agora recentemente, no julgamento de determinada causa em que se discutia sobre se era possível reconhecer a existência de união estável nas relações homoafetivas, a Corte Maior da Nação respondeu afirmativamente, não sem lamentar a inexistência de legislação infraconstitucional que regulasse a questão. Pois bem, em todo o Brasil, a partir desse julgamento, sem dúvida histórico, pipocam ações e pedidos de reconhecimento dos efeitos da união estável e outros de conversão da união estável em casamento civil, nos termos do que dispõe o Código Civil de 2.002. O entendimento dos juízes de 1ª. Instância são os mais variados. Há os que negam direitos próprios dos parceiros em união estável, sob a alegação da inexistência de lei que regulamente a questão. E principalmente os que admitem a união estável e todos os seus efeitos, mas negam o pedido de conversão dessa união em casamento, entendendo que não há na decisão da Suprema Corte, qualquer inferência no sentido de que esse tipo de união possa ser convertida em casamento civil, que, nesse raciocínio, seria exclusivo dos casais heterossexuais. E, finalmente, os que autorizam a conversão, permitindo a realização de  casamentos civis com pompas e circunstâncias, inclusive casamentos coletivos. Seja como for, é incompreensível que os parceiros sejam submetidos a essa variedade de soluções que podem se estender por Tribunais estaduais do país e só encontrarem pacificação de entendimento daqui há anos, quando os processos chegarem ao Supremo. Senhores Deputados e Senadores. Mexam-se e dêem à Nação a contribuição que de vocês se espera: apresentem projetos e votem projetos que, especialmente na área da dignidade da pessoa humana, carecem de disciplina legislativa urgente para evitar distorções  no tratamento de situações jurídicas equivalentes, o que é de todo inadmissível e atenta contra o tão propalado regime democrático.
POSSE NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Na foto acima, a concorrida sessão do Superior Tribunal de Justiça, na qual tomaram posse dois novos Ministro, quais sejam, os Magistrados Marco Buzzi e Marco Aurélio Bellizze.

Buzzi tem 53 anos, é catarinense da cidade de Timbó e ingressou na Magistratura em 1.982. Integra o Comitê Executivo do Movimento pela Conciliação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e é Presidente do Comitê Especial para Implementação do Manual dos Juizados Especiais junto ao Conselho Nacional de Justiça. Ocupa a vaga deixada com a aposentadloria do Ministro Paulo Medina, integrando a Quarta Turma e a Segunda Seção do STJ, especializadas em Direito Privado.

Marco Aurélio é carioca, tem apenas 47 anos e é Magistrado há mais de 20 anos, depois de integrar o Ministério Público. É especialista em Execução Penal e Direito Eleitoral, foi nomeado para a vaga aberta com a posse do Ministro Luiz Fux no Supremo Tribunal Federal. Irá integrar a Quinta Turma e Terceira Seção do STJ, especializadas em Direito Penal.
 Aos novos Ministros saúde, trabalho e sensibilidade no julgamento dos processos que lhes serão afetos.

Até amanhã.

domingo, 4 de setembro de 2011

FUTEBOL - RODADA DE FIM DE SEMANA DAS SÉRIES A E B DO BRASILEIRO

Boa noite amigos,

O fim de semana do futebol foi agitado, com a vigésima primeira rodada dos Campeonatos Brasileiros das Séries A e B.  Vamos aos destaques:

° O Flamengo, que não vence há 6 jogos, entrou naquela fase que todos os times entram num campeonato longo, difícil e parelho como o Brasileiro da Série A. Hoje, sem Ronaldinho, convocado para o amistoso caça-níquel da Seleção Brasileira, amanhã contra Gana,  e como mandante do jogo no Engenhão, foi surpreendentemente derrotado pelo Bahia, que está lá embaixo na tabela, pelo placar de 3 a 1. Apesar da surpresa, diga-se de passagem, o resultado foi justo, pois o Flamengo jogou mal e esteve muito falho,  sobretudo na defesa e no setor de criação;

° O Atlético Mineiro venceu pela segunda vez consecutiva (2 a 0 sobre o Avaí), em Sete Lagoas.  Até hoje à tarde esteve fora da zona da degola. Mas com a vitória do Bahia sobre o Flamengo, trocou de posição com o time baiano e terminou a rodada em 17º lugar, ainda entre os 4 piores colocados na competição. Mas pelo time que tem, pela força de sua torcida e pela tradição é improvável que venha a cair para a série B. Nada, porém, é impossível. O Atlético já caiu antes, como  caíram times de grandes torcidas e tradicionais, como Corinthians, Palmeiras,  Botafogo, Grêmio e Fluminense;

° O jogo que a TV Globo transmitiu para o Estado de São Paulo foi Coritiba e Corinthians. Foi um jogo movimentado, mais equilibrado no primeiro tempo que terminou sem abertura de contagem. O Timão foi bem na marcação, conseguiu equilibrar as ações e criar algumas chances de gol. No segundo tempo porém, recuou exageradamente, deu campo ao Coritiba, que partiu para cima, martelou, martelou, até fazer o gol, numa jogada genial do atacante Rafinha;

° O jogador Alex, que veio do exterior contratado  recentemente pelo Corinthians não deu sorte hoje. Mandou duas bolas na trave. Quem sabe nos próximos jogos, acerta o gol. Ainda acredito que o Timão fez uma boa contratação e que  o atleta efetivamente é um reforço ao elenco da equipe do Parque São  Jorge;
° O centroavante Fernandão, contratado pelo Palmeiras ao Guarani na semana passada e que fez estréia e gol na vitória do Verdão sobre o Corinthians, no último domingo, entrou hoje novamente como titular contra o Cruzeiro e deu bela assistência,  no lance do gol de Luan;

° O Palmeiras bem que poderia ter vencido o jogo contra o Cruzeiro. No final do segundo tempo, quando o placar indicava empate de 1 a 1, o árbitro apitou pênalti para o Verdão. Marcos Assunção cobrou e o goleiro Rafael defendeu com os pés. Apesar da bela defesa do goleiro, Assunção cobrou mal, permitindo a defesa. Depois, dando entrevista, admitiu ter sido culpado pelo empate dentro de casa, que considerou um mal resultado;
° Mas Marcos Assunção tem crédito. São incontáveis os jogos que o Palmeiras venceu, graças a boas cobranças de falta do atleta, convertidas em gol. Sem dúvida, um dos melhores cobradores de falta do futebol brasileiro na atualidade. Perder pênalti  não é comum, mas acontece. Até para jogadores da seleção brasileira que outro dia perderam quatro, em sequência. Um verdadeiro recorde.

° O jogo Botafogo e Santos foi adiado e assim, ambos ficam com um jogo a menos que os demais. Seus torcedores hoje ficaram  torcendo contra os adversários diretos na tabela  e tiveram sorte, com as derrotas do Corinthians, do Flamengo, do Vasco e o empate do Palmeiras. Eta rodada ruim para o pessoal do G4 e adjacências;

° Por falar em derrotas inesperadas, quem diria: o Vasco foi goleado pelo modesto time do América Mineiro, lanterna do campeonato e com passagem reservada para a volta à segunda divisão, a menos que haja uma reviravolta pouco provável. A surpresa nem tanto pela derrota, que acontece, mas pelo elástico placar de 4 a 1;

° Joel Santana não ficou muito tempo desempregado. Demitido no meio da semana pelo Cruzeiro, foi contratado  hoje pelo Bahia, que demitiu o técnico Renê Simões. Acho que os dois técnicos são equivalentes e não fazem parte da primeira linha do futebol. A fama de Joel é muito mais pelo que representa de folclore, do que por resultados relevantes. Os títulos que ganhou foram no Campeonato Carioca, com os clubes grandes;
° Não gosto de árbitros que fazem média e deixam de aplicar as regras quando violadas. Pois o árbitro Wilton Pereira Sampaio, que apitou o jogo Coritiba e Corinthians, não deu sequer cartão amarelo para o jogador Lendro Lorenzetti, que, aos 18 minutos do segundo tempo, levantou o pé e deu uma entrada criminosa no jogador Chicão, que se safou do lance, por sorte. Como o jogador já tinha recebido cartão amarelo, Wilton preferiu fazer vistas grossas. O lance não merecia amarelo, mas cartão vermelho direto;

° Que fôlego tem o jogador Emerson do Corinthians. Em dois contra-ataques do Timão no jogo de hoje, ele provou que é um dos mais velozes na atualidade. Num dos lances estava atrás de dois adversários e conseguiu tomar a frente de ambos. Quando já ia entrar na área foi calçado pelo zagueiro e sofreu falta;
° Na série B, os destaques foram para a Portuguesa, que voltou a vencer, agora a equipe do Paraná, pelo placar de 2 a 1  e atingiu 42 pontos, mantendo-se na liderança absoluta do Campeonato. A Ponte Preta deixou escapar a chance de dormir na liderança, pelo menos de sexta-feira para sábado, quando, como mandante, jogando em Araraquara, não passou de um empate em 1 a 1 com o time do  Vila Nova de Goiás. Mas manteve-se na segunda colocação com 39  pontos. O Americana também poderia ter vencido em casa. Acabou também só empatando com o ASA, em 1 a 1, mantendo também sua posição de 4ª. colocada, agora com 34 pontos,  mas vendo o Sport encostar com 33. E o Guarani, depois da reação na terça-feira quando virou um placar adverso, em Araraquara, de 2 a 0, contra o Criciúma, para 4 a 2, conseguindo a 6ª. vitória no campeonato, caiu novamente e pelos mesmos erros, diante do Sport, na Ilha do Retiro, por 3 a 1. Curioso é que o time tomou um gol aos 50 segundos de jogo, mas equilibrou a partida e conseguiu o empate com um belo gol de Denilson no final do primeiro tempo. No entanto, fez um segundo tempo ruim e com falhas novamente na defesa, facilitou a tarefa do Sport, que não é nenhum bicho papão. Dadá foi indisciplinado taticamente, pois o técnico Giba mandou que ele colasse em Marcelino Paraíba, o jogador de criação da equipe pernambucana e ele ignorou a determinação. Resultado: dois gols construídos de jogadas de Marcelinho. Livre, livrinho. Assim, não dá.

° E o Náutico, como mencionei a semana passada, é um belo time e que tem tudo para ocupar uma das vagas entre os 4 que deverão subir este ano. Depois daquele empate com a Ponte Preta, num dos melhores jogos da série B, sábado passado, venceu ontem o Goiás, no Serra Dourada, por 2 a 1. A equipe é melhor tecnicamente e mais entrosada do que o seu rival pernambucano, o Sport,  que disputa a mesma competição. Teve novamente gol do vice-artilheiro, Kiesa, excelente atacante.


Até amanhã.

sábado, 3 de setembro de 2011

CINEMA - CÓPIA FIEL (COPIE CONFORME)


Amigos, boa noite de sábado.
Em 100 minutos, o talentoso diretor iraniano Abbas Kiarostami (do badalado e complexo Close Up dos anos 90), constrói um drama de muita riqueza humana e sensibilidade, como tem sido a marca dos grandes cineastas iranianos.  A produção é trinacional (Fraça-Irã-Itália). Cópia Fiel, do original, Copie Conforme,  lançado recentemente no Brasil, conta a história de um escritor inglês, James Miller (interpretado pelo ator de óperas, William Shimell), especialista em história da arte, que visita pequena localidade no interior da Toscana, eleita para o lançamento de seu último livro, no qual  aborda questões relacionadas com a autenticidade e a reprodução de obras de arte. Lá encontra Elle (Juliette Binoche) uma francesa que vive na Itália em companhia de seu problemático filho pré-adolescente, personagem representado pelo ator Adrian Moore. Ellen é  proprietária de uma galeria de arte e  se sente honrada com a visita do renomado escritor, confessando ter sido atraída mais pelo nome do livro do que pelo seu conteúdo, e o  convida para visita a uma cidade vizinha, famosa pelo imaginário popular de que lá os casamentos que são realizados dão certo e sorte. O longa gira especialmente em torno dos dois personagens e da viagem empreendida, focalizando desde as belezas naturais encontradas no percurso,  até os pontos festivos e marcantes do vilarejo. O viés fotográfico do diretor fica evidente ao retratar, especialmente de dentro do veículo em movimento (uma de suas preferências), a bela paisagem que se descortina na estrada com românticos ciprestes, que para o personagem “Se estivessem dentro de uma galeria ou museu seriam vistos de outra maneira”. Fato é que, enquanto o casal vai se conhecendo, conversando sobre instituições e situações existenciais, em dado momento, confundidos por uma dona de uma trattoria como marido e mulher,   acabam entrando nesse jogo e passam a se imaginar parceiros em crise numa eventual relação de 15 anos.  Esses personagens  lhes serve de fonte de criatividade  e, ao mesmo tempo, de verdadeira catarse, para as supostas (tudo em Kiarostami é enigmático e imaginado) experiências mal sucedidas de relacionamentos anteriores, por eles (ainda supostamente) vivenciados no passado.  A riqueza dos diálogos é o ponto alto do filme. Preciosidades que levam o espectador a questionamentos inevitáveis: “Não é simples ser simples. Não somos vermes, somos complexos”. E sobre a obra de arte: “Não importa a obra de arte mas o olhar que se tem diante dela”. No desempenho desse jogo, vale tudo: A diferença de sentimentos; O homem e a mulher; A questão do que é essencial no relacionamento;  O desgaste natural desse mesmo relacionamento; O ser mutante; A maturidade e a necessidade de tolerância; Uma segunda chanche de ser feliz ou se sentir seguro, quem sabe. O desencontro pela figura emblemática de dois sinos que batem ao mesmo tempo, mas não se encontram, simetricamente, por pequena distância é talvez o desafio maior entre os parceiros (A cópia seria o casal? A cópia seria a imitação da obra original? Os personagens? A vida que se repete?). A interpretação de Juliette, uma francesa deselegante e desleixada na maneira de se trajar, mas que se  revela uma doce,  bonita e profunda mulher rendeu-lhe o merecido prêmio de  melhor atriz do Festival de Cannes, versão 2.010. A maneira fragmentária com que o diretor apresenta o drama e que leva o espectador a ir tirando conclusões e depois, voltando atrás, é uma técnica muito peculiar a Kiarostami e que agrada, pelo menos em parte, o público que aprendeu a admirá-lo. E mereceu também o comentário de Juc-Luc Godard, o que não é pouco obviamente, segundo o qual “Os filmes começam com D.W.Griffith e terminam com Abbas Kiarostami”. É isso. Se você não se preocupa apenas com o cinema de entretenimento. Se gosta de cinema que aborda questões filosóficas e psicológicas. Se não dorme em filmes de longos diálogos e, às vezes, minutos de silêncio que podem e devem ser interpretados no diálogo proposto pelo roteirista, não deixe de ver. É profundo, sensível e tocante.



Até amanhã.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

GUARANI 100 ANOS - O DIA EM QUE O BUGRE GOLEOU O INTERNACIONAL DE FALCÃO.


Caros amigos,
O jogo era no famoso estádio José Pinheiro Borda, conhecido como Beira Rio, em Porto Alegre. O adversário o terrível Internacional, de Falcão, Batista, Caçapava e Cia., bicampeão brasileiro em 1.975 e 1.976, de uma Taça Brasil  que se iniciara em 1971. Começo de férias, dia 02 de julho de 1.978, um domingo e a delegação do Guarani aguardava, num hotel, o momento de seguir para o Estádio visando a difícil partida, primeira da fase final do 1º turno. O técnico Carlos Alberto Silva dirige-se então aos jogadores com os jornais do dia. Todos assinalavam o amplo favoritismo do tricolor gaúcho sobre o Bugre, o que não deixava de ser verdade. Mas alguns se excediam. Um deles resolve questionar e esbonar o adversário: Afinal, dizia, quem era aquele Guarani? Um time que tem um ataque de riso com jogadores chamados Capitão, Careca e Bozó, este último inclusive com nome de palhaço, não pode ter pretensão de vencer o grande Internacional e coisas do gênero. Os atletas tomaram conhecimento dos comentários sérios e desairosos e se encheram de brios. Seguiram para o estádio. O árbitro,  o carioca Arnaldo David Cézar Coelho, hoje aposentado e comentarista de arbitragem da Rede Globo apita o início do espetáculo. O estádio do Beira Rio recebia um público de 10.131 pagantes, proporcionando uma renda de Cr$308.440,00. Para surpresa desse mesmo público, o Bugre abre a contagem logo aos 4 minutos, com um belo gol do meia atacante Renato (Pé Murcho). O Internacional parte para o ataque parando sempre na boa marcação do bugre, cujos atletas se desdobram em campo. Já quase no final do 1º tempo, ele, ele mesmo, o Bozó, com nome de palhaço, faz o segundo gol aos 40  minutos. O  jogo vai para o intervalo, com o placar de 2 a 0 para o alviverde campineiro. Começa o segundo tempo e todos esperando a reação do Inter. No entanto, o jogo é equilibrado, com o time da casa evidentemente ofensivo, buscando descontar e virar o marcador. Neneca,  o goleiro bugrino faz grandes defesas. Eis que aos 38 minutos do 2º tempo, uma jogada de craque. Zenon, o grande Zenon recebe a bola na meia direita e percebendo que a defesa do Inter sai inteira, fazendo a chamada “linha burra”, para que os atacantes fiquem impedidos, ameaça fazer o lançamento, mas ao invés disso, impulsiona a bola para a frente e  para si mesmo, saindo em direção ao gol. Depois de levar  toda a surpreendida defesa adversária, faz o terceiro gol, um golaço,  de forma espetacular. A goleada do Bugre sobre o grande Inter, bicampeão, estava selada. Nem gol de honra teve. Esse jogo memorável do Guarani de 78, marcava definitivamente a marcha do Bugre para sagrar-se campeão do Campeonato Brasileiro, naquela época chamado de Copa Brasil. À noite, no Fantástico da Globo, Leo Batista dá os resultados da Loteria Esportiva, como era costume. E na hora de citar o resultado do jogo Inter e Guarani, indica coluna dois e logo aparece a zebrinha. Deu zebrinha no sul. Com gol do  palhaço Bozó e tudo. E a pérola de Zenon. Vi o gol muitas vezes e não consegui achar agora um vídeo sequer para juntar a este blog. Uma pena.
Ficha técnica do jogo:
Vigésimo jogo do Bugre no Campeonato Brasileiro de 1.978. Fase Final 1º Turno. Local: Estádio José Pinheiro Borda (Beira Rio), Porto Alegre. Data: 2 de julho de 1.978, domingo, 16,00 horas. Árbitro: Arnaldo David Cezar Coelho (RJ). 1º tempo: Inter 0, Guarani 2, gols de Renato aos 4 e Bozó aos 40 minutos. Final: Inter 0, Guarani 3, gol de Zenon aos 38 minutos da etapa complementar. O Internacional do técnico Cláudio Duarte jogou com Gasperin, Lucio, Gardel (Jair), Beliato e Vanderlei; Falcão, Batista e Caçapava; Valdomiro, Bill e Peri (Chico Spina). O Guarani, do técnico Carlos Alberto Silva, venceu com Neneca, Mauro, Gomes,  Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão (Manguinha), Careca e Bozó (Macedo).
Até amanhã