sábado, 1 de março de 2014

CHURRASCARIA ESTAÇÃO MOGIANA

Bom dia amigos,

Fotos e objetos que lembram a antiga Estrada de Ferro Mogiana, fazem parte da decoração  da casa, um prédio amplo e rústico, situado no Jardim Novo Botafogo, aqui em Campinas, Estado de São Paulo. O objetivo é  resgatar, do fundo da memória,  o passado, o tempo áureo dos trens,  transporte mais arejado, disciplinado e romântico, devassando, para os passageiros, nas viagens curtas ou longas, a paisagem bucólica da metrópole ainda provinciana,  receptiva ao povo que migrava do campo, trazendo na mala a esperança de dias melhores.   Ali está, simples, mas majestosa, a churrascaria Estação Mogiana (foto 1 da coluna de hoje emprestada de golegula.wordpress.com),  local que conheci no último domingo, por indicação de meu genro, e que toda a família adorou. O cardápio, variadíssimo, de aves, carnes, peixes e frutos do mar é um desafio para os proprietários, chefes e cozinheiros. Desconfio muito das amplitudes de cardápios e vou logo perguntando ao garçom qual é o “carro chefe” da casa, ou seja, aquele prato que aparece como especialidade, responsável pela boa-fama do estabelecimento e, sobretudo, pelo diferencial em relação a outros do gênero. A surpresa fica, amigos, pela constatação de que tudo ali parece bom. Tenho outra mania: além de especular os garçons, saio à cata de  conhecidos, que estão saindo ou entrando, ou já estão servidos nas mesas, para perguntar o que estão comendo e o que recomendam. Dou sorte: sempre encontro um ou alguns que já conhecem a casa e me dão dicas preciosas. Não foi diferente no domingo. O curioso é que também as indicações eram variadas: !o salmão é maravilhoso!; !não deixe de pedir o “Maria fumaça”, nome de  batismo de um filé na chapa, à moda japonesa (teppan), coberto com cebola, tomate e queijo!; !a fraldinha na mostarda é um belo e suave prato!; !a picanha é boa, especialmente acompanhada da indefectível salada de rúcula com cebola e cebolete! (as vezes também com tomate), que dizem foi uma invenção, nos anos 70,  aqui na terrinha, do Hirata, um japonês da Vila Industrial, pioneiro no casamento do delicioso paladar da rúcula  com carnes de cortes específicos, como a picanha. Fui na do garçom que me indicou e afiançou (eu, muito chato, sempre pergunto ao garçom se ele garante que o prato é realmente bom e que eu vou gostar) e pedi  o bife de “chorizo”, ao chamado "ponto menos".   Excelente, realmente. O pessoal elogiou também a fraldinha e o espeto misto. Os preços são honestos: média de R$50,00 por pessoa, tirando as bebidas (depende do tanto de cerveja, caipirinha ou refrigerante que você toma), um preço muito razoável pela qualidade de tudo, especialmente da carne, que vem com a marca Red Angus, segundo o proprietário. Não deixe de ir mesmo. Bom para um jantar a dois, ou para um almoço incrementado, com toda a família, no domingo. Para quem não viajou neste Carnaval, é uma boa pedida também.
Até amanhã amigos.












P.S (1) A churrascaria foi inaugurada no ano de 2.009.     Fica na rua Angelo Rossi, n. 12, Jardim Novo Botafogo. Campinas (SP).   O telefone é (019) 3212-1880. O horário de funcionamento é de 2a. a 6a., das 11,00 às 15,00 horas (almoço) e das      18,00 às 23,30 horas (jantar). Aos sábados funciona sem interrupção entre 11,00 e  meia-noite. Aos domingos das 11,00 às 17,00 horas. Não há jantar, no domingo.

P.S. (2) Destaques do cardápio: 1) PICANHA (acompanha arroz, farofa e vinagrete); 2) PINTADO NA BRASA (arroz à grega e molho tártaro); 3) FRALDINHA MOGIANA (fraldinha ao molho de mostarda); 4) MARIA FUMAÇA (filé na chapa, coberto com cebola, tomate e queijo); 5) ESPETO  MISTO (lombo, lingüiça, frango, filé mignon e cebola); 6) FEIJÃO TROPEIRO. BEBIDAS: Cerveja Original e Caipirinha de Maracujá.

P.S. (3)  O movimento do restaurante é bastante intenso durante todos os dias em que ele funciona, tanto no almoço, como no jantar. No entanto, aos domingos, no almoço, a procura é maior ainda. A indicação, para evitar espera mais longa, é chegar logo ao meio-dia. O problema é que todo mundo gosta de dormir até mais tarde no domingo e ao meio-dia o café da manhã ainda está fazendo efeito.

P.S. (4) O estabelecimento (foto n. 2 emprestada do site www.cafeartezanalle.com.br) fica defronte  a uma praça, onde geralmente os fregueses aguardam a chamada. A praça foi adaptada pelo proprietário da casa, para oferecer maior comodidade. Há bancos e árvores que protegem contra o sol intenso do horário, neste verão também tórrido. E os garçons servem ali mesmo, à vontade do freguês, bebidas e tira-gostos (batatinhas fritas, torresmo, polentinha etc.). Não dá para sentir a espera,  que às vezes chega a 45 minutos ou 1 hora.


P.S. (5) O bife de chorizo (imagem n. 3 emprestada do site www.paratyonline.com.  é um corte nobre argentino retirado do miolo do contra-filé. A carne é muito macia e tem sabor acentuado. Possui uma gordura lateral que mantém a umidade natural da carne.  Ao contrário da picanha, ela não tem fibra definida, é neutra, e,  portanto, você pode cortá-la de qualquer jeito, sem se preocupar com o lado certo da fibra.  Ainda ao contrário da picanha, o chorizo não deve ser temperado com sal grosso e sim com tempero comum (cerca de 35 g. por quilo).



P.S. (6) O Teppan ou Teppanyaki é um estilo de cozinha japonesa que usa uma chapa de ferro para cozinhar alimentos. A palavra teppanyaki é derivada de teppan (chapa de ferro) e yaki (grelhado, assado ou frito). No Japão, teppanyaki refere-se a pratos cozinhados com uma chapa de ferro, incluindo bife, camarão, okonomiyaki, yakisoba e monjayaki (www.wikipedia.com.br).  A imagem n. 4 da coluna de hoje é de um Teppan de Salmão e foi emprestada de www.clubedogordinho.com.br ).





quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A PRAGA DO USO DO "MESMO" COM FUNÇÃO PRONOMINAL. PRÁTICAS DE ELEVADOR.

Boa noite amigos,


Estou ficando cada dia mais intolerante para alguns erros recorrentes  que,  embora inadmissíveis na linha culta, muita gente graúda (no sentido mesmo de qualificada, supostamente letrada, como professores universitários, juízes, promotores, médicos etc.) teima em  não aprender. Uma delas é a má e indiscriminada utilização do termo “mesmo”, usados na função pronominal, o que além de proibido, é feio demais. Quantas vezes você já ouviu coisa do tipo “Se a  mercadoria chegar, coloque a mesma na prateleira”; “Procurei por João, mas a mãe me disse que o mesmo ainda não chegara”. Use, por favor, os pronomes, nesses casos, adequados: "Se a mercadoria chegar, coloque-a na prateleira"; "Procurei por João, mas a mãe me disse que ele ainda não chegara". Evidentemente melhor, não?  A praga do “mesmo (a)” já contagiou até o legislador, neste país de leis mal redigidas. E não é que agora temos que copiar o que diz literalmente (mal e porcamente, diria o meu avô), erros registrados na redação de leis. Isso mesmo. Explico:  A Lei  do Estado de São Paulo n. 9.502/97, que regula a utilização de elevadores em edifícios reza: “Artigo 1º - Os prédios comerciais, edifícios de apartamentos, escritórios e outros estabelecimentos congêneres, públicos ou particulares, dotados de elevadores, ficam obrigados a fixar junto às portas externas desses equipamentos plaquetas de advertência aos usuários, com os seguintes dizeres:”Aviso aos passageiros: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar”. Artigo 2º - A não observância do disposto na presente lei ensejará a aplicação de multa aos infratores.”A praga, a partir da ameaça expressa do artigo 2º está espalhada por toda a cidade. Onde quer que exista um elevador você é obrigado a ler exatamente aquilo que o legislador preconizou ou seja,  o tal aviso que avisa que é preciso verificar se “o mesmo” encontra-se parado no andar em que você está. Imagine se em vez de estar ali "o mesmo elevador" fosse parar ali o elevador do lado, ou do prédio ao lado. Sacaram? Credo, Deus me livre. Não vi até agora ninguém descumprir a lei, isto é, alguém que se arriscasse a colocar o tal aviso com a redação correta: “Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado neste andar”. Um aluno meu perguntou outro dia: Professor, se a gente não escrever exatamente como sugere o artigo 1º pode ser multado? Minha resposta: Não sei, se o caso chegar a um juiz, em forma de pendenga, para julgamento, será preciso saber como pensa "o mesmo".

Até amanhã amigos.


P.S. (1) Observem outra preciosidade. O artigo 2º da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) está assim redigido: “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade”. Alguém conhece alguém que tenha 12 anos incompletos?   Não seria mais simples dizer:  “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa entre 0 e 12 anos de idade; adolescente aquela entre doze e dezoito anos”;

P.S. (2) “Mesmo” é termo que pode e deve ser usado em várias circunstâncias, de maneira correta. Assim: 1)  como advérbio denotando “ainda, de fato, justamente”: É aqui mesmo que pretendo passar minhas férias (no sentido de é justamente aqui); 2) como substantivo, cuja acepção semântica (sentido) se refere à “mesma coisa”: Digo o mesmo a você, o que disse a ela (a mesma coisa); 3) Em algumas expressões correspondentes a “dar na mesma, dar no mesmo, na mesma, as quais se equivalem a “no mesmo estado, na mesma situação: Aconselhá-lo ou não, dá no mesmo (a situação é a mesma); 4) Na qualidade de uma conjunção concessiva, fazendo referência à “ainda que”: Mesmo cansada, não deixa de estudar com o filho quando chega do serviço (ainda que cansada);  5) funcionando como pronome/adjetivo, referindo-se à ideia relativa a “idêntico”, “próprio”, “exato”: Elas mesmas chegaram à conclusão que estavam erradas (elas próprias).
As explicações e alguns exemplos acima  foram emprestados de Vânia Duarte, graduada em Letras – Equipe Brasil Escola;

P.S. (3) Por falar em elevador  há práticas de usuários completamente deseducadas ou sem lógica. Exemplo: o cidadão chega e aperta os dois botões: para subir e para descer. Claro que ele não vai fazer as duas coisas. Não, ao mesmo tempo. Então a gente pergunta: o senhor vai subir ou vai descer. E ele responde: vou subir. Então, porque apertou os dois botões? Claro que ele não responde. Mas da próxima vez ele vai fazer a mesma coisa, de novo, certo? Outra coisa: tem gente que chega a aperta o botão dezenas de  vezes. Adianta? Não, o elevador não vai chegar antes, nem será mais rápido, se você insistir em ficar apertando o botão, né? Aí, você já irritado olha para o lado e encontra a maldita plaquinha de advertência: Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo está parado no andar. Para terminar, o elevador finalmente abre a porta e o folgado do motoboy que acabou de  chegar, finge ignorar a existência de fila ou de gente esperando,  com o capacete em punho tromba com quem está saindo do elevador e passa na frente de todo mundo. É mole, gente?

P.S. (4)  Lembro-me perfeitamente. Quando era Juiz na Comarca de Angatuba, durante uma audiência estava ouvindo um policial rodoviário. Durante o depoimento ele usou tantas vezes o mesmo, que eu já não sabia a quem ou a que (a expressão usando equivocadamente pode se referir a coisas ou pessoas) ele aludia. Falava ora de uma pessoa abordada, ora de documentos, ora de objetos que o negócio ficou meio assim: “Excelência, quando o rapaz chegou indaguei do mesmo se ele possuía documentos do veículo. Aí o mesmo respondeu que sim e o mesmo me exibiu a carteira de habilitação e o certificado de propriedade do automóvel. Olhei os mesmos e constatei que a licença estava vencida, aí perguntei ao mesmo se ele tinha pago o IPVA. Ao lado tinha uma moça e a mesma ficou muito nervosa quando eu solicitei do mesmo os documentos e disse que iria fazer uma verificação no carro. De fato, examinei o mesmo e não encontrei nada de irregular a não  ser a licença vencida. Adverti o mesmo que ele cuidasse de licenciar o mesmo logo na segunda feira, fiquei com pena,  então devolvi os mesmos para o mesmo e notei que a  mesma ficou mais tranqüila. Assim, em seguida, seguiram viagem.”;

P.S. (5) A imagem da coluna de hoje foi emprestada do blog lixeiradanette.blogspot.com.












quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

TEMAS DE DIREITO CONTEMPORÂNEO - UMA HOMENAGEM AO PROFESSOR PAULO DE TARSO BARBOSA DUARTE

Boa noite amigos,


Qual seria a homenagem mais adequada para celebrar 45 anos de um magistério superior exercido com comprometimento, competência e, sobretudo, muito amor e dedicação para tantas gerações de Bacharéis? Bem, advogados, Promotores de Justiça, Magistrados, ex-alunos, alunos e Professores de Direito, especialmente admiradores e amigos do Professor Paulo de Tarso Barbosa Duarte, decidiram comemorar a importante marca com o que consideraram  mais próximo da personalidade do homenageado,  intelectual reconhecido por sua relevância nas letras jurídicas: um livro. Uma obra coletiva, com diversos artigos versando sobre variados temas de direito contemporâneo. A comissão organizadora formada por Thiago Rodovalho, Jamil Miguel, André Nicolau Heinemann Filho, Fabricio Peloia Del’Alamo e Alexandre Gindler de Oliveira, trabalhou em segredo por mais de um ano, fazendo convites àqueles que haveriam de produzir, em conjunto, a obra coletiva, cobrando os artigos, contatando editoras, até que o lançamento da obra aconteceu no dia 06 de dezembro de 2.013, no Auditório Cônego Haroldo Niero, situado no Campus Central (Páteo dos Leões), da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, que hoje abriga apenas o Curso de Direito da septuagenária instituição. Nada mais propício para o evento, uma vez que foi na aludida instituição, da qual o Dr. Paulo de Tarso foi Vice-reitor acadêmico e Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários e, claro, Professor  de Direito Civil por quase cinco décadas. Comunicado da homenagem poucos dias antes de sua realização, o docente, dizendo-se sensibilizado, agradeceu a lembrança e o empenho dos organizadores e de todos aqueles que, direta ou indiretamente, se uniram em torno da homenagem. Na ocasião do lançamento, falei, a pedido e em nome dos organizadores, explicando a intenção e o significado da homenagem, que se inseria também nos festejos dos 60 anos da Faculdade de Direito da PUC-CAMPINAS,  e um pouco do perfil do homem e profissional,  para o centenário público presente, dentre parentes, amigos, colegas de docência e ex-alunos. A solenidade foi encerrada com o agradecimento do homenageado, que passou, então a autografar os exemplares adquiridos, enquanto acontecia um bate-papo informal entre os presentes e um singelo, mas elegante, coquetel.  

Até amanhã amigos,

P.S. (1) Os artigos e respectivos autores, responsáveis pela obra coletiva são os seguintes: ALEXANDRE GINDLER DE OLIVEIRA (União Estável e Casamento – Atos Jurídicos Distintos com Efeitos Sucessórios Distintos); ARTUR MARQUES DA SILVA FILHO (Aspectos Práticos Relacionados à Aplicação das Cláusulas Gerais do Código Civil); CESAR AUGUSTO ALCKMIN JACOB (Considerações sobre a Prova na Reclamação Constitucional em Salvaguarda de Verbete Sumular Vinculante); FRANCISCO VICENTE ROSSI (Ética Profissional: Estado e Servidor Público, a Parceria Necessária); JAMIL MIGUEL (Expulsão de Condômino por Conduta Antissocial no Direito Brasileiro); JOÃO LOPES GUIMARÃES-JOSÉ FERNANDO FERREIRA BREGA (A Sistemática Constitucional dos Precatórios: Críticas e Idéias para um Novo Regime); JOSÉ ANTONIO MINATEL (Sistema Tributário e o Paradoxo da Tributação das Atividades Educacionais); LEONARDO GRECCO (Contratos Redesenhados para um Mercado Refinado); LUÍS ANTONIO JOHONSOM DI SALVO (Aspectos Relevantes Sobre os Crimes dos Arts. 168/A, e  337/A, do Código Penal); LUIZ ARLINDO FERIANI (Necessidade de Coincidência da Base de Cálculo para a Cobrança do ITBI e do IPTU); LUIZ RENATO VEDOVATO (Os Refugiados e o Direito – Obstáculos Trazidos pela Realidade); LYGIA B. DE O. YOSHIKAWA (A Proibição de Constituição de Sociedades entre Cônjuges (art. 977 do Código Civil) e as Sociedades Anônimas); MARCO ANTONIO RIBEIRO FEITOSA (A Greve no Direito Coletivo do Trabalho); MARCO AURÉLIO COSTA JÚNIOR (Software: De Quem é a Propriedade Intelectual?); MARCO DESTEFENNI (Aspectos Processuais da Ação de Improbidade Administrativa); RENAN SEVERO T.DA CUNHA (Entre o Direito e a Política: A Interpretação dos Princípios e o Caráter Prospectivo da Constituição); SILVIO BELTRAMELLI NETO (Teoria dos Modelos do Direito e a Metodologia da Aplicação dos Direitos Fundamentais); TATIANE MOREIRA LIMA (Adoção); THIAGO RODOVALHO (Contributo para o Estudo Sobre os Pressupostos do Ato Ilícito e da Responsabilidade Civil);


P.S. (2)  O Professor Paulo de Tarso Barbosa Duarte, paralelamente à docência e durante mais de 30 anos, integrou as fileiras do  Ministério Público do Estado de São Paulo. Recém-formado,  foi logo aprovado em concurso público e exerceu a função de Promotor Público (hoje Promotor de Justiça) e, posteriormente, de Procurador de Justiça, por promoção;

P.S. (3) O prefácio da obra ficou a cargo do queridíssimo amigo, eminente professor e grande intelectual, Dr. Renan Severo Teixeira da Cunha, um dos mais ilustres professores que passou pela Faculdade de Direito da Puc Campinas, em todos os tempos. Os seus ex-alunos, onde os encontro, manifestam admiração e respeito pelo docente, saudosos, outrossim, de suas inesquecíveis aulas de Introdução ao Estudo do Direito e Hermenêutica e Aplicação do Direito., disciplinas que lecionou com entusiasmo, sabedoria e dedicação. Acrescento que além desses predicados, o Professor Renan é uma dessas figuras dotadas de grande carisma e invejável caráter. Tenho por ele um imenso carinho e uma enorme gratidão pelo auxílio desinteressado que me prestou no período em que fui Diretor da Faculdade de Direito;

P.S. (4)   As imagens da coluna de hoje são do professor homenageado, durante a solenidade ocorrida no final do ano passado; do Doutor Paulo entre os organizadores da obra e, finalmente,  da capa do livro de estudos em sua homenagem.


CINEMA NACIONAL - VAI QUE DÁ CERTO. E DÁ!

Boa noite amigos,


Que as  comédias dominam completamente o mercado do cinema nacional da atualidade não é novidade. Mas isso já acontecia antes mesmo da chamada “Retomada” do cinema nacional, como já falamos nesta coluna, ainda recentemente. Porém, há comédias e comédias. Vi neste final de semana, um filme nacional que estreou no final de 2.012 e fez carreira no ano seguinte, tornando-se um grande sucesso de público e de arrecadação (mais de 2.700.000 espectadores).  O roteiro de Vai que Dá Certo foi pensado por seu roteirista e diretor, Maurício Farias (responsável pela A Grande Família entre 2.004 a 2.010) no ano de 1.994, quando ouviu a história de um motorista de táxi no Rio, preso alguns anos antes por assalto. O que o impressionou foi o fato de que se tratava de pessoa íntegra, que teria tentado o crime em razão de determinada circunstância de vida. O projeto, porém, só decolou no ano de 2.008 quando Farias resolveu apresentá-lo à produtora Sílvia Frahia, que topou levá-lo às telas dos cinemas. O orçamento disponível foi incrementado com a contribuição de R$1.000.000,00, concedida pela Secretaria de Cultura do município de Paulínia, Estado de São Paulo, que recentemente voltou a promover o seu Festival de Cinema e reativou a sua cidade cenográfica. Gravado em Paulínia e em Campinas, o longa de 87 minutos, é uma grata surpresa no gênero, com diálogos  inteligentes à La Porchat (dialoguista, um dos atores e co-roteirista), distante dos clichês tão batidos e de mau gosto, geralmente ligados a sexo. Os atores são os mais jovens e talentosos humoristas da nova geração, todos excelentes no desempenho de seus papéis. Algumas poucas críticas (a  maioria foi favorável), voltam a lamentar a predileção dos produtores pelas comédias e a considerar que o humor raso das atuais produções nacionais é próximo do televisivo. Com a co-produção da Globo Filmes, não vejo grande diferença entre os bons textos de humor veiculados sobretudo pela Rede Globo em determinadas temporadas, como por exemplo o ótimo, Como Aproveitar o Fim do Mundo,  e os roteiros e diálogos das comédias nacionais da atualidade. O que não tem funcionado é a tentativa forçada de levar alguns sucessos da televisão como a novela O Bem Amado, o seriado, A Grande Família- (que virou A Grande Família - O Filme),  ou determinados personagens que agradam na telinha, como o Crô (Marcelo Serrado), do folhetim,  para as telonas.
Achei todos esses filmes muito ruins, sensivelmente piores do que os originais. Mas aí é outra história. A comédia Vai que Dá Certo é uma boa e divertida comédia nacional. Das melhores que assisti ultimamente. Não é nada excepcional, nem imperdível. Mas, podendo, não deixe de ver e se divertir.

Até amanhã amigos.



P.S. (1) SINOPSE:  Afundado em dívidas e sem emprego, o jovem Rodrigo (Danton Mello) é convencido por um amigo, Danilo (Lúcio Mauro Filho), empregado de uma empresa de segurança, a planejar um assalto a um dos carros-cofres da transportadora. Para conseguir o desiderato convence outros três amigos, os irmãos Amaral (Fábio Porchat) e Vaguinho (o talentoso Gregório Duvivier) e Tonico (Felipe Adib), que também vivem maus momentos financeiros, a participar do plano, tudo com  “muita ética” e o pacto de que devolverão o dinheiro algum tempo depois, quando a situação financeira do grupo se estabilizar. O filme gira em torno da combinação desse plano e especialmente de sua execução, com os percalços que ela encerra, envolvendo, ainda, um outro amigo de infância do grupo, o político milionário Paulo (Bruno Mazzeo);

P.S. (2) Destaque positivo para a participação do veteraníssimo Lúcio Mauro (Seu Altamiro), avô de Danilo na trama, no papel de ex-praça de guerra. O ator, com mais de 80 anos de idade, é, sem dúvida, um dos mais queridos e talentosos artistas de sua geração, aplaudido pela nossa e, certamente, pelos nossos jovens sucessores.  

P.S. (3) O filme obteve nota 4,0 no prestigioso site AdoroCinema, numa avaliação de 0 a 5 e 3,9 entre os usuários. Grande cotação. Na imprensa ficou a meio caminho (2,5), o que não é nada desprezível considerando a sempre dura, e nem sempre justa, avaliação dos críticos;

P.S. (4) No começo e no final do filme, os cinco amigos aparecem prontos para uma pelada de futebol. Todos devidamente trajados, de camiseta, calções e chuteiras, como se vê da imagem da coluna de hoje, emprestada do blog ambrosia.virgula.uol.com.br. Felipe  (Adib),  veste a camisa da seleção brasileira, Rodrigo (Danton) do São Paulo, Vaguinho (Duduvier),da Portuguesa de Desportos. Amaral (Porchat)  veste a camisa do Corinthians, e, finalmente,  Danilo (Lúcio Mauro Filho), aparece trajando  uma camisa do nosso glorioso Guarani Futebol Clube de Campinas. Os bugrinos vibraram.






segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

CAUSO - ELEIÇÕES MUNICIPAIS II

Boa noite amigos,

Já relatei nesta coluna o causo que chamei de "Eleições Municipais I". Agora há outro, o "Eleições Municipais II", assunto da coluna de hoje. Ambos estão publicados no meu livro CAUSAS & CAUSOS N. II, da Editora Millenium. Vai lá:


                                 

“Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia. Porém, uma meia mentira nunca será uma meia verdade” (Jean Cocteau)


- Doutor esse voto também é para anular?
- É, sem dúvida. A regra do TRE é clara, como diria o Arnaldo César Coelho. Escreveu palavrão, o voto é anulado.
 Eleição à moda antiga, nem se cogitava de urna eletrônica.
Voto manual, contagem manual.
Tudo artesanal, demorado.
Foram se sucedendo alguns votos para um mesmo suposto indivíduo chamado “Zé Buceta”.
Todos anulados por ordem do Meritíssimo Juiz, em estrita consonância com as normas então vigentes.
Mas o fato era intrigante.
Teriam os eleitores combinado a mesma sacanagem?
Em dado momento enquanto se procedia a demorada apuração aproxima-se do Magistrado o Pedro Miranda,  um antigo funcionário do Cartório Eleitoral:
- Doutor o Senhor José, Presidente da Câmara, pede para falar com o senhor por um momento.
- Pois não.
Aproxima-se o Senhor José de Arimatéia Correa, Vereador Presidente da Câmara Municipal.
Tratava-se de pessoa extremamente elegante tanto no trajar, como no andar, no comportamento geral, incluindo a polidez com que, cerimonioso, sempre se dirigia ao Juiz de Direito, que já o conhecia de solenidades e outros encontros em que se faziam presentes, por questão protocolar,  as autoridades locais.
Aparentando certo nervosismo, o que contrastava com o seu jeito ordinariamente calmo e estudado, ar glacial, começa a cantilena:
- Doutor, me desculpe a intromissão. O senhor sabe como as coisas acontecem em cidade pequena. Há muita fofoca, muito mexerico, muita maldade. Mas o povo não é mal, é apenas simplório, fácil de ser levado. De boa fé até.
O Juiz não estava entendendo muito bem onde pretendia chegar o tal Presidente da Câmara, com esse interminável prólogo.
Mas continuou ouvindo atentamente por respeito e consideração, pois a tinha – e muito – em relação ao interlocutor, até por justificável reciprocidade.
- O Senhor é um homem experiente, vivido, sabe muito bem até onde chegam as maledicências, ponderou.
O Magistrado continuou ouvindo atenciosamente.
- Alguém resolveu fazer uma brincadeira, de certa feita, há muito tempo, achando que eu, veja bem, eu, senhor juiz,  pessoa sempre delicada e respeitosa, me aproveitava das moças que por mim se apaixonavam. Devia ser algum despeitado, pois eu sempre fui educado, de cidade, estudado, o senhor sabe como é. Andava de terno e gravata e isso causa ciúme, principalmente nos moços do sítio que rivalizam, nos ignorantes.
A coisa, pensou o Juiz, vai longe. Mas para onde vai?
- Assim, eu quero dizer pro doutor que o tal desavergonhado até me deu apelido muito feio, coisa que não se diz, mas acho até que não foi por mal, não.
Pronto, o Juiz entendera tudo:
O ilustre Vereador, Advogado formado, Presidente da Câmara, pessoa afável e cerimoniosa, fino no trato era nada mais, nada menos, que o tal Zé Buceta.
Quis confirmação.
Para poupar o coitado do candidato que já tinha mudado de cor várias  vezes durante a arrojada intervenção,  salientou que já entendera a pretensão e pediu que o ilustre edil aguardasse por um instante.
Foi conferir com o Pedro Miranda, do Cartório Eleitoral:
- Pedro, venha cá um instante. Me diga uma coisa. O Zé Buceta é ele, apontando para o candidato que estava distante.
- Ah, é ele sim, sem dúvida nenhuma. É assim que o povo conhece ele doutor.
- E por quê, você sabe?
- Por causa da fama de comedor do bicho. Com essa conversinha mole dele, o senhor percebeu, dizem as más línguas que é o “come queto”. Vestiu saia o bicho não perdoa.
- É mesmo? Exclamou o Magistrado, achando aquilo engraçado e surrealista.
- É, sim senhor.
- Obrigado.
Discretamente o Magistrado dirigiu-se à mesa de apuração e,  ao pé do ouvido do Presidente, determinou:
- Seu João, por favor. Pegue de novo aqueles votos anulados dados ao tal do Zé da tal...  “Vagina” o senhor sabe,  e conte para o senhor Presidente da Câmara, por favor.
E o Seu João, por pura sacanagem,  com um riso miúdo no canto da boca:
- Vagina ou Buceta doutor?
- O senhor entendeu, não é?
- Acho que sim senhor, poupou. E obedeceu.
Ato contínuo, foi ter com o candidato dizendo que a decisão anterior estava reconsiderada e que  tudo estava resolvido a seu favor, pela aplicação de outra regra eleitoral, segundo a qual, O QUE VALE É A INTENÇÃO DO ELEITOR.
O político saiu dali envergonhado, mas profundamente aliviado.
Afinal, entre perder a eleição e o vexame de dizer pro Juiz que os tais votos eram dele ou para ele, escolhera a última hipótese.
E graças à profunda generosidade do Magistrado, foi o candidato poupado da última oração que teria que ser dita depois de todo o  trololó.
Algo assim, naquela voz grave, respeitosa e solene:
- Doutor, desculpe, mas o Zé Buceta sou eu. Pode perguntar pro pessoal do eleitoral.
Coisa de eleição acontecida  no interior."

Forte abraço e até a próxima.

 P.S. A imagem caricatural da coluna de hoje foi emprestada de essentialiconsultoria.wordpress.com.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

DVD/CD - MILTON NASCIMENTO - UMA TRAVESSIA - 50 ANOS DE CARREIRA

Boa noite amigos,


Aos 71 anos, ele é um dos nomes mais importantes da história da música popular brasileira, seja como cantor, compositor ou instrumentista. Da geração considerada “de ouro”, surgiu no cenário brasileiro na mesma época que Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Roberto Carlos, Elis Regina, Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso e outras "feras". Dentre as inúmeras premiações coleciona nada menos do que 5 (cinco) prêmios Grammy, o mais importante da música internacional. Em 2.012, completou 50 anos de vida artística, com composições e interpretações que entraram para a antologia da nossa música popular.     Sua Coração de Estudante, em parceria com Wagner Tiso,  se tornou o hino das Diretas Já, movimento político que levou milhões de brasileiros às ruas, para pedir a abertura democrática à então insustentável e longa ditadura militar. Serviu como tema para embalar a triste despedida de Tancredo Neves, presidente eleito, mas morto antes de tomar posse.  Posteriormente, a sua  Canção da América, que versa sobre a Amizade, foi o tema de fundo dos funerais do inesquecível piloto e ídolo nacional, Ayrton Senna, em 1.994. O seu estilo musical,  classificado como de Música Popular Brasileira, teria surgido de um desdobramento do movimento da bossa Nova, com fortes influências desta, do jazz, do chamado jazz rock,  e de grandes expoentes do rock, como os Beatles e  Bob Dylan. Há ainda traços  da música hispano-americana de  Mercedes Sosa e Violeta Parra, assim como influência dos sons do Caribe, especialmente de Pablo Milanes e Silvio Rodriguez.   Finalmente,   não deixa de se abeberar também em fontes regionais brasileiras, como os cantos folclóricos de Minas Gerais e de outros Estados. Milton, nessa trajetória profissional de meio século, já gravou trinta e quatro álbuns e cantou com grandes artistas como Angra, Maria Bethânia, Elis Regina, Gal Costa, Jorge Ben Jor, Caetano Veloso, Simone, Chico Buarque, Clementina de Jesus, Gilberto Gil, Beto Guedes, Paul Simon, Peter Gabriel, Herbie Hancock, dentre outros. O CD/DVD,   MILTON NASCIMENTO - Uma Travessia – 50 anos de Carreira, gravado ao vivo no dia 25 de novembro de 2.012,  na casa de espetáculos VIVA RIO, no Rio de Janeiro, comemorando os 50 anos deste extraordinário artista, percorre essa rica e sensível história pessoal e profissional de forma emocionante.  Na faixa  Canção da América, Milton, pede que a própria platéia a cante para ele, como a reclamar nitidamente um afago ou um carinho a esse público que lhe foi fiel durante tantos anos. E o coro que vem do auditório, surpreendentemente afinado (os mais acabam arrastando os menos)  e acompanhado pelos músicos e arranjadores do  cantor,  dá conta da popularidade da música, cuja letra é recitada, de cor e salteado, como se dizia antigamente,   e do compositor amado e respeitado /Amigo é coisa para se guardar/No lado esquerdo do peito/mesmo que o tempo e a distância, digam não/mesmo esquecendo a canção/O que importa é ouvir a voz que vem do coração/Pois, seja o que vier/venha o que vier/Qualquer dia amigo eu volto a te encontrar/Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar.” Os arranjos são magníficos. Destaque para os músicos extraordinários que acompanham Milton: Gastão Vileroy, no baixo, Kiko Continentino no piano e teclado, Widor Santiago nos sopros, Lincoln Cheib na bateria e  Wilson Lopes, no violão e guitarra. Experimente ouvi-los fechando os olhos e você vai verificar como são ricos e empolgantes em cada acorde, em canta toque, em cada batida da bateria, em cada som extraído das cordas do violão ou das teclas do piano.   De Canção do Sal, música de trabalho feita em homenagem aos trabalhadores das salinas de Niterói, a Travessia, segundo lugar, em 1.967, na 2a. edição  do extinto e saudoso  Festival  Internacional da Canção do Rio de Janeiro. De Clube da Esquina a Maria Maria e Morro Velho, Milton é, sem qualquer divergência, um dos mais talentosos e importantes cantores e compositores do que se convencionou chamar de música popular brasileira, em todos os tempos. O CD/DVD homenagem é ilustrativo dessa trajetória e deve ser adquirido, assistido e guardado por todos os que apreciam a música de indiscutível qualidade  que se fazia e se faz neste país.

Até amanhã amigos.

P.S. (1) Elis Regina, confessadamente a musa inspiradora do compositor foi  a sua grande e principal intérprete, tendo gravado considerável parte de suas composições (Canção do Sal, Travessia, Nada Será Como Antes, Canção da América, Cais, Ponta de Areia, Vera Cruz, Morro Velho, Caçador de Mim, Maria Maria). Para Maria Rita, filha de Elis, o artista compôs Encontros e Despedidas, uma bonita canção, tema de abertura de uma das telenovelas da rede Globo;

P.S. (2) Eis o rol das músicas do DVD : 1) CAIS (Milton Nascimento-Fernando Brandt; 2) VERA CRUZ (Milton Nascimento- Márcio Borges; 3) CANÇÃO DO SAL (Milton Nascimento); 4) CLUBE DE ESQUINA 2 (Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges); 5) NUVEM CIGANA (Lô Borges – Ronaldo Bastos; 6) LÍLIA (Milton Nascimento); 7) ANIMA (Milton Nascimento – Zé Renato); 8) LÁGRIMAS DO SUL (Milton Nascimento – Marco Antônio Guimarães); 9) AMOR DE ÍNDIO (Beto Guedes – Ronaldo Bastos); 10) PROMESSAS DO SOL (Milton Nascimento); 11) MORRO VELHO (Milton Nascimento); 12) RAÇA (Milton Nascimento – Fernando Brandt); 13) MARIA, MARIA (Milton Nascimento – Fernando Brandt); 14) NOS BAILES DA VIDA (Milton Nascimento- Fernando Brandt); 15) NADA SERÁ COMO ANTES (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos); 16) PARA LENNON E MACARTNEY (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brandt); 17) O TREM AZUL (Lô Borges – Ronaldo Bastos); 18) UM GIRASSOL DA COR DE SEU CABELO (Lô Borges – Márcio Borges); 19) SOFRO CALADO (Milton Nascimento – Regis Faria; 20) CANÇÕES E MOMENTOS  (Milton Nascimento – Fernando Brandt); 21) CANÇÃO DA AMÉRICA (Milton Nascimento – Fernando Brandt); 22) CORAÇÃO DE ESTUDANTE (Milton Nascimento – Wagner Tiso); 23) TRAVESSIA (Milton Nascimento – Fernando Brandt); 

P.S. (3) A imagem da coluna é da capa do CD –DVD, cuja criação, Design e fotografia é de Cássia D’Elia e Marcos Hermes;

P.S. (4) Milton compôs, com vários parceiros, canções notáveis: com Fernando Brant fez Travessia; Cais; Raça; Maria, Maria; Nos Bailes da Vida; Canções e Momentos e  Canção da América. Com Lô Borges e Márcio Borges compos Clube de Esquina n. 2. Com Wagner Tiso, Coração de Estudante. Regis Faria é seu parceiro de Sofro Calado. Zé Renato da faixa n. 7, Anima. Marco Antonio Guimarães é o co-autor de Lágrimas do Sul. Finalmente, a faixa n. 15, Nada Será Como Antes, é de sua  autoria com o excelente Ronaldo Bastos;


P.S. (5) Das 23   composições gravadas no CD/DVD Uma Travessia 50 anos de carreira, só cinco composições  não são de autoria ou co-autoria de Milton: Trem Azul (Lô Borges e Ronaldo Bastos), Para Lennon e Mccartney  (Lô Borges, Márcio  Borges e Fernando Brandt),  Nuvem Cigana (Lô Borges e Ronaldo Bastos), Amor de  Índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) e Um Girassol da Cor de Seu Cabelo (Lô Borges e Márcio Borges);

P.S. (6) Milton nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado em Três Pontes em Minas Gerais, para onde seguiu com seus pais adotivos, Lilia e Josino Campos.  Daí ter por Minas um grande carinho manifestado a todo o tempo. Um de seus CDs mais importantes tem por título exatamente MINAS (EMI-ODEON 1.975). Também em Minas é que conheceu e conviveu com seus parceiros mais frequentes, dentre os quais, Wagner Tiso (com quem teve um grupo que tocava em festas),  Fernando Brandt e os irmãos,  Lô e Márcio Borges.


P.S. (7) Já tendo se tornado músico de sucesso, Milton alavancou a carreira da banda mineira 14 Bis (Flávio Venturini, Vermelho, Sergio Magrão, Reli Rodrigues, Cláudio Venturini). Aliás, foi essa banda que originalmente gravou a música Canção da América”, em 1.987, por especial  deferência dos compositores, ainda com o nome em inglês de Unencouter, língua em que foi composta a canção originalmente.  Experimente ouvir a interpretação que ela dá a esse clássico, que muito se assemelha a um canto gregoriano, ao contrário de outras gravações, como a de Elis Regina e de Daniel, mais em estilo romântico.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

MODA DE VERÃO - O VELHO E BOM CHAPÉU PANAMÁ

Boa noite amigos,


Há muitos anos que não enfrentávamos um calor escaldante aqui no Sudeste. O final do ano no litoral foi muito quente e sem chuva,  estiagem que  tem sido rara nos últimos verões e que também contribui para as altíssimas temperaturas que experimentamos. Bem, o tema é propício para falarmos um pouco sobre um artefato que mais do que nunca está na moda. Virou preferência nacional,  como a cerveja, o futebol  ou o pão de queijo. De que se trata?  De sua Majestade o Chapéu Panamá. Apesar do nome ele é fabricado no Equador, especialmente nas cidades de Cuenca e Montecristi e também é conhecido como El Fino. Confeccionado de maneira artesanal,  a partir da palha da planta Carludovica palmata,. a versão mais provável para a origem do  nome com que foi batizado e é conhecido é a de que o Presidente Theodore Roosevelt teria usado esse chapéu de palha, no ano de 1.906,  em uma visita ao Canal do Panamá. Inicialmente era um produto exclusivamente masculino, mas hoje é usado por homens e mulheres, existindo inúmeros modelos exclusivamente femininos. É uma espécie de símbolo dos ambientes praieiros tropicais, mas não se pense que é usável apenas nas praias, com trajes informais. Ele substitui perfeitamente os clássicos chapéus de feltro, em climas tropicais, podendo ser usado com paletó e gravata, como se pode observar da imagem do nosso inesquecível maestro e compositor Tom Jobim, que não o dispensava praticamente nunca.

 Também aqui no Brasil passou a ser um dos símbolos da malandragem carioca. Personalidades do mundo político e artístico, de ontem e de hoje, daqui e de fora,  aderiram à moda: Winston Churchill, Harry Truman, Getúlio Vargas, Humphrey Bogart, Clarck Gable e Michael Jackson.  Santos Dumont foi um dos precursores, notando-se o indefectível chapeuzinho em quase todas as fotos que se publicam do inventor do avião. Bem, de minha parte comprei um e confesso que foi meu companheiro diário nas idas e vindas para a praia ou nas caminhadas a pé no final do ano passado e começo deste ano, período que tirei férias com a família e fui para o litoral. Os meus bonés, inúmeros, adquiridos nas minhas viagens, ficaram lá quietos, semi-aposentados. E se depender de mim e de meu panamá vão continuar lá. Que tal adquirir um também? Depois me contem.

Até amanhã amigos. 
 P.S. (1) O chapéu Panamá é construído artesanalmente e leva um dia inteiro, pelo menos, para ficar pronto. A matéria prima é a planta denominada “Toquilla”, cujo nome científico é Carludovica Palmata. A palha é cortada e levada para um galpão ou casa dos índios descendentes dos incas. Tirada a casca a palha interior é levada ao fogo para ferver. Depois é colocada para secar. Uma vez seca, começa-se a tecê-la em tramas, num trabalho elaborado, lento e  de mestre;

 P.S. (2) O chapéu panamá é preferível ao de feltro em climas tropicais pois são de cor clara, peso leve e respirável. Para viagens ainda tem a vantagem de que pode ser dobrado e posteriormente volta à forma original sem problema. Se ficar com vinco ou vincos pode ser passado à ferro;

P. S. (3) São inúmeros os modelos e cores do chapéu panamá legítimo oferecido para vendas em lojas do ramo: clássico laranja, clássico laranja claro, clássico onça, clássico roxo, clássico branco palha, clássico amarelo, clássico indiana, gota aba larga branco e gota aba larga marrom. Os preços dos autênticos variam entre R$194,00 a R$287,00. Dentre os femininos vários outros modelos, destacando-se o Tradicional Azul e o Tradicional Branco.

P.S. (4) Em algumas praias do litoral norte de São Paulo, os preços são mais acessíveis (entre R$80,00 e R$120,00 mais ou menos), mas  não há garantia de autenticidade.
P.S. (4) As imagens da coluna de hoje, menos a primeira, foram emprestadas de www.tvdimensao.com., biamoraes.com.br., meusonhodevida.blogspot.com.br.modaparahomen.com.br., de onde também se obteve algumas informações. Também houve consulta ao www.wikipédia.com.br.;


P.S. (5) A primeira imagem é de meu neto Rafael com o Panamá do vovô Jamil, fazendo graça.  E o vô babão não resistiu e botou ele logo na abertura.