domingo, 15 de fevereiro de 2015

CARNAVAL 2.015 - DRAGÕES DA REAL EM SÃO PAULO

Boa noite amigos,
O tema hoje não poderia ser outro: Carnaval. A festa máxima do povo que, ao lado do futebol, assinala, para todo o mundo, o jeito brasileiro de ser, de viver, de sorrir, de confraternizar-se, de brindar a vida, apesar dos pesares. O Carnaval movimenta todas as gerações, todas as classes sociais, todos os recantos deste país-continente. Seja na forma do frevo de Pernambuco, do Axé da Bahia, do samba-enredo do Rio de Janeiro, o Carnaval é a festa máxima do povo. Quero homenagear hoje especialmente, o meu amigo Thiago Vasconcellos de Souza, autor do  blog  "Jequitibá, a madeira",  um menino querido,  filho dos meus confrades Cármino e Célia de Souza,  que eu vi crescer e se tornar um chefe de família , pai de Maria Clara, que tem poucos dias de diferença com o meu neto Rafael. Thiago é jovem , mas velho amigo do samba. O samba, cuja poesia, métrica e melodia está no sangue desse homem-menino, entusiasmado pela possibilidade de uma vida realmente fraterna entre os homens. O Thiagão, querido, mangueirense de vocação, e que eu vi ontem no desfile irretocável da Dragões da Real, junto aos puxadores do samba, um samba bom, que levantou a avenida em São Paulo e que, junto com os demais quesitos, deve fazer da Dragões uma fortíssima candidata à campeã do Carnaval de São Paulo em 2.015. Sem favor algum. Vibramos em casa durante toda a passagem da escola, com um tema de sonhos: Acredite se Puder. Fadas, duendes, bruxas e figuras fantásticas, desfilaram nos belíssimos carros da escola, fazendo a platéia e os telespectadores viajarem pelas veredas dos sonhos e da fantasia.  Mas o mais importante: nosso querido Thiagão ( ali indicado e conhecido como Thiago SP) é um dos autores de Acredite Se Puder , um samba muito bom e que levantou a galera. Saúde e sucesso ao Thiago. Vamos torcer muito pela qualificação final da escola como a campeã do carnaval de São Paulo de 2.015. E, de presente, aí vai para os acompanhantes deste blog, o vídeo do samba que emocionou o público na avenida.

Até amanhã amigos,


P.S. (1) O samba-enredo Acredite Se Puder, é de autoria de Godoi, Galo, Thiago SP, Gordinho, Carlos Junior, Lagrilinha, Sidney Caló, Edson Lize, Tigrão.

P.S. (2) A Dragões da Real foi fundada em 17 de março de 2.000 por alguns associados da torcida do São Paulo que já frequentavam algumas escolas de samba. A decisão em fundar uma nova escola teve o objetivo de proporcionar maior integração e cultura aos associados.


P.S. (3) Eis a letra do samba:

ACREDITE SE PUDER.

CHEGOU,  DRAGÕES PRA TE CONQUISTAR
HOJE A PASSARELA VAI INCENDIAR
ORGULHO DO POVO, É MAIS QUE PAIXÃO
O SONHO DE GRITAR É CAMPEÃO
PARA ACREDITAR NÃO É PRECISO VER
SONHANDO TAMBÉM PUDE APRENDER
CRUZOU O CÉU UM SÁBIO DRAGÃO...
COM ELE VOEI NA DIREÇÃO
DO TEMPLO DA SABEDORIA
UM LIVRO RELUZIU
E UM MUNDO NOVO SE ABRIU
EU QUERO TUDO QUE EU POSSO IMAGINAR
NUMA FLORESTA, O SEU ENCANTO
NÃO PUDE ACREDITAR
VEM MERGULHAR NA EMOÇÃO
DA MINHA ESSÊNCIA ANCESTRAL
GUARDADA NO CORAÇÃO
PRESENTE EM MEU IDEAL
NO FUTURO SE TORNA REAL
QUEM SOU EU PRA DIZER
O QUE O AMANHÃ VAI TRAZER?
ESCREVENDO O MEU DESTINO
CONSTRUINDO A MINHA HISTÓRIA
VOU CRESCER E SONHAR
“VOAR, VOAR, VOAR...E SUPERAR”
ESTÁ DENTRO DE CADA UM
O PODER DE TRANSFORMAR
E VENHA O QUE VIER...
ACREDITE SE PUDER!

P.S. (3) Vídeo do Youtube com o samba-enredo. Vale a pena acompanhar:

P.S. (4) A imagem que abre a coluna de hoje é do desfile da escola Dragões da Real que aconteceu na noite de ontem em São Paulo e foi emprestada de noticias.bol.uol.com.br. A segunda imagem é de Cacau, ex- BBB,  durante o mesmo desfile,  e foi emprestada de br.celebridades.yahoo.com.  A última imagem é do meu neto Rafael, com a bela camisa da escola, com que foi presenteado pelo titio Thiago.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

QUE MARMOTA É ESSA?


Boa tarde amigos,

° A marmota é um roedor da família do esquilo, mas de dimensões maiores que este. Vive em regiões frias e montanhosas,  no hemisfério norte, especialmente nos Estados Unidos, Canadá e em alguns países europeus. Não são encontradas no Brasil, nem no hemisfério sul, por causa do clima tropical. São animais herbívoros e conta-se que, em tempos remotos, ocupavam grande parte da Europa;

° No dia 02 de fevereiro, comemora-se no Brasil, o Dia de Iemanjá, a rainha do Mar, data muita festiva, sobretudo no nordeste brasileiro. Nesse mesmo dia, por tradição imemorial, comemora-se, nos Estados Unidos, o Dia de Nossa Senhora da Luz, que nasceu de uma tradição religiosa, segundo a qual, 40 dias após o nascimento do Menino Jesus (exatamente em 02 de fevereiro) ele era apresentado no Templo e ocorria também a purificação de Nossa Senhora.  Os padres da Igreja Católica costumavam comemorar a data, benzendo velas e as ofertando aos fiéis;

° Os alemães criaram e divulgaram uma lenda, segundo a qual, se nesse dia do ano o sol aparecesse, um animal iria prever se o inverno duraria apenas o seu ciclo, ou mais seis semanas. Essas seis semanas constituem o que eles chamam de “segundo inverno”. A tradição  veio com eles para os Estados Unidos,  região da Pennsylvania, Estado preferido para imigração germânica, com numerosa população de marmotas. Elas foram consideradas animais sábios de tal maneira que, se no dia de Nossa Senhora, fizesse sol e elas saíssem da toca, olhassem para a sua própria sombra e corressem de volta para a toca, é porque haveria o "segundo inverno".
° Na cidade de Punxsutawney, muito conhecida pela tradição que mantém, uma marmota (Punxsutawney Phill), com mais de cem anos, no dia da Marmota (Groundhog Day), é retirada da toca, às 7,25 da manhã, para dizer se haverá segundo inverno ou não. Neste ano mais de 11.000 pessoas, entre moradores e turistas, acompanharam o evento naquela localidade, segundo os noticiários. A imprensa, porém, garante, que a Phill tem mais erros que acertos, estatisticamente. Mas o que vale é a lenda. E, mais ainda, a festa animada, com muita música e comida típicas;



° O Feitiço do Tempo é o nome no Brasil, do filme “Groundhog Day” (1993), que se passa exatamente no dia 02 de fevereiro, durante a tradicional festa. A película traz no elenco artistas da estatura de 1) Bill Murray (Tootsie - 1982; Grande Hotel Budapeste - 2.014); 2) Andie McDowell  (Sexo, Mentiras e Videotape -1.989; O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas 1.985; Quatro Casamentos e Um Funeral - 1.994) e, 3) Chris Elliot (O Segredo do Abismo - 1989; Quem Vai Ficar com Mary - 1.998 e Quebrando o Gelo - 2.000);
° Que marmota é essa? Quem não ouviu essa frase ainda, um dia qualquer vai ouvi-la. Especialmente dos mais velhos. E qual é o seu significado?
° Ah, a frase faz parte de uma gíria brasileira e tem vários sentidos. Os principais dicionários registram o seu uso como apropriado para designar pessoa desarrumada, desajeitada, inútil, um espantalho, um paspalho, pessoa feia, preguiçosa, folgada. Também pode indicar uma desordem, uma bagunça, como na frase em que os pais, chegando em casa de viagem, indagam do filho adolescente, que resolveu dar uma festa de arromba, do que se tratava. A pergunta é: Que marmota é essa?
° A comparação com a marmota decorre do fato de ser esse animal muito preguiçoso, tanto assim que se alimenta de arbustos próximos de sua toca nos prados e, por isso mesmo, é presa fácil de várias aves de rapina.
° Assim, se alguém lhe chamar de marmota, ou marmotinha, ou coisa que o valha, ainda que o sentido possa variar, não é coisa boa não.  Entenda-se logo com ela, antes que ela se sinta autorizada a fazer a mesma coisa com os outros, ou expor você publicamente a constrangimentos, muitas vezes sem saber o sentido em que a palavra é entendida. Não precisa apelar. Basta delicadamente responder a esse chamamento, sem levantar a voz. De preferência, sussurrar ao pé do ouvido do distinto:  -  Marmota é a MÃE!.
Até amanhã amigos. 

P.S. A primeira imagem da coluna de hoje foi emprestada de  isadoesntringabel.wordpress.com. A segunda imagem é de cena do filme Feitiço do Tempo e nela aparece o personagem Phill Connors (Bill Murray),  um repórter encarregado da cobertura de eventos climáticos, carregando uma marmota.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O FUTEBOL ESTÁ DE VOLTA E BUGRE PRESTA HOMENAGEM AO GOLEIRO NENECA

Boa tarde amigos,

Começaram os campeonatos regionais por todo o país. Em São Paulo, dentre os grandes, a estréia foi do Palmeiras. Um Palmeiras surpreendente, antes mesmo de entrar em campo, em razão dos patrocínios milionários que conseguiu acertar, em tempos de vacas magras,  e das inúmeras contratações que fez, dentre as quais a do argentino Allione  e do veterano meia Zé Roberto, ex-seleção brasileira. Jogando em sua Arena, embora o mando fosse do caçula Audax, o Verdão mostrou a que veio, vencendo a partida pelo placar de 3 a 1, numa ótima e entusiasmada apresentação. Resta acompanhar a sequência, que tem tudo para ser muito boa, credenciando a equipe como uma das favoritas ao título do Paulistão e do próprio Campeonato Brasileiro, o que, diga-se de passagem, não acontecia há muito tempo, desde a memorável época da patrocinadora Parmalat, no começo dos anos 90. Fui ao Brinco de Ouro acompanhar o novo Guarani que também fez sua estréia, mas na Série A-2 contra o Monte Azul, adversário que venceu pelo placar de 1 a 0.  Com 18 novos jogadores, contratados mediante indicação ou autorização do técnico Marcelo Veiga, a missão do Bugre, neste ano de 2.015, não será fácil. Os sofridos torcedores, já amargando uma série de rebaixamentos neste século, instabilidade na administração do clube, marcado por sucessivas renovações e renúncias de Presidentes e diretores, e por uma crise financeira que parece não ter fim, o Bugre ontem, em campo, mostrou um futebol muito razoável para o primeiro jogo.  Ainda um tanto desentrosado, é certo, com algumas peças não funcionando a contento, mesmo porque alguns contratados para serem titulares não puderem entrar em campo, ficou a impressão de que o grupo foi constituído com critério, mesclando a experiência de alguns rodados atletas, como é o caso do zagueiro Preto Costa e do centroavante Nunes, ao lado de Fumagalli, que é, sem dúvida, a despeito dos 37 anos, uma referência, com a juventude de alguns contratados, como o lateral esquerdo, Bruno Pacheco, contratado ao Vitória da Conquista,  e de Watson, atleta da base bugrina e que fez uma partida excelente, com muita personalidade, perdendo gols e participando do único tento da partida, marcado pelo centroavante Nunes. Os quase 5.000 torcedores que foram ver o novo Bugre, no Brinco, depois de quase 1 ano sem receber os jogos do Guarani, saíram com uma boa impressão no geral. Mas querem mais. Querem estabilidade, luta, empenho e um compromisso sério de que o acesso nos dois campeonatos que disputará esse ano (Paulista e Brasileiro da Série C) será o mínimo aceitável para a tradição da única equipe Campeã Brasileira do Interior do Brasil e duas vezes vice-campeã do maior campeonato do mundo.  Destaque também para a boa estréia da campineira Red Bull, no grupo de elite,que venceu o também caçula Capivariano, na casa do adversário, ontem à noite, pelo placar mínimo. Hoje, ocorrem as estreias de São Paulo, Corinthians, Santos e Ponte Preta.


Até amanhã amigos,

P.S. 1: Antes da partida de ontem no Brinco, o clube fez uma homenagem a Hélio Miguel, nome de batismo do goleiro Neneca, campeão brasileiro pelo Guarani no memorável título de 1.978. Neneca faleceu no último dia 25 de janeiro, aos 67 anos e é o segundo jogador daquela extraordinária equipe que já não está entre nós (o outro é o lateral Mauro, que morreu assassinado em um incidente de bar). Neneca também trabalhou no clube nas equipes de base e deixa muita saudade. A homenagem prestada foi emocionante. Familiares do jogador estiveram presentes no campo, vestiram a camisa do Guarani e foram aplaudidos pela torcida, que também gritou o nome do atleta, agradecendo a sua decisiva participação naquele campeonato. Zenon e Gomes foram dois atletas da equipe de 78, amigos de Neneca, presentes à homenagem. Depois, os atuais jogadores entraram em campo carregando uma  faixa com a inscrição: "CAMPEÕES NUNCA MORREM. NENECA ETERNO";

P.S. 2: Antes e depois do Bugre, Neneca jogou por várias equipes. O destaque foi a sua participação, como goleiro do Náutico, em 1.974, ano em que conquistou o campeonato pernambucano. O goleiro ficou 1.636 minutos sem tomar gol. Foram 18 partidas inteiras. Um recorde, sem dúvida;


P.S. 3: Uma incrível coincidência. No mesmo instante em que o Bugre homenageia Neneca, cujo passamento se verificou no domingo passado, o Guarani entra em campo com um novo goleiro. Seu nome: Neneca. Oxalá esse nome dê sorte para o alviverde campineiro na atual temporada.

P.S. 4: A imagem que abre a coluna de hoje (emprestada de globoesporte.globo.com.) é do goleiro Neneca, já maduro, em 2.013, durante as comemorações de 35 anos do título brasileiro de 1.978, pelo Guarani, levantando a réplica da taça de campeão.


sábado, 24 de janeiro de 2015

CRÔNICA - EXAMES DE LABORATÓRIO

Boa noite amigos,


Mudaram os tempos. E o “agora” é tempo em, que por todos os lados, você é pressionado para fazer medicina preventiva. Inda mais se tiver mais de 60 anos e histórico na família de câncer ou problema cardiológico. E alguém não tem uma ou outra coisa?  Conheci muita gente que morreu sem nunca ter feito um hemograma. Que não soube, nesta existência, o que significa glicemia ou colesterol e nem sequer conheceu o seu tipo sanguíneo.  Gente que comeu de tudo, que bebeu de tudo, que fumou e abusou à vontade e que bateu a cassuleta (  será que é com dois "ésses" ou com c?). com mais de 80, 90 anos. Mais isso já era. Hoje você não corre esse risco, pois os programas de TV, os amigos, os filhos e netos te convencem que é melhor você descobrir cedo se tem alguma doença grave, porque as chances de cura são maiores, e de você abandonar a vontade de viver, por conta de uma depressão, incomensuráveis.  Todo ano, você é instado pela empregadora a fazer  o tal Chek up, que para valer mesmo tem que contar com  um chek list de exames de todos os tipos. Pois bem, foi assim que em certa manhã, lá estou eu no laboratório com as benditas guias da Unimed, esperando a minha vez de ser atendido:  - O  Sr. fez sexo nas últimas 48 horas? Andou à cavalo? As perguntas se sucediam firmes na boca bem feita da jovem atendente do laboratório. E em voz alta. De soslaio observei o ambiente e notei que várias pessoas disfarçavam, mas aguardavam ávidas e sádicas, sem dúvida, as minhas respostas. Só de sacanagem. Emendei uma sucessão de “nãos”, sem saber bem o propósito dessas perguntas. Afinal, o que tem a ver o sexo com os exames de hemograma? E será que andar à cavalo altera a glicemia? E o toque retal, modifica o PSA?  De cabeça baixa, constrangido, rapidamente só me restavam algumas hipóteses de consolação: Já pensou se ela perguntasse se fiz sexo nas últimas 48 semanas? E nos últimos 48 meses? O Sr. trouxe as amostras para os exames de urina e fezes? Não, respondi. Na verdade, tinha esquecido. Aliás, nem isso. Não cheguei propriamente a olhar na guia a relação dos exames que o meu facultativo de praxe tinha solicitado. Não tive tempo. Bom, como não enviei o material, ela me advertiu que os exames só ficariam prontos depois que eu entregasse as amostras. E mais advertências: O material tem que ser colhido e logo em seguida entregue, viu? Quanto às fezes não precisa exagerar. Basta um pedacinho, que será suficiente. E quanto à urina? Bem também não precisa uma grande quantidade. Acorde pela manhã e colha a primeira urina. Mas, atenção, despreze o primeiro jato. Pensei, cá comigo: Moça,  digamos que eu não tenha propriamente um jato, nessa minha idade. Pode ser em gotas? E tem mais: não estou em condições de desprezar nada. Mas, vou tentar. Saí do laboratório cheio de interrogações e dúvidas. Sem saber como, nem por que. Mas considerei que pelo menos, ao menos, esses donos de laboratórios poderiam substituir essas mocinhas jovens, bonitas e implacáveis, por algum marmanjo mais experiente e piedoso. Que não precisasse fazer determinadas perguntas, nem advertências. Muito menos em altos brados.  Que considerasse que as respostas seriam óbvias. E que pudesse me explicar, ao menos, o que tem de ver o cu com as calças!

P.S. Ah! Tive vontade, mas não perguntei naquela questão relacionada com o sexo nas últimas 48 horas, se punheta valia.



Até amanhã amigos.


P.S. (2) A imagem da coluna de hoje foi emprestada de forum.jogos.uol.com.br

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

PUC -CAMPINAS - RETRATO DE UMA ÉPOCA E O CAMINHO DO BEM E DO MAL.

Boa noite amigos,

1) O estimado advogado,  Ricardo Ortiz de Camargo, prezadíssimo ex-aluno e grande amigo, seguidor desta coluna, me enviou e.mail  de felicitações para o ano novo e, no mesmo ensejo, transcreveu uma curiosa publicação que consta da coluna Há 50 anos atrás do jornal Correio Popular, edição de 12 de janeiro de 2.015. Como se sabe,  a Pontifícia Universidade Católica de Campinas, antes de receber, do Vaticano, pelo Papa Paulo VI,  o título de Pontifícia, o que se deu no ano de 1.972, se identificava simplesmente como Universidade Católica de Campinas, fundada em 1.955.  O seu primeiro e saudoso reitor, Monsenhor Emílio José Salim, de memória sempre exaltada pelo seu descortino,  inteligência, sensibilidade e visão futurista, há 50 anos atrás,  atendendo ao apelo dos conservadores, baixava uma curiosa portaria, proibindo o uso, pelos universitários,  de cabelos longos e barbas. O Correio Popular, edição de 12 de janeiro de 1.965, publicava então a notícia nos seguintes termos literais: “Repercutiu de forma favorável, notadamente entre os conservadores, a portaria baixada pelo monsenhor Emílio José Salim, proibindo a matrícula e frequência de alunos cabeludos e barbudos na Universidade Católica de Campinas. O ato do magnífico reitor tem por objetivo por um paradeiro ao que se entende péssimo gosto de se apresentar. O documento da Reitoria disciplina, também, o modo de se vestir dos estudantes que não poderão mais trajar-se displicentemente e usar sapatos sem meias. Entendem os conservadores que a medida é de grande alcance, pois, pelo menos os universitários de Campinas, passarão a ter melhor apresentação, deixando de apresentar vastas cabeleiras que, à distância, costuma confundir com elemento do sexo feminino.”;
Retrato de uma época, sem dúvida. A proibição, no entanto, se fundava apenas no bom ou mau gosto, segundo a notícia, e na preocupação de evitar confusão, à distância, entre os universitários do sexo masculino e os do sexo feminino.O curioso é que nem Jesus Cristo teria escapado da proibição e da pecha de mau gosto pelo uso suposto de cabelos longos.
  
2) O Prof. Peter Panutto, atual Diretor da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, navegando pelos mistérios da Internet, acabou localizando a imagem de uma placa de rodovia indicando a flecha de "seguir adiante" para o caminho de Brasília e Goiânia,   e, para o acesso a  uma outra desconhecida localidade chamada “Professor Jamil” o ingresso à direita (a foto ilustra a coluna de hoje).  Logo, diz ele, se lembrou aqui do distinto, que dentre as múltiplas atividades, está a de professor da querida Faculdade, como sabem os senhores, há mais de  35 anos.  Daí ter me enviado (acredito, em homenagem), a curiosa placa. Em resposta, sugeri ao culto professor que possibilite o uso didático da  imagem para ilustrar, nas aulas de Filosofia do Direito,  a dicotomia entre o Bem e o Mal.  O Mal, certamente,  representado pelo caminho de  Brasília. Já para trilhar o Bem, segundo minha proposta, bastaria ingressar à direita;


3) Professor Jamil é o nome de um município do Estado de Goiás, que se chamava, no passado, Campo Limpo. Fica localizado no entorno de Goiânia, entre os rios Meia Ponte e Dourados. Sua população, segundo o IBGE, era, em 2.014, de apenas 3.390 habitantes. O prefeito atual é Ney Fábio de Morais, eleito para o quadriênio 2.013-2.016. O gentílico do município é jamilense. A indústria leiteira é a sua principal atividade econômica;

Até amanhã amigos,



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE - UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA

Boa noite amigos,

O mundo se chocou com o atentado que vitimou doze pessoas, deixando lesões corporais em outras dez, em Paris, nos primeiros dias deste ano de 2.015, cometido por jovens  franco-argelinos  fundamentalistas e justificado como represália a cartunistas e jornalistas da revista satírica  Charlie Hebdo, pela publicação de charges satirizando o profeta Maomé. O ato de terrorismo e suas consequências evidentemente foram lamentados e censurados em todo o Ocidente, pelo seu despropósito e barbarismo, não havendo voz que se levante para sustentar a razoabilidade e proporcionalidade da resposta que os fanáticos pretenderam dar àquilo que consideraram uma provocação e uma heresia. Logo, entre movimentos populares e políticos vindos de todos os continentes, surgiu um jovem compositor francês que, pela Internet, postou um vídeo com sua música feita para homenagear os artistas mortos no atentado. A balada sentimental, questionando a irracionalidade do ato, acaba com uma frase que se tornou, rapidamente, bordão em todos os meios de comunicação, inclusive e principalmente nas redes sociais: Je suis Charlie! (Eu sou Charlie).  O Je suis Charlie ganhou também as ruas, os cartazes, o coração dos homens de bem, em profunda solidariedade com as  vítimas. Anteontem, na cerimônia do Globo de Ouro, o segundo mais importante prêmio de cinema americano, vários dos contemplados reproduziram o bordão “Je suis Charlie”, em discursos e cartazes. Não vi, porém, a não ser aqui e acolá, manifestação questionando o direito de editores e jornalistas do meio de comunicação,  de ofender católicos, judeus ou muçulmanos, com suas anedotas e desenhos. Destaco, porém, alguns lúcidos artigos e entrevistas que acompanhei e endossei. O Delegado aposentado e professor de Direito, Carlos Alberto Marchi de Queiroz, escreveu um excelente artigo intitulado Tragédia Anunciada, na edição de 3ª. feira, 13 de janeiro de 2.015, do jornal Correio Popular, de Campinas, e que circula por todo o Estado, por meio do qual questiona a realidade sociopolítica francesa e o seu envolvimento com os lemas da Revolução Francesa. Observa o articulista que o direito constitucional francês garante a liberdade de expressão de forma ilimitada e que, sob esse manto, a revista, especialmente depois do atentado à bomba sofrido quatro anos antes, “não poupa, em suas charges, de forma contundente, expoentes cristãos, judeus e muçulmanos. Edições da revista estamparam em suas capas a Virgem Maria, em trabalho de parto, dando a luz ao Menino Jesus, o papa Francisco, no Rio, vestido de cabrocha, o profeta Maomé, em situações inusitadas, assim como figuras históricas judaicas em comportamento incomuns, desconsiderando valores cristãos, judeus e muçulmanos, de pesos diferentes cuja tolerância religiosa é tão flagrante quanto o azeite na água.  Em entrevista concedida à repórter Elaine Trindade, coluna “Mônica Bergamo”, da Folha de São Paulo, a francesa Alexandra Baldeh Loras, de origem muçulmana e judaica, que vive no Brasil como consulesa de seu país em São Paulo, analisou com propriedade a contradição entre essa França supostamente acolhedora e plural, como se define e difunde, e  o distanciamento,  preconceito e depreciação que os franceses tradicionais manifestam em relação aos estrangeiros, inclusive aqueles oriundos de suas ex-colônias, que fingem abraçar incondicionalmente e contra os quais se cometeram atrocidades no passado.  E considera  que a França ainda precisa se assumir como nação multicultural e multirracial  para evitar que alguns de seus filhos de ascendência árabe e africana sejam adotados pelo terrorismo. Lembrou ainda que quatro dias antes do atentado em Paris, o grupo Al-Quaeda cometeu outro atentado, com um carro-bomba no Iemen, que matou 37 pessoas. Mas o mundo praticamente não tomou conhecimento desse ato e nem revelou solidariedade às vitimas e familiares. Por quê? Pessoas de segunda classe? De terceiro mundo?  Caros amigos, é indiscutível que a religião é assunto de vida privada, competindo a toda Nação que se diz democrática, a garantia de liberdade de culto. Por outro lado, é indispensável que o Estado moderno, dito democrático, ao garantir o direito subjetivo de cada cidadão de professar ou não qualquer religião, se liberte das amarras de seus fundamentos. O laicismo do Estado é, ao lado do respeito ao direito individual de crença ou descrença, um dos fundamentos do Estado da pós-modernidade.  Mas, ao consagrar a liberdade de culto e se afastar de influência de qualquer deles, enquanto Estado, zelando para que os extremismos não comprometam o direito de autodeterminação ligado à profissão de fé, esse mesmo Estado tem que regrar a liberdade de expressão, que não pode ser ilimitada, a ponto de permitir que se ofendam valores, dogmas e sentimentos religiosos ou laicos de quem quer que seja.  Mario Vargas Llosa, escritor, dramaturgo e jornalista peruano, Premio Nobel de Literatura em 2.010, um intelectual confessadamente liberal, defendeu, em artigo publicado pelo jornal El País, de Madri, em junho de 2.003, o direito do governo francês proibir o uso do véu islâmico nas escolas públicas, justamente em nome da liberdade, por paradoxal que possa parecer,  argumentando que “os direitos humanos e as liberdades públicas e privadas garantidas por uma sociedade democrática estabelecem um amplíssimo leque de possibilidades de vida que possibilitam a coexistência em seu seio de todas as religiões e crenças, mas estas, em muitos casos, como ocorreu com o cristianismo, deverão renunciar aos extremismos de sua doutrina  - monopólio, exclusão de outro e práticas discriminatórias e lesivas aos direitos humanos – para ganharem o direito de cidadania numa sociedade aberta”[1]. E é exatamente o equivocado extremismo de uma garantia constitucional ampla e irrestrita de liberdade de expressão, que também não pode ser admitida, num mundo em que liberdade  e respeito podem e devem coexistir. Por fim, em entrevista concedida hoje, o Papa Francisco, sem aludir especificamente ao episódio (e nem precisaria, obviamente) sustentou que ninguém tem o direito de ofender ninguém, em nome da liberdade de expressão e proibição de censura. E ilustrou o seu argumento, provocando o jornalista: Se você ofender a minha mãe,  provavelmente eu lhe darei um soco. O “Je Suis Charlie”, portanto, antes de refletir um repetitivo bordão em solidariedade à vida dos jornalistas e chargistas franceses mortos, e em protesto contra o absurdo do ato terrorista, é perfeitamente aceitável. Mas para legitimar  uma liberdade de expressão que não cede, nem encontra limites mesmo na ofensa, na provocação, no insulto, na sátira  a deuses e profetas, dogmas, crenças e fés, não pode ser endossado. Nenhum direito é ilimitado, num mundo que pretende ser justo e democrático.  A liberdade de expressão, portanto, tem que ser exercida em consonância com as exigências éticas e respeitar, por isso, valores individuais e sociais que as nações mais avançadas do mundo, dentre as quais a França, assinalam e garantem, tanto quanto a liberdade de expressão, como integrantes do rol dos "direitos humanos". 

Até  amanhã amigos.

P.S. (1) A imagem da coluna de hoje é de atores e atrizes exibindo cartazes de solidariedade às vítimas e à revista,  durante a cerimônia da entrega dos prêmios do Globo de Ouro e foi emprestada de www.mirror.ao,uk.

P.S. (2) Muitas das imagens que vi na Internet reproduziam as charges ditas ofensivas. Por razões óbvias, não escolhi nenhuma delas para ilustrar a coluna.





[1] O artigo está publicado na página 92 da 1a. edição  do livro A civilização do espetáculo – uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura, de autoria do autor, traduzido por Ivone Benedetti e publicado pela Editora Objetiva,  Rio de Janeiro.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

UM CONTO DO NOSSO BORGES



Boa noite amigos,


Luiz Carlos Ribeiro Borges é o nome dele, uma pessoa muito especial. Conheci o Borges na década de 80, na primeira fase da minha advocacia (a segunda  teve início em 1.997, quando me aposentei da Magistratura de São Paulo). Borges era Juiz Titular da 4ª. Vara Cível da Justiça Estadual de Campinas, Estado de São Paulo, e, sem nenhum favor, um dos mais completos,  competentes, sensíveis e talentosos Magistrados que conheci na minha trajetória pelo vasto mundo do Direito. Acompanhei a sua judicatura com entusiasmo e seu perfil de homem e magistrado serviram como uma das referências nas quais me fundamentei tanto para buscar o meu modelo de Magistrado, alvo da busca de um aperfeiçoamento contínuo,  quanto para transmitir, quando pude e posso, aos meus alunos e amigos as qualidades esperadas de um julgador. Borges foi promovido para a Comarca de São Paulo, onde assumiu uma Vara da Infância e Juventude e, posteriormente, guindado a Juiz do extinto 1º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo. Aposentado no referido Tribunal, ostenta  a condição de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Com a aposentadoria não se desligou da sua área de conhecimento,  e ainda hoje se dedica a uma advocacia diferenciada pela qualidade, fruto de seu talento e vasta experiência. Borges é também um intelectual, dedicado às artes e à cultura em geral. Vice-Presidente do Centro de Ciências Letras e Artes de Campinas e curador de sua vasta e relevante biblioteca, foi também guindado, com muita justiça,  a membro da Academia Campinense (a de Campinas, não de Campina Grande) de Letras, onde é muito respeitado e estimado pelos seus confrades. O Borges me deu a honra de conhecer um conto de Natal que ele escreveu por esses dias. Achei-o excelente e pedi autorização para reproduzi-lo aqui no blog. Autorização escrita conferida, aí vai como presente aos amigos e leitores deste blog:


  
"O INIMIGO SECRETO


                           Naquela tarde, Nicolau retirou-se mais cedo do escritório (Empédocles & Sebastião Advogados Dissociados) onde cumpria a penosa função de estagiário, com o propósito de comprar o presente destinado a seu inimigo secreto.

                            Esta havia sido a invenção daquele ano de um dos sócios da empresa, o Dr. Empédocles (estranhamente, o outro sócio, Dr. Sebastião nunca aparecia, jamais deixava a sala em cuja porta se ostentava a placa com o seu nome). Já no ano anterior ele havia surpreendido a todos, ao aparecer vestido de Papai Noel, porém com um par de chifres na testa e armado de um tridente, com o qual espetava a virilha dos homens e as ancas das mulheres.

                            Ao criar a nova instituição, que denominou “Inimizade Secreta”, a facção Empédocles da dupla de advogados (seria mesmo uma dupla? O invisível Sebastião não seria senão mera identidade oculta do próprio e esquizofrênico Empédocles?) anunciou que se tratava de mais uma forma eficaz para que advogados, estagiários e funcionários dessem ênfase ainda maior ao clima de ódio, inveja, rancor  e ganância que imperava no ambiente de trabalho, e que ele próprio fomentava por todos os meios, por acreditar que uma atmosfera de permanente e feroz disputa entre todos nós, cada qual tentando sobrepor-se  aos outros, ridicularizar e destruir os outros, seria salutar e produtiva para a prosperidade do escritório.

                            Ali, os advogados pisoteavam os estagiários, os estagiários bolinavam as recepcionistas, as recepcionistas infernizavam a vida da moça da copa e a moça da copa cuspia no café dos advogados.

                            Após anunciar a novidade, o Dr. Empédocles promoveu o sorteio de inimigo secreto, mediante a distribuição de papeizinhos cuidadosamente dobrados para esconder o nome do infeliz sorteado.

                            Mal apanhou o seu, Nicolau, enojado e sem mesmo consultar o nome escrito na papeleta, saiu às pressas do escritório, decidido a se desfazer o quanto antes da odiosa incumbência.

                            Ao invés de entrar nalguma loja convencional, encaminhou-se para uma rua do centro comercial onde se concentravam centenas de barracas e quiosques de vendedores ambulantes, que expunham as mercadorias mais exóticas.

                            Foi quando, ao abrir a papeleta, constatou com aborrecimento que nela não se continha nenhum nome escrito. Teria sido mais uma perversidade do Dr. Empédocles? Por essa forma ele tornaria ainda mais tormentosa a escolha do presente ideal, uma vez destinado a um inimigo não identificado e, por isso, mais que nunca secreto? A tanto chegaria o maquiavelismo do Dr. Empédocles (ou, em verdade, quem assim em tudo agia, não seria em verdade o Dr. Sebastião, ao passo que o Dr. Empédocles não seria senão uma contrafação ou até mesmo uma sórdida simulação, maquinada por algum deles com o objetivo de se locupletar ilicitamente, apoderando-se em dobro da parte que caberia aos sócios na distribuição das receitas?)?

                            Logo em seguida, Nicolau deu de ombros, pois o que importava o desconhecimento do destinatário do presente a ser adquirido? Quem quer que fosse, dentre os desprezíveis habitantes do escritório, seria merecedor do mais degradante dos prêmios.

                            Consultando as barracas, ficou indeciso entre várias opções: entre os livros expostos num sebo, o best-seller “Punhalada nas Costas”, ou, pelo contrário, o encalhado “Manual de Iniciação ao Suicídio”? Pastilhas de arsênico, uma gaiola com filhotes de cascavel, uma caixa de ferramentas para autoimolação, um porta-retratos, com a foto do próprio Nicolau, onde ele se exibiria insolentemente nu e de cócoras?

                            Percorreu toda a extensão da rua sem identificar nada adequado, até sair noutra via pública onde de ambos os lados se enfileiravam lojas de departamentos, com mercadorias que, miseravelmente, só fariam a alegria de quem fosse agraciado. 

  
                                   Nicolau sentiu-se decepcionado, soturno, sombrio, acabrunhado. Suspeitava, obscuramente, que traíra as recomendações e conselhos de Empédocles & Sebastião, que, quando de sua admissão, em uníssono o alertaram de que a existência humana era uma guerra na qual  só os combatentes mais cínicos e intimoratos sobreviviam e que por isso o escritório equivalia a uma verdadeira escola de gladiadores.

                            Eis que o assaltou a sensação de que, desde o outro lado da rua, algo, que ardia ou palpitava, mas ainda permanecia indistinto, o atraía vigorosamente, o convidava, o desafiava. Seu olhar cruzou celeremente a rua, voou para a calçada oposta onde se concentrava a massa multiforme de criaturas de carne e osso e de objetos de vidro, concreto, plástico e aço, até identificar aquilo que o seduzira: o fulgor de um sorriso.

                            Após um instante de incredulidade, reconheceu  Angélica, sua colega de faculdade, em cujo sorriso cintilavam estrelas, pedras preciosas e girassóis, iluminando e fazendo resplandecer a tarde crepuscular e sombria.

                            Nem por um momento lhe passaram pela mente as advertências dos sábios em torno da ambiguidade e da simulação do sorriso feminino, sobre as traições que nele porventura se ocultem. Muito menos cogitou de que a traição, que então se encenava, seria das circunstâncias: Angélica sorriria para outrem, às suas costas;  ou o sorriso não o era, mas o banal reflexo dos derradeiros raios do sol poente.

                            Só o que lhe importava, naquele instante em que as sombras se desvaneciam, era, mesmo se ilusório, o esplendor do sorriso, que o convocava a prostrar-se de joelhos no asfalto, em atitude de veneração, como se os dentes diamantinos de Angélica fossem os portadores de alguma inapreensível mensagem, anunciadores de alguma absurda salvação.

                            Através de seu olhar atônito e cheio de graça, Nicolau exibia a Angélica, em oferenda, buquês de rosas vermelhas, frascos de perfumes orientais, caixas de bombons de licor importados da Bélgica e até mesmo cartões coloridos, com figuras de sinos, neves e trenós.


                                                                       Luiz Carlos R. Borges
                                                                     Dezembro de 2014."

Grande abraço amigos e feliz ano Novo.

P.S. (1) Foi difícil encontrar foto do Borges na Internet. Já esperava por isso, tendo em vista a conhecida simplicidade do nosso amigo, que não gosta de ser destaque. Mas consegui resgatar algumas que a escritora e membro da Academia Campinense de Letras, Ana Suzuki, publicou em seu blog recantodosacademicos.blogspot.com,  de onde emprestei as fotos que publico na coluna de hoje. Elas foram tiradas de uma viagem que Borges e a família fizeram à França, lá descobrindo uma pequena localidade onde Marcel Proust passou parte da infância, morando na casa de um tio.

P.S. (2) O famoso escritor depois escreveu o seu antológico “Em Busca do Tempo Perdido”, com as memórias dessa infância perdida;

P.S. (3) Reproduzo aqui o depoimento do próprio Borges para explicar sua visita à cidadezinha de Illiens, na França: “Graças às fuçações de meu filho Rafael, fomos sair numa cidadezinha francesa chamada Illiens. E a Combray fictícia de Marcel Proust e por isso o nome da cidade  hoje é Illiens-Combray. Ali o escritor viveu alguns anos de sua infância na casa dos tios, a qual se transformou num museu”.


P.S. (4) As fotos são da visita ao aludido museu. Na última Borges ao lado de um exemplar de François Le Champi, o romance de George Sand de 1.850.