domingo, 18 de setembro de 2016

TEATRO DE COMÉDIA - HISTERIA - FREUD E DALI NO TEATRO BRASILEIRO

Boa tarde amigos,

Cena da comédia Histeria, com Cassio Scapin à esquerda 
como Dali e Pedro Paulo Rangel, encarnando Freud. Ima-
gem empestada de www.guiadasemana.com.br.
Esteve em Campinas, semana passada, no Teatro Brasil Kirim, do Shopping Iguatemi,  a comédia teatral Histeria, que focaliza o encontro, em Londres, no ano de 1.938, do pai da Psicanálise, Sigmund Freud com o ícone do Surrealismo, o pintor espanhol Salvador Dali.  O encontro foi real, como real e intensa teria sido a influência da teoria psicanalítica de Freud na vida e na obra de Dali. A peça teatral teve como autor, o britânico Terry Johnson que em 1.993, escreveu o texto, que  John Malkovich  montou e encenou, com sucesso retumbante em toda a Europa. A versão brasileira surgiu a partir de Jô Soares que, assistindo a uma das encenações contemporâneas em Paris, com ela se encantou e cuidou de traduzir o texto, sugerir a montagem brasileira e dirigir a peça. O elenco absolutamente competente, um dos pontos altos da comédia, tem Pedro Paulo Rangel no papel de Sigmund Freud, Cassio Scapín como Dali e ainda, Milton Levy e Erica Montanheiro, dando um show de interpretação. O espetáculo é sucesso de público e crítica, merecidamente. Alguns defeitos que possam ser atribuídos à montagem, por mero perfeccionismo, como a falta de um caderno com explicação sobre o texto e sua inspiração, e o tempo da peça, um pouco longo demais, nem de longe chegam a empanar as suas virtudes. O público aplaudiu de pé, reconhecendo a qualidade do espetáculo. E a versátil e impagável interpretação de Cassio Scapin para Salvador Dali merece entrar para a antologia do teatro brasileiro. Se tiver oportunidade, não deixe de ver.


Até mais amigos,


Tela denominada "A Tentação de Santo Antonio" da fase  
surrealista do pintor catalão Dali. Imagem emprestada -
de www.livreopiniaoportal.files.wordpress.com.


P.S. (1) O Teatro Brasil Kirim do Shopping Iguatemi de Campinas tem sido bem utilizado e reconhecido como um dos melhores e mais modernos espaços existentes na cidade, para a apresentação de espetáculos de médio porte. Com capacidade para 600 espectadores, sua disposição, conforto e recursos tecnológicos de ponta, garantem  a diretores, artistas e público, um ótimo resultado relativamente às suas respectivas expectativas. Os grandes musicais e mega espetáculos, contudo, continuam a ser montados no Teatro de Paulínia, localidade situada na região metropolitana de Campinas, até que a cidade volte a ter um grande teatro municipal, empreitada prometida por várias gerações de políticos que administraram a cidade.

P.S. (2) Salvador Dali, depois de ler a Interpretação dos Sonhos de Freud e se apaixonar pela sua obra e pela teoria psicanalítica, tentou varias vezes, sem êxito, um encontro com ele. Na conturbada política européia da época, esse encontro só acabou acontecendo, por insistência de Dali e intervenção de um amigo de Freud, no ano de 1.938, quando Freud se refugiou da expansão nazista, em Londres. O neurologista, porém, já estava muito doente, acometido de um câncer avançado na mandíbula que o levaria a óbito no ano seguinte. Dali teria, na ocasião, demonstrado toda sua admiração pelo médico e relatado o quanto as suas teorias teriam contribuído para as suas convicções e mudanças pessoais e servido como inspiração de suas pinturas, arquétipo do movimento batizado como surrealismo;


P.S. (3) Salvador Dali foi um importante pintor catalão,conhecido pelo seu trabalho surrealista. Os quadros de Dali merecem destaque pela incrível combinação de imagens bizarras, como nos sonhos, com excelente qualidade plástica. As duas maiores coleções de trabalhos do pintor estão no Museu Salvador Dali, em Saint Petersbourg, na Flórida, Estados Unidos e no Teatro-Museu Salvador Dali, em Figueres, na Catalunha, Espanha, localidade onde nasceu e morreu.

sábado, 10 de setembro de 2016

TEATRO - GALILEU GALILEI, BRECHT, ZÉ CELSO E DENISE FRAGA

Boa tarde amigos,
Imagem de propaganda e de capa do caderno distri-

buído ao público na entrada do teatro, com explica
ções sobre a montagem e outras particularidades. 
(www.ecult.com.br).
Galileu (1): A heresia atribuída ao físico e matemático Galileu Galilei (1.564-1.642) teria sido, o de pretender “transferir o homem do centro do universo, para algum lugar na periferia”, provocando os teólogos da idade média para que  “dessem um jeito de recompor o céu”. Os textos entre aspas são do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1.898-1.956) e de sua peça Leben Des Galilei,  que adaptou para o teatro o drama vivido pelo personagem real, perseguido pela Santa Inquisição por suas afirmações de que a Terra girava ao redor do sol e que era o Astro-Rei que comandava o universo, enquanto a Terra era apenas um planeta como muitos outros que por ele se espalhavam. Após uma investigação que durou 13 anos, Galileu foi condenado e obrigado a abjurar suas descobertas científicas para não ser queimado vivo e permaneceu oito anos, até sua morte em 1.642, em prisão domiciliar, o que lhe permitiu, na sobrevida obtida com a abjuração de suas descobertas, escrever o seu livro mais importante (Discorsi e Dimonstrazioni Matematiche Intorno Duo Nuove Scienze).  Há mais de uma versão para a peça considerada a obra-prima do escritor e que revela, segundo os estudiosos,  o seu testamento filosófico, sintetizado na frase “Infeliz a terra que precisa de heróis”, com o que chama à reflexão e questiona “o problema do herói, sua discutível necessidade e o uso da razão como instrumento de luta contra a barbárie”. Brecht, por um novo texto escrito em 1.945,  modifica o desfecho da obra e o significado do personagem, depois que, vivendo nos Estados Unidos,  assiste  o uso da bomba atômica contra os japoneses: “Eu te digo, aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”, afirma na readaptação.

Cena do espetáculo Galileu Galilei, com Denise Fraga e ta-

lentoso elenco. (imagem emprestada de www.funarj.rj.gov.
br.).
Galileu (2) Há algum tempo assisti a uma entrevista da  consagrada atriz Denise Fraga, no programa de Jô Soares. A atriz se dizia na ocasião inteiramente apaixonada pela obra de Brecht, o que teria motivado a encenação da peça A Alma Boa de Setsuan, que levou mais de 220.000 pessoas ao teatro, e a criação de um grupo de leituras dos textos do dramaturgo. Numa das sessões em que Galileu foi lido, a atriz se disse invadida por  uma vontade incontrolável de dizer aquelas coisas relevantes, por meio de seu veículo de comunicação mais importante: o Teatro. Assim, nasceu o projeto de Galileu Galilei, peça que correu o Brasil e que esteve, mais uma temporada, no último fim de semana,  no Teatro Brasil Kirim, aqui em Campinas, no Shopping Iguatemi. Fui ver a peça no domingo. São duas horas e vinte minutos de espetáculo contínuo. É muito? Absolutamente. Durante todo esse tempo não me movi da cadeira. É raro isso acontecer comigo, sobretudo porque sofro de uma espécie de incontinência urinária emocional hereditária que me  impõe a  necessidade de visitar o banheiro muitas vezes durante o dia. Às vezes no cinema, outras nos intervalos das aulas que ainda ministro, com regularidade, por teimosia. O espetáculo é imperdível. Com Denise ao centro, no papel  título de Galileu, o elenco se completa com o veterano Ary França, ótimo como sempre, Lúcia Romano, Théo Werneck, Maristela Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luis Mármora, Silvio Restiffe e Daniel Warren. As interpretações todas, sem exceção, podem ser citadas como um dos muitos pontos altos do espetáculo. Os atores, além de interpretarem, cantam, dançam e interagem com a platéia, quando estão ou não estão em cena. No centro da mensagem, além do embate entre ciência e religião e os seus desencontros,  está o prazer pelo conhecimento, um prazer inenarrável que se completa por um ato de filantropia: chamar o outro para ver como eu vejo, para sentir como eu sinto. Numa palavra, ensinar, o ato mais nobre do ser humano e que torna algo divino a atividade do professor. Denise reproduz o que está no texto e que ela diz, como Galileu,  com uma alegria imensa nos lábios: “Eu tenho que saber e depois passar adiante”. E no folheto que apresenta e  resume a intenção do espetáculo, agora na voz e no corpo da própria Denise: “Aqui está o nosso Galileu. Dar comunicação as palavras de Brecht é o que me move, me empurra para o palco. Como Galileu, não vejo a hora de fazer vocês verem o que eu vi”;


Imagem de Bertold Brecht  com trecho de sua

poesia em fase de amor pelo marxismo, provo-
cando o estado capítalista e sua filosofia priva-
dística (
 (homoliteratus.
com). 
Galileu (3)  Seria natural que  Denise, ao se apaixonar pelo texto de Brecht aceitasse  nele um papel feminino secundário na montagem da peça, destinando o do protagonista a um ator, dentre os muitos excelentes deste país. Ou, então, permanecesse na direção ou co-direção do espetáculo, atrás da boca de cena. Mas nem pensar. Denise é essencialmente uma atriz de teatro que precisa estar à frente do palco, dizendo um texto no qual ela acredita com sinceridade e profundeza de alma, diretamente para o espectador e se possível conversar com ele, olhando nos olhos, desafiando-o eventualmente para um embate. Ela é assim. Ou pelo menos é assim que eu a vejo em cena.   Isso explica porque  vai lá querendo e tomando um personagem masculino, numa espécie de vingança de todas as mulheres excluídas no passado do palco elisabetano sem atrizes, reservado todos os papéis exclusivamente aos machos, fossem masculinos ou femininos os personagens. Ah! Meta-se nela uma simples peruca preta ou branca e uma barriga falsa e ela se transforma convincentemente num Galileu jovem ou velho, esguio ou decadente, reproduzindo com entusiasmo ou conformismo textos que revelam a personalidade e as crenças do físico da idade média, na visão do mais importante dramaturgo alemão da era moderna.  Resta agradecer aos céus, à direção competente de Cibele Forjaz, ao próprio Brecht, a Galileu, suas descobertas e suas abjurações, a revelarem a dualidade da natureza humana e suas contradições (coragem e heroísmo, medo e covardia), o que  garante ser esse um tema universal e atemporal, a inspirar poetas e escritores, artistas plásticos, filósofos, antropólogos, sociólogos, psicólogos e todos aqueles que, direta ou indiretamente, trabalham no mundo para refletir sobre a complexa natureza humana.

Foto tirada de celular com o excelente ator Ary França, que-
ao centro, ladeado por mim e pelo meu ex-aluno, advogado-
e colaborador na Faculdade de Direito, Evandro Tolentino-
de Freitas.
Galileu (4)  Algumas afirmações de Galileu, ou a respeito dele: “A verdade tem muitas partes”; “ao velho vinho e ao saber novo ele não diz não”; “vamos por as nossas máscaras, mas o pobre Galileu não tem nenhuma”; “eu tenho que saber e depois passar adiante”;


Galileu (5)  Quando o discípulo se encontra com Galileu, na sua reclusão imposta pelo regime de prisão domiciliar e recebe dele o original de seu novo livro, que seria considerado depois uma relíquia, base das ciências modernas, busca encontrar uma explicação nobre para a renúncia do professor. Então, o senhor é um herói, o senhor cedeu à abjuração de suas descobertas para poder sobreviver e escrever essa obra que servirá de base para a nova geração da ciência, provoca o ex-aluno e admirador.  O Professor, contudo, responde com sinceridade e sem vaidade: Não, não. Abjurei, porque tive medo da fogueira.



Meu neto Rafael conferindo comigo, 
no celular, notícia acerca do espetá
culo que ele não pôde assistir.
Galileu (6) O equívoco na condenação imposta a Galileu Galilei pela Santa Inquisição,  só foi admitida pela Igreja Católica, em 1.992, quando o  Papa João Paulo II,  em moção formal, considerou que “os teólogos que condenaram Galilei não souberam reconhecer a distinção formal entre a Bíblia e sua interpretação:Isso os levou a transpor indevidamente o domínio da doutrina da fé, ao analisarem uma questão que de fato pertencia ao domínio da investigação científica”, disse na ocasião, desculpando, no entanto, os seus algozes,sob a ponderação de que os “teólogos do século 17 trabalhavam com o conhecimento disponível naquela época” (New York Times, edição de 01 de novembro de 1.992);

Galileu (7) - O paulista de Araraquara (SP),  José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, surgiu nos anos 60 como um dos mais revolucionários diretores teatrais do país, numa época em que o Teatro  Brasileiro de Comédia, o tradicional TBC, se notabilizava pela encenação europeizada, e desde então vem construindo um dos percursos mais originais dos palcos brasileiros, sempre em busca e no aperfeiçoamento de  uma linguagem estética que provoque e revolucione o comportamento das pessoas. A ele se deve o rompimento da histórica relação palco/platéia, em que esta desempenha unicamente um papel passivo. O dramaturgo, que fundou em 1.958, o lendário Teatro Oficina, ao lado de Renato  Boghi, Amir Haddad e Jorge da Cunha Lima entre outros, levou para os palcos peças antológicas como o Rei de Vela (1967), de Oswald de Andrade, que expressou as idéias do movimento tropicalista, Roda Viva (1968), de Chico Buarque de Holanda e, no mesmo dia em que foi decretado o AI-5, estreou Galileu Galilei,  a primeira encenação nos palcos brasileiros, e inspiração da nova montagem de Cibele Forjaz e Denise Fraga, nele também inspirada.

Até mais amigos.




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

FACULDADE DE DIREITO - O REENCONTRO TRINTA ANOS DEPOIS - A TURMA DE 86

Amigos,

Os ex-alunos Amaury  Camargo Mônaco, José Antonio A.
da Costa neves e Ricardo Ortiz de Camargo, atentos duran

te a aula da saudade.
Um bom  número  de ex-alunos das turmas dos períodos diurno e noturno da Faculdade de Direito da Puc-Campinas, qüinqüênio 1.982-1.986, programou e se reuniu para alguns eventos, no sábado (20) e no domingo (21) deste mês de agosto, em comemoração aos 30 anos de formatura. Muitos foram os ex-alunos que se movimentaram em torno da agenda de comemorações, contribuindo, cada qual em sua esfera, conhecimento e possibilidades, para o êxito do reencontro. A Comissão que esteve à frente e que trabalhou para viabilizar a empreitada contou com os dinâmicos, Ricardo Ortiz de Camargo, José Henrique Toledo Correa e Maria Augusta Pretti Ramalho, a nossa querida “Guga”. No sábado, dia 20 de agosto, às 16,00 horas, alunos e professores se encontraram nas novas dependências da Faculdade de Direito, no Campus I,  para visita ao prédio e participação em uma aula da saudade. A intenção primeira era que esse encontro acontecesse no saudoso Páteo dos Leões, o Prédio Central da Puc, real palco do curso daquela época. No entanto, o prédio antigo, com problemas estruturais, está fechado para reforma e implantação de projeto de restauração, o que inviabilizou a pretensão.
Lista de Presença assinada e entregue
pelos ex-alunos presentes à aula da
saudade.

Do corpo docente, estiveram presentes a esse encontro o Professor Luis Arlindo Feriani, que ministrou  a disciplina Direito Processual Civil e foi eleito Paraninfo do Curso Noturno, e eu, que para eles lecionei a disciplina Direito Civil e fui  escolhido Paraninfo do Curso Diurno. Por coincidência, em período posterior à formatura dessas turmas, tanto Feriani, quanto eu, tivemos registrado, seguindo a tradição da Casa, a nossa passagem pela direção da escola,  em quadros que integram a galeria dos ex-Diretores. Com a mudança da Faculdade para as novas dependências do Campus, essa galeria foi igualmente para lá trasladada  e hoje se acha na entrada do setor destinado ao Núcleo de Prática Jurídica, composto pela Assistência Judiciária Dr. Carlos Foot Guimarães, Secretaria do Juizado Especial, Salas para Júri Simulado e espaço para aulas práticas. Foi no amplo salão destinado ao Júri Simulado que o grupo se reuniu com os professores. Na oportunidade, busquei reproduzir um trecho de preleção de outrora alusiva à parte geral do Código Civil, no capítulo que trata dos Bens Reciprocamente Considerados, para dar vazão à pretendida aula da saudade. Os presentes fizeram questão de passar e assinar a lista de presença, que me foi entregue no final.
Da esquerda para a direita, eu e o Professor Luis Arlindo
Feriani, na galeria dos ex-Diretores da Faculdade de Dire_

to,  defronte aos quadros de nossos retratos.
O Dr. Feriani, por si e também representando, na oportunidade, o Diretor da Faculdade de Direito, Professor Peter Panutto, fez o seu pronunciamento, louvando a iniciativa dos ex-alunos e aludindo a recortes de fatos, sensações e expectativas daquela época. O talentoso e querido amigo, José Henrique Toledo Corrêa foi chamado ao microfone e fazendo tabula rasa à sua conhecida “introspecção” imitou professores e relembrou fatos que se tornaram marcantes para ele e os colegas, no tempo dos bancos acadêmicos. Finalmente, li uma prova preparada pelo então aluno,  Ricardo Ortiz a respeito de conceitos do Direito das Sucessões e sua Natureza Jurídica. A prova, supostamente elaborada no ano de 1.984, provocou gargalhadas e a suspeita de que seria falsa. Não confirmei nem a falsidade, nem garanti a autenticidade. O fato é que ela fez e fará carreira entre os amigos e integrará, como curiosidade pitoresca, a história da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. À noite, houve jantar regado a vinho, cerveja, whisky, água e refrigerante, nas dependências da boate do Tênis Clube de Campinas. E no dia seguinte, depois de um verdadeiro dilúvio que caiu sobre a cidade, os incansáveis colegas se encontraram em Sousas, na chácara do colega Carlinhos Milani, para um churrasco que,  varando toda a tarde e o começo da noite, encerrou o ciclo das atividades da já trintenária Turma de 86, uma grupo unido, carinhoso e  criativo, para não ser esquecido.


Até amanhã amigos.

Turma reunida com os professores na bela capela construí
da com as novas instalações da Faculdade de Direito no-
Campus I , batizada de Capela de Santo Ivo, em homena-
gem ao padroeiro dos advogados.
P.S. (1) Abaixo o texto literal da “brilhante” prova de Direito Civil do meu estimado amigo, Dr. Ricardo Ortiz Camargo, manifestada para ficar na história, no dia 20 de junho de 1.984, quando Ricardo era aluno e eu seu professor. O tema sobre o qual deveriam discorrer os discentes da saudosa turma 82-86 da  Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas era o seguinte: BREVE ANÁLISE DOS CONCEITOS E FUNDAMENTOS DO DIREITO DAS SUCESSÕES, provocação a que Ricardo respondeu assim:
Direito sucessório é aquele direito que trata do sucesso, ou seja, do sucesso das pessoas. Não há no ordenamento jurídico brasileiro o direito do insucesso, aliás, esta faculdade de direito, por sua enorme tradição,não se presta a ensinar temas inerentes ao fracasso. O princípio básico do Direito do Sucesso é transmitir automaticamente a apuração do resultado do sucesso ao seu sucessor-parente, o chamado Sucesso Legítimo, ou seja, quando o “de cujus” falece sem deixar testamento. Sabemos que a lei estabelece por artigo do Código Civil, que não me  lembro agora, o chamamento dos herdeiros para receber o sucesso, por exemplo, quando o pai morre e deixa todo o seu sucesso para o filho ou filhos, que tentam manter este sucesso em suas vidas. Na Roma Antiga, o herdeiro recebia o sucesso do pai, inclusive, como exemplo podemos citar o filme que está em cartaz no cinema chamado “Calígula”, onde este recebeu todo o seu sucesso do pai de nome Germânico, sobrinho do Imperador Tibério. Por final, não podemos deixar de assinalar os tipos de herança, ou seja, os bens deixados pelo defunto. Ela se divide em: Jacente: é aquela em que o herdeiro Já Cente que irá receber o sucesso brevemente. Vacante: A palavra vem do inglês “vacation”, que significa férias, vale dizer, quem recebe muita herança, ao certo, poderá desfrutar de mais férias. Em suma, são estas as considerações que tenho a dizer do Direito das Sucessões, ficando para os mais doutos outras considerações sobre o brilhante tema.”



Panorama do Prédio Central da Universidade, onde funcio
ram várias faculdades e institutos. A Faculdade de Direito
 foi a última a deixar, no final do ano passado, as dependên
cias antigas para se transferir  para a nova casa. A Casa -
do Barão, como era também conhecido o Páteo dos Leões-
passará por reforma e já existe um ambicioso projeto de  -
restauração do espaço, para abrigar, quem sabe, um centro
cultural.

P.S. (2) Lista de Presença na Aula da Saudade: RICARDO ORTIZ DE CAMARGO; MARIA AUGUSTA PRETTI RAMALHO; TERESA CRISTINA PIMENTEL ROLIM; ADRIANA AUGUSTO ALBANO; MARIA APARECIDA PALOTTA; ROGÉRIOROCHA; JOSÉ HENRIQUE TOLEDO CORRÊA; PEDRO DE SOUZA GONÇALVES; PAULO MENNA BARRETO; CÉLIA LEÃO; CECÍLIA H. M. AMBRIZI PIOVESAN; MILTON MINATEL; JOSÉ FERNANDO VIDAL DE SOUZA; MARIA LAIS MOSCA; PAULO DE OLIVEIRA; ADELMO EMERENCIADO; ADILSON SIMONI; AMAURY CAMARGO MÔNACO; ANDERSON MATOS ANDRADE; RENATA DE CÁSSIA MENEGUELLO PRIMI; LUCIA HELENA DE SOUZA FERREIRA; ADERBAL DA CUNHA BERGO; FÁBIO BUENO DE AGUIAR; JOSÉ ANTONIO AFFONSO DA COSTA NEVES; SÉRGIO MATHEUS GARCEZ; CLÁUDIA BISOGNI BANDIERA; ADRIANA M. AMARAL; JACK T. OKADA. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

OLIMPÍADAS DO RIO-2016. O BRASIL É OURO NO FUTEBOL MASCULINO.

Amigos,

Neymar agradece aos céus o gol que deu o Ouro à Seleção

Brasileira Olimpica no Maracanã, no penúltimo dia de   --

competição das Olimpíadas de 2.016, no Rio de Janeiro.

(imagem emprestada de www.agenciabrasil.ebc.com.br.)
Nem a ameaça de transferência da paixão pelo futebol masculino, para a equipe feminina de Marta, Formiga, Cristiane e Cia., conseguiu sufocar a  ansiedade do brasileiro, à busca da redenção do nosso futebol pentacampeão do mundo, orgulho de várias gerações,  em tempos de profunda ressaca e uma histórica frustração: a de nunca ter obtido o  ouro em Olimpíadas, medalha que faltava e esteve muito perto em 1.984, 1.988 e 2.012,  com as boas equipes do hoje comentarista Junior, de Ronaldinho Gaúcho e também a do badalado Ronaldo Fenômeno, respectivamente. Assim, na medida em que as duas seleções, masculina e feminina, avançavam, da fase de classificação para a do “mata-mata”, resultados e expectativas  foram se invertendo: as meninas de Vadão, com problemas de contusão e entrosamento, não conseguiam mais repetir aquela fantástica vitória de 5 a 1 sobre a Suécia e ficaram pelo caminho, sem avançar sequer para disputar uma medalha de bronze, depois da derrota para a própria Suécia, que, em jogo que realmente valia, estudou, fechou o cerco e mandou embora as brasileiras e, antes, as americanas, em duas partidas que venceu na cobrança de penalidades máximas. A seleção de Neymar, porém, foi da frustração por dois empates seguidos sem gols, contra as inexpressivas equipes da África do Sul e do Iraque,  para uma gradativa ascensão, que começou com a boa vitória  pelo largo placar de 4 a 0 sobre a Dinamarca, no último jogo da fase de classificação, seguida de uma apresentação mais convincente contra a Colômbia nas quartas de finais, jogo que venceu por 2 a 0,  e uma expressiva  e animadora  goleada sobre a fraca seleção de Honduras por 6 a 0 na semi-finais.  Finalmente, sábado na decisão do título contra a Alemanha, a seleção campeã do mundo aqui no Brasil na Copa de 2.014 e que nos deixou desmoralizados com o fatídico 7 a 1, do Mineirão,  a movimentação foi intensa de toda a torcida brasileira, ávida pela  hora da vingança. E, de quebra, porque não, pela conquista de uma medalha inédita para o Brasil: a de ouro nas Olimpíadas da era moderna. A ousadia do treinador Rogério Micale, com uma escalação  ofensiva com quatro atacantes,  Neymar, Gabriel Gabigol, Gabriel de Jesus e Luan (o do Grêmio), o jogo no Maracanã foi disputado com muita disposição pelas duas equipes. Nos primeiros vinte minutos de jogo, a eficiente marcação imposta pela jovem seleção alemã não permitiu ao Brasil a criação de jogadas que pudessem colocar efetivamente em perigo a meta do goleiro Timo Horn. E o não menos eficiente contra-ataque, de muita velocidade e passes certeiros, desafiava a nossa defesa, a única que não havia tomado nenhum gol ao longo da competição. O indigesto empate sem gols até os 25 minutos do 1º tempo, porém, explodiu em forma de alívio, quando Neymar cobrou com perfeição uma falta pelo lado esquerdo, vencendo a meta do goleiro alemão. No segundo tempo o time brasileiro começou mal, errando passes e tendo dificuldades para marcar  o rápido adversário. Assim,dominado pela equipe européia, que partiu decisivamente para o ataque com muita eficiência e perigo, acabou levando o gol  de empate (o único que sua defesa sofreu ao longo de todo o torneio), aos 13 minutos, em falha do setor defensivo, marcado pelo atacante Meyer, que, do meio da área, sem qualquer marcação, em bola rebatida, tocou para as redes do goleiro Weverton. Dali para a frente o que se viu foi um jogo de muita garra e alternativas, mas especialmente de muito equilíbrio, terminando com o placar igual de 1 a 1, que persistiu na prorrogação.  O ouro seria então decidido na cobrança de pênaltis, um critério quase lotérico. Na série de cinco cobranças, todas as quatro foram convertidas de lado a lado (Ginter, Renato Augusto, Serje, Marquinhos, Brandt, Rafinha, Niklas e Luan). Na última cobrança Petersen bateu, sem muita força, no canto esquerdo do goleiro brasileiro, que voou e fez uma espetacular defesa para delírio da grande torcida que lotou o Maracanã, de jogadores e da comissão técnica. Faltava a última cobrança brasileira. Era converter e sair para o abraço. E quem estava destinado para cobrar. Ele, o craque Neymar. Apreensão geral. O atacante não se abate. Pega e beija a bola. Coloca-a sobre a cal. Afasta-se a média distância e cobra a penalidade com perfeição, estufando as redes do goleiro Timo Horn. Pronto! O Brasil inteiro caiu em celebração da inédita medalha de ouro. Com sabor de vingança. Uma pequena e pálida vingança, pois afinal,  faltaram seis gols ainda. Mas esse não é critério de desempate na história das vitórias, derrotas e títulos do futebol masculino. O que importa é a sensação geral de que o  esporte mais popular do Brasil, o que mais deu títulos ao país, o que mais levantou a auto-estima nacional, estava voltando aos seus melhores dias.  Será?  Exagero? Talvez. Mas é um começo de um novo tempo, de um trabalho que deve continuar com Tite e a seleção principal, que daqui há alguns dias terá mais dois jogos pelas Eliminatórias da Copa do Mundo e precisa urgentemente sair da incômoda sexta posição da tabela.


Um abraço amigos.

A Seleção Olímpica de futebol masculino, medalha de Ouro 
nas Olimpíadas de 2.016 - título ínedito para o Brasil. Ima-
gem emprestada de www.brasil.elpais.com.br. 
P.S. (1) O futebol masculino foi o segundo esporte coletivo a ser admitido nas Olimpíadas. O primeiro foi o pólo aquático. Isso em 1.908. É também a única categoria que sofre restrições quanto à formação das equipes, isto é, só permitindo a convocação de três jogadores com mais de 23 anos. A explicação para isso é que o torneio das Olimpíadas não pode concorrer com a Copa do Mundo, nem ofuscar os atletas olímpicos de outras modalidades, o que supostamente aconteceria, se os craques do futebol mundial, desfilassem seus ricos e portentosos salários e prestígio, pela modesta e ecumênica Vila Olímpica;

P.S. (2) As equipes medalhas de ouro e prata das Olimpíadas do Rio-2.016, no futebol masculino, tiveram as seguintes formações para a história:

Brasil: Weverton, Uilson, Luan (do Vasco), Rodrigo Caio, Marquinhos, Douglas Santos, Zeca, Willian, Rafinha, Rodrigo, Fred, Thiago Maia, Felipe Anderson, Neymar, Renato Augusto, Gabriel Barbosa, Gabriel de Jesus, Luan (do Grêmio). Técnico: Rogério Micale. Observação: Weverton foi convocado no lugar de Fernando Prass, cortado por lesão, e Renato Augusto, no lugar de Douglas Costa, cortado também pelo mesmo motivo.

Alemanha: Timo Horn; Jeremy Toljan, Mathias Ginter, Nikolas Sülle, Lukas Klostermann, Sven Bender, Lars Bender, Serge Gnabry, Max Meyer, Julian Brandt e Davie Selke. Técnico: Horst Hrübesch.


domingo, 7 de agosto de 2016

MORREU VANDER LEE. SUA POESIA FICA PARA SEMPRE.

Boa tarde amigos,

O cantor e compositor Vander Lee (imagem emprestada de
www.itatiaia.com.br.)
Fechem os olhos, fiquem em profundo silêncio e sintam por um instante  a força lírica destes versos:   Cada dia que passa sem sua presença/ Sou um presidiário cumprindo sentença/Sou um velho diário perdido na areia/Esperando que você me leia/ Sou pista vazia esperando aviões/ Sou o lamento no canto da sereia/ Esperando o naufrágio das embarcações"  [1]. Ou estes outros: “Sabe o que eu queria agora meu amor/ Sair, chegar lá fora e encontrar alguém/ Que não me dissesse nada/ Não me perguntasse nada também/ Que me oferecesse um colo, um ombro/Onde eu desaguasse todo o desengano[2]. De quem são? Manuel Bandeira? Chico Buarque de Holanda? Não, não são deles. Não tenho dúvidas, porém, que eles os assinariam, sem pestanejar. E porque não, o  saudoso e sempre lembrado, Fernando Pessoa e seus heterônomos? Pois o autor desses versos e das  melodias que neles foram harmonicamente encaixadas é um cantor e compositor mineiro, que morreu nesta sexta feira, aos 50 anos de idade. Seu nome artístico: Vander Lee, o Vanderli Catarina, de pia batismal. Desconhecido do grande público (não sei o que seria considerado popular ou pop nesse louco mundo digital),  ausente, ao menos,  dos programas musicais populares, que não frequentava e para os quais certamente não era convidado,  sua obra é considerada muito importante para a música popular brasileira. O artista, cujo estilo de cantar e compor lembrava muito o consagrado Djavan,  já estava na estrada há 19 anos e era admirado pela qualidade de suas canções e de seu trânsito por vários ritmos musicais, incluindo samba e rock mineiro. Porém eram suas músicas românticas,  cujas letras revelavam muito de  seu lirismo nostálgico e de sua postura ética num mundo de muitos desencontros, que marcaram um estilo peculiar de suave protesto, como afirma a letra de uma de suas canções: “Sabe o que eu mais quero agora meu amor/ Morar no interior do meu interior/ Para entender porque se agridem/ Se empurram pro abismo/ Se debatem, se combatem,sem saber”. A diva Maria Bethania, Gal Costa, Emilinha Borba, Elza Soares, Zeca Baleiro, Leila Pinheiro e Nando Reis, são alguns dos "bacanas" de 1ª. linha,  que gravaram músicas desse mineiro que, precocemente falecido, deixa um legado não muito vasto, mas suficientemente relevante para a história da grande música popular deste país. E nós, seus contemporâneos, agradecemos por suas canções capazes de inundar de emoções os nossos corações. Vander Lee por certo está agora num lugar, qualquer que seja ele,  onde Deus possa lhe ouvir.


Até mais amigos.

P.S. (1) Com quase quatro milhões de acessos, ofereço aos amigos o link do vídeo gravado em junho de 2.006, no Teatro Palácio das Artes em Belo Horizonte, durante apresentação do cantor e compositor interpretando o seu mais conhecido sucesso “Onde Deus Possa Me Ouvir”:.     https://www.youtube.com/watch?v=19OaxjeKkvo.




[1] Trecho da canção “Esperando Aviões”
[2] Versos da música “Onde Deus Possa Me Ouvir” gravada por Gal Costa.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

CINEMA - A GAROTA DINAMARQUESA

Boa noite amigos,

Eddie e Alicia contracenando nos papéis das pintoras Lili
Elber e Gerda (imagem emprestada de www.adorocinema.
com.).
Comemorado como mais uma produção binacional de dois grandes parceiros (Reino Unido e Estados Unidos) e direção bem ao estilo de Tom Hooper, que já enveredara, com sucesso, pela categoria do chamado cinema de época (antes, o premiado O Discurso do Rei), o drama cinebiográfico, The Danisch Girl,  traduzido no Brasil como A Garota Dinamarquesa, e,em Portugal, como A Rapariga Dinamarquesa, é um belo filme, destacando-se  duas soberbas interpretações dos protagonistas, Eddie Redmayne (no papel da pintora Lili Elbe) e de Alicia Vikander (interpretando a pintora dinamarquesa, Gerda). Revela, ainda, a sensível fotografia de Danny Cohen e uma trilha sonora que se harmoniza perfeitamente com o clima intimista e de certo suspense em que se desenvolve o drama,  a cada cena, a cada abertura ou fechamento de uma porta, ou a entrada e saída de numa clínica. O longa foi indicado em quatro categorias ao Oscar de 2.016 (melhor ator, melhor atriz coadjuvante, melhor figurino e melhor design de produção). Só Alicia levou a estatueta como melhor atriz coadjuvante, um prêmio merecido. O seu desempenho foi tão bom na pele de Gerda, que há quem sustente devesse ser ela a verdadeira protagonista, a própria Garota Dinamarquesa, que dá nome ao filme. Trata-se de um roteiro adaptado do romance homônimo de David Sbershoff, que conta a história do pintor dinamarquês, Einar Mogens Wegener e seu relacionamento amoroso-profissional com a pintora compatriota Gerda. Em certa ocasião a esposa o incentiva a posar para ela, como uma figura feminina,  em substituição a uma modelo que faltara ao encontro, experiência que suscita no marido, a descoberta de uma segunda identidade. A ambigüidade provocada pela representação e a identificação que ele sente se desenvolver no seu íntimo,  na própria alma, como afirma em certo diálogo, leva Einar a se converter em Lili Elbe e a romper o casamento com Gerda, com quem não consegue mais se relacionar como parceiro masculino.

O jovem e talentoso ator Eddie Redmayne, no papel do físi-
co Stephen Hawking, em A Teoria de Tudo, uma interpre-

tação impressionante que lhe garantiu o Oscar de melhor

 ator em 2.015 (imagem emprestada de www.dailymail.

co.uk).
O cenário é a Copenhagen de 1.920 e LiLi, sem entender esse aspecto transgênero de sua personalidade, se submete a inúmeros tipos de profissionais e tratamentos. Diagnosticada como doente, paranoica, esquizofrênica  e anormal, foge de internações e tratamentos convencionais, com a ajuda da própria ex-esposa e de um amigo de infância, até que um médico francês reconhece a sua condição de transexual e se propõe a realizar uma cirurgia de mudança de sexo, a que ela se submete, com todos os riscos que isso implicava na época, para assim reconhecer-se como se vê e sente. Reputa-se ter sido este o primeiro caso de cirurgia de mudança de sexo realizada no mundo. Os personagens são reais, mas há os que defendem que tanto o filme, quanto o romance no qual é baseado, não retratam exatamente a realidade da vida e da relação entre as pintoras Lili e Gerda (para estes Gerda seria lésbica e a relação entre ela e Einar nunca teria sido de um casal hetero tradicional; Gerda não teria compreendido o marido e o acompanhado em todos os seus passos seguintes, incluído a cirurgia, demonstrando carinho e amor incondicionais como acontece no roteiro do romance e do longa;  o filme ignora a real causa da morte de Lili, e bem assim, o processo de anulação do casamento que teria acontecido na vida real, etc., etc.). Apesar disso, trata-se de uma cinebiografia, de um drama, que não se qualifica como documentário e, por isso mesmo, não tem compromisso com a estrita realidade dos fatos. E convenhamos,  tanto o romance, quanto o cinema, não podem prescindir da ficção, do compromisso estético próprio de toda forma de arte, assim como a licença poética é conferida ao  poeta para que a poesia seja só e apenas poesia, catarse, ópio, fragmentos cuidadosa e seletivamente recortados da vida real com coloridos próprios da ótica do autor.
A atriz Alicia  Vikandir de 27 anos, vencedora do Oscar
2016, de melhor atriz coadjuvante pela sua Gerda de A Ga-
rota Dinamarquesa (imagem emprestada de horadalitur.
blogspot.com.) 
 Feita essa observação necessária, diga-se que o  longa prende, encanta e em certa medida emociona e transporta o espectador para a  necessidade de entendimento e reflexão, ao tratar da difícil problemática da transexualidade, numa época em que ela não era distinguida da homossexualidade, ambas reputadas como patologias mentais, a sujeitar os seus portadores  a graves episódios de auto-rejeição e culpa, a tratamentos inúteis e dolorosos, incluindo internações,  e ainda,  a sanções sociais e jurídicas capazes de mantê-los rejeitados e à margem das sociedades em que deveriam estar inseridos e acolhidos. 
O ator britânico,  Eddie Redmayne, de 33 anos, recebendo
o Oscar de Melhor Ator pelo longa A Teoria de Tudo  --
(imagem emprestada de www.darlymail.co.uk.).
O enfoque da problemática vivida pelos transgêneros,  porém, não é piegas e toda a mensagem é transmitida em tom leve e sensível, para o que contribuem as ótimas interpretações dos atores, os figurinos, a bela fotografia e o tom intimista que permeiam as cenas e os diálogos, às vezes duros e dolorosos mantidos entre os personagens. Um belo filme que merece ser visto, como cinema sério e de arte.



Até amanhã amigos.