quarta-feira, 21 de abril de 2021

ADONIRAM BARBOSA- CENTO E DOZE ANOS - A PARCERIA COM VINÍCIUS DE MORAES

 

Amigos,

Uma improvável parceria decorrente do acaso fez nascer um dos clássicos da música popular brasileira. Em maio de 1.957 o selo Continental lançava a gravação de um samba-canção chamado BOM DIA TRISTEZA. Letra de Vinícius de Moraes, música de Adoniran Barbosa, um compositor paulista da terra que um dia, por descuido e posterior arrependimento, o poetinha chamaria de “Túmulo do Samba”. Há duas versões para o nascimento do samba. A primeira é que Vinícius, embaixador do Brasil na França, escrevera esses versos numa folha de papel, que posteriormente enviou para sua amiga Aracy de Almeida,  dizendo que ela fizesse daqueles versos o que quisesse. Aracy então, companheira, a esse tempo, de Adoniran na TV Record de São Paulo, entregou os versos a este, propondo que ele musicasse. Adoniran, na década de 60, entrevistado por Elis Regina durante participação no Fino da Bossa, famoso programa comandado pela Pimentinha na época, confidenciou que achou os versos belíssimos, mas tristes e delicados, entendendo que merecia uma música adequada, um samba-canção, pensou, do tipo “dor de cotovelo”. E assim, sem que os compositores nem sequer se conhecessem surgiu o “BOM DIA TRISTEZA”: “Bom dia tristeza/que tarde tristeza/você veio hoje me ver/estava ficando até meio triste/de ficar tanto tempo longe de você/ Se chegue tristeza/Se sente comigo/Aqui na mesa de bar/Beba do meu copo/E me dê o seu ombro/Que é para eu chorar/Chorar de tristeza/Tristeza de Amar.” A canção foi cantada e gravada por muitos famosos, além do próprio Adoniran.  Maysa, Chico Buarque de Holanda, Elis Regina, Altemar Dutra, Roberto Ribeiro, Jair Rodrigues, a “divina” Elisete Cardoso, foram algumas das celebridades que registraram, para sempre, o som e os versos da triste e suave canção. E, sem dúvida, também Aracy de Almeida, a amiga destinatária dos queixumes do poetinha, escritos, como se supõe, num dos múltiplos rompimentos com parceiras que suscitaram inúmeras paixões. A segunda versão da história é igualzinha a primeira, apenas divergindo sobre o palco em que Vinícius teria escrito os versos (eles não teriam origem em qualquer canto de Paris, mas sim num bar que o poeta frequentava no Rio de Janeiro e isso depois de goles generosos de seu “cachorro engarrafado” e tendo um guardanapo como veículo de assentamento). Ouvi muitas das gravações da música, inclusive a de Aracy de Almeida. E essa gravação me chamou a atenção pois a cantora troca a ordem dos versos na segunda estrofe e com isso provoca um esquisito desajuste. Em vez de dizer “Beba do meu copo e me dê o seu ombro, que é para eu chorar”, diz, “Me dê o seu ombro, beba do meu copo, que é para eu chorar”. Pô? Chorar no ombro é legal, mas no copo...? Vale a pena conferir.

 

CONFIRA https://www.google.com/search?q=bOM+DIA+tRISTEZA+aRACY+DE+aLMEIDA&rlz=1C1SFXN_enBR502BR502&oq=bOM+DIA+tRISTEZA+aRACY+DE+ALMEIDA&aqs=chrome.0.69i59j69i61.5732j0j15&sourceid=chrome&ie=UTF-8

 

P.S. A propósito de Elis e Vinícius, quem primeiro chamou o compositor de “poetinha” foi Elis em momento de fúria reclamando dele quanto à proposta de participação dela no filme “Garota de Ipanema” onde deveria aparecer e cantar, em dupla com Chico Buarque, Noite dos Mascarados (o episódio foi substituído por uma gravação).  Vinícius, comentando a declaração da cantora, é que a chamou de “Pimentinha”. Curioso é que ambos posteriormente voltaram a se entender, mas os dois apelidos se juntaram a eles para sempre.

sábado, 3 de abril de 2021

NOSSO MÁRIO PARTIU! O CÉU ESTÁ MAIS ALEGRE.

 

Amigos,


Suponho que tenha sido lá pelo final dos anos 50 ou  início da década de 1.960. Abrindo um sorriso largo, a vovó, com aquela sabedoria de vivência de muitos e muitos anos e, fazendo pouco de minha advertência convicta de que não falasse de sua morte, pois ela não iria acontecer, respondia: “- Saiba meu neto que ninguém fica pra semente. Nem eu, nem você, nem ninguém. Todos  vamos morrer algum dia.”  Carreguei por toda a vida aquela imagem feliz,  serena e resignada de minha avó falando a respeito da própria morte, mas nem por isso sofri menos pelas perdas de muitos parentes e  amigos que fiz por esse vida afora, e por gente especial com as quais cruzei nesse plano da existência. Hoje, dia 03 de abril de 2.021, logo que acordei li a notícia inesperada do falecimento de nosso amigo, Mario de Arruda Leite, em termos delicados transmitidos pela sua irmã  Carminha: “O Mario se foi para junto de Deus.” Embora a  morte nunca seja inesperada, especialmente para os mais velhos  da ala mais antiga do nosso grupo da Creche Lar Ternura, a do Mário, no entanto, a despeito da imprevisibilidade na evolução dessa doença nova, que assola toda a humanidade e já matou mais gente do que guerras somadas, era considerada pouco provável, diante de seu estado de saúde sempre muito bom, de sua energia aparentemente inesgotável e o fato de que ele reagia muito bem e melhorava a cada dia, segundo nossa percepção.  Frequentemente, enviava um áudio no whatsapp com mensagens positivas, do tipo “bota a cerveja pra gelar, que eu tô voltando”, como naquela música da Simone, transmitindo grande otimismo na sua liberação, que para nós parecia breve e certa. Mas o Mário se foi! E se foi como todos iremos um dia. E  o que nos resta é aceitar os desígnios do Criador e continuar o “bom combate” que ele sempre travou. Um combate diário e inesgotável contra a desigualdade e a carência que afeta grande parte da população brasileira, cada vez mais empobrecida, diante dos devastadores efeitos da pandemia do Coronavírus. E especialmente à Creche Lar Ternura, que já completou 40 anos de benfazeja existência, décadas dentro das quais prestou assistência alimentar, social e educacional a milhares de crianças, muitas hoje adultas e até quarentonas, mercê de incessante  trabalho de funcionários, professores, diretores e colaboradores voluntários de todas as formas, aos quais se deve a manutenção e a longevidade da amada instituição.  E mais viva do que nunca, a Creche  caminha e  certamente caminhará altaneira e segura no cumprimento de seu nobre objetivo social, com a nova geração, que aí já está, suprindo – e com vantagens – as lacunas e os defeitos  daqueles que vão ou se aposentam.  O Mário, como lembram as mensagens dos diretores e amigos no grupo da Creche, foi um exemplo de pessoa humana, de pai, de marido, de avô, de filho, de irmão.  E um amigo muito, muito especial mesmo, pela humildade e respeito com que tratava todos, sem exceção. E pelo comprometido trabalho que executava, fosse na manutenção e conservação das instalações do prédio, nas compras mensais, nas vendas de convites dos diversos eventos e na divisão dos trabalhos que o grupo de diretores e voluntários realizava, ficando, amiúde, com os mais penosos e pesados, sem reclamar. Agora o Mário foi encontrar o Gil, o Armandinho, o Zé Luiz, a  Dna. Geny,  o Sebastião e as suas piadas rápidas, engraçadas e certeiras,  a Dna. Argentina e o marido, e tantos outros que, permanente ou episodicamente, abraçaram à bonita causa, gente generosa e despreendida, que deixou esse mundo e foi morar lá no Céu, ao lado do Criador. A Mara me lembrou que a nossa querida Geny se foi no dia seguinte a um domingo de Páscoa. E o Mário se vai agora,  um dia antes da data que comemora, para a cultura judaico-cristã,  a ressurreição de Jesus Cristo, e assim ambos experimentam o privilégio de renascimentos próximos, muito próximos, ao  do filho do Criador. Há muito tempo que, por ocasião de despedidas de pessoas queridas,  reproduzo  mensagem de um velho filme americano de guerra, segundo a qual não se deve chorar ou lamentar a morte de um grande homem, mas louvar a sua vida rica e proveitosa. E a vida do nosso Mário foi tão dedicada a tanta gente que ele ensinou o que significa comprometimento, amor, família, religião, humildade e simplicidade que a gente sempre se referiu a ele muitas vezes em função das pessoas ou causas que ele abraçou. E não era o Mário dele. Era sempre o Mário de alguém ou de alguma coisa a quem ou a qual servia.   Era o Mário da Zilda, o Mário do Junior, o Mário da Simone, o Mário da Denise, o Mário da Rosana, o Mário da Calha e, sobretudo, o eterno Mário da Creche, o seu epíteto mais relevante pelo número dos beneficiados com a sua intervenção pronta e oportuna.   Vá em paz meu amigo e que a certeza dessa  paz,   sua história de vida sirva de conforto à sua Zilda, especial e querida companheira de toda a trajetória, aos filhos e netos.  E que essa mesma bela história seja veículo de  inspiração  para todos os que, homens e mulheres  de boa vontade, buscam servir aos seus e ao próximo, dando, assim,  sentido e razão a essa vida tão breve e passageira, diante da eternidade dos nossos propósitos e esperanças. Sem tristeza, por favor, ele diria se pudesse, tenho certeza.

Profundo abraço Zilda, Simone, Junior, Denise, Rosana, genros, nora e netos. Esse Mário foi  muito relevante. E muito amado pela importância que teve na vida das pessoas.  Assim a gente pode aceitar sem mágoas, sem tristezas e sem revolta a sua partida como vontade do Criador.

 

Essa a mensagem que deixo aqui registrada e envio à família e aos amigos com um abraço afetuoso a todos, meu, da Mara, da Samira, do Renato e do meu neto, Rafael. 

Boa Páscoa amigos. 

P.S. A imagem de hoje é do nosso Mário com parte de sua estimada família. 





quinta-feira, 1 de abril de 2021

SONHO MEU



 

Amigos,

“Rádio Educadora de Campinas, anos 80. No ar programa de auditório patrocinado pelas Lojas Ducal, que concedia prêmio no valor de cinco mil cruzeiros, em mercadorias, para a equipe vencedora. Concorriam equipes de alunos de vários estabelecimentos de ensino da cidade: Ateneu Paulista, Colégio Progresso, Escola Normal, Unicamp, dentre outras. No palco o apresentador começa a formular as perguntas ao representante da Faculdade de Direito da Puc Central, o aluno Paulo Menna Barreto. – “O que é cacófato?”. O candidato tinha que soletrar antes, como naquele quadro do programa do Luciano Hulk. Paulo, desenvolto, foi logo soletrando e respondendo:  -Ca-có-fa-to. Cacófato, do grego Kakóphaton, do latim cacophaton. Segundo Aurélio Buarque de Holanda, lexicógrafo, ensaísta, crítico literário professor, CPF n. 583.122.143-56, alagoano, falecido em 1.989 sem ter visitado Tietê, “trata-se de substantivo masculino que significa som desagradável ou palavra obscena proveniente da união de sílabas finais de uma palavra com as iniciais da seguinte.” No auditório estávamos eu, o José Henrique Toledo, o Ricardo Ortiz, o Rubinho, o Jack Okada, o Gustavo Paula Leite, o Álvaro Cavaggioni, o Rogério,  o Amaury Mônaco, o Fábio Alberici e outros. No palco havia um conjunto (nome que se dava às bandas naquela época), tocando Hei Judge, dos Beatles. E um coral com  a Laís Mosca, a Maria Augusta, a Mariza, a Denise Penise, a Vivi, a Adriana Albano e a Adriana Sandoval,  que abriam e fechavam as bocas, sem que qualquer som saísse delas, como se tivessem apenas dublando o cantor. E a gente gritava: - vai, vai, vai. E elas gesticulando, só conseguiam sussurrar: - não conseguimos! Somos desafinadas e não sabemos cantar! O auditório, em peso, começa a vaiar as fracassadas cantoras e pedir que elas então façam um “strip-tease” para compensar.  Ao lado, a Rita Marcondes, com um pedaço de madeira na mão, faz um aceno chamando as jovens: - Venham cá, venham cheirar isso,  é imbuia, delícia, dá um barato legal. O apresentador, concluída a exposição do Paulo, pede um exemplo. Mas antes que ele responda, eu e o Zé Henrique  pedimos a ele que nos deixe cantar, valendo pontos para a nossa equipe. E depois de alguns minutos consultando o regulamento, autoriza. Começamos a cantar, como se tivéssemos combinado e ensaiado. Antes explicamos: a Música gente se chama “ No cume do Morro”. Ao ouvir isso, Paulo logo vai disparando: “Cu-me. Cume. Do lat. Cumen. Substantivo masculino. O ponto mais alto de um monte; cimo, crista, cocuruto ou cocuruta, coruta ou coruto, cumieira, picaroto, pináculo, píncaro, pinguruto, ponto culminante. E no sentido figurativo: apogeu, ápice; ponto culminante (ex. píncaro da glória). Aí emendamos, mandando ver: -  “Lá em cima daquele morro plantei um pé de roseira” E o público, em seguida: - “Ai, ai, ai”. E nós: - O mato no cume cresce, a rosa no cume cheira. Ai,ai, ai. E quando vem a noite, salpicos no cume entra, ai,ai, ai, salpicos no cume entram, formigas do cume saem. Ai, ai, ai.” Rebuliço geral. O apresentador grita:- Todos pra fora. A Puc está desclassificada. Fomos saindo muitos alegres, apesar da desclassificação,  entoando abraçados (o mato no cume cresce, a rosa no cume cheira, ai, ai, ai). Na saída nos esperavam o Diretor, Álvaro Cury, o Professor Álvaro César Iglesias e o Arcebispo Dom Gilberto Pereira Lopes. Cada um que passava por eles recebia um puxão de orelhas e um recado: -Vocês estão suspensos por 15 dias. Ao que, o Dr. Álvaro Cury acrescentava, chutando o traseiro:- Seus vagabundos, ordinários, pilantras.”  Eis que chega a minha vez e os três, olhando incrédulos e surpresos com a minha presença ali. E lamentando a minha grave conduta considerada obscena, gritaram ao mesmo tempo: “Até o Senhor, Professor? O senhor está demitido.” O Dr. Álvaro Cury fez menção de me dar um chute no traseiro, mas  ameacei. – Oh, oh, não chuta não que eu não sou aluno. Eu te processo. Na esquina seguinte todos pararam num grande outdoor luminoso do tipo “Time Square” de onde Cris, em 3 D, pedia que todos fossemos para os Estados Unidos rapidamente, porque lá as cadeias eram melhores e mais humanas do que aqui e que poderíamos tomar vacina que já estava garantida para todas as idades (não esquecer que todos nós éramos jovens).  Acordei agitado, em seguida. Era um sonho. De ontem. Do qual me lembrei em detalhes hoje logo pela manhã. E pensei: Vou escrever já. Senão eu me esqueço. Tudo a ver com esse nosso grupo de Whatsapp né gente? E com bagunça de comunicados, sentimentos, cantoria, fotografia,  piada, bullyng e tudo o mais. Só que em sonho é tudo misturado. E ninguém com competência para advertir: Se organiza, aí, Jamil.

Até mais amigos. P.S. A imagem de hoje é de peça em artesanato confeccionada por Rubens Galdino, o Rubinho, da Turma de 86, que além de talentoso advogado em Indaiatuba, é também  fazendeiro, amante da natureza e dedicado a múltiplas atividades, dentre as quais as artísticas. Rubinho faz a aniversario hoje e não é mentira. Caríssimo, toda a felicidade do mundo, muita saúde e sorte que você merece. Abraço.



domingo, 14 de março de 2021

CORONAVÍRUS E A PARALISAÇÃO DO CAMPEONATO PAULISTA

 Boa tarde amigos,


Amanhã haverá reunião entre o Governo do Estado de São Paulo, a Federação Paulista de Futebol e os clubes que disputam o Campeonato Paulista da Primeira Divisão para decidir acerca da paralisação do torneio regional em andamento. O Governo, em princípio, quer manter a paralisação durante os próximos 15 dias, diante dos números assustadores dos casos de covid, da alarmante subida no número de óbitos tanto na Capital, como na região metropolitana de São Paulo e, também, no interior e do colapso iminente da estrutura hospitalar, a maior e a mais preparada do país. Ninguém discute a necessidade de rigorosas restrições no tocante à circulação de pessoas, conjugada com o incremento da campanha de vacinação, se vacina tivermos à disposição, como únicas formas de enfrentar essa segunda onda devastadora, agora com o protagonismo da variante brasileira do vírus, preocupação do mundo todo no momento. Qualquer decisão no que se pode considerar "serviço essencial" é polêmica e exige aprofundada discussão de equipes interdisciplinares de profissionais, ligados, direta ou indiretamente, à área da saúde física e mental e, ainda, de economistas e estrategistas. Academias, por exemplo, fechadas, podem matar ou deixar doidos aqueles clientes que transformaram a ida e volta ao estabelecimento e a prática de  exercícios físicos variados e regulares, uma verdadeira razão ou motivação de vida? Não sei, só sei que a essencialidade de qualquer atividade humana é muito mais uma questão casuística e subjetiva, embora ninguém discuta que todos precisam comer e beber como necessidades primárias e vitais. O Campeonato Paulista é o mais prestigiado torneio regional do país e movimenta o maior número de clubes nas várias divisões e o maior volume de empregos e dinheiro. A Federação alega em seu favor que  cumpre protocolo rigoroso na testagem de atletas e funcionários e o público está afastado dos estádios há mais de um ano, além do fato notório de que o futebol é o esporte mais popular do país e a sua movimentação auxilia na tarefa, quase inglória, de convencer brasileiros a permanecer em suas casas, para o preconizado isolamento social. Concordo com ambos os argumentos, pois eu próprio, como fã do esporte, confesso que ver os jogos do meu time e de outras equipes tem sido um dos entretenimentos que mais me ajudam a manter a minha saúde mental (se é que eu tenho), diante das notícias diárias de casos e mortes, muitas de pessoas a nós ligadas por vínculo de parentesco, amizade ou admiração. Não vou meter a colher nesse assunto, mas penso que de nada adiante paralisar um campeonato estadual, no qual todas as equipes podem e devem se deslocar por rodovias e ônibus próprios e permitir que a Copa do Brasil, por exemplo, continue em pleno vapor, marcando jogos de Internacional de Porto Alegre com equipes do norte do país, da Ponte Preta de Campinas para Brasília, do Botafogo do Rio para o Nordeste e. assim por diante. Além disso,  os campeonatos de tênis, de basquete e de vôlei continuam em franco andamento. Enfim, é esperar que nessa discussão, sempre interminável e polêmica, prevaleça a honestidade dos propósitos,  a disposição e o equilíbrio necessários às decisões político-econômico-sanitárias, nesse momento  terrível por que passa o país.


Bom domingo amigos.

P.S. A imagem da coluna de hoje é do jogador Gabigol, craque do Flamengo e que, de férias em São Paulo, foi detido ontem quando frequentava, com um amigo Dj,,  um cassino clandestino, que funcionava num dos andares de um edifício, e no qual muitas pessoas se aglomeravam, sem  uso de  máscara. Um péssimo exemplo de um ídolo do futebol.   

 

domingo, 28 de fevereiro de 2021

A VIDA E A MORTE EM TEMPOS DE PANDEMIA

 

Boa tarde amigos,


Em tempos de pandemia recrudescida com o surgimento de variantes do coronavírus, o lento andamento da vacinação, mesmo entre os grupos considerados prioritários, e a trágica contagem  de mais de dois milhões e meio de mortos no mundo todo, vítimas do ataque desse novo inimigo da saúde pública, não temos como nos isolar completamente e não pensar na vida que levamos. E também no fenômeno da morte que, na sabedoria dos antigos, é “a única certeza da vida”, já que “ninguém fica para semente.”

Outrora, sempre que, numa roda, tocávamos no tema “morte” alguém pedia para mudar de assunto. Pesquisas revelam que o brasileiro de hoje, de maneira geral, não gosta de pensar na morte, como natural consequência da vida. Raramente, cogita de deixar registrada  autorização para doação de órgãos e tecidos, embora tenha esse desejo íntimo, pela sua natural inclinação para a fraternidade.  De resto, não cuida de adquirir antecipadamente túmulo em cemitérios e, a elaboração de testamento, como ato de última vontade, continua sendo exceção no Brasil, ao contrário do que acontecia no Direito Romano, em que o cidadão tinha horror de morrer, sem deixar testamento ou descendência.[1] Talvez esse comportamento explique a advertência de Sêneca no sentido de que  “Não é da morte que temos medo, mas de pensar nela”. A permanente especulação do homus sapiens quanto à razão e o sentido da vida e, se e para onde vamos depois da morte, temas jamais desvendados, tem, na história da humanidade, reunido ou dividido cientistas, filósofos e escritores, em torno de movimentos, correntes e religiões, que defendem o mesmo ou diverso entendimento sobre os dois extremos, na origem e no destino (de onde viemos? para que viemos? e para onde vamos, ou não vamos?).

William Shakespeare, separa os homens em “corajosos” e “covardes”, advertindo que “Os covardes morrem várias vezes antes de sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez”. Sócrates nos convida a refletir sobre o ceticismo, debitando  unicamente aos deuses a possibilidade de conhecimento quanto aos mistérios da vida e da morte: “Mas eis a hora de partir: eu para a morte, vós para a vida. Quem de nos segue o melhor rumo ninguém o sabe, exceto os deuses”. Na poesia “A Esperança” de Augusto dos Anjos, a morte é o descanso, fim da procura, do desalento e do tormento da vida: “E eu, que vivo atrelado ao desalento. Também espero o fim do meu tormento. Na voz da morte a me bradar; descansa!”  Epicuro aposta que a morte do sujeito simplesmente inexiste na vida dele, apelando para o paradoxo: “A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte e, quando existe a morte, não existimos mais.”  Para muitos a ideia permanente da morte nos dá a dimensão da finitude, nos convencendo de que o melhor é a vida intensa, participativa, uma oportunidade do “aqui” e “agora”. Chico Xavier, reportando-se a um admirador, afirmou que “Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito”, o que não deixa de ser curioso, diante da doutrina que professava, a sustentar a existência de várias vidas e uma espécie de “livre arbítrio controlado” pela  purgação de atos de vidas passadas. Os maiores e mais precisos conselhos sobre a vida e a morte, segundo minha percepção, estão naqueles que vinculam esses dois momentos antagônicos  na existência do homem, ao amor e à fraternidade, como vetores eticamente mais aceitáveis para a vida boa e justa,  na sua dimensão realística, religiosa ou lírica, como sugere a canção Pais e Filhos, de Renato Russo: “´E preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã. Por que se você parar pra pensar, na verdade não há”  (Renato Russo). E  Vinícius de Moraes, o nosso “poetinha”, depois que desistiu de buscar a “eternidade” como o sentido da vida, volta sua vasta obra para admitir a sua inexistência, substituindo essa “ eternidade” pelo amor vivido com intensidade absoluta no “aqui e agora”:  São versos de sua conhecida “Poética”: “A oeste é a morte, contra quem vivo, pelo sul cativo. O este é o meu norte. Outros que contem, passo por passo, eu morro ontem, nasço amanhã, Ando onde há espaço, Meu tempo é quando.” E ainda no  “Soneto da Fidelidade” “... Assim quando mais tarde me procure quem sabe a morte, angústia de quem vive quem sabe a solidão, fim de quem ama. Eu possa lhe dizer do amor (que tive): que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.”  De minha parte prefiro tratar o assunto com leveza, como o fazem os humoristas e comediantes, capazes de transformar um assunto tão denso, pesado, que somos incapazes de decifrar, assimilar e entender, na nossa mísera condição de humanos, em algo leve e palatável. Na linha, digamos, do humor genial do diretor e ator Woody Allen: “Não é que eu tenha medo de morrer. E que eu não quero estar lá quanto isto acontecer.” Domingo, 28 de fevereiro de 2.021, ano não bissexto, 13,30 horas. Vão chegar filha, genro e neto. Aqui em casa vai ter churrasco de picanha argentina da marca “La Anonima”, boa pra cacete, batidinha com Vodka “Absolut” e cerva geladinha. As 15,30 horas vamos vibrar com os “velhinhos”  do The Voice + e tirar uma soneca, talvez, antes do primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Esse dia eu conto, os de outrora também,  os que se seguirem ao dia da minha morte “outros que contem”, não tenho nada com isso. Não quero saber de “filosofia de como eu cheguei aqui, nem quando, nem porque vou partir dessa para outra ou para nenhuma”. Ah,  lembrei de uma piadinha que eu vivo contando e que bem ilustra o meu momento: “A freirinha sentada em tarde ensolarada debaixo de uma árvore, tricotando e entoando canções sacras. De repente, com a agulha de tricô pica o dedo e solta um palavrão: -“Puta que pariu”. Imediatamente o arrependimento: - “Caralho, falei palavrão” E em seguida, quase que instantaneamente: “Merda, de novo”. E se recriminando: - “Cacete outra vez”.  Finalmente, extenuada e vencida por si mesma, conclui, com certo alívio:: “Também foda-se, eu não queria ser freira mesmo”.  

Bom domingo amigos.



[1] Nove entre dez sucessões que ocorrem no Brasil são “ab intestato”, isto é, abertas sem que o falecido tenha deixado testamento ou disposição de ultima vontade.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

BOAS E MÁS NOTÍCIAS EM MAIS UMA SEMANA DE PANDEMIA

Amigos,

1.     A melhor notícia que recebi esta semana foi a do retorno para casa do nosso querido companheiro, Ricardo Ortiz, advogado e ex-aluno, um dos meus leitores assíduos do blog, estimado por uma legião de amigos, por seu caráter, sua lealdade e capacidade de aglutinação, como em iniciativas para  encontros  anuais e sempre muito agradáveis, entre  colegas da Faculdade, de profissão e ex-professores. Ricardo, que não faz parte ainda do chamado “grupo de risco”, foi contaminado pelo coronavírus e teve sua condição de saúde agravada, permanecendo vários dias hospitalizado e, alguns, em UTI. Felizmente, agora recuperado e sem sequelas, precisa, ainda, de alguns cuidados para voltar 100% às suas melhores condições física e psicológica. Bom retorno para casa, para o carinho e atenção de sua mulher Sandra e das filhas, Carol e Camila. e também para os amigos que muito o estimam. Gratidão!

2.     Escolhido pelo Presidente da Câmara dos Deputados, Artur Lira, como relator do caso Daniel Silveira (PSL-RJ), preso em estado de flagrância por determinação do Ministro Alexandre de Moraes, em decisão monocrática confirmada, à unanimidade, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o deputado campineiro, Carlos Sampaio (PSDB-SP) foi substituído, sem explicação, em cima da hora, pela deputada Magda Mofatto (PL-GO). A indicação é prerrogativa do Presidente da Casa, mas o que se comenta é que o “Centrão” ficou enciumado com a escolha de um parlamentar de partido de oposição a Lira, na eleição, que votou, por proposta de sua bancada, no Deputado Baleia Rossi, derrotado no escrutínio;

3.     O jogo que poderia hoje dar o título de Campeão Brasileiro ao Internacional de Porto Alegre, na penúltima rodada do Brasileirão de 2.020, terminou com a vitória do Flamengo por 2 a 1. Com a vitória, o Flamengo ultrapassou o próprio Internacional em 2 pontos (71 x 69) e só vai depender de si para se tornar bicampeão brasileiro (2019/2020). Na última rodada a equipe carioca vai enfrentar fora de casa, o  São Paulo, que já foi candidatíssimo ao título, mas perdeu terreno nas últimas rodadas, o que custou o emprego do técnico Fernando Diniz.  Já o Inter,  com a obrigação de vencer, vai receber o Corinthians e torcer para que o Fla perca ou empate com o São Paulo, no Morumbi.

 4.     Antes dessa rodada, marcada para a quinta-feira próxima, vai haver muito “bate-boca”, muitas  críticas à CBF e à arbitragem do árbitro Raphael  Claus, pela expulsão do jogador Rodinei, do Internacional, em lance supostamente casual com Felipe Luis no início do segundo tempo. O cartão vermelho foi aplicado depois que o árbitro foi chamado pelo VAR para revisão do lance e atendeu à recomendação  para a exclusão do atleta. Positivamente, não foi lance para cartão vermelho e o ex-árbitro Paulo Cesar de Oliveira, comentarista de arbitragem da rede Globo de Televisão, foi incisivo em considerar “equivocada” a decisão, reforçando as queixas do banco do Inter e que vão se propagar pelos próximos dias, com certeza;

5.     A curiosidade maior fica por conta do fato de que o jogador Rodinei pertence ao Flamengo e está emprestado ao Internacional. Não poderia jogar, por força de cláusula contratual, contra o seu clube. Mas o Inter queria, porque queria, colocá-lo em campo e um torcedor  bancou a multa de UM MILHÃO DE REAIS correspondente à penalidade.   Resultado: o jogador, que quase marcou um gol no final do primeiro tempo, foi expulso aos 3 minutos do segundo tempo e o Inter teve que se virar durante o restante da partida, com 10 jogadores contra 11. E ainda tomou a virada! Tragédia completa e onerosa não?

6.      Esse Daniel Silveira é mesmo uma figura estranha e desequilibrada. Entre críticas e ameaças aos Ministros do STF e à própria instituição democrática comandou movimentos em defesa de Bolsonaro e de uma ditadura de direita prestigiada pelo Exército. De manhã fala uma coisa. De noite outra, como se viu no seu depoimento perante o Juiz Auxiliar de plantão, encarregado de rever o flagrante e manter, como manteve no caso, a ordem de prisão. Pior que está absolutamente sozinho. Se esperava que o Presidente fosse sair em sua defesa, ferrou-se. Bolsonaro por mais falta de sensatez que demonstra em muitos episódios, não ia comprar essa briga com o Judiciário. E entre seus pares da Câmara dos Deputados também não tem prestígio, nem qualquer relevância, como se verificou da maciça votação pela manutenção da pena de prisão. E, logo, logo, vai perder o mandato pelos mesmos fatos que justificaram a sua prisão, sob a rubrica de “falta de decoro parlamentar”. A Comissão de Etica já foi restabelecida e vai trabalhar rapidinho para que o episódio se encerre, sem longos desgastes. Se ele contava com o apoio da Casa Legislativa por uma questão de corporativismo, enganou-se. E tanto a bancada da situação, quanto da oposição, querem se livrar dele o mais rápido possível;


Boa semana amigos, aguardando, com paciência, a chegada de mais vacinas prometidas pelo Ministério da Saúde e da nossa vez na fila.

 

 P.S. A imagem de hoje é de uma das entradas da Puc -Central em foto do ano de 1.953.

 


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

ORFEU NEGRO - CADÊ O OSCAR QUE ESTAVA AQUI?

 Amigos,


O nosso versátil “poetinha” Vinicius de Moraes escreveu, em 1.954, uma peça teatral baseada no drama de Orfeu e Eurídice, personagens da mitologia grega. A peça Orfeu da Conceição foi o roteiro adaptado do filme Orfeo Negro ou Orfeo da Conceição, de 1.959, uma co-produção França (Orphée Noir), Itália (Orfeo Negro) e Brasil, dirigida por Marcel Camus. Apesar de ter sido filmado originalmente em língua portuguesa, no Rio de Janeiro, tendo como protagonista o brasileiro ator-jogador de futebol do Fluminense, Breno Mello,  e a trilha sonora de Luiz Bonfá e Antonio Carlos Jobim, o longa, premiado com a Palma de Ouro de 1.959, o Globo de Ouro e o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1.960, foi laureado, exclusivamente, como produção francesa, pois inscrito como representante isolado da França, excluídos, a Itália e, principalmente, o Brasil. Nenhum dos atores nacionais, nem o autor do roteiro adaptado, nem os  trilhas sonoras receberam quaisquer créditos. Não é verdade, portanto, que o Brasil não tenha nenhum prêmio da mais famosa academia de cinema do mundo, o badalado “Oscar”. O episódio bem ilustra o desprezo e a exploração a que nosso país e os brasileiros foram expostos, historicamente,  sem escrúpulos, também nas  áreas das ciências e das artes, pelos poderosos integrantes do chamado Primeiro Mundo. Cadê a ética? Onde está o politicamente correto? Fica a pergunta que não quer calar: “Psiu! Cadê o Oscar que estava aqui?

Até mais amigos.

P.S. (1) Em 1.999, o mesmo roteiro foi adaptado para o filme brasileiro “Orfeu”, dirigido por Cacá Diegues, com Toni Garrido e Patrícia França, respectivamente, nos papéis de Orfeu e Eurídice e trilha sonora de Caetano Veloso.  O longa ganhou vários prêmios nacionais e o Festival Internacional de Cinema de Cartagena, na categoria de melhor filme.

P.S. (2) A canção Manhã de Carnaval dos nossos Luiz Bonfá e Antonio Maria foi cantada, no filme de 1.959, pelo saudoso Agostinho dos Santos, uma das mais lindas vozes masculinas de todos os tempos e se tornou uma das referências mundiais do movimento da bossa nova. Teve versões em várias línguas, mas a brasileira é a mais prestigiada e famosa entre os jazzistas americanos e teve intérpretes importantes como George Benson, Cher, André Rieu e Plácido Domingos.