sábado, 22 de agosto de 2015

LUCAS LIMA 2, CORINTHIANS 0 E O INFERNO TRICOLOR

Boa noite amigos,

°   Assistindo, na última 4ª. feira, ao jogo de ida entre Santos e Corinthians, pelas oitavas de finais da Copa do Brasil, partida disputada na Vila Belmiro, famosa por causa do Santos de Pelé, não pude deixar de me empolgar com o futebol refinado e decisivo, do meia Lucas Lima, da equipe do Peixe. Com 25 anos de idade  (apenas 5 de carreira profissional) e um estilo raro no futebol de hoje, unindo rapidez, precisão e uma leitura de jogo incomum,  o atleta, convocado pelo técnico Dunga, dois dias antes, para a disputa dos dois últimos amistosos da Seleção Brasileira, em setembro, antes do início das Eliminatórias para a Copa de 2.018, o meia “gastou” a bola, como se diz na gíria futebolística. Com extrema habilidade, intensa movimentação e um futebol vistoso de toques rápidos e certeiros, superou, especialmente no primeiro tempo do clássico, todas as tentativas de marcação da melhor defesa do Campeonato Brasileiro de 2.105 até aqui. Sem fazer gols, construiu as jogadas que redundaram nos dois gols santistas. No primeiro, fazendo lançamento milimétrico para o jovem Gabriel vencer a zaga e o grandalhão goleiro Cássio e, de cabeça, abrir o marcador, aos 31  minutos do primeiro tempo. O segundo gol, marcado aos 33 da etapa complementar, surgiu de uma troca de passes entre ele e Marquinhos Gabriel, com conclusão deste último,  que entrara no lugar do bom jogador Geuvânio, outra jovem  promessa  da equipe da Vila.  O Corinthians, por sua vez, perdeu, logo cedo, o concurso do atacante,  Luciano, que saiu com lesão grave,  e ao que parece desarticulou todo o esquema montado pelo técnico Tite.  O resultado, de 2 a 0,  espelha com precisão o que foram os 90 minutos da partida, que mostrou um Santos envolvente, jogando um futebol alegre, de toques rápidos e criativo na construção das jogadas de ataque ou contra-ataque e que, quando atacado, soube segurar sempre o adversário, com uma marcação séria e efetiva, a ponto de não sofrer nenhum chute a gol, durante todo o primeiro tempo;

° A importância do jogador Luciano para a equipe corintiana nos últimos jogos  foi  muito grande. O atleta marcou três dos últimos quatro gols do Timão,  nos jogos finais do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, sendo o responsável direto pelas vitórias que deram à sua equipe o título simbólico de Campeão do 1º Turno do Brasileirão e a manutenção de uma invencibilidade que já durava 11 jogos, antes da derrota de quarta-feira. Pena que a lesão grave do atleta – ruptura dos ligamentos com necessidade de cirurgia para recomposição – o tira do Campeonato Brasileiro deste ano, estimando o Departamento  Médico,  o tempo mínimo de seis meses para o seu retorno;


° O inferno astral vivido pelo São Paulo, que alterna grandes resultados com derrotas inesperadas e acachapantes, deixando a Diretoria, a Comissão Técnica e a torcida tricolor desorientadas e de “cabelo em pé”, sem encontrar uma explicação para essa impressionante “gangorra”, não consegue esconder uma outra realidade bem brasileira no futebol de hoje: a de que esse esporte está nivelado por baixo, não havendo muita diferença entre as equipes grandes tradicionais e outras de menor história e posição. O São Paulo, na última rodada do primeiro turno do Brasileirão, jogando em pleno Morumbi, num jogo teoricamente fácil contra o Goiás, que amargava a zona do rebaixamento, não só perdeu o jogo, como foi goleado pelo placar de 3 a 0. Acidente?  Pode ser. Eles acontecem também no futebol, com muita freqüência, gerando o que no passado chamávamos de “zebra”.   No meio da semana, porém, deixando de lado o Brasileiro, voltou a jogar no seu Estádio, pela Copa do Brasil, contra o Ceará, adversário que disputa a Série B do Brasileiro, onde se encontra na posição de “lanterna” com grandes chances de queda para a Série C. Li, antes do jogo, uma manchete num jornal da capital paulista indicando, de possíveis entrevistas feitas com atletas,  que o São Paulo pretendia golear o Ceará, de forma a facilitar o seu passaporte para as quartas-de-finais, antes do jogo de volta, na "Casa do Vovô". Conclusão: Perdeu, de novo, em pleno Morumbi, por 2 a 1, dando grande chance à equipe cearense de despachá-lo de vez, já na próxima 4ª. feira, quando jogará na sua casa, amparada por sua imensa e fanática torcida e poderá até ser derrotada pelo placar de 1 a 0, para seguir na competição. Como explicar? Preciosismo? Salto Alto? Boicote dos jogadores contra a Diretoria, que confessadamente, ainda não liquidou totalmente os direitos dos atletas, em atraso, o que nunca foi comum no São Paulo? Boicote à Comissão Técnica? Ou, nada disso: apenas a constatação de que nem o São Paulo, nem nenhuma equipe brasileira da atualidade, estaria em nível muito superior a equipes que, disputam qualquer das quatro divisões em que se divide o Campeonato Brasileiro.

Até amanhã amigos.

P.S. (1) O meia Lucas Lima, cujo nome de batismo é Lucas Rafael Araújo Lima, é paulista da cidade de Marília, onde nasceu em 09 de julho de 1.990. Tem 1,75 m. de altura e 70 kg.  Iniciou sua carreira profissional de jogador de futebol em 2.010, na Internacional de Limeira (2.011/2.012). Passou depois pelo Internacional de Porto Alegre (2.012/2.013), tendo sido emprestado ao Sport Recife (2.013). Foi adquirido por um grupo econômico para jogar no Santos em 2.014, onde fez uma grande temporada. Ganhou em 2.015 o Campeonato Paulista com o Peixe, tendo feito o último gol na partida final contra o Palmeiras. Tomara que dê certo na Seleção Brasileira, que está indiscutìvelmente carente de jogadores diferenciados;

P.S. (2) A primeira imagem da coluna de hoje é do meia Lucas Lima, dando entrevista coletiva e foi emprestada de espn.uol.com.br. A segunda e última é do meia-atacante Luciano, do Corinthians, comemorando o seu terceiro gol, na recente goleada de 5 a 2 da equipe do Parque São Jorge,  sobre o Goiás, no Itaquerão. Foi emprestada de esporte.uol.com.br.;

P.S. (3) A "Casa do Vovô" não é a casa do nosso querido vovô, pai do papai ou da mamãe. É a Arena Castelão, onde o Ceará, um dos grandes e tradicionais clubes do Ceará manda os seus jogos. Vovô, por sua vez, é o apelido carinhoso dado pela torcida à equipe. Daí, Casa do Vovô. Sacaram?





segunda-feira, 10 de agosto de 2015

CINEMA DE OSCAR - TEORIA DE TUDO, HONORÁRIOS COM CARTÃO DE CRÉDITO E FUTEBOL DO BRASILEIRÃO

Boa noite amigos,

° Fui ver The Theory of Everything (A Teoria de Tudo), um drama americano romanceado de 2.014, adaptado da obra biográfica Travelling to infinity: My life with Stephen, de autoria de Jane Wilde Hawking, a primeira mulher de Stephen William Hawking, um dos mais importantes físicos de todos os tempos. O longa foi indicado a cinco estatuetas do Oscar/2.015, dentre as quais, nas categorias de melhor filme, melhor ator para Redmayne, e melhor atriz para Felicity Jones. Levou dois Globos de Ouro nas categorias de melhor ator para Redmayne e Melhor Banda Sonora Original e o Oscar de Melhor ator. Credenciais suficientes para justificar a ida ao cinema, em tempos de escassez de bons filmes. O astrofísico Stephen Hawking nasceu em 08 de janeiro de 1.942 e em 1.963, muito jovem, causou alvoroço na prestigiada Universidade de Oxford ao desenvolver uma teoria simples, mas fundamentada, a respeito do Universo. Diagnosticado com uma doença incurável e degenerativa (esclerose lateral amiotrófica), recebe estimativa médica de apenas dois anos de vida. Nessa ocasião, Jane, uma jovem estudante de Artes, apaixonada por ele, convence-o a encarar o desafio de uma árdua luta pela vida, ao seu lado, e assim contraem matrimônio. Enquanto anos e décadas  vão se passando,  a doença evolui lentamente, sem no entanto, atingir a inteligência e a lucidez de Hawking, que continua seus estudos e cada vez é mais respeitado em todo o mundo, sua vida familiar vai se desenvolvendo com o nascimento, a criação e o crescimento de três filhos, com a colaboração de um professor de música solitário, que acaba se envolvendo afetivamente com a família.  O físico está vivo até hoje, contrariando todos os prognósticos, e aos 73 anos, metido numa cadeira de rodas, sem falar, mas beneficiado pela evolução da tecnologia, continua fazendo palestras e recebendo prêmios pelo mundo afora. Uma história, sem dúvida, empolgante que o diretor James Marsh levou para as telas, numa fórmula que tem tudo para agradar ao público, pela abordagem de tema universal, como o amor e sua capacidade de superação. A crítica especializada reconhece os méritos do filme, mas torce o nariz pela abordagem considerada superficial da vida e obra do astrofísico. O resultado, porém, no geral, é muito bom. Melhor que tudo, e o que paga o ingresso por si mesmo, é a magistral interpretação de Eddie Redmayne, no papel do protagonista, nas vários momentos e situações das limitações provocadas pela evolução da doença. Não deixe de ver.  

° Os advogados, em breve, poderão contar com mais um recurso para cobrança de seus honorários. A OAB de São Paulo está se movimentando no sentido de autorizar os seus profissionais a contratar e receber os honorários por meio de cartões de crédito. Em tempos difíceis para a economia do país, resta saber se os advogados vão se sujeitar a arcar com a alta taxa de administração cobrada pelos cartões de crédito, algo em torno de 4%, em troca da segurança no recebimento de honorários, a prazo;

° Os surpreendentes resultados da eletrizante 17ª. rodada do Campeonato Brasileiro da Série A e a ausência de uma equipe apontada como favorita ao título, tanto que nenhum dos vinte participantes tem situação folgada na tabela de classificação, nem na parte de cima, nem na parte de baixo,  sinalizam para uma das mais concorridas, parelhas e empolgantes versões do torneio na era dos pontos corridos;

° Um dos melhores jogos da rodada foi o clássico entre São Paulo e Corinthians no Morumbi que terminou empatado em 1 a 1.  Pena que o árbitro Leandro Pedro Vuaden tenha tido influência direta no resultado, ao não assinalar um pênalti claro de Uendel, aos 48 minutos do segundo tempo, ao se atirar na bola chutada pelo jogador Wesley para o gol. O defensor desviou, isto mesmo, desviou a bola de sua trajetória e isso não é pênalti? Aliás, o que adiantou a última orientação da FIFA, dispensando leituras de “intenções” pelos árbitros nesse tipo de lance, tão comum em áreas congestionadas. Aumentou a esfera do corpo com a abertura do braço, seja intencional ou não, é pênalti. E fim de papo!  É só  conferir o lance.

° A Ponte Preta, com a vitória de 1 a 0 sobre o Flamengo, no Majestoso, na estreia do técnico Doriva, encerra a fase preocupante de 7 rodadas sem vitórias e se distancia um pouco mais da temida zona do rebaixamento. Ao mesmo tempo, mantém o tabu de não perder para o adversário carioca, em Campinas, há 10 anos e freia o entusiasmo da torcida flamenguista, acometida de exagerado otimismo depois da contratação dos ex-corintianos, Emerson e o peruano Paolo Guerrero;

° Outro destaque: a impressionante goleada de 5 a 0 do Grêmio sobre o Internacional de Porto Alegre, no  tradicional clássico gaúcho mudou a tábua de classificação e o humor pelos lados do Colorado. É a maior contagem registrada no clássico em 100 anos de existência. Coisas do futebol.

Até mais amigos.



P.S. (1) O ator Eddie Redmayne, de pia batismal,  Edward John David Redmayne, nasceu em Londres, no Reino Unido e  tem apenas 33 anos de idade. É ator e modelo. Dentre seus principais trabalhos, além da Teoria de Tudo, seu grande sucesso, destacam-se: Richard II, no Teatro, no papel do Rei Ricardo II (2.011-2.012); Les Miserables, filme de 2.012, no papel de Marius Pontmercy;  na televisão,  na série The Pillars Of the Earth (Os Pilares da Terra), 8 episódios, no papel de Jack Jackson;

P.S. (2) A imagem da coluna de hoje, emprestada de portalpopcom.com.br, é de cena do filme A Teoria de Tudo, com os personagens Stephen Hawking e Jane Wilde Hawking, interpretados, respectivamente, por Eddie Redmayne e Felicity Jones.

sábado, 1 de agosto de 2015

EXPOSIÇÃO DE CINEMA DE ARTE NO CCLA DE CAMPINAS E OS CINECLUBES

Boa noite amigos,

1) Os cineclubes surgiram no Brasil na década de 20, com o objetivo de unir e reunir  os aficionados pela Sétima Arte, em torno de um lugar comunitário destinado  à  exibição de filmes e vídeos produzidos por essa mesma comunidade, ou de  filmes de arte, geralmente fora do circuito comercial, e discutir tudo, desde roteiros, mensagens e objetivos do autor e do diretor, desempenho dos atores, cenários, guarda-roupas, até  trilha sonora. Costuma-se afirmar que, diferentemente do cinema, em que o filme é uma mercadoria de consumo e entretenimento ligeiro, que proporciona, às agências e distribuidoras, o esperado lucro, e para o espectador,  prazer que se goza sozinho ou acompanhado em círculos muito reduzidos, no cineclube o que importa é o encontro[1] de pessoas, unidas pelo objetivo comum de estabelecer um relacionamento, umas com as outras, em torno do filme e sua mensagem, ou como produto meramente estético, porém indispensável ao cidadão ávido de  conhecimento, cultura e, especialmente, de comunicação com os seus semelhantes.[2]

2) Em Campinas, o cineclube surge  em 1.950, por obra e graça de um ilustre cidadão da terra, o arquiteto Marino Ziggiatti, hoje quase nonagenário e atual Presidente do Centro de Ciências Letras e Artes. Marino participou da criação de três importantes instituições ligadas à Sétima Arte: o Clube de Cinema da Associação Campinense de Imprensa, o Cineclube da Sociedade Reunidas e o Departamento de Cinema do Centro de Ciências Letras e Artes. Para contar a história de 65 anos de Cineclube em Campinas, desde o dia 15 de julho de 2.015, está em cartaz no Centro de Ciências, Letras e Artes, sob curadoria competente do jornalista e escritor, João Antônio Buhrer de Almeida, a Exposição “65 Anos de Cinema de Arte em Campinas”.

Na exposição, que visitei na data da abertura (ao lado foto de palestra do curador),   podem ser vistos anúncios, cartazes, reportagens e materiais, como as latas originais de João da Mata, filme antológico de 1.923, de Amilar Alves, que foi exibido em Campinas em 1.950, no Teatro Municipal, com enorme sucesso, tendo 


[1] Dizia Vinícius de Moraes que “a vida é a arte do encontro, embora exista tanto desencontro pela vida”;
[2] “Um cineclube se organiza antes de tudo pela vontade do convívio comunitário, pelo desejo de reunir os amigos, de participar de alguma atividade diferente da existente, de exercer a cidadania. Cincelube é antes de tudo uma atitude cidadã! A organização burocrática vem depois” Disponível em: http://www.culturadigital.br/cineclubes/cineclube/rtigos/o-que-e-um-cineclube/. <Acesso em 31 de julho de 2.015>
___________________________________________________________________
como um dos produtores, José Ziggiatti, pai de Marino. Essas latas  estavam esquecidas embaixo de uma escada de um antigo prédio. As reportagens, fotos e cartazes lembram os vários ciclos de cinema, as jornadas de cineclubes, as palestras proferidas nas dependências do CCLA e os festivais promovidos nas seis décadas decorridas, graças ao empenho de Marino e de cinéfilos da cidade, comprometidos com a continuidade e a excelência das atividades do centro[1].  

A exposição vai até o dia 15 de agosto de 2.015, e merece ser vista, pois é um registro importante da memória da cidade e de seu envolvimento com a Sétima Arte.

Até amanhã amigos.

P.S. (1) As imagens da coluna de hoje, minhas e obtidas de celular, exceção à última,  são todas da exposição 65 Anos de Cinema e Arte de Campinas. A última imagem (emprestada de jornallocal.com.br) é do saudoso Cine Paradiso, aos fundos da Galeria Barão Velha;

P.S. (2) Os cineclubes, seus adeptos e objetivos não desapareceram,  absolutamente. Às vezes,  sem alusão a esse nome, algumas companhias cinematográficas se propõem  a exibir filmes de arte, que estão fora dos circuitos comerciais,  com ambiente propício para debates entre os espectadores, no final das sessões. Em Campinas, tivemos o saudoso Cine Paradiso, pequenino, situado aos fundos da também pequenina Galeria Barão Velho, na rua Barão de Jaguara, 936, Loja n. 09, Centro da cidade, que funcionou durante 17 anos, entre 1.992 e 28 de outubro de 2.009, quando cerrou suas portas, exibindo o filme Os Amantes, para dar lugar a um restaurante. Um dos proprietários, cinéfilo compromissado com a comunidade, escolhia os filmes, vendia ele próprio os ingressos e recebia o público na porta de entrada, tudo para baratear os custos e vivenciar pessoalmente a alegria de dividir o prazer comum. Depois, encerrado o acesso, cerrava as portas e ia assistir, com seus  companheiros, aos filmes em cartaz. No final das sessões eram comuns comentários, conversas e debates acerca dos filmes. Infelizmente, por absoluta falta de viabilidade financeira, o Cine Paradiso fechou as portas em 28 de outubro de 2.009.  O Cine Jaraguá, funcionou durante algum tempo, com proposta de cineclube,  no Shopping Jaraguá, na Avenida Brasil, aqui em Campinas. Mas o cinema e o próprio shopping desapareceram,  dando lugar a outro tipo de empreendimento.  O último reduto dos apreciadores do cinema de arte na cidade,  foi o cine Topázio do Shopping Prado, no Parque Prado.  Não resistiu, porém, às exigências de um mercado cada vez mais fincado no cinema comercial de rápido consumo e lucro fácil. Li nesta semana, no Correio Popular, que no Distrito de Barão Geraldo,  já há um movimento para tentar resgatar o cinema de arte, propondo alguns locais, horários e datas e convocando os adeptos para auxílio na elaboração da programação e obtenção de recursos.





[1]Em 1.965 surgiu o Cineclube Universitário de Cinema, que também se utilizou das dependências do CCLA, fiel parceiro destes jovens cineclubistas. Os integrantes deste grupo foram Rolf Luna Fonseca, Luís Carlos Borges e Days Fonseca. Permaneceram ligados ao CCLA até o encerramento daquele Cineclube, em 1.974.” (notas extraídas do texto EXPOSIÇÃO “65 ANOS DE CINEMA DE ARTE EM CAMPINAS”, assinado pelo jornalista e curador da exposição, João Antônio Buhrer de Almeida).

domingo, 26 de julho de 2015

O LARGO DA CATEDRAL DE CAMPINAS NOS PINCÉIS DE FÁTIMA FREITAS

Boa noite amigos,

O sol ainda era tímido às 12,30 horas deste domingo de inverno. A caminhada quase costumeira dos domingos, pela feira de artesanato do Centro de Convivência Cultural,  hoje  bem mais tarde, por causa do frio, nos levou a uma parada diante de um stand, com apenas três telas, que chamaram a atenção, tanto pelos cenários focalizados (o Largo da Catedral em Campinas, o prédio do Museu de Arte de São Paulo (Masp),  e algumas tomadas de Paris distribuídas numa única tela),  como pela técnica diferenciada da autora, em relação à maioria dos pintores que ali expõem seus trabalhos nos finais de semana.  A assinatura é da artista plástica, Fátima Maria Freitas, com quem conversamos um pouco. Como apaixonado pela cidade de Campinas e por sua história, a tela denominada Catedral de Campinas Nossa Senhora da Conceição, revelando um dos pontos mais bonitos e tradicionais da cidade (o Largo da Catedral), com todo o seu entorno natural e artificial, incluindo o bonde que por ali transitava na época, no trajeto feito a partir da Estação Ferroviária,  no distante ano de 1.963, logo me encantou e, depois de indagar sobre o preço, bati o martelo: o quadro é meu e já o vi, majestoso, embora discreto, numa das paredes do meu escritório da rua Barão de Jaguara, com os seus 60 x 100. A técnica utilizada foi o acrílico e óleo sobre tela, com verniz protetor corfix. O trabalho da artista plástica merece ser observado e conferido. No meu conceito, e especialmente no de minha mulher, que é também artista plástica, formada em Artes e crítica exigente, é considerado bastante bom.

Até amanhã amigos,

P.S. (1) As imagens da coluna de hoje são das telas: 1)  Catedral Nossa Senhora da Conceição, em 1.963; 2) Museu de Arte de São Paulo Assis Chateubriant; 3 e 4), Perspectivas de Paris, a Cidade Luz,  todas de autoria da pintora, Fátima Maria Freitas. A 4ª. e última imagem (emprestada de protestocultural.wordpress.com),  é do Teatro Municipal Carlos Gomes de Campinas,  que foi inaugurado em 1.930 e demolido no ano de 1.965;
  
P.S (2) o trabalho da  artista plástica Fátima Maria Freitas pode ser conferido em kagi Atelier facebook. O telefone de contato  é (019) 993560821 e o e.mail  fatimafreitas7@gmail.com;


P.S. (3) Na época retratada na tela da Catedral, ainda existia, na parte dos fundos do Largo, o famoso Teatro Municipal Carlos Gomes, projeto do arquiteto, Ramos de Azevedo, com capacidade para 1.300 pessoas, demolido na Administração do Prefeito Ruy Novaes, no ano de 1.965, sob alegação de que a construção estava condenada por causa da invasão de cupins. Essa versão é contestada até hoje, e o fato marcou a administração do alcaide, de forma negativa. Desde então, jamais a cidade, apesar de sua importância como a principal do interior do país, capital de uma região metropolitana de grande expressão econômica e cultural, não viu construir, até hoje, um teatro com a mesma magnitude,  importância e a versatilidade daquele. Fala-se nos últimos anos,  na edificação de um teatro municipal  no Parque Ecológico, numa parceria entre a Prefeitura de Campinas e o Governo do Estado de São Paulo. O projeto, porém, continua no papel e, em tempos de "vacas magras", no papel deve continuar por mais algum tempo;



P.S. (4) A artista garante que o estilo da tela Catedral Nossa Senhora da Conceição é o impressionista. Não nos convencemos disso. O quadro retrata a Catedral e a natureza, assim como o bonde e o entorno,  tal como existentes (o modelo, segundo a autora,  foi uma fotografia da Internet), com a intenção manifesta de reproduzi-los, o que não atende ou não atenderia ao critério impressionista, que mais se preocupa com as pinceladas livres e  a ausência proposital de verossimilhança nas suas imagens, fugindo do clássico, ainda que também se enquadre no gênero arte figurinista, que busca retratar o humano e as coisas concretas. A cor preta, que dá um toque especial de envelhecimento e saudosismo em quadros de Fátima, é um outro detalhe que afastaria o seu estilo do dos impressionistas, que nunca faziam uso dessa cor, nos seus trabalhos, porquanto, uma das características marcantes do estilo impressionista consistia na projeção da luz do sol sobre as pessoas e coisas, as iluminando e modificando as suas cores originais. Isso também valia também para as sombras, que haveriam ser sempre luminosas e coloridas.


quarta-feira, 15 de julho de 2015

TEATRO DE COMÉDIA - A BANHEIRA

Boa noite amigos,
Depois de temporada de sucesso no Teatro Folha em São Paulo, está em cartaz em  Campinas, no Teatro Amil do Shopping Center D. Pedro, a peça “A Banheira”, que segundo, o diretor, Alexandre Reinecke é uma comédia nacional de autor, uma modalidade que vem se perdendo em num momento em que os comediantes andam escrevendo seus próprios textos. No enredo, um respeitável cidadão, (Anderson Miller), cedendo às tentações de sua fantasia sexual, e aproveitando a ausência temporária da mulher (Carol Mariottini) , leva para sua própria casa um travesti, cujo nome de guerra é Melissa (Wilson de Santos), pretendendo fazer sexo com ele na própria cama do casal.  São, porém, surpreendidos por um ladrão, Romis Ferreira, que depois de assaltá-los, decide trancá-los num dos banheiros da casa. Com a chegada da mulher e de uma vizinha (Sara Freitas) e o retorno do ladrão, a confusão se estabelece, provocando a trama encontros e desencontros, expectativas sombrias e desastrosas,  como a ameaça de cair por terra  a fama de machão e  de homofóbico do chefe de família e a revelação do segredo da esposa,  que tem um irmão gay, nunca revelado ao marido. O roteiro dinâmico e muito bem conduzido pela sempre segura direção de Alexandre,  garante a atenção da plateia durante todo o tempo da peça, cerca de 75 minutos.  Por outro lado,   a linguagem simples e coloquial de que se vale o autor,  torna o espetáculo acessível a qualquer pessoa, independentemente da classe social e do grau de instrução. Todos os atores do elenco executam bem os seus papéis, mas o impagável Wilson de Santos, no papel do travesti Melissa é o grande responsável pelo diferencial dessa comédia. O próprio Wilson, que integrou o grupo de teatro Cia. Baiana de Patifaria, durante mais de 15 anos, grupo esse que se tornou notável pela utilização de atores em papéis femininos, dá o tom de seu personagem: A Melissa é uma grande surpresa e o espetáculo é daqueles feitos para o público se acabar de tanto rir. É a pura verdade. A diversão é garantida. E mesmo com um roteiro sem grande originalidade e um texto com alguns clichês, como a utilização de linguagem escatológica em certa medida e  do estereótipo do “gay” ou “travesti”, que faz piada de sua  própria condição, é indiscutível a qualidade da peça, que agradou o público e também a crítica. Fomos no último domingo e gostamos do espetáculo. Se puder não deixe de ver. A peça fica  em cartaz até o dia 02 de agosto na temporada campineira.

Até amanhã amigos.


P.S. (1) Ficha Técnica:  A Banheira. Texto: Gugu Keller. Direção: Alexandre Reinecke. Elenco: Anderson Mulller, Wilson de Santos, Carol Mariottini, Romis Ferreira, Sara Freitas e Mauro Felix. Recomendado para maiores de 14 anos. Teatro Amil – Shopping Center D. Pedro, Campinas, S.P., sessões: às 6ªs. feiras e sábados, às 21,00 horas. Domingos, às 19,00 horas. Até 02 de agosto de 2.015;

P.S. (2) A primeira imagem da coluna de hoje, da propaganda oficial do espetáculo, com todo o elenco dentro da banheira, foi emprestada de www.ingressos.com.br. A segunda imagem é de cena da peça com o ator Wilson de Santos no papel da travesti Melissa e foi emprestada do site vejasp.abril.com.br.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

O CAIPIRA E O FURTO DOS PORCOS - CAUSAS & CAUSOS



Boa noite amigos,

Aqui vai, para alegrar o começo de semana,  um novo "causo" que está no livro "Causas & Causos", o primeiro que escrevi e foi publicado pela Editora Millenium, de Campinas, em 2.006.


"Juiz novo assume pequena Comarca do interior do Estado de São Paulo.
 Jeito sisudo vai logo dando conta do serviço para mostrar à população que não vem p’rá brincadeira.
    Já enfrentando o primeiro processo, que é criminal, depara-se com uma denúncia do Doutor Promotor a respeito de uma tentativa de furto.
 Ali se descreve curiosa situação. Certo sitiante fora apanhado pela polícia, em dia e hora mencionados, na chácara de um outro sitiante, no momento em que tentava consumar o furto de porcos.
 Recebida a denúncia, marcou-se data para o interrogatório.
No dia aprazado, depois de indagar do acusado caipira a respeito dos fatos, pergunta:

 - O senhor confirma ou nega a acusação?

 O réu, tirando respeitosamente o chapéu, se dirige ao Magistrado, dizendo:

- Ôi  Dotô, eu vô falá bem a verdade pro sinhô, porque eu não sô hôme de mentira. Essas coisa que escrevero aí a meu respeito é uma grande calúnia, eu pobre mais honesto, nunca me aconteceu uma coisa dessa, doutô, eu sinto inté vergonha.
 O magistrado intervém:

-  Se o fato não é verdadeiro, qual é a sua versão dele.

E  de novo o caboclo:

 - Dotô. Eu vou contá só a verdade pro sinhô. Nesse dia que está escrito aí nesse paper, eu vinha a pé do meu sítio pra fazê umas compra na cidade. De repente me deu um apertamento de intistino, coisa que não dá pra segurá de braba que é. Aí eu pensei de repente. Eu não posso fazê essas vergonha aqui no meio da rua. Eu vi a cerca do sítio do compadre e arresolvi pulá pra dentro para fazê minhas necessidade no meio do mato. Eu vi memo que tinha uns porco lá. Mas dotô, pelo amor de Deus, eu não sô home de pegá nada dos outros, Deus me livre! Aí doto, quando eu to pronto pra levantar, me chega o dono do sítio com a polícia dizendo que eu ia robá os porco. Por Nossa Senhora Aparecida, nem me passô pela cabeça isso.

O caipira, humilde e respeitosamente,   simplório defendia sua versão com tanta sinceridade e veemência,   que o Juiz registrou o seu depoimento e marcou audiência para início da instrução, não sem ficar impressionado do que ouvira e assistira.
 A primeira pessoa a depor, na seqüência,  era a vítima, por sinal um outro caipira, também simplório e respeitoso, tanto quanto o réu.

O Juiz que se impressionara e muito com a estória contada pelo réu, dirige-se à vítima,indagando:

 - Então o senhor é que é o dono do sítio onde o réu foi surpreendido na tentativa de furto.

 – , sim sinhô.

  - Pois bem, diz o Juiz, no interrogatório ele garantiu que é pessoa honesta e que adentrou a sua propriedade apenas para fazer necessidade fisiológica, tendo ocorrido, portanto, um engano, quanto ao objetivo da invasão. O que é que o senhor acha disso?

 O matuto, segurando timidamente no colo o velho e surrado chapéu de palha , vira-se ao Juiz e responde, surpreso:

 - Doutô, o que eu acho? Quem sou eu pra acha arguma coisa. Se o sinhô que é um homem de muita leitura, curto, tá achando que o home foi injustiçado, não vai sê eu que vô achá arguma coisa.

O Juiz, animado:

- Bem, o senhor acha que pode ter havido mesmo um engano, um erro, uma interpretação equivocada.

 O matuto enfático:

 - Craro, craro seu Juiz. Vai vê que o coitado foi lá memo fazê as necessidade dele e nóis pensamo mar dele, né. Pode sê memo.

O Magistrado já convicto e pronto para ditar o depoimento, remata:

 - Bem, então ao menos podemos assegurar a ele o benefício da dúvida. A tese dele é provável, é possível, é plausível.

O caboclo:

 - Se é prausíve eu num sei, porque nem sei o que é isso.  Mais pode ser memo verdade. Até dotô, eu quero falá uma coisinha pro sinhô,  quando nós cheguemos lá o coitado tava com uma porca debaixo do braço.

Pequena pausa. E o remate:

                                          -  Vai vê que o coitado já tava prontinho pra limpá a bunda quéla, né, doutô."


Até amanhã amigos.

P.S. A caricatura da  coluna de  hoje, denominada "Dois Caipiras" foi emprestada de blogdamamaegansa.blogspot.com.
                                          

                                                            


sexta-feira, 10 de julho de 2015

EL CONQUISTADOR - UM VINHO QUE CONQUISTA

Gente,

Quando se fala em quase R$100,00 (cem reais) para uma garrafa de vinho, não se pode afirmar que se trata de vinho barato, já que é possível adquirir um bom chileno, da linha dos razoáveis, Santa Helena e Casillero Del Diablo,  ou um clássico português Periquita, ou ainda um Tempranillo Pata Negra Oro, espanhol,   por um terço desse valor. Mas o El Conquistador, um excepcional malbec, produzido pela Escorihuela Gascón, de Mendonza, na Argentina, é um exemplar que merece cada centavo que se paga por ele.  É um vinho bem estruturado e de gosto persistente, trazendo aromas de frutas vermelhas e negras, além de baunilha e de uma dupla que sempre  se dá bem: chocolate e café. Só recentemente, jantando com dois casais amigos no Restaurante do Theo, no Cambuí, aqui em Campinas, fui convidado a prová-lo, para acompanhar a refeição principal, à base  de carne vermelha, e, ainda assim,  depois de degustarmos, na entrada, duas garrafas de Veuve Clicquot. Conclusão: Adorei esse  vinho de cor púrpura e tons vermelhos brilhantes, com sabor persistente na boca e recomendo aos amigos para uso próprio ou para presentear alguém especial.  Acompanha bem todos os pratos, mas  especialmente, pela sua boa estruturação, os de carne vermelha variados (pode ser o chorizo argentino) ou condimentados em geral (um risoto por exemplo).

Até amanhã amigos.

P.S (1) Suspeita-se que o primeiro vinho 100% Malbec tenha sido feito pela Escorihuela Gascón, a produtora do El Conquistador, que se situa em Mendonza, na Argentina. A botega remonta 1.880, quando o espanhol Miguel Escorihueal Gascón imigrou de sua terra natal para a Argentina, onde adquiriu, na Província de Mendonza, 17 hectares de terra, iniciando a cultura da uva malbec e a produção de vinhos. Com muito prestígio, a marca continuou sendo explorada pelos herdeiros de Miguel, depois de sua morte em 1.933.   Em 1.993, passou a pertencer a Nicholas Catena, um “winemaker” que investiu pesadamente na modernização do negócio, adequando-o às exigências do mercado atual;

P.S. (2) Você pode adquirir o El Conquistador, dentre outros estabelecimentos, no tradicional e completo Gran Cru, fone 0800-777-8558;


P.S. (3) O Malbec, um tipo de uva francesa e principal variedade da região de Cahors, também presente em Bordeaux, encontrou condições excelentes na Argentina, onde produz vinhos frutados, muito macios, de bom corpo, cor escura e tânicos, para ser consumido ainda jovem. Malbec é utilizado amplamente por vinícolas argentinas, sendo essa produção equivalente a 59% do plantio mundial (www.wikipedia.com.br);

p.s. (4) A bodega Escorihuela Gascón (segunda imagem da coluna de hoje emprestada de seu site),  funciona no mesmo casarão histórico em que teve início a atividade, em 1.880, hoje totalmente reformado e conservado, mantendo, todavia, as características originais. Situa-se no coração da cidade de Mendonza, Argentina, no 1188, Gral. Manuel Belgrado, 5501, Godoy Cruz, tel. (54) 261424-2282.