sábado, 21 de abril de 2012

LITERATURA BRASILEIRA - EM ALGUM LUGAR DO PARAÍSO - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO


Boa dia  amigos,

Luiz Fernando Veríssimo é um dos meus escritores preferidos, especialmente  em crônicas. É um mestre na narrativa curta, como assinala a sua atual editora, a Objetiva, do Rio de Janeiro.   De sua vasta obra, ao longo dos 75 anos, o gaúcho de Porto Alegre, torcedor fanático do Internacional  e filho de pai ilustre, o consagrado escritor Érico Veríssimo, constam crônicas, romances, quadrinhos, obras infanto-juvenis, muitas adaptadas para o cinema, teatro e TV. É um dos escritores que mais vendeu livros: cerca de cinco milhões de exemplares, o que se traduz em um fenômeno de vendagem, especialmente no Brasil. Criou personagens que ficaram conhecidos e famosos como o detetive particular, Ed Mort, um carioca de coração mole e nenhum tostão no bolso,   a Velhinha de Taubaté, definida como a “única pessoa que ainda acredita no governo”,  o Analista de Bagé (um gaúcho grosseiro, com linguajar  e costumes da fronteira do Rio Grande do Sul, com Uruguai e Argentina,  aos mesmo tempo sofisticado, por força de formação freudiana ortodoxa).   Dentre suas obras destacam-se “Comédia da Vida Privada” (1.994), que a TV Globo transformou em especial e depois numa série de 21 programas, que você pode rever atualmente nas boas reprises da Tv Viva (canal 36),  “As Mentiras que os Homens Contam” (tiragem com mais de 350.000 exemplares), A Mãe de Freud (1.985), Comédias da Vida Pública etc. No final do ano passado, Veríssimo lançou mais um livro, reunindo deliciosas  crônicas que foram publicadas em diversos órgãos da imprensa para os quais trabalhou (Revista Veja e pelos Jornais O Globo, do Rio,  Zero Hora, de Porto Alegre e o  Estado de São Paulo, de Sampa). Trata-se de EM ALGUM LUGAR DO PARAÍSO.” (Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2.011, 198 páginas). Cito em seguida dois pequenos trechos, uma “palhinha” do que está no livro.

“O tempo não foi a única novidade trazida por Eva ao jardim do Paraíso. Foi ela que, dias depois, colheu o fruto proibido, que os tornou, de uma só mordida, sexuais e mortais. E foi depois de comer o fruto proibido, quando a Terra entrou na sombra da noite e os dois se deitaram lado a lado, que Adão sentiu seu membro, que ele pensara que fosse só para fazer xixi, se mexer. E avisou à Eva: - É melhor chegar para trás porque eu não sei até onde este negócio cresce”.



“Cheguei tarde à infância e muito cedo à adolescência. A revolução sexual começou exatamente um dia depois que eu casei com a minha mulher porque era a única maneira de poder dormir com ela. Nos casamos num sábado e a revolução sexual começou no domingo. Ainda tentei desfazer o casamento, já que não precisava mais, mas não deu, estava feito”

Leitura agradável de uma livro de crônicas baseadas  em  sátiras de costumes e no  humor conferido pelas situações vivenciadas  (ou imaginadas) pelo autor.

Se você gosta do autor, aprecia o  seu estilo refinado de fazer humor, vai    se sentir leve e recompensado com as crônicas e a leitura.


Até amanhã.


P.S. (1)  Luis Fernando Verissimo também foi tradutor, publicitário,  e músico. Tocava saxofone em uma banda nos anos 80,  e foi apaixonado pelo jazz,  gênero que curtiu muito no tempo em que viveu nos Estados Unidos;

P.S. (2)  O pai do autor, o escritor Erico Veríssimo,  teve como um de seus famosos romances, a trilogia  O TEMPO E O VENTO, clássico da literatura brasileira, dividida em O Continente (1949), O Retrato (1951) e Arquipélago (1.962),  trilogia essa que conta a história do Rio Grande do Sul de 1.680 a 1.945 (fim do Estado Novo), através das sagas das famílias Terra e Cambará e  que virou minissérie de sucesso na televisão.

P.S. (3)  Érico é também autor de  OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO (1938), um dos  romances  mais sensíveis e profundos que eu li na minha mocidade.

P.S. (4) As imagens que ilustram  a coluna hoje foram  emprestadas dos sites hojeemdia.com.br e agenciariff.com.br, respectivamente.



  




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