sábado, 3 de março de 2012

ARTE CAMPINEIRA - A PINTURA DE ALEXANDRE MELO

Boa noite amigos,


Hoje é sábado e vamos falar um pouco de arte e de artistas competentes de nossa cidade. Há tempos, quando vou à Feira de Artesanato do Cambuí, que funciona aos sábados e domingos pela manhã, tenho minha atenção voltada para os quadros de um artista aqui da terra. Gosto do estilo solto, mas denso. Das motivações e das cores. E também das dimensões desproporcionais utilizadas às vezes, com que o pintor procura dar ênfase ou destaque.  Marquei uma entrevista. E hoje conversamos informalmente ali mesmo, pois ele trabalha sozinho e não pode se ausentar da banca onde comercializa as suas telas. Começou dizendo que  na infância  já se encantava com os desenhos, traçados e linhas elaborados  pelo  irmão mais velho. Depois, na adolescência, sentindo-se habilitado para tarefas manuais, foi trabalhar na pintura de faixas e letreiros, utilizando todo o material pictórico com muito engenho e atenção voltada  para a combinação de cores. O destino estava mais ou menos traçado. Curso universitário? Bem, na área de Artes Plásticas, claro.  Graduou-se em Artes pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas em 2.000, com Licenciatura.  E fez Especialização na Universidade Estadual de Campinas, concluindo-a  em 2.010. Sua vida profissional começou propriamente com escultura em argila, para depois, gradativamente, migrar para a pintura, que agora é a categoria em que trabalha com   exclusividade. A par dos quadros e de sua comercialização (feita apenas no espaço que ocupa todos os sábados e domingos na tradicional feira de artesanato do Centro de Convivência Cultural de Campinas) dedicou-se ao Magistério no ensino médio em escola pública  na periferia de Campinas. Tem fregueses na cidade, no Estado, no País e até no Exterior.  Há muitos anos,  o jornalista e comentarista esportivo Carlos Batista, que comanda um programa  local  na TV Bandeirantes, em  ocasiões do derbi campineiro, a ele encomenda a pintura de um  quadro alusivo ao evento, que é entregue como presente da emissora  ao melhor jogador de Guarani ou Ponte Preta, conforme o caso. É a sincronia entre a arte que faz deslizar a bola pelos campos e a que decorre da inspiração e de mãos que deslizam competentemente o pincel sobre  telas.

A ENTREVISTA

Se a arte se aprende na escola? Bem, ficamos no meio-termo. Não podemos dizer que a arte dispensa a habilidade, mas o talento também decorre do estudo e do empenho de alunos interessados. Como professor muitas vezes observo alunos que demonstram dificuldade e são menos hábeis que outros.  Mas  vão superando a falta de habilidade inicial,  com bastante dedicação e empenho e o auxílio imprescindível do mestre. 

O meu estilo sempre foi o mesmo. Posso chamá-lo de estilo “figurativo”. Meus quadros retratam personagens e realidade, com motivação brasileira e ênfase  na Bahia,  no nordeste, praias, morros e  periferia. Acrescentaria que na minha obra três coisas são recorrentes: muitas cores fortes, movimento e falta de proporção proposital. Claro que com o passar do tempo e a maturidade você vai se aperfeiçoando. Hoje a toque do pincel é diferente e uso também a  espátula para  obter maior densidade, quando é preciso.

Viver de arte no Brasil é praticamente impossível, a não ser para muito poucos. Mas o importante é a produção, a exposição e a educação para a arte. Às vezes recebo alunos aqui na feira, elogiando este ou aquele trabalho, esse ou aquele detalhe. E olha, não sinto diferença entre o aluno mais modesto de escola pública e os mais aquinhoados, que em tese teriam condições de melhor conhecer,  apreciar e entender trabalhos artísticos. Há períodos em que aqui na Feira, vendo muitos quadros. Outros que por razões que desconheço, a procura é pequena. Penso que essa dificuldade não é exclusivamente brasileira, mas afeta artistas de todo o mundo.

Penso que a  minha pintura sofreu influência especialmente de dois grandes pintores brasileiros: Candido Portinari e Di Cavalcante.
OPINIÃO
Os quadros de Alexandre Melo, como se pode observar e ele mesmo considera, retratam personagens em situações diversas,  seus dramas e alegrias , os quais busca captar de forma autêntica e subjetiva.  As cores utilizadas  são fortes, dando um toque de intensidade para a mensagem que se busca traduzir. Essa intensidade ora é enfatizada por cores ou luzes, ora pela desproporção de algum detalhe.  As telas  se adaptam com perfeição a ambientes modernos, sem evidentemente, excluir outros, assunto que não é da minha área e sim  afeta aos decoradores e designers de ambiente.
P.S. (1) O figurativismo ou pintura figurativa representa temas como pessoas, objetos como por exemplo uma mesa, uma paisagem ou uma flor e que pode ser realista ou estilizada. A ele se contrapõe a chamada pintura abstrata que não se preocupa em representar objetos e se expressa por si mesma. Ela é um objeto de arte e não a representação de alguma coisa. Ambas, porém, podem expressar estados emocionais indiferentemente;

P.S. (2) O Renascimento, o barroco e o realismo são citados como exemplos de estilos artísticos nos quais o figurativo predomina, mas o chamado figurativo realista. Já o impressionismo e o expressionismo também são figurativos, mas menos preocupados com a representação fotográfica da realidade (fotorealismo);

P.S. (3) Candido Portinari conseguiu retratar questões sociais em suas obras, sem desagradar ao governo e aproximou-se da arte moderna européia. Suas pinturas se aproximam do cubismo, do surrealismo e dos pintores muralistas mexicanos, sem, contudo, se distanciar da arte figurativa e das tradições da pintura. O resultado é uma arte de características modernas.

P.S. (4) As observações acima foram extraídas do site pt.wikipedia.org;

P.S, (5)  A biografia e a obra completa de Alexandre Melo pode ser conferida no seu site www.artmelo.com

P.S (6) Duas observações quanto à opinião por mim manifestada: a) não sou especialista no assunto, mas simples admirador; b) acredito, como alguém que não me lembro já afirmou que "a arte não é para ser entendida, mas para ser sentida",  e o meu juízo é mero reflexo do que sinto e imagino, podendo, é claro, nada ter a ver com a proposta ou a  mensagem do autor. 

P.S. (7) Imagem 1 - O artista Alexandre Melo; 2 - Quadro: Casario;  3) Derbi Campineiro.

 Até amanhã amigos.

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